maio 29, 2003

Fissura

Estou viciada no jogo de cartas de aranha do Windows XP. Ô ô ô Bill Gates, desgraçado! :c)

Escrito por Maria às 01:37 AM | Mais: Vidinha | Comente! (0)

maio 27, 2003

Casa de ferreiro...

Gosto de pensar que sou uma ótima ouvinte. Dedicada, fiel, cheia de idéias e com alguma experiência para saber como são as coisas da vida - o suficiente para não julgar quem me procura para desabafar. Mas quando chega a hora de me defrontar com a verdade das minhas próprias dificuldades e "ter responsabilidade pela minha vida", a coisa fica mais difícil.

Escrito por Maria à s 09:53 PM | Mais: Elucubrações | Comente! (0)

maio 24, 2003

Descoberta

Ontem, quando falei com meu irmão no telefone, aconteceu uma coisa linda. Ele me contou que estava querendo ir disputar um campeonato de esgrima em São Paulo, no qual representaria o Rio na categoria dele, a Infantil. O único problema era que o nosso pai não queria deixar ele ir sozinho.

Aí, eu e Carlos dissemos quase que ao mesmo tempo: "Sabe como o papai é, né?". Ambos suspiramos. Os suspiros não eram maldosos, mas cúmplices. Eram um reconhecimento de quem sabe do que o outro está falando e divide de uma forma que apenas irmãos sabem fazer tudo o que diz respeito aos pais.

Nunca tinha sentido essa conexão com o meu irmão - apesar de ter conectado com ele em tudo, desde que ele nasceu - e foi mágico quando senti que finalmente não estou mais sozinha nesse nível. Meu irmão sabe do que estou falando e isso me dá uma sensação maravilhosa.

A maioria de vocês deve ter irmãos, portanto essa cumplicidade deve ter existido sempre, mas pra mim ela é novidade. Meu irmão nasceu quando eu já tinha 19 anos. Uma vida inteira crescendo sozinha. Agora que ele e eu podemos dividir mais essa experiência, fico tão feliz que me dá vontade de chorar.

Mas não vou chorar não porque eu tou é muito feliz. Estou fazendo pão. :c)))

Escrito por Maria às 02:53 PM | Mais: Saudade e sonhos | Comente! (0)

maio 23, 2003

FELIZ ANIVERSÁRIO CARLOS!!!!!!!!

carlos_rosto.jpg

Hoje é aniversário do meu irmãozinho Carlos, o lindo aí da foto acima, que está fazendo 12 anos de idade. Como o próprio assina seus emails atualmente, Carlos já é um pré-adolescente. Meu irmão é um rapazinho muito inteligente e bonito, que gosta de jogar videogame (tem uma fixação com "Zelda") e se pudesse passava dias trancado no GameWorks do Rio Sul.

Nunca vou me esquecer quando fui ao Brasil em setembro do ano passado. Carlos e eu fomos nos divertir lá no Rio Sul e, claro, acabamos no GameWorks. Eu, que não sou gamemaníaca mas que me amarro num computador, não me fiz de rogada e sentei lá ao lado do meu irmãozinho. Aí, comecei a torcer descaradamente por ele (claro!) enquanto nossa encarnação digital caçava bandidos na telinha.

Adoro pagar mico com meu irmão, dizer pra todo mundo que ele é o maior, o melhor, o mais bonito e o mais inteligente. Tou errada? Tou mimando a criatura? Não... Se eu mimo, a Cristina, mãe do meu irmão, e o meu pai desmimam e eu tenho certeza que no final das contas, meu irmãozinho foi, é e sempre será uma pessoa incrível. Carlos, meu lindo, fique com Deus! Eu te amo!!!

A foto é antiga. Trata-se, ladies and gentlemen, de um protesto. Não recebo mais fotos do meu irmão já tem um milênio e dois dias. :c) Alô, alô pessoal da Urca, vocês já ouviram falar de uma coisa chamada "correio"????

Escrito por Maria à s 02:11 PM | Mais: Aniversários | Mais: Saudade e sonhos | Comente! (0)

maio 22, 2003

Não me agüento

Está me dando um aperto no coração ver as despedidas de todos vocês aqui que está sendo difícil não escrever, sabiam? Não, não escrevi o post abaixo apenas para "testar minha audiência", mas fiquei feliz com o carinho de todos.

E não é que hoje pintou assunto? Cortei meu cabelo (ficou lindo) com uma cabeleireira chamada Åsa [ôôssa]; fiz uma prova nacional do último nível de inglês e tirei MVG, que quer dizer Mycket Väl Godkänt e representa "Excelente" no sistema de notas daqui (estou feliz!); consegui um bidrag, ou ajuda financeira, para estudar no semestre que vem (iuuuupiiii), e amanhã é o aniversário de 12 anos do meu irmãozinho Carlos (Feliz Aniversário, meu lindo!).

O fim da picada

Ah, hoje li uma coisa no jornal que me deixou perplexa: uma mulher fez seguro contra feiúra. Isso mesmo, você leu certo. A inglesa Nicole Jones fez um seguro que lhe pagará 100 mil libras caso seu marido a deixe porque ela ficou gorda e feia. E como se a humilhação já não fosse muita, ainda tem a gota d'água: um "painel" composto por dez peões de obra é que vai decidir se ela não é mais atraente. É o fim, não é?

Na reportagem, Nicole diz que o marido vive dizendo que "a trocará por um modelo mais novo" e que se por acaso for necessário o pagamento do "prêmio", ela utilizará o dinheiro para fazer as alterações necessárias para ficar bonita novamente. Céus! Tantos anos de feminismo e avanço jogados no lixo...

Deixa eu dizer uma coisa à Nicole: darling, come direitinho, dá um pé na bunda desse infeliz e encontra um homem melhor. Mas antes, queridoca, vê se arruma um analista porque a coisa tá preta.

Eu hein...

Escrito por Maria à s 09:43 PM | Mais: Aniversários | Mais: Universidade | Mais: Variedades | Mais: Vidinha | Comente! (0)

maio 21, 2003

Pausa

Sabem de uma coisa engraçada? Perdi o tesão por isso aqui, o meu blog. Claro que ainda o acho lindo de morrer, que ainda sinto falta do simples prazer de digitar alguma coisa diariamente e que freqüentemente penso na forma de posts, mas ainda assim, o que era antes já não é mais.

Acho que um dos papéis que o Montanha-Russa tinha (e ainda tem às vezes) é de servir como um rascunho, onde posso escrever o que penso para que toda essa loucura que fiz na minha vida ganhe algum significado. Já disse e repito: escrever, pra mim, é um meio de make sense of it all, and works like a charm.

Mas esse "trabalho" de purificação do meu estranhamento nesse novo mundo já não é mais suficiente. Quero me expressar aqui de outras maneiras e me sinto tolhida, tímida, sem vontade de ir mais a fundo, mesmo sabendo que a grande maioria das pessoas que me visita gosta do que lê e até se diverte com o que escrevo.

Os comentários entram nessa equação e são importantíssimos. Nunca gostei de falar sozinha e prefiro ter opiniões de um grupo de pessoas do que ficar pensando obsessivamente sobre um assunto de forma solitária. Ainda assim, sinto que minhas energias estão se rearrumando.

Ainda não consigo explicar mais claramente o que está se passando; talvez eu esteja apenas reagindo a uma questão que sempre me incomodou: o que escrevo aqui pode ser lido por qualquer um e esse tipo de abertura é complicada. Acho que esse tempo todo fantasiava que apenas quem comentava aqui é que lia o blog, mas é claro que sei que isso não é verdade.

Mas isso é apenas um detalhe.

O importante é que notei que gostaria de escrever algumas coisas aqui mas me censurei. Não por serem coisas impróprias, muito pelo contrário -- até porque tendo a não escrever sobre coisas impróprias, mas apenas fazê-las :c) -- mas por serem coisas íntimas.

É por isso que estou entrando num brake. Pode ser que escreva milhares de posts amanhã ou que demore alguns dias com uma novidade. Ainda não sei, mas queria apenas avisá-los. Beijão, tchau.

Só pra acalmar os amigos queridos: está tudo muito bem com meu urso polar. O lance não é esse. Uma transformação, por mais complicada que seja, nem sempre significa infelicidade. See ya!

Escrito por Maria à s 11:48 PM | Mais: Elucubrações | Comente! (0)

maio 19, 2003

Summertime

Summertime and the livin' is easy
Fish are jumpin' and the cotton is fine
Oh your Daddy's rich and your ma is good lookin'
So hush little baby, don't you cry

Adoro tentar fazer a voz rascante de Billy Holiday... Mas, enquanto cantora de blues, sou uma ótima jornalista... hehehe

Tem feito dias lindos aqui. Ontem estava quentíssimo. Tão quente que dormimos com as janelas abertas. Hoje está chovendo, mas é até bom porque tava quente demais... (20 graus positivos).

P.S.: Se você é brasileiro, mora no Brasil, e é novo aqui no Montanha-Russa, deve estar achando que eu enlouqueci achando que 20 graus positivos é quente. Mas, se estiver curioso(a), procure nos meus arquivos os meses de janeiro e fevereiro e leia o que está escrito lá, quando o mercúrio dos termômetros aqui de Boden estava congelando... Aí entenderás o porquê de tanto fuss...

One of these mornings
You're goin' to rise up singing
Then you'll spread your wings
And you'll take the sky
But till that morning
There's a nothin' can harm you
With daddy and mammy standin' by


(Summertime - George and Ira Gershwin / DuBose Heyward)

Escrito por Maria às 11:10 AM | Mais: Vidinha | Comente! (0)

maio 14, 2003

Ai ai ai...

Quem disse que eu não trabalho?

Lerê lerê, lerê lerê lerê, lerê lerê, lerê lerê lerê

Escrito por Maria às 09:36 AM | Mais: Vidinha | Comente! (0)

maio 13, 2003

Rebeldia

Tô aqui quebrando a cabeça pra escolher um tema sobre o qual vou falar durante cinco minutos na quinta-feira. Prova-teste de sueco. Cinco minutos não é nada, ainda mais pra mim, que falo pelos cotovelos quando estou embalada, mas ainda assim está difícil decidir. O problema é que os temas são tão diferentes e, apesar de serem variados, são quase todos chatos.

Pode-se falar sobre: "Pode ser certo fazer guerra?"; "Uma teoria ética"; "Responsabilidade dos pais"; "Segurança na escola?"; "Cópias piratas" etc. Não disse que não tem nada interessante? Um dos temas é "Uma pessoa modelo - a quem você admira". Poderia até falar sobre isso, mas o problema é que não tenho uma pessoa - apenas uma - a quem admiro sem restrições.

Acho que todo mundo quando olhado bem de perto perde um pouco do seu charme. Se não me engano, o Caetano escreveu em uma música que todo mundo de perto é imperfeito, ou coisa parecida. Nada mais exato. Poderia falar das milhares de coisas que admiro nos meus pais, na minha avó querida, no meu irmão e até nas minhas cachorrinhas. Mas... apenas uma pessoa? Não tenho, não.

Acho que vou escolher esse tema mesmo e me rebelar contra ele ao mesmo tempo. Não dá, simplesmente não dá para ter apenas uma pessoa a quem se considere um "ídolo" sem que se pense que aquela pessoa é gente, que tem mau hálito de manhã e pode ser um pentelho às vezes. É, acho que vou fazer isso. Como eu li por aí, fazer um blog é melhor e mais barato do que fazer análise. *Hohoho*

Escrito por Maria às 03:47 PM | Mais: Universidade | Comente! (0)

maio 09, 2003

2 ANOS DE SUÉCIA

cake.jpg
Como passa rápido...
Escrito por Maria à s 01:36 PM | Mais: Aniversários | Comente! (0)

A vida como ela é

Então, aí você leu o post de baixo e pensou: "Que mamata! Essa garota deve estar se dando bem! Mas, péraí, li todo o bla-bla-bla dela aqui e acho que ela não tem filhos. Que burra! Para de choramingar e embuxa logo, menina, aproveita!". Parece meio grosseiro, né? Mas, acreditem, eu já ouvi isso. O problema é que não é tão simples assim.

Primeiro, o custo de vida na Suécia é um dos mais altos do mundo. Se por um lado tem-se quase tudo de graça (escola, saúde etc), por outro, diversos itens básicos, como comida e moradia por exemplo, saem caros para qualquer um. E não esqueçamos dos impostos, né?

Vamos analisar a situação de Anna Johansson, uma mulher sueca qualquer. Seu salário é de 10 mil coroas por mês (antes do imposto), mas ela irá embolsar apenas sete mil. Três mil são descontados na fonte. Se a nossa Anna mora de aluguel, ela precisa morar mal e pagar cerca de dois mil coroas por um quarto-e-sala. Os cinco mil restantes, têm que ser esticados para pagar as contas de luz e todos os impostos (aqui paga-se licença para tudo, até para se ter televisão e rádio), além de comida, roupas e transporte.

Pouco, né? Se a Anna for casada isso pode melhorar, caso o marido dela trabalhe (ou viva do social, como uma multidão de suecos faz). Aí o casal terá um pouco mais de grana para completar. Mesmo assim, os gastos são enormes, mesmo com a ajuda do Estado.

Uma matéria interessante foi publicada ontem no jornal que eu assino: faz as contas de quanto custa ter um filho. (Os suecos são engraçadíssimos: tudo é tão contabilizado, anotado, declarado. Essa organização me enternece). Bom, voltando. Diz lá na matéria:

Uma criança recém-nascida (0 anos) = 1.450 coroas
1-2 anos = 1.480 coroas
3 anos = 1.170 coroas
4-6 anos = 1.440 coroas
7-10 anos = 1.730 coroas
11-14 anos = 1.930 coroas (meninas) e 1.980 coroas (meninos)
15-18 anos = 2.060 coroas (meninas) e 2.220 coroas (meninos)

Primeiro é importante saber que um dólar é equivalente a sete coroas. Façam as contas se acharem necessário.
Essas contas todas levaram em consideração gastos com comida, roupas, sapatos, higiene, lazer, seguros de saúde e de acidentes pessoais. Segundo a reportagem, a razão dos meninos custarem mais do que as meninas é que os adolescentes homens comem mais.

Imaginem se a nossa Anna Johansson fosse mãe solteira (o que não é incomum aqui - apesar de aborto ser legal e aceito socialmente). Ter de viver e sustentar uma criança com apenas cinco mil coroas por mês é um sacrifício. É... o paraíso não existe, minha gente.

Escrito por Maria à s 11:20 AM | Mais: Cultura e comida | Mais: Europa & Escandinávia | Mais: Vida de imigrante | Comente! (0)

maio 07, 2003

O Estado sueco é uma mãe

Suécia é o melhor lugar do mundo para ser mãe
10:18 06/05 Reuters

WASHINGTON (Reuters) - A Suécia, a Dinamarca e a Noruega são os melhores lugares do mundo para uma mulher ser mãe, enquanto os piores são os países pobres da África, como Níger e Etiópia, revelou um estudo divulgado na terça-feira.

No "Índice Maternal", publicado todo ano pelo grupo Salvem as Crianças, comparam-se as condições de vida de mães e filhos em 117 países, 43 dos quais sob guerra ou recém-saídos de conflitos armados. A Suécia, a Dinamarca, a Noruega, a Suíça e a Finlândia ficaram com as cinco primeiras posições, seguidos pelo Canadá, Holanda, Austrália, Áustria e Grã-Bretanha. Os EUA ficaram na 11a. posição.

O Brasil ficou com 44o. lugar, atrás de Cuba e Chile, ambos no 15o, da Argentina, no 19o. e da Colômbia, no 24o. Segundo o estudo, Níger, Burkina Fasso, Etiópia e Guiné-Bissau ficaram nas últimas posições, junto com Angola, Chade, Mali, Iêmen, Serra Leoa e Guiné.

"De cada 7 mulheres de algumas regiões da África, 1 morrerá durante os trabalhos de parto ou na gravidez. Na Suécia esse número é de 1 a cada 6.000", afirmou Mary Beth Powers, do grupo responsável pela elaboração do índice. O estudo comparou as condições de vida das mães em 19 países desenvolvidos e em 98 países em desenvolvimento, com base em 10 fatores relacionados com a saúde, a educação e o status político das mulheres e dos filhos delas.

Segundo o índice, o nível de educação da mãe e o acesso a serviços de planejamento familiar eram fatores bastante ligados à sobrevivência e ao bem-estar da criança. Na Suécia, 99 por cento das mulheres são alfabetizadas. Na outra ponta da escala, em Níger, apenas 8 por cento das mulheres sabem ler e escrever.


Só alguns comentários. Ser mãe aqui na Suécia é mesmo uma moleza. A única coisa que você precisa se preocupar é com a criança - o que não quer dizer que seja pouco - mas esqueça o estresse constante com médicos, dentistas, dispesas. Teve neném? O Estado te 950 coroas por mês. .

A criança tá com dor de barriga? Leva no médico porque é de graça. Ah, você trabalhava e ficou grávida? Não tem problema. Se você trabalhava há pelo menos dois anos no mesmo local tem direito a um ano de folga recebendo 90% do seu salário. Ah, e a moleza não se estande apenas às mamães não. Se os papais quiserem, podem tirar metade da licença maternidade.

Mas se você ainda se preocupa com o seu filhote e pensa nas contas de dentistas que essa criaturinha estará trazendo ao seu household, não se desespere. Aqui, seu filho tem direito a tratamento dentário de graça até o pimpolhinho completar 19 aninhos. Isso mesmo, dezenove anos.

E tem muito mais. Essa coisa de benefícios e wellfaire é realmente muito incrível. Acho que vou fazer uma série de posts sobre a moleza que é viver nessa terra... (a menos que você seja um imigrante, hohoho).

Escrito por Maria à s 10:58 PM | Mais: Cultura e comida | Mais: Europa & Escandinávia | Mais: Vida de imigrante | Comente! (0)

maio 05, 2003

Eles são ótimos

Nossa, tava lendo o post de baixo e reparei que critiquei a sociedade sueca sem parar. Que horror. Não, não, não. Não é tão ruim assim não, tá? Aliás, não é nada ruim. Eu é que exagerei. Eles, os suecos, são ótimos, muito queridos.

Escrito por Maria à s 09:20 PM | Mais: Cultura e comida | Mais: Europa & Escandinávia | Mais: Vida de imigrante | Comente! (0)

Eu, na ópera

Ah, esqueci de contar. Ainda em Umeå fomos à ópera. Pois é, pela primeira vez na vida fui assistir a um espetáculo desse tipo e tinha que ser aqui, na reservada, ascética e até certo ponto simplória Suécia. Explico meu descontentamento: ópera pra mim, desde que comecei a escutar os discos da minha mãe, contrabandeados da alemanha quando eu era uma meninota, é opulência, tons fechados de vermelho e emoção. A "Tosca" que eu vi na ópera de Umeå foi uma versão muderna e simplíssima - pobre, eu diria - da obra de Puccini.

Os cantores, todos suecos, com exceção da Tosca propriamente dita, que era italiana, eram bons, mas, sei lá, posso estar errada, mas onde sobrou técnica faltou emoção (o que pode ser um resumo da sociedade sueca como um todo, aliás). O enredo da ópera foi adaptado para os dias atuais, mas se você não tivesse lido o programa, não entenderia o que estava se passando. Acho que normalmente, lê-se o enredo geral, fica-se sabendo o que acontecerá no primeiro ato e depois espera-se que possa-se seguir a trama naturalmente.

Mas não foi isso o que aconteceu. Precisei ler o que compunham todos os três atos para poder entender o que estava se passando com aquelas pessoas todas na minha frente. O segundo ato, cujo enredo eu já esqueci completamente, foi um horror. Não sei se foi por causa do cenário (tudo creme. Um sofá no centro, duas mesinhas simetricamente posicionadas e uma TV, de costas para o público) ou se fui eu que sou burra, mas o fato é que dormi. DORMI.

O último ato, no entanto, quando a Tosca se mata, foi bacana. A cantora italiana (magrinha, alta, parecia uma sueca) se joga lá de cima do alto do palco e cai embaixo da orquestra, onde devia ter um colchãozão. Foi bacana porque é sempre lindo ver pessoas atuando ao vivo, além de ouvir vozes tão lindas. Mas achei que a Suécia precisa deixar de ser tão ascética para poder produzir um espetáculo tão cheio de emoções, traição, morte e mentiras.

Aqui tem um resumo da história da "Tosca". (Em inglês).

Escrito por Maria à s 03:17 PM | Mais: Cultura e comida | Mais: Europa & Escandinávia | Mais: Vida de imigrante | Comente! (0)

maio 02, 2003

Voltei

Hoje que eu voltei a fim de escrever, o Blogger sai do ar. Bom, mas se vocês estão lendo isso aqui é porque ele já voltou a funcionar. Obrigada pela paciência e pelas visitas que continuaram a acontecer mesmo sem renovação do Montanha. Fiz um monte de coisas nessas últimas semanas e acabei sem tempo (nem vontade) de sentar na frente do computador para escrever.

Curti muito meu urso polar, que tinha uma folguinha acumulada. Fomos ao cinema, saimos para andar no "calor" da primavera sueca, visitamos amigos e parentes, vimos TV, cozinhamos, planejamos, tivemos idéias. Depois da Páscoa eu fui para Umeå, uma cidade universitária mais para o sul, distante cerca de quatro horas de carro de Boden.

Fui passar uns dias com minha amiga Sonia, que é uma médica de Campinas também casada com um sueco. Ela está fazendo um curso especial para médicos imigrantes que precisam de uma aculturação tanto linguística como legal sobre o sistema de saúde desse país. Fui lá xeretar porque adoro estudar e gosto muito da Sonia.

Foi o maior barato. Conheci seis médicos iraquianos, uma patologista iraniana, um hematologista sérvio, uma enfermeira tailandesa, uma médica-geral da Estônia e um médico albanês, educado na Universidade de Bologna, na Itália. Além disso, tive oportunidade de fazer um reality check com relação aos meus avanços por aqui.

Todos elogiaram meu sueco, inclusive as professoras, muito legais. Aliás, isso foi uma coisa interessantíssima. Uma das professoras do curso, Vesna, veio da Bósnia. Ela veio para a Suécia há dez anos fugida na pior fase da guerra que destruiu a Iugoslávia. Fiquei impressionadíssima porque ela veio pra cá fugindo, com os filhos debaixo do braço, deixando uma família morta para trás, e ainda assim, fez faculdade aqui, fala sueco sem sotaque e ensina legislação médica.

Fiquei encantada.

Aliás, entre as muitas coisas interessantes que reparei na dinâmica do grupo de médicos, a que mais me chamou a atenção foi a aparente calma com que os três grupos étnicos da antiga Iugoslávia se tratavam. O médico sérvio, Vladimir, se achava o melhor do grupo, apesar de falar um sueco muito fraquinho. Descobri que os sérvios são uma espécie de argentinos: se acham superiores a tudo e a todos.

No entanto, a Vesna, professora bósnia, era educadíssima, a ponto de parecer que tomava um especial cuidado em não desagradar o cara. Tudo para evitar que qualquer alusão à situação de guerra deteriorasse a relação professora-aluno estabelecida. Enquanto isso, o albanês, muito gente boa, era gostado por todos no grupo.

Dentre as muitas conclusões que tirei, uma em especial me pareceu mais importante: preciso encontrar um desafio para mim aqui. Apenas as aulas de sueco não são suficientes para me deixar satisfeita. Preciso de mais desafios, aulas difíceis, necessidade de disciplina e de estudos prolongados. Maluca, eu? :c)

Escrito por Maria às 11:12 AM | Mais: Vida de imigrante | Comente! (0)