julho 31, 2003

Faxina

Sem brincadeira, não entendo como ainda tenho uma vastíssima cabeleira. Sim, porque basta olhar nos cantos do apartamento, onde o vento literalmente faz a curva, pra ver tufos e mais tufos da preciosa cobertura do meu couro cabeludo devidamente embolados com seus colegas, os tufos de poeira.

Ai, preciso de um dia num spa...

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julho 30, 2003

Bulle, a receita

Atendendo a pedidos, aqui vai a receita do bulle sueco:

Ingredientes:
150 gramas de manteiga
50 gramas de fermento*
5 decilitros** de leite
1 decilitro*** de açúcar
1/2 colher de chá de sal
2 colheres de chá de kardemmuma (se tiver - não faço idéia do nome disso em português)
850 gramas de farinha de trigo

Recheio:
100 gramas de manteiga em temperatura ambiente
1 decilitro de açúcar
2 colheres de mesa de canela (pode colocar mais dos dois ou mudar o recheio pro que você quiser)

Para pincelar:
1 ovo
açúcar pérola (acho que chama "açúcar de confeiteiro" no Brasil)

Como fazer:
1) Derreta a manteiga numa panela. Adicione o leite e deixe esquentar até que atinja 37 graus (você pode verificar a temperatura mesmo sem termômetro. Basta sentir a mistura com o dedo. Quando estiver quente mas você ainda conseguir sentir com o dedo sem se queimar, está no ponto).

2) Esfarele o fermento numa tigela. Coloque a mistura de leite e manteiga e mexa até que o fermento se dissolva completamente. Adicione açúcar, sal e caso tenha, a Kardemmuma.

3) Meça a farinha. O importante aqui é despejar a farinha do pacote de forma a que ela caia direto na balança sem que você precise apertá-la por cima. É preciso que haja um pouco de ar no meio dos 850 gramas, senão fica farinha demais.

4) Adicione a farinha ao resto, mas guarde meio decilitro para trabalhar a massa depois.

5) Trabalhe a massa fortemente. Se tiver máquina, por cinco minutos. Se for na mão, dez minutos, até que a massa esteja lisa, fácil de se trabalhar.

6) Deixe a massa descansar por 30 minutos debaixo de um pano de prato.

7) Com o resto da farinha por sobre a mesa, divida a massa em quatro partes. Abra a massa com um rolo até que fique bem fininha.

8) Pincele com a manteiga por sobre toda a superfície da massa e logo depois coloque o açúcar e a canela em doses generosas.

9) Enrole a massa na forma de um rocambole e corte com uma faca as porções individuais.

10) Coloque os bulle já cortados num tabuleiro untado ou com papel especial para bakery. Deixe-os descansar por baixo de um pano de prato por mais 40 minutos.

11) Pincele com os ovos batidos e coloque o açúcar pérola por cima e asse no forno quente a 250 graus de cinco a oito minutos - ou até que eles fiquem com uma cor douradinha.

12) Deixe os bulle esfriar debaixo do pano de prato.

* Atenção pra esse ponto: uso 50 gramas de fermento fresco aqui na Suécia, com a temperatura e as condições atmosféricas daqui (humidade etc). Acho, no entanto, que essa quantidade de fermento pode ser demais se você estiver no Brasil, por exemplo. Isso porque tentei fazer um pão sueco pra minha mãe lá no Rio e, conforme a receita, tinha que colocar 50 gramas de fermento. O pão ficou uma pedra salgada.

** 1 decilitro = 100 ml (mililitros)

*** 1 decilitro de açúcar = mais ou menos 80 gramas.

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julho 29, 2003

Jardins Abertos

No último domingo fui visitar quatro jardins aqui na região onde moro. É que foi o dia do "Jardim Aberto", ou Öppen Trädgård, no qual casas particulares espalhadas pelo país inteiro abrem seus portões aos visitantes que podem andar livremente pelos jardins e até comprar mudas de plantas. A casa em si, claro, fica fechada a visitação. Eu, câmera digital em punho, fiquei maluca com tantas plantas lindas, algumas exóticas, flores magníficas e as pedras cheias de musgo (mãe, essa é pra você!).

O impressionante desses jardins é que durante metade do ano eles ficam cobertos de neve e o solo, congelado. Me exaltei tanto que tirei quase 70 fotos. (!!!) Aqui estão algumas delas, divididas em categorias pra facilitar a visualização. Coloquei thumbnails leves para que vocês pudessem abrir o blog sem problemas e, apenas se quiserem, clicar nas fotos e vê-las maior. Espero que a página não fique muito pesada, mas se estiver, por favor, me avisem por email ou deixe um comentário, ok?

Imagens gerais dos jardins




Lírios de todas as cores




Pequenas casas de jardim e outros detalhes




Rosas de todas as cores




Canteiros de flores e plantas




Flores exóticas






Hoje é aniversário da minha avó Celia. Parabéns, vó. Muitas dessas fotos eu fiz pensando em você.
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julho 28, 2003

Bulle: uma instituição nacional


Mesmo no meio do frenesi de ler o Harry Potter até o final (não tenho tido tempo de ficar em casa sem fazer nada, acreditem se quiser), ainda arrangei tempo pra fazer bolinhos de café suecos. O nome original dos bolinhos é bulle, e eles são uma mania nacional. (A primeira foto mostra a massa antes de ir pro forno. A segunda, os bolinhos já prontos.)

Aliás, se você pensava que o Brasil era a nação do café, pode ir mudando de idéia. Isso porque Finlândia e Suécia respondem pela maior parte da ingestão de café do planeta - e não é aquela "água suja" que os americanos bebem não. O café fortíssimo é acompanhado pelo bulle - que na verdade são pequenos pães doces, recheados com açúcar e canela.

A combinação café+bulle é uma instituição social, cujo nome, fika, representa uma pausa institucionalizada em todos os locais de trabalho, órgãos públicos e casas particulares. Para-se tudo para se beber café e comer bulle. Todos os dias às 9h30m e às 14hs é considerado descortês fazer qualquer tipo de requisição profissional. Afinal, ir fazer a sua fika é fundamental para se formar contatos, relaxar do trabalho e conversar sobre o tempo (outra mania sueca).

Eu acho essa coisa de fika uma pentelhação, sinceramente. Apesar de gostar dos bulle, esse negócio de ficar interrompendo o trabalho toda a hora é um saco. Nos dois locais onde trabalhei era um suplício: mal chegava de manhã, sentava, lia emails e já eram nove e tanto. Pára tudo pra fika. Depois mais duas horinhas, pára tudo pro almoço. Volta, mais duas horinhas, fika novamente. Depois mais um pouco de trabalho e vai todo mundo pra casa.. jantar.

Não que eu não goste de conversar sobre o tempo ou de comer, mas sou uma criatura que precisa se concentrar no que está fazendo. Acho um saco ter que interromper a toda a hora. Mas reconheço que a fika tem seus méritos sociais. Sem esse espaço paralelo não sei como as pessoas conseguiriam se falar nesse país (nunca vi tanta gente tímida e inibida como aqui).

Escrito por Maria às 10:25 AM | Mais: Cultura e comida | Comente! (0)

julho 26, 2003

Vou te contar uma coisa...

... Deveria ser proibido lançar qualquer livro do Harry Potter no verão. É uma tremenda sacanagem. Explico: o dia está lindo, lindo, lindo. Quente, delicioso. E eu aqui, em casa, capaz apenas de vir aqui ao computador para respirar... Mas o que eu quero mesmo é meter a cara no livro e ler as mais de setecentas páginas até acabar... Ó, céus.

Atualização às 23hs - Estava esvaziando minha maquininha digital e achei fotos passáveis da casinha de descanso onde ficamos no nosso piquenique, sobre o qual escrevi logo ali no dia 22/07. Vejam que coisa mais linda:

Escrito por Maria às 04:34 PM | Mais: Livros | Comente! (0)

Difícil

Sonhei muito à noite. Sonhei com a minha avó Celia, que está muito doente, sendo cuidada pela minha mãe com uma paciência e um carinho que me impressionam. Sinto muita falta da minha avó. Tem partes dela espalhadas por toda a minha vida. No jeito em que falo, em que amo, na forma em que me expresso. Sou consciente de que sou o resultado de forças combinadas. Só que além do pai e da mãe, na minha equação tem mais um componente. Minha avó não era apenas avó. Era muito mais. E exatamente agora releio o que acabei de escrever e vejo que escrevi no passado: "minha avó era", ou invés de "é". Nunca ninguém me disse que não era pra sempre. Eu não contava com o desgaste da vida. Eu via você tão doce e forte que esquecia de te ver como um ser humano. Que saudade, vó!

Shiva Shakti
Eu dormia e sonhava que a vida era alegria. Despertei e vi que a vida era serviço. Servi e aprendi que o serviço era alegria.
Rabindranath Tagore

Copiado da Bia Badaud, sempre inspirada. Mãe, esse post é pra você.

Escrito por Maria às 02:59 PM | Mais: Saudade e sonhos | Comente! (0)

julho 24, 2003

Fullgás

Todos vocês sabem que eu adoro correio, né? Pois então, um dia atrás o cara das entregas rápidas veio aqui e deixou um pacote pra mim. A sorte é que Stefan estava atento porque nós estávamos saindo de casa, já no carro, quando vimos o cara parar o caminhão em frente ao nosso prédio. Era um pacote da Marcia Aguiar, que me mandou um CD da Norah Jones (sempre quis ter!), um CD acústico da Marina (Ah, o sotaque dela me aquece o coração), um pacote de biscoitos mentirinhas "Kedelícia", um íma de geladeira dos Beatles lindo e um bloquinho promocional da Marina. Marcia, já te disse isso por email, mas nunca é demais: obrigada pelo seu carinho! Beijão!

Estou aqui escrevendo com meus óculos novos, que fui buscar na terça-feira. O cara ainda estava tão sem graça por toda a trapalhada de que foi responsável, que fez óculos escuros para mim e para Stefan de graça. Paguei menos da metade do custo dos óculos - o equivalente apenas ao preço da armação - e ainda acho que paguei muito. Agora estou com dor de cabeça porque minha vista precisa se adaptar aos óculos. :c( Ó vida...

Não vamos mais para a Noruega. Tanto eu quanto Stefan estávamos achando que o nosso carro, meio velhinho apesar de funcionar bem, não iria dar conta das serras mais do que pronunciadas dos fiordes. Vamos deixar pruma outra oportunidade.

Sonhei que 67 pessoas estavam online ao mesmo tempo aqui no Montanha-Russa. Fiquei tão surpresa e feliz... hehehe.

Escrito por Maria às 09:50 AM | Mais: Variedades | Mais: Vidinha | Comente! (0)

julho 22, 2003

Piquenique no paraíso

Sim, amigos e amigas, eu já fui ao paraíso e voltei pra contar a história. O nome do lugar é Selets Bruk, distante cerca de 30 minutos de carro da minha casa. Foi uma descoberta e tanto. Fizemos um piquenique com direito a churrasquinho, café, torta de banana e salpicão. Estavamos lá eu+Stefan e mais dois casais braso-suecos: Sonia+Lars-Åke e Milena+Roger.

Depois de andar por caminhos que pareciam encantados e quase ver elfos e fadas, comemos ao lado do rio, jogamos um equivalente sueco ao jogo Masters, rimos muito e tivemos uma tarde ma-ra-vi-lho-sa. Assim que acabamos de comer, começou a chover - estava quentíssimo e, claro, muito úmido.

Quando eu ainda estava me recuperando da tristeza de ter que ir embora, descobri que iríamos para uma casinha toda feita de madeira, no meio da floresta. São as chamadas Raststugor, ou as "casas para descanso" [rast = descanso; stugor = casas], que ficam destrancadas a espera dos veranistas pegos de surpresa por algum contratempo. Fiquei boba.

A casinha tinha duas mesas, bancos e cadeiras, um forno para aquecer no inverno e estava conservadíssima, parecendo que alguém tinha acabado de limpá-la. Ficamos conversando até nove da noite, quando a chuva parou e o sol saiu (sim, o sol se põe nessa época do ano lá pelas onze da noite). Já estamos combinando de voltar lá o mais rápido possível... Quem sabe dessa vez encontraremos um elfo? Clique nas thumbnails abaixo e tente achar um troll.:cD



Escrito por Maria às 11:38 AM | Mais: De bem com a vida | Comente! (0)

julho 20, 2003

Livros

Comecei a ler o quinto livro do Harry Potter dia 16, logo depois do meu aniversário. Pra variar, estou mais do que viciada. Cada vez que pego livro pra ler (todos os dias antes de dormir) tenho uma sensação ao mesmo tempo boa e ruim. Boa porque estou lendo um livro maravilhoso, divertido, bem escrito, delicioso. E ruim porque a cada página que leio, o livro vai chegando ao fim.

Tenho essa sensação sempre que leio os livros da JK Rowling, desde quando comprei meu exemplar de "Harry Potter and the Sorcerer's Stone", em 1999. Mas já senti isso antes. Foi quando fiz 15 anos e ganhei da minha tia Alaíde "A Casa dos Espíritos", da Isabel Allende.

Nunca vou me esquecer desse livro. O trouxe pra Suécia, como um dos poucos sobreviventes da minha bibliotequinha que me acompanharam por sobre o Atlântico. Cada página que eu lia sentia uma deliciosa sensação de prazer ao mesmo tempo em que me angustiava com o inevitável fim do livro. (Não julgue a história se você viu apenas o filme, com Glenn Close e Jeremy Irons. O livro é muito melhor.)

Outro dia estava mergulhada nas aventuras do Harry quando pensei: "Imagina quando eu terminar de ler o sétimo livro... Como é que vai ser?" Bom, nem quero pensar nessa possibilidade... ainda :c(

Escrito por Maria às 01:48 PM | Mais: Livros | Comente! (0)

julho 19, 2003

Conversa fiada

Comentei que ganhei um dos livros de culinária da Nigella de aniversário? (Tack, Milena!!!) Tem cada receita de-li-ci-o-sa! Uma das que mais gosto é a de uma mousse de chocolate branco com maracujá. Que delírio. O problema é encontrar maracujás frescos por aqui.

Aliás, se lembram que uma vespa me mordeu? Pois é, doeu no dia, mas depois passou. O mais engraçado é que dois mosquitos me morderam quase que no mesmo lugar (dedo mindinho do pé direito) e o negócio está super inchado. Acho que sou imune às vespas, nas não aos mosquitos...

Amanhã vou fazer piquenique numa reserva natural aqui perto. Está um calor de louco aqui. Húmido também. Dormimos com as janelas todas escancaradas e é até por isso que os mosquitos fazem a festa comigo... Tremendo banquete.

Ah, sabem a última do ótico maluco? Stefan foi buscar finalmente a lente que estava sem o grau de astigmatismo dele. O cara veio todo meloso, querendo bancar o bom funcionário etc. Foi quando ofereceu a Stefan, sem custos adicionais, lentes de óculos escuros para se colocar por sobre os óculos dele (por encaixe). Stefan até achou uma boa idéia e aceitou. Aí o cara disse: "Ah, sim, mas não tenho as lentes exatas pros seus óculos, então vou ter que mandar fazer".

Hahaha. No próximo verão meu urso polar poderá ir buscar seus novos óculos escuros...

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julho 18, 2003

Os óculos: uma novela

Estão lembrados da história dos meus óculos, sobre a qual escrevi há cerca de um mês atrás? Pois então, a novela ainda não terminou. Depois de tê-los ido buscar no início de julho e ter reparado que a armação e o grau estavam errados, resolvi ligar ontem pra saber se finalmente eles haviam chegado. E tinham mesmo. Só que dessa vez com o modelo das lentes errado. Acredite se quiser.

A gente imagina que um cérebro com capacidade normal é capaz de entender quando se encomenda um óculos com uma armação X e um tipo de lente Y. Faz-se isso todos os dias em todas as óticas do planeta. Mas parece que o verão é um tempo em que os suecos relaxam mais do que seus corpinhos no sol. Minha sensação é que não há gente pensante nessa terra no mês de julho.

De qualquer forma, fomos lá na ótica porque simplesmente não podíamos entender o que estava acontecendo. A trapalhada era completa. Stefan começou a falar grosso com a recepcionista que logo nos passou para o óptico, o desgraçado que nos examinou errado. Sem que tivéssemos combinado antes, Stefan e eu fizemos a tática do "bad cop-good cop" - ele baixando o sarrafo e eu apenas balançando a cabeça a dizendo que estava muito desapontada com o cara.

... Hohoho ...

Vocês precisavam ver: o fulano foi ficando vermelho, sua mão tremia (eu e Stefan notamos) e ele olhava cada vez mais pro chão. Uma c-o-i-s-a. Quase senti pena do coitado. Anyway, depois disso, vamos tentar conseguir um preço bem camarada para os meus óculos, ainda mais porque os óculos do Stefan ainda não estão perfeitos. Sim, esse infeliz esqueceu de colocar o grau de astigmatismo do meu Urso Polar na receita das lentes, pode??? Santa Incompetência!!!

Escrito por Maria à s 11:27 AM | Mais: Irritação e ironia | Comente! (0)

julho 17, 2003

Campanha

Cês viram que alguns colunistas do Globo estão fazendo blogs? Muito bacana a idéia, mas quero só ver se eles terão mesmo tempo pra atualizar as páginas. Tem gente muito interessante lá, como o João Ximenes Braga - que é um típico blogueiro - e o Cat, entre outros. Uma coisa, no entanto, deixou a iniciativa com gosto de quero mais: está faltando o blog da Ana Cristina Reis. Alô, alô Globon!!! Sem a Ana Cristina não dá!

Escrito por Maria às 10:45 AM | Mais: Cultura e comida | Comente! (0)

Um dia nas corredeiras

Antes de mais nada quero agradecer todas as mensagens tão legais que vocês me mandaram, os comentários, os cartões e os emails. Obrigada!!! Queria ter escrito ontem, mas resolvemos ir até Storforsen, um lugar lindo que fica a cerca de uma hora de carro daqui de casa. (Veja, na foto, meu Urso Polar em meio as ondas enlouquecidas)

É, como o nome indica [stor = grande; forsen = corredeira], uma corredeira imensa, cheia de pedras, árvores, pequenos rios subsidiários, musgo e plantas. É lá também que fica a nascente e um dos rios da região. Além das corredeiras propriamente ditas, em volta há pedras milenares, locais para se fazer fogueiras, um hotel liiiiindo e, claro, um camping.

Já tinha ido à Storforsen em 1999, quando vim visitar a Suécia pela primeira vez, e fiquei encantada com a beleza do local. Storforsen é uma reserva natural aqui do norte da Suécia, com fauna e flora características. Lá no site oficial li que Storforsen já era importante na Idade da Pedra, e ainda guarda resquícios da utilização dos habitantes daquele tempo, como casas semi-subterrâneas, locais utilizados especialmente para cozinhar e caçar.

Ontem fez muito calor. O termômetro aqui de casa estava marcando mais de 30 graus quando saímos e a humidade está altíssima - cerca de 80% - o que é anormal. Num dia de verão comum, a humidade fica em torno dos 30-40%. Anyway, quando paramos em uma das rampas que circundam as corredeiras, senti um aperto no peito e chorei.

O lance é que toda essa humidade, a água correndo debaixo dos meus pés, o spray das ondas e o cheiro de água levemente salgada me fizeram lembrar do Rio. Me lembro quando chegava à Urca no final da tarde, início da noite (nos dias em que saía cedo do trabalho), abria a janela do carro e um cheiro doce de maresia invadia meu peito.

Ah, que delícia.

Escrito por Maria à s 07:55 AM | Mais: Europa & Escandinávia | Comente! (0)

julho 15, 2003

HOJE É MEU ANIVERSÁRIO!!!!!!

Pois é, é hoje. Estou fazendo 32 anos (nooooooooossssaaaaa!!!!) e está tudo bem. Acordei com meu Urso Polar trazendo uma bandeja com café na cama com direito a bandeirola sueca e tudo. Telefonema da minha mãe, que acordou às cinco da matina apenas pra ser a primeira a ligar pra mim (aqui já eram dez da manhã). Pelo telefone ela me contou da caixa que está preparando pra me mandar. Ganharei blusas, livros e suplementos variados. Às quatro da tarde daqui (11 horas no Rio) será a vez de falar com meu irmão+pai+Cristina. Alegria e saudade.

O dia está lindo e quente. No sol, o termômetro marca 32 graus. Na sombra, 24. Só de ver tudo verdinho do lado de fora da janela me dá uma alegria que acho difícil explicar. O calor me dá conforto e me faz sentir em casa.

Estavamos ouvindo Louis Armstrong cantar...


"You go to my head with a smile that makes my temperature rise
Like a summer with a thousand Julys
You intoxicate my soul with your eyes
Though I'm certain that this heart of mine
Hasn't a ghost of a chance in this crazy romance
You go to my head"

... quando toca a campainha: é o carteiro, entregando um pacote. Selo do correio Real de Vossa Majestade a Rainha Elisabeth. Marcinha, a doce Marcinha, que foi uma grande descoberta que fiz graças ao meu blog, me mandou presentes (sim, mais do que um) lindos. Tudo o que eu gosto: uma caixa linda de chocolates Cadbury's, uma caixinha de chá inglês de pêssego e maracujá e ainda um kit de massagem para pés da Body Shop (aaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhh!!!! Vocês sabem que eu amo Body Shop, né?)

Marcinha and Mr. M, what can I say? THANK YOU!!! I'm touched by your tenderness. I loved everything!!! Thanx!!!

Mas ganhei mais presentes! Meu Urso Polar me deu dois DVDs: "You've Got M@il", com a Meg Ryan e o Tom Hanks (A-D-O-R-O!!!) e um dos meus filmes favoritos, "Contato", com a Jodie Foster (A-D-O-R-O!!!!!); minha sogra e a irmã do Stefan me deram "Den Röda Vargen", livro mais recente da Liza Marklund, uma escritora sueca de que gosto muito; Sonia e Lars-Åke me deram uma caixa linda, com a imagem de rosas e borboletas (quando vi essa caixa, vi minha avó Celia ao meu lado, admirando a beleza da caixa, elogiando as cores...); e da Erika e Roger, um casal amigo de Stefan, ganhei uma garrafa de Bailey's, uma das únicas bebidas de que realmente gosto. Recebi cartões lindos da minha querida amiga braso-californiana Ana Flavia e do maridão Jeff, da Suyaen e da Andrea. (Obrigada, meninas!)

Estou feliz, apesar de sentir saudades da minha família. Mas tudo bem. Stefan está aqui e está feliz. Então, eu estou feliz. :cD

Escrito por Maria à s 12:07 PM | Mais: Aniversários | Comente! (0)

julho 12, 2003

In Love

Como diria minha avó Celia, ontem eu fiz uma travessura... Respirei fundo, tirei uns cobrezinhos da poupança e comprei uma câmera digital pra gente (= pra mim). Comprei uma Ixus V2, a menos complicada das câmeras digitais da Canon, mas que tem qualidade de imagem e a maioria das firulas dos outros modelos mais caros.

Estamos apaixonados. Eu e Stefan não deixamos a máquina descansar. Ainda não me acostumei, no entanto, com o fato de poder tirar fotos sem parar e nem me preocupar com o tamanho do filme e a grana que seria gasta na revelação. Sou uma criatura em descoberta de um novo mundo (mais um).

Hoje é aniversário da Alê, queridoca, parabéns!!!


PS.: O fundo psicodélico foi idéia de Stefan, que é meio maluco (caso vocês ainda não tenham percebido...)

Escrito por Maria às 08:33 AM | Mais: Vidinha | Comente! (0)

julho 11, 2003

Monstro de olhos verdes

A Suyaen me enviou uma matéria da BBC sobre um estudo feito sobre o ciúme em diferentes países. Diz a matéria:

(...)
Gary Brase, da Universidade de Sunderland, na Grã-Bretanha, analisou o ciúme em muitos países e encontrou as diferenças esperadas entre homens e mulheres. Ele descobriu que a maior diferença entre homens e mulheres ocorre no Brasil e, a menor, no Japão. [Precisa ser cientista pra saber disso???] Outra descoberta foi que na Suécia as mulheres estavam mais preocupadas com o fato de seus parceiros terem sexo com outra pessoa.

Analisando a pesquisa com profundidade, Brase notou que a taxa de fertilidade do país pareceu fazer uma grande diferença. Países com altas taxas de fertilidade, como o Brasil, têm homens com muito ciúme da conduta sexual de suas parceiras. Homens em países com menor fertilidade, como o Japão, se preocupam menos com isso. Brase acredita que o resultado reforça a visão evolucionária para a origem do ciúme.

Uma conclusão possível: por mais que o homem esteja em constante evolução desde o Início dos Tempos, essa necessidade atávica de passar seus genes adiante nos faz sempre lembrar que deixamos de morar em cavernas "ontem".

Escrito por Maria à s 12:35 PM | Mais: Elucubrações | Comente! (0)

julho 10, 2003

Vespas, marimbondos e outros bichos

Estava lendo o jornal hoje mais cedo quando sinto uma dor forte no dedo mindinho do meu pé direito. Quando olhei pra ver o que era, vi uma vespa enoooooorme grudada em mim... Pois é, uma vespa sueca fez um lanchinho nos meus dedinhos, mas graças a Deus não deixou o ferrão.

O mais engraçado é que pela segunda vez na mesma semana acordei Stefan pra ele me fazer companhia/me consolar/fazer Primeiros-Socorros. A primeira vez foi uns dias atrás, quando amanheci com uma dor de cabeça tão violenta que não conseguia enxergar direito (enxaqueca é uma m*rda).

Hoje, depois que saltitei até a cama, Stefan foi lá no tapete da sala e matou o bicho que, segundo ele, já deveria estar morrendo de qualquer jeito. Meu Urso Polar disse, no melhor estilo sueco-protetor-da-natureza: "Foi você quem o provocou, pisando nele." Well, tudo bem, mas foi sem querer!!!. Meu dedinho está latejando, doendo, mas nada fora do normal.

Minha experiência com picadas de insetos brabos é extensa. Além de ser um banquete vivo para mosquitos variados, que deixam suas marcas vermelhas e inchadas, quando era pequena fui mordida na barriga por um marimbondo enlouquecido. Essa sim, foi uma dor alucinante. Essa vespa sueca, coitada, não dá nem pra saída se comparada com o marimbondão brasileiro.

Escrito por Maria às 10:29 AM | Mais: Vidinha | Comente! (0)

julho 09, 2003

Só coisas boas

Fomos buscar hoje o nosso livro do Harry Potter, que será devidamente devorado primeiro pelo meu urso polar e depois por mim. Estou no meio de outro livro agora, "Danslärarens Återkomst", do Henning Mankell*, e não quero interromper.

Nos demos de presente um jogão, tipo Masters, para levarmos para a Noruega no final de julho. Passamos a tarde de hoje jogando e rindo pra caramba. Imaginem eu tentando acertar as perguntas sobre palavras suecas? Só digo uma coisa: Stefan fazendo mímica é a coisa mais hilária do planeta. :cDDD

Ah sim, só pra completar: o dia está liiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiindo.

* Veja uma matéria feita pelo jornal inglês Guardian sobre o autor sueco.

Escrito por Maria às 05:19 PM | Mais: De bem com a vida | Comente! (0)

julho 07, 2003

Cancerianos em marcha pela dominação do mundo blogueiro

Depois dizem que essa coisa de astrologia é besteira. A descrição dos nativos de câncer inclui noções de necessidade de organizacão, família (entram aí gatos e pássaros para os Childfree), amigos, casa, história, passado etc. Pois bem. Ter um blog nada mais é do que escrever sobre todas essas coisas de uma forma bem pessoal. Que me desculpem os dissidentes - que ousaram nascer em outros meses que não o duo maravilha junho-julho - mas nada mais canceriano do que ter um blog.

E pra reforçar ainda mais essa noção, desde que comecou o mês de julho descubro cada dia mais um feliz canceriano-dono-de-blog comemorando seu aniversário. O mais incrível (ou esperado) é que são tutti buona genti: Marcinha, Fran, Alê (e irmão), Renatinha, Mauro (e Lydia), Cido, além da pródiga Meg, que também faz parte da gangue, entre outros. Tô esquecendo alguém? Desculpem-me. Cancerianos esquecidos, não guardem essa mágoa contra mim até o fim do milênio. Além de não adiantar nada, eu não consigo ver a "tromba" de vocês através do monitor. Deixe um comentário que eu adiciono seu nome à lista, ok?

PS.: Como é que eu sei sobre a mágoa milenar e a tromba canceriana? Sim, você adivinhou certo. Eu também sou canceriana-dona-de-blog. :cD

Escrito por Maria às 02:04 PM | Mais: De bem com a vida | Comente! (0)

julho 05, 2003

Notícias do Primeiro Mundo II

Pensaram que eu exagerei quando comentei do estresse de se tirar carteira de motorista aqui na Suécia??? Então leiam a seguinte notícia:

Reprovado - ameaçou matar o inspetor

Um aluno que foi reprovado depois de tentar pela terceira vez fazer a prova prática de auto-escola ficou enlouquecido e ameaçou matar o inspetor que lhe aplicou a prova, escreveu o jornal Göteborgs-Posten (da cidade de Gotemburgo, sudoeste do país).

O inspetor deu parte à polícia, mas o aluno foi liberado por ordem do juiz. O advogado de acusação Jim Halvarsson, da cidade de Skövde, deverá apelar do veredicto a uma instância superior em setembro.

A notícia original, em sueco, está aqui.

PS.: Não estranhem a falta de nomes das pessoas na notícia. Não foi apuração descuidada da minha parte não. O negócio é que aqui na Suécia é proibido divulgar o nome de qualquer pessoa envolvida em crimes antes dessa pessoa ser julgada e condenada. Se, pelo lado ético, esse respeito é fundamental para evitar erros e impedir que vidas sejam destruídas, por outro lado, o jornalístico, as notícias ficam genéricas demais, o que me dá nervoso. Outro dia o jornal que assino aqui fez o título de uma matéria assim: "Mulher esfaqueia mulher no abdome".

Escrito por Maria à s 02:22 PM | Mais: Europa & Escandinávia | Comente! (0)

Paciência...

A Suécia pára no verão. Não tem essa de fazer revezamento para tirar férias durante o ano. Em julho todo mundo entra de férias, as lojas trabalham em horas reduzidas e é complicado ter acesso a um serviço bem prestado. Ainda estamos esperando uma solução para o problema dos nossos óculos; estou esperando meu livro do Harry Potter; etc... Que saco!

Nada a ver: Às vezes me pergunto sobre a vida: Is that all there is?

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julho 03, 2003

Rodando por aí

Chegamos em casa ontem, depois de passarmos dois dias na casa da Sonia e do Lars-Åke, casal amigo braso-sueco. Eles têm um "gård" [gôôrdd], palavra que literalmente quer dizer "jardim", mas que também se aplica a casas maiores, com jardinzão, espaço e, no caso dos nossos amigos, acesso à água. A casa fica em Luleå (cidade maior aqui do norte, distante 30 minutos de carro de Boden).

Vou me repetir, mas têm feito dias lindos. De fato aqui no norte da Suécia é que o verão chegou de vez, com temperaturas em volta dos 25 graus positivos todos os dias. A galera lá do sul maravilha está penando com chuvas contínuas e um friozinho chato pra essa época do ano. No centro de Luleå, o termômetro marcava ontem às 11 horas da manhã 28 graus... Imaginem!

Eu e Sonia fomos à cidade para passear, ver lojas e comprar umas coisinhas absolutamente necessárias, como um cortador de massa de nhóqui (é assim que se escreve isso?). Rodamos tanto, tinha tanta gente nas ruas (milagre!!!), que nós duas ficamos cansadas mas de muito alto astral. Muito bom.

Quando estávamos nos encaminhando para o carro, ouvimos um som doce, uma música suave. Quando olhamos pro lado, vimos uma artista de rua, uma moça, cantando Bossa Nova e músicas brasileiras em geral acompanhada por um cara tocando violão. Ela vestia uma camisa com uma bandeira estilizada no Brasil e entoava com razoável competência "Brasil/ Meu Brasil brasileiro...". Demos a nossa contribuição e ficamos cantando um pouco.

Conversamos um pouco com ela depois. Ela falava um português perfeito, mas não era nem brasileira nem portuguesa, mas francesa. Ela morou um ano no Brasil quando era pequena (ela devia ter uns 20 e poucos anos) mas o pai dela ainda vive no Brasil. O camarada com quem ela estava dando a sua performance era russo, de São Petersburgo. Não sabia uma palavra de português. É estranho ouvir português cantado no meio da rua no norte da Suécia. Mas a sensação é boa. Dá vontade de sair cantando alto depois... :c)

Escrito por Maria às 08:32 AM | Mais: Vidinha | Comente! (0)