setembro 28, 2004

TV, livros e eu

Ontem o dia foi realmente cheio. Cheguei em casa às nove horas da noite. Falei no tel com Suyaen e meu urso. Tomei um banho e fui assistir TV pra relaxar. Pra quê. Tinha um especial sobre um acidente seríssimo com o navio Estônia, que fazia a rota Estocolmo-Talinn. A tragédia aconteceu há dez anos e causou a morte de 800 pessoas nas águas geladas do Báltico. Fiquei pregada no sofá e não consegui nem ir ao banheiro fazer pipi.

Quando o documentário acabou, às 00h25 de hoje, estava a-ca-ba-da. Mas, como eu sou mesmo estranha, ao invés de dormir, comecei a ler o "84 Charing Cross Road", da Helene Hanff (só tinha visto o filme milhões de vezes, mas nunca lido o livro). Claro, não consegui parar até a metade da segunda parte, lá pras duas da matina. A primeira parte é formada pelas cartas trocadas entre Helene e todos os empregados da Mark's & Co. Quem viu o filme, sabe do que estou falando. A segunda parte, no entanto, que não tem no filme, é a viagem que a Helene fez em junho-julho de 1971 à Londres.

*Enquanto eu nascia lá no Rio, a Helene realizava um sonho de mais de 20 anos, em Londres*

Fiquei hipnotizada pelas descrições dela, as ruas, as pessoas; me maravilhei com os comentários bem humorados que ela faz sobre tudo. É tão refrescante ler um texto de uma pessoa que não se leva muito à sério e até por isso mesmo escreve sem compromisso, em tom de confissão. Parece que ela escreve com um meio sorriso, achando tudo elegantemente cômico. A segunda parte do livro foi editada como o diário de viagem de Helene.

Ah, como eu AMO livros/diários de viagem! Alguém aqui leu o diário de viagem do Camus, quando ele foi até ao Brasil de navio? O modo como ele descreve o mar é simplesmente maravilhoso. Ainda estou no final de junho no livro, mas já entrei na angústia costumeira de quando encontro um livro que AMO: quero ler tudo e, ao mesmo tempo, quero economizar tudo para que dure mais. Oh doce indecisão. :c)

Escrito por Maria às 05:19 PM | Mais: Livros | Comente! (28)

setembro 27, 2004

Maratona

Chuva. Mas não tá frio, graças a Deus. Aula sobre leis de imigração. Nada muito impressionante. Já sabia quase de tudo o que foi dito por pura experiência. Almoço: resto da sopa italiana de ontem. Delícia. Ainda mais com pãozinho, queijo e tals (sempre exagero nos pãezinhos.. oh). O tapperware ficou manchado de laranja avermelhado (a sopa tinha muito tomate oh oh). Alguém sabe me dizer como eu posso tirar a mancha? Tô com emails na caixa postal que ainda não respondi. Sorry (principalmente Marcinha, o email mais antigo... oh oh oh). Agora tenho que correr (debaixo de chuva.. oh oh oh oh). Fui.

Escrito por Maria às 02:18 PM | Mais: Vidinha | Comente! (15)

setembro 26, 2004

Outono em Umeå

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Minhas queridas Björks, todas amarelinhas

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Minha florestinha preferida

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Ciclovia

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Cogumelo... é outono!

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Matizes de outono na ciclovia

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Linda!

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Chão de outono

Post e fotos inspirados pela Marina. Queridoca, você é um amor. Um beijo.

Escrito por Maria às 09:53 PM | Mais: Vidinha | Comente! (20)

Que saco!

Olha, quero dizer uma coisa aqui pra todos vocês e pra uma pessoa em particular: esse blog é MEU. Isso aqui não é uma home page comercial ou coisa que o valha, por isso não sou obrigada a deixar gente maluca fazer o que quiser aqui. Sou uma pessoa democrática, mas para poder ter ordem e garantir um ambiente razoavelmente amigável no Montanha, sou obrigada a estabelecer certas regras de conduta aqui dentro.

Se o assunto que escrevi é polêmico e você não concorda com as minhas opiniões ou com as opiniões expressas nos comentários por outras pessoas, fine. Sinta-se livre para dizer o que pensa num tom normal, sem dar aula ou desprezar o outro. Agora, preste atenção aqui: você NÃO PODE insultar quem quer que seja, ou mandar emails cínicos, direto pra pessoa em questão, sugerindo leituras e dando "aulas".

Muitas pessoas já deixaram dicas de livros nos comentários, o que eu aprecio muitíssimo. Adoro aprender e acho realmente interessante uma troca de idéias contínua - é até por isso que ainda mantenho comentários aqui no blog. Mas, vale lembrar, existem maneiras e maneiras de se dar uma "dica", um toque ou coisa que o valha. Se você não sabe ser educada, é melhor não escrever nada.

A liberdade de expressão é uma noção poderosa e que defendo sempre. Mas quando o assunto se torna uma catfight entre duas pessoas, o melhor é retirar o lance do fórum público e resover (ou brigar mais ainda) no privado, por email. Sou obrigada a escrever esse post porque tem gente que não compreende que estou interessada numa troca cordial de idéias, e não apenas em aulas de antropologia.

No mais fico irritadíssima por não poder escrever sobre assuntos que me interessam sem receber comentários disparatados de gente que vem aqui não para comentar, mas para zonear, provocar, tocar fogo no circo e depois desaparecer. Já bani o seu IP, mas você continua vindo, escrevendo, sem se dar conta que aqui, você não é bem-vinda.

Escrito por Maria à s 12:13 PM | Mais: Irritação e ironia | Comente! (24)

setembro 24, 2004

Quantas vezes morremos nesta vida?

Nascemos e morremos quando viajamos. O velho ditado francês que declara "partir (ou despedir-se) é morrer um pouco" não pode ser mais claro ou verdadeiro, pois todo viajante divide-se, reparte-se, multiplica-se e, quase sempre, dispersa-se, "diasporiza-se" em múltiplos pedaços. Pulveriza-se em memórias, saudades e vidas, cada qual sob o controle daqueles que deixou no seu porto de adeus.

Cada viagem sinaliza uma nova etapa, uma declaração de independência, um gesto de revolta, um rasgo corajoso de esperança, um dispendioso desabafo, um ato de rejeição, um tiro no escuro, um rito de passagem. Foi assim quando fui complementar minha educação universitária em Harvard, nos Estados Unidos; foi também assim quando saí de uma Niterói luminosa, marcada por animadas discussões intelectuais, cujo objetivo era "acabar com o subdesenvolvimento" e segui para o interior do Brasil para viver comos índios. E tem sido assim depois que retornei aos Estados Unidos como professor e fiquei numa gangorra cultural, morando entre dois países e experimentando, como membro de uma cultura, os valores de outra sociedade.

Para cada uma dessas partições há um preço. O viajante é um peregrino. Mas o viajante que estaciona e, desfazendo armas e bagagens, integra-se num lugar, torna-se um marginal. E aquele que se associa formalmente a uma instituição - uma companhia, firma ou universidade - vira expatriado. Reparte-se inevitavelmente, criando uma vida concreta onde chegou e uma outra no lugar de origem.

Uma coisa é viajar motivado pelo retorno, como acontece nos cruzeiros turísticos e nas viagens de estudo ou trabalho. Outra coisa é viajar para ficar, tornando-se residente num lugar onde não se nasceu e onde toda a realidade, da comida aos modos de falar, comprar, pedir, rezar e relacionar são diferentes, têm de ser aprendidos e chegam de fora para dentro.

O primeiro tipo de viagem inventa o turista engarrafado numa bolha. O segundo agencia o viajante que experimenta a morte e a divisão de sua vida de modo abrupto ou gradual. A prova cabal de que morreu ou virou fantasma é quando ouve seu nome falado em outra língua. Meu nome sempre foi Roberto, mas aqui nos Estados Unidos virou Hobero. No início tudo é mais ou menos diferente, depois a vida se rotiniza e o estranho transforma-se em aceitável e até mesmo em familiar. Quem diria que eu ia me deleitar com cachorros quentes e com "almoços de negócios ou conferências", as tais brown bag talks, embora deva dizer que a tal de root beer é ainda remédio para mim.

Qualquer que seja o gosto da rotina, porém, o fato é que é impossível viver e trabalhar num lugar, criando simpatias e antipatias, descobrindo prazeres e sofrimentos, sem ter com esse espaço uma história de sentimentos e relações. Sem se sentir saudoso de alguns de seus nichos, comidas, pessoas.

Minha experiência americana me tornou um expatriado e, ao mesmo tempo, um fervoroso brasileiro. Tanto que voltei ao Brasil só para descobrir, neste breve retorno que agora faço a Notre Dame, quanto eu me liguei a este lugar e às suas coisas. Quanto eu fui tocado por suas árvores bem cuidadas, por suas alamedas emolduradas de grama, pelo cheiro de incenso de suas missas, pelo silêncio quase sepulcral de duas noites, pelas tempestades que chegam rápidas e violentas e vão embora com amesma velocidade, pelo gosto saboroso de seus vegetais, pela civilidade com a qual seus cidadãos dirigem seus carros, pela sincera cordialidade dos meus colegas.

Quando se fica entre dois mundos, morre-se muitas vezes. Tantas são as passagens de um lugar a outro. E, quando se descobre que o "entre" também tem o seu lado negativo, revelando as perdas, contabilizando as divisões, assinalando as repartições, indiciando pelos lutos mal feitos e por muita saudades. Saudade de um lado e saudade do outro; e uma saudade nova, excepcional e inusitada do interstício, da passagem, do meio-termo.

As do Brasil são de gente e de comidas. Cheguei faz uma semana e já sinto falta de um prato de carne-seca frita com cebola, isso para não falar da imensa saudade dos meus netinhos e de tudo que vem com eles. As dos Estados Unidos são da vida que aqui deixei. Pois cada paisagem desta universidade também guarda uma parte de minha vida. Moldura terna e amorosa de um passado que não se deixa enterrar. As do miolo são as de uma liberdade um tanto onipotente, aquela que acena com a promessa de ter o melhor dos dois.

São esses sentimentos contraditórios de vida e morte,de liberdade extremada e de perda que eu tenho experimentado nesta visita. É quando vejo que o pertencer é sempre relativo. Que a terra natal - a pátria ou a mátria, comodizia o padre Antônio Vieira - exige uma constante celebração de ritos patrióticos em que reafirmamos o nosso gosto de a ela pertencer, porque - quem sabe? - somos também seres de um mundo sem fronteiras. É pelo menos isso que ocorre quando morremos e deixamos de pertencer a nós mesmos.

Escrito pelo antropólogo Roberto da Matta (publicado no Estadão, dia 15 de setembro de 2004 - gentileza da Leila e do Ricardo)

Escrito por Maria às 03:12 PM | Mais: Vida de imigrante | Comente! (12)

setembro 23, 2004

Perdas e ganhos

Tô sem tempo de fazer social nos blogs queridos e amigos. Me desculpem. Meu tempo online é curtíssimo e o que tenho, divido entre responder emails e escrever aqui. As visitinhas precisam ficar pra depois, infelizmente. Mas estou sempre por aqui, quando levanto o nariz dos livros e me dou recreio.

Ainto tô lendo o "Perdas e Ganhos" da Lya Luft. Leio um pouquinho de cada vez, aí interrompo pra ler um livro ou um texto pra universidade. Mas é até bom, sabia? Esse livro da Lya Luft merece ser degustado com cuidado. Teve uma moça que veio aqui e deixou um comentário perguntando o que eu estava achando do livro.

Olha, estou gostando. Até porque a Lya Luft tem uma qualidade que me agrada horrores: ela escreve com raiva. (Hehehe.) Eu leio os textos dela e a imagino totalmente envolvida, dedicada e concentrada a dizer o que pensa sobre seus temas. Parece que ela tem uma idéia, senta na cadeira e escreve de uma vez só. Quando crescer, quero escrever como ela. :c)

Acabei de voltar de nossa segunda "visita de estudos" do curso. Hoje fomos a um julgamento, pra ver como as coisas são feitas, os procedimentos e tals. O caso era da misshandel, ou seja, violência física entre duas (ou mais pessoas). Estava lá a vítima, um rapaz que foi a uma discoteca comemorar sua festa-de-solteiro e que levou socos e tabefes de um outro, também presente no tribunal.

O cara que deu os socos e tabefes (ele já tinha sido condenado em primeira instância mas apelou para pegar uma pena mais branda) é um típico "pitboy". Baixo, bem treinado, fortinho, cabelo curto. Só faltou o pitbull ao lado. Ele chegou ao prédio algemado, o que me deixou nervosa. Mas, nada demais aconteceu. Não ficamos sabendo o resultado (tivemos que vir embora mais cedo) mas foi uma experiência interessante.

Já tinha visto um julgamento antes, em Nova York, quando morei lá pra estudar inglês em 1998. Foi um caso simples, de roubo. O ladrão era latino (não sabíamos exatamente de onde) e precisava de tradutor. Eu e muitos dos alunos da minha turma entendiamos espanhol e ficamos impressionados com a quantidade de erros que a tradutora cometeu. Bom, a experiência foi muito interessante, ainda mais porque o advogado de acusação (ou procurador público?) era um gaaaaato. Hohoho.

Escrito por Maria às 02:48 PM | Mais: Livros | Mais: Universidade | Comente! (9)

setembro 21, 2004

Leis e realidade

justica.gifNesse primeiro mês de aulas do curso básico de ciência legal (grundkurs i rättsvetenskap), aprendi um pouco mais sobre como a sociedade sueca é construída, como as instituições funcionam (ou deveriam funcionar) e até como os cidadãos pensam - já que leis nada mais são do que um reflexo do modo de pensar da sociedade, né?

Desde que comecei a me inteirar mais sobre como a Suécia funciona passei a pensar, claro, no Brasil. Mesmo assim quero deixar bem claro que me nego terminantemente a fazer comparações diretas entre os dois países. Primeiro porque é impossível comparar realidades (e histórias) tão diferentes, segundo porque não vivo mais no Brasil, e terceiro porque não gosto de me juntar ao coro dos amargos e dizer que no Brasil tudo é uma merda.

Mesmo assim, volto a dizer, quando você comeca a entender as entranhas do sistema sueco, fica sim com uma pontinha de vontade de comparar, de comentar, de dizer como as coisas "deveriam ser feitas" da forma certa. É fascinante analisar o controverso sistema de impostos que diminui muito as desigualdades e mais ou menos impede a criação de uma sociedade de classes, as leis que conseguem garantir a todos os cidadãos direitos básicos como cuidados médicos adeqüados, educação e cuidados com os cidadãos mais velhos.

Dá vontade de se candidatar a um cargo público em Brasília pra "dar um jeito na confusão" no Brasil, levando consigo as idéias suecas.

O único problema é que geralmente, o texto da lei - até mesmo o brasileiro - é muito bonito e, em certos casos, até mesmo perfeito. O que estraga é a execução (ou não) das leis. O povo sueco gosta que se enrosca de leis e as segue com gosto. Não sei porque, não tenho base antropológica pra discutir esse fenômeno, mas o fato é que aqui as leis são seguidas pela maioria da população. No Brasil, todos sabemos, as coisas são muito diferentes nesse ponto.

(Nota: Quero deixar uma coisa clara aqui: com o parágrafo acima não quero criticar o povo brasileiro, nem me unir àqueles que dizem que o único problema do Brasil é o "povinho".)

Acho que o lance é mais complicado do que parece. Quem na verdade dita o futuro de um país? O que faz um país "dar certo"? Aqui parte-se do princípio da confiança mútua entre as partes. Por exemplo, em certos estacionamentos públicos você pode deixar seu carro sem pagar nada, basta colocar um reloginho de papel no parabrisa (por dentro) marcando a hora em que chegou (isso quando não diz numa placa que você tem que pagar taxa, claro). Sempre que paro num desses "estacionamentos livres" vou conferindo os carros e a grande maioria coloca os tais dos reloginhos.

Não acho que no Brasil esse sistema não desse certo. Tenho a impressão de que falta cuidado da parte dos cidadãos em querer que dê certo. Os suecos têm muito orgulho do seu país, do desenvolvimento alcançado nos últimos 60 anos (depois da segunda grande guerra). A sorte deles é que tiveram governos honestos, que investiram o dinheiro ganho com esse desenvolvimento em pesquisa, educação e na construção do chamado wellfaire state. Por isso, as pessoas tentam manter a ordem, respeitar as leis.

Acho que no Brasil, infelizmente, não temos essa auto-estima, essa capacidade de sentir orgulho da evolução brasileira.

Escrito por Maria à s 04:55 PM | Mais: Elucubrações | Mais: Europa & Escandinávia | Comente! (23)

setembro 20, 2004

Crianças

farfar_stor.jpgPassei o fim de semana inteiro em treinamento. É que fui aceita como jourare, ou voluntária, do BRIS (Barns Rätt I Samhället = Direito das Crianças na Sociedade). Trata-se de uma organização não-governamental que responde por meio de telefone e email às dúvidas de crianças e as ajuda quando necessário nas questões mais difíceis da vida.

As crianças escrevem/telefonam e contam de tudo. Violência sexual cometida por membros da família, desespero, solidão, mobbning, mas também problemas mais "leves", como dúvidas gerais sobre como dizer pro namorado que não gosta mais dele. Tanto meninas como meninos escrevem, mas as moças usam mais o email e os rapazes telefonam mais. Depois de seis meses de treinamento, começarei então como voluntária para responder aos emails das crianças uma vez por mês.

No sábado discutimos a perspectiva da criança (de como é importante não "dar aula" todas as vezes em que uma criança escreve dizendo que o mundo vai acabar porque ela terminou com o namorado). Quem é adulto sabe que o mundo não acaba, que a gente se sente supermal, mas acaba se acostumando com o tempo - e depois conhece um cara ainda melhor. As crianças ainda não têm capacidade de enxergar as coisas em perspectiva. No final do dia, fomos jantar num restaurante chinês. Foi bacana conhecer as outras 17 mulheres que estão fazendo o treinamento.

No domingo começamos o dia com uma visão geral sobre a convenção dos direitos das crianças das Nações Unidas (muito importante na legislação sueca), além de leis locais. Ficamos sabendo que aos 13 anos uma criança pode ter um "trabalho leve", de apenas 12 horas por semana. Aos 15 anos é permitido iniciar sua vida sexual, dirigir scooter (moped). Aos 16, uma criança pode deixar de ir ao colégio se assim desejar e já pode trabalhar normalmente, 40 horas por semana. Aos 18 a criança deixa de ser criança e passa a ser considerado "adulto".

Treinamos a dar respostas a algumas cartas e nos familiarizamos com o sistema de email da home page do BRIS. Estou MUITO feliz de ter sido aceita no curso/treinamento. Isso porque não é certo de que você seja aceita quando se candidata a trabalhar de graça. Fala-se por telefone e depois faz-se uma entrevista ao vivo, onde eles perguntam tudo. Como foi sua infância, se teve traumas, por quê, como resolveu etc. O treinamento, que é de graça pra mim, custa uma fortuna. Até por isso, você é obrigada a ser voluntário por pelo menos dois anos depois do fim do treinamento.

Escrito por Maria às 02:27 PM | Mais: Conquistas | Comente! (20)

setembro 17, 2004

Bonecas de papel

Cleopatra.jpgTava conversando com a Marcinha, quando nem sei porque descobrimos que ambas, quando criança, fomos enlouquecidas por bonecas de papel, daquelas que vestíamos com roupas também de papel. Sempre A-DO-RE-I essas bonecas, que me entretiam por horas a fio. Acho que as minhas eu comprava na banca de jornal, mas em algumas papelarias também tinha.

Na minha caixa de metal, cheia de rosinhas pintadas em cima, guardava minhas bonecas de papel e os apetrechos. Sapatos, vestidos, chapéus etc. Era complicadíssimo fazer a boneca permanecer vestida e "montada" durante a brincadeira. Isso, claro, por conta do modo como as roupas e acessórios eram prendidos: com pequenos pedaços de papel dobrados por cima dos ombros da boneca.

Mas eu me divertia muito. Fico com pena de ter perdido a caixa e as bonecas. Esse é um tipo de coisa que eu gostaria de ter guardado. Fui procurar na Internet algum site de bonecas de papel, e achei esse aqui, que é um show. Cliquei em galeria, e achei uma das páginas mais lindas do mundo. Tem bonecas de papel da Alice no País das Maravilhas, Desdemona do Othello de Shakespeare, Frida Kahlo e até Nijinsky! Mas a minha favorita é Cleópatra. UAU!

Escrito por Maria às 04:41 PM | Mais: Vidinha | Comente! (35)

setembro 16, 2004

Aniversário do Stefan II

Stefan pediu pra agradecer muito a todos vocês pelos votos de felicidades. Ele está feliz, lá em Boden, curtindo o meu presente de aniversário: uma caixa de filmes do Monty Python. Na caixa da felicidade tem "Monty Python and the Holy Grail", "Life of Brian" e "The Meaning of Life". A sessão de hoje é "Monty Python and the Holy Grail".
Escrito por Maria à s 07:28 PM | Mais: Aniversários | Comente! (16)

Aniversário do Stefan

Soneto do amor total

cupido.gifAmo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Vinícius de Moraes

Älskling, du är allt för mig. Du gör mig glad, trygg, verkligen lycklig. En stor blöt puss mitt på munnen på dig! :c) *SMACK*

Escrito por Maria à s 07:29 AM | Mais: Aniversários | Comente! (22)

setembro 14, 2004

Na sala de aula

Hoje o dia foi fantástico. A convite da professora do meu curso de verão, fui comentar o livro do Mauricio Rojas "No labirinto da solidão: imigração e identidade sueca" ("I ensamhetens labyrint: invandring och svensk identitet") no curso recém-iniciado dela, que é voltado para quase-professores. A turma, formada por cerca de 20 mulheres, foi dividida em quatro grupos. Passei de 10 a 15 minutos com cada grupo, levantando polêmicas, perguntando opiniões, dizendo o que achava. Foi muito interessante porque cada vez que leio esse livro descubro mais pontos instigantes.

Quando suecos leêm Rojas é normal que fiquem revoltados com as "simplificações" que ele faz, descrevendo as manias do povo daqui de forma pragmática, sem firulas mas com muita base teórica. Uma moça disse que "era muito difícil mudar o modo como o povo se comporta", para que os imigrantes pudessem se sentir mais em casa. Aí tive de intervir e comentei que o que Rojas escreve e o que todos os imigrantes defendem não é uma mudança dos suecos no seu jeito de ser, mas uma abertura para que o nosso jeito de ser sueco também seja reconhecido como válido e aceito.

Comentei ainda que entendia quem se sente inconfortável com tamanha presença de imigrantes no seu país. O lance é que se um sueco disser que há muitos imigrantes por aqui, ele é logo taxado de racista. Depois de ler Rojas, entendi uma série de coisas como a distância das leis suecas, que garantem igualdade de direitos a todos, e a realidade, que é beeeem diferente.

Ninguém perguntou ao povo sueco se eles queriam receber tantos refugiados de guerra, se queriam viver numa sociedade multicultural. As leis foram sendo feitas, o tempo passando, a modernidade chegando e o sueco típico não teve tempo de se acostumar com gente de pele escura que fala sua língua com sotaque. Acha estranho, sente-se incomodado. O que, aliás, é normal, se levarmos em consideração a formação populacional daqui - quase que totalmente homogênea por séculos a fio.

A discussão foi muito interessante. Gostei demais de estar lá, dando meu testemunho, perguntando, comentando. Acho fascinante como pessoas podem ler o mesmo livro e entender mensagens diametralmente opostas. O mais legal é que entendo mais e mais a alma sueca - os prós e os contras, o humor ou a falta dele. E isso é fundamental pra mim.

arco_iris.jpg
Umeå agora, vista da janela da cozinha.

Escrito por Maria às 04:21 PM | Mais: Conquistas | Comente! (20)

setembro 13, 2004

A vida é bela

ceu_impressionista01.jpg
Fim-de-semana mágico. Meu urso chegou sexta à tarde. Jantamos (fiz batata gratinada no forno com creme de leite diet e queijo diet, além de mais outras coisas - tudo uma delícia, thank you very much). Assistimos ao noticiário e lá pras 19h30, 20h fomos comprar guaraná no supermercado aqui perto de casa (fica a uns 300 metros a pé, na esquina da minha rua). Quando olhamos para cima fomos brindados com esse céu impressionista, rosa, azul, laranja, amarelo... A noite estava clara, parecia que de propósito pra me fazer respirar mais leve. Sucesso! :c)

No sábado depois do almoço saímos para uma volta na floresta perto de casa. Desde que vim morar aqui descobri a delícia das frutinhas selvagens, chamadas bär [bééérr] e que crescem em qualquer mata de fundo de quintal. A minha favorita é a blåbär [blôôôbér], ou blueberry em inglês, cheia de vitamina C e ótima para o estômago. Colhemos algumas delas nesses arbustos rasteiros (ver primeira thumbnail). Foi difícil encontrar as frutinhas, talvez porque as crianças da escolinha ao lado devem conhecer bem os points mais fartos.

Colhi algumas blåbär (segunda thumbnail). O dia estava liiiiiindo, por volta de 16 graus (o que é relativamente "quente" por aqui nessa época do ano). Rodamos pela florestinha e arredores por cerca de duas horas. No final, estavamos consados mas não com fome. A razão? Veja a terceira thumbnail. :c))) Antes do jantar ainda demos uma volta de carro, olhamos casas (nosso esporte favorito já que não temos dinheiro pra comprar...) e descobrimos novos bairros de Umeå. Vimos até um balão! (veja quarta thumbnail)

No domingo choveu, então ficamos em casa. O que, diga-se de passagem, não foi nenhum sacrifício. Hohoho. Quem disse que a vida não é bela? :c)

blabar_th.jpgmaos_vazias_th.jpgbalao_th.jpg

Hoje teve trabalho de grupo aqui em casa. Fizemos um resumo de um caso judicial para entregar amanhã no seminário sobre direito civil. Escrevemos, tomamos café e jogamos conversa fora. Falamos sobre cachorros, cavalos e claro, outras coleguinhas de quem ninguém gosta. Devo dizer que a capacidade de fazer fofoca das suecas é tão ou mais sofisticada do que a nossa. Hohoho. Essa semana vai ser tumultuada, mas a vida é boa e generosa então, nada a temer. Boa semana pra você também! :c)))

Escrito por Maria às 05:24 PM | Mais: Vidinha | Comente! (18)

setembro 10, 2004

Imaginary Homelands

sphere.jpg Imagem: Escher

Salman Rushdie sobre si mesmo e asiáticos na Inglaterra:

"Somos hindus que cruzaram as águas negras; somos muçulmanos e comemos carne de porco. Consequentemente pertencemos atualmente em parte ao mundo do leste. Às vezes nos sentimos na fronteira de duas culturas (...). Pelo fato de termos sido transportados através de meio mundo, somos pessoas traduzidas. Normalmente imagina-se que algo sempre se perde numa tradução; eu sustento teimosamente que algo também pode ser ganho... Somos ao mesmo tempo insiders e outsiders nessa sociedade. Essa visão estereoscópica é o que podemos oferecer no lugar de uma visão completa." (Rushdie 1992, páginas 15, 17, 19 - Trecho retirado do livro I ensamhetens labyrint: invandring och svensk identitet, de Mauricio Rojas)

Escrito por Maria à s 10:43 AM | Mais: Elucubrações | Mais: Livros | Mais: Vida de imigrante | Comente! (19)

setembro 09, 2004

...não. Hoje não.

...não. Hoje não.

Escrito por Maria à s 08:43 PM | Mais: Elucubrações | Comente! (11)

setembro 08, 2004

A Terra é um planeta inusitado, que funciona por meios tortuosos. Povoado por bípedes tão diferentes visualmente, mas que, no entanto, dividem uma coisa em comum: vivem e sobrevivem porque crêem. Seja Deus, Alá, Buda ou qualquer outro. Nascem, crescem e morrem acreditando em alguma coisa. Na mãe, no pai, no filho, no espírito santo, no parceiro, no amigo. Nem os desconfiados se salvam porque têm crenças básicas embutidas. Até o ateu está incluído: ele crê na independência. Eu acredito na esperança, que pra mim equivale à fé religiosa. Que coisa insólita essa de se viver de crença.

Escrito por Maria à s 10:27 AM | Mais: Elucubrações | Comente! (24)

setembro 07, 2004

Você não é bem-vindo

svenskar.jpg Da esquerda pra direita: Fredrik Dahlström, Hakim Chebchoub, Rebin Solevani e Linus Larsson

Ontem meu jornal mostrou uma matéria fantástica: contratou quatro repórteres jovens, dois suecos com nomes bem comuns, e dois com nome e aparência árabe. Os quatro procuraram 366 empregos para os quais apresentaram méritos idênticos. O método é simples: em pares (um sueco e outro com nome estrangeiro) os rapazes ligavam para saber de empregos anunciados nos jornais e no site do banco de empregos. Quando o "imigrante" ligava, todas as vagas estavam preenchidas. O sueco ligava então 20 minutos depois e conseguia uma entrevista na hora. Trata-se de uma série de reportagens do DN para analisar as pessoas impedidas de entrar (na sociedade, no mercado de trabalho etc). Em sueco faz mais sentido, são "De Utestängda".

Exemplo das conversas por telefone, quando os rapazes ligavam para as empresas perguntando sobre a possibilidade de mandar o currículo:

Rebin Solevani, que fala sueco com um leve sotaque:
Repórter -- Oi, meu nome é Rebin Solevani e estou interessado no trabalho de cabeleireiro. Gostaria de saber se ele ainda está disponível?
Homem -- Já tenho muitas pessoas que querem o trabalho, de forma que vou esperar. Terei de encontrar com muitos interessados...
Repórter -- Ok, então pelo menos eu já sei.
Homem -- Obrigada, até logo.

Linus Larsson, sueco, ligando para o mesmo salão de cabeleireiro e falando com a mesma pessoa:
Repórter -- Olá, meu nome é Linus Larsson. Estou ligando a respeito do trabalho que vi anunciado. Vocês estão procurando um cabeleireiro?
Homem -- Sim, estamos.
Repórter -- O trabalho ainda está disponível?
(Linus tem oportunidade de falar sobre sua experiência anterior - praticamente a mesma de Rebin)
Homem -- Como é mesmo o seu sobrenome?
Repórter -- Larsson.
Homem -- Larsson, claro! Nós poderíamos nos encontrar pra uma entrevista, claro.

Quando o jornal ligou para o responsável pelo salão e o confrontou com o diálogo acima, ele disse que "não tinha nada a ver com o fato de Rebin ser imigrante". Essa é apenas uma das desculpas utilizadas pelos empresários citados na reportagem. A maioria disse estar muito estressada e por isso sem tempo para julgar de forma melhor os currículos dos aplicantes. A mesma coisa aconteceu com Hakim Chebchoub, mesmo ele sendo sueco de nascimento e falando a língua sem qualquer sotaque. Basta que ele diga seu nome para que qualquer tipo de interesse do empresário acabe.

Amany Abdelsaid tem 25 anos, é casada e tem dois filhos

É por isso que a reportagem de hoje tem como título: "Eles mudaram de nome para conseguir um emprego". Na matéria conta-se a história de Amany, que passou a se chamar Anna para conseguir trabalhar. Ela é telefonista especializada em um tipo de sistema eletrônico sueco e não foi contratada quando a empresa em que estava fazendo estágio anunciou três vagas de telefonista. Uma colega de curso dela entrou numa vaga e outras duas moças, sem preparo especializado e com formação apenas ginasial, foram contratadas para as duas outras vagas. Ah, detalhe: as três moças são suecas. Amany acha que sua não-contratação apesar de sua óbvia competência se deve ao fato dela usar xale/véu.

O pior não é isso. Avni Dervishi, imigrante do Kosovo, tem um masters em Política Européia e Ciência Política, conseguido em uma universidade sueca, além de experiência de trabalho nas Nações Unidas - mas nenhum emprego. Quando resolve tentar um trabalho menos ambicioso, a desculpa é que ele é mais qualificado do que o exigido. Ele pensa em mudar de nome, mas acha difícil. Diz que seria como perder ainda mais uma identidade já difusa. Mas o pior mesmo é o que disse a sobrinha dele: "Por quê preciso estudar agora para entrar pra universidade? Você tem uma formação ótima e não consegue emprego." A sobrinha de Avni Dervishi tem 10 anos.

Você, que já me lê há algum tempo, deve estar achando que ando me repetindo demais, que estou obcecada com essa história de discriminação. É, pode ser. Mas, se você estivesse no meu lugar, aposto que estaria preocupada(o) também. Acho importante mostrar isso aqui porque essa série de reportagens é uma vitória. Uma vitória contra todos aqueles - suecos ou não - que dizem que não há discriminação na Suécia, apenas choramingação de imigrante mimado.

O fato de um dos mais respeitados órgãos de imprensa sueca - realmente mainstream - estar provando por A mais B que discriminação realmente acontece diariamente na democrática Suécia está espantando muitos cidadãos. A série de matérias foi acompanhada por pesquisadores, que dela tiraram conclusões de base científica. Hoje a ministra da integração aplaudiu a iniciativa, até porque os resultados das matérias mostram que não é apenas o governo que deve fazer alguma coisa pra melhorar a situação dos imigrantes, mas a sociedade como um todo.

Escrito por Maria às 09:47 AM | Mais: Vida de imigrante | TrackBack (1) | Comente! (32)

setembro 06, 2004

No ônibus

stop.jpgOntem teve jantar na casa de um casal amigo, Mia e Jens. Ela é minha amiga de curso. O namorado, Jens, é alemão e está na Suécia há tanto tempo quanto eu. A Jenny também estava lá. No ônibus sentei na parte da frente, como sempre faço quando não tenho certeza se peguei a linha certa. Ao meu lado, dois rapazes de aparência indiana (mas poderiam ser paquistaneses ou do Sri-Lanka, sei lá).

Num ponto de ônibus do centro da cidade subiram cinco mulheres da Somália, com suas roupas típicas, chales e tudo. Sentaram nas cadeiras à minha frente e uma delas ao meu lado. Ela era a mais velha de todas, uma senhora, e cheirava a sândalo. Quase comecei uma conversa, mas fiquei com receio de não me fazer entender. É muito comum que as imigrantes mais velhas, principalmente mulheres, não saibam mais do que o básico em sueco ou inglês. E eu, obviamente, sou um zero a esquerda em árabe.

Na minha frente, uma mãe e duas filhas. Uma das meninas era pequenininha e a mãe ia lendo pra ela o nome das paradas do ônibus com uma pronúncia muito boa, seguida de animados comentários em sua própria língua (somali?). Fiquei feliz por ela estar contribuindo para a educação da filha. Quando me levantei para sair do ônibus, no entanto, reparei uma coisa engraçada e triste. Todos os suecos presentes estavam sentados no fundo do ônibus, enquanto nós, imigrantes, sentamo-nos na frente (inclusive o motorista que parecia ser do Iraque).

O jantar foi ótimo! Sopa de salmão russo (a mãe da Mia é russa) com pêra no forno de sobremesa. Tomei um martini de aperitivo (gosto mais ou menos, prefiro as azeitonas hohoho) e o vinho branco que eu levei. Muito bom, viu? Se tiver oportunidade, compre. Tem um gosto muito suave, com um toque de frutas. Delicioso. No final, café e Baileys. Uhmmm.

Escrito por Maria às 01:38 PM | Mais: Vida de imigrante | Mais: Vidinha | Comente! (14)

setembro 05, 2004

Domingo

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Tava estudando mas tive de parar pra apreciar. Crianças estão jogando futebol aqui no gramado em frente de casa. Um barato. Tô quase indo lá participar. Será que se eu disser que sou brasileira eles me deixam jogar? Hohoho. Quando fazem gol é uma gritaria ótima: "MÅÅÅÅÅLLLLLLLL!!!!!!" [môôôôôllll], berram. Música pros meus ouvidos solitários.

Escrito por Maria às 02:50 PM | Mais: Vidinha | Comente! (16)

setembro 04, 2004

zum zum zum...

Eu e a abelha estamos bem, mas cansadas. Sim, ela ainda está aqui em casa, zunindo como nunca. E eu tentando evitá-la a qualquer custo. Fui pra cidade. Comprei um vinho branco chileno que parece ser ótimo, chamado Terra Andina (o site é show!). Encontrei com colegas de turma, vi gente na praça da cidade, vi o preço de um casaco de inverno e quase caí pra trás. É exatamente o preço do sofá que eu quero comprar. Fui ao supermercado, comprei biscoitos recheados dinamarqueses Bisca e voltei pra casa. Li. Vi TV. Escrevi SMS, falei ao telefone. Escrevi.

Terminei de ler o livro do Günther Wallraff, um alemão que nos anos 80 se transformou em turco (com ajuda de lentes de contato negras, peruca e bigode postiço) e foi procurar emprego. O livro é interessante inicialmente, quando ele descreve diversos empregos que conseguiu, como fritador/faxineiro no McDonalds, provador de medicamentos para indústria farmacêutica etc.

O preconceito e a noção de que os turcos (ou outros não-alemães) não são gente fica evidente o tempo todo, o que causa muito desconforto. O livro é, no entanto, muito interessante porque mostra, além disso, como uma série de indústrias funcionam, como a das empreiteiras que contratam pessoal para obras civis. Impressionante.

No final o livro vai ficando chato, chaato, chaaaato. Fui pulando uma série de coisas porque é como se apenas um alemão ou uma pessoa que more na Alemanha pudesse entender. Nesse ponto, fiquei meio frustrada. Mas o livro é bacana mesmo. Agradeço à Marcia de Souza pela dica.

Escrito por Maria às 05:06 PM | Mais: Livros | Mais: Vidinha | Comente! (20)

setembro 03, 2004

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Escrito por Maria à s 06:53 PM | Mais: Irritação e ironia | Comente! (5)

setembro 02, 2004

Eu e a abelha

Estava aqui, concentrada tentendo resolver as 11 perguntas do primeiro exercício do curso de legislação, quando ouço um zumbido e um bater de asas. Digo pra mim mesma: "não é nada!" Volto a atenção ao banco de dados na Internet com milhares de casos, leis, decisões... Mas escuto o zumbido novamente. Mais perto de mim. Assustada, olho pra cima do monitor e vejo uma abelha imeeeeennnsa.

Levanto e saio abanando os braços pra todos os lados, mesmo a coitada da abelha estando bem longe de mim. Ela acha interessante o show oferecido por essa massa em movimento e vem investigar. Depois de passear comigo pelos quatro cantos do apartamento - eu sempre à frente, abanando os braços, sacodindo os cabelos e grunindo "uhhhh" - a abelha perde o interesse e pousa no abajur.

Sento na frente do computador e tento pensar num plano para forçá-la a sair do apartamento, já que matá-la está fora de cogitação (não por ser piedosa, mas mais por ser medrosa mesmo). Apago todas as luzes, abro a porta da varanda e a abelha some. Mas como ainda não tive coragem de ir conferir se ela realmente foi embora, não sei ao certo se estou livre.

Nunca desejei tanto na minha vida uma latinha de aerosol Baygon. (Isso é proibido na Suécia... dizem que é perigoso à saúde. Ughrt.). Resta saber se o nervosismo de pessoas como eu não poderia ser considerado mais perigoso do que um simples DDTzinho que, aliás, é o meu melhor amigo.

Escrito por Maria às 12:34 PM | Mais: Vidinha | Comente! (24)

setembro 01, 2004

Variadas

Hoje ninguém me derruba, nem a chuva que cai insistentemente lá fora desde ontem, nem o resfriado que insiste em tentar se estabelecer. Ainda resisto. Faço exercícios de "Yoga para nervosos" (hohoho, adoro esse título), do professor Hermógenes e vou segurando as pontas até quando der. Mas tenho uma teoria: tal qual as crianças que começam na creche e "pegam" todos os tipos de bugs, o recomeço das aulas na universidade também pode facilitar resfriados e pentelhações variadas.

Quero mandar um beijo especial pra Pururuquinha. *smack!* :c)

Hoje tem filme maravilhoso na TV: "Tea with Mussolini", com a incomparável Judi Dench e com direção de Franco Zeffirelli. Tem alguma coisa especial em filmes de/sobre ingleses na Itália. Não sei o que é. Desde "A Room with a View", do fantástico James Ivory, que vi ainda adolescente, me amarro no estilo. Adoro o cinema inglês em geral, mas meus favoritos são todos aqueles com a Emma Thompson, o Antony Hopkings e até o Kenneth Branagh, tipo "Vestígios do dia" (também James Ivory) e "Muito barulho por nada". Isso sem falar na minha "queda" por Stephen Fry (o gordo-feio mais lindo do cinema) e, claro, John Cleese e a galera do Monty Python.

Escrito por Maria à s 09:41 AM | Mais: Cultura e comida | Mais: Pra frente é que se anda | Comente! (18)