abril 22, 2003

Auto-imagem



Roubei da Bia Badaud. Já foi lá no blog dela? É bacana. Bem escrito e animado. (Dica da Cora)

Escrito por Maria à s 07:44 PM | Mais: Elucubrações | Comente! (0)

Bricolage

Estou mudando o logo aqui do Montanha. Esse logo novo aí de cima foi feito pela Marcinha, minha querida amiga que mora na Inglaterra com seu maridón Mr. M.

Eu queria mudar mais, talvez até me mudar para o Movable Type, mas como meus recursos técnicos são limitados, vou ficando por aqui mesmo e renovando o possível. Ainda falta tirar essa tripa lilás lá do logo, mas fora isso, o que acharam? Eu A-D-O-R-E-I. Obrigada, Marcinha queridoca!

Escrito por Maria às 12:26 PM | Mais: Vidinha | Comente! (0)

abril 21, 2003

Delícia

Sabe aqueles domingos cariocas em que tudo parece meio parado, a não ser a praia, que fervilha de gente? Pois é, hoje é essa a sensação que tenho aqui em Boden. Tudo bem, aqui não tem praia, mas quem disse que os gramados não podem ser divertidos? A suecada resolveu tirar o mofo da brancura e está todo mundo na rua. Amém! Finalmente constato que tem gente nessa cidade! :cD

Anyway, está quentíssimo aqui: tem feito 15, 16 e até 17 graus o feriado inteiro e é uma delícia sair de casa com essa temperatura. Ao invés de irmos à praia, dormimos até tarde, Stefan trocou os pneus de inverno para os de verão e fizemos umas comprinhas. Estou inspiradíssima na cozinha, mas não vou contar porque senão todo mundo vai dizer que eu só falo de comida.

Agora estamos aqui, com a porta da varanda e as janelas abertas, no maior calorão em plena primavera. Que delícia. Urso Polar resolveu me dar um crash course em música sueca. Compramos um CD do ABBA (Hohoho, tinhamos que começar por algum lugar) e de um outro cantor que eu nunca ouvi falar. Vamos ver no que isso vai dar. :c)

PS.: Gente, estou meio relapsa com os blogs e com as respostas aos comentários. Sorry! Ando meio sem saco de fazer outra coisa a não ser aproveitar enquanto os termômetros estão acima do zero. Já já eu volto. Beijo!

PS 2.: Sobre minha foto da carteira de motorista: aqui tem que mostrar a orelha e, ao mesmo tempo, olhar para a câmera. Meu cabelo está preso num coque porque como ele é muito longo as orelhas ficavam escondidas. Nunca ri tanto pra tirar uma foto na vida.

PS 3.: Sou mais bonitinha ao vivo, viu? Num tenho esse bico aí da foto não, tá? Hohoho.

Escrito por Maria às 05:06 PM | Mais: De bem com a vida | Comente! (0)

abril 17, 2003

Ela chegou!!!!

carteira.gif

Minha carteira não é linda??? E é rosa ainda por cima!!! :cDDD
Adoramos "About Schmidt". O Jack Nicholson é um senhor ator! Ele é o filme e o filme é ele. F-E-N-O-M-E-N-A-L.
Escrito por Maria à s 05:52 PM | Mais: Conquistas | Mais: Pra frente é que se anda | Mais: Vida de imigrante | Comente! (0)

abril 16, 2003

Preguiça...

Como a Lu Misura notou, as fotos do post de baixo são das montanhas, distantes quase seis horas de carro de Boden. Aqui está 12 graus positivos hoje, o céu está meio cinzento, mas tudo bem. O carro foi consertado mas como se tratava de uma incógnita elétrica, meu urso polar não pode resolver o problema sozinho e tivemos que pagar 2 mil coroas (200 dólares) pela mão de obra. :c(

Mais pobrezinhos, porém motorizados, estaremos saindo daqui a pouco para ver "About Schmidt", com o Jack Nicholson. Não estamos fazendo nada de especial. Na verdade, minha vontade é de sair por aí, dirigindo e vendo a paisagem de primavera sueca para não ter que me preocupar com tudo. Ando tão preguiçosa que vou te contar. Fico cansada só de pensar em escrever...

Um beijo e até a próxima.

Escrito por Maria às 02:17 PM | Mais: Vidinha | Comente! (0)

abril 15, 2003

Fotos das montanhas suecas


Vista de cima - lindas montanhas cobertas por neve no vilarejo de Kvikkjokk


Onde está Wally? Exercício de guerra na neve (quantos recrutas podem ser vistos na foto?)


Não é o Stefan - meu urso polar é muito mais bonito. Não sei o nome da figura.


Alguém aceita um cafezinho?

Escrito por Maria à s 12:51 PM | Mais: Europa & Escandinávia | Comente! (0)

abril 11, 2003

Típico

Depois de cinco meses de estudos sobre carros, regras e leis de trânsito, finalmente consegui minha carteira. Aí, o carro quebra.

Escrito por Maria às 05:35 PM | Mais: Conquistas | Comente! (0)

Sobre a queda

Estava pensando como interpretar aquelas imagens da estátua do Saddam sendo destruída na praça paraíso, no centro de Bagdá. O povo certamente pareceu bastante feliz - como numa catarse coletiva de permissão e permissividade. Mas uma coisa me fez considerar aquelas imagens estranhas. Parecia tudo tão encenado para as câmeras, a alegria das pessoas que mal olhavam para a estátua que estavam destruindo, mas sim para os cinegrafistas que circulavam pelo local tal qual moscas num monte de açúcar.

Não tenho razões para duvidar da alegria mostrada pelos iraquianos. Antes, acho que eles estão apenas mostrando legitimamente o que quase 30 anos de repressão podem fazer com povo. Mesmo assim, acho que o Iraque terá um caminho dificílimo pela frente. Isso porque não é fácil se acostumar a ser livre e a decidir seu destino com independência. E tem o "problema" da riqueza imensurável do país. Por um lado é uma maravilha; uma moeda de troca universal que pode garantir ao Iraque se destacar entre as nações mais ricas do mundo. Por outro, uma maldição capaz de corromper homens de bem.

Faço um paralelo com a antiga União Soviética, por exemplo. Conheci uma cidadã do Cazaquistão aqui em Boden que me ensinou, sem perceber, uma lição de como essas mudanças políticas afetaram profundamente algumas pessoas. Ela me contou que tinha uma vida boa nos tempos da URSS. Era chefe numa empresa que fabricava móveis, fez universidade e sabia falar inglês - uma raridade naqueles tempos e para a faixa etária dela (por volta dos 40 anos).

Pois bem, o regime caiu e com ele todo o status que ela tinha. Por ser chefe, ela fazia necessariamente parte do Partido Comunista soviético e tinha uma série de funções de controle sobre os trabalhadores da fábrica. Tudo mudou quando veio a Perestróika. Sem saber como se comportar num país novo e numa sociedade nova, ela fugiu para a Suécia. Só conseguiu visto porque se casou com um sueco.

Não vai ser fácil para os iraquianos se acostumarem com o novo estado de coisas. Só espero que uma nova espiral de corrupção e violência não tome conta do país, e que o novo governo seja inteligente o suficiente para resistir à pressão dos EUA e da Grã-Bretanha.

Escrito por Maria à s 12:16 PM | Mais: Elucubrações | Comente! (0)

abril 10, 2003

Tópicos

Fiquei sabendo que no segundo semestre teremos mais aulas de sueco - atualmente temos quatro, divididas em dois dias apenas. Estou achando ótimo. Mas terei menos tempo para o blog... :c(

Hoje à noite vou assistir a uma competição de Curling. É um esporte incrível, que descobri quando vi pela tevê as olimpíadas de inverno em Salt Lake City. Parece um jogo de xadrez, onde as peças são jogadas e deslizam sobre o gelo até o fim da pista. O time que conseguir posicionar suas peças mais próximas do centro do alvo, ganha.

Estou com muita saudade do meu irmão. Muita.



Ganhei flores dos meus sogros por ter conseguido tirar minha carteira de motorista. Muito bacana. Fiquei muito feliz. São cravos cor-de-rosa, fuchsia, brancos e amarelos.



Aliás, sabiam que essa carteira que eu tenho é provisória? Pois é, quando a pessoa é aprovada e recebe a carteira, recebe uma carteira de experiência. Serão dois anos de probation. Se a polícia me pegar fazendo alguma baianada barbeirada no trânsito "louco" de Boden, minha carteira é retirada e eu tenho que fazer todas as provas novamente. É mole?

Escrito por Maria às 06:28 PM | Mais: Variedades | Comente! (0)

Pequeno conto de férias

Ele ficaria fora por quatro dias. Quatro dias inteirinhos para ficar só, fazendo o que ela gostava. Dizer tchau foi chato mas uma dor necessária. Afinal, eram apenas quatro dias! Ela se dividia entre a saudade que já sentia e a vontade de ficar sozinha.

Ele foi e prometeu ligar quando chegasse ao seu destino. Até seria bom que ele ligasse para avisar que tudo estava bem, desde que isso não atrapalhasse nenhuma das atividades que ela iria fazer: ler até ficar cansada e dormir, tomar banho de banheira por duas horas e sair da água toda enrrugadinha e assistir a todos os programas de celebridades que ele conseguisse. Fez a lista mentalmente e imediatamente sentiu uma pontada de culpa.

Como uma criança que não brincava há muito tempo, ela fechou a porta e sorriu. Foi difícil decidir o que fazer primeiro. Já eram 2 da tarde. Decidiu colocar um CD no som e ir cozinhar. Fez o suflê que tanto amava e até errou a receita, mas estava se divertindo tanto que nem se importou. Recomeçou e deu tudo certo.

"you owe me nothing for giving the love that I give
you owe me nothing for caring the way that I have
I give you thanks for receiving it's my privilege
and you owe me nothing in return"

Enquanto misturava a farinha com a manteiga e o leite, pensava no que poderia fazer à noite. Ligar para alguma amiga? Não. Visitar alguém? Não. Ela estava tendo uma leve dificuldade para aceitar um simples comando interno: ela queria ficar sozinha. Como nos velhos tempos.

Nada contra ele, no entanto. Estava tudo em cima. Ótimo relacionamento e tal, mas como era bom ficar longe por um tempo!!! Voltou sua atenção uma vez mais para a mistura que havia começado a embolar. Pensou na mãe e em como ela a havia ensinado a fazer esse suflê. Um rápido aperto na garganta, mas nenhuma lágrima.

"and I salute you for your courage
and I applaud your perseverance
and I embrace you for your faith in the face of adversarial forces
that I represent"

Com a mistura básica do suflê pronta, ela só precisava esperar para que esfriasse para juntar os ovos e dar os toques finais do prato. Dançou um pouco com a panela nas mãos. Procurou o caderno de receitas na cozinha e não resistiu ao ritmo. Começou a cantar mas não sabia a letra. Improvisou e riu com sua inabilidade. Um ridículo delicioso.

Pousou a panela para esfriar e olhou na revista da tevê. Ia passar um filme inglês interessante na TV à noite. Alguma coisa sobre uma cidade em Wales que lutava para ter sua primeira montanha, mas o medidor oficial disse que estavam faltando 20 pés para que o monte fosse considerado oficialmente uma montanha. Interessante. Depois de muito tempo poderia assistir ao que quisésse sem polêmicas.

Enquanto separava os ovos, lembrou que não havia almoçado. Mas ela não estava com fome. Ela não tinha vontade de nada nem de ninguém. A única coisa que queria era ficar só. Férias de interação humana. Pensou nisso enquanto olhava para a tevê, muda, ligada para lhe fazer companhia.
"you'll rescue me right?
in the exact same way they never did
I'll be happy right?
when your healing powers kick in"

Soundtrack provided by Alanis Morissette's "Under Rug Swept", 2002.

Escrito por Maria à s 02:42 PM | Mais: Elucubrações | Comente! (0)

abril 09, 2003

Ufa!

O dia de ontem foi muito bom. Só pensava na tal da prova prática e nos 40 minutos nos quais teria que dirigir perfeitamente, como uma pessoa nascida e criada nas ruas dessa diminuta cidade. Mas, estranhamente, não estava desesperada de nervoso. Estava ansiosa para que a prova viesse logo e acabasse logo.

Cheguei lá no estacionamento de uma casa de banhos que tem aqui em Boden pouco depois das 14h30m, hora marcada para meu exame. Tinha dirigido a última meia-hora com minha professora de auto-escola que estava chateada. Um homem a havia destratado na frente de todo mundo porque não tinha passado na prova. Ele era russo e eu pensei: "Bonito, um imigrante se comporta assim antes de outra imigrante - eu - ir fazer a prova".


Estacionei o carro e esperei. Achava que seria um examinador, mas foram dois. DOIS. Muito simpáticos e tal. Comecei fazendo uma verificação de segurança dos freios. Depois saí para dirigir. Ainda no estacionamento, senti que não havia fechado a porta corretamente. Tive que parar para fechá-la. Tremi um pouco mas consegui me segurar. Depois dirigi num caminho conhecido por mim (já havia treinado muito), o que não foi difícil. Passei por um trevo (circulationsplats) e acertei todo o posicionamento e as setas. Fui dirigir na estrada. Tive que fazer uma curva à esquerda, o que é complicado, uma vez que você precisa controlar não somente o trânsito que vem por trás mas o que vem pela frente também.


Passamos por uma linha de trem e a todo o momento eu pensava que precisava me concentrar em tudo o que examinador dissesse. E ele falou à beça. Conversava com o outro cara sobre coisas que eu não entendia e me perguntava como eu tinha vindo parar em Boden; de onde eu vinha no Brasil; qual era a palavra que queria dizer neve em português (snö, [isnô] em sueco); se nós tínhamos neve no Brasil (caiu na gargalhada quando contei que tínhamos sim neve no Brasil, mas apenas no sul e que todos os turistas corriam pra ver um centímetro de neve quando caía).

Sentia que era difícil me concentrar enquanto estivesse conversando com eles, mas quando chegávamos em um cruzamento, eu emudecia e eles também. Eu ficava recitando baixinho, para mim mesma, as leis que havia aprendido nas aulas práticas, com os infindáveis programas de computador e com meu livrão de regras de trânsito. Tomei muito cuidado em não ser uma "tartaruga" no trânsito mas principalmente para não ultrapassar o limite de velocidade. Afinal, foi por essa razão que o russo tinha sido reprovado.


Tive também que achar o caminho para uma loja grande que tem aqui. O examinador foi gentil o suficiente para perguntar se eu podia achar porque havia dito a ele que não morava em Boden havia muito tempo, mas eu achei o caminho de qualquer forma. Estacionei o carro de frente, numa daquelas vagas enoooormes. Ainda assim, sem muita rodagem com o BMW, entrei errado. Mas sabia que eu podia corrigir, indo para trás e voltando. Fiz isso e deu certo. Depois foi apenas me segurar para não fazer nenhuma besteira até o final. Dirigimos pela cidade ainda mais um pouco e depois fomos para o estacionamento da casa de banhos.

Esse teste foi um exercício de controle e disciplina pra mim. Quando terminei, ele me disse que eu tinha sido aprovada ("Du är godkänt, Maria") e preencheu o papel com o qual posso dirigir até que minha carteira chegue. Saí do carro e só não gritei porque aqui tudo é tão calmo e silencioso que fiquei inibida. Minha professora já estava perto de mim. A abracei e quase chorei. Na verdade, tenho vontade apenas de rir, rir, rir.

Hoje completo 1 ano e 11 meses de vida na Suécia.

Escrito por Maria às 09:57 AM | Mais: Conquistas | Mais: Vida de imigrante | Comente! (0)

abril 08, 2003

Vocês estão lendo o

passei.gifpassei.gifpassei.gifpassei.gifpassei.gifpassei.gifpassei.gifpassei.gifpassei.gifpassei.gif

Vocês estão lendo o blog de uma brasileira que tem uma carteira de motorista sueca. Agora dá licença que eu vou tomar um vinho... :cD
Escrito por Maria às 04:29 PM | Mais: Conquistas | Comente! (0)

"There's no spoon"

"There's no spoon"
Escrito por Maria às 08:15 AM | Mais: Conquistas | Comente! (0)

abril 07, 2003

A verdade

Operation
Iraq
Liberation

Escrito por Maria à s 11:51 AM | Mais: Irritação e ironia | Comente! (0)

(...) Jorge sentou praça Na

(...) Jorge sentou praça Na cavalaria E eu estou feliz porque eu também Sou da sua companhia Eu estou vestida com as roupas E as armas de jorge

Para que meus inimigos tenham pés
E não me alcancem
Para que meus inimigos tenham mãos
E não me toquem
Para que meus inimigos tenham olhos
E não me vejam
E nem mesmo um pensamento
Eles possam ter para me fazerem mal

Porque eu estou vestida com as roupas
E as armas de Jorge
Salve Jorge
Salve Jorge
Salve Jorge

Armas de fogo
O meu corpo não alcançarão
Facas e espadas se quebrem
Sem o meu corpo tocar
Cordas e correntes arrebentem
Sem o meu corpo amarrar

Porque eu estou vestida com as roupas
E as armas de Jorge
(...)*


*Música: "Jorge de Capadócia", Jorge Ben. (Ilustração de Angus McBride).

Escrito por Maria às 08:55 AM | Mais: Conquistas | Comente! (0)

abril 05, 2003

Sobre o orgasmo feminino

Tava lendo a Colombina comentar sobre uma pílula que ajudaria a libido feminina e facilitaria o orgasmo. Já estão até fazendo publicidade da maravilha lá dos EUA. Aqui nunca vi. O que vejo atualmente na tevê sueca são vários programas mostrando mulheres sendo massageadas, estimuladas, excitadas para chegar ao momento glorioso. Claro que não dá pra saber se o efeito é verdadeiro ou não, afinal, nós somos mestras do mistério nesse campo, mas confesso que foi estranho ver aquilo assim, exposto.

O primeiro programa, que segue o estilo dos talk shows baixo nível americanos, tipo Ricky Lake, mostrou uma menina mostrando-se excitada diante de uma platéia idem. Ela estava vestida, mas isso não queria dizer nada porque a linguagem corporal dela não poderia ser, digamos, mal entendida. O outro programa é especializado em sexo mesmo. Acho até bacana porque é direcionado aos jovens, que fazem perguntas diretas e obtêm respostas sem falsa-moral. Nesse programa uma mulher chegou ao orgasmo (ou pelo menos fingiu muito bem) ao fazer uma posição de relaxamento, seguida de uns movimentos especiais, ondulantes, com os quadris.

Acho que a "graça" do orgasmo feminino é que ele é menos evidente do que o masculino e, por isso mesmo, mais intrigante. Nos programas as mulheres se queixavam que suas vidas sexuais poderiam ser melhores porque elas não conseguiam chegar à satisfação máxima. Uma das muitas coisas que pensei enquanto assistia aos programas foi: a insatisfação feminina não é privilégio de países ou culturas nos quais o prazer da mulher é visto em segundo plano em relação ao do homem. Falta de prática, tensão, ansiedade, entre outros, são males universais. :cD

Outra coisa que pensei foi: por quê eles mostram isso? Será que não basta o cineminha de sacanagem do Big Brother? (Meninos, li que o BB aqui é uma sacanagem louca). Não sei, gosto de pensar que sou aberta a todo e qualquer estilo de vida e tenho um real fascínio por culturas diferentes, mas tudo tem um limite. Acho que explorar isso não é legal. Mas, sei lá, de repente eu estou enganada. Ou, pior: ficando velha.

Escrito por Maria à s 06:24 PM | Mais: Elucubrações | Comente! (0)

abril 04, 2003

Pensamento... nega... positivo

Nada de muito especial tem acontecido. A única coisa que eu penso dia e noite - literalmente, porque estou sonhando com isso também - é a tal da prova prática de direção. Todos os dias no final da tarde Urso polar e eu saímos para dirigir. Andamos pelas ruas do centro da cidade de Boden - essa grande metrópole, como diz a Marina - e vamos dirigir nas estradas, onde terei de testar minha habilidade e encontrar um local adequado para fazer um retorno.

Sei que eu sei tudo o que é necessário, mas assim como para a prova teórica, tenho medo de freak out. O problema é que para a prova teórica só dependia de mim, enquanto que no trânsito as situações são imprevisíveis e mudam a todo momento.

Mas ao mesmo tempo que escrevo isso, penso: "Mas você aprendeu a dirigir no Rio. Se você nunca bateu com o carro lá, não tem como errar aqui". Sim, em tese isso é verdade. O único problema é que o jeito agressivo do carioca de dirigir não vale aqui. Está num cruzamento sem sinal? Vale a Regra da Direita: aquele carro que vem à sua direita tem preferência. Mas cuidado para não ultrapassar uma passagem de pedestres: eles tem preferência, mesmo quando atravessando uma estrada razoavelmente movimentada.

Tento segurar a minha onda, mas sou mais forte do que eu mesma e não paro de pensar:

"Relaxe! Basta você se concentrar em ler todas as placas e, ao mesmo tempo, em não andar mais rápido do que os 30 km/h permitidos no centro da cidade, não se posicionar na parte errada da rua, levar em consideração que a qualquer hora e momento uma bicicleta pode surgir na sua frente e você tem que parar, não importanto se está com uma fila de motoristas enfurecidos atrás, que os pedestres realmente confiam que você vai parar pra eles e você não pode assustar nenhuma velhinha com andador, que o examinador quase com toda certeza estará de mau homor, que você acordará com dor de cabeça e que estará nevando".

Escrito por Maria à s 12:55 PM | Mais: Elucubrações | Comente! (0)

É duro ser burguesa na Suécia

Está nevando horrores novamente. É lindo lindo lindo. Problema é que depois vira uma pasta marrom de areia (aqui no norte do país não se usa sal) misturada com gelo que entra casa a dentro. Não há limpeza que chegue. E olha que aproveitamos o início da semana pra fazer uma espécie de "limpeza de primavera". Urso polar ficou encarregado de tomar conta da lavanderia, quatro andares pra cima e quatro andares pra baixo, enquanto eu fazia a faxina propriamente dita.

Banheiro, cozinha. Depois passei aspirador em todos os cômodos, retirei os tapetes e as passadeiras e as coloquei para pegar um ar na varanda. Quando estava me preparando para abrir as janelas para deixar o ar entrar e começar a passar o mop com detergente no chão da sala, veio a neve. Primeiro foram aqueles floquinhos redondinhos, que quando você tenta limpar do seu casaco viram pó branco. Depois os flocos foram aumentando até que virou uma nevasca mesmo, com vento e tudo.

Parei a limpeza de primavera no meio - não a contragosto - e acho que, mesmo assim, o apartamento voltou a estar apresentável. Sinto uma calma quando vejo o apartamento limpo e arrumado.

É claro que essa calma que eu sinto nem chega aos pés da minha calma e satisfação se visse o apartamento limpo e arrumado sem ter levantado um dedo para isso... Mas tudo bem. É duro ser burguesa na Suécia.

Escrito por Maria à s 12:53 PM | Mais: Elucubrações | Mais: Vidinha | Comente! (0)

abril 02, 2003

O carteiro passou aqui em casa e deixou novidades

Recebi hoje um formulário complicadíssimo da Skattemyndigheten [iscatemindigrreten], ou a autoridade de impostos daqui - órgão que, por vezes, pode ter mais poder sobre o cidadão sueco do que a própria polícia.

Entre outras informações, fiquei sabendo que recebi durante 2002 um montante de 20.018 coroas (cerca de US$ 200) de ajuda financeira quando estava fazendo aquele curso especial para imigrantes.

Mas o mais divertido é ler os impostos que pagamos aqui nessa terra. Mesmo pobrinha de marré de si, paguei uma fortuna para o estado sueco! Entre as taxas, estão:

31,55% na fonte - tributo da Kommun (cidade) onde moro;

um imposto estatal sobre lucros de capital (me parece ser cobrado sobre a correção monetária que o banco me dá da poupança que tenho);

débitos gerais de custos pessoais (não me preguntem o que é isso);

e ainda um imposto chamado de Begravningsavgift, ou uma taxa de sepultamento. Agora já tenho literalmente onde cair morta. *Hohoho*

Escrito por Maria à s 12:04 AM | Mais: Europa & Escandinávia | Mais: Vida de imigrante | Mais: Vidinha | Comente! (0)

abril 01, 2003

Mudez

Queridos, queridos, estou com um milhão de emails na minha caixa postal para responder. Desculpem-me! Quando tenho cabeça pra escrever não tenho tempo e quando não tenho tempo parece que tudo o que consigo dizer ou pensar vem escrito na forma de posts.

Ando meio enlouquecida. Lu B., desculpe por não ter respondido ainda. Inezoca, minha flor, obrigada pela mensagem e pelo telefonema. Joana, já já te respondo. Tom, meu amigo, você é um dos primeiros da lista de respostas.

Estou enrolada, fazendo um monte de coisas e, me parece, não alcançando nenhum resultado. Mas é assim que é. Eu sei. Hei de perseverar! Ah, sim. Começou no domingo o horário de verão daqui. Agora estou cinco horas à frente do Brasil, ok? É por isso que estou aqui, lépida e fagueira, ainda a essa hora.

Escrito por Maria às 12:10 AM | Mais: Vidinha | Comente! (0)