janeiro 31, 2003
Afogada
Estou aqui, escrevendo de avental, depois de ter fritado um monte de peitos de frango para a reunião que terei hoje na casa da irmã do Stefan, lá em Piteå. Tudo saiu como deveria - até porque fritar filés de peito de frango à milanesa não é uma tarefa das mais complicadas.
Só espero que não se repita com as pessoas da festinha de hoje o que aconteceu aos comensais daquele jantar do filme mexicano "Como água para chocolate", de Afonso Arau. Tita (Lumi Cavazos) passa para a comida que preparou sua tristeza profunda quando fica sabendo que seu amor casar-se-á com sua irmã mais velha.
No meu caso não há a questão seríssima, mas apenas as nuvens de sempre, encarapitadas em cima da minha cabeça, tornando meu dia pesado, escuro, apesar do sol lindo que está fazendo lá fora. Mesmo assim, o fato de estar cerca de 20 graus negativos não ajuda muito.
Enquanto cozinhava, botei um disco pra tocar. Não escolhi muito - peguei o primeiro que vi da minha coleção. Veio Caetano, "Prenda Minha". Enquanto passava as galinhas no ovo, na rosca e fritava, quase chorei várias vezes.
A coisa é que minha saudade, essa companheira, está mudando. Antes era aguda, machucava, incomodava todos os dias, minuto a minuto. Depois, foi amenizando; aparecendo apenas quando via alguma coisa que me lembrava minha família.
Agora, está ficando pior porque ela se esconde no dia-a-dia entorpecido. A angústia de não entender mais o que se diz não existe e há uma porta aberta para a adaptação. Mas outro tipo de tristeza apareceu e quando se manifesta, vem como um maremoto. Dói pra caramba.
janeiro 30, 2003
Socialismo cultural
Apresentei hoje meu trabalho sobre o Brasil, com figuras de overhead (aquele aparelho que projeta na parede imagens impressas em folhas transparentes), e uma folha explicativa. Parece que as pessoas gostaram. Não fizeram muitas perguntas, mas ficaram impressionados pelo fato de o Brasil ter colônias de imigrantes da Ásia e da Europa. Eu disse que todo mundo na sala poderia ser brasileiro porque temos imigrantes da Ucrânia, do Japão, da Itália etc. Não sei se todos gostaram - o senhor que apresentou o trabalho sobre liderança na segunda sentiu falta do futebol - mas a professora disse ter sido "interessante".
Aliás, esse é um traço marcante dos suecos: o reconhecimento por um trabalho bem feito existe, mas é dado com muita reserva. Isso porque é mal-visto socialmente ser melhor do que os outros. Aqui, o socialismo é muito mais do que um sistema político-econômico. É um modo de vida. Perguntei ao Stefan e ele tentou me explicar: numa sala de aula (ou numa empresa, ou num grupo de amigos) você pode se destacar por ser mais capaz, porém é bom que você seja muito melhor do que os outros, assim uma liderança incontestável. Caso seja apenas um pouco melhor do que a média, você não é bem visto. Parece, segundo a ótica social sueca, que você está se mostrando.
Eu sinceramente não sei se aparento saber muito mais do que os outros, até porque ainda cometo muitos erros quando falo. Mas não deixo que isso me iniba e falo pelos cotovelos nas aulas. Participo de tudo, faço perguntas às pessoas que estão apresentando trabalhos e interajo com todos que consigo alcançar. Não sei se eles acham que eu sou metida (provavelmente sim), mas não posso fazer nada contra isso. O que faço para tentar prevenir esse mal estar é ser simpática com todos e, volta e meia, perguntar o que uma palavra quer dizer. Aí eles se lembram que eu não sou exatamente metida, mas apenas uma imigrante. Deixo eles pensarem assim. Quando menos esperarem, estarei falando a língua deles melhor do que eles próprios.
janeiro 29, 2003
I'm bloggeless!!!
Estou sem poder acessar o Blogger, que desde cedo me impede de entrar em sua área de publicação. Estou escrevendo isso aqui no notebook do Stefan, no qual esta instalado o W.Bloggar. Não tenho o programa do Marcelo no meu computador porque ele simplesmente não funciona. Já instalei e ele funcionou, mas está ainda muito instável. Óh, deuses da tecnologia, dêem um help pra essa sua humilde serva!!!
Daqui a pouco vou ter que me escafeder daqui porque o dono desse Dellzinho vitaminado deve estar voltando pra casa. O que me deixa feliz e triste ao mesmo tempo. Com Stefan mas sem blog... uhmmm, difícil decisão :c). Bem, só pra completar: se, nos próximos dias, eu continue não conseguindo escrever a partir do blogger, pode ser que esteja postando sim, mas apenas no meu blog backup, cujo endereco é: http://www.montanha-russa.blogger.com.br. Apareçam por lá, ok?
Tamanco, Português, Milito, Alemão e Figa
Estou lendo o primeiro livro da série sobre a ditadura do Elio Gaspari, que ganhei de Natal do meu pai. O livro é muito bom porque conta com riqueza de detalhes como foi construída e destruída a ditadura militar. São os pequenos pedaços de história, esquecidos pelos livros escolares e pelos doutores em seus tratados, que dão colorido ao texto. Garanto que se me tivessem ensinado no colégio que "o Brasil foi presidido de 1964 a 1985 por Tamanco, Português, Milito, Alemão e Figa", tenho certeza que teria um interesse muito maior pela história do meu país.
É claro que precisaria de mais alguns anos para desenvolver a ironia, capaz de apreciar esse achado histórico-literário, mas isso e outra conversa.
O bacana, é que o Elio Gaspari começou esse livro há 18 anos, pensando em escrever um estudo de no máximo 100 páginas sobre o Golbery e o Geisel. Deu-se conta de que seria impossível fazer apenas isso. O livro é legal porque conta por exemplo, como surgiu o Serviço Nacional de Informações, SNI. Foi idéia do Golbery, braço direito do Geisel e o "pensador" - se é que posso utilizar essa palavra - que organizou o poder pós-Golpe de 64. Um dos planos do SNI, descrito apenas de passagem no livro, era - pasmem! - invadir Portugal, numa guerra de colonização às avessas. A idéia apareceu em 1975 mas, claro, nunca foi levada a cabo. Que coisa.
* Castello, Costa e Silva, Garrastazú Medici, Geisel e Figueiredo.
janeiro 28, 2003
Tá muuuito frio
Congelei. Tô virando picolé. Meia hora pra andar até a escola. Meia hora pra andar de volta até em casa. Brrrrr...
Já descobri o que eu quero ser quando crescer: sorvete de menta chock chip da Babuska. :cD
janeiro 27, 2003
Menos um pequeno obstáculo
Acabei de voltar da auto-escola. Consegui gabaritar o exercício sobre carros!!!! Acertei todas as 70 perguntas possíveis!!! YESSSSSSSSSS!!! Agora faltam apenas três exercícios-testes misturados com todas as quatro fases (A, B, C e F) e a prova final. UHU!
Respondi lá, entre outras coisas, sobre o que significa ter um freio ABS para a segurança do veículo; quando um carro precisa ser controlado de acordo com o último número da placa; qual a velocidade máxima de um trator; qual o tipo de líquido permitido para se colocar em baterias; como se colocar crianças no carro com segurança etc.
Podem me perguntar o que quiser sobre carros. Única condição: só respondo em sueco porque não faço idéia de como é metade dessas regras em português. *Hohoho*
Na sala de aula
Primeiro dia de aula de sueco com outros alunos suecos. A professora, Helena, me pareceu ser bastante bacana. Depois que me apresentei e participei de duas ou três discussões sobre exercícios na classe, notei uma transformação no seu rosto: acho que ela estava aliviadíssima de eu não ser uma imbecil. Não faço idéia do que ela esperava de mim, mas ela certamente ficou surpresa.
Vamos ler "Homero", "Hamlet" e "Candide", Voltaire. Socorro!!!. Além disso, leremos textos sobre a literatura nórdica na Idade Média. Superinteressante. Vai ser carne de pescoço, nenhuma moleza, mas estou animada. Teremos uma prova de literatura na semana 11 (esqueceram que aqui contam-se semanas? Estamos agora na semana 5), e além disso, faremos exercícios de escrita nos moldes da prova nacional.
Vou ter que comprar três livros caríssimos. Juntos, ficam em mais de 1.200:- coroas (carca de 120 dólares). Tô precisando de um patrocinador, alguém se habilita? :c))) Já tentei localizar alguém que estivesse vendendo livros usados, prática muito comum aqui, mas infelizmente não encontrei ninguém. Mas tudo bem, dá-se um jeito.
Amanhã vou apresentar minha já mais do que ensaiada apresentação sobre o Brasil, com imagens e fotos lindérrimas. Essa é a tal da "prova oral". É pra falar por apenas cinco minutos e o tema é livre. Hoje falaram um senhor sobre técnicas de liderança; uma criatura sobre o nascimento de bebês (!!); e outra criatura sobre sua viagem de férias à Goa, na Índia (ela não sabia nem qual o idioma falado lá).
Agora vou pra auto-escola quebrar a cabeça sobre leis, carros, setas e placas.
janeiro 26, 2003
Que coisa
Tava vendo quem veio me visitar quando me deparei com um link de um mecanismo de busca brasileiro, o BuscaBr. Quando entrei pra ver o quê a pessoa estava procurando e veio parar aqui no Montanha-Russa, fiquei pasma. É que a pessoa entrou lá a frase - ou mais propriamente as palavras - "pratica de sexo com criancas", sem as aspas, e veio parar aqui!!!!!!!! Gente! Esse assunto é tão horroroso que eu nunca poderia imaginar que o meu bloguinho fosse aparecer numa pesquisa dessas.
Fui ver o que que eles acharam aqui que batia com a procura e fiquei mais besta ainda. O cabeçalho da busca indica:
5. :: Montanha-Russa :: Enjoy your ride!
públicas quarentona que adora sexo e pratica muito - ela galeria de arte que nãogosta de sexo oral não prestam muita atencão nisso, mas criancas e idosos
URL: http://fabriani.blogspot.com/2002_11_10_fabriani_archive.html
O link acima diz respeito a um post que escrevi sobre um dos meus seriados favoritos de televisão, o Sex and the City, da HBO. Fico até sem vontade de escrever mais livremente aqui se for pra ficar sendo encontrada por esse tipo de gente... O(a) infeliz deve ter entrado aqui porque, listados junto ao Montanha-Russa, estavam uma série de análises de livros de psicólogos, organizações de ajuda à criança e até um que prega "continuar com a prática do bem". O meu bloguinho, aparentemente, era o mais picante. HA!
janeiro 25, 2003
Sobre o frio, o gelo
Tá fazendo um dia LINDO hoje: sol alto no céu sem nuvens e, para minha surpresa, zero grau. É que sempre que temos esses dias perfeitos de sol e céu azul, a temperatuta invariavelmente fica bem abaixo de zero. Ai, que delícia! Já vi um monte de crianças aqui da vizinhança se enterrando na neve - do mesmo jeito que a gente fazia na areia da praia, sabe? Igualzinho... :c)
Um dos jornais locais daqui fez matéria hoje sobre a estréia de "Hamlet" no teatro de gelo. Fotos lindas! Pena que não dá pra escanear (papel de jornal é muito poroso). Todo mundo dizendo que apesar do frio (estava fazendo 15 graus negativos) foi uma experiência incrível. Eu concordo. Deve ter sido mesmo o máximo.
A Myrion me perguntou sobre essa coisa de construir hotéis, teatros na neve e no gelo. Consultei o urso polar com quem divido o apartamento, e ele me explicou: tanto o hotel quando o teatro foram construídos com uma tecnologia semelhante à construção dos iglus. Os esquimós fazem suas casinhas de gelo - o que para nós parece sandice - porque o gelo é um isolante perfeito em temperaturas baixíssimas. Fora do iglu - e do hotel também - podem estar os 30 negativos, mas dentro nunca cai a menos de zero grau ou um negativo. Aí entra minha experiência pessoal: quando se está acostumado a (não) respirar com 30 negativos, na hora em que você sai e está zero grau, como hoje, você fica com calor. J-U-R-O!
Uma coisa importante: desde que instalei o sistema de comentários do Falou & Disse, sempre que abro o Montanha-Russa, abre também uma caixinha pop-up de um treco chamado "Busca Click Sites". Isso aparece pra alguém além de mim? Caso sim, por favor, me avisem, ok? Tenho horror dessas coisas pop ups e vou desinstalar sumariamente o Falou & Disse se for o caso. Então, por favor, caso queiram comentar, escolham o Yaccs, ok?
UPDATE --> Descobri o que era graças a um comentário da Tereza (obrigada, queridoca!) e a uma observação da sempre astuta Rossana, do Wumanity. O vilão dos pop ups era aquele contator de usuários online, que eu mantinha aqui no alto da coluna roxa. Tirei o treco, que era do Fast Online Users e agora parece que estamos todos livres do inferno daquele pop up, certo? Me avisem se o virem novamente, ok? Obrigada!
Parece que pode haver uma razão para a péssima performance do YACCS durante todo o dia de hoje: foi descoberto um vírus "worm" que atacou a Internet neste sábado, afetando principalmente as redes da Ásia e da Europa. Deu no The New Tork Times. Veja aqui.
janeiro 24, 2003
"To freeze or not to freeze"
Aqui no topo do mundo, a macacada se amarra em neve, gelo, frio, essas coisas. O fascínio é tanto que eles constroem todos os anos o Hotel de Gelo, na cidade sueca de Jukkasjärvi [iucasiérvi], localizada a 200 quilômetros ao norte - isso mesmo, ao norte - do Círculo Polar Ártico. Dizem que é lindo, mas como é feito pra turistas europeus, americanos e japoneses, passar a noite lá custa os olhos da cara.
Anyway, agora os caras resolveram inovar e construiram uma réplica em tamanho natural (veja foto ao lado) do Globe Theater, local onde Shakespeare encenava suas peças, e estão levando "Hamlet". Detalhes: o teatro é aberto, assim como o original inglês, o que faz com que as temperaturas para público e atores cheguem a 30 graus negativos. Além disso, a peça é toda encenada em sami, língua dos Lapões. Apesar de apenas uma minoria do povo sueco e virtualmente nenhum turista dominar o idioma, a lotação de quase todas as apresentações do grupo teatral Beaivvas está esgotada.
Para construir a réplica do teatro, que tem oito metros de altura e 34 metros de diâmetro, os arquitetos usaram mais de 20 toneladas de gelo e de neve. A peça será encenada até dia seis de abril, quando finalmente o teatro deve começar a derreter. :c) Para saber mais sobre o Globe Theater de gelo, vá à página do hotel de gelo (link acima) e clique no item Ice Globe.
janeiro 23, 2003
Avanços
Ontem o dia foi cheio. Depois do almoço tinha hora marcada em um dos computadores da auto-escola para treinar. É que para poder fazer a prova teórica preciso passar em todos os sete exercícios da escola. Minha via-crucis com essa carteira de motorista sueca está apenas no começo, mas estou avançando: ontem passei nos dois primeiros exercícios, A e B. Agora só faltam mais cinco :c( E aí, claro, tem as outras provas (a de direção propriamente dita e a de controle de segurança).
Depois de lá fui finalmente para minha aula de sueco. Digo 'finalmente' porque estava sem aulas desde o início do ano. É que não há professores para o curso que estou fazendo e como é tudo pago pelo governo, o investimento em educação de imigrantes adultos não chega a ser uma prioridade. Uma pena. De todo modo, minha professora antiga se importa conosco e nos reuniu ontem excepcionalmente para nos emprestar um exemplo de uma prova nacional, que teremos de fazer na primavera.
Trata-se de um exame feito em toda a Suécia por jovens que estão saindo do colégio e indo para a universidade. Nada de múltipla-escolha ou coisinhas assim: a prova é composta por um caderno de 31 páginas recheado com matérias de jornais, excertos de livros e quadros de informações. Receberemos ainda um outro caderno com cerca de dez perguntas diferentes, cada uma fazendo referência a um assunto em particular. Devemos escolher uma das questões e escrever um ensaio de até 700 palavras sobre o tema, tendo os textos como ajuda.
Vai ser duro, mas o que não é duro nessa terra? A boa notícia é que provavelmente eu e minha turma (um rapaz da Áustria e uma moça do Uruguai, muito gente boa, aliás) deveremos nos juntar a uma turma de estudantes suecos que estão terminando seus estudos de sua língua antes de ir para a faculdade. É bom porque não teremos a moleza de uma professora que aceita nossas falhas como normais para um imigrante. Acho que já estava na hora da gente sair à luta, sem favores. Senão nunca vou aprender esse idioma do jeito que quero.
Venham a mim os 'comentudos'!
Vocês viram que instalei mais um sistema de comentários, né? Pois é, estou cansada do YACCS - que não só me têm na palma da mão como me deixa na mão quase todos os dias. A solução gráfica não me agrada, mas foi assim o jeito menos pior. Não sei se vou deixar os dois no ar, mas por enquanto vai ficando assim mesmo. Isso tudo porque adoro comentários. Sou uma 'comentuda' myself, de forma que fico feliz quando a galera põe a boca no trombone.
Aliás, uma curiosidade: vocês sabem que leio todos os comments e os respondo, né? Se alguém da galera nova não souber, é assim que funciona: você comenta, eu fico feliz, te respondo. Você responde à minha resposta, eu respondo novamente. Não me importo de ficar conversando sobre um post antigo, acho até legal. De forma que saibam, velhos e novos amigos de blog: comentem, comentem, comentem! Sei exatamente quando há novidades em cada post e respondo a todos.
janeiro 22, 2003
Olha! Matéria do Globo

Olha! Matéria do Globo de hoje, da minha querida Daniela Name: "Pippi Meialonga foge do frio e vem para o Rio". A reportagem diz ainda que a exposição sobre a Astrid Lindgren "(...) abre os trabalhos do Instituto Brasil-Suécia em terras cariocas". Gente!!! Será que eles não precisam de alguém que fale sueco lá no Rio, não??? :cD
O site oficial é aqui.
Que pena
O Oldemário Touguinhó morreu. Pra quem não sabe, ele era um dos mais respeitados jornalistas esportivos do Rio e do Brasil. Era um personagem carioca, por dentro de tudo o que dizia respeito ao esporte e às vezes, muito mais do que isso.
Não tive a honra de poder trabalhar perto do Oldemário no JB. Nem tive tempo de ser tão boa jornalista pra ser considerada sua colega, mas, ainda no estágio de início de carreira no Globo, em 94, tive o prazer de vê-lo em algumas matérias, porque fiz, por um mês, estágio na editoria de esportes.
Queria deixar aqui o registro porque ele era o tipo de profissional que eu gostaria de ser um dia. Além de ter sido, segundo experiência de quem trabalhou com ele, uma pessoa fantástica. Que fique em paz.
Cinema na terra gelada
Ontem à noite estavam passando dois filmes interessantes na TV: um "meu" e outro "do Stefan". O meu era "Chocolat", do diretor sueco Lasse Hallström (o mesmo de "Minha vida de cachorro" = "Mitt liv som hund"). O do Stefan era "Enemy at the gates", um drama de guerra sobre a batalha de Stalingrado da Segunda Guerra Mundial, com Jude Law (uhmmmmm), Bob Hoskins e Ed Harris. Adivinha qual acabamos vendo? Well, eu já tinha visto "Chocolat" mesmo...
Aliás, falando em cinema, acho que a maioria de vocês sabe que o cinema sueco é muito bom, né? Pois é, é mesmo. A produção nacional é riquíssima, além dos diretores e atores que trabalham em Hollywood já faz tempo - sabiam que a Lena Olin é sueca? Cara, foi um choque vê-la num filme antigo que passou na TV umas semanas atrás falando sueco castiço. Mas o último filme sueco que vi na TV foi "Jalla, Jalla", do diretor sueco-libanês Josef Fares.
Trata-se de uma história sobre o amor entre suecos e imigrantes árabes. É muito engraçado e doce. O filme fez tanto sucesso que foi exibido em vários países europeus, mas não sei se chegou ao Brasil, essa terra tão distante... O fato é que um dos atores principais é o irmão do diretor, Fares Fares (deve ser o primeiro filho da família árabe) e que foi abençoado com um narigão capaz de chamar a atenção do mais distraído dos seres. Sem brincadeira, ô napa! (veja foto acima)
Mas, enfim, a trama do filme é simples: um rapaz sueco-libanês namora uma sueca típica mas a família do cara o quer casado com uma menina de sua cultura. Nenhum dos dois jovens quer se casar assim, arranjado, mas o problema é que se a garota não se casar, volta pro Líbano em desgraça. O cara, por pena, concorda em mentir pra família que em dias organiza o casamento, aluga apartamento e até encomenda móveis na Ikea.
Claro que dá tudo errado, mas todo mundo fica feliz no final. O original do filme é mostrar o choque das culturas (isso é um clichêzaço-aço-aço, mas é isso mesmo) sem cair na violência. O Josef Fares já lançou seu segundo filme, "Kopps", uma comédia-paródia com a polícia de uma pequena cidade sueca. Por quase não ter crimes, o posto policial seria fechado. Aí é que entra e engenhosidade dos homens da lei, que começam a fazer mil traquinagens pra mostrar que são necessários à comunidade. Já vou comprar meu bilhete. :c)
janeiro 21, 2003
Dialetos suecos
Vocês sabem que aqui na Suécia tem um montão de dialetos diferentes, né mermo? :c) Não é como na Itália, eu acho, onde um não entende o outro, mas às vezes um nativo daqui de Norrbotten, onde moro, tem dificuldades pra entender uma pessoa lá de Malmö, no extremo sul do país, porque ela fala o temido skånska, [skonska]. Mas não adianta ficar só escrevendo sobre como um é diferente do outro. Agora vocês poderão ouvir a diferença.
Nessa home page aqui, vocês verão uma série de links, com dialetos de três regiões suecas - Götaland, Svealand e Norrland, além do sueco que é falado na Finlândia - e de quase 100 localidades. Para ouvir o sueco da região de onde eu moro, procure Norrland --> Norrbotten --> Piteå. Vai abrir uma página onde lê-se: "Lyssna på Piteå", ou "Ouça Piteå". Note que há dois tipos de arquivos de som, MP3 e WAV. Há ainda a possibilidade de ouvir quatro tipos de pessoas falando: uma mulher velha (Äldre kvinna), um homem velho (Äldre man), uma mulher nova (Yngre kvinna), e um homem novo (Yngre man).
O texto que aparece quando você clica em Yngre kvinna é esse aqui (texto à esquerda):

A tradução é: "Esse é o dialeto sobre o qual nós temos tido aulas, quer dizer, ouvimos esse dialeto [na escola]. Então, foi tão legal, assim, mexer com isso. É legal, assim, porque, é... Nós viemos de todas as partes da Suécia, de Skåne e Jonköping och Karlstad, mas é da Suécia inteira. Então nós temos sempre essas disputas... Fala-se assim... É, eu digo hajna, hojna och häjna e eles não entendem também, então eu digo... Você fala assim mesmo? Sim, sim, falo sim. Eu tenho umas expressões assim como "Olha hajna" [que quer dizer, "Olhe isso aqui"], eu digo isso sempre. Então eles dizem "Hajna Que legal! Não se fala hajna". Hänna [här, aqui]. Etc...
Se estiverem curiosos, cliquem em Skåne (primeira coluna à esquerda, sexto nome, logo depois de Halland). Escolha, por exemplo, a cidade de Löderup. É engraçado.
Extremos
Acabei de falar no telefone com a Marcinha (mãe, ela existe sim, tá? Não é nenhuma personagem não, ok? :c). Surpresa melhor não há. Marcinha me disse que a mãe dela, D. Walkíria, veio me visitar e leu que estava fazendo 30 graus negativos aqui. D. Walkíria perguntou à filha se era mesmo verdade, porque soou meio inacreditável pra ela. Pois é, D. Walkíria, foi verdade mesmo. Enfrentamos aqui em Boden - e em toda a Suécia, aliás - mais de uma semana com temperaturas muito baixas. Tava todo mundo reclamando, saiu até matéria nos jornais.
Hoje está melhor, apenas dez graus abaixo de zero. Juro que não é tão impossível quanto parece. Até porque, como já disse, aqui é seco, não venta, de forma que a temperatura é bem ok. Totalmente suportável. Mas aí, há que se fazer uma ressalva: eu adoro frio. Sempre gostei. Me lembro de quase desmilingüir no Rio naqueles verões de rachar côco. Sempre sofri com o calor intenso. Nasci em julho, no nosso "inverno". Aos seis meses de idade, em janeiro de 72, fui internada com desidratação. Não, não foi descuido dos meus pais, não. É que simplesmente não agüentei o calor, mesmo com todos os cuidados.
Agora aqui estou eu, no outro extremo. Confesso que não busquei por essa virada tão radical. Prefiriria morar numa cidade cujas temperaturas fossem mais amenas, como Estocolmo, por exemplo. O problema de lá é que venta. E que não tem o meu Stefan. :c)
janeiro 20, 2003
Nossa saudade
Uma homenagem às meninas exiladas, que enfrentam dias difíceis de vez em quando, apesar do amor que sentem e da certeza de suas decisões. Essa certeza que, muitas vezes, parece até uma cela. Somos todas prisioneiras de nossa própria coragem, moças. O negócio agora é abrir o peito pras dores e pros amores. A vida continua apesar de tudo. Um beijo procês!
Caetano Veloso
Quando eu me encontrava preso
Na cela de uma cadeia
Foi que eu vi pela primeira vez
As tais fotografias
Em que apareces inteira
Porém lá não estavas nua
E sim coberta de nuvens
Terra, Terra.
O mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria
Ninguém supõe a morena
Dentro da estrela azulada
Na vertigem do cinema
Manda um abarço pra ti, pequenina
Como se eu fosse o saudoso poeta
E tu fosses a Paraíba
Eu estou apaixonado
Por uma menina Terra
Signo de elemento terra
Do mar se diz terra à vista
Terra para o pé, firmeza
Terra para a mão, carícia
Outros astros lhe são guias
Eu sou um leão de fogo
Sem ti me consumiria
A mim mesmo eternamente
E de nada valeria
Acontecer de eu ser gente
E gente é outra alegria
Diferente das estrelas
De onde nem tempo nem espaço
Que a força mande coragem
Pra gente te dar carinho
Durante toda a viagem
Que realizas no nada
Através do qual carregas
O nome da tua carne
Nas sacadas dos sobrados
Da velha São Salvador
Há lembranças de donzelas
Do tempo do imperador
Tudo, tudo na Bahia
Faz a gente querer bem
A Bahia tem um jeito...
Mudando
Tô tentando achar uma skin aqui pro Montanha-Russa. Ando cansada desse layout, apesar de gostar muito dele. Sabe, que nem namorado/marido? A gente gosta mas cansa às vezes. :c) Anyway, tô tentando mas não tô tendo muito sucesso. Tem umas bonitas, mas sei lá. Nenhuma que realmente me agrade.
Hoje tava querendo sair de casa um pouco, mas, cara, tá 20 graus abaixo de zero nessa terra. Muito frio!!! Fico me enganando, dizendo que quando a primavera vier, eu começo a andar etc. Aí, quando março chegar, e a temperatura chegar a zero grau - quentinho! - vou reclamar que não vai dar pra andar porque o gelo está derretendo e tenho medo de cair...
Ahnnn, quero férias de mim mesma. Quem sabe eu não acho uma skin pra mim também?
janeiro 19, 2003
Cinema desscontrollll
Tô melhorzinha. Acordei ontem bem tarde (10h30m), assisti "Spy Game" com o Robert Redford e o Brad Pitt no Pay Per View. Stefan e eu tomamos brunch e descobrimos um filme do Arnold Schwarzenegger pra ver. É um que ele é piloto de helicópteros e é clonado. Por incrível que possa parecer, foi interessante. Depois vimos "Final Fantasy", um filme totalmente animado em computadores. A história sucks, mas as animações são fenomenais.
Demos uma paradinha. Fomos descansar. Stefan dormiu até às sete da noite, enquanto eu assistia o noticiário (todos, o do SVT 2 e o da TV4, BBC e CNN). Quando ele acordou, fomos fazer o jantar: ravioli de espinafre com ricota e molho de queijo. Não tínhamos vinho, infelizmente, nem disposição pra sair de casa e ir comprar, então tomamos Pepsi Light e Sprite. Mas a noite ainda era uma criança. :c)
Às 20h começou "Lara Croft", com a Angelina Jolie. Muito bacana. Quem me dera ser rica assim, morar num castelo cheio de gadgets e ainda ser linda de morrer. Bom, depois da Lara, demos um tempo para ver a revista da TV e saber o que escolher. No Discovery vimos um especial na linha dos "Detetives Médicos" ou coisa que o valha. Aí, interrompemos o lance do luminol e das pistas dos assassinos para ver "Billy Elliot", às 22h25m.
Vi esse filme com o meu irmão Carlos no Brasil e passei o filme inteiro lembrando dele. Lindos, lindos, lindos! Carlos e o filme. Stefan disse que se eu poderia ficar assim meio down todos os finais de semana que ele não iria se importar em ficar em casa, descansando. Hehe. Assim, ele não precisaria escutar "Vamos andar! Vamos fazer exercícios senão fico gorda, mais gorda! Ai, meu Deus! A calça num cabe mais! Ai, estou horrível", e assim por diante.
Terminamos a noite vendo um filme islandês chamado "Djävulsön", ou a Ilha do Diabo. Não, não era filme de terror não. Era sobre a falta de perspectivas dos islandeses na década de 50. Achei fascinante ouvir islandês e, para os meus ouvidos, trata-se de um sueco trespassado de sons mais bruscos, como finlandês. Stefan disse que era assim que os vikings falavam. Fascinante.
Fui dormir e sonhei com a minha mãe, conversando com uma amiga dela. Eu estava sentada no colo da minha mãe, olhando pro céu. Vi uma linha de estrelas andar devagar pelo céu e quando vi eram os personagens do Maurício de Souza - Monica, Magali, Chico Bento, Cascão - desejando feliz natal. Acordei com meu amor fazendo French Toast para o nosso brunch. :c)))
janeiro 17, 2003
Estou chata
Hoje tá difícil. Tô com dor, cansada, sem saber o que querer da vida. Meio desanimada. Ah! Tô meio de saco cheio, viu? Sorry.
janeiro 16, 2003
Banana primordial
Deu na BBC: cientista diz que banana pode estar extinta em até dez anos.
A razão é que a bananeira é uma planta estéril, sem sementes, como se fosse um clone modificado da primeira banana, a banana selvagem, que existiu há dez mil anos e não era comestível. "Emile Frison, chefe da Rede Internacional para o Aprimoramento da Banana (uhhhh????), em Monpellier, na França, afirma que falta diversidade genética à planta para resistir a doenças que atacam as plantações.
"Em 1950, a então dominante banana da espécie Gros Michel foi exterminada no Panamá por um fungo. A sua sucessora, chamada Cavendish, está ameaçada por uma epidemia global, que atinge plantações na África, na Ásia e nas Américas. Todas as variedades da banana moderna são descendentes de uma banana mutante estéril, cultivada na Idade da Pedra".
Agora, veja você.
Derrapando no gelo
Esta semana está animada. Acabei de voltar de Piteå, onde fui passar o dia dirigindo na chamada Halkbana, ou "pista de derrapagem". É que como já expliquei antes, para tirar a carteira de motorista aqui é necessário ir dirigir nessa pista, onde derrapa-se de lado, de costas, de frente, uma festa.
Até parece que estou inventando coisa pra ter assunto, mas juro que é verdade: na ida deu tudo certo. No carro - BMW novamente - eu, a professora, duas meninotas suecas e um rapaz de origem tailandesa, mas que mora na Suécia desde os oito anos de idade. A professora me colocou para dirigir com o rapaz e eu achei ótimo. "Nada dessa timidez entediante dessas garotinhas", pensei.
Estava certa quando achei que não sentiria tédio. Em uma das retas, o rapazola simplesmente dirige direto na vala, cheia de neve. O negócio só não foi mais grave porque estávamos a apenas 30 Km/h. Mas o carro entrou mesmo na neve e precisamos de um trator para nos tirar de lá. Foi um acontecimento.
Todos os outros carros pararam, o trator veio pro meio da pista, e todo mundo perguntando: "Como é que você foi parar na vala se aqui é uma pista reta?". Coitado, o rapaz ficou sem graça o resto do dia. O legal dessa Halkbana é que tudo é feito para que você de fato perca o controle do carro e derrape. É assim que se aprende a controlar o veículo quando uma situação de risco na neve se apresenta. Muito legal.
Antes de terminar a aula, vimos um vídeo sobre acidentes de trânsito com aquelas imagens de bonecos em carros de teste. É impressionante como o estrago é diferente - e pior - quando se dirige em alta velocidade. É claro, sabemos disso automaticamente. Mas acho legal que esse tipo de filme seja mostrado agora, quando a maioria das pessoas que estão ali tem 16, 17, ou 18 anos. Eu, com 31, fiquei impressionadíssima e vou pensar duas vezes antes de fazer uma ultrapassagem perigosa.
A pista é a mesma, mas a foto não é minha. Copiei de uma página sueca. O carro que aparece aí é uma ambulância...
janeiro 15, 2003
Borta bra, men hemma bäst*
Voltei. Estocolmo é linda até mesmo no inverno, mas, claro, a prefiro no verão. O problema é que, por ser retalhada por lagos, canais e ajuntamentos aquáticos dos mais variados - é até chamada de "Veneza do norte" - Estocolmo é úmida. Não chega aos pés do Rio-40-graus-cidade-purgatório-da-beleza-e-do-caos, mas é úmida. Depois tem o vento. O que venta em Estocolmo é uma enormidade. E eu odeio vento. Então por mais que estivesse fazendo zero grau lá, a sensação era de mais de dez negativos. Brrr.
Andei pra burro, entrei em todas as lojas que quis e não comprei tudo o que podia porque precisava comer. O melhor de tudo, no entanto, é andar por Estocolmo e tomar na veia o pulso da cidade grande, do qual sinto tanta falta aqui na minha pequena Boden. Estava andando por uma rua central e, de repente, levantei o olhar até o final da rua. Um mar de gente. Casais abraçados, meninas andando animadamente em trios aos cochichos, rapazolas de calças arriadas até o meio da bunda fazendo cara de gente, restaurantes, lojas, tudo vivo, acontecendo. Ahhh, civilização.
Saí da estação central (sim viajei de trem, A-D-O-R-O) e fui andando até a Drottninggatan (foto acima), literalmente a Rua da Rainha. Nessa rua, onde não passam carros, há uma miríade de lojas fantásticas. O problema, no entanto, é que a Body Shop fica muito perto do início e como sempre deixo minha prata por lá, o resto da Rua da Rainha nunca teve o prazer de me conhecer. Nem ao meu dinheiro. Muito legal: enquanto andava pela Drottninggatan, ouvia mais persa do que sueco. No banheiro da estação (limpíssimo, uma c-o-i-s-a), naveguei meu caminho até as pias no meio de 15 mulheres falando russo.
É ótimo estar em casa. Mas eu quero mais Estocolmo. Sempre.
*Ditado sueco. Quer dizer mais ou menos: Viajar é ótimo, mas voltar pra casa é melhor.
OBS.: A foto não é minha. A copiei desse site aqui.
Vi que o Montanha-Russa apareceu na coluna do Gravatá dessa semana! Obrigada, amigo! Um beijão procê, queridoco!
janeiro 13, 2003
Romance, Nova York e (falta de) sexo
Ontem fomos visitar minha sogrinha, em Piteå, porque foi aniversário dela na terça passada. Escolhemos o presente num supermercado bacanérrimo que tem aqui, o Robin Hood (e que eu, ainda me debatendo para me adaptar, só chamo de Peter Pan). Stefan, pra variar, não sabia o que comprar pra mãe, então entrei no circuito. Compramos um vídeo (que vimos junto com ela) e a obrigatória caixa de bombons (que a ajudamos a consumir). O filme era "Kate and Leopold", com a Meg Ryan e o ator que fez o Wolverine no X-Man, Hugh Jackman.
O filme não é bom, a Meg Ryan está com os lábios como duas almofadinhas de tanto silicone, mas mesmo assim é "bonitinho". É que adoro Meg Ryan (claro, nada mais mulherzinha), mas gosto dela por uma razão: ela atua em filmes que me aquecem o coração de tempos em tempos, como "Sleepless in Seattle", "When Harry met Sally" e "You've Got M@il". Além disso, em todos esses filmes, ela mora em apartamentos lindos, geralmente em Nova York - tirando o "Sleepless..", no qual ela morava na desinteressante Baltimore, mas acabava indo encontrar o Tom Hanks no topo do Empire State Building, na era pré-Bin Laden, quando isso ainda era romântico e não um ato de desamor à vida.
Escolhi esse filme pra sogrinha porque ela adora a Meg Ryan como eu e vive lendo aqueles romances água com açúcar no estilo "Julia". Eu costumava ler esses livros também, confesso, mas apenas quando tinha 13 anos ou 14, 15, talvez. Quem sabe 16? Bom, isso não é importante, o importante é que era leitura divertida. A mocinha era sempre "arrebatada" pelo mocinho, eles faziam amor numa choupana mas, ao raiar do dia, a mocinha descobria que era tudo mentira e então voltava pro seu apartamento na Quinta Avenida, arrasada.
Me lembro um dia em que fui passar um feriado em Petrópolis, na casa da minha tia-avó, que era leitora voraz desse tipo de livro. Pedi um para ler e ela me deu. Passei a noite toda procurando pela ação, mas o livro que ela me deu não tinha sequer uma cena de sexo. Uma decepção. Devolvi o livro na manhã seguinte e ainda tive o topete de reclamar à minha tia-avó, que estava às gargalhadas.
janeiro 12, 2003
Um pouco de perspectiva
Eu não sei... Ninguém tá falando nada a esse respeito ou eu não estou achando os comentários na Internet. O fato é que queria comentar aqui a viagem do Lula às áreas paupérrimas do Brasil. Estou profundamente comovida com o que ele está fazendo: depois de eleito, voltar às casas, casebres, tendas pra ver e mostrar aos burocratas do seu ministério para quem eles estarão governando. Como eu sempre digo, um pouco de perspectiva não faz mal a ninguém.
Não sei se o Lula vai conseguir fazer alguma coisa que mude a vida dessa gente, na miséria há tanto tempo. Estou por fora dos ti-ti-tis desse início de governo - do possível neo-populismo que o Lula estaria adotando. O que leio nos jornais é que o homem está indo às cidades mais arrasadas, visitando pessoas, tocando na ferida. Acho isso fantástico. Tomara que dentro do ar-condicionado do Planalto, ele e seus ministros consigam divisar políticas que melhorem a vida de quem nunca teve vez.
Redenção
"A human being should be able to change a diaper, plan an invasion, butcher a hog, conn a ship, design a building, write a sonnet, balance accounts, build a wall, set a bone, comfort the dying, take orders, give orders, cooperate, act alone, solve equations, analyze a new problem, pitch manure, program a computer, cook a tasty meal, fight efficiently, die gallantly. Specialization is for insects." -- Robert A. Heinlein.
Ainda bem que tem gente que me entende... (Presente do Tom. Obrigada, companheiro).
janeiro 10, 2003
Frio, gente e salsichas

+20 C - Não fica mais quente do que isso na Suécia, então começaremos aqui. Os espanhóis (ou brasileiros - cariocas) colocam gorros de lã, casacos de inverno e luvas. Os suecos pegam sol na grama de biquini e sunga.
+10 C - Os franceses tentam ligar o aquecimento central em suas casas. Os suecos plantam flores no jardim da frente.
+5 C - Os carros italianos não funcionam. Os suecos andam de bicicleta.
0 C - Água destilada congela. A água do mar do norte fica um pouco mais "grossa".
-5 C - Os californianos estão congelando. Os suecos fazem o último churrasquinho de linguiça antes da chegada definitiva do inverno.
-10 C - Os ingleses ligam o aquecedor em suas casas. Os suecos tiram do guarda-roupa um casaco mais pesado.
-20 C - Os australianos fogem para a ilha de Mallorca, na Espanha. Os suecos terminam de comemorar o Midsommar porque finalmente o outono chegou.
-30 C - A populacão das ilhas gregas desaparece da face da terra. Os suecos tiram do guarda-roupa seus sapatos mais pesados.
-40 C - Paris trinca de frio. Os suecos fazem fila na frente do quiosque de rua pra comprar uma salsicha.
-50 C - Os ursos polares começam a fugir do Pólo Norte. O exército sueco adia seu curso de sobrevivência até que chegue o "verdadeiro" inverno.
-60 C - O Mar do Norte congela. Os suecos alugam um vídeo e decidem ficar em casa.
-70 C - Papai Noel foge para o sul. Os suecos ficam frustrados porque não podem fazer churrasquinho de salsicha ao ar livre. O exército sueco faz seu curso de sobrevivência em temperaturas temperadas.
-183 C - Morrem os micróbios na comida. As vaquinhas suecas reclamam que as mãos das pessoas estão frias quando elas vão tirar leite de manhã.
-273 C - Todo o movimento baseado no átomo pára. Os suecos começam a dizer: "Tá ficando frio, né?".
-300 C - O inferno congela. A Suécia vence a Copa do Mundo de futebol.
janeiro 09, 2003
Em outro mundo
Escrevi o primeiro post de hoje porque li uma matéria na revista favorita de Stefan, a Illustrerad Vetenskap - algo como "Conhecimento Ilustrado". Soa meio cheezy, mas na verdade é que a revista é muito interessante. A matéria de capa é sobre o Carnaval do Rio, com um texto bacana sobre as relações sociais peculiares dessa época do ano que marca o "adeus à carne". (Até parece).
Bom, além dessa, outra reportagem que me chamou atenção nessa edição foi um especial sobre autismo, doença cuja incidência triplicou nos últimos dez anos em todo o mundo. Alguns médicos atribuem esse crescimento ao acesso a um diagnóstico mais apurado, outros simplesmente não têm explicação. Por mais que se estude, o autismo ainda é um mistério para os cientistas.
Não vou me extender sobre o autismo em si, que faz parte de um espectro de sete doenças, entre elas a Síndrome de Aspergers e a Síndrome do Savant. Essa última confere capacidades geniais a pessoas profundamente autistas, como no caso do americano Kim Peek. O filme Rain Man foi baseado na vida de Peek. Aquilo tudo do filme - contar palitos caídos no chão em um relance - é tudo verdade.
Mas, como escrevi lá no primeiro post, tenho uma intensa curiosidade sobre o cérebro humano, tanto do ponto de vista fisiológico como psicológico. Uma explicação possível para o aparecimento do autismo é a exposição do cérebro do feto a uma quantidade exagerada de testosterona - o hormônio sexual masculino. Segundo os cientistas, isso faria com que o cérebro da criança - geralmente meninos - perdesse a capacidade "feminina" de interação e sociabilidade.
Sem saber como o autismo aparece - ainda não se sabe qual o gene responsável pela doença - os cientistas desenvolveram um teste simples para tentar dar um diagnóstico mais preciso: mediram os dedos anelares de meninos com autismo e com Síndrome de Aspergers (caso mais brando da doença) em relação a seu dedo indicador. Os resultados foram comparados com as medições realizadas em meninos sadios. Descobriu-se que quanto maior a diferença entre o dedo anelar e o indicador, maior a possibilidade da criança vir a desenvolver autismo.
Que coisa, né?
Decididamente precisamos ter muito cuidado
Decididamente precisamos ter muito cuidado com o que desejamos porque tudo é possível...
Curiosa
Sempre quis ser jornalista. Nunca expressei meu desejo verbalmente, mas quando visitei o Jornal do Brasil numa excursão escolar aos 11 anos, me encantei. Era de manhã, ainda muito poucos jornalistas em ação, mas já o suficiente para dar à redação um ar vivo. Vimos o telex, um cara nos explicou a importância da página ímpar em detrimento da par (os olhos dos leitores percorrem a página par mas param na ímpar por mais tempo), e por que era importante o espaço "acima da dobra". Me apaixonei pelos rolos gigantescos de papel armazenados na gráfica do primeiro andar.
Mas o fato do jornalismo ter sido um sonho realizado (e bem realizado), não quer dizer que já adulta não pretendesse ser outras coisas. Gostaria de ser cientista, por exemplo. Queria ter talento para entender química, física, biologia, matemática, além das minhas preferidas ciências humanas e sociais. Gostaria de estudar genética, religião, astronomia, filosofia, astrologia, medicina, psicologia, antropologia, física quântica, arqueologia, fotografia, russo, finlandês, literatura universal, psiquiatria, sociologia, gastronomia, veterinária, criminologia, programação, nanotecnologia etc etc etc.
Sou um poço sem fundo de curiosidade. É por isso que acredito em reencarnação: simplesmente não é possível que nasçamos com tantas habilidades e tanta curiosidade e não possamos expressar nem um quinto no curto espaço de tempo que temos aqui. Bom, acredito em reencarnação por outros motivos também, mas não vou entrar em detalhes.
janeiro 08, 2003
Internet, modo de usar
Aliás, visitando a página esquisita do Jakob Nielsen (facilidade de acesso é sinônimo de feiúra?), li o que ele considera os "Dez Maiores Erros de Webdesign de 2002". Entre eles, estão sites com barras de rolagem horizontais*; blocos enoooooooormes de texto; Javascript em links (quando ficam aparecendo aquelas pragas de popups o tempo todo); e ter uma URL - endereço do seu site - longa e difícil.
Bom, na minha experiência acho todos os pontos pertinentes. A coisa dos textos grandes e blocados é particularmente interessante, porque me preocupo com isso aqui no Montanha. Sei que ler online não é um dos exercícios mais indicados para os nossos olhos, de forma que tento escrever um texto rápido, conciso e bem editado. Não é sempre que consigo, mas tenho os meus momentos. :c)
O que o Jakob Nielsen diz sobre como se escrever para a Web é bem interessante. Veja o que é preciso para se criar um bom texto online:
subtítulos;
listas de tópicos (como esta aqui);
palavras-chaves destacadas;
parágrafos curtos;
pirâmide invertida;
ter um estilo de escrita simples;
linguagem direta, despida de marketese.
*(Aliás, não sei se vocês precisam rolar a tela lateralmente para ler o Montanha-Russa. Há alguém que precise fazer isso? Me avise, ok?)
"I'm feeling lucky"
Amo o Google. Nosso caso de amor começou em 1999, quando entrevistei o Jakob Nielsen, o chamado guru da usabilidade. Foi ele quem me deu o exemplo de uma ferramenta nova de busca que, na sua instruída opinião, tinha a solução mais elegante e prática para as buscas na Internet.
Depois de escrever a entrevista, dada para a finada revista internet.br - que deus a tenha! - fui lá ver de que diabos o cara estava falando. Abri o site e tava lá o logo colorido do Google, no meio de uma página em branco. Me apaixonei imediatamente e dei um bilhete azul pro AltaVista.
Pois a galera do Google teve uma idéia bacana. Fazer uma retrospectiva do ano de 2002 mostrando os tópicos de pesquisas durante os últimos 12 meses. Por exemplo, em janeiro de 2002, uma verdadeira avalanche de gente saiu em busca de "Weight Wachers", o nosso Vigilantes do Peso. Hohoho
Já em junho, deu futebol na cabeça. Em setembro, claro, o Google foi totalmente dominado por buscas sobre "World Trade Center" e "September 11". Em outubro, o caso do sniper na região de Washington chamou a atenção. E os logos comemorativos? Tão todos lá! Minha coleção digital:

janeiro 07, 2003
Primeira, acelera, segunda, acelera...
Acabei de voltar de minha primeira aula prática de auto-escola (é, mãe, tou refazendo tuuuuudo de novo). Bom, o carro é magnífico, um BMW novíssimo, vermelho, cheio dos breguetes. Levanta banco, guidon e a moral. Bom, a professora, Mona, muito legal, me explicou que teria que fazer uma aula de controle, pra ver o que eu já sabia e começar a explicar o que eu não sabia.
Ela ficou contente de eu já saber dirigir a ponto de não precisar ficar explicando tudo, como "pisa na embreagem, passa a primeira, acelera" etc. Ao invés disso, ela me explicou uma série de coisas que achava irritantes no trânsito daqui e que agora compreendo o por quê.
Por exemplo, tive que treinar muito como fazer uma curva. É que aqui há uma regrinha até para isso. Para virar à direita, olhe no espelho retrovisor --> no espelho do lado direito --> ligue a seta --> freie --> engate a segunda --> freie mais um pouco até chegar à esquina --> olhe para a calçada para ver se não vem nenhuma bicicleta --> faça a curva bem d-e-v-a-g-a-r. Já na outra rua, acelere e olhe no espelho retrovisor.
Se errar a ordem na hora de dirigir com o fiscal, dançou.
Agora entendo por que as pessoas dirigem do jeito que dirigem nessa terra. Tudo muito devagar, olhando um milhão de vezes para cada lado antes de fazer uma curvinha etc. Eu sei que eles estão corretos, mas tantas regras me deixam meio irritada.
Além disso, tenho a desvantagem de ter aprendido a dirigir em carros, digamos, bem mais modestos do que um Beemer. Cada vez que eu freiava o carro respondia tão rápido que eu achava que iríamos capotar de frente, que nem cavalo xucro. Sexta-feira tem mais.
Mais uma mania
Hoje Stefan voltou ao batente, depois de ficar de papo pro ar desde antes do Natal. Já estou com saudades do meu urso polar, mas alguém tem que ganhar o nosso pão com queijo brie, certo? :c)
Queridos, deixa eu contar pra vocês: a Luciana Bordallo Misura é uma danada. Além de ter a idéia genial de juntar todos os brasileiros blogueiros no Mundo Pequeno, ela acabou de me apresentar ao mundo dos Fotologs (confira o dela aqui) e eu agora não consigo mais parar.
Criei o meu, claro. Subi três/várias fotos, nada demais. Estou achando uma delícia. O único problema é que o sistema deles, bem simples, falha às vezes, e as fotos que aparecem para uns não aparecem para outros. Por isso, se você estiver visitando um Fotolog e as thumbnails desaparecerem, não desespere, clique sobre a foto com o botão direito do mouse e mande a foto aparecer. Funciona na maioria das vezes. E se não funcionar na primeira vez, continue tentando até que dê - ou até que a sua paciência acabe.
Além disso, descobri gente com um talento incrível! Meu Fotolog favorito de hoje é o dessa menina aqui, que também foi quem bateu essa foto linda que ilustra o post.
janeiro 06, 2003
Brrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr................
Tá muito frio. Não sei quanto tá marcando no reloginho aí ao lado porque eu não o consigo ver - deve ser algum problema com o Windows XP. Tava até pensando em mudar para aquele Weather Pixie, mas acho aquilo meio fantasioso demais para mim.
Anyway, há dias estamos com temperaturas de 30 graus negativos e isso não é normal. Vi no jornal nesses dias que tá um frio louco no sul da Suécia também, com temperaturas bem severas para essa época do ano. Imaginem Gotemburgo, Estocolmo e até Malmö com muitos graus negativos!!!!
Sei que está nevando na Bélgica (né Sam?) e na Holanda (né Cris?). Ontem vi que em uma rodovia perto de Paris centenas de carros ficaram impedidos de entrar na cidade devido às más condições meteorológicas. Seguindo a lógica das coisas, imagino que o Brasil deva estar um caldeirão, estou certa?
Os meteorologistas dizem que nesse inverno é capaz de todo o mar que circunda a Suécia congelar. Quer dizer, aqui perto de mim já é tudo gelo mesmo, norrrrrmal, mas imaginem congelar o mar até quase a Dinamarca? Nossa. Stefan diz que já aconteceu antes, num inverno em que as temperaturas aqui em cima bateram os 48 graus negativos. Gulp
Foto!!! Querem me ver "numa fria"? Cliquem aqui e se deliciem com minha primeira aula de esqui. Não me lembro exatamente quantas calças e quantos casacos - todos do Stefan - eu estava usando nesse dia, mas podem estar certos de que eram muitos. Não coloquei a foto no post porque, mesmo depois de tratada, ela ficou pesada, com quase 500K.
Nota => Marcinha me pergunta como é o frio de 30 graus negativos. Ela diz que fica em desespero com os três graus abaixo de zero de sua cidade no sul da Inglaterra. Bom, se aprendi bem a lição com o urso polar com quem divido o apartamento, o norte da Suécia é muito frio sim, mas há uma vantagem, ao menos: o clima é sequíssimo. Talvez por isso, o inverno com 30 abaixo de zero daqui de cima possa ser comparado a dez negativos lá do sul.
Além da humidade, que contribui horrores para a sensação de congelamento, o vento faz com que o clima fique ainda menos suportável. E não tem vento aqui em Boden, querida Marcinha, fico feliz em te informar. A cidade fica num vale, entre montanhas, de forma que estamos protegidos dessas intempéries mais severas. Agora, você me perguntou sobre a sensação de 30 graus negativos na pele: bem, é difícil respirar. Preciso dizer mais alguma coisa?
janeiro 05, 2003
Elucubrações numa manhã de domingo
Ontem a irmã de Stefan, Veronica, suas três filhas e o marido vieram passar o dia aqui. Gosto muito dela, que é três anos mais velha do que eu. Somos, inclusive, parecidas fisicamente, o que é engraçado. Sempre que Veronica vem aqui fico pensando em como as vidas de pessoas parecidas podem ser tão diferentes. Quando ela estava tendo sua primeira filha, por exemplo, eu estava saindo da faculdade; enquanto mudava de emprego, ela dava a luz às gêmeas.
E vou mais além: incrível como as pessoas não têm medo de uma coisa tão definitiva quanto ter filhos - ou, pelo menos, todo mundo finge muito bem. Eu tenho pavor. Não, não é nenhum trauma psicológico não, podem ficar tranqüilos. É que ter um filho é um grande passo, não é? Todo mundo fica (ou tenta ficar) imbuído no ideal hollywoodiano de amor apesar de tudo, essa coisa incondicional, super-humana. Quando na verdade o acontecimento do amor, mesmo entre mãe e filho, é uma construção. Depende do nosso querer.
Imagine ter um filho com o qual não se tem a mínima empatia? Pior: e se ela/ele for chata(o)? Sim, porque nada me convence que o amor materno seja tão enlouquecidamente cego que não possa enxergar a chatice de sua própria cria.
Mas esse meu medo-fascínio já é antigo. Como toda e qualquer garota fico imaginando como seria o meu filho. O que ensinaria a ele, como contaria as histórias, as versões, se conseguiria apazigüa-lo ao invés de deixá-lo furioso. Acho engraçado, mas as três filhas da Veronica são curiosas a meu respeito. A coisa toda de ser brasileira é um motivo, mas há também o fato de eu ainda não ter filhos, apesar de já ser velha; de não ter inveja do barco delas; de não gostar de tomar banho de piscina quando está 30 graus negativos lá fora etc.
O mais cômico é que elas têm meio que medo de mim. É engraçado, mas minha cara de séria as assusta. E olha que o problema nem é o meu sueco porque elas entendem tudo o que eu digo (já perguntei). É, acho que essa coisa canceriana não colou comigo não.
Foto de Elliott Erwitt
Foto de Elliott Erwitt / Magnum Photos. USA. California. 1955.Já visitou o Picto Blog? É muito legal.
A lei do carma
Lei universal de causa e efeito, o que, de acordo com a visão budista, se expressa da seguinte forma: "O feito (carma) produz um fruto sob certas circunstâncias que, quando maduro, cai sobre a pessoa responsável. Para produzir seu fruto, a ação precisa ser boa ou má e estar condicionada a um impulso volátil, o que faz com que deixe um traço na psique do feitor e dirija seu destino na direção determinada por seu efeito.
O efeito de uma ação, o qual pode ser de natureza do corpo, da fala ou da mente, não é determinado primariamente pelo ato em si, mas particularmente pela intenção da ação. É a intenção da ação que causa o surgimento de um efeito cármico. Apenas uma ação realizada independente de desejo, ódio e desilusão não tem efeito cármico."*
*(excerto da "The Encyclopedia of Eastern Philosophy and Religion", Shambhala Books, 1994) - Copiei daqui.
janeiro 03, 2003
Equilíbrio
Se perguntando por que estou tão esotérica hoje? (para entender, leia os dois posts anteriores) Simples: hoje é dia de faxina. Acabei de dar os retoques finais no banheiro. É muita realidade para uma pessoa só. Grunpft...
Inversão das coisas
Aliás, falando em energia etc, acho que esse tipo de curso (leia post abaixo) só emplaca mesmo em países de primeiro mundo e de cultura ocidental. Isso porque todo e qualquer cidadão indiano sabe o que é energia negativa e positiva, carma, capacidade de lidar com os reveses da vida e tal. Nunca me esqueço de uma entrevista que a Patricia Travassos fez com um casal de professores de Yoga no programa dela, o Alternativa Saúde, no GNT. O casal fazia viagens regulares à Índia e voltava trazendo um monte de objetos lindos, lembranças e até mesmo tapetes.
O cara contou que um dia eles estavam em uma cidade indiana vendo tapetes lindos num mercado de rua. Pararam numa barraquinha, admiraram um tapete mas ficaram sabendo que o preço, mesmo depois de muita pechincha, não cabia no orçamento deles. O vendedor, muito naturalmente, disse: "Levem o tapete. Quando chegarem ao seu país, vocês me mandam o dinheiro". Estarrecidos com a "ingenuidade" do indiano, aceitaram a oferta, sem antes deixar de perguntar: "Mas e se nós não mandarmos o seu dinheiro?". E o cara respondeu: "Aí, o problema é de vocês".
Incrível como o indiano inverteu o que nós, ocidentais, costumamos considerar óbvio. Nós pensamos: não pagar o tapete seria uma sacanagem e causaria um problema para o pobre homem. Já o vendedor, seguro de suas crenças acima de suas necessidades materiais, jogou a batata quente pro outro lado.
Sorte
Materinha da BBC News: O psicólogo Richard Wiseman (bom nome, eh?), responsável por uma unidade de pesquisa na Universidade de Hertfordshire, criou a "Escola da Sorte", na qual ensina a como ter sorte na vida. De acordo com ele, não adianta ser inteligente nem possuir habilidade psiquica. O que define a sorte de alguém é como essa pessoa encara a vida, ou seja, um positivo approach to life é essencial.
Para ajudar seus 70 alunos, Wiseman estabeleceu quatro princípios básicos de como se ter sorte: esperar sempre boa fortuna; agir rapida e decisivamente quando oportunidades se apresentam; ouvir aos chamados gut feelings e agir segundo seus palpites; e ainda analisar objetivamente os insucessos e ver que tudo poderia ter sido pior.
Eu acredito em tudo isso. Sigo meus gut feelings já faz tempo, mas acredito em uma coisa que não foi citada no artigo. Acredito que as pessoas sortudas entram numa zona energética favorável aos sucessos. Acredito piamente em energia pessoal e em ondas cerebrais capazes de fazer com que duas pessoas tenham respostas diferentes da vida no sentido geral.
Com isso, não estou falando de nada sobrenatural, mas de simples empatia, da capacidade do ser humano de simplesmente estar mais aberto à positividade. Não precisa ser gênio nem professor em Hertfordshire pra saber que estando deprimido ou de saco cheio, irritado, é muito provável que você não obterá um resultado muito positivo da próxima vez que procurar um emprego.
Sei lá, às vezes acho essas pesquisas meio fajutas.
janeiro 02, 2003
Bom começo
Meu reveillon foi ótimo. Tudo deu certo. Do ponto de vista culinário, os brownies da Nigella ficaram perfeitos - bons mesmo! Além disso, fiz um pão que ficou ótimo. O jantar foi uma massa italiana com molho de salmão, salada especial e, claro, lentilha. Estava muito frio - o termômetro marcava algo em torno dos 25 graus negativos - mas a reunião na casa da Sonia estava tão legal, que o frio era um detalhe.
À meia-noite e dois minutos estávamos todos do lado de fora da casa, que fica no meio da floresta e em frente a um lago atualmente totalmente coberto de neve, soltando foguetes. Claro que me mantive à distância, mas estava feliz de poder ver algum tipo de fogo de artifício no reveillon. Lembrete para o ano novo: deixar de ser tão hard ass about some of the Swedish traditions, including alcohol consumption.
Comemos muito, conversamos mais ainda e nos divertimos demais. Troquei idéias com Sonia e Milena, outra brasileira casada com um sueco, sobre nossas vidas aqui. Foi tão bom encontrar pessoas que pensam parecido, que têm os mesmos interesses e que sofrem de problemas semelhantes! As meninas, mais espertas do que eu, me deram dicas importantes sobre como lidar com as instituições suecas. Mais um lembrete de ano novo: be brave.
Minha vontade era abraçar todo mundo ali e dizer "OBRIGADA!!!!". Pela festa, pela casa, pela comida, pelo privilégio de encontrar pessoas fantásticas assim, pelo carinho... Mas achei que ninguém merecia uma dose de carência tão cedo no ano novo, de forma que resolvi abraçar Stefan mais uma vez. Nossa, como eu amo esse homem. Agora vou ler porque ainda tem muita champagne rolando no meu sangue. :c)




