agosto 31, 2004

Meu chefe é um psicopata

Essa é boa. Matéria do meu jornal diz que psicopatas podem parecer bons chefes, com características de líderes natos. Ao mesmo tempo, essas pessoas podem causar perdas enormes às empresas com seus métodos de gerência. Psicólogos querem desenvover testes para descobrir se um candidato a um posto de liderança é um psicopata antes dele ser promovido.

O pesquisador Paul Babiak, da empresa HR Backoffice, encontrou várias pessoas que se encaixam na descrição clássica de psicopatia. Um deles é "Dave", que trabalhava para uma empresa de tecnologia nos EUA. O grupo de trabalho de "Dave" estava sofrendo com inúmeros conflitos, perda de moral e piores resultados. Por isso, Babiak foi chamado como consultor.

"À primeira vista gostei de "Dave", diz ele. "Assim como todos os outros o achei muito agradável e simpático". Mas depois de um tempo de observações sistemáticas e entrevistas, a verdadeira imagem de "Dave" começou a aparecer. Babiak ficou sabendo que ele quase nunca aparecia pra trabalhar, se utilizava de outras pessoas e gastava tempo do expediente com conversas bobas.

"Dave" conseguiu convencer todos da incompetência de um chefe, que foi demitido. "Dave", ao contrário, foi conquistando cargos até chegar ao topo. Ele tinha ainda relacionamentos sexuais com várias funcionárias. "Dave" alcançou 29,4 na escala criada por Babiak para definir pessoas com tendência à psicopatia, cujo valor máximo é 40. Quem chega a 25 pontos já é definido como psicopata, de acordo com as características estabelecidas pela pesquisa psicológica.

Eu, que sempre tive uma vida pacata, nunca me imaginei tão próxima de psicopatas. Mas se essa descrição é correta, em cada empresa onde trabalhei encontrei pelo menos uma pessoa que preenche todos os requisitos da psicopatia! Ainda mais se levarmos em conta que os psicopatas são charmosos e manipuladores, além de dramáticos - eles têm quase sempre uma grande "visão" para o negócio em questão. Eles têm um ego superinflado, o que pode se confundir com extrema auto-confiança.

E você, quantos psicopatas já encontrou hoje?

Escrito por Maria à s 02:12 PM | Mais: Irritação e ironia | Comente! (10)

agosto 30, 2004

Em Umeå

livros_pequena.jpgJá estou em Umeå para o início do semestre, na quarta-feira. Vim ontem. Hoje encontrei com duas amigas de curso, Annete e Ann. Já passamos uma meia-hora fofocando no café da universidade, depois fomos ver se conseguíamos uma informação mais correta sobre a hora do início das aulas. Mais tarde fui à biblioteca procurar pelos livros que usaremos durante os primeiros dois meses. Encontrei três e já estou na fila de espera para outros quatro.

Começaremos a estudar leis nesse segundo semestre. Tudo o que diz respeito à legislação sueca, desde direito civil até penal, passando por direito de família e, claro, social etc. Acho isso muito interessante porque ficarei conhecendo ainda mais a Suécia e os suecos. Por outro lado, no entanto, fico apreensiva com esse bando de textos em sueco formal, o chamado Kanslisvenska. Complicaaaaado... :c/ (Ainda bem que esse curso dura apenas dois meses)

E o que foi aquilo na maratona das Olimpíadas? Gente, fiquei chocada com aquele ex-padre irlandês que acabou com a fantástica corrida do paranaense Vanderlei Cordeiro de Lima. Estou chateada e revoltada. Não apenas porque perdemos um ouro merecidíssimo, mas por causa do próprio Vanderlei, que já tem 35 anos. Fiquei imaginando os anos de sacrifício que ele deve ter tido para se preparar pra ganhar uma medalha de ouro numa Olimpíada. Isso sim é que me deixa pau da vida. :c/

Escrito por Maria às 02:44 PM | Mais: Vidinha | Comente! (22)

agosto 29, 2004

Da vinci e o esquilo (que não é Ésquilo!)

Matéria no caderno de cultura do meu jornal de hoje sobre "Código Da Vinci", o fenômeno que dominou as listas dos mais vendidos na Suécia e no Brasil (e em muitos outros países desde o seu lançamento em 2003). Depois de muitas considerações, o jornalista chega à conclusão de que livros com o de Dan Brown satisfazem uma necessidade básica do ser humano/leitor, que ele chama de sense of wonder (assim em inglês mesmo).

Para o repórter, o sense of wonder é "um efeito estético que equivale a um orgasmo, só que nos planos intelectual e existencial. O que o leitor procura é uma experiência que faça o chão tremer. Porém, sem as preliminares (foreplay) que um pensar próprio representa". Acho que eu não poderia explicar melhor, de forma mais completa e enxuta o que achei do livro do Dan Brown. Se vale a pena ler? Sem dúvida, mas se prepare para se sentir enganado(a) pela propaganda.

monasleende.jpg

Ontem, debaixo de chuva, fui comprar fio dental no supermercado aqui perto de casa. Não tinha. Como me acostumei a ter dentes, engoli a preguiça, peguei o carro e me mandei pra um outro supermercado, maior. Na volta, dirigindo por uma das ruas mais movimentadas de Boden (quando eu digo "movimentadas" imaginem uma rua normal do Rio ou São Paulo e descontem 95% do tráfego) quase atropelei um esquilo, daqueles vermelhinhos, com rabo peludo.

Ele saiu correndo de uma árvore pra frente do meu carro. Sorte que deu tempo de freiar não muito bruscamente, afinal a velocidade máxima das ruas de Boden é 50 Km (e eu obedeço). Sorte também que nenhum carro vinha atrás de mim, senão ia ser chateação certa. Contei pro meu urso que ficou com pena de mim. "Devia ficar com pena do pobre do esquilo, coitado", retruquei. "Ah", disse meu urso, "é inevitável que você atropele algum bichinho desses por aqui. É melhor se acostumar com a idéia".

Oh, céus.

Escrito por Maria às 11:19 AM | Mais: Livros | Mais: Vidinha | Comente! (18)

agosto 28, 2004

À luta, companheiras!

tusch.jpgPensando mais no assunto do post abaixo, e depois dos comentários de todos vocês (obrigada!), achei que faltou dar uma solução pra quem não tem a sorte de morar numa sociedade em que esse tipo de sexualidade exagerada é questionada. Eu, pessoalmente, depois de virar adulta, descobri que não há nada - nada mesmo - mais sexy do que uma pessoa segura de si. Não importa se essa pessoa é caolha, gorda, manca e careca. É uma pessoa segura, tem senso de humor e sabe fazer graça de si mesma sem ser patética e querer angariar a piedade alheia, pronto: é magnetismo na certa.

Pensei também em como mudei pessoalmente nesses últimos anos. Me lembro de um dia em que fiz uma barbeiragem no trânsito da Barra, quando esperava para estacionar num dos shoppings de lá. Utilizei as dimensões do meu pequeno Fiat Uno, furei a fila e entrei na frente de um outro carro na loooonga fila de espera. O cara - sim, era um homem! Ainda acho que estava sofrendo de uma privação de sentidos temporária por ter "desafiado" um homem desconhecido nas ruas do Rio - o cara ficou puto da vida, lógico. Acelerando o carro dele (não me lembro qual a marca, mas era graaaande e preto), emparelhou com o meu uninho vermelho.

Olhou pra mim, com uma cara muito emputecida, baixou a janela do seu lado direito e, depois de alguns momentos de hesitação, do tipo em que podia ver seu cérebro escolhendo por entre centenas de palavrões para pegar um que realmente me humilhasse, gritou: "Filha da puta!" Fiquei chocada, claro, mas feliz. Sim, FE-LIZ. Isso porque ele tinha me chamado de "filha da puta", mas não de "gorda filha da puta" ou "baleia filha da puta". Eu, mais do que magra, estava me sentindo linda mesmo, ainda que isso não me ajudasse na hora de guiar nas ruas enlouquecidas do Rio.

mulher.gifAgora veja que maluquice: eu ficar FELIZ porque um indivíduo que nunca vi na vida não me chamou de "gorda". Quando pensei nisso, fiquei atônita ao perceber o quanto a opinião alheia influenciava minha auto-imagem. É absurdo dar tanto poder assim pruma pessoa que nunca vi, um cara como outro qualquer. Acho que minha geração, que nasceu nos anos 70 (e até um pouco antes), foi ajudada em muitos pontos pela luta de nossas mães, pela influência do Womans' Lib e coisas do tipo. Está na hora de nós, mulheres de 30 de hoje, liderarmos uma campanha mundial, para que a ditadura do corpo não escravize nossas filhas. Se nossas mães queimaram sutiãs, queimaremos pacotes de pipocas "low fet".

A armadilha da submissão é pior do que a armadilha da desigualdade de direitos. Nossa luta é mais sutil, mas tem de ser travada. As mulheres precisam entender que o Santo Graal dessa história toda não é ser uma "Stepford Wife" (o livro é ó-ti-mo; li de uma sentada só, ontem), uma mulher perfeita, mas ser quem você é, e gostar disso, com toda a sua alma, corpo e mente. Se o seu homem não aprecia isso, coitado dele. (E que fique claro aqui que nada tenho contra dietas moderadas, cujo objetivo é a saúde mesmo. Eu adoro caminhar, gosto de andar de bicicleta e sinto genuíno prazer em me movimentar.)

Escrito por Maria à s 09:30 AM | Mais: Elucubrações | Comente! (21)

agosto 27, 2004

Sobre bundas, barrigas e revoltas

joyride.gifOntem tava flanando pelo Multiply quando caí num texto que me chamou muito a atenção. O título: "Falsa gorda: mito ou irrealidade? (Considerações sobre um dilema feminino)", escrito pelo roteirista Juca Filho e publicado no site Elas por Elas em junho de 2003.

Qualquer coisa com as palavras "gorda" e "mulher" na mesma frase já me interessa, mas esse texto em especial, criado por um homem sensível e de bom gosto, me fez pensar no que geralmente faço questão de esquecer: a luta diária que eu e muitas mulheres travam com o meu próprio corpo, que insiste em ser maior e mais mole do que gostaríamos.

Juca escreve:

"Antigamente uma figura mítica e extremamente sensual povoava e excitava o imaginário masculino: a falsa magra.

A falsa magra era a verdadeira mulher-mistério. Esguia como uma sílfide, à luz do dia, quando caíam os panos, "na penumbra das alcovas", a falsa magra revelava todo o seu esplendor curvilíneo, macio e consistente, com todas as "delícias carnais" na medida.

Talvez fossem realmente tempos mais felizes. Para nós e para elas. Menos sofridos, mais reais, mais humanos. As medidas "ideais" não eram tão "giselianas" nem se esperava de uma mulher o mesmo tônus muscular de um zagueiro do Vasco."

Sempre achei que tinha nascido na época errada. Apesar de amar computadores, televisão, rádio e cinema, sei que pertenço a uma era menos obcecada com o corpo, menos sujeita à ditaduras ferozes de dietas intermináveis. E o pior é que essa maluquice toda é aceita como a busca da "saúde". E ai de você se não quiser fazer uma lipo! É logo rotulada de desleixada.
"Atualmente tudo mudou. Vivemos, talvez, a era da "falsa gorda". Antes, a surpresa se dava na intimidade, ao descobrir que haviam mais tesouros escondidos entre o céu e a pele que supunha nossa vã análise à primeira vista. Agora isto se dá às claras, quando vemos mulheres belas e estimulantes aos nossos olhos masculinos se julgando imperfeitas, em débito com um padrão, sempre a 2 ou 3 ou mais quilos da felicidade.

O fato é que a "falsa gorda" é uma realidade, inclusive entre as mais bacanas, inteligentes, deliciosas e queridas mulheres que enriquecem e tornam nossa vida masculina muito mais surpreendente, instigante e interessante. Assim como é um fato bastante comum ouvir dos meus amigos e de mim mesmo, encantados por estas mesmas mulheres, a mesma intrigada pergunta : "pra que?".

É ou não é o máximo!? Juca, onde você estava que nunca te encontrei enquanto ainda era solteira no Brasil? A vida de uma mulher no Rio (não sei se o fenômeno se repete em outras capitais) é se manter linda e perfeita até sangrar pelo nariz. Eu, que prefiro deitar pra ler um livro a ir suar numa sala fechada junto com outros 50 malucos, agradeço pela existência de gente como o Juca, capaz de gostar da mulher que tem uma bunda assim assado e não se apaixonar pela bunda perfeita, que happens to be connected to a woman.
"Numa sociedade que cada vez mais desaprende a pensar individuadamente, o mito da "falsa gorda" e sua idéia de felicidade possível apenas dentro de um único padrão estético pré-determinado é uma das mais poderosas armadilhas contra a realização pessoal, social e afetiva da mulher. Por ele se sofre, se mata e até se morre. (O que me faz, muitas vezes, pensar : por que, afinal, mesmo com a imensa evolução de idéias, comportamento e atitude individual e social que conseguiu e que nos deixa, homens contemporaneos, tão admirados e despreparados, a mulher ainda é presa tão fácil deste "dogma"?)"
(c) Juca Filho
Não sei se depois dos 30 essa questão mudou pra mim, ou se a vida se encarregou de me mostrar uma coisa ou duas a respeito de perfeição e como isso pode ser um conceito relativo. O que sei é que aqui na Suécia as coisas são diferentes. De que forma, você pergunta? Sim, aqui, quando a Hennes & Mauritz, uma das maiores lojas de departamento de roupas do mundo, coloca um outdoor enooorme nas grandes cidades suecas, no qual a nova coleção de verão da loja, inspirada nas praias do Rio, é ilustrada pela bunda de uma modelo brasileira, há uma revolta geral por parte das mulheres, que acham um absurdo esse tipo de banalização da sexualidade.

A discussão foi tão grande que até mesmo a ministra da igualdade (sim, isso existe aqui), se disse ultrajada com o outdoor, e pediu para que a H&M o retirasse das ruas. Jornais fizeram matérias sobre o outdoor, meninas foram ouvidas e se disseram cansadas de serem confrontadas todos os dias com um ideal para elas impossível de alcançar. Li inclusive uma carta emocionante, publicada no meu jornal, de uma menina de 17 anos que ficou ofendida com o outdoor porque vinha sofrendo desde pequena com anorexia.

Coisas que nunca, nunquinha da silva sauro, a gente ouve no Brasil. Discussão sobre nudez pública só mesmo quando envolvida com religião e olhe lá! Viver frustrada com o seu próprio corpo é um esporte nacional entre as mulheres latinas (as argentinas são campeãs em anorexia no continente) e ninguém questiona isso. Quando as mulheres de todas as idades começaram a chiar por causa do outdoor, a sociedade sueca como um todo deu um passo a frente, no caminho de tolerância e normalidade.

Ninguém precisa ver aquele outdoor. Eu não preciso. Não quero ver a bunda perfeita ou imperfeita de nenhuma mulher (mesmo aquelas que desfilam nuas nos banheiros das academias da vida). Não, eu quero é paz pra ser quem eu sou, apesar ou com a minha bunda. Sei lá, desde que vim morar aqui, comecei a me ver de forma diferente. Não sou mais uma bunda caída ou uma barriga grande. Eu sou gente, antes de tudo. Minha bunda e minha barriga, por mais que não estejam do jeito que eu gostaria, são partes de mim. Precisam ser respeitadas e assumidas. Quando entendi isso, passei a sorrir no espelho pra mim mesma - apesar de tudo.

Tem mais texto do Juca Filho aqui.

Escrito por Maria à s 01:55 PM | Mais: Elucubrações | Comente! (28)

agosto 26, 2004

Romantismo

Passei a noite de ontem assistindo ao "84 Charing Cross Road". Nem sabia, mas senti muita falta de ver as histórias, as cartas e os livros trocados entre Helene Hanff e Frank Doel (ainda mais porque tudo acontece via correio, com pacotes sendo enviados e recebidos, o que pra mim é equivalente a felicidade). Esse romantismo me faz bem à alma. E olhem que jóia que o Frank Doel lê, quando Helene não pode ir à Londres como combinado:

amaryllis02.gifHad I the heavens' embroidered cloths,
Enwrought with golden and silver light,
The blue and the dim and the dark cloths
Of night and light and the half-light,
I would spread the cloths under your feet:
But I, being poor, have only my dreams;
I have spread my dreams under your feet;
Tread softly because you tread on my dreams. -- William Butler Yeats

É ou não é um luxo de romatismo? Nossa...


Tô aqui feliz com emails que recebi da Raquel e da Lety. Tão bom receber feedback de pessoas que acham interessante e importante as coisas que escrevo aqui no Montanha! Obrigada!

Escrito por Maria às 09:57 AM | Mais: Vidinha | Comente! (20)

agosto 25, 2004

Hoje é aniversário de

Hoje é aniversário de 60 anos da minha mãe, Regina.

Parabéns, mãe!

Escrito por Maria à s 10:54 AM | Mais: Aniversários | Comente! (0)

agosto 24, 2004

Prisão-modelo

cela_suecia.jpg Foto do Dagens Nyheter.
Se lembram quando escrevi sobre as prisões suecas? (Caso não, leia aqui) Pois é, a discussão sobre cadeias, presos e polícia durou todo o verão. Isso porque vários presos perigosos escaparam durante os mêses de julho e agosto, o ministro disse que vai construir uma prisão super-segura (Boden está babando pra conseguir que ela seja construída aqui, o que significa centenas de possibilidades de trabalho pra kommun) e agora inaugura-se no sul do país uma prisão-modelo, para presos que tenham se "comportado".

Veja na foto acima uma das celas. Isso parece uma cela de prisão pra você? Nem pra mim. Televisão, cama, estantes para livros, escrivaninha... Os presos terão responsabilidade de não fugir porque não existirá grades. Mas se alguém quiser mesmo sair dali, basta abrir a janela e se mandar. E tem mais! Precisa falar ao telefone e não tem celular? Não tem problema! Cada cela tem uma linha instalada e funcionando! Sinceramente? Ainda não sei se os suecos são inteligentérrimos ou campeões em ingenuidade. Como as estatísticas de criminalidade não caem apesar do tratamento diferenciado, tô mais pra segunda opção.

Que pena que não deu pra Daiane dos Santos nessas Olimpíadas. Mas tudo bem, ela ainda é novinha (tem apenas 21 anos e aparenta muuuuuito menos) e vai dar ainda muito o que falar nas Olimpíadas de Pequim, em 2008. :c)
Escrito por Maria à s 01:43 PM | Mais: Europa & Escandinávia | Comente! (24)

agosto 23, 2004

Conquistadores e conquistados

Foto copiada daqui.
Tô lendo um livro muito interessante. Chama-se "Utrota varenda jävel", o que é uma tradução aproximada da frase "Exterminate all the brutes", escrita por Joseph Conrad no clássico "Heart of Darkness" (cuja história todo mundo que já viu "Apocalipse Now" reconhece). A imagem do livro na coluna lilás aí ao lado é a de sua edição inglesa. O autor, o historiador sueco Sven Lindqvist, faz uma espécie de diário de viagem entrelaçado com relatos históricos da dominação imperialista européia na África. Durante sua viagem ao deserto do Saara, Lindqvist conta a história da dominação humana dos mais fracos [negros, "não-civilizados"] pelos mais fortes [brancos, "civilizados" e europeus].

Ainda estou no começo do livro (escrito no início dos anos 90 em capítulos rápidos, com uma linguagem muito fácil) mas já passei por trechos interessantérrimos, como a evolução dos rifles no final do século XIX, o que auxiliou muitos povos europeus em suas conquistas. Os belgas se fizeram em casa no Congo (cuja história é pano de fundo para o clássico de Joseph Conrad), os ingleses na África do Sul (+ Gambia, Serra Leone, Nigéria etc), os franceses na Argélia (+ Tunísia, Senegal, Sudão, Benin etc), os alemães no Togo (+ Camarões, Rodésia etc), os portugueses na Ilha da Madeira (+ Cabo Verde, Guinéa, São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique), os italianos na Eritréia e Somália (antes Absínia), e os espanhóis nas Ilhas Canárias etc.

Trechinho do livro:

"Grande parte do mundo habitado ainda estava fora do alcance da artilharia de guerra no início do século XIX. Por isso, a descoberta de Robert Fulton, que cruzou o rio Hudson no primeiro barco a vapor, foi uma das mais importantes do ponto de vista militar. Muito em breve existiam centenas de barcos a vapor cruzando os rios da Europa. E no meio do século XIX os barcos a vapor começaram a transportar os canhões europeus para os recantos mais profundos da África e da Ásia. A partir daí deu-se início a uma nova era na história do imperialismo. E também iniciou-se uma nova era na história do racismo. Muitos europeus interpretavam sua superioridade militar/bélica como superioridade intelectual e, por que não dizer, superioridade biológica."

Segundo as resenhas que li sobre o livro, Lindqvist quis mostrar que a idéia de extermínio étnico, baseado em argumentos que não condenam o massacre de povos não-civilizados (sem alma etc) não foi criação de Adolf H.. Lindqvist afirma que a história de conquistadores e conquistados é beeeem mais antiga do que a "solução final" alemã na Segunda Guerra Mundial.

Esse livro existe em inglês. Clique aqui e veja.
Veja um mapa da África conquistada, no início do século XX.

Escrito por Maria à s 01:20 PM | Mais: Europa & Escandinávia | Mais: Livros | Comente! (17)

agosto 22, 2004

errrhhhmmm... Bom dia. :c)

errrhhhmmm... Bom dia. :c)

Na TV - Vi Robert Scheidt conquistar a medalha de ouro na categoria Laser de vela. Que máximo! Vi também a dupla Shelda e Adriana Behar vencer Ana Paula e Sandra nas quartas-finais do vôlei de praia.

Comprei um DVD pra mim: "84 Charing Cross Road", com Anthony Hopkings (ninguém faz um trabalhador-inglês-reprimido-romântico como ele) e Anne Bancroft.

Vi esse filme há muitos anos, quando ainda era adolescente. Me lembro que fui vê-lo pela enésima vez com uma prima minha. Lá pelas tantas, ela sussurrou: "Nossa, que romance! Quando eles se encontrarem vai ser o máximo!"

E no fim do filme, ela comentou em alto e bom som, em pleno cinema: "NÃO ACREDITO QUE ELES NUNCA SE VIRAM!" Coitada, acho que ela não tinha prestado atenção ao título do filme em português (que por sinal é um corta tesão desgraçado): "Nunca te vi sempre te amei".

Escrito por Maria às 04:20 PM | Mais: Vidinha | Comente! (10)

agosto 21, 2004

Lavanderia, faxina e filmes

Dia de lavar roupa e de fazer faxina. Acho um saco sem tamanho, mas gosto do resultado, tudo bonitinho, arrumadinho e limpo. Coloquei meu CD do Ed Motta no aparelho de som, aumentei o volume e lá fui eu, pela casa a dentro. O problema nem é passar o aspirador (nem fazer faxina mais pesada no banheiro), mas é que é necessário tirar tudo o que fica pelo caminho, cadeiras, mesas, sapatos, tapetes, tudo, para poder limpar de verdade. É nessas horas que eu gostaria de ser a feiticeira pra poder torcer o nariz e fazer tudo flutuar.

Pra contrabalançar, assistimos ontem a "Big Fish" e a-ma-mos. Eu já gosto que me enrosco do Ewan McGregor, então foi fácil de apreciar mais essa fábula do Tim Burton. Vale a pena. Daqui a pouco temos de ir devolver os DVDs lá no posto Shell (cuja loja de conveniência tem uma videoteca bacaninha). Estou fazendo um "trabalho de base" aqui em casa para que possamos alugar mais uma vez "Under the Tuscan Sun". Até concordei em assistir a "S.W.A.T", pra ver se amacio meu urso e ele concorda em assistir comigo ao filme da Diane Lane.

Hohoho.

Escrito por Maria às 02:36 PM | Mais: Vidinha | Comente! (14)

agosto 20, 2004

Tô chata hoje. Vou poupar

Tô chata hoje. Vou poupar vocês do nhen-nhen-nhém.

Escrito por Maria às 12:15 PM | Mais: Vidinha | Comente! (12)

agosto 19, 2004

Voltei

telefone.gifVoltei. Finalmente. Estou em casa novamente. Precisei ir a Umeå pra apresentar o trabalho final do meu curso de verão e acabamos ficando mais um dia em Piteå, na casa da minha sogra. Chegamos em casa há pouco. Antes de mais nada, obrigada pelos comentários de vocês aí no post de baixo. Nossa, fiquei TÃO FELIZ quando vi 35 comentários! Obrigada, obrigada, obrigada!

Hehehe, é engraçado essa coisa de não casar a voz com a pessoa. Minha voz não é lá essas coisas pra rádio não, infelizmente. Quando estava na faculdade ainda tentei, mas meu professor de rádio, Farina, disse que eu tinha um tom muito "cuidadoso". Ele é que foi cuidadoso e educado porque não quis me dizer que minha voz era mesmo infantil. Mas ao vivo minha voz é mais normal, eu garanto :c)

Pra esclarecer a curiosidade de alguns: sim, o texto foi escrito por mim. Meu urso me ajudou apenas com a palavra "kurragömma" (que soa estranhíssimo para nós, cariocas) e que é o nome do jogo de "esconde-esconde". Isso eu não sabia mesmo. O resto eu escrevi sozinha.

Esse programa é feito com a participação direta da população, que pode ligar ao vivo ou gravar sua participação na secretária eletrônica deles. Fala-se sobre qualquer assunto. Se estiver tudo ok com a gravação, ela é colocada no ar durante o programa. Não é nada fantástico não, qualquer um pode fazer isso. Eu preferi ler meu texto pelo simples fato de que na transmissão direta o mediador fica sempre interrompendo, perguntando um monte de coisas e é fácil perder o fio da meada.

Decidi escrever o texto porque tinha ouvido um outro imigrante comentar sobre o tema no dia anterior, enquanto ouvia rádio e tomava meu café-da-manhã. Ouvi o que ele tinha a dizer, as perguntas do mediador e as idéias começaram a pular na minha cabeça. Eu já penso nisso quase que em tempo integral, vocês sabem, sempre tentando encontrar um lugar aqui pra mim, então resolvi colocar isso no papel de forma simples, com linguagem adequada pro rádio. Que bom que vocês gostaram. :c)

Alguns me perguntaram o por quê de eu querer "me tornar sueca". A explicação é essa: Há um debate grande aqui sobre quando uma pessoa se torna sueca. Filhos de imigrantes, mesmo os que nascem em solo sueco e apesar de terem passaporte sueco e nacionalidade sueca, não são vistos como suecos, mas como imigrantes de segunda geração. Isso é, até quando eles realizam algum feito incrível, como ganhar uma medalha olímpica ou nascer princesa ou príncipe, como os filhos de Carlos Gustavo e Silvia (que é imigrante) - aí ninguém tem dificuldade de chamá-los de suecos.

Por outro lado, quando um ladrão ou estuprador é preso e ele chama-se Ibrahim, diz-se na imprensa "o cidadão sueco de origem árabe", ao invés de simplesmente caracterizá-lo como sueco e ponto final. Pessoalmente, eu não quero ser sueca não, quer dizer, não completamente. Isso é impossível. Mas eu quero sim poder me sentir em casa aqui, em paz com o país, com os costumes, com as pessoas. Pra isso, eu preciso me sentir parte da cultura, preciso sentir que fui aceita. Por isso é que busco tanto essa união, compreendem?

Escrito por Maria às 06:59 PM | Mais: Vidinha | Comente! (16)

agosto 17, 2004

No rádio

microfonepedestal.gifEntão, quer me ouvir falar sueco? :c) Clique aqui. Meu texto em sueco está aqui. Mas como a maioria do pessoal que me visita não entende a língua, traduzi o texto:

Quando uma pessoa se torna sueca?

Posso responder a essa pergunta de forma simples: nunca. Não importa quão bem você fala sueco ou quantos papéis você tem atestando sua cidadania sueca. Ser imigrante na Suécia é estar num eterno jogo de esconde-esconde. Você nunca atinge o objetivo, você fica sempre pra trás.

Para ser sueco você precisa falar sueco perfeitamente! Quando você atinge esse objetivo, você percebe que não é o suficiente, afinal, você tem sotaque. Para ser sueco você precisa se comportar e saber o seu lugar! Quando você atinge esse objetivo, você é vista como estrangeira reprimida.

Para ser sueco você precisa trabalhar! Quando você tenta atingir esse objetivo e como num milagre consegue uma entrevista de emprego, fica sabendo depois que não foi escolhida para o trabalho porque "não combinava" com o grupo de empregados. (Obs.: eu já ouvi isso na realidade).

Quando uma pessoa se torna sueca? É, eu não sei. Eu tento ser pelo menos quem sou, uma pessoa boa, não importando minha nacionalidade ou cidadania. Pessoalmente acho difícil que eu me sinta sueca. Não, não é porque eu não goste de vocês [suecos].

A razão é que a sociedade me informa continuamente que o meu jeito de ser sueca, que é minha única possibilidade de me sentir sueca quando se tem um coração brasileiro, não é suficiente. Continuamente a sociedade me lembra que eu não sou um "produto autêntico".

Pois então, quando uma pessoa se torna sueca? A pergunta não deveria ser quando uma pessoa se torna sueca, mas quando se permite que ela se torne sueca.

Maria Fabriani
Boden

Escrito por Maria às 11:49 AM | Mais: Vida de imigrante | Comente! (42)

agosto 16, 2004

Torcendo no éter

olimpic.jpgOlimpíada vista de fora é meio frustrante. Claro, a TV local mostra os esportes onde o país tem mais chances. Aqui esses esportes são ciclismo feminino, tênis de mesa e vários tipos de tiro ao alvo. Mas à noite, depois das 22hs, se você der sorte, pode ver a dupla Shelba e Adriana Behar arrasar a África do Sul no vôlei de praia. Ou se deliciar com a arte de Daiane dos Santos (tocando Altamiro Carrilho!) e Daniele Hypolito no exercício solo da ginástica olímpica. Cheguei a ficar com água nos olhos. Hoje a TV deverá mostrar semi-finais de badminton (?!) e outras esquisitices. E eu fico aqui, torcendo no éter pro meu Brasil.

Se você mora na Suécia, entende a língua e se interessa por rádio, sintonize amanhã das 9h20 às 10h no programa "Ring P1", no qual ouvintes podem participar diretamente. Contribuí com um pequeno artigo, no qual pergunto: "quando um imigrante torna-se sueco?" ("När blir man svensk?"). A sintonia da P1 em Boden é 90,6 (estação de Älvsbyn), em Lidköping é 88,9 (estação de Skövde), em Norrköping é 90,0 e em Arvika é 90,5 (estação de Karlstad).

Update - 16h22 => Uma das produtoras do programa "Ring P1" acabou de me ligar pra dizer que minha contribuição está "ótima" (palavra dela) e que vai sim ser colocada no ar amanhã. Fiquei tããããããooo feliz!!! UHU! Dou o link aqui assim que eles colocarem o show na Internet amanhã, depois das 10h. :c)))

Escrito por Maria às 02:06 PM | Mais: Saudade e sonhos | Mais: Vida de imigrante | Comente! (21)

agosto 15, 2004

Filmes

positano_40.jpgO "Lost in Translation" é muito bonito, tanto do ponto de vista visual (Tóquio e a cultura japonesa são mesmo muito interessantes) quanto emocional. Fiquei meio apaixonada pelo Bill Murray no filme. (Ah, eu sei, ele é feio, mas isso nunca me incomodou). A Scarlett Johansson é uma versão mais harmônica da própria Sofia Coppola (reparem os meio-sorrisos que ela dá e comparem com os mesmos meio-sorrisos da Sofia no último "Poderoso Chefão"). Duas pessoas buscando a felicidade, lidando com suas próprias expectativas de vida e se perguntando "Is that all that is???", não é exatamente o mais criativo dos temas. Mas a execução é de primeira. Muito delicado.

Chorei e ri quando vi "Under the Tuscan Sun". Lindo assistir o que a traição fez com a personagem da Diane Lane (ótima), a maluquice de comprar uma casa aos pedaços e a ir reconstruindo, assim como à sua vida. AM-EI conhecer Positano (foto). Ri com o romance pela Internet da velhinha italiana e seu namorado equatoriano; da noite de tempestade; do operário polonês trêmulo de tesão, dos insetos e dos italianos mais lindos que adoram mexer com você nas ruas (e isso é verdade mesmo). Chorei com os reveses do amor; com o triste eletricista/operário que era professor de literatura na Polônia; com a chegada da amiga grávida; com o casal jovem que ousa acreditar; com a placa onde se lia "Polonia" que os trabalhadores colocaram no muro da casa já pronta; com o velhinho e suas flores diárias.

Mas, claro, o filme é americano, tinha que ter o tal do happy end. Não acho que tenha estragado tudo, mas é meio previsível. Poderia ter ficado sem. Mesmo que a gente, no fundo, no fundo, goste quando as coisas terminam bem. Agora fiquei com uma dúvida: alguém aí sabe me dizer qual era o nome do escritor polonês cujo livro a Diane Lane dá pro professor de literatura/eletricista??? É só curiosidade besta mesmo, mas queria saber (já entreguei o DVD).


Saiu no meu jornal: Tudo indica que "O amor nos tempos de cólera", de Gabriel Garcia Marquez vai virar filme nas mãos de um estúdio americano. O autor colombiano, muito doente com câncer, resolveu aceitar a proposta de Hollywood. Só nos falta torcer para que eles façam um filme decente e não um horror como "A casa dos espíritos", cuja versão cinematográfica é tão ruim que me deixa revoltada (eu amo o livro).

Escrito por Maria às 12:22 PM | Mais: Cultura e comida | Comente! (16)

agosto 14, 2004

Luxo só

packet.jpgQuando a carta é muito grande, ou quando se trata de um pacote, o carteiro não traz até em casa, mas nos deixa um aviso para irmos buscar a encomeda. Ontem chegou um aviso pra mim. Achei que era um livro que havia comprado na minha loja online favorita, mas não era. A encomenda era um pocote com três livros, enviados pela minha amiga Julia, com quem estagiei no Globo há mais de dez anos e que hoje trabalha numa editora. Ganhei "Cinco Marias", de Carpinejar; "Mulheres Perfeitas", de Ira Levin (que inspirou o filme "Stepford Wives"); e "O Calígrafo de Voltaire", de Pablo de Santis.

Julia, minha flor, o que eu posso dizer? Obrigada, obrigada, obrigada. Fico tão emocionada quando ganho livros, acho que a pessoa quer me dizer alguma coisa, me contar uma história, quer que eu entenda uma mensagem ou simplesmente quer dividir comigo uma experiência preciosa sua. Isso tudo, qualquer uma dessa possibilidades acima é pura poesia. Quer dizer que a pessoa pensou em você, se lembrou de como você era, e escolheu aquela história pra te fazer feliz. Isso é um luxo.

Mais adiante, fui ao supermercado comprar pequenas coisinhas: leite, iogurte, caviar, carne, uns peitinhos de galinha. Quase comprei uma planta, mas já tenho muitas. Ainda mais que é meu urso quem tem de cuidar delas quando me mudo pra Umeå, de forma que achei melhor dar à planta uma chance de um lar mais apropriado. Comprei chocolates também, do tipo variado, muito comum aqui (paga-se pelo peso). Hoje é sábado e eu fui "uma boa menina" durante toda a semana, de forma que preciso relaxar. :c)

Aproveitei e aluguei dois DVDs: "Under the Tuscan Sun", com a lindíssima Diane Lane (como é que pode uma mulher ser tão bonita assim?), e o "Lost in Translation", com o Bill Murray. Tava doida pra ver esse filme desde que a Sofia Coppola ganhou o Oscar, ainda mais porque acho que eu muitas vezes me perco no vão entre a Maria-Rio-de-Janeiro-jornalista-filha-irmã-amiga e da Maria-traduzida-imigrante-estudante-desenraizada.

Escrito por Maria às 01:32 PM | Mais: Vidinha | Comente! (11)

agosto 13, 2004

Q.I. e raça

fotboja.gifEstava lendo meu jornal no outro dia quando me deparei com uma notícia que me deixou de boca aberta: Tatu Vanhanen, 75, pai do primeiro ministro finlandês e professor de ciências políticas na Universidade de Tampere, deu uma entrevista à imprensa finlandesa que causou o maior auê. O problema é que Vanhanen realiza há anos uma pesquisa sobre a relação entre quociente de inteligência (QI) e raça.

Na entrevista, ele afirma sem papas na língua, que o desenvolvimento dos países de primeiro mundo (principalmente na Europa e América do Norte) se deve à alta inteligência de sua população. Como explicação pro alto QI, Vanhanen cita o fato da maioria da população desses países ser de raça branca/caucasiana. Por outro lado, o subdesenvolvimento de países da África, por exemplo, seria uma conseqüência direta do baixo QI de sua população - ocasionado, segundo Vanhanen, pelo fato da população desses países ser predominantemente negra.

Ele elabora sua tese, dividida aliás por Richard Lynn, professor emeritus em psicologia da Universidade do Ulster: países cujo QI médio seja inferior a 90 correm sério risco de subdesenvolvimento, e dá uma lista explicativa. "Hong Kong: 107; Coréia do Sul: 106; Japão: 105; Taiwan: 104; Holanda, Alemanha e Áustria: 102; Suécia: 101; Finlândia: 97; Índia: 85; Tanzânia: 72; Nigéria: 67; Serra Leone: 64; Etiópia: 63; Guinéa Equatorial: 59."

"E o Brasil?", você pergunta. Sim, Vanhanen diz que o Brasil é uma exceção: "A inteligência média do Brasil é baixa (87) porque a metade da população é negra, mas a metade branca possibilita um desenvolvimento tecnológico avançado".

Fico pasma cada vez que leio esse parágrafo aí de cima.

Segundo o professor, "Ninguém pode culpar os brancos pelos problemas da África. Quando a inteligência média dos finlandeses é de 97, na África esse índice fica em torno de 60-70." Ele diz que os governos dos países africanos deveriam ser compostos por mais brancos-europeus, americanos ou asiáticos. "Apenas para criar boas condições de vida", sugere Vanhanen.

Agora começam a discutir se o professor está demente. Eu acho que é uma hipótese válida. Tenho experiência com demência (Alzheimers) e sei que essa doença é capaz de tranformar o mais bem comportado cidadão num neo-naz**ta de carteirinha. Esse professor tem que estar doente. Não é possível ser professor emeritus, receber dinheiro do governo pra uma pesquisa que busca provar a supremacia de uma raça sobre a outra. Simplesmente não é possível.

A alternativa é termos de conviver com dois estudiosos que dedicaram suas vidas (com a bênção do establishment acadêmico e político) a provar "cientificamente" a soberania da raça branca sobre a negra. A falta de qualquer menção à dominação colonial, à desumanização de culturas, às consequências físicas da fome, a massacres coordenados por forças políticas com fins econômicos, ou à simples e cruel exclusão social que nos é tão familiar no Brasil, me deixa em dúvida sobre a saúde mental desses senhores.

Leia uma matéria sobre o livro de Richard Lynn e Tatu Vanhanen aqui (em inglês).

Escrito por Maria à s 12:08 PM | Mais: Europa & Escandinávia | Mais: Irritação e ironia | Comente! (28)

agosto 12, 2004

Festa no interior

nolia_estrada_placa.jpgFomos ontem pra Piteå, distante uma hora de carro de onde eu moro. É que está acontecendo uma feira que promove produtos, empresas e serviços locais. Dia lin-do, 19 graus, tudo em cima. Ventava um pouco, dock.

Aproveitei ainda pra ajudar minha sogra a organizar seu depósito (todos os apartamentos suecos têm um), onde anos e mais anos de "guardados" (nome fino para junk) nos esperavam. Essa coisa de organização é engraçada: tenho horror de começar a mexer naquele mundo de quinquilharias, mas, ao mesmo tempo, me dá um prazer enooooorme no fim, quando tudo está arrumado. :c)

Mas antes disso, me diverti um bocado na feira. Vi show aéreo, adestramento de cães, galpão com antiguidades (quase fiquei doida), um estacionamento enorme cheio de trailers moderníssimos, helicóptero, barcos etc. Adorei. Almoçamos palt, um prato local (bolas de batata com presunto dentro - era a comida preferida dos trabalhadores da indústria madeireira, muito comum aqui no norte. Eu como um pouquinho e olhe lá, pesado pra caramba). Sobremesa: sorvete de blåbär (em inglês, blueberry) e baunilha italiana... uhmmm. Voltamos pra casa tarde da noite, cansados mas felizes. :c)

nolia_batflagga_th.jpgnolia_batgeral_th.jpgnolia_bricabrac_th.jpgnolia_bricabrac2_th.jpgnolia_helicoptero3_th.jpgnolia_showaereo_th.jpg
Clique nas thumbnails para ver as fotos em seu tamanho natural. Mais fotos, aqui.

Escrito por Maria às 02:02 PM | Mais: Vidinha | Comente! (13)

agosto 11, 2004

Quer me dar um presente?

Então compre esse livro pra mim: "Living with books", de Alan Powers. É um livro de arte no qual o autor fotografou dezenas de bibliotecas de gente famosa, como Mario Vargas Llosa, para mostrar como livros e estantes são utilizados como decoração. Mas ele afirma que onde há livros, tem de haver leitores. Não basta comprar um metro de brochuras no sebo da esquina e empilhar no chão, assim, como quem não quer nada.
(D'après Nanda)

Escrito por Maria às 10:04 PM | Mais: Livros | Comente! (5)

agosto 10, 2004

Infatuation and custard

Mon amour. Tô no maior love com o tal do Multiply. Já copiei pra lá algumas receitas espalhadas nesses mais de dois anos pelo Montanha, e outros tantos posts sobre livros. Ver tudo lá, bonitinho, arrumadinho, apela pro meu lado metódico. Acho lindo! :c) Mesmo que ninguém leia, nem comente (ainda não decifrei o mistério do sistema de comentário deles... Sorry aí pelos eventuais spams).

Mulherzinha. Fui comprar remédio na farmácia e vi que o carro estava quase sem gasolina. Mas não fui ao posto. Aqui não há frentistas e eu ainda me enrolo toda pra botar gasolina sozinha. Pra falar a verdade, as tais das pumps* são duríssimas, eu não consigo abrir os ferrolhos do carro etc. Como eu sempre digo, não é fácil ser burguesa na europa socialista.

Últimos dias de férias. E eu tô doida pra voltar ao batente.

* Engraçado. Estava tentando lembrar do nome disso em português e quando vi que era "bomba de gasolina" levei um susto. Que coisa estranha! Chamar pump de bomba. Eu hein. (Alguém já pensou nisso ou sou apenas eu que tenho tempo livre demais nas minhas mãos?) Ok. Vou ler, tchau. Fui.

Depois do jantar. De sobremesa: creme de baunilha (ou custard pros íntimos). Ahn? O que eu comi debaixo do creme de baunilha? Nada. É que estou de regime... Hohoho

Escrito por Maria às 03:02 PM | Mais: Variedades | Comente! (9)

Catch 22

Odeio ser controlada mas, ao mesmo tempo, minha falta de controle me irrita.

Escrito por Maria à s 10:37 AM | Mais: Elucubrações | Comente! (5)

agosto 09, 2004

Multiplicando

A Cora convidou e eu fui ver qual é a do Multiply... e tô achando ótimo. Subi um montão de fotos pra lá. Algumas já apareceram aqui nos anos passados, mas tem muitas novidades. Gostei do espaço do Multiply porque é uma conjunção do Orkut (sem a puxasaquice de estrelinhas e afins) com um blog e fotolog. Tem até espaço pra dar receitas! Minha página está aqui: http://mariafabriani.multiply.com. Veja as fotos aqui.

UPDATE 17h: Ihhhh, o Brasil inteiro acordou e resolveu se logar no Multiply. Travou tudo. Droga.

UPDATE 20h: Fui ao supermercado e voltei pra casa feliz. Comprei, entre outras coisas, maçãs vindas do Brasil. Eu sei, eu sei. Não é muito ecológico (toda a gasolina empregada no transporte da fruta do Brasil até o norte da Suécia já a condena à lista negra do Greenpeace), mas comprei assim mesmo. E elas estão ótimas (já provei). Achei ainda uns molhinhos da Heinz que parecem ser showww. Italiano (alho, tomate, basílica etc) e Curry (prometem curry indiano, vamos ver).

UPDATE 24h: Então, até agora estou gostando do tal do Multiply (consegui finalmente acessá-lo). Mas como sou uma criatura fiel, o Multiply pra mim será apenas um apêndice do Montanha. Não pretendo escrever por lá não, apenas colocar fotos. Até porque achei o sistema de comentários muito confuso. Acho que mandei umas 20 mensagens hoje prum monte de gente que não conheco. Desculpa aí, tá?

Falando em multiplicação. Vocês sabem que na Suécia é tudo arrumadinho, né? Parece até casa de tia solteirona. Então, a paixão por estatística é enternecedora. Está marcado pra quinta-feira que vem o nascimento do cidadão sueco de número 9.000.000. Hoje, somos 8.999.685 (sim, imigrantes também contam, afinal, nós pagamos impostos).

Escrito por Maria às 02:42 PM | Mais: Variedades | Comente! (15)

agosto 08, 2004

Bruxas, pragas e eu

Acordei com dor no pescoço. Dormi tão profundamente que nem mudei de posição na cama. :c) Fui dormir tarde da noite ontem porque fiquei vendo TV até quase às duas da matina pra rever um dos filmes de que mais gosto (em se tratando de comédias americanas): "As Bruxas de Eastwick", com Cher, Susan Sarandon, Michelle Pfifer e Jack Nicholson. Adoro o filme, a história, os atores, o clima do filme. Adoro. E o melhor eu nem sabia: o filme é baseado num livro de John Updike! Do Updike eu li os quatro livros do Harry "Coelho" Angstrom (curioso, noto agora que ele tem um nome sueco!) e "Couples", que foi minha primeira experiência com o escritor americano.

A história de Harry "Coelho" Angstrom é genialmente comum (Updike ganhou o Prêmio Pulitzer com a tetralogia). Ele é um vendedor de carros japoneses que vive em um EUA em constante transformação. Rabbit leva uma vidinha média, tem um emprego médio, com um salário médio, com um carro médio, com uma família média e com uma satisfação cada vez menor. O "Couples", editado em 68, é um livro sobre sexo, traição e amor nos subúrbios americanos, onde tudo é aparentemente perfeito (sabe cumé, gente que nunca diz: "estou de saco cheio disso!")

spam.gifEstou em guerra. Desde ontem de madrugada alguém vem deixando spams aqui no Montanha pra vender Viagra e outras porcarias. Nesse exato momento, esse indivíduo já deixou mais de 20 mensagens em posts diferentes e usou pelo menos 12 IPs diferentes (bani todos, claro). Será que apenas no Montanha que essa praga atua? Alguém já reparou isso em seu blog?
Escrito por Maria às 01:22 PM | Mais: Livros | Mais: Vidinha | Comente! (11)

agosto 07, 2004

A psicologia do racismo

Um dos livros mais interessantes que li nessas férias foi "Não como nós! Aspectos psicológicos de xenofobia e racismo" ("Inte som vi! Psykologiska aspekter på främlingsfientlighet och rasism"), do psiquiatra sueco Tomas Böhm. Entre as milhares de coisas interessantes que ele escreve, uma das mais legais é sua descrição psicológica de como a xenofobia se instala da nossa vida.

"Quando mostro minha xenofobia contra uma pessoa, meu ódio pode ser tão evidente que me faz consciente dele. Se por outro lado meu ódio for inconsciente, posso me assustar com a reação do outro, até que ele/a me chame atenção por minhas opiniões xenofóbicas. Posso, então, me defender, negar minha xenofobia e achar que o outro é ultra-sensível e ridículo. Pergunto a outras pessoas que estavam presentes e elas dizem que eu, de fato, expressei idéias bastante radicais".
Isso, segundo Böhm, leva as pessoas a sentir culpa e a refletir como sua xenofobia se manisfesta inconscientemente. "Muitas pessoas jovens, no entanto, não conseguem chegar ao estágio da culpa e da reflexão, da consciência moral, cujo resultado é uma proibição interna ao ódio às diferenças. Freud afirmava que muitas pessoas não têm sentimento de culpa, mas angústia social. Essas pessoas não deixam de mostrar sua xenofobia por consciência, mas por medo de serem descobertas".

Mais abaixo, Böhm escreve que o crescimento significa uma desilusão gradual. "Quando somos crianças, nos vemos dentro de uma grande ilusão. Não temos ideais, nós somos nossos ideais. Uma criança de quatro anos é a pessoa mais forte do mundo". O crescimento é a desilusão; precisamos aprender a lidar com as frustrações da forma mais harmônica possível. Isso, no entanto, não acontece todas as vezes. Escrevendo sobre o "líder" neo-naz**ta, Böhm explica o intrincado jogo psicológico que ele coloca em ação.

"Quando o líder brilhante entra em cena, ele ativa novamente o antigo desejo de que o ego e o ideal sejam uma só pessoa. Ele promete que o sol vai brilhar, que nossas necessidades serão satisfeitas, que a raça ar*ana dominará o mundo etc. (...) O líder é quem passa ao grupo a ilusão ideológica, e por trás da ideologia há sempre a grandiosa fantasia. A ideologia nos faz acreditar que o impossível é possível".
Fiquei fascinada pelo livro, editado pela primeira vez na Suécia em 1993. Pensei sobre minha própria xenofobia, minha intolerância (interna e externa), minhas dificuldades de aceitação e, claro, me dei parabéns por nunca ter gostado de seguir "líderes iluminados", nem mesmo depois de 10 anos de escola católica de padres (o que, talvez, tenha até contribuído para meu ceticismo).

Escrito por Maria às 10:33 AM | Mais: Livros | Comente! (10)

agosto 06, 2004

Coisas

foto copiada da luciana.misura.orgcafezinho_pequeno.gifBom dia. Na mesa, café, pão, Philadelphia e caviar.

newmail.gifCarteiro. Nenhuma carta, nem catálogo da Ikea, nem folheto de propaganda. Nada. :c(

No jornal, várias páginas sobre presos que fugiram de cadeias suecas. Um cara que era americano e agora é cidadão sueco ficou preso 20 anos numa cadeia no Texas. Hoje, dá palestras a carceireiros a convite da autoridade penitenciária sueca. Parece que estou em um episódio de "Twilight Zone".

No suplemento de economia, um especialista em tecnologia de origem sueco-africana diz que é mais inteligente fazer carreira fora daqui pra depois voltar à Suécia. "Em Londres é melhor", dá a dica. "Em Estocolmo é mais importante que você 'combine' com o grupo de empregados na hora do cafezinho, possa falar das mesmas coisas, aprecie os mesmos costumes. Já em Londres a pessoa é contratada por sua experiência, não pela forma como se veste ou fala".

x.gif Já disse que tenho H-O-R-R-O-R de provincianismo?

sacolinha.gif Supermercado hoje (não dá mais pra evitar): leite light, pepsi light, caviar light, pão light, bananas, maçãs e tomates (light por definição). Por quê minha alma e meu corpo não ficam light de uma vez por todas?

x.gif Faxina da casa hoje (ainda dá pra evitar).

livros.gif "The da vinci code". Sinceramente? Acho que estou perdendo a capacidade de me divertir como qualquer um. Tanto hype por um ajuntamento de mediocridades. De repente o filme fica melhor. Larguei.

tvacores.jpg TV. Às oito, especial sobre a vida da Jane Birkin, modelo que escandalizou o mundo nos anos 60 (taí uma façanha), cantando "Je t'aime, moi non plus" junto com seu então marido Serge Gainsbourg. Às nove, "Law and Order: criminal intent", que eu não sou de ferro. Ah sim, às 22h30 tem a reprise do Parkinson (entrevistador britânico) numa conversa com Larry Hagman (JR de "Dallas"), Stephen Fry (comediante britânico) e Cher. Não posso perder.

broken_heart.gif Morreu Cartier-Bresson. :c(

Escrito por Maria às 11:40 AM | Mais: Vidinha | Comente! (17)

agosto 05, 2004

Dúvida

Alguém sabe como é que se diz "maresia" em inglês?

Nada melhor pruma mente cansada numa tarde quente de verão: filme antigo "Star Trek", com capitão Kirk + Spock e companhia. :c)

Não, melhor mesmo são os programas veterinários da Animal Planet. Cada coisa... Ainda bem que não mostram os bichinhos em sofrimento. Bom, é melhor do que a Ricky Lake...

Fazendo risotto com arroz basmati e ervas italianas, gostosas pacas. :c)

Escrito por Maria à s 01:12 PM | Mais: Elucubrações | Comente! (11)

agosto 04, 2004

De saco cheio

Tava querendo escrever um post mas não sabia como começar. Resolvi então dar uma volta por aí pra relaxar e descobri que ela já havia escrito tudo o que eu estava pensando. Pra que repetir? Saco cheio de gente burra.

O "The da Vinci Code" é interessante, mas certamente um choque depois de passar dias na companhia de Coetzee e Michael K. Já leu "Crime e Castigo" e passou logo em seguida prum romance da Danielle Steel? Pois é... é essa a sensação. (E, sim, eu leio de tudo, de Dostoiévski a Danielle Steel, cujos livros são deliciosos de se ler num aeroporto, num vôo transatlântico ou num ônibus demorado). Hoje, no entanto, saco cheio de livro bobo.

Penso seriamente em acabar com a possibilidade de comentários aqui no Montanha. Seriamente. O que me impede ainda é a possibilidade de interação com certas pessoas - mas até isso é relativo. Saco cheio de "interatividade".

A última que descobri é que tem um gaiato que anda publicando comentários do tipo "abu du bidabi" em posts antigos aqui do Montanha (lá pra outubro de 2003) propagandeando seu site pornográfico ou para aumento de pênis. Como não sou boba nem nada, já bloqueei o IP e apaguei os comentários. Nada impede que ele utilize outro IP (prática mais do que condenável), mas pelo menos faço a vida dele um pouco mais difícil. Saco cheio de spam.

Escrito por Maria à s 09:36 AM | Mais: Elucubrações | Comente! (17)

agosto 03, 2004

No rádio

sverige01.gifVocês sabem que os suecos têm suas tradições - algumas muito boas, outras nem tanto. Uma das melhores, no entanto, é o programa de rádio chamado "Sommar" ("Verão"), criado em 1959. Em junho, julho e agosto, durante 90 minutos todos os dias, uma série de pessoas conhecidas de uma forma ou de outra (atores, jornalistas, escritores etc) contam memórias, acontecimentos marcantes e tocam música que lhes marcou a vida.

É fascinante porque parece que estamos lendo o diário da pessoa em questão, ouvindo a voz dele/a contar isso e aquilo. Como trata-se de um programa bem íntimo - o que é surpreendente vindo de suecos - a sensação é incrível, como entrar numa área proibida. Escrevi esse post ontem, enquanto ouvia à história de Mikael Persbrandt, ator sueco e único homem capaz de me roubar do meu urso :c))) Primeira música escolhida por ele: The Clash, "Should I stay or should I go".

Mais cedo, ontem ainda, ouvi ao Jonas Hassen Khemiri, o escritor do livro "Ett öga rött" (sobre o qual já escrevi aqui) e fiquei emocionada com a história da vida dele. Entre as músicas que ele escolheu está "I get out", de Lauryn Hill, que diz assim: I get out, I get out of all your boxes//I get out, you can't hold me in these chains//I'll get out//Father free me from this bondage//Knowin' my condition//Is the reason I must change.

Terminei de ler ontem o "Historien om Michael K", do J.M. Coetzee. Muito bom. Parece que o cara não usa caneta pra escrever, mas um raio laser. A história de Michael K é tão enxuta e contida que dá até nervoso. Você acompanha Michael durante a primeira parte do livro (150 páginas) sem saber exatamente o que está acontecendo. Depois, nas partes II e III, tudo fica mais claro. Você entende o por quê da vida extrema vivida por ele. Ótimo livro sobre um outsider voluntário. Uma pessoa que se nega a ser objeto nas mãos alheias.

Falando em livros, quem estiver no Rio no dia 14 de setembro tem um programa ótimo pra ir: a noite de autógrafos do livro "Como fazer CDs de alta qualidade" (Ed. Campus), do meu amigo André Machado (jornalista do caderno de informática do Globo) e do Aroaldo Veneu. Vai ser na Livraria da Travessa, em Ipanema. Se eu estivesse no Brasil ia lá dar um beijinho no André. Deve ser fe-no-me-nal estar lançando seu primeiro livro. Parabéns, queridoco! Boa sorte! :c)

Escrito por Maria à s 11:50 AM | Mais: Cultura e comida | Mais: Europa & Escandinávia | Mais: Livros | Comente! (12)

agosto 02, 2004

Trabalho

trabalho.jpgA Fundação Européia para o Melhoramento das Condições de Vida e de Trabalho divulgou uma pesquisa de opinião analisando como os europeus entendem "qualidade de vida". Uma das perguntas era "o que é mais importante para se viver uma vida boa". As respostas foram variadas e muitíssimo interessantes. O povo de quase todas as novas nações européias (Estônia, Lituânia, Polônia etc), assim como Espanha, Alemanha, Itália, Áustria e Luxemburgo tinha a mesma resposta como fator número um no que diz respeito a ter uma vida boa: trabalho. En segundo e terceiro lugares estavam morar bem, ter educação formal e até mesmo ser casado/juntado.

verao_barco.jpgPara os suecos, no entanto, as prioridades são diametralmente opostas. Para se ter uma vida boa aqui é preciso antes de mais nada "Fritid", palavra cuja tradução direta é "tempo livre" e que que engloba lazer, folga, atividades extras, hobbies etc. Em segundo lugar vem "férias" e em terceiro, "poder sair com família e amigos". Antes de mais nada é importante saber que há na Suécia um fenômeno único (até onde sei), o chamado "sjukskrivningsprocess", que quer dizer que o trabalhador não vai trabalhar porque se diz (ou realmente está) doente. Até aí nada demais. Mas o que acontece é que muita gente abusa desse direito fantástico e, por estar entediado com o trabalho, escolhe ficar em casa.

Ah, sim, importante: quando você consegue que um médico ateste que você está de alguma forma "doente" (o que não é difícil), você pode ficar em casa fazendo o seu "fritid" e ganhando salário, mesmo sem trabalhar. Ninguém vai trabalhar quando está resfriado, por exemplo. Fiquei gripadíssima durante meu último estágio e quando apareci pra trabalhar toda entupida e com febre, minha chefe me olhou como se eu fosse um ET. "Vai pra casa", disse-me ela. "Você tem direito a ficar sjukskriven". É claro que trata-se de uma questão de higiene, ela não queria que as outras pessoas também ficassem doentes. Mas eu me neguei a ir embora, até porque chances nessa terra são poucas e eu não tô a fim de deixar nenhuma passar por mim em branco. Mas o que ela também indicou foi uma abertura no sistema do tipo: "fique em casa quantos dias achar necessário, você não perde dinheiro por isso".

E o que acontece é isso: ser contratado na Suécia é difícil, é caro para o empregador que também tem dificuldades de mandar uma pessoa embora, tal o poder dos sindicatos. Isso faz com que a mobilidade da força de trabalho seja mínima e muita gente fique entediada com o que faz. Até porque aqui é tudo muito especializado - uma pessoa fazendo apenas uma coisa e nada mais - o que contribui para o entediamento geral da nação. Além disso, ninguém quer abrir mão de seu emprego porque quem tem um emprego fixo vira um membro ativo da sociedade do ponto de vista econômico, senão vejamos: sem emprego fixo você não pode alugar um apartamento, não pode pegar empréstimos maiores, não pode fazer financiamento etc etc etc. Então, quem tem emprego, não importa o quão chato é, quer mantê-lo.

Já escrevi em 10 de dezembro de 2003 sobre as "não-doenças" suecas. Muito engraçado.

Escrito por Maria à s 12:23 PM | Mais: Europa & Escandinávia | Comente! (12)

agosto 01, 2004

A jato

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Escrito por Maria às 12:25 PM | Mais: Vidinha | Comente! (15)