abril 29, 2002
Boden ----> Estocolmo
Pois é, decidi ir até Estocolmo me cadastrar direitinho porque não vou gastar meus momentos no Rio para resolver burocracia eleitoral. Nem pensar! Pago pra não me aborrecer. Aliás, paguei até um preco razoável. Pela viagem ida e volta, de trem, em vagão apenas para senhoras, com cama individual, dei 1200 coroas suecas, mais ou menos 120 dólares. É uma viagem longa, no entanto. Estou indo hoje às 21h55min, chego em Estocolmo depois das 10h da manhã de terca-feira, acerto os meus assuntos na embaixada, pego o trem das 17h27min e chego aqui em Boden quarta-feira, primeiro de maio, às seis da manhã.
Cheguei a verificar quanto custaria uma passagem de avião. Como estou viajando assim em cima da hora, o bilhete sairia por impossíveis 4300 coroas (uma viagem para o Rio custa 6 mil). Mas se eu pudesse reservar o bilhete com muita antecedência, pagaria muito menos: cerca de 1 mil coroas. Mas acho que vai ser legal viajar de trem. Nunca me esqueci como foi sensacional atravessar a Europa de trem, em 1993, quando viajei sozinha por Espanha, Franca, Itália, Holanda e Bélgica, com mochila nas costas e um Europass na mão. Foi ótimo. Bom, já vou. Vejo vocês na volta, ok? Hej då!
Burocracia
Recebi cartinha da embaixada do Brasil em Estocolmo (não tem homepage, uma pobreza) avisando sobre a necessidade de recadastramento do título de eleitor para que possamos votar nas eleicões presidenciais de outubro. Acabo de ligar pra lá e descobrir que:
-- Preciso ir a Estocolmo até o dia 8 de maio fazer o recadastramento senão não posso votar.
-- Se não votar terei de gastar dias da minha viajem ao Brasil para justificar meu voto na minha zona eleitoral... E eu nem sei onde fica isso.
-- Tenho que ir pessoalmente a Estocolmo para me cadastrar lá. Não posso fazer isso aqui em Boden, nem sequer na polícia, que pode provar que eu sou eu mesma.
Ir a Estocolmo é caro. Estou guardando dinheiro pra minha viagem ao Brasil, em agosto próximo, como uma garotinha economizando a mesada para ir à DisneyWorld.
Droga! Quero votar, mas toda essa burocracia é de matar! Se bem que eles só estão fazendo a parte deles. Sou eu que moro longe da civilizacão. E isso é difícil pra quem nasceu e morou no Rio a vida toda. Tô acostumada a ter tudo ali, na esquina. Quando trabalhava na Barra e tinha que atravessar a Avenida das Américas pra ir ao banco ficava em desespero! Tô acostumada com o Leblon e com a cidade, onde tudo está a um passo.
Acho, mesmo assim, que vou gastar as minhas coroinhas e ir me recadastrar. E terei de voltar lá dia seis de outubro pra votar e ainda outra vez, dia 27 do mesmo mês, caso haja segundo turno. Mas acho que vale a pena.
Dicas de um chocólatra de primeira
Essas dicas foram enviadas pelo Tom Taborda e achei que deveria publicá-las aqui porque há muita gente como eu: chocólatra sem muita organizacão. Um pouco de disciplina e informacões corretas fazem muito bem à saúde. As dicas dizem respeito à receita do "kladdkaka", que publiquei um pouco abaixo.
"Oi gente! Não confundam: 'Cacau em Pó' é 'cacau em pó' e está escrito assim na embalagem, não é 'Chocolate em Pó'; nas receitas, misturo 1:1 com açúcar demerara (não o mascavo), fica delicioso.
O chocolate em pó já tem açúcar; e os 'achocolatados' (Nescau) têm ainda mais açúcar.
A Nestlé tem apenas uma enorme caixa industrial do cacau em pó (acho q de 4kg), ela é marrom. A Garoto tem a caixinha pequena, mas é difícil achar. O mais prático é comprar o pacotinho embalado a vácuo nas lojas do Mundo Verde. Lá tem Cacau em Pó.
Chocolate em pó é 'chocolate em pó'. A caixa da Nestlé é vermelha (com os dois frades, que herdou da antiga embalagem do 'Chocolate em pó Gardano', que me lembro da minha infância); tem a industrial e a pequena; a pequena, tanto da Nestlé quanto da Garoto são facilmente encontráveis nos supermercados. Mas não é 'cacau'.
E, mais uma dica:
1 decilitro = 100 ml (mililitros)
10 decilitros = 1000 ml = 1 litro
basta usar um copo graduado, daqueles de plástico com as marcações.
Beijocas chocólatras a todas,
Tom"
Não é um luxo? Pois é, cacau é cacau que não é chocolate em pó. A embalagem a que eu me referia era definitivamente a de chocolate em pó, porque me lembro vividamente de minha avó comprar pra casa e era vermelha com os dois frades gordinhos na capa.
Anyway, ainda continuo achando a minha receita torta melhor do que a receita sueca correta. Usei o equivalente sueco do Nescau e menos manteiga. Fiz quase um brownie do Chez Belle. Uma gostosura. :c)
abril 28, 2002
Presentinho do meu amado
Rules of Chivalrous Love
1. Thou shalt avoid avarice like the deadly pestilence and thou shalt embrace its opposite.
(:: Não sou Ivana Trump, mas não posso reclamar dessa)
2. Thou shalt keep thyself chaste for the sake of her whom thou lovest.
(:: É melhor mesmo... ou então...)
3. Thou shalt not knowingly strive to break up a correct love affair that someone is engaged in.
(:: Em outras palavras, não cisca no canteiro alheio)
4. Thou shalt not choose for thy love anyone whom a natural sense of shame forbids thee to marry.
(:: Já imaginaram se essa ainda valesse? O casamento estava condenado)
5. Be mindful completely to avoid falsehood.
(:: Ah, por favor. Não suporto mentiras)
6. Patience is the greatest virtue of love.
(:: Tento me dizer isso todos os dias. Stefan é ótimo, muito mais paciente do que eu)
7. Being obedient in all things to the commands of ladies. (:: Oh, yeah!!!!! :c)))
8. In giving and receiving love's solaces let modesty be ever present.
(:: Bonitinho, né?)
9. Thou shalt speak no evil.
(:: Vou me esforcar!)
10. Thou shalt not be a revealer of love affairs.
(:: Sempre soube guardar segredos muito bem)
11. Thou shalt be in all things polite and courteous.
(:: Stefan é, sempre. Às vezes é até irritante. Digo que ele precisa aprender a "kick some ass" e ele sorri. Eu é que preciso me conter mais).
Lt Stefan Pieksma, KCStI
Novo logo
Estou comecando a ficar mais saidinha no que diz respeito a HTML, mas quando o assunto é Photoshop, ainda sofro muito. Por isso demorei a mudar o título do Montanha-Russa. Depois de tentar sem sucesso, pedi ajuda à minha amiga Fernanda e ela, muito gentilmente, fez esse logo pra mim.
Obrigada Fê!
O próximo passo é inserir fotos e imagens, que se movam continuamente. Mas admito que, por enquanto, isso é ainda muito avancado.
E vocês, gostaram da inovacão? Têm sugestões, idéias mais criativas? Podem dizer! :c)
Aniversário
Para comemorar o aniversário de dois meses do Montanha-Russa, resolvi mostrar uma das criaturas que deixei no Rio e das quais sinto muita falta. Essa pelucinha lindinha aí da foto é a minha afilhada, Ping, filhota da Rê e do Marcos, meus amigos queridos. (Sinto muita falta de vocês, viu?)

Ai, que saudade! :c)
Cozinha da Ofélia
Pois é, preciso contar pra vocês o seguinte: todo esse tempo vinha fazendo a receita do brownie errada. Pois é. Não há nada de errado com a receita aí de baixo mas eu, no afã de aproveitar o que eu tinha em casa, sempre utilizei ao invés de cacau (ou chocolate em pó) um produto chamado O'Boy, o equivalente sueco ao nosso Nescau (ou Toddy). Além disso, por pura falta de atencão, todas as vezes que fiz a receita antes só colocava 50 gramas de manteiga.
A boa notícia, no entanto, é que o resultado desse meu bolo torto é muito mais próximo do brownie do Chez Belle do que a receita verdadeira. Até porque "Kladdkaka" quer dizer literalmente "sticky cake". O interior do bolo, se feito como manda o figurino, com 100 gramas de manteiga e cacau, deve ficar meio cru mesmo, mole, quase como um ponto bala, como dizia minha avó.
O meu fica com a consistência de bolo mesmo, com menos gordura. Tenho que dizer que prefiro o meu bolo torto ao Kladdkaka original. Descobri a minha "falha" porque minha sogra veio nos visitar ontem e copiou minha receita do Kladdkaka. Enquanto eu fazia os dois bolos (foi uma festa grande ontem) ela ria de como eu tinha escrito a receita em meu sueco ainda precário e observava que eu estava colocando apenas a metade da manteiga necessária. Tsk, tsk, tsk.
Portanto, facam o seguinte: ao invés de colocar cacau um pó, usem Nescau. Ao invés de 100 gramas de manteiga, coloquem 50 gramas. Vamos ver que bicho dá :c) Mas uma coisa eu prometo: ruim não vai ficar.
abril 27, 2002
O segredo do brownie de chocolate
Quem se lembra da época em que eu ainda trabalhava na Barra não deve ter problemas em saber do que estou falando. Sempre íamos almoçar em um restaurante no Downtown que, além de um feijão muito bom e de saladas ótimas, servia um brownie de chocolate sensacional. Quase pedimos a receita pra dona várias vezes. Mas nunca o fizemos de fato. O nome do restaurante é Chez Belle (obrigada Fernanda, amiga).
Pois bem, acho que descobri o segredo, galera. Aqui na Suécia tem uma receita de um bolinho de chocolate chamado "Kladdkaka" que é muito parecido com o brownie carioca. Fiz já algumas vezes e é muito bom. Hoje tem festa de novo aqui na casa-de-um-casal-amigo-do-Stefan e eu ofereci pra fazer o bolinho. Vou servir com uma bolinha de sorvete de creme e, pra colorir, frutinhas de hallon em cima. Hallon é raspberry, em inglês (veja a foto ao lado). Elas são vermelhas e lindas, típicas aqui do pico do mundo. Adoro essas berries.
Bom, à receita, shall we?
Ingredientes - 100g de manteiga; 1,5 decilitro de farinha de trigo; 3/4 de decilitro de cacau; 2 decilitros de açúcar; 1 colher de chá de açúcar de baunilha; 1 pitadinha de sal; 2 ovos.
Como fazer - Coloque o forno a 175 graus. Derreta a manteiga, reserve. Misture em uma tigela o trigo, o cacau, o açúcar comum e o de baunilha e o sal. Junte a manteiga à mistura. Junte os ovos à mistura e faça uma massa. Estique a massa em uma forma untada. Deixe assar por cerca de 40 minutos (dependendo do forno).
Já notaram que coloquei as medidas aqui da Suécia, né? Pois é, só sei cozinhar em decilitros agora, galera... ;c))) Não, mas sério. Fui procurar e achei isso aqui:
1 decilitro de cacao = 40 gramas
1 decilitro de farinha de trigo = 60 gramas
1 decilitro de açúcar = mais ou menos 80 gramas.
Depois me contem se ficou bom.
abril 26, 2002
O universo não tem começo nem fim
Matéria na BBC News sobre artigo da revista Science apresenta um novo modelo criado por dois cientistas, Paul Steinhardt, de Princeton, nos EUA, e Neil Turok, de Cambridge, na Inglaterra. Eles tentam explicar como é o cosmos e para onde ele está indo.
Steinhardt e Turok afirmam que o universo passa continuamente por um ciclo infinito de expansão e estagnação, o qual é dirigido por uma ainda inexplicada "energia negra". Os cientistas são contra a teoria do Big Bang. Eles afirmam que esse modelo não explica o que antecedeu ao Big Bang, nem deixa claro qual será o futuro do cosmos.
Perguntinha: pode acabar algo que nunca começou?
UPDATE: Outra perguntinha, desta vez feita pelo André Sá: pode existir algo que nunca começou?!
abril 25, 2002
Bibliotheca Alexandrina
Fiquei sabendo por meio de um artigo da Wired sobre a reconstrucão da maior colecão de manuscritos de todos os tempos, a Biblioteca de Alexandria. Ela deveria ser aberta nesta semana, mas as comemoracões foram adiadas por enquanto devido aos conflitos no Oriente Médio. Uma pena. Mas o projeto, que custou US$ 200 millhões de dólares ao governo do Egito e à Unesco, será completado em breve.
Mas há uma boa notícia: o site da biblioteca já está lá, no ar. Aliás, são dois. O oficial e o da Unesco. Tem um monte de informacões lá. Aqui vão alguns números que achei interessantes: a área total da biblioteca é de 40 mil m²; serão 13 andares; 3.500 cadeiras; cerca de oito milhões de livros; 50 mil mapas; 100 mil manuscritos; 30 base de dados; 10 mil livros raros; 100 títulos de CD-ROM (achei pouco...); 200 mil CDs e tapes de música; 50 mil CDs de imagens e vídeos; e 578 empregados. Ah! Ainda existem um centro de conferência, um museu de ciência, um planetário, uma escola de estudos da informacão e um instituto e museu de caligrafia.
Não é o máximo??? O Egito já está nos meus planos de viagem. :c) Essa foto daqui de cima é chamada "The Spine". É a solucão encontrada pelos arquitetos para conectar áreas e dividir paredes. Nossa! Quanto será que custa uma passagem para o Egito???
Porque gato não tem sovaco






Hohoho!
Sempre gostei do Gato e Gata, tirinha do Laerte. Agora redescobri o site dele, lá no UOL. E o melhor! Mesmo quem não é assinante pode ver! Um show. Me faz lembrar da minha adolescência.
Essência
Não me canso de reproduzir aqui textos do Veríssimo. Me desculpem se às vezes me torno repetitiva, mas é porque o cara é muito bom!!!!! Vejam o parágrafo final da crônica dele de hoje, do Globo:
"(...)
Fiquei pensando em como o maravilhoso pode nos pegar desprevenidos. Era como se um marajá e seu séquito tivessem batido na nossa porta e só o que tínhamos para lhes oferecer era, sei lá, Coca diet. Perdemos uma oportunidade, não sei bem de quê. Podíamos ao menos tê-lo fotografado, nem que fosse para uma hipotética futura biografia da pereira, em cuja longa vida o único acontecimento notável até ontem tinha sido a orquídea misteriosa que lhe nasceu numa forquilha. Agora é tarde. Duvido que o visitante volte. Nós o decepcionamos. Nós não estávamos preparados para ele."
Uma verdade verdadeira: "como o maravilhoso pode nos pegar desprevenidos". Tão simples, tão óbvio e, ao mesmo tempo, tão transcendental.
Coisa feita
Gente, não parece macumba do Romário essa série de contusões nas estrelas da Selecão?
Me lembro que teve uma história que rolou na época da Copa dos EUA (94) ou na da Franca (98) de que o pai do Romário era de Umbanda ou alguma coisa do gênero...
Essa charge do Chico, do Globo de hoje, está perfeita. A cara do Ronaldinho Gaúcho está demais! Hohoho.
abril 24, 2002
Igreja
Ando feliz com a atitute do papa João Paulo II sobre esse escândalo de pedofilia na igreja católica. Tem que ter muito peito para vir a público dizer que é mesmo pecado e que padre nenhum pode abusar de criancas. O problema é o papa ter de vir a público para confirmar um fato tão óbvio.
Aqui na Suécia, a igreja oficial é Luterana, a chamada Svenska Kyrkan, mas há, claro, representacões católicas, muculmanas, judias etc. Apenas a dois anos atrás a igreja sueca deixou de ser estatal. Agora, quem quiser que seus filhos sejam batizados na igreja luterana ou deseje participar das oracões aos domingos tem de pagar uma taxa mensal.
E tem mais: os pastores - que podem ser mulheres ou homens - são incentivados a casar, ter filhos. O entendimento geral por aqui é que só pode ser um bom pastor quem tem uma vida normal, organizada e com todas as angústias, problemas e alegrias de uma vida em família. Com menos culpa e frustracão o pastor pode ajudar muito mais ao próximo.
Isso deveria ser evidente, né?
No curso II
Um pouco frustrada. Algumas pessoas não compreendem direito o que é dito na sala de aula pela professora. Por isso, repetem como macacos amestrados tudo o que é dito, mas o olhar é "em branco", típico de quem não entendeu nada. Não sei quanto à professora, mas eu fico chateada com essa falta de resposta. Tinha tantas coisas pra perguntar para esse povo!
O índice de concentracão é mínimo. Reclamei disso com a minha professora do outro curso - no qual estudo sueco - e ela me disse que é preciso ter muita paciência porque a maioria das pessoas não têm o costume de estudar tanto. Concentracão se aprende na escola também.
A vietnamita, por exemplo, é um problema. Ela parece uma máquina de repeticão de monossílabos em sueco. E pior, com um acentuadíssimo sotaque vietnamita, incompreensível. A professora pergunta: "Vad heter du?" ("Como você se chama?"), e ela diz: "huhum du".
No curso
Anotacões rápidas da apresentacão dos nossos países.
-- No Sri Lanka as mulheres não conseguem empregos bons e, em conseqüência, se mudam para o Kuwait ou para a Arábia Saudita para tentar ganhar mais.
-- O Afeganistão teve um período bom, antes dos Talibãs, quando ainda era um país comunista.
-- Ainda fazem testes atômicos debaixo do solo do Cazaquistão.
-- Motivo de orgulho na história bósnia: o assassinato do arquiduque Franz Ferdinand em 1914, fato que deu início à Primeira Guerra Mundial.
Chega de Spam!
Aderi à campanha da Rossana contra o spam. Chega de tanto lixo nas nossas caixas postais!
Acreditam que estou recebendo convite de empresa pra Fenasoft mesmo estando meio-mundo distante???
Ai, vou tomar café da manhã antes de enfrentar meu Outlook.
abril 23, 2002
Um país vermelho... Amém!
Na Suécia o equivalente à Frente Nacional, partido do Jean-Marie Le Pen, é o Democratas da Suécia (Sverigedemokraterna). Em entrevista ao Aftonbladet, um dos jornais mais populares daqui, representantes do partido disseram que a surpreendente votacão do Le Pen "nos dá coragem para lutar".
Perguntei ao Stefan se esse partido, do qual nunca havido ouvido falar, era representativo. Ele disse que não, que é um partideco mínimo. No entanto, os nazistas também eram mínimos no início da década de 30.
O poder na Suécia hoje é exercido por dois partidos de esquerda: os sociais-democratas (Socialdemokraterna), que têm cerca de 56% dos votos do país, e o Partido da Esquerda (Vänsterpartiet), dono de 10% do eleitorado. Quando puder votar para o parlamento sueco (Riksdag), meu voto vai ser de um desses dois, ou vai para alguém dos Verdes (Miljöpartiet).
O que é legal aqui é que tanto os sociais-democratas quanto os de esquerda trabalham juntos (ao contrário das esquerdas brasileira e francesa). Isso não acaba, infelizmente, com a ameaca de direita. Mas há partidos menos piores do que os "Democratas": os Moderados e o partido de Centro, são exemplos. A imprensa sueca comenta que eles têm chances de eleger o próximo primeiro-ministro, que vai substituir o social-democrata Göran Persson nas eleicões do próximo mês de setembro. Mas isso é pouco provável.
Vive l'incompétence
Depois de dica da Renatinha, fui ler o Veríssimo de hoje, no Globo. O artigo é muito bom. Vale a pena ler.
Dois pontos altos:
"Incompetência da esquerda que se dividiu, como a esquerda costuma fazer. Incompetência da imprensa e dos pesquisadores de opinião, que não previram o que ia acontecer. Incompetência do eleitorado que, mal informado e desinteressado, ficou quase 30 por cento em casa. Incompetência da democracia, que não mais convence nem mobiliza. (A omissão foi a verdadeira vencedora das eleições francesas: teve um percentual mais alto do que qualquer um dos candidatos.)".
"Incompetência de velhos impérios que, como o francês, com toda a sua boa vontade e conversa cosmopolita e pluralista, não conseguem assimilar os filhos bastardos das suas aventuras coloniais, que permanecem focos ressentidos, e provocando ressentimento, e muito menos os novos invasores do mundo pobre."
Brilhante.
Saudade
Reli alguns posts recentes e notei que ando falando muito sobre a minha mãe. É, a saudade se manifesta das formas mais inesperadas.
Uhmmmm
Todo mundo sabe que sou uma "pessoa-cachorro". Mas sempre que vejo fotos de gatos dos blogs alheios lembro da minha mãe e de sua paixão por felinos. E me sinto mais perto dela. Então, navegando hoje por aí, pulando de uma pedrinha para outra, cheguei até o outro lado do mundo, em Davis, Califórnia, no site da Fernanda Guimarães Rosa, cujo gato, Mister Gray, é esse aqui de baixo, brincando com a máquina fotográfica. É ou não é muito lindo?



abril 22, 2002
Décadence
Eleições presidenciais na França, o maluco do Le Pen em segundo lugar, colado no Chirac. Que vergonha!!!
Perseguicão ao Azevedo
Vocês não sabem da maior: a testemunha-de-jeová-com-complexo-de-rejeicão voltou a atacar. Escreveu mais uma vez no guestbook da home page que eu e Stefan fizemos juntos desde que vim pra cá. Antes, ela tinha escrito que tentara entrar em contato comigo mas que, aparentemente a Internet serviu para afastar as pessoas e não aproximá-las.
Depois do que ela fez (leia post do dia 16 de abril), eu e Stefan decidimos apagar o comentário dela. Agora, ela escreveu que nós não deveriamos ter apagado o comentário dela no nosso site, e nos chamou de antipáticos. Cara, ou essa mulher é maluca ou eu sou uma bicicleta. Que coisa!
Resultado: tiramos a home page do ar. Vamos reconstruí-la mais tarde e colocar todas as nossas fotos que lá estavam, mas não agora. Nossa, quando penso naquela criatura vendo minhas fotos fico maluca!!!!
abril 21, 2002
De bem

Esse domingo foi um dia muito bom. Cheguei de Piteå (cidade quente e ensolarada, onde me sinto mais família - veja post abaixo), estou em casa (onde sou feliz com meus travesseiros, minhas fotos, meus livros, meus computadores e meu namorado), acabei de assistir "You´ve got mail", com a Meg Ryan e o Tom Hanks (um filme que amo de paixão por várias razões) e, depois, sem sono, vim ler os jornais aqui. Aí, dei de cara com essa crônica gracinha do Veríssimo. Ai ai ai. Estou me sentindo cor-de-rosa hoje. :c)
João Paulo Martins
Luis Fernando Veríssimo (O Globo, domingo, 21 de abril de 2002)
- Você não é o...?
- Sou. E você é a Ana Beatriz.
- Eu não acredito!
- Tempão, né?
- Sabe que eu era apaixonada por você, na escola?
- O quê?!
- Era. Juro.
- E por que nunca disse nada?
- Tá louco? Era amor secreto. Só quem sabia era o meu diário. E a Leilinha, minha melhor amiga.
- Eu acho que lembro da Leilinha. Não era uma...
- Era. Completamente maluca. Ela vivia me dizendo: "Fala com ele, fala."
- Devia ter falado. Eu achava você linda.
- Verdade? Você nem me olhava!
- Lembro até hoje do seu cabelo comprido, repartido no meio.
- Não é possível! E você nunca...
- Nem pensar. Não podia nem sonhar que você daria bola pra mim. A Ana Beatriz? Me dar bola? Nunca!
- Veja você... Se um de nós tivesse falado alguma coisa...
- Pois é. Podia até ter pintado um... Você casou, ou coisa assim?
- Coisa assim. E você?
- Não. Quer dizer, tive aí um relacionamento que não deu certo. Quer dizer, deu durante dez anos, mas...
- Sei.
- Escuta. Você tem alguma coisa pra fazer agora?
- Não, não. Eu...
- E se a gente fosse tomar um café? Recuperar o tempo perdido?
- Vamos, uai.
- A Ana Beatriz apaixonada por mim... Veja você. Quando que eu ia pensar?
- Me lembro que enchi uma página de caderno com a minha assinatura como seria, se eu casasse com você. "Ana Beatriz Martins. Ana Beatriz Martins. Ana Beatriz Martins..."
- Martins?
- O seu nome não é Martins?
- Não. É Trela.
- Você não é o João Paulo Martins?
- Não. Sou o Augusto Trela.
- Augusto Trela?!
- É. Lembra?
- Não. Tem certeza que nós fomos colegas?
- Tenho.
- Que engraçado. Eu não... Olha: desculpe, viu?
- O que é isso? Acontece.
- Esse café. Será que a gente pode...
- Claro. Fica pra outra vez.
- Desculpe, hein? Cabeça, a minha.
- Tudo bem.
- Então... Tchau.
- Ana Beatriz...
- Ahn?
- E se eu dissesse que meu nome é Martins?
- Mas não é.
- Que diferença faz? Eu não era o João Paulo Martins na escola, mas posso ser agora.
- Como?
- Se eu não tivesse dito nada, há pouco, você nem saberia que eu não era ele.
- Mas acabaria sabendo.
- Só se você quisesse. Eu poderia ser o João Paulo Martins até onde você quisesse. Até você pedir para ver a minha identidade. E você poderia nunca pedir para ver a minha identidade. Eu ser ou não ser o João Paulo Martins seria uma decisão exclusivamente sua.
- Mas...
- Escute. Esta pode ser a nossa oportunidade para reparar um erro do passado. Eu nunca ter declarado que amava você, e você nunca ter declarado que me amava.
- Mas eu não amava você. Amava o João Paulo Martins!
- Então me faça o João Paulo Martins!
- Isso é loucura. Eu...
- Outra coisa: este João Paulo Martins é melhor do que aquele.
- Por quê?
- Aquele nem olhava para você.
- Sei não...
- Você não vê? João Paulo Martins e Ana Beatriz foram feitos um para o outro. Senão o destino não teria lhes dado esta segunda chance!
- Sim, mas...
- Só um café. Depois a gente vê o que que dá.
- Tá bom, Augusto.
- João Paulo.
Fim-de-semana
Acabamos de voltar de Piteå, cidade que fica no litoral no norte da Suécia, distante cerca de duas horas de carro de Boden, e onde os parentes do Stefan moram. Adoro a mãe, Vera, e a irmã dele, Veronica, que aliás se parece muito comigo fisicamente (veja foto ao lado). Posso dizer que ela é minha melhor amiga aqui. Nos damos bem desde o primeiro dia em que nos conhecemos, em 1999.
É sempre ótimo ir até Piteå porque, além da cidade ser uma gracinha e mais quente que Boden, adoro a Veronica, a Vera, a sensacão de família que tenho junto delas. Tive um pouco de medo antes de vir pra cá, pensando que talvez elas sentissem ciúmes do Stefan. Que nada! Vera acha que ganhou uma filha e não perdeu um filho. E eu sei que não é conversa fiada.
Veronica tem uma cachorrinha linda de morrer, chama-se Lona (fala-se Luuna), que é um pastor alemão branco. Adoro sair pra dar uma volta com Veronica e Lona, que apesar de ter apenas oito meses é educadíssima e atende a todos os comandos de sentar, esperar para atravessar a rua e tal. Além disso, Veronica é casada há séculos e tem três filhas - e olha que ela é apenas três anos mais velha do que eu. :c)
abril 20, 2002
Primavera
Está oito graus positivos lá fora! Muito sol (que nasceu às quatro da matina). Que bom! A neve está desaparecendo! :c)
abril 19, 2002
Grande Furo
Nota de hoje na coluna do Boechat, no JB:
"A TV RBS foi condenada anteontem, em Porto Alegre, a indenizar em R$ 1 milhão o governo gaúcho.
Ela foi acusada de ter feito um acordo com assaltantes de uma residência na cidade, há dois anos.
Os bandidos só libertaram seus reféns depois da exibição do humorístico Sai de baixo, a fim de permitir ao telejornal da emissora cobrir o acontecimento ao vivo."
Que loucura é essa? Sou só eu ou perdemos totalmente a nocão da realidade? Onde está a compaixão com os seqüestrados? Será que já virei "Polyanna"???
abril 18, 2002
Descobertas
Como prometi, vou escrever sobre uma coisa que descobri aqui na Suécia a meu respeito: é que eu gosto de cozinhar. Não, é sério. No Brasil cozinhar pra mim era um problema. Na minha casa nunca tinha paciência pra fazer nada e sempre corria pra casa da minha mãe quando estava sem ter o que comer. Mas agora, que estou aqui sozinha, isso mudou.
Minha mãe sempre me disse que a gente internaliza quem a gente ama: os gestos, os gostos, os ensinamentos. É o nosso jeito de ficar perto daquela pessoa, mesmo estando geograficamente longe. Ela tem toda a razão. Sou a prova viva de que a saudade faz com que você descubra capacidades que nunca pensou poder existir dentro de você. (parece filisofia de almanaque, mas vocês não têm idéia de como está fazendo minha vida mais leve).
Pois bem, quando vim pra cá, sentia muita saudade, saudade de tudo e de todos. Comecei aos poucos, porque me faltavam experiência e auto-estima, a cozinhar pratos simples, que minha mãe sempre tentou me ensinar mas que eu achava que nunca ia conseguir fazer. Agora sei que não somente eu prestei muita atencão como, quando cozinho, penso nas pessoas que eu amo e que estão no Brasil e sorrio. Não choro mais.
Desde que cheguei aqui já descobri que sabia fazer bolo de amendoim da minha avó (já dei a receita aqui no blog, está no arquivo); feijão preto (mesmo sem panela de pressão); arroz temperadinho com um pouquinho de alho; franguinho à milanesa, sequinho e crocante, saladas das mais variadas, com muitas verduras e legumes; e até bolo de carne moidinha (para a felicidade do Stefan). Isso, claro, sem falar nos óbvios omeletes caprichados, e na massa, que sempre amei e que sei fazer bem. Aprendi ainda a fazer uma torta gelada com café, muito gostosa, mas os ingredientes estão todos em sueco, porque a receita é daqui.
Outro dia estava fazendo os bolos para uma festa que um casal amigo do Stefan deu (tem post sobre isso lá nos arquivos) e, enquanto batia as claras em neve, juntava o acúcar à farinha etc etc etc, lembrava da minha avó Celia, querida, que ajudou meus pais a me criar e que era doceira de profissão. Ela me deu o livro de receitas dela - de onde tiros muitas receitas ótimas - e eu achei que nunca iria usá-lo. Mas, enquanto batia aqueles bolos para a festa, conversava com ela em pensamento e dizia, "Ô, vó, tá vendo só? Até que eu não sou de todo má na cozinha!", e sorria de mim para mim mesmo. Nem precisa dizer que os bolos ficaram deliciosos e fizeram o maior sucesso.
É claro que é difícil cozinhar todos os dias, como uma obrigacão, mas estou numa de descobertas, então me aguentem mais um pouquinho. Ontem, por exemplo, foi ótimo. Queria fazer uma coisa boa para o jantar (Stefan e eu comemos apenas um sanduíche de almoco, de forma que o jantar precisa necessariamente ser comida). Tinha comprado salada (alface e mais uns verdes), tinha tomate e ovo em casa e decidi fazer uma salada césar. Coloquei dois ovos cozidos também. Íamos comer galinha, então fiz ainda um pouco de arroz pra acompanhar.
Ficou tudo tão bom! Fiquei tão orgulhosa! Como diz minha mãe e é a mais pura verdade: cozinhar com carinho, seja pra você mesmo ou para alguma outra pessoa, é um ato de amor.
[Atualizacão: e pra quem tá pensando que sou apenas eu quem cozinha aqui em casa, uma informacão: Stefan é um chef de primeira, sabe muito de cozinha e me ensinou muitas coisas. Aqui, cozinhar é ensinado na escola para todas as criancas, meninos e meninas. Hoje mesmo troquei receitas de bolo de carne com um senhor sueco de mais de 60 anos.]
abril 17, 2002
Delícias

Amanhã vou escrever sobre uma das muitas descobertas pessoais que fiz aqui na Suécia desde que cheguei, há quase um ano.
Momento tecnológico
Até corro o risco de ser vista como metida, mas vou escrever assim mesmo. Os meninos da companhia de banda larga estão aqui em casa, instalando nossa conexão de 10 Mbits. É que a empresa que administra o meu apartamento saiu perguntando aos locatários o que faltava para ficarmos mais felizes. Deu acesso de banda larga à Internet na cabeca.
Eu e Stefan já tínhamos banda larga desde o ano passado, mas seu funcionamento é apenas razoável. Poderia ser muito melhor. Acho que está em torno de 512 K. Os downloads são rápidos, mas poderíam ser ainda mais ligeiros. Pagamos uma nota por mês pelo servico à Telia. Agora pagaremos muito menos e, aparentemente, teremos mais rapidez. Tomara que eu esteja certa.
abril 16, 2002
Mais luz! (apesar das sardas)
Porque eu quero muito mais luz na minha vida, aqui vai uma curiosidade sobre luz solar na Suécia. Todos vocês se lembram quando estudamos o solstício e o equinócio, mais ou menos na quinta série, né? Bom, eu me lembro, ainda mais porque nunca entendi exatamente do que se tratavam. Acho que nem mesmo minha professora de geografia na época sabia muito bem, porque a explicacão dela foi muito mais complicada do que o necessário.
É claro que há mil e um esclarecimentos científicos, mas prefiro o meu: o dia 21 de junho, início do verão no Hemisfério Norte, é o dia mais longo do ano aqui no topo do mundo. Enquanto isso, o dia 21 de dezembro é o dia mais curto do ano, quando comeca oficialmente o inverno aqui.
Pois bem. Para quem mora no Rio não há muita diferenca, a não ser quando há horário de verão. Mas aqui a luz é recebida com júbilo sempre que volta do seu longo exílio do inverno. É exatamente nesse período lindo, de termos cada dia mais uns minutinhos de sol, que estamos agora. Então vejam quanto tempo de luz temos em Kiruna, que fica perto de Boden: nesta semana o sol está se levantando às 4h41min da manhã e está se pondo às 20h39min da noite. Semana que vem a cidade terá mais 30 minutos de luz.
E mais, sabem qual é a média de luz do sol em Kiruna? Em janeiro, ápice do inverno, a média de luz solar em Kiruna é zero. Isso mesmo. O sol fica abaixo do horizonte e não chega a nascer. Já em julho, auge do verão, a média de luz solar é, nada mais nada menos do que 24 horas. O sol simplesmente não se põe. Aqui em Boden temos sol em janeiro, mas bem pouquinho, cerca de três horas por dia apenas. Mas, para ser sincera, ainda não me decidi se prefiro ter sol e luz o tempo todo ou se gosto do aconchego da noite.
Testemunha de Jeová com complexo de rejeição
Vou escrever sobre isso senão eu explodo de tanta irritacão. Estava eu limpando a casa um dia quando toca a campainha. Eram duas mulheres suecas, testemunhas de jeová. Me fingi de burra, disse que não falava sueco nem inglês. Tudo para tentar que elas desistissem de mim. Qual o quê. Antes de irem embora, uma delas perguntou de onde eu vinha. Bobamente, fui honesta e disse que era do Brasil e que só falava português (esse diálogo se deu em um inglês monossilábico). Elas disseram, então, que voltariam. Mas eu pensei que nunca mais as veria. Elas voltaram sim, desta vez com uma brasileira a tiracolo. Tive sorte e Stefan estava em casa na hora. Pedi a ele pra despachá-las.
Qual não foi minha surpresa quando umas semanas depois, toca o telefone e uma vozinha de fim-de-mundo, como diz minha mãe, anunciou que quem estava falando era Sandra, que morava aqui perto de mim e que era do Brasil e que.... "Péraí", disse eu, "mas quem te deu o meu telefone?", perguntei a ela. Enrolada, confessou que tinha sido uma das testemunhas de jeová suecas. Eu disse que não queria nada com isso e ela me garantiu que a ligacão não tinha nada a ver com religião. Ela apenas queria manter contato com outra brasileira porque sabia, segundo ela, como é duro morar em um país tão diferente. Agradeci mas achei aquilo meio estranho deixei a conversa morrer. Não peguei o telefone dela.
Em fevereiro, um dos jornais onde fui pedir emprego, o Kuriren - uma das home pages mais horrorosas que eu já vi na vida - resolveu, ao invés de me dar um trabalho, me entrevistar. Aparentemente, fiz boa impressão quando fui lá falar com o redator-chefe, mostrar meu portfólio etc. Eles se diziam curiosos com a minha história: jornalista no Rio de Janeiro, com certa experiência, ir tentar comecar tudo de novo em uma outra terra. Bom, um repórter veio e fez a matéria que saiu, nada mais nada menos, que na capa do suplemento de final de semana do jornal. Tive os meus 15 minutos de fama e estou experimentando agora o seu lado amargo também.
Pois não é que essa criatura, Sandra, testemunha de jeová, me liga novamente, dizendo que tinha visto a matéria e que eu não tinha ligado mais pra ela e que.... e que.... (sempre com voz chorosa). Disse que não podia falar naquele momento e desliguei, esperando que ela entendesse o recado. Mas, claro, isso não aconteceu. Não somente ela foi à home page que tenho com o Stefan, como escreveu lá no nosso guest book que "tentou entrar em contato, mas, aparentemente, a era da informática faz com que as pessoas fiquem cada vez mais separadas".
Achei estranho e ousado, mas, deixei pra lá. Qual não foi minha surpresa hoje, ao chegar do curso, quando me deparei com uma carta, batida à máquina, reclamando que eu me achava acima das pessoas comuns "por ser formada em uma faculdade" e que eu tinha feito essa criatura se sentir "vítima de preconceito". Ela destacou com caneta pilot amarela partes do texto da matéria e comecou a rebatê-los. Perguntou: "você diz no texto que tem um background humanístico, mas não deve ser verdade porque você não quer saber de outras pessoas". Fiquei tão enraivecida que liguei para a dita cuja (ela mandou junto da carta seu telefone e endereco).
Perguntei a ela o que a fazia crer que eu era absolutamente obrigada a tê-la como minha "melhor amiga". Ela disse que achou que podia ser importante fazer contato porque ela, quando veio morar aqui há uns três anos, se sentiu muito só etc. Eu disse que não queria fazer contato com ela nem tê-la como amiga. Toda essa insistência estava me deixando maluca. Disse a ela que me desse um tempo, que sou uma pessoa aberta porém reservada. Que gosto de fazer pouco e bons amigos. Agora, vê se pode uma coisa dessas? Testemunha de jeová com complexo de rejeicão... Por essa eu não podia esperar!
Ainda não resolvemos o que fazer, Stefan e eu, mas ele me disse pra ficar de olho. Se ela tentar forcar contato de alguma forma ele vai avisar à polícia. Os telefonemas, escrever no nosso guest book, mandar a carta.. tudo isso configura harrasment. Gente, que coisa mais maluca! Como é que a gente lida com pessoas que não entendem quando está na hora de parar???
abril 15, 2002
Novo curso
Hoje comecei um curso novo, que vou fazer ao mesmo tempo em que estudo sueco. É um curso especial para imigrantes no qual estudaremos ciências sociais, leis, direitos e modo de vida da sociedade sueca. Uma das partes mais interessantes é que, além das aulas comuns, que duram quatro horas por dia, teremos visitas de pessoas que nos explicarão como funciona a sociedade desse país. Como funcionam, por exemplo, os sindicatos (aqui é muito importante fazer parte de um sindicato), ou o sistema de assistência social.
A intencão é nos dar mais conhecimento do país, das leis, dos direitos e das obrigacões dos cidadãos, para que possamos nos preparar melhor para o mercado de trabalho. O incrível é que recebemos um pagamento para frequentar as aulas, que vão até a primeira semana de agosto. Quatro mil coroas suecas por mês (US$ 400). Não é muita coisa, mas já é alguma coisa. Ainda não me acostumei com a idéia da cidade me pagar pra eu ter educacão. O curso já é de graca e eles ainda pagam pra você ir estudar. Não é magnífico?
Hoje foi apresentacão e, confesso, o mais interessante foi conhecer pessoas tão diferentes. Estudando comigo temos duas pessoas do Cazaquistão, uma moca do Sri-Lanka, um casal russo, duas mocas da Bósnia e uma de Kosovo, um rapaz do Afganistão, uma moca da Turquia e outra do Vietnã. Ainda tem um rapaz que veio de alguma terra do Oriente Médio, mas não consegui entender qual.
Primeiras impressões: é tudo verdade o que dizem das mulheres da Bósnia e de Kosovo. Haja repressão! Você precisa fazer um esforco pra escutá-las dizer alguma coisa. A orientadora teve de ser perseverante para saber os nomes delas. Uma coisa. Já a russa, que se chama Evelina, parece ser uma simpatia. Além do que, é absolutamente lindo escutá-los falando russo uns com os outros. Não entendo nada, mas é uma língua tão bacana! Queria aprender russo um dia.
+ sonhos
Aliás, essa coisa de Rússia me fez lembrar que outro dia sonhei que eu vinha da Moldávia. Sempre achei o nome Moldávia lindo e sabia, no fundo da minha cabeca, que se tratava de uma república da ex-União Soviética. Mas nunca havia pensado mais nisso.
Quando tive o sonho, no entanto, e contei para o Stefan, ele brincou que eu era uma péssima espiã porque eu não apenas sonhava como ainda contava para ele meus sonhos com o meu "verdadeiro país".
Isso merece uma explicacão: é que a Suécia vê a Rússia (e antes da queda do Comunismo, a União Soviética) como uma ameaca militar real e imediata. Um dos colegas de trabalho do Stefan chegou a dizer um dia para mim: "Não nos perguntamos se os Russos virão [invadir a Suécia], mas quando eles virão".
Uma maluquice pensar isso, né? Maluquice para nós, brasileiros, que ficamos do outro lado da Terra em relacão aos russos. Aqui, eles estão pertinho...
abril 13, 2002
Morte na calçada
Corpo fica 5 horas na calçada
AJB
Da Av. Rio Branco ao IML, o corpo levou mais de oito horas
Eram 10h50 quando ele correu para pegar o ônibus na Avenida Rio Branco. De sua barraca de CDs, o camelô Carlos André da Silva viu o senhor calvo, de bigode e cabelo grisalhos, perder o coletivo. Levava a mão ao peito e já se dobrava ao chão. André teve pena e o arrastou para a sombra da marquise do Edifício Avenida Central. Uma auxiliar de enfermagem ainda tentou massagem cardíaca, respiração boca-a-boca. Enfarto fulminante.
O Guarda Municipal Celson rompeu a aglomeração para cobrir o corpo com um plástico. Eram 11h15 quando um médico do Corpo de Bombeiros assinou o atestado de óbito, na calçada, do homem sem documentos que aparentava 65 anos, vestia calça vinho e camisa cinza e carregava uma cartilha da linguagem dos surdos-mudos, com o nome Ruy A. Figueiredo escrito à mão. Tinha aliança no dedo e, no bolso, caneta e sete reais. Foi do guarda a última providência do poder público, até 16h45, quando apareceu o rabecão.
Na calçada o corpo permaneceu cinco horas, 35 minutos e centenas de sinais da cruz, de quem teve compaixão. Da Rio Branco ao Instituto Médico Legal, na Rua dos Inválidos, o carro da Defesa Civil levou três horas e 10 minutos. Quem morre de mal súbito no meio da rua, seja trabalhador, vagabundo ou bandido, vira caso de polícia. Mas nem a polícia explica por que um corpo pode levar oito horas e 45 minutos para chegar ao IML. (...).
Ótimo texto. Fiquei com um aperto no peito. Pobre senhor. Incrível como a gente "esquece" rápido desses absurdos tão banais no dia-a-dia brasileiro. Onze meses fora do Rio fizeram com que eu ficasse absolutamente chocada com essa notícia. Me lembro de ser muito mais cínica do que isso.
abril 12, 2002
Nota aos novatos
Se você acabou de entrar aqui no Montanha-russa pela primeira vez e deu de cara com os dois posts anteriores, não desanime. Esse não é o blog de uma maluca que veio morar na Suécia e escreve sobre suas aventuras pela gramática nórdica.
Bom, às vezes até é, mas não todo o tempo e eu não escrevo apenas sobre gramática. De forma que dê uma voltinha, sinta o terreno (ou a falta dele), balance os pezinhos e se ficar nervoso(a), grite (mas não muito alto porque me dá dor de cabeca).
Frase
Como sei que vocês adorariam ter uma aula de gramática a essa altura do campeonato, ainda mais de gramática sueca, aqui vou eu, satisfazê-los, como sempre. Vejam a frase a seguir:
"Hanssons häftiga hund hämtade häromdagen en hamburgare åt husse, som var hörbart hungrig. Den hade hårdstekts av hustrun."
--> "Hanssons häftiga hund" é sujeito da primeira frase (que vai até a vírgula);
--> "Hanssons" é também Genitivo, ou, segundo o Aurélio: [S. m. 1. Gram. Caso de declinacão de certas línguas, que representa, por via de regra, complemento possessivo, limitativo, e algumas vezes circunstancial];
--> "häftiga" é também um atributo adjetivo, que completa o sentido do sujeito, mas não é adjetivo;
--> "hämtade" é o predicado (particípio passado do verbo att hämta, buscar, pegar);
--> "häromdagen" é o advérbio de tempo e quer dizer algo como no outro dia;
--> "en hamburgare" é o objeto direto;
--> "åt husse" é o objeto indireto.
Voltando à frase original:
--> "som" é sujeito da frase depois da vírgula e remete ao objeto indireto imediatamente anterior, "åt husse";
--> "var" é predicado (particípio passado do verbo att vara, ser, estar);
--> "hörbart" é uma coisa chamada Gradadverbial e representa um advérbio que explica o quanto, qual o grau que o sujeito está/é/sente-se etc.;
--> "hungrig" é um tal de Predikat Fyllnad, o que quer dizer um complemento essencial ao predicado. Por exemplo, em sueco você pode dizer "Han kom." (Ele veio/vem.) e não escrever mais nada. Mas não pode dizer "Han var." (Ele estava.) e parar. Você precisa ter mais informacão. Daí a necessidade do tal de complemento, fyllnad;
À última frase:
--> "Den" é o sujeito ("Den" e "Det" são utilizados como artigos ou pronomes neutros, como o "it" do inglês);
--> "hade hårdstekts" é o predicado;
--> "av hustrun" é o chamado Agent, ou a parte ativa que aparece em uma frase passiva. Se transformada em frase ativa, "av hustrun" se transformaria em sujeito.
Fascinante, não?
Gramática
Queridos, estou aqui escrevendo correndo porque preciso ir estudar. Hoje tive uma aula cabeluda com gramática pura. Digo que foi cabeluda porque foi longa e meus neurônios ainda estão se recuperando. Mas o fato é, depois dessa aula de hoje, cheguei a uma conclusão: quem estudou decentemente português no colégio e continuou na faculdade pode perfeitamente aprender sueco. É que ambas as línguas têm uma gramática complicada, porém com alguns tracos similares.
O esforco para se aprender português ou sueco é quase o mesmo, porque aqui eles também têm mil-e-uma coisas para serem levadas em consideracão quando se analisa uma frase. E até outras que não temos em português. Mas, no geral, é o mesmo desespero, digo, complicacão.
Ri muito da americana que estuda na minha sala. A mulher estava perdidinha da silva. Quando a minha professora - uma bonequinha barbie de tão linda, já com três filhos, uma paciência de elefante e que tem um nome absolutamente nórdico, Åsa [fala-se Ôôssa] - comecou a explicar Apposition, o nosso aposto, a americana quase desistiu. Eu, mesmo cansada, estava mais animada. E pensar que todas aquelas aulas massacrantes que tive no Santo Inácio realmente não foram em vão!
abril 11, 2002
Sonho em violeta
Sonhei que o Chico Buarque disse que me amava. Fiquei meio sem graca porque - atencão freudianos de plantão! - meu pai estava presente. Estávamos em uma festa de intelectuais e esse tipo de coisa, numa casa fantástica, no estilo inglês, de tijolinhos aparentes e jardim lindo. De fato, acho que estavam jogando pólo.
O problema é que o Chico - que sussurrou no meu ouvido que me amava - estava meio bêbado. Fiquei desapontada, mas mesmo assim achei o máximo a declaracão. Fui ao site dele e olha que coisa linda: "...Depois de te perder/Te encontro, com certeza/Talvez num tempo/da delicadeza/Onde não diremos nada/Nada aconteceu/Apenas seguirei,/como encantado/Ao lado teu...".
Pergunta importante
Você pode ver o nome desse blog? Aparece aí em cima, em letras brancas sobre o fundo lilás a palavra Montanha-russa?
Não, não estou de brincadeira não. É que fiz umas mudancas na minha templêite e uma delas foi o tipo de letra. Mas, como às vezes sou pouco prática (pra não dizer meio burrinha), coloquei uma fonte que duvido muitos computadores tenham: HogwartsWizard (é, a do Harry Potter :c)
Mas já consertei, ou pelo menos acho que sim. Coloquei lá também Verdana, Arial etc.
Me digam, ok? Thanks!
abril 10, 2002
Simpsons no Rio
Acabei de assistir ao episódio dos Simpsons passado no Rio e posso dizer que amei tudo!!! Vale a pena dar uma olhada. Para baixá-lo, clique aqui. (Mas atencão para o tamanho do arquivo! É grande, hein!)
Aqui vão as três coisas que mais gostei no desenho:
1 - Adorei quando o Homer vê a estátua do Cristo Redentor e diz, enternecido: "É como se o Cristo estivesse no painel (do carro) da cidade inteira!";
2 - Os ratos coloridos correndo na favela (hahaha);
3 - Impagável: Homer e Bart andando no calcadão de Copacabana de sunga. Gente, é h-i-l-á-r-i-o.
Alguém manda o presidente da Riotur calar a boca, por favor.
abril 09, 2002
Onze meses
Até me esqueci: hoje está fazendo onze meses que me mudei aqui para a Suécia. :c)
Ainda está parecendo que vou voltar a qualquer momento pro Brasil, que estou numa das minhas férias ou que viajo a convite de alguma empresa.
Será que isso quer dizer que há algo mal resolvido?
Bom, não sei. A saudade continua aqui. Não me deixa e nunca vai me deixar. É o único relacionamento da minha vida que sei com absoluta certeza que nunca vai acabar.
Sintonia
Lá vamos nós novamente, Serginho Maggi: vi, ontem, "O Brother, Where Art Thou?" (EUA, 2000), dos irmãos Coen, com John Turturro, Tim Blake Nelson, George Clooney e o meu querido John Goodman. Amei.
É baseado livremente no poema "Odisséia" de Homero, e conta a história de três fugitivos da cadeia, na década de 30 nos EUA. Ri pra caramba e a música é muito legal. Não sabia que o George Clooney podia cantar...
O John Turturro está bem, mas quem dá show é o John Goodman. É apenas uma ponta, na qual ele interpreta um charlatão-ladrão-membro-da-Klu-Klux-Klan. Mau que nem um pica-pau, ele representa o ciclope da "Odisséia". Um barato.
Já que estamos falando em cachorros
Essa aí ao lado é o meu baby, Alice, de cinco aninhos, que mora com a minha mãe no Rio. A história da Alicinha é uma daquelas que deixa qualquer pessoa que gosta de animais *p* da vida. Última de uma ninhada grande, ela foi retirada a forca de sua mãe e, em conseqüência, machucou a patinha dianteira direita. Os donos decidiram deixá-la no canil, porque só queriam bichinhos "perfeitos".
Um dos enfermeiros se compadeceu e decidiu ficar com ela. Mas como trabalhava o dia todo e Alice precisava de atencão e cuidados médicos, ele resolveu doá-la para uma amiga minha, a Cristina, com quem trabalhei no Jornal do Commercio, em 95-96. Mas a Cristina já tinha um cachorrinho, que ficou cheio de ciúmes da Alice. Cristina anunciou, então, pelo sistema de mensagens do jornal, que tinha uma cachorrinha que precisava de uma nova casa. Depois de discutir com a mamãe todos os prós e contras, pude dizer sim à Cris, e ficamos com a Alice.
Quando ela chegou lá em casa, admito, fiquei tão horrorizada com seu estado físico, desnutrida, com uma barriga imensa, cheia de vermes etc etc etc, que quase desisti. Quis desistir. Falei com a minha mãe que iria devolver a Alice para a Cris. Que inventaria alguma história. Minha mãe disse: "Não vai desistir coisa nenhuma. Vai é aprender a cuidar dela, a ter paciência, como uma mãe". Ainda lembro que fiquei em pânico. Meu pânico era ter de cuidar desse bichinho totalmente irracional, ter de ser paciente, ter de tentar ensinar alguma coisa a alguém que não entendia o que eu dizia!!! E a dependência? Gente, aquela criatura dependia de mim!!!!
Além do mais, Alice, nessa época, era selvagem, um cachorrinho de poucos meses e que tinha sérios problemas de relacionamento, por assim dizer. Tinha sofrido tanto que não suportava que ninguém a abracasse ou se quer chegasse perto da patinha ferida. Ora, eu, no meu egoismo bem primário, queria um cachorrinho que me amasse, que fosse que nem aqueles dos filmes; não queria ter que ensinar a ela a me amar: ela deveria já vir sabendo disso, ora bolas. Hoje vejo como, nessa época eu não tinha nocão do que era amor de verdade.
Fomos a vários veterinários e um deles disse que se tivessem feito uma cirurgia relativamente simples logo depois do nascimento, ela não teria quase nenhuma seqüela da deformidade. Perguntei se ele poderia fazer a operacão naquela ocasião, uns quatro meses depois do nascimento. Ele me explicou que seria uma carnificina, palavra dele. Que teria de quebrar a perninha dela de novo etc e tal. Dissemos um não enfático e só quisemos saber o que poderíamos fazer com ela para melhorar seu estado geral de saúde.
Depois de tomar todas as vacinas, Alice passou a ir todos os dias com a minha mãe e a Luzinha brincar na areia da praia do Leblon (fiquem tranqüilos que minha mãe é uma daquelas pessoas que só vai à praia às seis da manhã e cheia de sacos plásticos para qualquer tipo de eventualidade). Quase ninguém sequer notava que ela mancava um pouquinho da perninha. E ela, com o tempo aprendeu a abracar, beijar, demonstrar um carinho que parece ser infinito. De fato ela ficou tão amorosa que tinha "namorados" em todos os postos da praia. E, pior, só gostava de, literalmente, cachorros grandes, de pastor alemão pra cima. Uma coisa! :c)
Tivemos muita sorte de ter Alice. E eu aqui, morrendo de saudades. Por que não a trouxe comigo? Porque quando se envia um animal para a Europa eles obrigam que o bichinho fique seis meses de quarentena. Seis meses. Alice não tem saúde para isso e eu não tenho dinheiro (sim, é o dono, claro, quem arca com os custos). Além do que, o veterinário dela nos disse que o frio intenso seria um veneno para o problema que Alice tem nos quadris.
Mas tenho fotos dela por todo o apartamento (na sala, na porta de geladeira na cozinha, e no quarto) e antecipo os dias que passarei me embolando com ela no chão quando for visitar o Rio, em agosto. :c)
abril 08, 2002
Livros e lágrimas
Depois de terminar o "Good Night, Mr. Tom", da Michelle Magorian, estaria sem ter o que ler, mas eis que o meu anjo da guarda resolveu acordar e chegou hoje pra mim um livro que encomendei na Amazon inglesa: "Iris: a memoir of Iris Murdoch", de John Bayley.
É o livro que inspirou o filme "Iris", com a minha preferida Judi Dench e que rendeu o Oscar e o Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante para Jim Broadband, que interpreta o marido da Iris, John Bayley.
Confesso que fiquei interessada à princípio apenas pelo fato de ser a Judi Dench e porque a história tem um toque familiar para mim. Mas, estou lendo o livro (na verdade, o estou devorando) e o que salta aos olhos é um texto delicioso e uma história de amor tão linda!!!
Só espero que o filme chegue aqui no pico do mundo logo. Já está há séculos em Estocolmo, mas aqui que é bom, nada. E o melhor: comprei o livro e não paguei nada. É que Stefan entrou em um concurso na Internet e ganhou bônus para gastar na Amazon... E ainda podemos ganhar uma câmera digital. Bom, vou ler. Beijo, tchau.
abril 07, 2002
Lembranca da minha avó Celia
Estava lendo um texto sobre demência aqui e ouvindo Chico Buarque cantar sobre labirintos e alcapões, e lembrei da minha avó Celia, na primeira consulta que ela teve com o Dr. Marsel, especialista em Alzheimer. Ela já estava precisando de ajuda 24 horas por dia, mas ainda conseguia falar, se mover, comer. Só que tudo o que ela fazia já não fazia sentido... era uma confusão total - para ela e para nós, minha mãe e eu.
Lembro-me desse dia no consultório do Dr. Marsel porque vovó, como só ela podia fazer, não entregou os pontos e, quando ele pediu que ela escrevesse o nome dela numa folha de papel e desse os nomes de certos objetos, fez uma forca monumental e conseguiu cumprir as tarefas, só porque estava sendo desafiada pelo médico. Teimosa linda, minha avó Celia.
Mensagem do meu irmão
Maria olha esses emoticons:
}i{
borboleta
~:)
bebê
coelinho
()_()
(="=)
(")_(")
abril 06, 2002
5x7
Atenção você, que pensa em vir morar no exterior. Não se esqueça dos seus livros, dos seus CDs, do seu computador, das suas roupas, das suas cartas, dos seus documentos, mas, mais importante, não se esqueça de trazer com você um sortimento extra de fotos 5x7. Tá pensando que é brincadeira? Tenho que renovar meu passaporte, que vence agora em novembro de 2002. Pois precisava das tais fotos 5x7 e pergunta se aqui, no pico do mundo, é fácil encontrar algum fotógrafo que faça esse formato de foto? Resposta: não, não é.
Acabei encontrando, claro, depois que o Stefan ligou para uma meia-dúzia de estúdios. Chegaram a querer nos cobrar, por quatro fotos, 700 coroas suecas, o que corresponde a mais ou menos 70 dólares... Façam as contas para reais... Conseguimos encontrar uma fotógrafa que fez as fotos por apenas 250 coroas, 25 dólares, mais de 50 reais. Mas, pelo menos, as tenho.
A grande dificuldade é que aqui eles fazem fotos de forma diferente. De acordo com uma resolução da União Européia, as fotos dos cidadãos dos países participantes precisam ser tiradas de forma a mostrar a orelha do indivíduo. Isso mesmo, você leu direito: é absolutamente essencial que a foto mostre a orelha do cidadão. Eles dizem que tudo pode ser mudado no rosto, mas a orelha continua lá, a mesma.
Para ter a minha identidade sueca precisei passar pelo tormento de tirar a tal da foto-mostrando-a-orelha, como vocês podem ver aí ao lado. Minha mãe sempre me disse que eu era muito mais bonita do que isso. E não vale rir da minha cara amuada.
MARAVILHOSA
Mais uma vez, admito, roubei. Fui ao Blowg, da Marina, e não resisti. Aqui está o fruto do meu pecado:
"Se a blusa de lycra não fica bem em mim, problema da blusa de lycra". Irene Ravache
Amém.
Simpsons: culpem a realidade!
Sou eu que já perdi o pé das coisas ou o secretário municipal de Turismo e presidente da Riotur, José Eduardo Guinle, está fazendo papel de bobo ao anunciar que vai processar a Fox pelo episódio "Blame it on Lisa", dos "Simpsons", passado no Rio?
Antes de mais nada, queria dizer que entendo todos vocês que vierem me dizer que é um absurdo botar macaco e cobra em plena cidade - o clichê é tão antigo que chega até a ser risível. E é exatamente aí nesse ponto que me encontro sempre que tento ficar revoltada com os estereótipos criados pelos americanos sobre nós, cucarachas: temos é que rir.
Senão, vejamos: todo mundo sabe que o humor dos Simpsons é cáustico mesmo, que bota pra quebrar com quem quer que seja e não está nem aí com a correção política alheia, certo? Então. Basta olhar para as situações inacreditáveis de cada episódio para saber que o absurdo é a matéria-prima da série. Cadê o bom-humor típico do carioca? Não é fácil, eu sei, mas às vezes, é bom rir das nossas próprias feridas. A matéria do Globo de hoje está aqui.
Acham que estou há muito tempo fora do Rio e já perdi o orgulho? Pois vejam essa: não houvi falar de nenhuma controvérsia quando o episódio "The Crepes of Wrath" foi ao ar pela primeira vez em 15 de abril de 1990. No desenho, o Bart é mandado para estudar na França e é obrigado a viver com dois fabricantes de vinhos que o fazem de escravo. Em troca, a família Simpson recebe em Springfield Adil, um estudante da Albânia que, na realidade, é um espião que rouba os segredos da usina nuclear do Mr. Burns.
Pode-se até entender que a Albânia não tenha feito nenhum protesto oficial, mas o episódio inclui, nem mais nem menos, a orgulhosíssima França. É por essas e por outras que estou cada vez mais concordando com a pentelha que me disse na festa que na Suécia "não há dupla moral". Já no Brasil...
abril 05, 2002
Leituras
De certa forma essa parada do Blogger foi boa. É que preciso me concentrar mais no livro que estou lendo para o meu curso de sueco. Alguém já leu "Good Night, Mr. Tom", da Michelle Magorian? Pois eu nunca havia lido e agora estou tendo de enfrentar a fera em sueco. Vou contar uma coisa: não é tarefa fácil.
Desde que cheguei aqui li apenas um livro em sueco: "Of Mice and Men", do John Steinbeck, que se revelou muito mais interessante do que o livro da Michelle Magorian e, porque não dizer, mais fácil de ler.
Só queria fazer um apelo: pai querido, assim que você puder, manda uns livros para a sua filha ler, pelamordedeus!!!
Bom, deixa eu ir, ok? Vejo vocês ainda hoje. Isso é, se o Blogger não se opuser, claro.
Viver do outro lado da esfera não é mole não
Hoje acordei com vontade de escrever. Estou com um monte de anotacões aqui no meu bloco e quando vim, feliz da vida, dividir meus assuntos com essa página de que tanto gosto e com os meus leitores (acho que ter leitores é uma das coisas mais incríveis da face da Terra, mas esse assunto fica pra outro dia), o Blogger estava fora do ar. Absolutamente. Completamente. Das nove da manhã de hoje (cerca de quatro da matina no Brasil e 11 da noite de quinta-feira na Califórnia) até agora lutei para colocar o post sobre os xingamentos no ar (veja abaixo). Uma pena, mas acho que o lance de assinar o BloggerPro é uma das saídas, apesar de precisar pagar.
Mesmo assim, I fought my way in em algumas páginas de help do servico e li que algumas pessoas já assinantes do Pro também têm problemas. Por fim, exausta e sem paciência, pedi um help para o Phil, que responde à maioria dos problemas de Troubleshooting do Blogger. Minha pergunta é básica: mesmo disposta a pagar os 35 dólares por ano, o que me garante que, vivendo meio mundo à frente da Califórnia, quando puder/quiser escrever não me depararei com os mesmos problemas, uma vez que é quase sempre no período da noite que são feitos os reparos? Não sei se ele vai me responder, mas se ele o fizer de forma inteligente, divido aqui com vocês.
Diabo sapeca em alta na Suécia
Dia desses, depois de comentar alguma nota do Não é Caldo... fiquei com vontade de escrever sobre como se xinga em sueco. Hoje, decidi fazê-lo, ainda mais depois de ler os jornais e me deliciar com a coluna do Dapieve no Globo. Li que de fato há palavrões em alemão, como schwule, cujo significado ainda é um mistério para mim.
Anyway, quando vim para cá fui informada que sueco tem muito a ver com alemão e uma das minhas preocupacões era que soasse tão horrível quanto. Mas aí é que está a diferenca. Sueco é muito mais doce do que alemão. Tem um ritmo próprio, ondulante. Há a necessidade, por exemplo, de se prolongar as vogais seguidas de apenas uma consoante, enquanto as vogais seguidas de duas consoantes devem ser mais curtas, e por aí vai. Em resumo, sueco é complicado (sofro com seis declinacões, divisão das palavras em duas classes etc) mas mais bonito e agradável do que eu jamais poderia imaginar.
Sim, estou aqui para xingar. Pois bem, aprendi que os suecos xingam evocando deuses e demônios. Referências às eventuais atividades noturnas das mães dos sujeitos não existem (estranho, né?). Um bom exemplo pra comecar é Fy fan!, que quer dizer, "Shame on you devil!" (tenho apenas dicionários de sueco-inglês, sorry). Fy pode ser traduzido como "phew!; oh!; shame!; naughty!", e fan é o coisa-ruim mesmo. Uma variacão muito aceita é Fan också, que se pronuncia fããn óksô e cujo significado literal é "Diabo também"...(acreditem, apesar de ser estranhíssimo, faz sentido... às vezes). Há ainda o djävla, pronuncia-se djéévla, e significa "bloody; damn[ed]; goddamn[ed]; fucking [idiot]". Sendo que o substantivo djävel é o próprio "bastard; fucker etc".
Outro muito bacana, e que eu uso muito, é Herregud, que é o nosso "Ai, meu Deus do céu", tudo em uma palavra só, como manda a cartilha dessas línguas de origem anglo-saxônica: reducão em nome da simplicidade. Quer dizer, simplicidade para eles, anglo-saxões, que já nascem berrando tudo junto, como läkemedelsmissbruk que quer dizer "abuse of medicines (pharmaceutical preparations)". E a gente que pensava que inconstitucionalissimamente era o máximo da complicacão.
Bom, mas já chega de aula por hoje. O Blogger nem está no ar - na Califórnia é ainda noite (23hs) de quinta-feira, dia 04 de abril, enquanto já são 9 da manhã de sexta, dia 5 de abril, aqui na Suécia. Estão fazendo mais um upgrade ou coisa que o valha. Tomara que o Victor não esteja certo e eles continuem a nos deixar acessar o servico de graca, sem nos forcar a migrar para o servico pago.
Ahn? Ingênua, eu? Nehhh.
abril 04, 2002
Gatuna
Pois é, hoje estou terrível. Lá vou eu novamente dar uma copiadinha, de leve. O Victor, do lindíssimo Mui Gats, é uma referência de bom gosto e diversão. Fui também visitá-lo, como todos os dias, e eis que me deparei com uma imagem linda de um gato, cuja fonte é este site aqui. Bom, chega de blá-blá-blá, vamos à imagem, que não é a mesma do Mui Gats, aliás, mas que tem mais a ver comigo.

Roubo bem intencionado
Ontem estava à cata de um poema que ouvi pela primeira vez em um filme, "Quatro Casamentos e um Funeral", mas não o encontrei. Não sabia seu nome, nem seu autor. Desconfiava ser de algum escritor inglês (o filme é uma producão ótima inglesa), sabia que comecava com um lance de relógios, mas não tinha outras pistas. Pois bem, eis que hoje estava fazendo minha ronda matinal pelos sites de notícias e pelos meus blogs queridos - os quais estão listados aqui em baixo, à esquerda - quando me deparei com o poema, reproduzido pelo meu amigo Sérgio Maggi, que reformulou todo o seu blog e, nas horas vagas, deu uma paradinha para ler a minha mente lá do Rio. Então, aqui vai:
Funeral Blues
W. H. Auden
Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.
Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.
He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever; I was wrong.
The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood,
For nothing now can ever come to any good.
Novo blog na praca
Meu irmão, Carlos decidiu aderir e virar "blogueiro". Com a ajuda prática da mãe dele, Cristina, e com o apoio moral do nosso pai, Armando, nasceu o Factor 6.
Muito lindo e inteligente como ele é, meu irmãozinho está ainda estudando as possibilidades de seu novo site, escrevendo textos de várias formas, vendo qual é a que casa melhor com o seu estilo. Eu já me convidei para escrever como membro do time do Factor 6, mas ainda não recebi a resposta....!!!!&%¤#(&%¤/¤#%%*=)(....
Tudo bem, afinal, eu estou cinco horas à frente do meu irmão, que mora aí no Rio, e que deve estar indo pro colégio agora. Ainda tenho esperancas de que Carlos me deixe entrar de penetra no clube que ele fundou com mais cinco amigos - os quais, aliás, ainda não foram avisados da existência do clube.
abril 03, 2002
"Se essa rua, se essa
"Se essa rua,
se essa rua fosse minha,
eu mandava,
eu mandava ladrilhar,
com pedrinhas,
com pedrinhas de brilhante,
para o meu,
para o meu amor passar"
Dor de cabeca
Ai.... que dor de cabeca.... Provavelmente deveria estar longe do monitor do computador... É, acho que vou dar um tempinho... Poxa, mas tentei criar um blog para fazer com o meu irmão, que mora aí no Rio, e não consegui. Não sobe a template que eu escolhi de jeito nenhum, fica dando Erro 503... ai ai ai... meu couro cabeludo está doendo também... acho que vou tomar um dorflex.
Carlos, meu irmão, se você estiver me ouvindo, estou tentando resolver o problema... Mas, quem sabe você não tem mais sorte do que eu e faz o seu próprio blog e tudo corre bem? Siga as coordenadas que te mandei por e-mail... Quem sabe? Beijo enorme da sua irmã que te ama e que morre de saudades e de dor de cabeca também :c(((
abril 02, 2002
Li isso aqui no site
Li isso aqui no site da Marina, que eu infelizmente não conheco, mas que deve ser uma pessoa muito interessante. Desculpe, Marina, mas copiei na careta de pau mesmo. Achei genial! Queria saber quem é o Francisco. Que crianca incrível! Me faz lembrar meu irmão Carlos. Aqui vai:
O Medo
A árvore tem medo do machado. A barata tem medo do chinelo. A televisão tem medo do curto-circuito. O espelho tem medo de ser quebrado. O livro tem medo de ser rasgado. O carro tem medo da batida. O sapato tem medo do chiclete. O chiclete tem medo do sapato. O aluno tem medo da prova. É isso que é o medo. (Francisco, 9 anos)
abril 01, 2002
O medo
Li isso aqui no site da Marina, que eu não conheco, mas que deve ser uma pessoa muito interessante. Desculpe, Marina, mas copiei na careta de pau mesmo. Achei genial! Aqui vai:
O Medo
A árvore tem medo do machado. A barata tem medo do chinelo. A televisão tem medo do curto-circuito. O espelho tem medo de ser quebrado. O livro tem medo de ser rasgado. O carro tem medo da batida. O sapato tem medo do chiclete. O chiclete tem medo do sapato. O aluno tem medo da prova. É isso que é o medo. (Francisco, 9 anos)
Aurora Boreal... Eu vi!!!
Ontem, enquanto dirigíamos de volta para casa, vi uma coisa que nunca mais vou esquecer na vida: as luzes da Aurora Boreal. Passamos, eu e Stefan, todo o inverno varrendo o céu nas noites frias para ver se víamos. E ontem tivemos sorte. E que sorte! Fiquei sem ar enquanto olhava, porque é como se estivessemos encontrando uma nuvem colorida com anilina se movendo sozinha no meio do céu. Me fez lembrar uma daquelas nuvens que aparecem escondendo naves espaciais. Se movimentava rápido, ia mudando de cor, como uma folha de papel celofane transparente. A luz mais forte foi de um verde claro, contra o céu negro, mas, enquanto se movimentava, pude ver a mudanca de verde para vermelho e um pouco de azul e amarelo. Esse faixo de luz colorida ia de norte a sul (sei onde é o sul aqui porque vi as Três Marias à nossa esquerda, quase na altura do horizonte, e lembrei que no Brasil, elas ficam no meio do céu).
É muito difícil fotografar esse fenômeno, só mesmo com um filme muito sensível e com um tempo de exposicão alto, o que faz necessário o uso de um tripé. Estávamos de carro, então só nos restava mesmo olhar e aproveitar enquanto podíamos. É incrível como a nuvem de luz se move, pros lados, pra cima, pra baixo, e muda de posicão tão rápido. É um verdadeiro show. Stefan me disse que o povo Suomi, que vive na Lapônia - faixa de terra que se expande do norte de Noruega, Suécia, Finlândia e vai até a Rússia - acredita que as Luzes do Norte são a danca das almas. Se for, queria ter nascido suomi para que a minha alma dancasse assim, feliz e colorida, no céu. Encontrei as duas fotos acima aqui.



