novembro 30, 2004

Quentinho

Meninos, eu vi! Está fazendo zero grau aqui em Umeå! Neve fininha. Fui tomar um café na universidade com uma amiga, peguei o ônibus, fiz compras na cidade, me segurei pra comprar um gorro vermelho liiiiiindo (mas caro), voltei pra casa e agora estou aqui, cansada mais feliz. Até suei! Hohoho. Daqui a pouco Maria, colega de curso, chega aqui em casa para darmos os retoques finais nos nossos trabalhos/provas do curso de psi, que entregaremos amanhã. E o melhor disso tudo é que novembro a-ca-bou! :c)))

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novembro 28, 2004

Primeiro advento

Acordei tarde hoje (9h), tomei café da manhã escutando rádio, voltei pra cama pra ler jornal e só me levantei às 11h, quando fui tomar um banho. Voltei pra cama e fui ler "Eva Luna", da Isabel Allende. Eu simplesmente não consigo parar de ler. A Isabel Allende é, pra mim, a versão chilena da Sherazade, das "Mil e uma noites". Fico tão envolvida que nem quero fazer mais nada (já escrevi sobre ela aqui). Ao meio dia me forcei a ir ao supermercado porque não tenho nada na geladeira. Mas não consegui comprar nada. Andei pelo supermercado de um lado pro outro e não consegui gostar de comer nada. Então comprei um chocolate, Pepsi light e fio dental. Ah, tá nevando. :c)

1advent.gif

E hoje é o primeiro advento, ou seja o primeiro dia do ano eclesiástico da igreja sueca. Os adventos são comemorados nos quatro domingos que antecedem ao Natal. A palavra advento, advent em sueco, vem do latim adventus e quer dizer espera ou chegada (depende da interpretação). Nesse domingo as igrejas daqui costumam ficar cheias, as missas são bonitas, com coral e tal. Eu não vou à igreja aqui (aliás, nem aqui nem em lugar algum), mas acho bacana essas tradições que incluem velas, orações, quietude, esperança. A cada domingo até o Natal acende-se uma vela, como na imagem aí de cima. Essa não é a primeira vez que falo disso aqui no Montanha, e nem será a última, se depender da minha memória de sardinha. Skål! :c)

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novembro 27, 2004

A Suécia em números

sverige_karta.gifA pedidos, vou fazer aqui uma pequena fichinha de informações sobre a Suécia, junto com o mapa ao lado. A Suécia é uma monarquia parlamentarista. O rei é o chefe de estado, mas não tem poder executivo algum. Estocolmo é a capital, e lá moram 1,8 milhões de pessoas. As maiores cidades depois da capital são Malmö, no extremo sul, e Gotemburgo (Göteborg), na costa oeste. Em 449.964 quilômetros quadrados espalham-se nove milhões de habitantes, numa densidade populacional de 20 pessoas por quilômetro quadrado. A taxa de natalidade daqui é de 1,03% e a de mortalidade é maior, 1,05%, dados de 2001. Absolutamente todos os suecos sabem ler e escrever em sueco, que é o idioma oficial. Oitenta e dois por cento dos habitantes pertencem à igreja luterana, os demais são católicos, ortodoxos e muçulmanos. O BNP per capita daqui é 33.585 dólares (2003). (Dados retirados daqui.) Eu moro em Umeå (fala-se umeôô), que é uma das maiores cidades do norte do país, com mais de 100 mil habitantes. Boden (fala-se búúden) fica pertíssimo de Luleå (fala-se luleôô), lááááá ao norte. A cidade de Kiruna (fala-se kííruna) é especial: no verão, o sol não se põe; no inverno, ele não aparece por seis meses. Pode-se viajar de norte a sul da Suécia em pouco mais de uma hora de avião, ou cerca de 15 horas de trem ou ônibus. Tudo dependendo de onde você veio e pra onde vai. As estradas são excelentes e até utilizadas pelos noruegueses, que cruzam a fronteira para viajar de carro pela Suécia por esse motivo e também pelo custo de vida mais em conta.

marina.bmpSe você estará no Rio na próxima terça-feira, dia 30 de novembro, marque aí na sua agenda um programa imperdível: a Marina W, a super cool dona do Blowg, estará lançando seu livro "O caderno de cinema de Marina W." (editora Nau) na Livraria da Travessa (Visconde de Pirajá 572, Ipanema). Se estivesse no Rio eu ia lá comprar o livro, pedir autógrafo e (tentar) bater um papo com a Marina W., que é o alter ego da jornalista Maria Adriana Rezende. Ela já foi redatora da TV Globo e hoje mantém um dos blogs mais acessados da internet.

O livro da Marina W. é, como o título diz, uma reunião de textos sobre cinema, atores, fofocas e informações absolutamente essenciais pra quem ama cinema. Nas críticas que escreve, ela dá suas notas com recomendações do tipo "Tire o telefone do gancho", "Até o lanterninha chorou", "Mais clássico que Fla-Flu" e "Ah, o amor...". E como quem é chique é chique mêêêrrrmo, a apresentação de "O caderno de cinema da Marina W." é assinada nada mais nada menos por Manoel Carlos, e o prefácio por Mario Prata. Não perca e dê um beijo na autora por mim :c)

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novembro 26, 2004

Tô moooorta

Dia inteiro na universidade, apresentacão do trabalho de grupo. Tudo correu bem, mas a tensão engole minha energia. Obrigada pelos comentários aí de baixo. Já já respondo. Beijo, desligo.

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novembro 25, 2004

Depois da tempestade de neve...


Clique nas fotos para vê-las em seu tamanho natural

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novembro 24, 2004

Repeat after me:

Peter Piper picked a pack of pickled peppers
A pack of pickled peppers Peter Piper picked
If Peter Piper picked a pack of pickled peppers
Where's the pack of pickled peppers Peter Piper picked?

E-mail do meu urso pra mim hoje. Dentro, nenhuma frase amorosa, nenhuma declaração de paixão absoluta e eterna. Apenas um link pruma notícia no Aftonbladet, um dos jornais mais lidos daqui. A manchete da notícia era: "Choklad tre gånger bättre mot hosta än medicin", que em português quer dizer "Chocolate é três vezes mais eficaz contra a tosse do que xarope". O que será que ele quis dizer com isso?

*cof* *cof* *cof* :c)))

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novembro 22, 2004

Suicídio e tolerância

Mikael Ljungberg, (na foto com a noiva Katarina em férias no Brasil), era campeão olímpico de luta greco-romana pela Suécia. Escrevi "era" porque na quarta-feira passada ele cometeu suicídio numa clínica psiquiátrica onde havia se internado por livre e espontânea vontade. A morte de Ljungberg foi uma surpresa para o público em geral e também pra família, apesar de existirem sinais de alerta como depressão, internações passadas etc. O atleta estava saindo de uma depressão, depois de ter perdido a mãe e de ter se separado da primeira mulher. Agora ele se preparava para assumir um trabalho importante e para o novo casamento. O caso de Ljungberg serviu como exemplo pra discussão sobre o suicídio na sociedade sueca.

Alguns curiosos me perguntam (o último foi o Simmons) se é verdade mesmo que os suecos se matam mais do que os brasileiros, por exemplo. Como não tenho estatísticas do Brasil, não posso responder à pergunta de forma objetiva. Os números suecos (retirados de um artigo de jornal) são chocantes, mas não especialmente elevados se comparados com as estatísticas do leste europeu, Hungria na liderança. De qualquer forma, aqui na Suécia, o suicídio é a principal causa de mortes entre pessoas de 15 a 44 anos, sendo que dois terços do total é formado por homens. Vinte cinco por cento das pessoas desse grupo etário escolhem abandonar a vida. A segunda causa mortis mais comum são os acidentes de trânsito, com 12%. Mesmo assim, o número de suicídios na Suécia caiu nos últimos 20 anos. Em 1980, 2.237 pessoas escolheram deixar de viver. Em 2000, esse número foi de 1.380.

Desde que vim morar aqui soube de três suicídios que ocorreram "perto" da família do meu Urso, o que quer dizer, amigos e conhecidos que decidiram deixar de viver. Acho isso tudo tão triste que prefiro não comentar muito.

Mudando de assunto: li hoje no meu jornal uma entrevista com Umberto Eco, que está no país para o lançamento da versão sueca do seu último romance, "Drottning Loanas gåtfulla eld" (algo como "A misteriosa chama da Rainha Loana"). Mas o que mais me chamou a atenção, na verdade, foi uma nova home page, em cuja criação Eco está envolvido. A página chama-se Tolerance.it e é um guia para professores e formadores de opinião em geral de como ensinar tolerância às crianças. Eco explica em sua carta introdutória que o site é "um manual dirigido àqueles que pretendem educar jovens para aceitar a diversidade." Fantástico!

Falando nisso, quer se emocionar com um texto bem-escrito e cruelmente verdadeiro? Visite a Dani, que escreve da Bahia.

Escrito por Maria à s 11:26 AM | Mais: Europa & Escandinávia | Comente! (22)

novembro 20, 2004

Natal, presentes e neve

katt.jpgJá começamos os preparativos pro Natal lá em casa (= Boden). Sim, eu sei que ainda estamos no meio de novembro, mas o lance é que terei de estudar aqui em Umeå até o dia 21 de dezembro, de forma que o que vale é deixar tudo preparado com antecedência. Decidi inclusive quais as decorações que quero ter - todas muito discretas porque essa coisa de badulaques, balangandãns e luzinhas piscantes não faz muito meu estilo. Gosto de velas, pequenos pontos de luz espalhados pela casa, nada muito flashy. Ah! Achamos inclusive uma árvore de Natal ótima! Tem cerca de 60 cm de altura e saiu pronta da caixa, com decorações e tudo.:c)

Já comprei alguns presentes também (*pisc* *pisc* *pisc*) e fiz planos pra comprar outros. Minha sogra, a quem adoro, disse que não quer nada, que tem tudo, que estamos sem dinheiro etc. De fato, ela tem razão em todos os seus argumentos, mas imagina se vou deixar o Natal passar totalmente em branco? Não posso, né? Vai ser que nem pros meus pais lá no Rio: vou mandar uma coisa simples, mas feita por mim e, espero, que será apreciada. Aí tentei pensar numa coisa que poderia comprar pra minha sogra que fosse apreciado e não muito caro. Me lembrei que ela a-d-o-r-a assistir ao programa do Dr. Phil, que passa todos os dias aqui na TV4 Plus.

Aí dei uma passadinha na minha livraria online favorita e encomendei o livro "Livsstrategier" (algo como "Estratégias de vida") do psicólogo da tv pra ela. Claro que sei que devemos ouvir aos conselhos psicológicos do Dr. Phil com um certo distanciamento, afinal o approach dele à resolução de todo e qualquer problema esquece da angústia e trata apenas dos sintomas mais óbvios. Se a mulher não consegue parar de comer, ele diz: "Fecha a boca!", "Vá fazer ginástica!", "Goste de você mesma!" e não discute qual o papel que a comida tem na vida da pessoa, quais os problemas debaixo da fachada que podem dificultar - ou até impossibilitar - que ela páre com um comportamento autodestrutivo. Mas, enfim, minha sogra gosta, então é isso aí.

Começou a nevar agora aqui. Pequeníssimos floquinhos caindo do céu e voando com o vento. Vou esperar um pouco mais de neve pra dar uma volta com minha câmera. :c) As cidades da costa leste sueca estão sendo as últimas a receber neve nesse início de inverno. Já nevou lá em Boden (clique aqui e veja a webcam) e está frio pra burro (mais ou menos 18 graus negativos), o que quer dizer que essa neve que caiu não vai derreter - só em abril ou maio do ano que vem. (*pisc* *pisc* *pisc* *pisc*)

Neve, frio, trabalho da faculdade feito e acabado. Hoje é dia de lagartear na frente da TV. Dei uma olhada rápida e vi que filmes ótimos estão marcados pra hoje, o único problema é que passarão, claro, exatamente na mesma hora. Às 22h35 começa "Um anjo em minha mesa", da Jane Campion, sobre a vida da escritora Janet Frame (já escrevi sobre ela aqui). Esse filme é tão delicado quanto outro dos meus Jane Campions favoriter, "O Piano". Quinze minutos depois começa "Léon", do Luc Besson. Adoro esse filme que também já assisti, mas tenho a impressão que a saga da Janet Frame me é mais sedutora. Vamos ver.

A foto do gato acima foi retirada do jornal Dagens Nyheter. O gato está numa pulka, que é o nome desse pedaço de plástico usado pelas crianças (e por adultos que fingem estar ajudando as crianças) quando deslizam do alto de pequenas colinas. É o maior ba-ra-to.

Escrito por Maria às 12:01 PM | Mais: Vidinha | Comente! (24)

novembro 19, 2004

Ontem e sempre

paraiso01.jpgOntem foi um dia tão bom que não deu tempo (nem vontade) de escrever. Nos reunimos às 10 pra discutir o trabalho de grupo e a apresentação em PowerPoint que eu havia feito. Almoço aqui em casa com Maria e Rebecca e depois, das 13 às 17h, uma aula diferente, auto-conhecimento com a ajuda de arte. Aqui chama-se bildanalys (mais ou menos "análise de imagem").

Nos sentamos em grupos e recebemos instruções da professora para desenhar uma casa. Eu desenhei rapidamente uma casa em Búzios, na beira da praia. Mar, areia, baldinho vermelho e pás. Céu azul. Depois tivemos de desenhar num grande papel junto com nossas companheiras de grupo sem dizer nada verbalmente. Depois de desenhar discutimos o que cada um pensou sobre como o grupo resolveu os problemas, se houve cooperação etc.

Mais tarde, fui jantar na casa da Maria, companheira de curso. Comemos tacos mexicanos (muito comum aqui) e eu aproveitei pra matar as saudades de brincar com um bebê. Tudo indica que não perdi o jeito adquirido com o nascimento do meu irmão, 13 anos atrás. Sandra, dez meses, engatinhava pra tudo quando era lado e estava achando muito interessante aquele ser novo, de cabelos longos e escuros, cheia de marquinhas no rosto (tenho sardinhas, in case you are wondering).

Cheguei em casa depois das 8 da noite, cansada mas feliz. Pensei em escrever no Montanha ontem mesmo, mas não o fiz. Cada vez mais reparo que a vida real está melhor do que a cibernética.

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novembro 17, 2004

Estudo, presentes e frio

november_estudo_cafe.jpgnovember_estudo.jpg

november_estudo_kleenex.jpgnovember_estudo_mehrnosh.jpg

Ontem foi um dia cheio (mais uma vez). Nos reunimos às nove da matina pra discutir a prova do curso de psi. Aí em cima alguns momentos do grupo de estudo. Papelada, café, livros e algumas das companheiras de curso, Malin e Mehrnosh. Mais tarde fui à cidade com Maria, amiga de curso. Ela levou sua filhota Sandra, de dez meses (tava doida de vontade de tirar umas fotos, mas fiquei sem graça de pedir). Nem preciso dizer que gastei os tubos, né? Comprei um presente pro meu irmão e um sabonete líquido de banho na Body Shop (ah, eu não me agüento... essa loja ainda me mata). Ainda não sei quem vai ganhar o sabonete líquido, de repente ele fica aqui em casa mesmo. Hohoho. Pela primeira vez fez frio de verdade. Hoje o sol tá lindo, mas tá ainda mais frio. A última foto é da entrada de um dos prédios da universidade. Tá vendo aquelas pedrinhas pretas? Eu só ando em cima delas, senão me esborracho no chão. Agora vou terminar de fazer a tal da prova de psi. Hej då!

ps.: clique nas imagens para vê-las em tamanho natural.

Update, 15h50: Rebecca, uma companheira do meu grupo da faculdade me ligou pra discutir umas questões da prova/trabalho de psi e, quando falei um pouco, ela interrompeu e disse:

Rebecca - Nossa, mas sua voz é superdiferente pelo telefone!
Eu - É, parece voz de criança, né?
Rebecca - Ééééé!!!!

Ó céus, até em sueco eu sôo infantil no telefone? :c/

Escrito por Maria às 09:46 AM | Mais: Vidinha | Comente! (16)

novembro 15, 2004

Trabalho e enlevo

love.jpg Tomara que não seja proibido ser tão feliz assim... :c)

Dia ótimo. Reunião de grupo na universidade. Nosso trabalho está praticamente pronto. Faltam apenas retoques finais, todas as entrevistas foram feitas e tals. Almoço, sopa de tomate (aquela que manchou o pote, dessa vez fui experta e levei num potinho de sorvete antigo). Reunião com o professor para discutir a apresentação do trabalho. Recebemos muitas dicas interessantes de como apresentar nossa mini-pesquisa sobre criminalidade. Dia lindo, mas com vento. Brrrr.

Vi na TV uma cerimônia numa mesquita em Malmö (cidade mais ao sul da Suécia, com enorme população árabe) para comemorar o final do Ramadã. Lindas músicas, interpretadas por um coral de meninas muçulmanas da Bósnia. Lindo lindo lindo. Fico sempre emocionada com essas cerimônias religiosas, não importando qual a religião. Acho que o que me agrada é o rito, a solenidade, a música, o fato de muitas pessoas estarem ali, reunidas, orando, pensando, desejando alguma coisa.

E como se ainda não bastasse, recebi emails ótimos, divertidos, emocionantes, amigos. Já já respondo, ok?

Tempo em Umeå hoje: de ensolarado a nublado com possibilidades de chuvas isoladas. Temperatura 2 C. Nascer do sol às 08h07, pôr do sol às 14h37.

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novembro 14, 2004

Não se afobe não que nada é pra já

Dei uma pausa no trabalho final/prova do curso de psi para flanar na Internet. Me lembrei de um post interessante de uma moça cujo modo de pensar mucho me gusta. Ela copiou o hexagrama de número 5 do I Ching, o ótimo "Paciência". Fui e fiz minha perguntinha básica. Achei que os gênios elevados e sábios iriam me dar a mesma indicação, mas não. Eles foram muito mais acertivos.

Veio pra mim o hexagrama de número 3, "Dificuldade no início". "Dãããã", pensei. Claro que vai ser difícil no início, o problema não é esse. O problema é quão longo esse "início" é. Sei que o I Ching não responde à perguntas cujas respostas sejam apenas sim ou não. Posso perguntar se conseguirei um emprego decente nesse país, e o I Ching vai dizer que preciso ter paciência para lidar com o insólito da vida distante; que minha energia precisa ser revitalizada e que a vida não é tão simples.

Ok, ok. Diz lá no hexagrama 3: "Dificuldade no início. O nascimento de qualquer coisa - incluindo uma nova aventura ou um relacionamento - é a entrada dentro do reino do desconhecido. Ao mesmo tempo, novas coisas parecem estar acontecendo a todo tempo com você, o que pode fazer com que confusão se estabeleça facilmente. Mas o caos é uma força poderosa se você a aproveita da forma certa. Não tenha pressa. Não deixe eventos te enlouquecer. Permança calma e persevere, mas dê o primeiro passo. E conte com toda a ajuda que conseguir."

É, o I Ching tem razão mesmo.

Tempo em Umeå hoje: nublado com possibilidade de chuva no decorrer do período. Temperatura oscilando de 3 a 7 C. Nascer do sol às 08h04, pôr do sol às 14h40.

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novembro 13, 2004

Vida, trabalho e estresse

freud.jpgEstou aqui escrevendo meu trabalho final/prova do curso de psicologia. Pede-se para analisarmos a situação de um cara que depois de trabalhar durante quase 20 anos deprimiu, largou tudo e corre o risco de perder mulher e filhos. Situação, aliás, muito possível (e até provável) de aparecer num eventual trabalho futuro. Aqui nesse universo paralelo chamado Suécia, essa situação acima descrita tem nome, chama-se utbrändhet e pode ser traduzida como "pessoas estressadas sem condições psíquicas ou físicas de trabalhar*."

As pessoas que se sentem utbränd (mais ou menos "queimadas até as cinzas") emergem mais e mais na vida profissional sueca, e não se sabe a explicação do fenômeno. Uns dizem que é uma generalizada sensação de frustração, outros colocam a culpa no tempo escuro e frio, terceiros dizem que a culpa é da dificuldade de se relacionar na sociedade sueca. Ainda não me decidi em que corrente de pensamento me aliar. Sou uma criatura que sempre trabalhou e que sempre gostou de trabalhar. O que me faz mal é exatamente não ter NADA o que fazer.

Às vezes não resisto à tentação e digo que certos suecos (não todos, apenas alguns) deveriam experimentar a vida do assalariado brasileiro pra ver o que é estresse de verdade. Não faço isso porque, bom, acho que não é justo com os suecos comparar a realidade daqui com a vida brasileira. Como eu disse antes, isso aqui é um universo paralelo. O Brasil é maçã e a Suécia é pêra. Simplesmente não dá pra comparar. Mas juro que fico com vontade de escrever no meu currículo debaixo do título "Por quê você deve me escolher", assim: "Nunca fiquei utbränd e nem pretendo ficar." Hohoho.

*Não disse que a língua sueca era concisa? :c)

Escrito por Maria à s 05:20 PM | Mais: Europa & Escandinávia | Comente! (12)

novembro 12, 2004

:c)))

Tava querendo escrever sobre felicidade (a presente, a passada e a futura) mas cheguei à conclusão de que enquanto nos encontramos num estado de graça, no meio da uma nuvem de bem-estar, não é possível descrever nada. Só se consegue sorrir. :c))))

Acabei de descobrir que tenho que declarar-me isenta do imposto de renda. Preciso que meu urso chegue em casa do trabalho pra me dizer meu número do CPF e do título de eleitor. O problema é que não o fiz nos anos anteriores. Alguém sabe me dizer se serei presa no dia em que colocar meus pezinhos de princesa no Galeão/aeroporto Tom Jobim? Será que deixam receber visita na cadeia? Levem chocolates e coca-light, ok? Ou será que poderei cumprir pena na Suécia? Hohohoho :c)))

Update, 19h54: Já declarei, superfácil e sem problemas. O servidor da Receita reconheceu meu CPF e o número do meu título de eleitor, tudo certinho. Será que meu CPF está mesmo cancelado? Não pareceu não... Anyway. Meu urso, lá em Boden, tentou achar, na minha pasta de documentos brasileiros, meu título de eleitor. Eu já tinha me esquecido, mas quando fui à embaixada lá em Estocolmo pra votar pra presidente, em 2002, eles me deram um título de eleitor novo. Esse sistema brasileiro de números variados para todas as autoridades me cansa um pouco, sabe? Já estou muito adaptada ao sistema sueco, com um número apenas válido para TUDO.

Escrito por Maria às 01:47 PM | Mais: Vidinha | Comente! (15)

novembro 11, 2004

Compulsão

Dia inteiro na faculdade. Palestra sobre OCD (Obsessive Compulsive Disorder ou Tvångstanke, Tvångshandling störning ou Transtorno obsessivo-compulsivo) na parte da manhã. Depois do almoço, seminário, o que quer dizer uma espécie de discussão em grupo. Incrivelmente interessante e estressante. No final, vimos um trechinho do filme "As good as it gets", com o Jack Nicholson. Não sei se é por causa da escuridão (acordei às 6h30 e ainda estava escuro como a noite. Saí da faculdade às 16h e já era noite fechada) ou se me dediquei demais ao curso de leis, o fato é que agora parece que não tenho mais forças pra me concentrar no curso de psi. Tô precisando das minhas meias coloridas... :c) Dificílimo escrever esse parágrafo aí de cima. Passei o dia inteiro falando, ouvindo, escrevendo e raciocinando em sueco. Difícil começar a pensar em outra língua - mesmo sendo português. Ufa!

Escrito por Maria às 04:54 PM | Mais: Universidade | Comente! (12)

novembro 10, 2004

Pausa

meias_coloridas.jpg Boden, terça-feira, 16h40

Dei uma pausa pra ir passar dois dias de folga com meu urso lá em casa (= Boden). Ambos tinhamos folga na terça-feira. Aproveitamos então pra ver Simpsons juntos no meio da tarde, o que é um luxo hoje em dia - eu morando numa outra cidade por causa da universidade e ele trabalhando até tarde. Aliás, cê sabia que todo mundo na Suécia tira os sapatos quando chega em casa? Sim, shoes off é a regra, até mesmo em festas mais "finas". O melhor é estar sempre preparado, sem buraquinhos nas meias e tals. :c) Acabei de chegar em casa (= Umeå). Tenho alguns emails pra responder e já já o farei, ok?

Um pedacinho da Suécia está a caminho das praias mornas da Bahia... :c)

Me pergunta se consegui ler o livro pro curso de psi? Não... Óh, céus. :c(

Meu cabelo está avermelhado nas pontas, bem mais claro do que na raiz. Será que isso é falta de alguma vitamina? Não uso tintura alguma... :c/

Papai Noel deu uma passada lá em casa... *pisc* *pisc* *pisc* *pisc*

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novembro 08, 2004

Reação cognitiva

umea_november.jpg Umeå, 7h38min da manhã

Um dia liiiindo. E produtivo. Palestra sobre psicoterapia cognitiva, muito utilizada no tratamento de viciados em drogas e álcool. Busca-se uma melhoria no comportamento da pessoa, por meio de uma mudança em suas ações, seu pensamento e até de suas emoções. Essa é, aliás, a parte mais difícil, claro. A terapia cognitiva é extremamente pragmática e não tem como objetivo tratar de problemas mais profundos, causados por traumas ou coisas mais cabeludas. Angústia aqui, não existe. Ou se existe, não tem um papel tão proeminente.

O professor, Anders, comentou sobre traumas variados de algumas pessoas cujos casos ele teve contato profissionalmente. Um cara perdeu emprego e posição social por não conseguir controlar sua ira quando alguém, através de um comentário inocente, o fizesse se sentir inferior, "sujo" - no sentido moral e físico. A "explicação" é, segundo Anders, que esse cara não podia entrar em casa quando era pequeno e aparecia na porta sujo das brincadeiras de rua. A mãe simplesmente fechava a porta na cara dele e pronto.

Isso me fez pensar bastante. Primeiro: que bom que nunca tive pais malucos assim. Segundo: até que ponto nossa irritação é válida? Até que ponto um tantinho de repressão não é necessário para que possamos viver em "paz" com outras pessoas a nossa volta? Será que reagimos demais sempre? Terceiro: conviver é uma arte, putz grila.

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novembro 07, 2004

Oh, lord

oh lord won't you buy me a mercedes benz? vendo filme com morgan freeman, ele é policial, CIA, FBI ou coisa que o valha, chamado pra resolver o seqüestro de uma menininha. li no globo que a mãe de um jogador de futebol foi seqüestrada e que outro jogador foi morto a tiros. que coisa. a atriz que faz papel principal ao lado de freeman é daquelas loirinhas com cara de cachorrinho. The first rule of style is to have something to say. The second rule of style is to control yourself when, by chance, you have two things to say; say first one, then the other, not both at the same time (George Polya, Hungarian mathematician). Me controlar? Are you KIDDING?????

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novembro 06, 2004

Hohoho

"Não faça regime. A baleia só bebe água, só come peixe, faz natação o dia todo e é gorda." by Beth Orsini - copiado da Elis.

E a Patty casou (com o Terje)! Parabéns queridoca! Um beijo enorme e toda a felicidade do mundo! :c)

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novembro 05, 2004

Ex-criminosos

Acabei de voltar de uma entrevista que meu grupo de trabalho da universidade fez com dois ex-criminosos/dependentes de drogas. É que precisamos fazer um trabalho abordando aspectos psicológicos da criminalidade. Escolhemos entrevistar ex-condenados engajados a ajudar companheiros a sair da vida marginal. Por isso, fomos direto à fonte: à organização não-governamental KRIS (Kriminellas Revansch i Samhället, algo do tipo A Revanche dos Criminosos na Sociedade). A ONG é gerida por ex-condenados que ajudam quem sai da cadeia a reorganizar sua vida.

Uma das pessoas que entrevistamos, Thomas, era dependente de drogas até um ano atrás e ficou preso um ano por roubo e crime relacionado ao uso de narcótica. Ele trabalhou a vida toda em hospitais como enfermeiro e tem mais educação formal do que muitos de nós. Perguntamos, entre outras coisas, como é que se pode ajudar a um ex-condenado do ponto de vista psicológico a refazer sua vida. Foi interessantíssimo conversar com Thomas e depois com Peter (preso por mais de 10 anos, o que é muito tempo em se tratando de Suécia, e "limpo" de drogas e álcool há oito anos). Fiquei impressionadíssima com a força desses dois, ainda mais porque eles precisaram reestruturar suas vidas pra poder largar de drogas e da carreira de marginal.

Eu, que não tenho muito contato com esse mundo, fiquei maravilhada com a capacidade deles em entender todos os processos psicológicos por que passaram: culpa, vergonha, raiva, falta de amor, dificuldade de proximidade, falta de limites dados pelos pais etc. E não é aquela psicologia de almanaque não, coisa que eles dizem só pra agradar. Não, discutimos como é formada a assistência/tratamento dos drogados daqui, o que é certo, o que é errado. Foi muito interessante. No KRIS eles tem uma policy de tolerância zero no que diz respeito a comportamento fora da lei. Quem é membro não pode sequer provar uma bala de graça no supermercado. O conceito é semelhante ao do tratamento de viciados em álcool e drogas, por isso é tão extremo. Fantástico.

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novembro 04, 2004

Amigos

Na segunda começamos o curso básico de psicologia. São apenas cinco semanas, mas é muito melhor do que leis. Por enquanto estudamos Freud (claro), Erik Homburger Erikson, Maslow, Piaget etc. Hoje foi a vez da psicologia cognitiva, cujo centro é a equação pensamento+sensação+ação. Fiquei pensando nisso, na relação do pensamento, das palavras que escolhemos para expressá-lo e nas ações que tomamos em conseqüência desses pensamentos - principalmente no que diz respeito a relações entre amigos.

Não há nada que seja mais difícil do que relações humanas. Ando numa onda de mal-entendidos com alguns amigos. Parece que digo "A" e a pessoa entende "Z". Ainda não sei se sou eu que estou me expressando mal ou se é ela que não tá a fim de enxergar o que estou dizendo. No momento me parece que sou eu que ando muito reativa, me ferindo por quase nada. Às vezes acho que estou sendo até franca demais, que estou queimando o pavio fácil demais, que estou falando muito. Deveria ficar é calada, fingir que tudo está numa boa e pronto. Pior pra mim que não consigo.

Escrito por Maria à s 06:02 PM | Mais: Elucubrações | Comente! (16)

novembro 03, 2004

Altos e baixos


Hoje saiu o resultado da minha prova do curso jurídico e eu PASSEI!!!! Me dei muito bem no trabalho especial, chamado Promemoria. De 7 pontos possíveis, conquistei 6,5 (ninguém ganhou 7). Na prova propriamente dita, de 26 pontos possíveis, consegui 19,5. Tudo isso somado, minha nota final foi de 26 pontos (33 pontos era o máximo possível) Uma amiga do meu grupo tirou a maior nota das 86 pessoas no curso, 28,5 pontos. Estou TÃO FELIZ que poderia gritar. Dançar eu já dancei em plena universidade quando recebi o resultado hohohohoh.

Depois ainda tem gente que me pergunta o porquê disso aqui se chamar Montanha-Russa. Basta comparar o post passado com esse daqui e você logo compreende... :c)

Só não fico mais feliz porque parece que o Bush vai levar mais essa e que teremos de suportar mais quatro anos com um boçal no posto de homem mais poderoso do planeta. É lamentável.

Escrito por Maria às 01:15 PM | Mais: Conquistas | Comente! (32)

novembro 01, 2004

Grhaawwhhlll

gato_jumping.gif

Num cutuca muito hoje não, a menos que você tenha uma vara beeeeeem longa.

Escrito por Maria à s 04:55 PM | Mais: Irritação e ironia | Comente! (19)