julho 31, 2004

Canto esponjoso

areia.jpg"Bela
esta manhã sem carência de mito
e mel sorvido sem blasfêmia. Bela
esta manhã ou outra possível
esta vida ou outra invenção
sem, na sombra, fantasmas.

Umidade de areia adere ao pé.
Engulo o mar, que me engole.
Valvas, curvos pensamentos, matizes da luz
azul
completa
sobre formas constituídas.

Bela
a passagem do corpo, sua fusão
no corpo geral do mundo.

Vontade de cantar. Mas tão absoluta
que me calo repleto." -- Carlos Drummond de Andrade (livro "Novos poemas", 1948).

Escrito por Maria à s 02:03 PM | Mais: Elucubrações | Comente! (9)

julho 30, 2004

Que preguiça...

Olha, está um sol incrível aqui, 31 graus no sol (24 na sombra). Queria muito ficar e conversar, mas quero mais o sol, a luz e o calor (aproveito enquanto tenho). Ontem fomos a Piteå visitar a família. Aqui fotos de Lona (cão) e O'Boy (gato), filhos da Veronica, minha cunhada, na varandra da casa da minha sogra.

oboy02.jpglona01.jpg
Clique nas fotos para vê-las em seu tamanho natural.

E o mistério mais bem-guardado desde o nome do assassino de Odete Roitman foi revelado! Sabem quem é que vai "sair do armário" nos Simpsons? A Patty, irmã da Marge. Ela se apaixonará por uma professora de golf.

Escrito por Maria às 03:37 PM | Mais: Vidinha | Comente! (11)

julho 29, 2004

vovo_celia_peq.jpg

Hoje é aniversário da minha avó Célia, que está fazendo 91 anos. Ela está muito doente no Rio, onde é cuidada pela minha mãe (+ Rosângela e Joana). Minha avó sempre foi um porto-seguro pra mim, sempre esteve ali. Cresci contando com a força e o amor dela. Vó, tô com saudades. Te amo. Fique bem. Sua neta, Maria (sempre pensando em você)

Ufa!!! Consegui acabar de organizar o Montanha!!!! Estou tão feliz e realizada! :c) Apaguei algumas imagens que já não tenho mais e subi muitas que já estavam no "arquivo morto". Foi uma luta. Primeiro tive de abrir todos os posts a partir de março de 2004 até fevereiro de 2002 para apagar títulos duplos (resultado inevitável da migração do Blogger para o Movable Type). Depois, criei e atribuí categorias a todos os posts. Veja as categorias criadas aí na coluna lilás à esquerda, depois dos arquivos.

Publiquei as fotos que tinha com tamanho bom (sendo que algumas ultrapassaram meu limite auto-imposto de 100K, como a da minha cachorrinha Alice, que faz anos no dia 15 de maio). Não conferi os links porque seria uma odisséia a mais. Deixa pra lá. Descobri que me repeti pelo menos um post sem perceber. Foi quando contei a história da manga (versão pequena em 18 de março de 2002 e uma melhor em 4 de março de 2003).

Escrito por Maria à s 01:33 AM | Mais: Aniversários | Mais: Conquistas | Comente! (16)

julho 28, 2004

Bem feito

Cheia de coisas pra escrever mas ando meio sem saco. Uma delas, no entanto, vale a pena. Um líder político de extrema-direita (cujo nome não publico no Montanha porque aqui não escrevo merda), fundador de um partido neo-naz**ta sueco (cujo nome não publico pelo mesmo motivo) foi condenado a 1 ano e 4 meses de prisão e a pagar 130 mil coroas (+ou- 50 mil reais) de multa por ter batido na mulher dele em diversas ocasiões, sendo algumas vezes na frente dos filhos do casal.

O engraçado/trágico dessa história toda é que esse verme se auto-entitulou pai da "família perfeita sueca", quando posou com a mulher e os filhos pra um anúncio do partido nas últimas eleições. Na home pages deles (cujo link eu não coloco, claro) há manchetes diárias do tipo "Estuprador muçulmano pega cadeia". Numa notinha do suplemento de cultura do meu jornal de hoje um repórter pede que os responsáveis pela atualização do site coloquem lá: "Preso homem sueco que espanca mulheres".

Escrito por Maria à s 10:28 AM | Mais: Europa & Escandinávia | Mais: Irritação e ironia | Comente! (12)

julho 27, 2004

De luto

Meu Deus, o Fervil morreu. Recebi a notícia do CAT, que a recebeu dos pais dele. O Fervil estava voltando do trabalho em Santo Cristo (Rio) quando uma moto emparelhou com ele, aparentemente para assaltá-lo, e o cara deu um tiro no tórax. Morte instantânea. Gente.

Pra quem não sabe, o Fervil, ou Fernando Vilella, era um jornalista de informática muito querido por toda a comunidade. Moço, regulava em idade comigo. Infelizmente nunca tive o privilégio de trabalhar com ele, mas na revista que ele criou, a Internet.br. Nos encontrávamos em acontecimentos de imprensa. Estou chocada.

20:37 hs -- Passei o dia meio perturbada, depois de ter recebido a notícia acima no início da manhã. Fiquei pensando que dor incrível a da família do Fervil, a agonia dessa violência horrorosa. Queria enviar minhas sinceras condolências a eles. Pensei muito na violência do Rio, o que me deixou ainda mais triste. Não sei nem o que dizer.

Estou quase terminando a arrumação inicial dos arquivos do Montanha. Digo inicial porque ainda tenho que dar um ajustes em posts até mais recentes que ainda estão com títulos duplos e fotos que não aparecem. Os links eu tento ver se tenho saco pra conferir mais tarde.

Escrito por Maria às 10:07 AM | Mais: Saudade e sonhos | Comente! (14)

julho 26, 2004

Organizando

Tô organizando os arquivos do Montanha e as categorias. Maió trabalhão. Consegui chegar a dezembro, novembro, outubro, setembro, agosto, julho, junho maio de 2002. :c) Agora é agüentar firme, editar os mais de 200 posts que ainda faltam, até chegar a fevereiro de 2002, quando tudo começou. O engraçado é observar como as coisas mudaram desde então. Eu mudei e a Suécia que eu vi mudou comigo (à medida em que comecei a entender o idioma, conversar com as pessoas, ler jornais e ver TV). Bacana. (Música para que o trabalho funcione melhor: trilhas de "Easy Rider" e "The Commitments"; Beatles; Milton e Gil e Rita Lee)

Escrito por Maria às 02:29 PM | Mais: Vidinha | Comente! (14)

julho 25, 2004

"Budapeste", o livro do Chico

book.jpg

"Devia ser proibido debochar de quem se aventura em língua estrangeira".
Assim começa "Budapeste", do Chico Buarque, que terminei de ler ontem. Acho que gostei do livro. Eu apenas acho que gostei porque o achei muito frio, um livro assim distante, com um personagem egocêntrico e obcecado por seu anonimato/celebridade. É, como o Caetano escreveu na resenha que ilustra a orelha do livro, "Budapeste é um labirinto de espelhos que afinal se resolve, não na trama, mas nas palavras, como os poemas".

É exatamente isso que eu senti quando li o livro. Não quero bancar a crítica literária não, essa é minha opinião pessoal, ok? "Budapeste" é um exercício estilístico bem-sucedido, mas, na minha opinião, falta alguma coisa. O estilo é claro, sem complicações - o que é um alívio - mas mesmo assim é difícil se aproximar de José Costa (ou Zsoze Kósta), o protagonista-narrador. Mas, pensando bem, de repente era exatamente esse o objetivo do Chico. Li o livro aflita, esperando pra ver o que é que o tal de José Costa iria aprontar.

Gostei, no entanto, da presença de Budapeste (a cidade) e húngaro (o idioma) no livro. Nunca fui lá, mas tenho muita vontade. Sei que húngaro é um dos idiomas mais difíceis do mundo. Sei disso porque tive um professor de história na quinta série chamado Carlos Alberto que sabia falar russo e disse numa aula (sei lá porque) que havia tentado aprender húngaro, mas que tinha desistido por ser difícil demais.

Não sei porque, nunca esqueci isso. Abaixo, um trecho de "Budapeste":

"Para algum imigrante, o sotaque pode ser uma desforra, um modo de maltratar a língua que o constrange. Da língua que não estima, ele mastigará as palavras bastantes ao seu ofício e ao dia-a-dia, sempre as mesmas palavras, nem uma a mais. E mesmo essas, haverá de esquecer no fim da vida, para voltar ao vocabulário da infância. Assim como se esquece o nome de pessoas próximas, quando a memória começa a perder água, como uma piscina se esvazia aos poucos, como esquece o dia de ontem e se retêm as lembranças mais profundas. Mas para quem adotou uma nova língua, como a uma mãe que se selecionasse, para quem procurou e amou todas as suas palavras, a persistência de um sotaque era um castigo injusto." (página 128)

Escrito por Maria às 09:27 AM | Mais: Livros | Comente! (18)

julho 24, 2004

Verão 2004, Boden

verao04_casinha_ilha.jpg

verao04_gramado.jpg

verao04_copa_arvore.jpg

verao04_casinha.jpg

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Foto 1 - Quando fico de saco cheio de tudo (inclusive de mim mesma) gostaria de ir pra uma dessas casinhas no meio do nada. Essa fica numa ilha em frente ao parque em que sempre vamos dar uma andada. (A foto está meio estranha porque tive de usar o zoom no máximo... minha câmera é esforçada, mas não é profissional.)

Foto 2 - Nada de especial, além de ser lindo olhar pras árvores assim, pra grama verdinha (não se esquecam que aqui é frio seis meses por ano...)

Foto 3 - Me deitei na sobra e... olhei pra cima. Lindo, não? Essa árvore chama-se Björk (sim, como a cantora) e é típica dessa região. Eu adoro as Björks. Quem se lembra das fotos do gramado da frente do meu apartamento já viu Björks.

Foto 4 - Uma das stugas (casinhas antigas, simples, de veraneio) antigas de Boden. Ao lado da igreja, normalmente habitada por turistas noruegueses que pagam os tubos por elas (eles são os mais ricos do mundo, né?).

Foto 5 - Esse passarinho chama-se Talgoxe [táliuxe] e mora junto com sua parceira num cantinho em cima da nossa varanda. Eles pousam no parapeito, secam as asas e cantam. No inverno colocaremos uma casinha e sementes pra que eles sobrevivam.

Foto 6 - Árvores, grama, vegetação rasteira, casa vermelhinha. Ah, o verão...

Escrito por Maria à s 12:01 AM | Mais: De bem com a vida | Mais: Europa & Escandinávia | Comente! (10)

julho 23, 2004

Desenvolvimento humano

Pelo quarto ano consecutivo a Noruega é o país mais desenvolvido do mundo, por ter conseguido combinar fatores como alta expectativa de vida, investimentos nos cuidados com a saúde da população e um Produto Interno Bruto (PIB) altíssimo: 36.600 dólares per capita. Essa é a conclusão do Índice de Desenvolvimento Humano, compilado pelo UNDP, órgão das Nações Unidas.

A Suécia está em segundo lugar no índice de desenvolvimento geral e no que diz respeito ao PIB, o país garante o 21 lugar, com 26.050 dólares per capita. Já o Brasil fica em 69 lugar no índice geral, com uma renda per capita de 7.037 dólares. As últimas posições são de Burkina Faso (expectativa de vida = 46.1 anos); Burundi (40.6); Nigéria (44.8) e Serra Leone (38.3).

A Suécia tem a segunda maior expectativa de vida do mundo, com 79.6 anos. Somente o Japão fica à frente, com 80.8 anos. A média brasileira é de 67.5 anos. Os japoneses também têm outra razão para se orgulhar pois são um dos países com a menor taxa de mortalidade infantil: 3 em cada 1000, assim como Islândia e Cingapura. A Suécia, segundo o artigo do jornal, investe mais em educação e é primeirona no que diz respeito a pesquisa.

Atualmente 7,5% da população sueca é analfabeta (dado que, segundo o jornal, tem a ver com a chegada massiva de refugiados de guerra), mesmo assim a Suécia ainda é um dos países mais letrados do mundo. Sobre a pobreza, a país também tem bons índices com apenas (sic) 6,5% da população vivendo abaixo da linha da pobreza - o que por essas bandas quer dizer que essas pessoas ganham menos do que 50% da renda média da população (ou seja, menos de 13 mil dólares).

Meu comentário? See below...

imagine05.jpg

Escrito por Maria à s 10:34 AM | Mais: Europa & Escandinávia | Comente! (9)

julho 22, 2004

Astronauta

Acabo de receber um pacote com presentes da família do meu pai. Sachês delicados e um perfume da L'Occitane, um cartão lindo com fotos (meu irmão cada vez mais bonito e meu pai idem) e quatro CDs. Cássia Eller, Belchior, Marina e Gil & Milton, que ainda está tocando aqui perto de mim.

Segurei a emoção numa boa durante os primeiros 20 minutos do CD, mas quando o Milton entoou os primeiros acordes de "Maria" de Ary Barroso ("Maria, o seu nome principia na palma da minha mão"), não resisti. Chorei. Chorei com saudades, com o amor, com o calor da voz do Milton (lindo na capa) com a malevolência do Gil, com tudo.

Nossa, como sinto falta de português! Música é mesmo mágica. Nenhum livro escrito em português é capaz de me dar essa sensação de união comigo mesma. O pior é que a gente não sabe que sente tanta falta. É como meu urso às vezes diz quando comemos alguma coisa gostosa: "Não sabia que estava com tanta fome!"

A mesma coisa vale pra mim, vivendo de uma cultura emprestada. Aprendendo muito mais do que aproveitando. Sou uma astronauta vivendo de pós nutricionais, suplementos, capazes apenas de me manter viva. Mas prazer mesmo, a delícia do deleite da língua, do ritmo, das experiências geracionais, isso são outros quinhentos.

Escrito por Maria à s 01:13 PM | Mais: Aniversários | Comente! (17)

julho 21, 2004

Mais diferenças

No livro sobre o encontro de culturas (dia 17), a Birgit Öberg escreve sobre uma série fascinante de diferenças entre os países que ela conheceu. Além da coisa de falar sem parar, há ainda a idéia de distância corporal entre pessoas num encontro informal. Diz lá no livro:

"Em várias piadas contadas por sulamericanos, ri-se da chamada 'Dança de Cocktail' que acontece quando o sulamericano dá um passo adiante para poder conversar no que pra ele é uma distância amistosa (não-formal) e o norte-americano dá um passo pra trás, porque essa distância pra ele é demasiado pequena. A aproximação é entendida como ameaçadora ou familiar demais, principalmente em se tratando de dois homens".
Noto isso aqui direto. Eu não desvio quando alguém se aproxima pra falar bem próximo a mim - a não ser quando a pessoa é completamente desconhecida ou cheira mal (hohoho). No capítulo em que Birgit Öberg fala do toque, confirmei o que eu já tinha observado entre casais suecos e brasileiros. Diz lá:
"Um pesquisador estudou casais em cafés de rua em cidades distintas. Um casal em San Juan, em Porto Rico, se tocou 180 vezes em 10 minutos de observação. Durante o mesmo tempo, casais franceses (em Paris) se tocaram 110 vezes, enquanto americanos de Gainsville, Flórida, e ingleses de Londres, tocaram-se duas vezes durante os dez minutos de observação".
Isso é estranho. Pertenço à raça das pessoas que gostam de "se comunicar com as mãos". Porém, uma vez ultrapassei um desses limites culturais no que diz respeito ao toque. Foi numa entrevista coletiva com um executivo americano da Microsoft (pra quem não sabe, um dia fui uma jornalista de tecnologia). Eu tinha que voltar pro jornal pra fechar a matéria e precisei sair no meio do lance. Como nunca poderia deixar de me despedir do convidado principal e ele estava olhando para outro lado, o toquei de leve no ombro, como que para chamar sua atenção.

Pra que. O homem deu um pulo pro lado e me olhou como se eu estivesse me preparando para atacá-lo, escalpelá-lo (é assim?) e comer seu cérebro com um garfo. Nunca me esqueço da expressão de surpresa - e, porque não dizer, medo - nos olhos dele. Eu também fiquei surpresa, também fiquei insegura e acabei deixando pra lá a despedida. Sabe deus do que um americano é capaz quando acuado, certo? :c)))

Escrito por Maria às 12:25 PM | Mais: Cultura e comida | Mais: Livros | Comente! (17)

julho 20, 2004

Pelos cotovelos

Conversei ontem no telefone com a Liza e reparei uma coisa ótima: ambas falamos ininterruptamente, puxando um assunto de dentro do outro. Essa é uma das coisas de que mais sinto falta no meu dia-a-dia: o ritmo da conversa brasileira (ou latina). Explico. Os suecos têm como hábito ouvir a pessoa que fala sem interromper. A grande diferença é que eu fui "treinada" na chamada conversa sem fim, onde se engatilha um assunto no outro e num fôlego só cobre-se desde política até culinária, passando por saúde, amor e as últimas fofocas.

Uma das coisas que tive de aprender quando vim morar aqui é colocar um ponto final evidente no que estou dizendo. Isso porque o sueco espera pacientemente que você pare de falar para que ele possa dizer o que pensa. Birgit Öberg (livro do dia 17) comenta sobre o desencontro de suecos e povos árabes e/ou sulamericanos quando conversam. Nós esperamos ser interrompidos com perguntas, mas como eles não as fazem, continuamos a falar. Eles esperam que paremos de falar para fazer suas perguntas.

Nós achamos que os suecos são mal-educados por não se interessarem em nada do que falamos (por não fazerem perguntas) e eles nos acham incrivelmente mal-educados por simplesmente não parar de falar! (Esse tipo de coisa não se aprende na escola, temos que conviver com eles pra reparar. Fazer essas descobertas é, pra mim, a parte mais fascinante de morar fora do Brasil.)

Escrito por Maria às 11:22 AM | Mais: Cultura e comida | Mais: Livros | Mais: Vidinha | Comente! (23)

julho 19, 2004

Filmes, siri e Budapeste

O final de semana foi tããããããoooo bom! Minha sogra estava aqui em casa, vimos mooooooooitos filmes ("Calendar Girls", "Mystic River" (Sean Pean... be still my beating heart), "Skenbart" e "Tillfällig fru sökes" (suecos) e "Catch me if you can" ... impressionante quando o Leo DiCaprio deixa de lado o glamour de ser lindo, ele até funciona bem como ator. O mesmo acontece com o Brad Pitt, que estava fenomenal como o maluco Jeffrey Goines de "12 Macacos", do fantástico Terry Gilliam.)

Mas o melhor veio depois, na noite de sábado pra domingo. É que ganhei um jantar especial oferecido por uma amiga brasileira que mora aqui perto de mim. Comemos salmão feito no forno com sal grosso (uma delícia! desmanchava na boca), batatas com molho béarnaise e, de entrada, - saquem o luxo! - casquinhas de siri! Nham nham nham, como diz Marcinha. :c) E, claro, bolo Prestígio de sobremesa. Nossa, bebi tanto vinho branco que cheguei a ficar tipsy...

Mas o melhor foram os presentes! (Oh! Hoje eu não estou educada... ainda é o vinho) É que minha amiga, que sabe bem como eu sou, me deu de presente "Budapeste", do Chico Buarque (e ainda juntou ao pacote massa de pão de queijo e café brasileiro). Quase chorei quando vi o livro (foi o vinho! foi o vinho!). A noite seguiu até tarde, eu e minha amiga falando português num ritmo alucinante até o fim. Maridos e sogra deixados ao léu, em suas santas suequices. :c)

Escrito por Maria à s 02:18 PM | Mais: Aniversários | Mais: Livros | Comente! (20)

julho 18, 2004

Armas de destruição em massa

Ouvi a música abaixo no rádio e achei a letra fenomenal. Veja alguns trechos:

"Whether long range weapon or suicide bomber
Wicked mind is a weapon of mass destruction
Whether you're soar away sun or BBC 1
Misinformation is a weapon of mass destruction
You could a Caucasian or a poor Asian
Racism is a weapon of mass destruction
Whether inflation or globalization
Fear is a weapon of mass destruction
(...)
Whether Halliburton or Enron or anyone
Greed is a weapon of mass destruction
(...)
We need to find courage, overcome
Inaction is a weapon of mass destruction
Inaction is a weapon of mass destruction
Inaction is a weapon of mass destruction
"
É ou não é o máximo? Adoro música e poesia porque com elas diz-se em algumas linhas (e num ritmo bom) tudo o que você leva milhares de letras pra explicar num texto. O grupo, que é inglês, chama-se Faithless. Clique aqui e veja o vídeo deles.

Na busca pela letra da música, dei de cara com um discurso do candidato à presidência dos EUA Dennis Kucinich, que é democrata e tem até um blog. Olha que bacana o que ele escreveu:

"Once again the hopes of people of two nations are being smashed by weapons in the name of eliminating weapons. Let us abolish weapons of mass destruction at home. Joblessness is a weapon of mass destruction. Poverty is a weapon of mass destruction. Hunger is a weapon of mass destruction. Homelessness is a weapon of mass destruction. Poor healthcare is a weapon of mass destruction. Poor education is a weapon of mass destruction. Discrimination is a weapon of mass destruction."
Bom, né? (Seria melhor ainda se ele e os outros políticos americanos realmente acreditassem nisso e fizessem alguma coisa pra melhorar a situação).

E, pra terminar, um post copiado do meu amigo Sérgio Maggi:

1) vá até o Google

2) Digite - weapons of mass destruction - (não digite ENTER)

3) Clique no botão "Estou com Sorte" (ou "I'm feeling lucky" ou "Jag har tur")

4) Leia a mensagem de erro atentamente, a página toda.

Escrito por Maria às 08:00 PM | Mais: Cultura e comida | Comente! (7)

julho 17, 2004

A relatividade da vida

Acabei de ler anteontem à noite o livro "Diferentes pontos de vista - sobre encontro de culturas e diferenças culturais" ("Olika syn på saken - om kulturmöten och kulturella skillnader"), de Birgit Öberg. A autora é casada com um embaixador sueco e morou em postos tão diferentes como Tailândia, Algéria e Polônia. Uma coisa em particular me chamou atenção no livro de Öberg: a noção - até certo ponto evidente - de que o mundo é repleto de normas, que se diferenciam uma da outra dependendo de onde você vive.

"Quão quente é quente? Quão frio é frio? Quão escuro é escuro? Apenas depois do primeiro ano vivido em um país estrangeiro é que alguém que tenha vindo de um clima diametralmente oposto pode entender a relatividade dessas perguntas. O que é ser rico ou pobre, o que é ser caro ou barato? Não é suficiente aprender apenas a tradução de um adjetivo em uma outra língua. É necessário tomar conhecimento de qual é a norma de uso desse adjetivo. Quantos minutos querem dizer que você 'Tem de esperar um pouco'? São cinco minutos, meia-hora ou mais? Se é 'difícil' encontrar com o diretor, quão difícil é difícil? Para nós [suecos] 'impossível' é uma resposta definitiva. Já para pessoas vindas do sul da Europa ou da cultura árabe, isso é apenas o início de uma negociação".
Esse livro é, na verdade, um estudo da relatividade da vida. Tudo pode ser visto por ângulos diferentes. As pessoas têm vidas distintas, experiências próprias e reagem a cada acontecimento de uma maneira especial - nem sempre, aliás, de acordo com o estereótipo de sua cultura. No livro discute-se nossas crenças mais enraizadas que, na verdade, não são nada mais do que exatamente disso, crenças. O mundo está aí pra ser experimentado livremente e, ainda bem, continua cheio de surpresas.

Tô sem poder escrever muito mais nem visitar a galera porque minha sogra está aqui em casa. Ele é muito gente boa e está lá na sala a fazer palavras-cruzadas enquanto vim aqui, escrever (já estava com sinais de abstinência). Já já volto ao normal. Beijo.

Escrito por Maria às 11:39 AM | Mais: Livros | Comente! (12)

julho 16, 2004

Obrigada!

Obrigada por todos os comentários, pelos muitos emails, presentes, cartões, telefonemas e mensagens no Orkut. Estou exausta. Feliz, mas exausta. Quem diz que emoções não cansam a gente? Um beijo grande a todos e obrigada. De coração.

Escrito por Maria à s 12:23 AM | Mais: Aniversários | Comente! (0)

julho 15, 2004

Meu aniversário

Hoje faço 33 anos.

Esse dia sempre foi pra mim como uma uma pequena caixinha de música, estofada em veludo vermelho, onde exploro agilmente, feito uma bailarina, cada canto; onde rio, danço e recebo telefonemas, flores, presentes. É um dia especial, cheio de magia, com fitas douradas nos cantos e um vestido novo.

Nesse dia deixo de ter 33, 20 ou 15 anos. Volto a ter cinco anos, a esperar os presentes com uma sensação de antecipação enorme. Fico feliz com cada lembrança e como o bolo mais delicioso do planeta: de chocolate, feito pela minha avó Celia. Que aceitou meu pedido e o decorou com Confeti colorido.

Poucas coisas são melhores do que a sensação de receber um presente (bem, talvez dar um presente seja melhor), de abrir a caixa (a carta, o email) e ver que o outro pensou em você. Isso de que outra pessoa realmente gastou seu tempo pensando em mim sempre me deixou impressionada, lisonjeada e emocionada.

Aniversário pra mim é um dia hedonista, sem qualquer preocupação com a Maria-do-dia-a-dia. Quero ver coisas bonitas, falar com quem amo, beijar quem adoro e me sentir bem. Ouço minhas músicas favoritas, coloco meu perfume preferido e tento só pensar em coisas boas.

Hoje faço 33 anos e estou feliz. Um beijo a todos. :c)

Escrito por Maria à s 12:33 AM | Mais: Aniversários | Comente! (44)

julho 14, 2004

Hoje

O dia 14 de julho é comemorado especialmente por ser o dia de dois aniversários importantes. Hoje é aniversário de Ingmar Bergman (foto acima), o grande diretor sueco. Ele mora sozinho na ilha de Fårö, localizada ao norte da ilha de Gotland (sul do país). Bergman está completando 86 anos e diz ter parado de escrever, apesar de ainda juntar material em seus "cadernos de trabalho". (Aliás, há coisa mais canceriana do que isso?)

O jornal de hoje fez uma matéria grande, na capa do suplemento de cultura, sobre o diretor. Na entrevista, Bergman conta sobre um projeto fantástico, que infelizmente nunca foi realizado. Ele estava em Roma e pretendia se encontrar com Fellini, que filmava então "Satyricon", e o diretor japonês Kurosawa. O plano era fazer um filme com três histórias de amor com mesmo enredo, mas com direções diferentes, do norte, do sul e do leste.

Imagina, que legal? Dá até vontade de escrever como essas histórias de amor seriam. Pena que não tenho a menor idéia de como é uma história de amor japonesa (as outras duas acho que posso imaginar :c)

Hoje é também aniversário da Princesa Victoria Ingrid Alice Desirée (foto ao lado), que um dia será Rainha da Suécia. Quando ela nasceu, em 1977, não foi logo coroada como herdeira ao trono porque era menina. (hunfffth!!!) O irmão dela, príncipe Carl Philip, nasceu dois anos depois e era o futuro rei sueco. Mas, em 1980, o parlamento sueco passou uma lei que tornou legítima a subida ao trono de príncipes de ambos os sexos. Victoria era, então, princesa coroada.

Gosto muito da Princesa Victoria, até mais do que os outros filhos de Carlos Gustavo e Silvia. O pai e os três filhos sofrem de dislexia e têm dificuldades para ler e escrever. Victoria teve anorexia quando era mais jovem mas conseguiu se curar numa clínica americana. Hoje todos se perguntam quando ela vai se casar (coitada, a maior pressão). O atual namorado dela, Daniel, é um empresário dono de uma academia de ginástica. A fofoca na imprensa marrom diz que o rei não está lá muito satisfeito com a escolha da filha.

O problema é que para qualquer pai a história se repete: jamais, homem algum, é bom o suficiente para se casar com a sua filha. Imagina quando sua filha é uma princesa? A "pobre" da Victoria, que apesar da dislexia estudou em Yale e fez estágio na embaixada sueca em Paris, diz que é uma barra pesada namorar com ela, agüentar a pressão da imprensa observando cada passo que se dá. Ninguém fala em casamento, até porque parece que os outros filhos do casal real devem se casar primeiro.

Nota: Essa coisa de gostar de realeza é muito careta, eu sei. Mas num tô nem aí. Deixa eu manifestar meu lado tiete-cafona-sueca em paz, valeu? :c))

Escrito por Maria à s 01:27 PM | Mais: Aniversários | Comente! (15)

julho 13, 2004

Chuvarada

setinha01.gif Chove horrores, mas o sol brilha mesmo assim. As pessoas andam pela rua de guarda-chuva e óculos escuros. Tô me sentindo em casa. :c)

setinha01.gif Quer se divertir pacas ao mesmo tempo em que lê um texto interessantérrimo? Clica aqui, vai.

setinha01.gif Amo meu urso, mas às vezes me dá uma vontade danada de cortá-lo em pedacinhos beeeeeeem pequenininhos.

setinha01.gif Alguém aí tem um aviãozinho que possa me levar pro Rio? Aceito voar de graça. Obrigadinho.

setinha01.gif Sempre achei que todo mundo fosse assim, mas recentemente descobri que nós, pessoas que ligam números à cores, somos diferentes da maioria. Bom, pra mim, a vida sempre foi assim ó:

#1 = branco
#2 = preto
#3 = amarelo
#4 = marrom
#5 = vermelho
#6 = azul
#7 = amarelo/laranja
#8 = marrom/preto
#9 = rosa/laranja

Escrito por Maria às 04:32 PM | Mais: Vidinha | Comente! (14)

julho 12, 2004

100 anos de Pablo Neruda

Suas Altezas Reais, Senhoras e Senhores,

Viemos de longe, do que é passado e do que está dentro de nós, de outros idiomas, de países que se amam. Aqui estamos nós, reunidos em Estocolmo, que esta noite é o centro do mundo. Viemos da química, dos microscópios, da cibernética, da álgebra, dos barômetros, da poesia para nos reunir aqui. Viemos da escuridão de nossos laboratórios para encontrar a luz que nos honra e, nesse momento, nos deslumbra. Porque para nós, os laureados, é uma questão tanto de paixão como de dor.

Mas antes de agradecer preciso me concentrar, se vocês me perdoam, para me levar para bem longe daqui, para retornar ao meu país e mais uma vez sair caminhando na noite e na madrugada da minha terra nativa.

Eu retorno às ruas da minha infância, aos invernos da América do Sul, aos jardins de lilás de Araucania, à primeira menina que tive em meus braços, à lama nas ruas que não conheceram pavimento, aos índios vestidos em luto deixados pelos conquistadores, a um país, um continente escuro procurando pela luz. E se os holofotes dessa sala festiva atravessarem o mar e iluminarem o meu passado, eles também iluminarão o futuro dos nossos povos americanos, que estão defendendo seu direito à dignidade, à liberdade e à vida.

Represento esse tempo e as batalhas atuais que enchem minha poesia. Vocês me perdoem se extendi minha gratidão para cobrir aqueles que me pertencem, até aos esquecidos dessa terra que nessa hora feliz da minha vida aparecem mais reais para mim do que minhas próprias frases, mais altos do que minha cadeia de montanhas, maiores do que o oceano. Sou orgulhoso de pertencer a essa grande massa de humanidade, não aos poucos mas a muitos, cuja presença invisível me cerca hoje aqui.

Em nome de todos esse povos e no meu próprio nome eu agradeço à Academia Sueca pela honra que me foi dada hoje pelo meu trabalho como poeta. Também agradeço a esse país com suas grandes florestas e suas neves profundas, cuja sensação de igualdade e amor à paz, cujo equilíbrio e generosidade impressiona o mundo. Eu agradeço e retorno ao meu trabalho, à página em branco que espera todos os dias nós poetas para que a preenchamos com nosso sangue e nossa escuridão, porque é com sangue e escuridão que poesia é escrita, que poesia deveria ser escrita.

Pablo Neruda - Discurso do Banquete do Prêmio Nobel de Literatura, em 1971. Hoje Pablo Neruda faria 100 anos se estivesse vivo. Ia colocar uma poesia aqui, mas, sem livro algum seria meio difícil escolher a melhor. Teria de confiar totalmente nas fontes da Internet. Por isso, pensei nesse discurso que os laureados do Prêmio Nobel fazem quando recebem a homenagem. Que coisa linda, não? (Aliás, só tem gente boa fazendo aniversário hoje :c)

Página oficial de Pablo Neruda.

Escrito por Maria às 09:31 PM | Mais: Cultura e comida | Comente! (4)

Cenas de um verão sueco

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Escrito por Maria à s 09:25 AM | Mais: Europa & Escandinávia | Comente! (16)

julho 11, 2004

Filmes e despedidas

Ontem assistimos a dois DVDs alugados: "Kill Bill" e "Love Actually". A-MA-MOS os dois. Adorei ver finalmente o quarto filme do Tarantino (tô até vendo Angelique rindo e pensando como eu estou por fora). Morri de rir quando as cabeças (assim como braços e pernas) começaram a rolar pela espada samurai da Uma Thurman. Aqueles esguixos de sangue dignos de filmes B eram um sarro. Hohoho. E agora eu preciso, preciso, pre-ci-so ver a seqüência. :c)

O "Love Actually" é uma delícia. Tão bonito. Quando os ingleses decidem fazer uma comédia romântica a coisa fica tão melhor! Adorei o roqueiro em decadência ("Kids, don't buy drugs! Be a rock star and they will give them to you for free!!!) Hohoho; a esposa traída da Emma Thompson (também, é possível não gostar de alguma coisa que a Emma Thompson faz?); e mais o português mais lindo falado pelo delicioso Colin Firth (Nossa, que homem é esse?). Muito legal.

Sexta-feira passada, dia 9, foi o enterro do pai de Stefan. Havia fila para realização da cerimônia de despedida, por isso teve-se de esperar 15 dias. (Bem-vindos à Europa socialista!) A cerimônia foi muito bonita, sóbria e delicada. A capela era pequena, de madeira e tinha na parede do altar um painel de vidro, onde podia-se ver as árvores lá fora. Emocionante.

Tudo isso mexeu comigo, com meus sentimentos de perda pessoais, com a saudade que sinto de tudo e de todos, e me fez um pouco infeliz por não estar perto da minha família. No dia-a-dia esqueço a sensação de que algo está faltando - até por ser uma estratégia de sobrevivência - mas nesses 15 dias isso foi impossível. Stefan? Ele está bem. Muito melhor do que eu, inclusive. :c)

No jornal de hoje, matéria sobre a violência no Brasil (São Paulo e Rio). Comecei a ler com uma ponta de mau humor: "Que saco", pensei, "esses caras só mostram o lado ruim! Tenho que escrever pra eles e dizer que o Brasil não é só isso". Mas aí, li a matéria do correspondente da América Latina, Nathan Sachar, e... concordei com ele. Tudo o que está ali é a mais pura verdade.

Ele não descreve apenas o tráfico de drogas, a corrupção da polícia, a negligência do governo e os horrores de uma guerra civil desfarçada que mata 50 mil pessoas por ano. O correspondente fala principalmente do medo de ser viver à beira de tanta violência 24 horas por dia. Me lembro bem dessa sensação - que ainda vive dentro de mim, até aqui onde vivo um dia-a-dia seguríssimo.

"Os pedestres que andam pela Avenida Paulista em São Paulo têm uma expressão que denota despreocupação. No entanto, não é futebol, samba ou sexo que eles têm em suas mentes. Um estudo feito pelo jornal A Folha de S. Paulo no ano passado mostrou que o que mais dominava os pensamentos das pessoas é sua própria segurança". (Tradução livre minha)

Escrito por Maria às 12:19 PM | Mais: Cultura e comida | Mais: Saudade e sonhos | Comente! (18)

julho 08, 2004

Parabéns, júnior!

Para psiquiatra, Bush é sádico, paranóico e megalomaníaco

da Folha de S.Paulo

Ele chama a mãe de "aquela que mete medo", foi atrás do inimigo número 1 do pai porque, inconscientemente, queria atingir o próprio, é sádico, paranóico e megalomaníaco. Além disso, trata-se de um alcoólatra não-tratado. Mais um caso para um bom psiquiatra, não fosse a figura em questão George Walker Bush, o 43º presidente dos Estados Unidos, que completou 58 anos [no dia 6 de julho]. Pelo menos segundo polêmica análise de Justin Frank, autor do livro "Bush on the Couch" (Bush no divã, Regan Books, 2004), lançado no mês passado com grande barulho nos EUA.

Folha - No livro, o sr. dá a entender que a invasão do Iraque se deveu principalmente a esses problemas psicológicos. Como assim?
Frank - É isso mesmo. Do ponto de vista psicológico, é muito melhor para ele ir atrás de Saddam Hussein, porque é mais fácil para ele projetar seus desejos assassinos em relação a seu pai em Saddam Hussein, para que ele possa dizer, "Veja, eu estou atrás de Saddam Hussein, é ele que quer matar meu pai, não eu". Só que, inconscientemente, quem quer atingir seu pai na verdade é Bush.

Folha - O sr. diz que ele é um alcoólatra não-tratado. Qual o problema, se de fato ele não bebe mais? Não era esse o objetivo?
Frank - Sim, mas ele não teve seu alcoolismo tratado, apenas parou de beber. Ele próprio diz isso em sua biografia. E é muito importante que você tenha as causas de seus problemas tratadas. Por isso Bush não consegue ser introspectivo, continua culpando os outros quando algo dá errado, não tem remorso de nada e lhe falta a habilidade de pedir desculpas, ou seja, continua com todas as características do alcoólatra.

Para ler a matéria inteira da Folha, clique aqui. (Vale a pena)


Negócio o seguinte, eu particularmente acredito na análise desse professor e não acho que ele seja um pilantra querendo ganhar um dinheirinho com as mazelas do Bush. Concordo com a análise que ele fez do presidente dos EUA e acho assustador que uma pessoa incapaz de introspecção possa exercer o cargo mais poderoso da face da Terra.

Essa coisa de não pensar, não assumir, não ter remorso ou consciência, não conseguir pedir desculpas (simplesmente porque nunca na verdade reconhece que fez besteira e culpa outros por tudo) é uma das características mais medonhas do ser humano. Simplesmente não consigo lidar com gente incapaz de dizer: "Fiz merda. Foi mal", ou "Assumo a culpa".

O pior é que a quantidade desse tipo de gente, that doesn't have a clue, cresce cada vez mais. E quando falamos a verdade, ficamos bravos com a inconsciência alheia, somos nós os frustrados, os invejosos, os infelizes. Minha mãe sempre me diz que aquele que fala a verdade terá sempre problemas, não pelo fato de dizer a verdade em si - até porque a verdade é um conceito relativo - mas por haver poucas pessoas dispostas a ouvir.

"Os homens nascem ignorantes, não estúpidos. Para torná-los estúpidos são necessários anos e anos de educação." Bertrand Russel
(Copiado da inteligentérrima Anlene, em Madri)
Escrito por Maria à s 12:52 PM | Mais: Aniversários | Comente! (13)

julho 07, 2004

Os EUA de Moore

Comecei a ler ontem o "Stupid white men", do Michael Moore (mais um presente da Princesoca :c) e estou a-do-ran-do. O livro é de fato muito ousado e traz informações estarrecedoras, não apenas sobre o presidente Bush júnior mas inclusive sobre os EUA em geral. Algumas delas:

31% dos negros no estado da Flórida foram impedidos de votar na eleição presidencial de 2000 (quando Bush júnior concorreu com Al Gore) por ter um crime em sua folha de antecedentes. Não importa se eles já haviam pago pelo que fizeram e tiveram seus direitos de cidadania restabelecidos.

A contagem das cédulas de votação advindas do exterior da eleição de 2000 inclui uma série de irregularidades, inclusive cédulas com evidentes traços de fraude (gente votando duas vezes, cédulas do exterior enviadas de dentro dos EUA, votos chegando atrasados, com assinaturas não reconhecidas etc).

Líbia, Ilhas Maurício e Seicheles - todos os três países africanos - têm taxa de mortalidade infantil inferior a da cidade de Detroit.

Na verdade, Al Gore venceu as eleições de 2000. Bush júnior contou com a máquina política do pai e com a ajuda fundamental do irmão mais novo, Jeb, governador da Flórida, para que o estado lhe desse a "vitória". Mas Moore não fica apenas por aí. Ele pergunta se Bush júnior pode ler, isso porque é de conhecimento geral que o homem mais poderoso do mundo não lê nada, nem mesmo o resumo das reuniões dos seus secretários ou o clipping de notícias feito pela sua equipe.

No capítulo "Matem os branquelas", Moore descreve sua raiva pelos homens da raça branca e diz nunca ter tido problemas com homens negros. O legal é que ele é direto e diz:

"Da próxima vez em que estiver conversando com um dos seus 'amigos negros', em vez de dizer a ele como você realmente está adorando o novo Cd do Jay-Z, porque não colocar o braço no ombro dele e dizer: 'Te amo, cara, você sabe disso, e por isso te contarei um pequeno segredo que nós brancos temos: nunca vai ser tão bom para o seu povo quanto é para a gente. E se você acha que dar duro e tentar se encaixar vai te dar um assunto no conselho de diretores quando já preenchemos nosso assento negro - bem, amigo, se você busca igualdade e avanço, tente a Suécia'".
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH. Quase morri de rir. Aí, eu ia ser obrigada a abraçar esse mesmo cara e dizer a ele assim: "Olha, igualdade e avanço nem mesmo na Suécia. Não importa se você nasceu aqui e sabe falar a língua. Tem a pele escura, vai penar. Fala a língua com sotaque, chama-se Kareem ou Mohamad, pode se preparar pra encarar tanto preconceito como em qualquer outro país do mundo. Quem diz isso é uma "branca", que aqui é vista como mörk (=escura)".

Fiquei morrendo de vontade de escrever um email pro Michael Moore contando que na verdade ele está equivocado no que diz respeito à Suécia. Mas acho que o cara tem outras coisas com que se preocupar. Aliás, ele é capa da edição de julho da Time Magazine. É mole? (Se alguma boa alma achar que pode me mandar um exemplar de presente, tô agradecendo muito e prometo uma caixa de biscoitos suecos de gengibre de presente. Podemos trocar endereços por email).

Escrito por Maria às 12:21 PM | Mais: Livros | Comente! (20)

julho 06, 2004

I just called...

...to say that I'm here. Esta semana as coisas estão todas muito complicadas. Por isso minha ausência. Mas como não agüento vir aqui e ficar calada...

Fiquei boba com a vitória grega na Eurocopa (mas de fato eles jogaram melhor do que os portugueses na final);

O sol sueco parece que também entrou de férias: Chove há dias;

Recebi presentes da minha amiga Princesoca (que acabou com seu blog, infelizmente) - obrigada, queridoca! (Estou me de-li-ci-an-do com o sabonete de Erva Doce da Natura);

Compramos a nossa churrasqueira (em sueco, grill). E como somos uma casa multicultural, nossa churrasqueira foi batizada como "Putzgrilla" (foto ao lado). Hohoho.

Escrito por Maria às 11:51 AM | Mais: Variedades | Comente! (17)

julho 02, 2004

Morreu Marlon Brando

Escrito por Maria às 06:04 PM | Mais: Cultura e comida | Comente! (14)

Deu hoje no jornal

Existem mais telefones celulares do que habitantes na Suécia. Pesquisa feita pela agência Telekommarknaden mostra que a venda de telefones móveis cresce sem parar no país e já ultrapassou a barreira dos 9 milhões de aparelhos. Vale lembrar que a Suécia inteira tem, nesse momento, 8 993 268 habitantes.

A Suécia é também campeã de número de celulares dentre os países escandinavos. Em segundo lugar vem a Noruega, seguida pela Finlândia e, em último, a Dinamarca. A pesquisa diz que a penetração de celulares no mercado sueco chega a 100.1% - número que pode crescer ainda mais quando os resultados da Tre, empresa de telefonia de terceira geração, forem divulgados.

A explicação para tal sucesso é simples: Durante o ano passado 1,8 bilhões de mensagens de texto (SMS) foram enviadas no país, o que representa um crescimento real de 36% com relação ao mesmo período de 2002. Até mesmo o tráfego de chamadas de voz explodiu. Os suecos falaram em 2003 nada menos do que 4 milhares de "minutos de tráfego" em seus celulares - um aumento de 23% com relação ao mesmo período em 2002.

O departamento de finanças do governo sueco (órgão equivalente ao ministério da fazenda brasileiro) publicou ontem uma análise do mercado de trabalho cuja conclusão é óbvia: a discriminação dos imigrantes no mercado de trabalho sueco é mais séria do que se pensava.

No relatório afirma-se que o problema não é apenas dos empregadores, que escolhem sistematicamente suecos à frente de imigrantes com qualificação profissional semelhante. Até mesmo o serviço social e o serviço nacional de empregos - criados exatamente para facilitar a "integração" dos indivíduos à sociedade - agem de forma discriminatória.

Preciso comentar?

Pequeno artigo interessantíssimo de um jornalista sueco com raízes no Curdistão (é assim que se escreve em português?). Kurdo Baksi se refugiou na Suécia há 25 anos fugido da perseguição de Saddam Hussein ao seu povo. Agora que o ditador está na cadeia, Kurdo pôde retornar à sua terra.

O texto é emocionante, apesar de curto. Ele diz que escolas, polícia, administração pública, tudo funciona bem no Curdistão. Kurdo pede que as Nações Unidas não deixem escapar a oportunidade de fazer valer a soberania curda agora que os limites do Iraque estão em jogo. Ele quer que o povo decida sobre seu futuro político em um plebiscito.

O jornalista cita o exemplo do plebiscito de 17 de maio de 1805, quando os noruegueses decidiram que queriam se separar da Suécia. A decisão não apenas foi respeitada como é comemorada em alto e bom som, com hino norueguês e festa com roupas típicas, em pleno solo sueco todos os anos.

O sol voltou (hurray!!!) e eu comprei dois sachês de baunilha pra casa. :c)

Escrito por Maria à s 11:14 AM | Mais: Europa & Escandinávia | Comente! (15)

julho 01, 2004

Julho

Ih, não é que o melhor mês do ano já começou? :c)

E começou bem porque ontem recebi uma caixa de surpresas da mamãe. Parecia que era Natal. Meu coração ficou apertadinho de amor e gratidão quando abri a tampa. Tudo estava arrumadinho dentro, livros (em português!!!! ai, que saudade!) colônia Johnson & Johnson e Alfazema, shampoo Seda citrus, sabonete phebo amazônia, camisetas Hering e até pequenos bibelôs de porcelana (dois carneirinhos, quatro cachorrinhos, um passarinho e um gatinho).

Quem diria, hein, mãe? Você me dando bibelôs de presente? Hohoho.

Tem mais coisas... Tudo é tão cheio de amor que me emociono muito ao lembrar. Posso imaginar minha mãe comprando cada uma dessas coisas, pensando em mim, embalando tudo cuidadosamente (ela é mestra em embalagem - em três anos de vida sueca nunca recebi um presente quebrado vindo do Brasil). Esse amor me emociona porque acredito que amor de mãe e de pai se conquista, não são coisas evidentes.

E ontem eu falei com o papai também no telefone. É sempre muito engraçado porque o pouco tempo que temos gastamos falando sobre futebol e filmes. E falamos rápido. Quase pra não dar tempo da emoção tomar conta e os dois começarem a chorar. Papai deu a dica dos filmes "Les invasions barbares" (2003) e "Le déclin de l'empire américain" (1986), ambos do diretor franco-canadense Denys Arcand.

Eu a minha família. :c)

UPDATE :: 23:20 :: E a Grécia, hein? Que coisa... Retranca chega ao final da Eurocopa. Coitados dos Tchecos. :c/

Escrito por Maria à s 12:28 PM | Mais: Aniversários | Comente! (19)