setembro 30, 2003

Work like you don't


Work like you don't need the money.

Love like you've never been hurt.

Dance like nobody is watching.

~ Mark Twain ~

Escrito por Maria às 10:01 PM | Mais: De bem com a vida | Comente! (0)

setembro 29, 2003

Dois em um

Às vezes fica claro pra mim que me divido em duas. Por um lado minha energia flui leve e fácil, as coisas acontecem, sou consciente dos meus atos e de suas conseqüências, assim como do que preciso fazer para ficar contente comigo mesma. Sei disso e faço de tudo para alcançar essa satisfação.

Por outro lado, tem dias que é difícil me agüentar. Continuo sabendo o que é necessário fazer para ficar feliz mas tenho uma dificuldade incrível para fazê-lo. É como olhar pruma maçã que está na sua frente. Você está com fome. O normal seria esticar o braço e pegar a fruta. Mas você não faz isso.

E aí começa a chateação. Por quê você não faz o que sabe ser necessário? É simples, né? É, é simples mesmo. Mas esse meu lado complicado apresenta uma lista de razões que fazem o movimento de esticar o braço pra pegar a maçã parecer pior do que correr uma maratona.

Ao mesmo tempo em que quero mandar às favas as razões que me impedem de fazer o que é necessário para ser feliz, sei que preciso desses impedimentos, dessas dúvidas. Elas são parte de mim e me definem. O pior é isso.

Será que quando a gente fica mais velha isso melhora? Costumava pensar que sim, mas acho que só se sai dessa lenga-lenga complicada quando se deixa de lado os perigos psicológicos e se aposta numa vida mais direta e descomplicada. O que quero dizer é: todas as pessoas "profundas" que conheço são infelizes.

Escrito por Maria à s 11:07 AM | Mais: Elucubrações | Comente! (0)

setembro 27, 2003

Perseverança

Li esse post no blog da Rosana Hermann, de quem já gostava na TV e passei a adorar depois que conheci o Querido Leitor. O texto abaixo é meio velho (mais ou menos um mês), mas sempre volto a ele quando penso em desistir. Isso acontece quando leio e estudo sueco que nem uma obcecada e nas ocasiões em que vou dizer alguma coisa mais complicada as palavras somem, quando olho pela janela e nem as cores lindas do outono me fazem esquecer que o invernão está ali na esquina, ou quando meu coração aperta de saudades. O texto da Rosana é bacana porque é uma ode à perseverança. Quando você estiver quase desistindo, pense na manteiga! :c)

Manteiga (...) O dia está sendo de muita lucidez. Não sei o que é. Mas vou mudar os rumos da minha vida a partir de hoje. Tenho visto, ouvido, aprendido, absorvido e está acontecendo um processo, do jeito que eu mesma sempre descrevo: o processo da manteiga. Quem já bateu manteiga sabe como é. Você se vê ali, batendo um monte de leite. Parece impossível que aquilo vire manteiga, mas você está ali pra isso e vai batendo. No meio do processo, o braço começa a ficar cansado. Você não acredita que aquilo vá virar manteiga e ainda por cima, começa a sentir um grande incômodo. Aí vem o processo de questionamento. Por que você vai ficar ali, como uma idiota, de braço dolorido, batendo aquele monte de leite com cara de que não virar coisa nenhuma? Não tem nenhum sinal de manteiga, continua tudo líquido e branco. A única coisa concreta é o cansaço no braço e a descrença. E aí, na reta da desistência, você se irrita e, com raiva, bate mais e mais e mais. Aquele leite branco e líquido. E não se sabe como, ou porquê, numa meia volta da batida, subitamente... plaft! TUDO VIRA MANTEIGA. MANTEIGA. De uma vez. E aí, você esquece o cansaço e a descrença, diante daquele milagre.

Alguma coisa está acontecendo hoje, com essa aproximação de marte.
Pode trazer o pãozinho fresco.
A manteiga, está pronta.

Escrito por Maria à s 05:59 PM | Mais: Elucubrações | Comente! (0)

setembro 26, 2003

Algumas coisas

Estou escapando do meu próprio controle pra escrever aqui um bocadinho. Saudades. :c) Hoje, finalmente, o presente que comprei pra Stefan para comemorar nossos quatro anos juntos chegou: um DVD do "Saving Private Ryan", com dois discos, horas e mais horas de cenas extras, entrevistas e outras firulas mais. Sei que meu urso polar vai amar porque ele já tinha dado milhares de indiretas de que queria o DVD desse filme. :c)

Ia mesmo comentar a beleza de "julgamento" da nigeriana Amina, como lembrou o Altino nos comentários do post de ontem. O único problema, Altino e demais, é que apesar do julgamento formal ter sido em favor dela, o julgamento social não o foi e nem nunca será. Amina pode ter se livrado de ser enterrada no chão até os ombros e apedrejada até a morte, mas ela não será imune ao "gelo" social de que será vítima o resto de sua vida.

Bom, só pra quem gosta de saber notícias do polo norte: já está nevando em várias cidades suecas, todas, no entanto, mais próximas dos fiordes (fronteira com a Noruega). O que não é o caso de Boden, thank God, que fica quase que na costa. Mesmo assim, hoje de manhã, às sete horas, o termômetro aqui de casa marcava quatro graus positivos. Vi pela janela a chamada frosten (=camada de gelo branquinho - seria a nossa geada?) nos telhados das casas e nas árvores.

Escrito por Maria à s 03:23 PM | Mais: Aniversários | Mais: Variedades | Comente! (0)

setembro 25, 2003

Hoje

Estou de folga do computador hoje (mas escrevo só um pouquinho...).
Vimos na aula de sueco o filme "Romeu e Julieta", de Franco Zefirelli. Estamos estudando a literatura da Renascença. Vocês precisavam ver a sala de projeção da escola. Um show. Tudo eletrônico. Começo a entender pra onde vão todos as minhas coroas pagas em impostos.
Cansada. Aulas das 8 da manhã às três da tarde.
Acabei de chegar em casa. Quero tomar um banho e vegetar na frente da TV.
Vento e sol. Frio. Outono. Mais ou menos 9 graus.
Ganhei ontem flores e um presente azul.
Graças aos céus que amanhã é sexta-feira.

Estou sem poder visitar meus blogs favoritos. Meu tempo na frente do computador é limitado. Desculpem. Já já me recupero mais e volto ao normal.

Escrito por Maria às 03:44 PM | Mais: Vidinha | Comente! (0)

setembro 24, 2003

Notícias

Tirei umas feriazinhas daqui porque estava precisando dar um tempo no computador. Meu ombro voltou a doer no final de semana e tive dor de cabeça no sábado e no domingo. Mas já passou. Aliás, fizemos um programa diferente no domingo: fomos à igreja assistir a um concerto de um coro.

Foi muito bonito, apesar do coro ter desafinado na primeira música (nervosismo é fogo mesmo) e da igreja luterana não ser tão linda como a católica, enfeitada com o ouro tirado às custas do sangue, do suor e das lágrimas dos caboclos do Mundo Novo (confira a fachada meio gótica à esquerda e o austero interior à direita).

Além do que, estou lendo um milhão de textos ao mesmo tempo, respondendo à dezenas de perguntas sobre o sistema de governo sueco e até investigando o judaismo, tudo para as provas que farei em breve.

Estou tão mais pra lá do que pra cá que hoje nem fiz nada especial para comemorar mais um aniversário do meu relacionamento com meu urso polar. Estamos "juntos" há quatro anos. Dois anos agridoces passados longe - ele aqui e eu no Rio - e mais dois anos agridoces passados juntos aqui em Boden.

Escrito por Maria às 10:24 PM | Mais: Vidinha | Comente! (0)

setembro 19, 2003

Ufa!

Sabe uma coisa que eu adoro? Sextas-feiras. Amém!

Escrito por Maria às 10:24 AM | Mais: Vidinha | Comente! (0)

setembro 18, 2003

Maligrina

Sabe uma coisa que eu detesto? Quando eu me dirijo a uma pessoa e ela franze o cenho, aperta os olhos e faz aquela expressão universalmente conhecida como ai-o-que-essa-imigrante-está-falando?.

Como, me expliquem por favor, como alguém que nunca me viu antes, nunca ouviu minha voz e não sabe quem eu sou, já parte do princípio que o que vou falar é errado ou complicado, mal explicado, dito com dificuldade e, por conseqüência, difícil de entender? Como???

Isso me irrita demais. Imediatamente perco o fio da meada e minha atitude muda com relação à pessoa. Antes sentia raiva. Hoje, tenho pena dos mais preconceituosos (mas às vezes ainda fico com muita raiva).

Mas agora passei a "me vingar". Quando encontro uma pessoa assim -- o que não é raro, infelizmente -- passo a falar mmmmuuuuiiiittttoooo devagar, fazendo todas as entonações tão importantes para a língua sueca. Tudo com calma, como se tivesse todo o tempo do mundo.

E sabe que dá resultado? Hoje aconteceu isso e segui minha "vingança". No final, a pessoa me disse: "Nossa, como você fala bem sueco!" HAHAHA

Estou com alguns emails na minha caixa postal esperando para serem respondidos. Já já resolvo a questão, ok? Desculpe o atraso. É falta de tempo mesmo.

Escrito por Maria à s 10:05 PM | Mais: Irritação e ironia | Comente! (0)

setembro 17, 2003

Lufa lufa

Não parei hoje. Fisioterapia, aulas, oficina mecânica. Incrível como oficinas mecânicas em todos os países do mundo (conheço as de dois: Brasil e Suécia) respeitam apenas um princípio em suas relações com os clientes: nos tratar como otários. Deve fazer parte do currículo. Aula 1: motores Ford. Aula 2: Freios ABS. Aula 3: Como enrolar o cliente. Se você é imigrante e ainda por cima mulher, eles acham que podem passar por cima numa boa. Merda.

Prenderam um homem suspeito de ter assassinado a ministra do exterior sueca. Tomara que seja ele mesmo. O cara já foi condenado por 48 outros crimes e é uma amostra viva de que o sistema judiciário sueco é uma piada. O cara atacou a própria mãe e roubou o pai, além de fazer parte de grupos neo-nazistas. No entanto, a maior sentença que ele teve de cumprir na cadeia foi de oito meses por grave crime financeiro.

Dor nas costas (sinal de que me excedi), dezenas de textos pra ler. Sorte que sou feliz. :c)

Escrito por Maria à s 10:11 PM | Mais: Europa & Escandinávia | Mais: Vidinha | Comente! (0)

setembro 16, 2003

Hoje é aniversário do meu

Hoje é aniversário do meu Stefan
Parabéns, meu amor. Grattis äskling.
Escrito por Maria à s 07:40 AM | Mais: Aniversários | Comente! (0)

setembro 15, 2003

Gente burra é fogo

Estava na aula de psicologia hoje de manhã. A professora, Vivianne, é gente boa e engraçada, o que dá ânimo de estudar qualquer coisa, mesmo em sueco. Estamos estudando os mecanismos de defesa estabelecidos por Freud, fobias, medos e angústias.

Vivianne distribuiu um papel com duas colunas de palavras. Na primeira o nome de diversas fobias, como Aracnofobia, Hidrofobia e Androfobia. Na segunda uma lista de substantivos como aranha, água e homem. Ela nos pediu para ligar a fobia com seu respectivo objeto.

Fui fazendo sem duvidar de quase nada* e expliquei no intervalo que era covardia com os outros alunos me dar um exercício assim, já que em português usávamos exatamente as raízes das palavras em latim no nosso dia a dia. A professora riu e perguntou:

-- Mas, português é uma língua independente?
-- ... Claro que é! -- disse eu, surpresa com a ignorância.

Fiquei com vontade de completar: "Claro que português é uma língua independente. Afinal, mais de 200 milhões de pessoas falam português em todo mundo, sua burra!!!".

Mas, claro que não disse nada.

* Sabia que quem tem Ichtyophobia tem pânico de peixe? Essa é nova pra mim.

Escrito por Maria à s 11:19 AM | Mais: Irritação e ironia | Comente! (0)

setembro 14, 2003

Grávida

O fim de semana começou mal -- muito mal -- mas terminou muito bem. Depois de brigar com quem não devia e passar o dia de hoje inteirinho me culpando por uma explosão sem cabimento, fiz as pazes. Além disso, recebi um telefonema muito especial: minha amiga Ana Flávia, que mora com o marido Jeff na Califórnia, está grávida pela primeira vez. :c)

Ainda me lembro das nossas aventuras na faculdade. Estávamos sempre juntas, inseparáveis. Era trabalho de Teoria da Comunicação ou Rádio, festas muito legais, praia, namorados. Nossa, parece que foi ontem! Mas somos amigas há 14 anos (!!!!!!!). Um dia a Ana foi pros EUA, onde iria trabalhar. Acabou casando com o Jeff e por lá ficou.

Nunca me esqueci a sensação de desamparo que senti quando ela foi embora. Acho que bloqueei tudo - nossa relação mudou e eu mascarei um ressentimento infantil, de ter sido "abandonada", com uma certa indiferença com relação à minha amiga. Mas nada como uns anos nas costas pra mostrar o que se tem de importante nessa vida. E a Ana, com certeza, é uma pessoa importante pra mim.

Estou muito emocionada com a gravidez da Ana. Acho que o que sinto é mais ou menos o que deve sentir uma irmã. Queria estar lá pra paparicar a Ana, comprar presentes pro baby e não deixar ela se estressar tanto com o trabalho. Mas estamos separadas literalmente por meio mundo e isso não é possível. Mas tudo bem, sempre há tempo para mimar um baby. Ha! :cD

Ah, sim: o resultado do plebiscito que decidiria se a Suécia adotaria o Euro como moeda saiu agora a pouco: Deu "não" na cabeça, com mais de 56% dos votos.

Escrito por Maria às 11:01 PM | Mais: De bem com a vida | Comente! (0)

Impressionante o que a frustração

Impressionante o que a frustração faz com a gente.

Escrito por Maria à s 10:18 AM | Mais: Irritação e ironia | Comente! (0)

setembro 12, 2003

Repeat after me!

Repeat after me:

Plebliscito -- Pleblissitu -- Blebissitu -- Bebissitu -- Sêbissitu -- Fêpissitu...

Dançando -- Dancado -- Dansando -- Pancando -- Manqueando -- Sancando...

Exceção -- Excessão -- Exsseção -- Eissesão -- Equissão -- Equoção...

Porque -- por que -- por quê -- porqui -- purque -- pircá -- pirá...

AHHHH!!! -- Ahhhh!!! -- Ahhhh!!! -- Ahhhh!!! -- Ahhhh!!! -- Ahhhh!!!

Escrito por Maria à s 07:35 AM | Mais: Irritação e ironia | Comente! (0)

setembro 11, 2003

Duas mortes, dois mundos

A ministra no exterior da Suécia, Anna Lindh, não resistiu aos ferimentos e morreu na manhã de hoje. Ela tinha 46 anos, marido e dois filhos. A Suécia inteira está chocada (até eu estou, que nem sueca sou). Acho um absurdo esse tipo de morte idiota (será que existe alguma que não o seja?), de pessoas que só reforçavam a democracia.

Um caso parecido, apenas numa escala de menor repercução, foi o da morte recente do líder do MST de Alagoas, Luciano Alves da Silva, de 28 anos, no último dia 7 de setembro. Ele foi morto naquela "terra de ninguém" a tiros: dois no tórax e um na cabeça. Como uma execução. Da mesma forma que no caso da ministra sueca, ainda não existem pistas de quem estaria por trás do ataque.

Fico com pena que a morte do Luciano, que fazia parte de um movimento internacionalmente conhecido, não receba nem um décimo da atenção que deveria. Não vou ficar aqui comparando Anna e Luciano. Mas o que digo é que cada um era importante pros seus respectivos países de formas diferentes.

A ministra sueca porque era uma mulher preparada, inteligente e ousada, capaz de discutir as questões importantes para a Suécia, como a política de imigração e integração social, por exemplo. E o Luciano porque fazia parte de um grupo cuja presença é vital para que a política agrária brasileira saia da Idade da Pedra.

Leia matéria sobre a morte de Luciano no BOL.
Mais sobre a morte do líder no MST no site do Globo Rural.

Escrito por Maria à s 01:16 PM | Mais: Europa & Escandinávia | Comente! (0)

setembro 10, 2003

Notícias do Primeiro Mundo III

Às 16h20m de hoje a ministra do exterior sueca, Anna Lindh (foto), foi esfaqueada dentro do NK, um elegante shopping em Estocolmo. A ministra foi ferida em um dos braços, no estômago e no tórax. Diretamente depois do ataque, Anna Lindh foi levada para o Hospital Karolinska, um dos mais conceituados da Suécia, onde foi operada durante nove horas. Seu estado é crítico. A equipe médica lutou para conter sangramentos no fígado.

A polícia ainda não sabe quem foi que esfaqueou a ministra, que fazia uma visita particular ao shopping, sem qualquer medida de segurança. Sabe-se que foi um homem de mais ou menos 1.80cm de altura, de 30 a 40 anos e que estava vestido com uma jaqueta camuflada, no estilo militar. Ao sair do local, ele teria jogado fora a faca, que já foi recuperada pela polícia.

O ataque à ministra enviou uma onda de choque em todas as direções. Uma das razões é porque todos os suecos ainda lembram do assassinato do queridíssimo e muito admirado primeiro-ministro Olof Palme, em 1986. Ele foi morto a tiros no meio da rua, também em Estocolmo, não muito longe do NK. A morte do primeiro-ministro ainda não foi esclarecida.

Outra razão é que a Suécia está a quatro dias de um plebiscito importantíssimo, no qual decidirá se adotará o Euro como moeda. Anna Lindh, que atua na União Européia em Bruxelas, defendia ardentemente a adoção da moeda única européia e era vista como uma possível sucessora do atual primeiro-ministro sueco, Göran Persson. Ainda não se sabe, no entanto, se o ataque tem alguma conexão com o plebliscito.

Uma das grandes discussões de hoje em todos os jornais na TV era a displicência da Säpo - o serviço secreto daqui - em não fornecer guarda-costas à ministra. O problema é que a Suécia é um país "aberto" nesse sentido: políticos, famosos e até a realeza se movimentam na cidade sem temer que algo desse calibre possa acontecer. Pelo menos até agora.

Leia a matéria da BBC.
Leia também o relato da CNN.

Escrito por Maria à s 10:03 PM | Mais: Europa & Escandinávia | Comente! (0)

Aventura

Fui ao cinema ontem com uma amiga minha. Estávamos felizes por deixar maridos, casas e obrigações de lado e ir nos divertir sozinhas. Depois de ver "Piratas do Caribe" (não gostei muito não), resolvemos voltar pra casa. Foi quando eu não conseguia encontrar a chave do carro.

Procurei por todos os compartimentos da minha pequena bolsa, uma, duas, três vezes e nada. "Perdi a chave no cinema", pensei. Isso, no entanto, não acontece. Sou super cuidadosa em não deixar coisas pra trás e tenho horror de perder carteira, documentos etc. Não sou avoada, mas atenta. Lembramos então da última vez que nós duas vimos o molho de chaves. Foi quando estacionamos o carro e... eu deixei o chaveiro na ignição.

Fomos investigar e lá estavam as chaves. Todas as portas trancadas. E a chave ali, a poucos centímetros das minhas mãos. O que fazer? Nós duas precisávamos ir ao banheiro. Começamos a ter um ataque de riso de puro nervoso e tivemos que parar porque senão a vergonha seria completa.

A cidade estava "fechando": dia de semana às 9 da noite, todos os suecos já estão dormindo. Cidade deserta, temperatura: 12 graus e caindo. Chaveiro? Nem pensar. Tínhamos que ligar para nossos respectivos mesmo. Ai, que vergonha!!!!!!!!!!!!!!!! Me senti uma adolescente novamente. Óóó humilhação!!!

Bom, Stefan veio nos "salvar" com sua chave do carro (tack tack, äskling!!!). Depois de ter ido deixar minha amiga na casa dela, comecei o caminho de volta pra Boden. Só que já eram umas dez da noite, sem luz, um breu danado e, além do mais, neblina.

Sim senhor, dirigi meia hora com uma neblida tão densa que a única coisa que me ajudava a me manter na estrada eram uns pinos que se coloca ao longo das estradas daqui como guia para os tratores que varrerão a neve no invernão. No meio do caminho, ouço um "piiiiiiiiiiiiiii" vindo a minha bolsa. A bateria do celular tinha acabado.

*Gulp*

Cheguei em casa bem (graças a reza braba pra Nossa Senhora). Mas uma coisa valeu a pena (quer dizer, tudo valeu a pena, se pensarmos bem): quando estava dirigindo de volta pra casa por uma estrada secundária, cheia de curvas, conseguia enxergar de quando em vez o céu escuro, onde a aurora boreal dançava e tingia de verde a noite. Muito lindo! :c)

Escrito por Maria às 09:02 AM | Mais: Vidinha | Comente! (0)

setembro 08, 2003

Presente

Pra quem precisa de palavras doces, um presente:

An Old Irish Blessing

May the road rise up to meet you.
May the wind always be at your back.
May the sun shine warm upon your face,
and rains fall soft upon your fields.
And until we meet again,
May God hold you in the palm of His hand.


Obrigada, Marcia, queridoca! Este é o site onde a Marcia achou a versão original dessa oração.

Escrito por Maria à s 07:52 PM | Mais: Pra frente é que se anda | Comente! (0)

setembro 07, 2003

Independência é bom e eu gosto

Parabéns, Brasil!!!
(Se eu escrevi aqui no dia da bandeira da Suécia, tenho mais é que fazer o mesmo com o meu país, certo?)

Escrito por Maria à s 04:05 PM | Mais: Aniversários | Comente! (0)

Não leia se você tem estômago fraco

Ontem foi dia de faxina. Além de passar o aspirador no apartamento inteiro, limpei o banheiro. Mais especificamente, limpei o ralo do banheiro. E foi lá, de joelhos na frente do ralo pronto para ser aberto e limpo, que notei que estava diante de uma experiência existencial.

Passar um paninho, dar um brilho ou arrumar os livros são atividades importantes na faxina, mas não tão importantes quanto a limpeza do ralo do banheiro. Lá retira-se a sujeira verdadeira, profunda, a que nos incomoda mas que ficamos felizes por "esquecer" até que a água do banho comece a empoçar.

Coloquei luvas plásticas descartáveis e comecei a operação. Quando tirei a cobertura, abri o ralo e entendi que teria que meter a mão naquela substância cinza e molenga, fui tomada por um pânico verdadeiro. "E se sair algum bicho daí?", foi a primeira coisa que pensei.

Decidi que era melhor não pensar, apenas fazer. Meti a mão e puxei a massa cinza, até soltá-la da entrada do encanamento. *Ploc!*

Senti, então, uma estranha leveza, como que se eu tivesse limpando minha vida, minha consciência, os medos, os complexos, as dúvidas. Esguichei uma quantidade exagerada de água sanitária (Clorin) no ralo e em todas as adjacências, esfreguei a sujeira com uma escova de limpeza velha e dei por terminada a operação.

Claro que não é tão fácil assim. Medos, complexos e dúvidas ainda estão onde sempre estiveram. Se fosse fácil, eu seria um anjo. Mas valeu a experiência.

Escrito por Maria às 11:02 AM | Mais: Vidinha | Comente! (0)

setembro 05, 2003

Sovinice

Outro dia tava pensado na causa da existência de dois traços culturais suecos: a sovinice e o orgulho do seu país. E acho que começo a entender. Primeiro a sovinice. A Suécia, acredite se quiser, sempre foi uma nação pobre, basicamente rural, até mais ou menos a metade do século XX. Não é a toa que quase um terço da população emigrou para os EUA no início do século. As condições de vida aqui não eram lá muito boas não. Depois da segunda grande guerra, no entanto, assim como no resto do mundo aliás, houve uma melhoria espetacular na vida dos cidadãos suecos, que saíram da pobreza direto para a vida burguesa.

Isso porque vocês sabem que a Suécia - o país onde o socialismo deu certo - é uma nação burguesa, né? Pois então. A partir daí, empresas de alta tecnologia começaram a prosperar e redirecionar seus negócios para mercados mais lucrativos. Hoje a Suécia é líder em ciências de ponta, que demandam muito tempo de estudo e expertise, como biotecnologia etc. A sociedade sueca saiu das plantações diretamente para os laboratórios. Muitas famílias enricaram muito rápido: conseguiram de uma hora pra outra empréstimos a juros baixíssimos e compraram casa-grande-com-jardim, carro, roupas novas para os filhos, que foram pra universidade cursar engenharia, direito ou medicina.

Toda essa rapidez fez com que os suecos não entendessem que os tempos difíceis tinham acabado e muitos ainda acham difícil dividir. Um exemplo: quando você vai visitar alguém e comete a indizível gafe de chegar na hora do jantar, não espere ser convidado para sentar à mesa, muito menos provar do jantar. A regra aqui é: chegou em hora imprópria, vai esperar na sala até os donos da casa terminarem de jantar. Depois você pode tomar café com eles. O mesmo se aplica às crianças, que passam a tarde brincando na casa dos amiguinhos e, na hora do jantar, são mandadas embora pra casa. Muitas vezes a criança até volta pra continuar brincando (isso porque os suecos típicos jantam cedíssimo, às cinco da tarde, mais ou menos).

Por mais que ainda ache meio estranha essa coisa de deixar os visitantes esperando na sala enquanto come-se na cozinha, parei de franzir o cenho para esse "traço cultural". Afinal, tudo nessa vida tem uma explicação. Até mesmo a sovinice. Mas o fato de eu aceitar não quer dizer que adotei o costume. Na minha casa é diferente: quem chega aqui na hora do jantar, senta à mesa e come (se quiser, ninguém é obrigado, claro).

Escrito por Maria à s 09:06 AM | Mais: Cultura e comida | Mais: Europa & Escandinávia | Comente! (0)

Orgulho Nacional

Acho inclusive que esse crescimento espetacular fez com que o orgulho nacional sueco (por favor não confundir com orgulho nacionalista!) atingisse cada cidadão. De cabo a rabo do país a população se mostra extremamente orgulhosa do que a Suécia é hoje, de seu papel "neutro" na política internacional (isso merece um outro post), mas principalmente do Estado que propicia o bem-estar da população, o chamado Wellfare, que aqui é inacreditavelmente generoso.

Imagino que cada professor em cada escolinha das muitas cidadezinhas suecas repetiu para seus alunos as histórias de pobreza e o nascimento do Estado moderno sueco. Tenho certeza que essa sensação orgulhosa permeia todas as gerações pós-segunda guerra. Fiquei imaginando como seria o Brasil se tivéssemos o mesmo tipo de "educação de orgulho". Como cresci durante os anos 80 e me eduquei num colégio de classe média alta no Rio, nunca escutei muitas críticas ao governo. Mas hoje, pensando em tudo e com um tiquinho mais de experiência, reconheço no discurso de Lucas, um dos meus professores de História, críticas sérias ao processo democrático brasileiro.

Me lembro que estávamos estudando a Revolução Francesa (oitava série) e o Lucas descrevia com paixão o processo de luta, as conquistas, mas ainda mais intensamente, as artimanhas de Robespierre para manipular a populção. As chamadas "Massas de Manobra" eram tema central das nossas aulas e eu, meio tapada, só fui entender agora (Obrigada, Lucas!). Meu sonho é que na segunda-feira, a principal razão de piadas nas aulas em todas as escolas do Oiapoque ao Chuí não seja a vitória do time local no futebol, mas sim como a rede social brasileira funciona bem e como era antes, quando ainda existiam pessoas que não sabiam ler nem escrever e que passavam fome.

Anyway, agora vocês já sabem, os suecos são orgulhosos e sovinas, mas, pensando bem, e quem não é?

Escrito por Maria à s 08:33 AM | Mais: Cultura e comida | Mais: Europa & Escandinávia | Comente! (0)

setembro 03, 2003

Só pra avisar...

... que estou atoladíssima aqui. Preciso ler "Antigona" até amanhã (Já li) e acabar um exercício de sueco (Já terminei). Agora preciso preparar um trabalho sobre a União Econômica Européia. Já já eu volto aqui, ok? Os comentários estão fazendo muita falta, mas não tenho simplesmente tempo de procurar nenhum outro sistema, me inscrever, instalar etc. Se você quiser falar comigo, me mande um email. Já instalei um novo sistema, comente! Ficarei mais que feliz.


Campanha



Porque precisamos ter mais talentos na cultura nacional. Viva o André! (Prosa e Poesia)

Escrito por Maria às 08:19 AM | Mais: Universidade | Comente! (0)

setembro 01, 2003

Linda, linda, linda

Que a estrada se abra à sua frente,
Que o vento sopre levemente em suas costas,
Que o sol brilhe morno e suave em sua face,
Que a chuva caia de mansinho em seus campos.
E até que nos encontremos de novo...
Que Deus lhe guarde nas palmas de suas mãos

Esse texto é a tradução de uma oração irlandesa, cuja versão original em inglês eu perdi há alguns anos. Já tinha me cansado de procurar pelo texto quando um dia visitei a Liza e o vi, traduzido para o português. Quando eu digo que a vida é como uma Montanha-Russa, ninguém acredita. :c)

Escrito por Maria às 11:35 AM | Mais: De bem com a vida | Comente! (0)