agosto 31, 2003

Sobre o Montanha-Russa, a vida e as mudanças

É tão frustrante vir aqui e não poder ler os comentários de vocês! Mais uma vez fica comprovado que um blog não é apenas o que se escreve nele, mas a interação com seus eventuais leitores. Well, o Yaccs está fora do ar por conta de um problema com o servidor e deverá ficar assim até amanhã. Tomara que volte logo porque falar sozinha é um saco.

Uma moça chamada Rebecca deixou um comentário dizendo que está realizando um sonho: virá estudar na Suécia por um ano. Mas, depois de ler alguns posts sobre racismo e discriminação aqui do Montanha-Russa, ela ficou muito apreensiva. Vou tentar explicar uma coisa, então.

Olha, tudo o que eu escrevo aqui é um reflexo das minhas experiências e percepções. Mas, como qualquer mortal levemente pessimista, tenho uma tendência a descrever tudo de forma mais dura e difícil do que na realidade.

Uma coisa importante que você, Rebecca, deve ter em mente: comecei a escrever esse blog há quase dois anos exatamente para poder entender a Suécia e tentar localizar o meu lugar nesse mundo novo. Isso porque escrever, pra mim, tem o efeito de esclarecer as coisas, torná-las mais simples. Quando você faz o que eu fiz, muda toda a sua vida de um dia pro outro, literalmente, é muito difícil se adaptar.

Pois bem. A primeira coisa que se sente é uma curiosidade natural com o país novo, a língua, as pessoas, os costumes etc. No meu caso, depois disso veio meio que um desencantamento com a falta de capacidade dos suecos de entender que eu era eu e que isso já bastava para que eles me convidassem para trabalhar como editora-chefe do Aftonbladet com salário astronômico, apartamento em Gamla Stan e carro da firma. :c)

Hoje, percebo, no entanto, que o buraco é mais embaixo. Claro que minhas reinvindicações, os casos esporádicos de preconceito enfrentados por imigrantes e tudo o mais existem, são reais. Mas são exceções. Hoje estou mais conformada com a idéia de que meu caminho aqui é longo. Estou trabalhando pra que ele seja, pelo menos, prazeiroso. Cabe a mim fazer de tudo para que minha vida dê certo, assim como caberá a você trabalhar sua energia, suas expectativas e frustrações para ser feliz aqui, no ano dos seus estudos.

Além de trabalhar duro, a única coisa que eu preciso fazer é acreditar que tudo, no fim, dará certo. Porque essa é a verdade. Um dia ou outro, tudo vai dar certo.

Então, queria dizer pra você, Rebecca, pra não ficar impressionada com as coisas que escrevi lá no início do blog. Tudo muda, evolui. A vida tem seus altos e baixos, exatamente, aliás, como uma Montanha-Russa. :cD

Escrito por Maria à s 11:47 AM | Mais: Elucubrações | Comente! (0)

Uma alegoria

Quando penso na Suécia, minha impressão é que estou diante de uma mulher dura, alta, com o rosto marcado pelas dificuldades da vida. Ela vê, finalmente, na segunda metade da sua vida, seu futuro não tão complicado, com a perspectiva de uma boa pensão e anos tranqüilos de velhice. Essa mulher acha difícil enfrentar mudanças, é totalmente ligada às antigas tradições que lhe foram passadas por sua mãe que as recebeu da avó, que as recebeu da bisavó e assim por diante.

Quando eu a olho nos olhos azuis, ela sorri e manifesta algum interesse. De onde eu venho, como eu aprendi a língua tão bem, o que eu fazia na minha terra e quando meus parentes virão me visitar são as primeiras perguntas. Respondo a todas, sempre me esforçando para não errar na gramática. Depois, as perguntas acabam e a mulher começa como que automaticamente a me mostrar como as coisas são feitas aqui. Como quebra-se um ovo, como responde-se ao telefone, como faz-se um prato tradicional. Eu fico cansada, mas observo com respeito.

No outro dia, quando quero fazer o mesmo com ela, retribuir com uma pequena aulinha de como fazemos tudo isso no meu país, ela não se mostra interessada. Mantém apenas um sorriso educado no rosto mas eu sei que não está prestando atenção em nada do que estou dizendo. Percebo que ela está aberta a me receber nas condições dela. E não adianta ser rebelde e tentar chocar porque tudo o que conseguirei alcançar é mais distanciamento.

Percebo que deve ser difícil pra ela ouvir minhas opiniões, minhas críticas, mas me impressiono com sua paciência em me deixar falar sem interromper. Eu sei que ela escuta cada palavra, mas as respostas são educadamente estudadas. Como uma criança pequena, choro e reclamo para chamar a atenção dela. Quero que ela concorde comigo, me dê razão e diga que tudo ficará bem. Ela me olha com seu olhar azul e sorri. Percebo, então, que eu preciso crescer.

Escrito por Maria à s 11:24 AM | Mais: Elucubrações | Comente! (0)

agosto 29, 2003

Religião e psicologia

Nossa, estou acabada. Finalmente a semana chegou ao fim e eu tenho que ler um montão de coisas pra semana que vem... E, exatamente por estar cheia de coisas pra fazer, eu estou feliz!!! :cD A única coisa chata é que os anos de trabalho na frente do computador começam a deixar marcas: a musculatura do meu ombro direito pediu arrego. Estou tomando anti-inflamatório e terei até que fazer fisioterapia (mas se me mandarem parar de escrever aqui eu mudo de médico).

Anyway, ontem foi a primeira aula de psicologia e hoje, a de religião. Ambas professoras parecem ser muito legais e os assuntos, mais ainda. Em psi veremos Freud etc, além de uma coisa que classifico como "bem sueca": psicologia social, ou seja, como as pessoas funcionam em grupo, quais os papéis que nós assumimos (casa, trabalho, escola etc).

Em religião veremos Cristianismo, Judaísmo e Islamismo. Infelizmente não teremos tempo de estudar Budismo ou Induísmo, assuntos do curso de Religião B. Quero só ver a cara da professora quando eu contar das minhas aulas de religião no Santo Inácio, quando nós não falávamos de religião, mas apenas de catolicismo. Cresci sem saber quais os princípios das outras quatro grandes crenças do mundo.

Nunca me esquecerei um dia, quando tinha uns 15 anos, minha turma começou a questionar as aulas de religião, dizendo que nunca discutíamos assuntos polêmicos, como aborto. Pois bem, na aula seguinte fomos para um pequeno estúdio. A professora nos disse que iríamos assistir a um filme sobre o aborto, afinal "nós pedimos por isso".

Nem sei como descrever o "filme"... Não lembro se tinha entrevistas ou narrativa em off, me recordo apenas das fotos a cores dos fetos abortados em cima de mesas de hospital. Se o objetivo era chocar todos nós, jovenzinhos pentelhos, posso dizer que o "filme" foi um sucesso. Mas aquele festival de sangue e tripas, no entanto, não me convenceu que a visão Católica Apostólica Romana é necessariamente a melhor.

Escrito por Maria às 02:06 PM | Mais: De bem com a vida | Mais: Vidinha | Comente! (0)

agosto 28, 2003

Volta às aulas

Ontem foi o início do semestre de outono em todas as escolas suecas, até mesmo na que eu freqüento, para adultos. Esse semestre vou estudar um montão de coisas que, com o passar dos dias, eu conto aqui. Mas ontem começamos com Samhällskunskap [samrrélskunskóp], que corresponde a ciências sociais e, claro, sueco.

A professora de sueco me parece ser bacana e interessada, além de ter mudado o livro que deveremos adotar para um bem mais legal. Esse é o meu curso favorito, até porque estou fazendo duas aulas de sueco diferentes e com professoras distintas: uma com alunos suecos e outra com imigrantes. Dessa forma, estudo o idioma todos os dias da semana e ainda leio e escrevo sem parar.

O professor de ciências sociais, Ulf, é uma figura. Só pra cês terem uma idéia, apesar de ter acabado de começar o semestre, semana que vem não teremos aula com ele. Motivo: é a abertura da temporada de caça ao alce em toda a Suécia. Levando em consideração que o Ulf é bacana e o assunto que ele ensina me fascina, sua única falta é matar animais indefesos nas florestas daqui.

Não tenho mais pânico de falar com ninguém e meu sueco é muito bom, mas uma das coisas mais difíceis é iniciar uma conversa com quem quer que seja na sala de aula. O problema é que todos os suecos são sempre muito tímidos, ainda mais os mais novos (menos de 25 anos). Não que eu fique tagarelando durante as aulas, mas bem que seria legal poder conversar de vez em quando. O que salva é que eu não desisto fácil :c))) e nem tenho medo de ficar sozinha, se necessário.

Escrito por Maria às 06:43 AM | Mais: De bem com a vida | Mais: Vidinha | Comente! (0)

agosto 27, 2003

Rapazes! Limpar a casa é sexy!

LONDRES -- Pesquisadores finalmente confirmaram o que as mulheres já sabiam: homens que fazem a faxina em casa - ou que pelo menos ajudam - são mais atraentes sexualmente do que os que apenas olham a mulher trabalhar. Um estudo de pesquisadores americanos mostra que até mesmo filhos que ajudam na limpeza junto com os pais são mais bem formados e se tornam adultos mais conscientes socialmente. Além disso, o estudo confirmou que as mulheres ficam mais atraídas por homens que ajudem na limpeza doméstica. (Matéria do Aftonbladet)
E precisava um estudo pra descobrir isso????
Escrito por Maria à s 10:25 AM | Mais: Irritação e ironia | Comente! (0)

Vinc vinc!*



* Acenando pra Marte que estará logo ali ao lado da gente...

Escrito por Maria às 09:08 AM | Mais: Vidinha | Comente! (0)

Cafonice ancestral

Está provado: a cafonice européia de andar de sandálias com meia não é um hábito moderno. Uma escavação arqueológica localizada no sul de Londres descobriu um dos pés de uma estátua de bronze que parece estar adornado não apenas com sandálias do estilo Romano, mas com meias.

Segundo Nansi Rosenberg, uma das responsáveis pelo sítio arqueológico, a "desculpa" para se usar meias e sandálias seria o frio. "Sabemos pelos escritos de Tacitus que o tempo na Inglaterra era terrível", diz ela.

O pé, cuja idade estima-se por volta dos dois mil anos, pode haver pertencido à estátua do deus Marte Camulos, que era adorado na região. Outra possibilidade é que o pé pertença a uma estátua de um imperador. (Matéria da BBC).

Agora veja você, que alívio! Eu aqui achando que tinha escolhido um namorado sem qualquer senso estético e gosto para roupas, mas que na verdade, apenas segue a tendência fashion estabelecida pelos patrícios! :cD

Nunca me esqueço de Stefan no Rio, com temperatura de cerca de 30 graus, se preparando para sair de casa em seu primeiro dia de visita. Short, camiseta, meia... e sandália. "Tira!", disse eu. Ele, perplexo, não sabia se eu me referia à camiseta ou ao short, mas nem pensou na combinação esdrúxula de calçado e meia. Que coisa.

Escrito por Maria à s 06:40 AM | Mais: Europa & Escandinávia | Comente! (0)

agosto 26, 2003

Paraíso

Tenho tanta coisa pra fazer hoje, sabia? E isso me faz tão feliz... :c)

Escrito por Maria às 09:13 AM | Mais: De bem com a vida | Comente! (0)

agosto 25, 2003

PARABÉNS, MÃE!!!



Hoje é aniversário da minha mãe, Regina. Ano passado nessa mesma época eu estava no Brasil, abraçando-a e beijando-a. Mãe, quando você receber as cópias impressas do blog de agosto, esse dia já vai ter passado. Mas estou aqui, ao meio-dia dessa segunda-feira dia 25, pensando em você e torcendo para que tudo dê certo na sua vida. Te amo muito!!!. Um beijo!

PS.: Stefan manda um beijão pra "sogrinha linda". :cD

Escrito por Maria à s 11:58 AM | Mais: Aniversários | Mais: Saudade e sonhos | Comente! (0)

agosto 23, 2003

Bancos e pragmatismo

Ontem fomos buscar nossa restituição do Imposto de Renda - a primeira vez tanto para mim (na Suécia) quanto para Stefan, que não se agüentava de tanta alegria. No nosso banco é sempre fácil de ser atendido, mesmo só existindo uma caixa, que também funciona como recepcionista para quem tem dúvidas.

Depois de embolsarmos nossas coroinhas - muitíssimo bem-vindas, por sinal - meu urso polar resolveu mudar sua conta de salário definitivamente para o banco. Antes ele recebia por outro. Sentamos na mesa de uma outra atendente e o processo de mudança foi rápido e fácil.

A moça teve apenas uma dúvida que eu infelizmente não consigo explicar aqui porque não entendi - coisas de contas diferentes, saldos e números distintos - mas quando estava tudo "certo", ela disse: "Vamos tentar esse mês, se houver algum problema, você vem aqui e nós consertamos".

Eu fiquei alarmada. "Como assim, problema? Como assim, se der problema você vem aqui pra consertar? Ficaremos sem o pagamento se der errado? Pra onde irá o nosso dinheiro?", perguntei eu, pensando que me encontrava na agência da Rua Uruguaiana do Bradesco.

"Se não der certo a transferência esse mês, o dinheiro será depositado na conta antiga", disse-me ela, surpresa e aparentemente achando tudo muito engraçado. Não estava com saco nem energia de explicar o por quê de minhas perguntas. Mas o faço aqui.

Primeiro sou gato escaldado com os bancos brasileiros. Como trabalhei em seis locais nos meus sete anos de carreira, sei mais do que gostaria sobre as idiossincrasias burocráticas das casas financeiras nacionais. Salários que desaparecem no éter, contas pagas online que aparecem como não-pagas ou taxas estapafúrdias não são estranhos na minha vida. Daí minha preocupação.

Stefan, por outro lado, acostumado com a boa fé que a população tem na rede bancária sueca, não perguntou nada e foi logo dizendo obrigada, ótimo, maravilhoso etc. Sou pragmática pra certas coisas, uma delas é a capacidade dos bancos de acertar de primeira. Esperemos.

Escrito por Maria às 12:04 PM | Mais: Vidinha | Comente! (0)

agosto 22, 2003

Vírus

Finalmente, depois de dias de resistência, o vírus SoBig se fez presente na minha vida. Estou sem conseguir baixar emails e nem consigo entrar no site da Telia, onde poderia verificar minhas mensagens online. Então, se você me mandou um email e ainda está esperando uma resposta, das duas uma: ou eu ainda não o recebi ou a lerdice tomou conta e eu ainda não o respondi. Sorry.
Já resolvi. O problema era mesmo com os servidores da Telia que, gentilmente, não permitiu que os emails poluídos chegassem a mim. Agora só falta arranjar forças pra responder aos emails que chegaram. Já já faço isso, ok? Obrigada pela compreensão!



Devaneio

Está tudo nublado aqui, do céu à cabeça das pessoas. Mas não está frio, engraçado. O livro que estou lendo - mais um da série do inspetor Wallander - inclui o personagem principal de um outro livro do Henning Mankell. Acho interessante quando escritores fazem isso: combinam pessoas/personagens de livros distintos.

Falando em personagens que voltam à vida, alguém viu um filme antigaço (1940) chamado "O Pássaro Azul", com a Shirley Temple ainda criança? Eu vi esse filme muitas vezes e é um dos que eu mais gosto (junto com a "Maravilhosa Fábrica de Chocolate", "E.T.", "Todos os homens do presidente", etc.) No filme, a Shirley Temple é triste porque é pobre e acaba saindo em busca do pássaro azul - aquele que traz alegria.

No caminho, se depara com gente má (a gata Tylette) e com gente boa (o cachorro Tylo), passa por incêndios e todo o tipo de aventura. Mas uma parte me faz particularmente feliz: quando ela e o irmão menor chegam ao céu - ou o lugar para onde vão as pessoas que morrem. Eles encontram seus avós que ainda cuidam da antiga casinha deles, como se ainda fossem vivos.

O mais legal é que o avô conta pra Shirley Temple que ele e a avó "voltam à vida" quando os netos se lembram deles. Basta lembrar pra eles deixarem de "dormir" e voltarem a "viver". A primeira vez que vi esse filme eu tinha uns nove anos mais ou menos e ninguém da minha família havia morrido. Nunca mais me esqueci disso e hoje sempre que penso no meu avô e avó paternos, lembro desse filme.

Que coisa, como é que eu comecei a falar disso??? Eu hein...

Escrito por Maria às 11:33 AM | Mais: Livros | Mais: Vidinha | Comente! (0)

agosto 21, 2003

Só digo uma coisa

Minha vida está em descompasso com a sociedade sueca. Oh céus, give me a break, will ya?

Escrito por Maria à s 10:38 AM | Mais: Irritação e ironia | Comente! (0)

Bom dia!!!


"Acorda Maria Bonita/ Acorda vem fazer o café/ Que o dia já vem raiando/ E a polícia já está de pé"
Minha mãe canta sempre essa música quando me acorda de manhã cedinho. Quando ela faz isso, todo e qualquer cansaço desaparece e uma ternura invade o meu peito. Sou obrigada a acordar com um sorriso nos lábios. Sempre. Passei uma noite de pouco sono e quando resolvi me levantar, às seis da matina, a musiquinha me veio imediatamente à cabeça... :c)
Escrito por Maria às 06:20 AM | Mais: De bem com a vida | Mais: Saudade e sonhos | Comente! (0)

agosto 19, 2003

Que pena!

Estou triste com a morte do brasileiro Sérgio Vieira de Mello no Iraque. Ele era um brasileiro que fazia a diferença para o melhor. Segundo matéria do Globo, seus interesses eram os melhores possíveis, a saber: "Suas prioridades no cargo eram a proteção de civis durante os conflitos, combate ao racismo em todas as suas formas e a garantia dos direitos das mulheres. Mas o diplomata também tinha como prioridade os direitos econômicos e sociais e o direito ao desenvolvimento."

Uma pessoa assim faz falta.

Escrito por Maria à s 10:11 PM | Mais: Irritação e ironia | Comente! (0)

U-Hu!!!

O carteiro passou aqui e deixou um papelzinho dizendo que tem um pacote esperando por mim lá nos correios. Deve ser do Brasil, ó céus, que alegria!!!!!

(O mais engraçado é que o carteiro é um homem liiiiindo, negro e que só fala inglês. Tô quase parando ele pra perguntar qual o contato dele na agência de empregos daqui...)

Escrito por Maria às 12:10 PM | Mais: De bem com a vida | Comente! (0)

Bom dia!

Uma das coisas boas de não se ter um trabalho e ainda estar de férias do colégio é poder acordar cedinho, ler os jornais online e em papel (hoje recebemos os dois da região, apesar de assinarmos apenas um deles), tomar café-da-manhã e... voltar pra cama, ainda cedo, pra ler. Faço isso sempre que posso. Recomendo como atividade anti-estresse.

Aliás, meu horóscopo de hoje pode ser um resumo da minha vida nos últimos tempos, vejam só:


Câncer -- Valorize mais as esperanças do que o medo de perder o controle da vida atual. Defender-se contra possíveis perigos é uma necessidade, mas ela não deve tornar-se uma obsessão, porque assim você deixaria de viver seu destino. - Quiroga.

Escrito por Maria às 09:27 AM | Mais: Vidinha | Comente! (0)

agosto 18, 2003

Historinha

O mais engraçado dessa caminhada que fizemos (a das fotos aí de baixo) é que vimos dois caras tomando banho de rio enquanto andávamos na sua beira. Quando passamos perto, um deles estava saindo da água e, nu em pêlo, nos saudou e gritou: "Rock and Roll!!!!!!!!"

Eu ri e Stefan fez um sinal de heavy metal com a mão (dedos indicador e mindinho levantados, os outros dobrados). O cara deve ter ficado contente porque deu uma gargalhada e voltou pra água. Pensei em sacar a câmera e registrar o momento para a posteridade, mas não fui rápida o suficiente. Acho que foi o susto...

Nada me tira da cabeça que todos os suecos têm a alma hippie.

Escrito por Maria às 04:43 PM | Mais: Vidinha | Comente! (0)

agosto 17, 2003

Caminhada num dia de verão em Boden




Escrito por Maria às 11:50 AM | Mais: Vidinha | Comente! (0)

agosto 16, 2003

Pergunta

Quando você escreve no seu blog, você escreve pra quem?

1) Pra você mesmo

2) Pra quem comenta

3) Pros amigos

4) Pro éter do ciber-espaço

Se você respondeu sim à alternativa quatro, me ensina como fazer? Como é que se escreve alguma coisa sem se pensar: "Ah, essa fulaninho vai achar o maior barato"... Em outras palavras, como é que a gente fica livre da dependência do que os outros acham?

Escrito por Maria à s 03:22 AM | Mais: Elucubrações | Comente! (0)

agosto 15, 2003

Perfeito

"Há uma espécie de Providência, um aviso, até na queda de um pardal. Se tem de ser já, não será depois; se não for depois, é que vai ser agora; se não for agora, é que poderá ser mais tarde. A prontidão é tudo." -- "Hamlet", Shakespeare.

Copiado da Ana Maria.

No original

"There's a special providence in the fall of a sparrow. If it be now, 't is not to come; if it be not to come, it will be now; if it be not now, yet it will come: the readiness is all." -- Hamlet, Ato V, cena 2.


Copiado da Marina.

Escrito por Maria às 10:26 PM | Mais: Livros | Comente! (0)

agosto 13, 2003

No caminho da recuperação

Então, melhorei, né? Pois é. Pra comemorar, fui fazer uma faxininha básica na casa. Não, você não leu errado. Esse aqui não é o blog de uma masoquista. É que se tem uma coisa que eu aprendi nessa minha nova vida como proletariado sueco é que trabalho braçal dignifica o homem. Sabiam dessa? Eu também não.

Anyway, coloquei o meu CD favorito do Ed Motta ("Manual Prático Para Festas, Bailes e afins") na vitrola e parti para encarar a besta: meu aspirador de pó. O barulho é sempre tão alto que nunca escuto o Ed cantando (Para não dançar/ Fique à vontade/ Se deixe levar/ Que eu vou também, baby), mas escuto a base, batendo no fundo, o que me faz feliz.

Aquela coisa do cabelo é séria mesmo: nunca vi tantos fios pelo chão, amigavelmente entrelaçados com os tufos de poeira. E, no entanto, continuo com tanto cabelo quanto antes. Devo estar renascendo... Sei lá.

Fui pra cozinha e tive que tirar as coisas da máquina de lavar pratos, colocar tudo nos armários e fazer o mesmo, inversamente, com os pratos, copos e talheres acumulados na pia desde o almoço. Pra ser sincera, fico meio puta com Stefan por ele nem se importar com isso quando ele está trabalhando. Parece que é "meu trabalho" fazer isso, enquanto ele sai e vai trabalhar pra "ganhar o sustento da casa". Preferia muito mais que fosse o contrário, mas tudo bem... Acho que são os hormônios falando por mim novamente.... Sorry, sorry.

Está tudo bem. Limpei a casa, a cozinha está limpinha, chão, fogão, pias (tem duas) e mesa. E se for procurar um motivo pra ficar ainda mais positiva com relação às coisas da vida, graças ao céus temos uma máquina de lavar pratos, né não? :cDDD

Escrito por Maria às 02:11 PM | Mais: Vidinha | Comente! (0)

"Do not be afraid of going slowly. Be afraid only of standing still"

Tô melhor. Obrigadíssima pelos comentários ao post aí de baixo. Muito obrigada mesmo. Ajuda demais. Cheguei à conclusão que não é produtivo ficar deprê assim. Claro que não posso fazer nada no que diz respeito à falta de equilíbrio hormonal a que sou sujeita todos os meses, mas posso sim tentar evitar ficar deprê por outras razões.

Preciso me concentrar nos planos que tracei pra minha vida no outono e todo o resto, não importando se a conjuntura econômica indica mais incertezas do que promessas futuras de uma carreira. Tenho que simplesmente let it go. Senão eu fico louca.

Foi isso que eu fiz vindo pra cá, in the first place, de forma que o que preciso agora é seguir caminhando como quem respira calmamante. O ar entra; o ar sai; o ar entra; o ar sai. Senão, hiperventilo a vida e saio por aí, aos trancos e barrancos, tropeçando nos acontecimentos, sem enxergar nada o que estou fazendo nem perceber o que estou ganhando ou perdendo.

Nesses momentos de confusão mental, espiritual e emocional é fundamental poder fazer uma escolha. Decidir-se, optar por uma saída, seja ela qual for, é mais importante do que se preocupar em saber se a decisão é a certa ou não. Na dúvida, vou fazendo o que eu conseguir, até que eu pare.

Escrito por Maria à s 12:12 PM | Mais: Elucubrações | Mais: Saudade e sonhos | Mais: Vida de imigrante | Comente! (0)

agosto 12, 2003

Tô maus Tô maus

Tô maus. Hoje chegou o último catálogo da IKEA e até melhorei de humor. Mas foi logo ver as coisas maravilhosas que tem lá e saber da impossibilidade de adquiri-las pra eu voltar a me sentir meio deprê. Mas tudo bem, é a minha depressão mensal, se é que vocês me entendem.

Domingo à noite (dia 10) sentei pra escrever e parecia que minha cabeça era um rádio quebrado. Milhares de pensamentos interrompidos voavam de um lado pro outro, meus olhos doíam e eu não conseguia pensar em nada de forma completa. Parecia que estava fora de freqüência.

Mãe, já tentei meditar mas não consegui. Vou continuar tentando. Descobri que Mercúrio está retrógrado. Tá explicado. O tempo continua quente, acima dos 20 graus todos os dias. À noite, no entanto, fica bem friinho. Chocolate, chocolate, chocolate...

Minha única vontade nesses dias é de ler. Vou de cômodo em cômodo da casa, me estico e leio, leio, leio... até os olhos pedirem arrego. Ler faz com que meu cérebro se acalme, minha concentração tenha onde se depositar e todo o resto desapareça. Perfeito.

Engraçado que quando cê tá maus, tudo contribui pra que cê fique pior ainda. Mandei presentes pelo correio e ninguém os recebeu; mandei emails abrindo o meu peito e ninguém os respondeu; pedi para pessoas me ligarem e ninguém me ligou.

É, a culpa é de Mercúrio. Só pode ser.

Escrito por Maria às 12:25 PM | Mais: Vidinha | Comente! (0)

agosto 10, 2003

White noise

Blá-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-sou-feliz-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-quero-minha-avó-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-tô-de-saco-cheio-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-amo-meu-irmão-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-chega-de-gnäll-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-preciso-escrever-um-livro-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-quero-um-trabalho-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-quero-ser-feliz-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-amo-Stefan-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-ler-me-faz-feliz-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-quero-um-cachorro-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-socorro-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-te-amo-mãe-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla.

Escrito por Maria à s 11:17 PM | Mais: Irritação e ironia | Mais: Vidinha | Comente! (0)

agosto 09, 2003

Eu vou pra maracangália eu vou, eu vou de chapéu de palha, eu vou

13h17min -- Estava vendo um especial sobre a vida da Marguerite Duras. Muito tocante. Ela diz que todos os escritores começam a escrever por vingança, "para acertar as contas". Eu concordo. Conta ainda que a mãe trabalhou como professora por 20 anos na Indochina e, por ser muito pobre e humilde, se dava melhor com as mulheres chinesas do que com as européias. Já como viúva, a mãe comprou um pedaço de chão no Cambódia com as economias de duas décadas de magistério. Ela não sabia que tinha que subornar os oficiais cambojanos pra comprar terra fértil. Sua fazenda ficava debaixo d'água por seis meses por ano. Ela perdeu o dinheiro, a fazenda e o juízo.

14h57min -- Acabei de assistir a um outro documentário, dessa vez sobre Charles Chaplin, Hitler e o filme "O Ditador". Muito interessante. Não sabia da importância do filme, de como as vidas dessas duas personalidades caminharam paralelamente. O establishment judeu americano via Chaplin como um "David cômico", capaz de vencer o Golias germânico. Chaplin viu a monstruosidade de Hitler antes de muitas pessoas, que inclusive admiravam a administração do Führer no início da década de 30 por ter acabado com o desemprego e ter tirado a Alemanha do buraco. Claro, eles ainda não sabiam o que a loucura coletiva alemã estava fazendo com os judeus. O discurso final de Chaplin no filme, inspirado pela conquista da França pelos nazistas, é lindo. Uma curiosidade: Chaplin e Hitler nasceram no mesmo ano, mês e semana.

Escrito por Maria às 12:02 PM | Mais: Cultura e comida | Comente! (0)

agosto 08, 2003

Por aí

Depois de fumegar com um monte de pequenas coisas - como o Blogger que dava um erro fatal quando eu tentava escrever - melhorei muito. Enquanto o Roberto Marinho morria lá no Rio, saí de casa e fui visitar uma amiga, que mora há cerca de meia hora daqui. Aí, minha mente desanuviou.

É que reconquistei uma pequena fração de liberdade que tinha no Brasil no momento em que me apliquei para tirar minha carteira de motorista sueca. E ontem (e ante-ontem) relembrei como é bom dirigir por aí, tendo pra onde ir, sabendo como chegar, mas não tendo pressa.

Dirigi por uma estrada secundária, que passa por diversas cidadezinhas. A paisagem é tão bonita, os campos verdinhos, o céu azulzim, sol, calor. Abri a janela e uma abelha entrou no carro. Tive de parar no acostamento pra tirar a danada dali, mas nem isso estragou meu humor.

Volta e meia parece que minha angústia, esse monstro passivo-agressivo que mora no meu peito, dá um refresco, sai de férias e eu posso simplesmente apreciar o momento atual, o agora, o já - esse minuto que escrevo esse texto - de uma forma completa.

Acho que é isso que se chama felicidade, né? :c)

P.S.: Obrigada, Marcinha! :c)

Escrito por Maria à s 07:20 AM | Mais: Elucubrações | Mais: Vidinha | Comente! (0)

agosto 05, 2003

Direções

Acabei de voltar da Luleå, maior cidade aqui do norte distante cerca de 30 minutos de Boden. Fui lá por uma razão simples: tenho um encontro marcado com alguém de uma agência de empregos (nenhuma novidade boa por enquanto - visita inicial). Mas minha hora não é hoje, no entanto, mas amanhã. Fui hoje apenas para achar o lugar.

Fiz isso porque pertenço à categoria das pessoas que não têm qualquer senso de direção. Dirijo bem, mas me perco melhor ainda. E, claro, mesmo depois de falar com o cara no telefone e escrever todas as direções, ainda assim me perderia se não tivesse Stefan comigo.

Meu urso polar, aliás, me sacaneia demais com essa minha "falha". Mas também ele nasceu com um radar na cabeça; sabe todas as direções de tudo e ainda "sente" onde fica norte, sul, leste e oeste. Acho isso tão fantástico que chega a ser sobrenatural.

Me lembro que, no Rio, tinha problemas de achar os locais (não os mais visitados, lógico, nem os que eu já conhecia). Mas lá, pelo menos, não tinha receio de fazer uma cagada no trânsito e perder minha carteira. Já aqui...

Escrito por Maria às 01:30 PM | Mais: Vidinha | Comente! (0)

agosto 04, 2003

Ora bolas

Tava lendo a home page do Diskrimineringsombudsmannen (DO) (= uma autoridade anti-discriminação daqui) e, como sempre, fui ver as últimas notícias sobre o tema, reunidas numa área especial do site. Foi quando me deparei com uma notícia engraçada e que mostra que pelo menos na Suécia ainda não está tudo perdido.

Uma padaria da cidade de Sjöbo foi denunciada ao DO por racismo. A razão é ter feito uma faixa para vender seus Negerbollar [neger = negro; bollar = bolas], doce tradicionalíssimo feito com chocolate, côco e açúcar (veja imagem ao lado). A sueca Sara Kander, que é branca, apelou para uma nova lei, implementada mês passado, que proíbe esse tipo de denominação, para requisitar a retirada do anúncio. Como não foi atendida, denunciou a padaria.

Ainda me lembro quando comecei a me ambientar por aqui e vi esses negerbollar nos cafés da minha cidade e de todas as outras que visitei. Confesso que fiquei chocada quando vi do que se tratava - não apenas pelo racismo implícito, mas principalmente pela conotação abertamente sexual do nome do doce. Mas a notícia, publicada no Aftonbladet e que repercutiu em quase todos os jornais locais do sul da Suécia, não termina aí. O pior vem no final:


Agneta Andersson, dona da padaria, não entende a crítica:
-- Os doces se chamam mesmo negerboll. Já tivemos negros retintos aqui dentro e nunca ninguém reclamou -- disse ela.

É mole?

Leia aqui a notícia na íntegra (em sueco).

Escrito por Maria às 07:36 PM | Mais: Vida de imigrante | Comente! (0)

Não é mole não...

Não é mole não...

Escrito por Maria à s 03:30 PM | Mais: Irritação e ironia | Comente! (0)

agosto 02, 2003

O tempo

Leio sem parar. Em sueco, mais do que tudo. Jornais, home pages, textos e livros, muitos livros. Desde que percebi que conseguia ler livros em sueco e me divertir - não apenas por obrigação do curso de idiomas - descobri uma série de escritores escandinavos interessantíssimos. Mesmo assim estou frustrada. Estou frustrada porque por mais que leia sem parar textos sobre os mais variados assuntos, não consigo utilizar nem 30% das palavras e dos conceitos que aprendo.

Quando leio, entendo 95% de tudo o que é dito. Mas quando vou falar, parece que o cérebro engasga; lá de baixo de suas dobras, as palavras novas, cheias de ä, ö, e ås ficam borbulhando, como se fossem vinhos de safra recente, esperando para serem engarrafados e consumidos. Volta e meia uma vem a tona e eu nem sei se é a palavra certa pro contexto, mas o incrível é que sempre é.

Me lembro que quando era pequena, costumava ouvir às conversas dos adultos (pai e amigos; mãe e amigos; avó e amigos) e tentava acompanhar os assuntos, por mais que minha atenção se desviasse das palavras para algum detalhe curioso de uma das pessoas. Mesmo assim me lembro nitidamente do meu desejo de entender tudo o que eles estavam dizendo, cada palavra, as piadas etc. Me lembro que quando lia livros não entendia tudo o que era dito e que lia mesmo assim, porque "um dia", pensava eu, "vou entender tudo".

Pois estou de volta nessa rotina. Às vezes sinto que meu aprendizado de sueco é como construir um quebra-cabeça. Uma palavra lida ali e usada acolá vai como que se encaixando na minha cabeça. Mas, como se fosse o corpo curando uma doença em doses homeopáticas, preciso de tempo para poder tomar posse dessa palavra e do que ela representa, para poder usá-la propriamente. Há frustração, como eu disse antes, mas, ao mesmo tempo, gosto desse processo lento, aprecio a construção de uma existência nova por meio das palavras que povoam a minha vida.

Me lembro um dia em que vi Matrix com o meu irmão e comentei que queria ser as pessoas do filme, que "aprendem" quando o conhecimento é "baixado" no cérebro delas. Comentei com Carlos como seria bom poder fazer isso com sueco e sair por aí, falando fácil como quem pilota um helicóptero eximiamente. Mas, ao mesmo tempo, não seria tão divertido. Adoro quando descubro o significado de uma palavra que ouvi em diversos contextos e que, depois de várias pontes de raciocínio, consigo estabelecer seu significado.

Escrito por Maria à s 02:10 PM | Mais: Elucubrações | Mais: Vida de imigrante | Mais: Vidinha | Comente! (2)