dezembro 31, 2002

FELIZ ANO NOVO!!!

Esse ano foi especial. Foi quando vivi pela primeira vez um inverno rigoroso. Neve. Muita neve. Voltei a ter dez anos de idade várias vezes.

Comecei meu blog em fevereiro, dia 28, e o Montanha-Russa se tornou um espelho da minha vida. Me enxergo melhor quando me leio.

Ajudei a eleger Lula presidente do Brasil.

Mandei dezenas de currículos para dezenas de empregos diferentes. Recebi muitos elogios mas nenhuma oferta. Escrevi uma carta aberta, em sueco, para a ministra. Não obtive resposta mas somente meu exercício bem-sucedido do idioma e a repercussão me mostram que há terreno para uma luta.

Aprendi a viver com o mínimo de dinheiro. Descobri que é totalmente possível.

Tive sentimentos inéditos, profundos e fortes. Ganhei até um pedaço de chão na Lua!

Conheci dezenas de pessoas, brasileiros e estrangeiros, que têm blogs. Gente muito especial. Alguns posso até chamar de amigos, o que acho um luxo. Sou grata, mais uma vez, à Internet, por ter mudado minha vida pra melhor.

Foi um ano no qual "nasci" para a Suécia. Jornais, revistas, TV e rádio começaram a fazer sentido para mim. A língua não é mais cantada, como uma música cuja letra apenas adivinhamos algumas palavras. Agora as sílabas se encaixam em palavras, as palavras em frases, as frases em argumentos, perguntas e respostas. Me alfabetizei.

Sofri muito também. Briguei, fiquei com raiva, ciúmes, inveja. Mas tudo passou. O que não passou foi a saudade. Mas ela é mesmo minha companheira.

Tchau 2002! Ano porreta!
Oi Ano Novo, seja bem-vindo. Abra os braços porque essa criatura aqui está pronta para mergulhar de cabeça.

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dezembro 30, 2002

Reveillon à brasileira

Ah, tô tão feliz!!! É que vamos passar o reveillon na casa da minha amiga Sonia, médica brasileira que mora aqui pertinho de mim com o marido sueco. Hurra! Hurra! Hurra! Hurra! Vou fazer o brownie da Nigella pra levar pra reunião, que incluirá ainda outro casal sueco-brasileiro que eu não conheço. Ai, que bom! :cD

Aliás, falando em reveillon, tem uma coisa que me deixa muito estressada no final do ano. É que aqui na Suécia a compra e venda de fogos de artifício é liberada para qualquer um. Dependendo do tipo, até mesmo crianças de 15 anos podem adquiri-los em qualquer supermercado.

Acho isso um absurdo sem tamanho. Ainda não consigo entender como, numa terra onde tudo é reguladíssimo, os cidadãos podem falar no celular enquanto dirigem - mesmo com gelo na pista - e podem comprar brinquedos de final de ano que incluem a mistura literalmente explosiva pólvora + fogo + bebida.

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dezembro 29, 2002

"...E.T. phone home..."



Já estamos nos preparando para mais uma noite com filme novo no DVD. Ces acreditam que Stefan nunca viu "E.T." por inteiro? Gente, acho que esse é um dos filmes mais marcantes de toda a minha geração. O Steven Spielberg é um gênio inspiradíssimo e eu sou fã dos filmes dele (até "Tubarão" acho bacana). Ainda me lembro quando o E.T. aparece pela primeira vez, no meio dos arbustos, depois de ter sido esquecido por sua nave. Estava tão extasiada com o filme que, na excitação, levei um susto e estalei as mãos no rosto para cobrir os olhos. Doeu pacas. :cD

Aliás, esse era o lance do lançamento do E.T.: a imagem do extraterrestre não foi mostrada na campanha de marketing exatamente para que todas as crianças não soubessem como seria esse "monstro". Gente, eu tinha 11 anos recém-completos, e fui pro Leblon 1 na sessão das duas da tarde com medo. Mas foi uma revelação. Claro que choro até hoje com a cena das flores que voltam a nascer quando o E.T. desperta e, no final do filme, quando ele diz: "I'll be right here" e aponta para o coração do Elliot... Nossa, já estou aos soluços.

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Brain cells come and

Brain cells come and brain cells go... But fat cells live forever!!!

Copiei da Kátia. Hai Kai pós-Natalino - ou uma preparação para as decisões de Ano Novo.
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dezembro 28, 2002

O aprendizado de Stefan

Acabamos de assistir ao DVD do Moulin Rouge, que Stefan me deu de Natal. Para a minha surpresa, ele A-M-O-U o filme. Cantarolamos as músicas - Nirvana, U2, Elton John etc - rimos das cenas engraçadas e nos encantamos com o visual. Já tinha visto o filme uma vez. Pedi o DVD naquela minha listinha só de sacanagem, mas ele leu e comprou. Além do MR, ganhei também a edição de luxo do E.T.. O máximo!

Agora Stefan está aqui do meu lado assoviando "the hills are alive with the sound of music" e eu achando o maior barato. Outro dia vimos na TV Muito Barulho por Nada, com Denzel Washington, Kenneth Branagh e Emma Thompson. Leitor de Shakespeare, ele amou. Meu próximo passo é fazer com que meu amor largue de vez Bruce Willis, Silvester Stallone e entregue-se à poesia imortal de Jane Austen, O Piano, Corrina, Corrina, e todos os filmes da Nora Ephron+Meg Ryan+Tom Hanks. Hahahahahahaha. {Risada diabólica}

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dezembro 27, 2002

De novo

Vocês sabem que sou dramática, né? E do pior tipo: canceriana-almodovariana. Então, é bom avisar que os meus excessos podem nublar meu julgamento. Por isso, refaço as linhas aí do post de baixo sobre o Natal. E digo: o Natal foi bom porque as crianças adoraram e se não é isso o que indica o sucesso da festa então eu não sei o que é.

As três meninas, filhas da irmã de Stefan, ganharam tantos presentes que até eu fiquei enlouquecida. Estava ajudando uma delas a abrir os pacotes e quando a menina não conseguia romper o papel de embrulho, eu prontamente arrancava o pacote da mão dela e me botava a estraçalhá-lo com volúpia. Hahaha.

Ganhei mais presentes do que dei. Isto se você não contar os dois pudins de leite e os dois pães feitos em casa que levei à festa. As delícias feitas com leite condensado foram devoradas pelas dez pessoas presentes à ceia de Natal. Depois de muita deliberação entre colheradas e mais colheradas dos meus pudins, os suecos chegaram à conclusão que eu deveria fazer mais daquilo para o ano que vem.

Os pães foram servidos junto à smörgåsbord, com muitas saladas de vegetais e maionese, (muita maionese), além de patê de fígado de ganso, presunto cozido, ovos duros com caviar etc. Pensou que acabou? Nãnaninanão. Logo depois veio o jantar propriamente dito, com almondegas de carne, batatas cozidas e costeletas de porco. Levinho não?

Depois da orgia - digo - ceia, abertura de presentes e que tais, as crianças finalmente foram dormir (incrível como elas têm resistência), e nós fomos para a frente da TV para tentar digerir toda aquela comilança. Aí você me pergunta: "Sim, mas não seria melhor dar uma volta na vizinhança para digerir a comida?". E eu respondo: "Com o termômetro marcando 27 graus negativos... I don't think so".

Escrito por Maria à s 09:06 PM | Mais: Irritação e ironia | Comente! (0)

O Natal foi bom mas, graças a Deus acabou!

It's over, finito, la fin, slut! Fomos para a casa da sogrinha dia 23 cedo e só voltamos ontem à noite. Overdose de família. Ganhamos alguns presentes legais, mas teve uma hora em que tudo o que eu queria era estar aqui em casa (ou no Brasil), na frente da televisão, vendo algum filme antigo ou um documentário da BBC.

Hoje tá difícil. Tô com dor de cabeça. Ahhhhhhh.... Um Dorflex por favor!

Olha, queria agradecer pelos emails lindos que recebi. Eles serão devidamente respondidos assim que o Dorflex começar a funcionar, ok?

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dezembro 23, 2002

Feliz Natal para todos!

Feliz Natal para todos!

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dezembro 22, 2002

Acabou

Apesar de ainda ter pela frente dois meses de frio intenso, a escuridão para mim acaba hoje. Explico: é que hoje é o solstício de inverno - o dia mais curto do ano. A partir de amanhã ganhamos preciosos minutinhos de sol e luz todos os dias. Os suecos não comemoram nada - talvez até pela proximidade do Natal - como fazem quando chega a hora do equinócio, o tal do midsommar, dia 22 ou 23 de junho.

Para mim, no entanto, o dia 22 de dezembro marca um renascimento, da luz, da vida, do calor. Acho inclusive o midsommar meio triste porque a partir dali perde-se luz todos os dias. O ciclo se completa hoje. É o fim. E o começo.

O sol nasceu hoje às 9h51m em Luleå (cidade mais importante do norte e que fica pertinho aqui de Boden) e se pôs às 13h11m. Amanhã, o sol se porá às 13h12m. De pouquinho em pouquinho, a gente chega lá. Não deixa de ser uma lição interessante da natureza, pensando bem.

Escrito por Maria à s 02:23 PM | Mais: Europa & Escandinávia | Mais: Pra frente é que se anda | Comente! (0)

Nunca subestime a capacidade de auto-ilusão do ser humano

Ontem teve reunião na casa do casal amigo de Stefan. Foi uma espécie de agradecimento por meu amor ter levado o cara para o hospital e ficado lá com ele quando, de madrugada, o cara teve um ataque de dor no estômago ou nos rins ou sabe-se lá onde. Acharam que era pedra nos rins, mas não era. Acharam que era tumor no estômago, mas não era. Acharam tudo e não acertaram nada (esses médicos suecos!). Stefan e esse cara são amigos há muito tempo e se adoram. A mulher dele é uma pentelha e, claro, eu tenho que dar uma de primeira-dama e ser diplomática. Tudo bem. Casamento é compromisso.

A noite até que não foi ruim, devo admitir. A moça foi simpática como sempre, e não precisei ficar acordada até muito tarde. Meia-noite já estava de banho tomado e na cama. Sim porque depois de dez minutos na casa deles, roupa, cabelo e até a alma cheiram a cigarro. Aí não dá. Eles até são educados e vão fumar na varanda, mas mesmo assim o cheiro permanece. Ainda mais pra mim que sou meio humana e meio bloodhound.

Aí, no meio do jantar, o cara diz que está se cuidando para evitar que o misterioso problema em um órgão não-identificado do seu corpo volte a se manifestar. Perguntei, interessada, como ele estava se cuidando. E ele sem a menor cara de pau manda essa:

- Ah, parei de tomar café e também não bebo mais leite.
- Como é? Não bebe mais leite? Mas leite é ótimo para o estômago!
- Sim, mas não podemos descartar alergia à lactose.
- ...

O interessante é que o fulano bebe leite desde que nasceu (ele tem 39 anos) e nunca teve qualquer problema. Em contrapartida, bebe álcool que nem um gambá também quase desde que nasceu. Ontem mesmo estava cheio de sprit na cabeça. É a velha história da azeitona na empada. Manja?

Escrito por Maria à s 08:30 AM | Mais: Irritação e ironia | Comente! (0)

dezembro 21, 2002

Coisas que gostaria de ter dito

"Não há nada mais chato do que duas pessoas que continuam falando quando você está interrompendo." -- Mark Twain

"As pessoas boas dormem muito melhor à noite do que as pessoas más. Claro, durante o dia as pessoas más se divertem muito mais." -- Woody Allen

"Que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho." -- Clarice Lispector

"O segredo da minha longevidade é que sempre tomei cuidado com as drogas que tomava." -- Keith Richards

"A única coisa que a gente deve cuidar é de dar sempre um passo à frente, um passo, por menor que seja." -- John Steinbeck

"As idéias são como coelhos. A gente pega um casal, aprende a cuidar deles, e bem depressa tem uma dúzia." -- John Steinbeck

Quer mais? Vá até aqui. Dica da minha querida Meg.

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Don't sit under the apple

Don't sit under the apple tree with anyone else but me

Da série "Ouvindo Glenn Miller".
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Aventuras na tela e fora dela

Ontem eu e Stefan fomos ao cinema assistir O Senhor dos Anéis - As Duas Torres e A-M-A-M-O-S! É um filme maravilhoso! Li os livros já tem um tempinho, mas sempre achei incrível a capacidade do Tolkien em criar um mundo a parte, cheio de personagens tão interessantes. Bom, penso isso de qualquer bom autor de livros. Anyway, esse segundo filme é incrível! Adorei os Ents e morri de paixão pelo pobre do Gollum.

Na saída do cinema, uma surpresa: tempestade de neve. Tempestade mesmo. Saiu até nos jornais de hoje. Estávamos em Luleå, a 30 minutos de carro de Boden, o que não é muito mas que sob uma tempestade de neve passa a ser. O pior é que os motoristas não estão nem aí para o perigo de pegar estrada com esse tempo e começam a "costurar" no trânsito direto.

Chegamos em casa bem, mas exaustos. Durante a viagem, enquanto eu rezava de um lado, Stefan ao volante tentava me acalmar com historinhas sem graça, piadas etc. Quanto mais sem graça a história, mas eu ria. Na nossa frente, uma longa fila de carros evoluía bem devagar e, mais à frente, um carro limpador de neve passeava de um lado pro outro, fazendo com que a visibilidade já quase nula diminuisse ainda mais. Foram 40 minutos nesse ordeal. Fiquei tão tensa que chegamos em casa, assistimos um pouco de TV, jantamos e eu fui dormir de exaustão às dez da noite. Só acordei agora. Bom dia!

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dezembro 20, 2002

Dona da cocada preta

Sabem quando o cara que você ama te diz que queria te dar a Lua, as estrelas, os anéis de Saturno? Bom, né? Pois é, na próxima vez que ele disser isso, acredite. Por quê? Bom, este Natal Stefan resolveu inovar: sou a mais nova proprietária de um pedacinho de chão à direita da cratera Copérnico, na Lua. Isso mesmo, o maluco do meu namorado me comprou o lote lunar 243/1034 que fica de 10 a 14 graus de latitude e 14 a 18 graus de longitude oeste. Veja o mapa e confira a minha vista. :c)


A idéia surgiu da cabeça do americano (lógico) Dennis M. Hope que descobriu um furo na lei das Nações Unidas que proibe que qualquer país, por mais poderoso e rico, possa possuir a Lua. País não pode, nem organização, mas e uma pessoa física? A lei não cobre esse aspecto - é o famoso e americaníssimo loophole da lei - e o cara passou a vender por uma pechincha lotes lunares. A quantia é simbólica e é o tipo de ciber-romantismo que eu gosto. Quer saber mais? Clique aqui.

Escrito por Maria às 09:47 AM | Mais: De bem com a vida | Comente! (0)

dezembro 19, 2002

Feminismo sueco

A minha amiga Ines, que mora perto de Gotemburgo, no sul da Suécia, publicou um post sobre isso e eu achei simplesmente perfeito. O grupo feminista Mulheres sem Fronteiras (Kvinnor utan Gränsen), criou uma campanha para rebater anúncios da cadeia sueca de roupas Hennes & Mauritz - uma gigante multinacional com lojas em todas as grandes cidades européias, Nova York, Los Angeles etc - que mostra sempre modelos impossivelmente perfeitas posando apenas com langerie.

A idéia das feministas foi tirar fotos de pessoas "normais": gordas, velhas, homens vestidos de langerie feminina e espalhar por toda Estocolmo. Segundo a Ines, a campanha está fazendo o maior auê. Não tenho meios de saber desse bochicho porque, como alguns de vocês sabem, moro mais perto do Papai Noel do que as renas. As fotos são estranhíssimas, mas muito engraçadas e acho que atingem seu objetivo: mostrar que coisa imbecil essa de escravizar a humanidade a um padrão de beleza impossível de ser alcançado, a menos que você tenha sido abençoado com um lote perfeito de DNA, o que é raro, vamos e venhamos.

Inezoca diz que gosta desse aspecto da suecada: essa rebelião contra os padrões famélicos de mulheres e homens. Concordo com ela. Não sei explicar exatamente por que, mas o povo desse país é muito mais tolerante e receptivo às, digamos, formas alternativas de beleza. Em português claro: pessoas que não são perfeitas. Ah, na foto aí ao lado, lê-se a palavra "Oretuscherad", que quer dizer "Sem retoques".

Junto às fotos há declarações das pessoas que fizeram parte da campanha. Essa moça aí em cima disse que leu em algum lugar que são apenas oito as mulheres consideradas perfeitas, ideais. Em todo o mundo. Gente!!!! O mais estranho nessa história toda é que "normal" virou sinônimo de defeituoso, repararam? Que coisa.

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Insônia, Web e Gil

Pois é, não consigo dormir. Então, claro, vim pra Internet. Mó vício.

Já queria ter falado sobre o Gil no Ministério da Cultura, mas outras coisas aconteceram. A Marina, minha ídola, disse tudo o que eu gostaria de ter dito se pudesse ter pensado antes dela. Como esse não foi o caso, reproduzo aqui o pensamento que passou por mim e foi traduzido por ela:

Meu medo, como diria a Regina Duarte, é que tem muita estrela na equipe Lula. Sabe aquelas produções de Hollywood, cheia de famosos, mas que no final o filme é uma merda?

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dezembro 18, 2002

Peculiaridade dessa terra

A Priscila perguntou lá nos comentários o que é snus e achei legal explicar mais longamente. É que nunca falei disso aqui e trata-se de uma coisa que só existe aqui na Suécia. Snus é um tipo de tabaco molhado, que é vendido em pequenas latinhas redondas e colocado sob o lábio superior, em contato direto com a gengiva. O lance de se usar snus é evitar que o cidadão fume.

Acho essa coisa de snus meio nojenta, mas sem dúvida é menos invasivo do que o cigarro. Quem usa esse treco - que vem soltinho ou em porções separadas em saquinhos - fica com uma aparência estranha. Nunca me esqueço de quando encontrei um amigo de Stefan na primeira semana que vim morar aqui. Estávamos conversando e lá pelas tantas o sujeito se vira para o lado. Pensei: "O cara vai espirrar". Quando ele volta a olhar pra mim, está com um calombo no lábio de cima, que o faz ficar a cara do Grinch.

Quase morri de rir. E o pior é que eu não conhecia o cara. Foi horrível! Tive que explicar que do lugar de onde eu vim esse negócio de colocar saquinho na boca (em público) é meio estranho. Mas o cara é gente boa e riu de tudo. Que mico.

Escrito por Maria à s 09:52 PM | Mais: Cultura e comida | Mais: Europa & Escandinávia | Comente! (0)

Sem piscar

Sabe uma coisa que odeio? Ter que me "vender" para o empregador. Dizer que sou ótima, que sei fazer isso e aquilo etc. Não consigo lidar bem com essa coisa de marketing pessoal. Talvez por isso que apesar de gostar, não quero seguir carreira política. É muita exposição estranha e que me deixa meio perdida.

Na minha cabeça, sou o que sou e quem quiser que acredite. Mas sei que não funciona assim. É necessário sentir uma firmeza por parte do candidato, uma certeza de que ele(a) será capaz de realizar o trabalho. O meu problema agora é que sei que sou uma ótima pessoa e uma trabalhadora esforçada, blá-blá-blá, mas não sei se sou capaz de fazer o que fazia antes.

É meio complicado, mas é assim. Essa maluquice de mudar pra cá me fez olhar minha vida de uma forma diferente.

Aliás, uma moça que deixou um simpático recadinho ali no meu Mapa de Visitantes, disse uma coisa que me fez pensar. Ela escreveu que achava "meio surreal" eu ter ido morar num lugar tão longe... Acho que ela tem razão. Pensando bem, é uma loucura danada. E quando olho pra trás e vejo a inevitabilidade que sentia em relação à evolução dos eventos, me pergunto de onde veio toda essa ousadia.

Escrito por Maria à s 04:43 PM | Mais: Elucubrações | Mais: Vida de imigrante | Comente! (0)

dezembro 17, 2002

Mania nacional

Os suecos adoram cozinhar. Meninas e meninos aprendem na escola, em aulas de economia doméstica, como preparar receitas básicas, que os ajudam a evoluir para pratos mais complicados quando se tornam adultos. E o interesse nunca morre. Por isso, a TV sueca está repleta de programas de culinária.

O Kanal 5, tem dois diferentes. O Jamie Olivier - gato! miau! - e um sueco metido a muderno chamado Anders Gabrielsson, que mais canta e dança do que cozinha. Esse programa, chamado "Kocken", não é bom.

A SVT 1 tem a Tina Nordström com o seu programa "Mat" ("Comida"), que faz o maior sucesso. O livro dela está vendendo horrores e eu estou esperando ter dinheiro para poder comprar. Meu único problema com a Tina é que ela vem da região Skåne [skoone] e fala com um acento muito próximo do dinamarquês - isso porque Skåne fica no extremo sul da Suécia, e sua principal cidade, Malmö, é ligada por uma ponte à Dinamarca. Dificílimo de entender.

Todos esses programas não são diários, mas aparecem em dias alternados, de forma que tem sempre alguma coisa interessante acontecendo nas cozinhas desse país. Diário mesmo só o "Köket" ("A Cozinha"), programa de culinária rápida veiculado pela TV 4 e que vai ao ar um pouco depois da hora do almoço. O programa da Nigella também é veiculado pela TV 4, o meu canal sueco favorito. Acho todos os programas bacanas, o Jamie Olivier é definitivamente uma gracinha, mas a Nigella, pra mim, é imbatível.

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Snow Flecked Brownies da Nigella

Ingredientes
375 g de chocolate amargo de melhor qualidade
375 g de manteiga sem sal em temperatura ambiente
1 colher de mesa de extrato de baunilha
6 ovos
350 g de açúcar
1 colher de chá de sal
225 g de farinha de trigo
250 g de botõeszinhos de chocolate branco (de preferência Montgomery Moore), mas você pode apenas cortar a quantidade necessária de um bloco de chocolate branco comum

Como fazer
- Pré-aqueça o forno a 180 C.
- Coloque papel de assar no fundo e nas laterais de um tabuleiro
- Derreta a manteiga e o chocolate amargo juntos em uma panelona (não fala nada sobre banho-maria)
- Separadamente, bata os ovos com o açúcar e a baunilha
- Coloque a farinha dentro de outro recipiente e adicione o sal
- Quando a mistura de chocolate tiver derretido por completo, deixe esfriar um pouco antes de juntar os ovos, bater tudo junto, e depois juntar a farinha
- Finalmente coloque os chocolatinhos brancos na massa e despeje tudo no tabuleiro
- Asse por cerca de 25 minutos
- Os brownies estarão prontos quando sua parte de cima mostrar manchas mais claras, mas o interior estiver escuro, denso e bastante molengo. Lembre-se que eles continuarão a cozinhar enquanto esfriam.

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Sem culpa

Ontem vi um especial de Natal da Nigella Lawson (foto), uma inglesa que faz um programa maravilhoso de culinária. Ela é linda, fala rápido do jeito que os chefs de TV fazem, mas o programa dela tem um charme diferente.

Primeiro porque é gravado na casa dela. Além da cozinha, aparecem paredes e mais paredes cobertas por estantes qualhadas de livros de receita, mesas repletas de papéis e até o monitor do computador aparece apoiado em três livros grossos. Um deles é um tomo amarelo, onde lê-se a palavra "culinária", assim em português mesmo, na lombada.

Tem também vezes que ela vai buscar conservas e condimentos em uma dispensa que é simplesmente um luxo. Muitos vidrinhos, temperos indianos, frutas secas, uma viagem.

O bacana da Nigella é que ela tem uma filosofia: ela gosta de comer. Quem a assiste precisa esquecer as horas que passou malhando na esteira ou a saladinha com frango grelhado que comeu no almoço. O lance da Nigella é volúpia por comida. É preciso estar preparada para receitas que incluem, por exemplo, 375 gramas de manteiga, 375 gramas de chocolate ao leite, 350 gramas de açúcar etc.

Diz lá no site dela: "I am not a chef. I am not even a trained or professional cook. My qualification is as an eater." Não é o máximo? E pensam que ela é magra? Nãnãninãnão. Ela tem bundão, um quadril de respeito e barriga. Não é a toa que vive de preto nos programas. Mas isso só me deixa ainda mais fascinada.

É uma luxúria que te faz feliz porque ela aparece comendo as coisas que faz, que são invariavelmente deliciosas, e não é aquela papagaiada de passar de baixo da mesa e de tocar porquinho na porta da geladeira. É um contentamento verdadeiro.

Aliás, esses ingredientes citados aí em cima fazem parte de uma receita m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a de brownies. Tem alguém interessado? :c)

Escrito por Maria às 03:11 PM | Mais: Cultura e comida | Comente! (1)

dezembro 16, 2002

Webcam em Luleå, cidade mais próxima de Boden

Isso porque Boden é tão pequena que ninguém sequer se importou em colocar uma webcam externa. Tem uma que fica em uma cozinha de algum escritório, mas não é lá muito interessante. Bonita essa imagem aí de cima, né? A neve é mesmo mágica, consegue me deixar de bom humor mesmo apesar do frio...

Escrito por Maria à s 12:37 PM | Mais: Europa & Escandinávia | Comente! (0)

Família, família! Papai, mamãe, titia...

Fui a Piteå fazer bolinhos suecos com minha sogra e a irmã do Stefan. Cozinhamos a tarde de sábado inteira e eu ainda estou cansada. Mas foi bom porque falamos muito, rimos etc. Aliás, falamos tanto que, no final do dia, meu cérebro já tinha dado tudo o que tinha que dar e eu não conseguia mais colocar Å e Ä juntos. Nenhuma palavra em sueco saiu da minha boca depois de cinco horas de conversa ininterrupta. Tentei apelar pro inglês, a escolha lógica, mas mesmo assim, no final das contas, só conseguia mesmo emitir sons parecidos com português. No Natal tem mais.

Aliás, saiu uma coisa interessante hoje no jornal sobre Natal. Um instituto de pesquisa fez um levantamento e descobriu que um em cada três suecos gostaria de não precisar trocar presentes no próximo feriado. Achei magnífico porque é assim que eu sinto também. O instituto ouviu mil suecos a partir de 15 anos de idade entre 26 de novembro e 2 de dezembro e perguntou se eles estavam ansiosos pelo Natal e pela troca de presentes. Sinceramente? Eu estou ansiosa sim. Estou ansiosa porque quero que acabe logo.

Se pudesse, reuniria as pessoas pelas quais realmente sinto carinho - apesar de saber que isso me custaria uma penca de dinheiros porque bilhetes aéreos estão pela hora da morte - e faria um Natal simples. Um jantar, muita conversa, um filme no DVD, um vinho, mais conversa e pronto. Se bem que, levando em consideração minha família, teria de fazer vários jantares em noites alternadas. E isso também seria cansativo. Ainda não consigo deixar de mandar coisas pra mãe, pai, irmão. Queria chegar a um acordo comigo mesma e com eles de um pacífico e mútuo não-envio de presentes. Sem angústias ou culpas.

É, vou voltar pra debaixo do edredon.

Escrito por Maria às 10:20 AM | Mais: Cultura e comida | Mais: Vidinha | Comente! (0)

dezembro 13, 2002

Pausa pra reflexão

Um comentário feito pela Elaine me deixou assustada. Ela disse que depois de ler meus posts e um comentário feito pelo Eduardo - outro brasileiro que vive na Suécia - concluía que "a Suécia é muito preconceituosa e mal informada sobre o Brasil."

O problema do comentário da Elaine, que vive com o marido na Bélgica, é que trata-se de uma generalização. Basta viver aqui - e em qualquer país europeu, aliás, até mesmo na Bélgica - pra saber que existe sim muito preconceito e desinformação. As pessoas são simplesmente burras às vezes. Mas isso não é um privilégio sueco.

Por que estou escrevendo sobre isso? É porque senti que todos os meus posts dos últimos tempos estão girando em torno do tema do preconceito e isso pode ser enganoso. Como disse no final do artigo que escrevi à ministra da integração, amo a Suécia e respeito profundamente a premissa segundo a qual o governo desse país se baseia. Nunca vivi em uma sociedade que funcionasse tão bem, onde houvesse tanto respeito pelos cidadãos como aqui.

Escrevi sobre um fenômeno que não é novo: os sentimentos preconceituosos trazidos à tona pela migração interna européia - geralmente de países pertencentes ao bloco oriental - assim como pela chegada de imigrantes externos, como eu.

O Eduardo, que mora e trabalha na região de Estocolmo, está aqui há apenas alguns meses e já já volta pro Brasil. Ele pode falar o que quiser dos suecos, xingar, criticar e até acho que ele faz muitíssimo bem porque gente imbecil e preconceituosa merece mesmo nosso escárnio.

Agora, eu não posso fazer o mesmo. Simplesmente não posso me dar ao luxo de denegrir as pessoas com as quais irei conviver o resto da minha vida. O que posso, devo e irei fazer sempre, é escrever sobre o que acontece comigo, os tropeções, as impressões, as mudanças, os erros, os acertos, as vitórias. E isso, no momento, inclui uma reflexão sobre o preconceito sueco. Mas prefiro acreditar, Elaine, que as coisas não são tão simples assim. Prefiro acreditar que esses suecos burros são exceções.

Me chame de poliana, tudo bem. Prefiro dizer que essa é uma estratégia de sobrevivência.

Escrito por Maria às 10:35 AM | Mais: Vida de imigrante | Comente! (0)

dezembro 12, 2002

Racismo

Luis Fernando Veríssimo - 14/5/75

- Escuta aqui, ó criolo...

- O que foi?

- Você andou dizendo por aí que no Brasil existe racismo.

- E não existe?

- Isso é negrice sua. E eu que sempre te considerei um negro de alma branca... É, não adianta. Negro quando não faz na entrada...

- Mas aqui existe racismo.

- Existe nada. Vocês têm toda a liberdade, têm tudo o que gostam. Têm carnaval, têm futebol, têm melancia... E emprego é o que não falta. Lá em casa, por exemplo, estão precisando de empregada. Pra ser lixeiro, pra abrir buraco, ninguém se habilita.

Agora, pra uma cachacinha e um baile estão sempre prontos. Raça de safados! E ainda se queixam!

- Eu insisto, aqui tem racismo.

- Então prova, Beiçola. Prova. Eu alguma vez te virei a cara? Naquela vez que te encontrei conversando com a minha irmã, não te pedi com toda a educação que não aparecesse mais na nossa rua? Hein, tição? Quem apanhou de toda a família foi a minha irmã. Vais dizer que nós temos preconceito contra branco?

- Não, mas...

- Eu expliquei lá em casa que você não fez por mal, que não tinha confundido a menina com alguma empregadoza de cabelo ruim, não, que foi só um engano porque negro é burro mesmo. Fui teu amigão. Isso é racismo?

- Eu sei, mas...

- Onde é que está o racismo, então? Fala, Macaco.

- É que outro dia eu quis entrar de sócio num clube e não me deixaram.

- Bom, mas pera um pouquinho. Aí também já é demais. Vocês não têm clubes de vocês? Vão querer entrar nos nossos também? Pera um pouquinho.

- Mas isso é racismo.

- Racismo coisa nenhuma! Racismo é quando a gente faz diferença entre as pessoas por causa da cor da pele, como nos Estados Unidos. É uma coisa completamente diferente. Nós estamos falando do crioléu começar a freqüentar clube de branco, assim sem mais nem menos. Nadar na mesma piscina e tudo.

- Sim, mas...

- Não senhor. Eu, por acaso, quero entrar nos clubes de vocês? Deus me livre.

- Pois é, mas...

- Não, tem paciência. Eu não faço diferença entre negro e branco, pra mim é tudo igual. Agora, eles lá e eu aqui. Quer dizer, há um limite.

- Pois então. O ...

- Você precisa aprender qual é o seu lugar, só isso.

- Mas...

- E digo mais. É por isso que não existe racismo no Brasil. Porque aqui o negro conhece o lugar dele.

- É, mas...

- E enquanto o negro conhecer o lugar dele, nunca vai haver racismo no Brasil. Está entendendo? Nunca. Aqui existe o diálogo.

- Sim, mas...

- E agora chega, você está ficando impertinente. Bate um samba aí que é isso que tu faz bem.



Nem ia escrever mais nada hoje mas estava passeando pela Web quando entrei no maravilhoso Porta Literal e encontrei este texto do Veríssimo. Reparem na data: 1975. O texto é atualíssimo e, eu diria, internacional. Infelizmente.

Escrito por Maria às 11:24 PM | Mais: Cultura e comida | Comente! (0)

OFF

A repórter perguntou o que eu queria ganhar de presente de Papai Noel. A resposta, óbvia, foi "um trabalho". Mas sabe do que estava realmente precisando? De umas férias de mim mesma. Deixar de me estressar tanto o tempo todo sobre tudo. Viver mais tranqüila, com mais certeza de que alguma coisa há de acontecer. Não perco a esperança nunca, afinal acredito em mim, mas o que eu queria era somente poder desligar. Essa é a palavra certa. Unplugged...

Escrito por Maria às 05:03 PM | Mais: Vida de imigrante | Comente! (0)

Nada a declarar

Uma repórter do jornal NSD, também aqui do norte da Suécia, acabou de sair aqui de casa. Ela veio me entrevistar sobre a dificuldade de imigrantes em conseguir emprego. Eu explicava tudo aquilo o que escrevi no artigo - que tentei um emprego simples, vendedora de loja etc, sem conseguir resposta alguma - e ela perguntou: "Você acha então que isso não acontece também com os suecos?".

Meio puta mas trabalhando minha paciência, disse a ela que sabia que muitos suecos tinham também dificuldades em encontrar um trabalho, mas, ao mesmo tempo, disse que tinha certeza de que a maioria deles é, pelo menos, chamada para uma entrevista preliminar, o que não acontece no caso de imigrantes. Sei disso porque conheço outros imigrantes aqui e é assim mesmo que acontece.

Olha, cansei de dar entrevistas. Não estou me fazendo de gostosa não, mas isso não me leva a lugar nenhum e só serve para me provar como esse povo é difícil. O que eu queria ter dito pra ela desde o início era: "Olha, não te dou a entrevista não, o que eu quero mesmo é o seu emprego".

Infeliz.

Escrito por Maria às 04:16 PM | Mais: Vida de imigrante | Comente! (0)

dezembro 11, 2002

Gente, tô exausta

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Escrito por Maria às 10:28 PM | Mais: Vidinha | Comente! (0)

Primeiro dia de aula

Acabei de voltar do meu primeiro dia como professora substituta em uma escola sueca. A moça da prefeitura me ligou hoje cedo, dessa vez com uma voz de gente normal, e me deu as coordenadas. Era pra substituir a professora de uma turma da quarta-série (crianças de cerca de 10, 11 anos) durante o dia inteiro. Nem precisa dizer que meu coração estava aos pulos quando entrei na sala e vi aquelas 16 carinhas curiosas olhando pra mim.

Quando cheguei lá eles estavam assistindo a um filme no vídeo. Depois do pequeno recreio, recebi as meninas para uma aula na qual cortamos estrelas de papel, colorimos e colamos. Foi divertido porque é uma coisa que eu sempre gostei de fazer e as crianças ficaram felizes quando conseguiram fazer as estrelonas. Quarenta minutos depois foi a vez dos meninos, que estavam na ginástica, cortarem e colarem. Almoço e logo depois uma hora de aula de matemática.

Eu tenho horror a matemática na minha língua, quanto mais em sueco, mas não podia fugir. Fiquei com vontade, mas achei que não ficaria bem. As crianças tinham que trabalhar em grupo quatro perguntas sobre multiplicação, lógica etc. Quase morri de desespero, mas consegui resolver os problemas no meu horário de almoço.

Depois apresentei imagens sobre o Brasil, o Rio de Janeiro e meninas e meninos fizeram muitas perguntas bacanas. Em seguida seis deles apresentaram seus trabalhos sobre a Idade Média na Suécia e eu aprendi mais do que eles. :c)

Minha primeira impressão foi muito boa. As criaturinhas foram gentis comigo e seguiram todas as minhas ordens, mesmo que às vezes não o quisessem. Disseram que eu falava bem sueco para o pouco tempo em que estava aqui e eu fiquei feliz. Criança não costuma mentir assim, na frente dos outros só pra agradar professor.

Preferi dar aula para os meninos do que para as meninas, que se mostraram muito mais voluntariosas. Os meninos fazem mais zona, mas foram os que perguntaram mais e melhor. No final, já mais relaxada, pude falar bastante sobre o Brasil e todos me perguntaram se eu voltaria amanhã. Fiquei feliz.

Conversei com a professora deles, Eva, que está doente, e ela disse que provavelmente não estará apta para dar aula amanhã e me perguntou se eu poderia substituí-la. Eu disse que sim. Ele ficou de me deixar um esquema com tudo o que eles devem fazer, mas eu já sei que tem dever de sueco - preposições e pronomes - além de dever de inglês também. No inglês eu me garanto, mas no sueco acho que vou mudar de cadeira e pedir pra um deles me explicar algumas coisinhas... :c)

Escrito por Maria à s 03:08 PM | Mais: Conquistas | Mais: Pra frente é que se anda | Mais: Vida de imigrante | Comente! (0)

Nós no meio do mundo

Já ia dormir quando cometi o erro supremo de ceder à tentação de verificar minha caixa post@l. Depois de passar quase uma hora respondendo a emails, lendo histórias (ai, preciso ir dormir) e deletando spams, dei de cara com uma mensagem da Luciana Misura.

Ela avisava sobre uma grande novidade: o lançamento do novo Mundo Pequeno, o site que reúne todos nós, brasileiros perdidos pelos quatro cantos do mundo. A Luciana estava trabalhando em um novo layout pro site e por isso andava meio sumida. Mas a espera acabou. E olha, valeu a pena porque o site está L-I-N-D-O! Tem endereço próprio e até selinho.

Amanhã de manhã vou colocar o selinho na template do Montanha-Russa. Hoje mal consigo fazer sentido... Mas não canso de repetir, o blog é muito bom mesmo! Simples, enxuto, um espetáculo. Obrigada, Luciana!!! :c)

Escrito por Maria às 12:54 AM | Mais: De bem com a vida | Comente! (0)

dezembro 10, 2002

Na lona

Estou cansadona, meio gripada e nem ia escrever hoje, mas estou feliz porque falei no telefone com a Marcinha. Queridoca, foi um prazer conversar com você!

Preciso estudar muito. Não dá mais para deixar pra depois. Andrea, Marcia (Holanda), Sam, Patty, adoro todas vocês mas hoje não vai dar pra trocar comentários. Nosso ritual de todas as manhãs vai ter que ser adiado para amanhã. Um beijo! - Mary

Escrito por Maria às 01:11 PM | Mais: Vidinha | Comente! (0)

dezembro 09, 2002

O suficiente é satisfatório... Será?

Essa discussão sobre o racismo na Suécia está mesmo pegando fogo. Semana passada (ou até um pouco antes, não me lembro mais), a Sveriges Television (SVT) - uma TV Cultura melhorada e com muito mais audiência - vetou a participação de uma apresentadora em um problema. A razão? Ela é muçulmana e usava chador, aquele véu cobrindo toda a cabeça, só deixando a mostra seu rosto.

Foi uma grande discussão aqui e, bem ao estilo sueco - todo mundo é igual a todo mundo etc - a presidente da SVT foi explicar o por quê da discriminação no ar, em um programa chamado Mosaik, criado para imigrantes.

A explicação dela - essencialmente sueca - foi que tudo tem que ter o seu limite, ou seja, a sociedade está aberta a qualquer manifestação cultural e religiosa, mas deve resguardar seus telespectadores de uma visão excessivamente parcial do noticiário. Ou seja: "Aceitamos de tudo, mas só um pouco de tudo".

Há uma palavra que define o que é ser sueco: lagom [lóogom]. Lagom quer dizer, suficiente, o bastante, moderadamente. Tudo na Suécia, para ser satisfatório, tem que ser lagom. Não fica bem ser mais nem menos. E, nesse contexo, o chador da moça estava um pouco excessivo.

Acho esse conceito do lagom muito bonito. Até mesmo um pouco espiritual, se olhado de perto. Mas como explicação por uma ação discriminatória é um pouco demais. Às vezes, fico até irritada com tanto comedimento e me dá vontade de soltar os bichos e botar pra quebrar com essa suecada chata. Mas a vontade passa logo. Achei essa charge aí ao lado em um dos jornais daqui, bacana, né?. Mas bom mesmo é isso aqui (lembrado pela Ana e resgatado imediatamente pela Andrea): "Moderation is a fatal thing, Lady Hunstanton. Nothing succeeds like excess." - Oscar Wilde, "A Woman of No Importance".

U-HU!

dezembro 07, 2002

Ain't No Mountain High Enough

by Marvin Gaye

Listen, baby
Ain't no mountain high
Ain't no vally low
Ain't no river wide enough, baby
If you need me, call me
No matter where you are
No matter how far
Just call my name
I'll be there in a hurry
You don't have to worry

'Cause baby,
There ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough
To keep me from getting to you

Remember the day
I set you free
I told you
You could always count on me
From that day on I made a vow
I'll be there when you want me
Some way, some how


'Cause baby,
There ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough
No wind, no rain
My love is alive
Way down in my heart
Although we are miles apart
If you ever need a helping hand
I'll be there on the double
As fast as I can


Don't you know that
There ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough
To keep me from getting to you

Don't you know that
There ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough

Escrito por Maria à s 09:24 PM | Mais: De bem com a vida | Mais: Pra frente é que se anda | Comente! (0)

dezembro 06, 2002

O artigo

Algumas pessoas ficaram curiosas sobre o artigo que escrevi sobre a política de imigração e integração sueca. Como tinha que traduzi-lo de qualquer forma para enviar para meus pais, aqui vai sua versão em português. Quero dizer apenas que trata-se de uma versão em português porque, como disse antes, o escrevi direto em sueco. Há certas expressões, frases e até mesmo palavras que não têm tradução em português. Além do mais, assim como inglês, o sueco é uma língua concisa, o que nem sempre é o caso do português. Bom, feitas todas as ressalvas, ao que interessa:

CARTA ABERTA PARA MONA SAHLIN SOBRE A POLÍTICA DE IMIGRAÇÃO DA SUÉCIA

por Maria Fabriani

Concordo com você, ministra da integração Mona Sahlin, quando diz que o problema da política de imigração sueca é uma descriminação estrutural. Por outro lado, considero que com a política atual de mercado de trabalho é quase impossível que imigrantes sejam empregados até mesmo por empresários que assim o escolham. Eu venho do Brasil e devido ao meu trabalho como jornalista conheço as realidades de muitos países. Nunca, no entanto, vi uma sociedade tão fechada como a sueca.

Não existe uma "Suécia Multicultural". Tentarei esclarecer o que é multicultural: cerca de 89% dos brasileiros são católicos e, ao mesmo tempo, a Igreja Católica demonstra respeito e aceitação por Umbanda e Candomblé, duas religiões que vieram da África no começo do século XVII, quando os escravos vieram para o Brasil para trabalhar.

Ser multicultural não é apenas ter imigrantes no país. É ter pessoas que falam diferente e que têm experiências diversas. Ser multicultural quer dizer, além disso, absorver aspectos da cultura dos outros e, mais do que tudo, não tentar enquandrar os imigrantes em uma fôrma sueca.

Um país multicultural não nasce por decreto. O processo é demorado e deve ser natural. Talvez os imigrantes não precisem ser suecos; funciona bem ser diferente. O ponto mais importante é entender que os imigrantes podem ser tão interessantes para o mercado de trabalho quanto os suecos.

A Suécia perde mão de obra competente que não agüenta vir para esse país e não ter uma única esperança de melhoria de sua situação de trabalho. Eu sei que é uma palavra feia em sueco, mas o que vocês estão criando hoje, Mona Sahlin, é uma sociedade de classes. (Em sueco é uma palavra só: klassamhälle)

Quando vim morar na Suécia há um ano e seis meses atrás, não sabia falar sueco mas estava convencida de que quanto mais rápido eu conseguisse aprender a língua mais fácil seria conseguir um emprego. Claro que previ muitos problemas; sabia que seria difícil convencer os empregadores suecos das minhas qualidades profissionais. Mas tudo bem, pensei, porque tenho educação formal, experiência, sou educada, honesta, persistente e, além disso, sei várias línguas estrangeiras. Mas eu estava completamente errada.

Hoje, depois de ter estudado sueco por um ano e dois meses, pensei que poderia tentar encontrar um trabalho para ajudar na economia doméstica. Eu sabia que meu sueco não era suficiente para um trabalho em jornalismo, então mandei meu currículo para vários outros locais, de vendedora de butique até tradutora. Nenhuma resposta. Como eu posso mostrar pra você, Mona Sahlin, que eu posso trabalhar tão bem como qualquer sueco? Vocês querem que a Suécia seja aberta à imigração, então precisam entender o que isso significa.

Agora é que estou começando a entender como é difícil a sequer conseguir uma entrevista preliminar. Eu pensei em talvez voltar à universidade e estudar para ter um diploma sueco. Apesar do meu diploma e meus quatro anos de estudos já terem sido reconhecidos e meus sete anos de experiência terem sido validados pelo sindicato dos jornalistas suecos que me aceitou como membro associado. Então, pensei, eu poderia procurar um trabalho que realmente me interessasse. Mas agora eu duvido disso.

Por que eu deveria passar mais alguns anos numa universidade quando estou quase convencida de que terei problemas para encontrar um emprego depois simplesmente porque vim de outro país? Por que investiria o meu tempo e o meu dinheiro - meu dinheiro, não o do estado, meu dinheiro que está em uma conta de um banco sueco - em uma educação que eu sei que não adiantaria nada?

Eu sinto como se eu estivesse batendo contra um muro. Eu bato, grito e tento dar a volta mas não consigo. Minha sensação é que eu preciso ser um dos tijolos para ser aceita, ou todo o meu conhecimento é jogado fora. A pergunta é: será que algum dia conseguirei ser um desses tijolos?

O que eu gostaria de dizer é que o governo PRECISA entender que uma mudança da política do mercado de trabalho é absolutamente necessária. Menos demandas para os empresários e novas leis para facilitar a situação dos imigrantes sem colocar o emprego dos suecos em perigo.

Por outro lado, os suecos DEVEM entender que existe sim racismo na Suécia. Existem aqueles que gritam e que mostram abertamente que nos odeiam e existe um outro tipo de discriminação: aqueles que consideram os imigrantes como pobre coitados que têm tudo de bom aqui na Suécia e não precisam mais do que um teto sobre suas cabeças.

Eu digo apenas: eu tinha tudo de bom no Brasil. Vim para a Suécia de livre e espontânea vontade porque o meu namorado é sueco e quero trabalhar aqui. Eu quero ter uma carreira aqui, exatamente como no Brasil. Quero ser elogiada e ser considerada uma trabalhadora muito boa. Exatamente como antes. Por que eu deveria aceitar menos do que isso?

Conheço imigrantes que são exatamente como eu. Existem muitos outros, no entanto, que não querem trabalhar. Mas existem também muitos suecos que preferem trabalhar como substitutos no verão e viver do seguro social o resto do ano.

Eu amo a Suécia e gostaria de continuar a morar aqui mas eu preciso me expressar e realizar algum trabalho produtivo. Tenho um profundo respeito pela Suécia, um país democrático e que realmente cuida bem de seus cidadãos. Mona Sahlin, você talvez esteja se perguntando o que eu quero depois de ter escrito tudo isso aqui. E eu respondo: quero ter uma chance para mostrar do que eu sou capaz.

Amor ao branquinho

Conversando com a Andrea sobre comidas européias, tive a idéia de escrever sobre arroz. Aqui na Suécia se come arroz com parcimônia, já que o principal alimento do grupo dos carboidratos é a batata. Mas, de vez em quando, o arroz aparece.

Uma dessas oportunidades é agora no Natal, quando os suecos comem uma gororoba chamada "Arroz a la Malta". A receita é simples e inclui pourrage de arroz com açúcar (!!!!), creme de leite (!!!!!!!!!) e laranjas (!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!).

Bléééééérrrrgggttthhhh!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Eu já provei - sogrinha me deu uma colherona Natal passado - e não gostei. Arroz pra mim é salgado e deve ser servido com pratos salgados, sempre. De preferência todos os dias, acompanhado de um franguinho grelhado, um feijãozinho, couve... hummm.

Quem disse que eu só falo de comida? :cD

Escrito por Maria às 04:58 PM | Mais: Cultura e comida | Comente! (0)

Traduzindo

Estou traduzindo o artigo pro português e ajeitando a caixa de presentes que vou mandar pra mamãe e pro meu irmão, pai etc. Estou sem poder escrever por enquanto. Andei visitando alguns blogs e, pra variar, o Webblog do Terra está fora do ar. :c(

Escrito por Maria às 11:28 AM | Mais: Vidinha | Comente! (0)

dezembro 05, 2002

Meus 15 minutos

Olhem só que coisa. Recebi um email de um editor do Svenska Dagbladet, um dos jornais mais respeitados aqui da Suécia e que só circula na região de Estocolmo. Ele me pediu permissão para publicar o meu artigo no caderno de sábado, assinado e tudo. O máximo!!!!!

E quando eu ainda estava me restabelecendo do choque, toca o telefone. Era a Sveriges Television, o canal estatal de TV sueco. Um jornalista que faz o jornal local aqui de Norrbotten (região norte, onde eu moro) leu meu artigo no Kuriren e quer fazer uma entrevista comigo sobre o rascismo não aparente na Suécia. Legal né?

Agora eu tenho certeza que a ministra vai ler o artigo. Por que se ela não ler o Svenska Dagbladet é melhor ela renunciar. A entrevista para a TV não é muito bem o que eu queria porque fico enooooooorme de gorda no vídeo e, claro, gaguejo pra burro. Mas tudo bem. Já que estou na chuva é pra me molhar. :cD

Escrito por Maria às 05:02 PM | Mais: Vida de imigrante | Comente! (0)

Meu reino por uma pessoa segura de si

A mulher responsável por chamar os professores substitutos aqui de Boden me ligou hoje de manhã bem cedo oferecendo o que pareceu várias escolas nas quais eu poderia substituir professores que não puderam/não poderão ir trabalhar. Toda essa minha incerteza com relacão ao trabalho é porque simplesmente não consegui entender uma palavra do que ela disse ao telefone.

Não, não há nada de errado com a minha audição nem muito menos com a minha capacidade para falar sueco pelo telefone. O problema é que a moça fala extremamente baixo e eu simplesmente não consigo entender uma palavra do que ela diz. E não é sacanagem dela não. O problema é que ela é uma dessas pessoas com baixa auto-estima ou um pouco inseguras que não conseguem se expressar desembarassadamente no telefone com estranhos.

Acho isso um desespero porque eu dependo de pessoas com boa dicção e sem problemas com sua auto-estima para poder conversar no telefone. Se já é difícil estabelecer uma conversação com um inseguro(a) que fala português, imagine em sueco. Pedi várias vezes que ela falasse mais alto, culpei o telefone (como se eu ainda estivesse no Rio lutando contra as linhas analógicas da Telerj, lembram?) mas não consegui bons resultados.

No final, já exausta apesar de ter acabado de acordar, consegui entender um pouco melhor e disse que preferia trabalhar numa escola perto da minha casa pelo fato de (ainda) não poder dirigir sozinha para cidades próximas. Ela ficou de retornar a ligação para me dar um status e ainda não ligou.

Agora você veja, de todos os obstáculos que enfrentei nunca pensei que a insegurança alheia fosse me causar tanto problema.

Escrito por Maria à s 10:45 AM | Mais: Irritação e ironia | Mais: Vida de imigrante | Comente! (0)

dezembro 04, 2002

NHAM! NHAM! NHAM!

Estou aqui com os preparativos para o Natal (pois é, não gosto mas me curvo às tradições para a felicidade geral da nação). Já comprei os presentes da mamãe, do meu pai e da mulher dele, mais ainda preciso comprar o do meu irmão. Já sei o que é mas não vou escrever não porque ele baixa por aqui de vez em quando. Então estragaria a surpresa.

Um dos preparativos é ler o livro de receitas da minha avó para escolher um bolo ou mousse ou sei lá o quê para levar pro Natal com a família do Stefan. Já escolhi duas receitas bem simples que, acho, não terei problema em executar. A primeira é um mousse de chocolate e sorvete de creme e a outra é um pudim de leite comum.

O pudim de leite acho pouco para Natal, mas eles não sabem que é pouco, de forma que seria engraçado. Mas uma "especialidade brasileira". Mas a tal da mousse me parece muito boa e, tenho a impressão que cairia mais no gosto da suecada. A receita é simples:

Mousse de chocolate com sorvete de creme da vovó Celia
Ingredientes:

- 8 colheres de sopa de açúcar refinado;
- 300 gramas de chocolate meio-amargo;
- 8 ovos (temperatura ambiente);
- 1 litro de sorvete de creme;
- pitada de sal;
- 3 gotas de limão.

Modo de fazer:

- Bata bem na batedeira as gemas, no ponto de gemada.
- Adicione aos poucos o açúcar refinado e pare a batedeira.
- Desmanche o chocolate em banho-maria no fogo baixo (viu Marcinha! :c)
- Deixe esfriar.
- Misture o chocolate frio com a gemada.
- Bata as claras em neve com o sal e o limão.
- Acrescente as claras batidas à gemada e mexa l-e-v-e-m-e-n-t-e com uma colher de pau.
- Arme a mousse numa forma de torta, de fundo removível, da seguinte maneira: uma camada da massa e outra de sorvete de creme sucessivamente. Termine com uma camada de mousse.
- Leve ao congelador (ou à varanda :c)
- No dia seguinte, 1 hora antes de servir, retire o aro da forma, ponha-a num prato e decore com chocolate peneirado por cima. Se precisar, leve à geladeira antes de servir.

Escrito por Maria às 02:37 PM | Mais: Cultura e comida | Comente! (0)

O sonho de qualquer mãe-de-santo

Imagine que você está dirigindo pela Inglaterra e já está meio irritado pelo fato de precisar guiar do lado esquerdo da rua. De repente, você vê a seguinte placa:

rondelle1.gif

Você pensa: o que eu vou fazer agora, meu Deus! E aí, alguns metros depois, você se encontra nesta situação:

rondelle2.gif


The magic roundabout!

rondelle3.gif


Aparentemente existem três ou quatro monstros como esse na Inglaterra. Este aí de cima fica em Swindon, entre Londres e Cardiff. No centro dessa "coisa", dirige-se na direção oposta, ou seja, ali, os motoristas conduzem seus veículos como nós, do lado direito da rua.

Depois dessa, cheguei à conclusão de que os motoristas ingleses são gênios. Sim, porque para dominar um trânsito tão maluco, o cara tem que ser realmente muito inteligente. Agora, imagina fazer um "trabalho" nessa encruzilhada? Poderosíssimo! :cO

Escrito por Maria à s 11:41 AM | Mais: Irritação e ironia | Comente! (0)

dezembro 03, 2002

Voltou

Finalmente o Blogger voltou, depois de um dia inteiro fora do ar. Pros americanos, que ficam lá em Santa Clara, na Califórnia, a pane aconteceu no período da noite, mas pra gente que mora aqui do outro lado da poça, foi o dia todo mesmo. Um horror.

Fiz um blog backup para poder escrever nos dias em que está tudo dando errado. O nome dele é Montanha-Russa Backup.

Então fiquem avisados que quando eu tiver problemas com o Blogger, estarei postando no meu blog-backup, ok? O endereço é: http://www.montanha-russa.blogger.com.br/index.html.

Escrito por Maria à s 07:55 PM | Mais: Irritação e ironia | Comente! (0)

Wish list de Natal

O último CD da Alanis Morrissete
"A Arte de fazer um jornal diário", Ricardo Noblat
Os livros do Elio Gaspari
DVDs "Moulin Rouge", "E.T.", "You've Got M@il"
Dicionário Aurélio versão em CD ou impressa
Comidas brasileiras: pão de queijo, goiabada, leite condensado, pé-de-moleque e shampoo Seda para cabelos oleosos
Um trabalho
Um cachorrinho poodle médio e marrom
Descobrir a cura para a alergia a cachorros e gatos
Um cartão de crédito para poder pagar aos mortos de fome do Blogger e do YACCS
Minha carteira de motorista sueca
Um teletransporte para poder ir pro Rio sempre que quiser e voltar rapidinho também (trazendo o meu irmão comigo)

Escrito por Maria às 04:14 PM | Mais: De bem com a vida | Comente! (0)

Viciada

Estou quebrada. Fui dormir ontem depois das quatro da manhã. Não conseguia largar do último livro do John Grisham, "The Summons", que comprei na minha última viagem à Estocolmo. Não que o livro seja uma maravilha, mas o estilo do Grisham é tão gostoso e a trama não deixa de ser interessante, que a experiência passa a ser estilística, mais do que de conteúdo.

Toda noite preciso ler um pedaço de algum livro antes de dormir. Parece que a leitura acalma minhas ondas cerebrais. Quando não leio fico rolando na cama até que finalmente me canso, acendo a luz de leitura e pego o livro na cabeceira. Nem quando estou fisicamente cansada consigo passar sem. Fissura braba. No mercy.

Me lembro quando li o livro do "Notícias do Planalto", do jornalista Mario Sergio Conti, sobre o governo Collor e toda a sua corja. Simplesmente não conseguia mais dormir direito. E olha que trabalhava pra caramba, todos os dias etc. Batalhei com o livro noites a dentro até que as 719 páginas tivessem sido devidamente devoradas, verificadas, apreciadas, digeridas. Foi uma festa.

Pelo menos esse vício não infringe nenhuma lei e - graças aos céus! - não engorda. Próxima parada junky: "White Teeth", Zadie Smith.

Escrito por Maria às 10:49 AM | Mais: Livros | Comente! (0)

dezembro 02, 2002

Ufa!!!

Graças a Deus dezembro chegou. Não, não sou doida por Natal não, mas gosto de estar perto das festas de final de ano simplesmente porque quero que acabe logo. Passaremos o Natal em Piteå (um hora e meia de carro daqui) com a família do Stefan como no ano passado. Ainda não sabemos o que será do ano novo mas deveremos passar aqui em casa, só nós dois. Não posso, assim como a minha amiga Marcinha, ir jogar umas flores pra Iemanjá na praia porque Boden não tem praia. E, se tivesse, a água já estaria congeladíssima. Iemanjá, coitadinha, teria que esquiar até a borda se pretendesse aceitar meus pedidos e levar consigo flores e perfumes.

Além disso, é bom dezembro ter chegado porque estamos mais perto de uma data especial: dia 22 de dezembro, o dia mais escuro do ano. É que a cada dia perde-se uns minutos de luz até o dia 22 de dezembro, quando acontece o solstício de inverno e a luz começa a voltar lentamente, minuto a minuto, às regiões mais ao norte do mundo. Não sei porque mas me dá uma sensação boa, quase infantil, de saber que a partir daquele dia, teremos mais dois ou três minutos de luz por dia, até o midsommar, dia 22 de junho, quando começamos a perder luz novamente. Fico fascinada com essas mudanças da natureza.

Escrito por Maria às 04:36 PM | Mais: Vidinha | Comente! (0)

Papel de embrulhar peixe

Escrevi um artigo sobre essa coisa de racismo e a dificuldade de se conseguir emprego - ou sequer uma entrevista preliminar - e pelo menos um jornal o publicou. Foi o Kuriren, e o meu artigo está aqui, na página de Opinião (não a de cartas dos leitores, mas na página de opinião do jornal, o que é bem diferente).

Legal.

O problema é que nada muda por causa disso. Muito provavelmente, a ministra da integração, para quem escrevi a carta aberta, nem sequer leu o artigo (o Kuriren é um jornal local). Mas foi bom ao menos poder dizer o que estava entalado aqui na minha garganta. No mínimo, no mínimo, exercitei meu sueco. O duro disso tudo, é que tem suecos que concordam comigo em gênero, número e grau, mas duvidam que tenha sido eu quem escreveu o artigo no idioma deles.

Escrito por Maria à s 04:00 PM | Mais: Conquistas | Mais: Pra frente é que se anda | Mais: Vida de imigrante | Comente! (0)