dezembro 31, 2004
Décimo dia
Foi um dia cheio. Depois do café-da-manhã, seguimos para a área de treinamento de tiro do trabalho do meu urso que, orgulhosamente, explicava como deveríamos usar a arma que ele escolheu para a nossa aula de tiro prático 101. E lá fomos nós, pessoas pacíficas, atirar em pobres homens-alvos de papelão. A Marcinha já contou essa história lá no Vida..., portanto não vou repetir.
O legal, foi que M. M descobriu que sabe atirar espetacularmente bem (vejam as fotos lá na Marcinha). Querida Marcinha deu dois tiros, mas sua mira não é lá essas coisas (ou será que ela ficou com pena do homem de papelão?). Eu dei um tiro e acertei no ombro do homem-alvo, o que, segundo meu urso, causaria sua morte, depois de longos minutos de agonia. Cruzes. Mas eu estava feliz mesmo assim, vai entender.
Na volta, passamos pelo escritório do meu urso, quando Marcinha teve a oportunidade de experimentar um dos orgulhos profissionais de Stefan: o seu colete a prova de balas (a pistola da foto é de plástico, don't worry).
À noite, comemos um típico jantar inglês, criado pelo Casal M. No menu, rosbife, batatas e cenouras, repolho roxo (o único que não gostei), Yorkshire pudim e vinho francês. De sobremesa, Bread and Butter pudim. Estava DI-VI-NO. É ou não é um luxo ter seus convidados fazendo jantar especial pra você? Nossa, eu AMEI. Hohoho. Pra terminar a noite, assistimos a "O Brother, Where Art Thou?", nosso favorito filme-dos-irmãos-Coen.
Comemoramos a chegada de 2005 com vinho borbulhante húngaro. Tava boooommmm... :c)
dezembro 30, 2004
Nono dia
Levei Marcinha pra visitar uma loja de móveis muito legal que tem aqui em Boden - não é Ikea, mas dá pro gasto. Os móveis da MIO são bonitérrimos, todos com precos astronômicos. No caminho pra loja, errei uma saída, e me vi na estrada para Luleå. Senti que Marcinha ficou meio nervosa, mas, como esse caminho eu conheco bem, contornei na próxima entrada, em Sävast, e pronto, estávamos no caminho certo.
Aí um esquilinho vermelho, peludinho, passou na frente do nosso carro - mas numa distância boa do carro. Ele conseguiu atravessar a estrada sem problemas. Claro que nessa altura do campeonato a Marcinha já tinha reparado que eu, na verdade, não tinha "errado o caminho", mas tinha dado apenas uma voltinha a mais exatamente para que ela pudesse ver o esquilinho, lógico. :c) hohoho. Bonitinho né, queridoca? :c)
Depois de dar umas voltas, fomos alugar dois DVDs, o último Harry Potter e King Arthur (meu urso, um purista no que diz respeito ao rei Arthur, se irritou com as liberdades criativas do diretor. Eu gostei). Seguimos pro supermercado comprar umas coisinhas que faltavam (já repararam que nos amarravos num supermercado, né? :c))), visitamos a igreja de Boden (que é uma das mais feias que eu conheco) e fomos pra casa. À noite, comemos tacos e tomamos vinho sul-africano. De sobremesa, sorvete de manga. DI-VI-NO.
dezembro 29, 2004
Oitavo dia
Saímos cedo de casa para visitar três templos nesse oitavo dia. Não, calma, a galera não enlouqueceu não. Fomos primeiro à igreja de Gammelstad (20 minutos de carro de Boden), que foi construída por volta de 1400. É a coisa mais liiiiiiinda. Tivemos ainda a sorte de ter como guia Kjell (pronuncia-se chell), que nos contou, em inglês, sobre detalhes da história da igreja. Foi muito legal. Visite o site da igreja aqui. É show.
Demos uma volta de carro por Luleå, a maior cidade do extremo norte sueco. Passamos pelo centro com suas ruas lotadas (adoro!) e pela área da SSAB, uma superempresa de beneficiamento de aço (pra alegrar o coracão engenheirístico de Mr.M). O segundo templo visitado foi um supermercado (hohoho) enoooorme, com o sugestivo nome "Willy:s", que provocou risinhos no Casal M - eu, uma lady com uma mente puríssima, nunca nem tinha unido o c* com as calcas. Hohoho.
Passeamos pelo Teknikens Hus, museu de tecnologia da Universidade de Luleå, onde Mr.M se deliciou com os experimentos mecânicos, químicos, astronômicos e que tais apresentados para um público que vai dos 8 aos 80 anos. De lá, saímos direto pruma volta nas lojas (eu me dei de presente um casaco irado - como diz meu irmão - e Mr.M comprou meias).
No final, visitamos o terceiro templo do dia: o System Bolaget, ou o templo do álcool na Suécia. Já escrevi sobre o Systemet, como são carinhosamente chamadas as lojas de birita suecas, aqui. Compramos vinhos sul-africanos e franceses, cervejas e vinhos borbulhantes (champanhe aqui é proibitivamente cara).
Já em casa, meu urso colocou o putzgrilla pra funcionar e fizemos hamburguers caseiros, com muito molho. Tava bom pra burro. Depois, assistimos à 84 Charing Cross Road, que eu AMO, você sabem, e que Marcinha também amou :c) E pra terminar a noite de uma forma inesperadamente feliz, ainda recebemos um telefonema do nosso querido amigo Cido, esse canceriano esperto, que foi o único a descobrir que Marcinha estava vindo pra Suécia. Cido, queridoco, foi tão legal falar contigo. Obrigada! Um beijo enorme! :c)
dezembro 28, 2004
Sétimo dia
Desde que o Casal M confirmou que viria nos visitar mesmo no Natal, eu e meu urso comecamos a pensar em possibilidades de programas legais, levando em consideracão o frio, a pouca luz do sol etc. Um dos programas que pensamos desde sempre ser possível, era uma visita à Pagla, uma estacãozinha de ski e divertimentos generalizados aqui em Boden.
Nosso intuito não era arriscar nossos pescocos (nem os de nossos hóspedes) em descidas arrojadas das montanhas daqui - até porque aqui em casa ninguém esquia bem. Além do mais, as "montanhas" de Boden não chegam a ser montanhas, mas pequenos montinhos... mas isso é detalhe. O que queríamos fazer mesmo era levar o Casal M para andar de pulka (já expliquei o que é pulka aqui).
O dia estava meio cinza, temperatura, um ameno zero grau. Chegamos lá mais ou menos na hora do almoco, vários equiadores treinavam no terreno preparado pela prefeitura. Saí com o Martin e Marcinha para tirar umas fotos, enquanto meu urso preparava a fogueira. Comemos nossos pedacos de salsicha sueca Falu (Falukorv, pros iniciados), torradas devidamente em galhos de árvore recolhidos no chão (calma, Greenpeace!) e tomamos chocolate quente.
Aí, chegou a hora de gastar as calorias nas subindo e descendo as montanhas. Casal M precisou de uma mãozinha do meu urso pra fazer a pulka sair do lugar, mesmo com minha querida amiga Marcinha, que é peso-pena. Depois, com a pulka já devidamente no lugar, no topo da montanha, todos os santos ajudaram. Foi hilário. Primeiro tentou Marcinha, sem muito sucesso. Aí veio Mr.M, e quase me atropelou. No final, desceram os dois juntos e, deu no que deu. HOHOHO.
Já em casa, depois de um banho quente, papo e mais papo, Marcinha fez bife a rolê com receita da Dona Wal e que ficou DI-VI-NO. Eu fiz o meu arrozinho de sempre e eles gostaram também (tenho que repetir isso porque, vocês sabem, não é sempre que uma cozinheira principiante como eu recebe elogios fervorosos de uma chef de primeira como a Marcinha, então segurem a onda e me deixem repetir, ok? hohoho). Meu urso contribuiu fazendo a sobremesa: shakes de sorvete de baunilha, leite e raspberries. Terminamos a noite assistindo a Extreme Makeover, que ninguém é de ferro. :c)
dezembro 27, 2004
Tsunamis
mpressionante as tsunamis na Ásia. As TVs daqui mostram sem parar a devastacåo causada pelo terremoto seguido pelas ondas fortíssimas às cidades de Índia, Sri Lanka, Phuket, Tailândia etc. Muitos suecos viajam exatamente para essas localidades agora, fugindo do frio, da neve e do céu cinza.
Ao mesmo tempo, aqui casa, no quentinho, onde quatro pessoas de três países diferentes dividem pouco mais de 80 metros quadrados, está tudo em paz. Aqui nåo chove, nem neva (muito). Mas faz frio. Hoje demos uma volta de veículo de neve pelas florestas de Boden e quase congelamos em 17 graus abaixo de zero - mas foi divertido.
Vejo a tragédia de milhares de pessoas na TV e fico culpada de nåo me sentir pior. Nem sei que dia da semana é hoje. Tô tåo feliz que nem tenho muito tempo pra pensar em escrever. Marcinha está fazendo feijoada (a panela ainda está borbulhando lá no fogåo, com fogo bem baixinho, e o apartamento inteiro cheira deliciosamente bem).
Ah! Obrigada pelos comentários nos posts abaixo. Recebi muitos cartões de natal eletrônicos e alguns emails que ainda nåo respondi. Agradeco a compreensåo. Ah, tåo legal. Agora eu e Marcinha estamos sentadas na minha sala, assistindo à "Ready, steady, cook" na BBC Prime. Que legal!!!!!! Beijo, desligo.
Sexto dia
Já recuperadíssima (o que uma boa noite de sono não faz com a gente, né?) acordamos prontos para uma aventura. Meu urso pegou emprestado um veículo de neve do trabalho dele e saímos para aventuras invernais pelas montanhas de Boden. Stefan se sentiu vingado depois de quase quatro anos tentando me convencer a sair com ele num desses tanques especialmente criados para andar nas montanhas cobertas de neve. Eu sempre disse que não estava a fim, que estava muito frio, que eu tinha medo, que etc etc etc. Agora, com o Casal M aqui em casa, não podia inventar mais nenhuma desculpa. E lá fomos nós.
E, devo dizer, que fui uma boba de não ter ido antes. Que vista linda! Veja você mesmo, aqui e aqui. :c))) (fotos de Martin Leggett).
Já em casa, Marcinha fez uma feijoada deliciosa, eu fiz arroz (que eles gostaram MUITO, atencão!) e terminamos a noite assistindo a "Kelly's Heroes", um filme bacana, mas meio chato... Mas antes, o Casal M descobriu que tínhamos aqui em casa o canal de TV BBC Prime, e que às 19h30 EastEnders era transmitida. Pronto, a casa parou para saber das aventuras de Paul, Andy e cia. A novela, que existe a singelos 25 anos (!!!), não é lá essas coisas, I'm afraid. A dramaticidade não chega aos pés de uma Janete Clair, a maldade não pode ser comparada com a do Gilberto Braga e o romance nem lembra um Manoel Carlos. Mas, tenho que admitir, estou curiosa pra saber o que houve com Paul. Hohohohohoho.
dezembro 26, 2004
Quinto dia
Fomos pra Piteå, pra casa da sogra, onde comemoramos o annandag, ou o "segundo dia". Comemoramos ainda o aniversário de Bob, pai do meu urso, apesar da sua ausência. Mais uma vez, comilanca (batatas gratinadas, entre outras coisas), muita gritaria, gato e cachorro. Martin ficou com dor de cabeca no final do dia.
Já eu, passei malíssimo na volta pra casa - não uso aqui a palavra que comeca com "v" e termina com "omitei" porque sou uma lady, vocês sabem, mas tava veeeerde. O vilão foi um remédio barra-pesada que tomei para dor de cabeca que só fez piorar e ainda me deixou quase sem estômago. Blérght! E, como desgraca nunca vem sozinha, o carro superaqueceu na volta pra casa. Tivemos de parar umas três vezes pela estrada pra tentar encontrar um posto de gasolina aberto.
Finalmente, já em casa, o carro devidamente equipado com um galão de glicol (antifreezing, não sei o nome em português, sorry), pude, por assim dizer, dar vazão ao chamado do meu âmago. Nossa, não me lembro da última vez que me senti tão rotten. O jantar se repetiu à minha frente, só que em ordem inversa... :c/
dezembro 25, 2004
Quarto dia
Estávamos tão cansados que nem saímos de casa. Se o fizemos foi pra dar uma volta ligeira (mas pra ser sincera nem me lembro mais). Assistimos a dois DVDs: show da Marisa Monte (linda! tananã! linda! tananã!) e a Fahrenheit 911, que ganhei de Natal do meu urso. Gostei mais do primeiro do que do segundo, ainda mais depois de saber que nem assistindo a esse documentário os americanos aprenderam como votar. :c/
À noite, Marcinha fez pirê de batatas (com os tubérculos que sobraram da orgia natalina), os rapazes fritaram os restos do presunto e eu me contentei com algumas almôndegas. Estava frio, estávamos estafados depois de um dia de Natal exaustivo. Fomos dormir cedo.
dezembro 24, 2004
Terceiro dia
Natal. Acordamos meio tarde (quase às 10 da matina) e já comecamos a preparar a casa para o dia. A família chegaria lá pelas 14h30, o que nos deixava pouco tempo para tudo o que precisava ser feito. Depois do café-da-manhã, sempre seguido de conversa e muuuuuuitas histórias do meu urso (que estava felicíssimo com a atencão do Casal M), Martin e Stefan foram buscar mesas e cadeiras, enquanto eu e Marcinha dávamos os últimos retoques na cozinha.
Logo depois chegou a família toda (éramos 11 pessoas no total, sendo três criancas, um cachorro e um gato). Não vou entrar em detalhes, mas só digo uma coisa: poderia ter aberto uma papelaria no dia 25 com todas as caixas e os papéis de presente deixados aqui em casa. :c) Josefin, de dez anos, foi um papai noel engracadíssimo. Comemos muito e bem. Os Petit Gateaux foram um completo sucesso (a receita ficou perfeita) e, no final, resolvemos dar uma volta pra ajudar o estômago a digerir a orgia alimentícia.
Saímos eu, Casal M, Veronica (irmã do meu urso) e a cachorrinha dela, Lona. A temperatura estava amena, um ou dois graus abaixo de zero (ou acima, já nem me lembro mais). Demos uma volta enooorme no quarteirão aqui e casa. Lona feliz da vida, pulando e fazendo pipi alternadamente na neve branquinha. Eu e o Casal M atrás. Quando voltamos pra casa, tivemos uma surpresa: estávamos presos do lado de fora do prédio.
Eu havia deixado a chave em casa por razões óbvias e nem me dei conta de que já era quase nove de noite, horário em que a porta da frente do prédio se tranca automaticamente todas as noites. Quando nos demos conta do acontecido, comecamos a (tentar) jogar bolas de neve na janela aqui de casa, para chamar a atencão dos quatro adultos e das três criancas, mas não conseguíamos. As neve, fresquinha, era tão leve que não conseguia alcancar a janela no terceiro andar. Eu bombardeei as janelas dos apartamentos dos vizinhos que, felizmente, não estavam em casa. No final, em meio a muitos risos, fomos "resgatados", por Josefin, Emelie e Amanda, às gargalhadas. :c)
Vocês estavam curiosas sobre o que eu ganhei de presente do Casal M e que me deixou tão emocionada, né? Olha, ganhei um monte de coisas, meu urso também. Mas o presente que mais me tocou foram dois pratos. Isso mesmo. A história é essa: há um tempo atrás perguntei à Marcinha se ela sabia onde eu poderia encontrar uma louça da marca Enoch Wood, de origem inglesa. Eu havia crescido com a coleção dos pratos azuis e brancos da minha avó Celia e queria comprar alguns. A Marcinha achou meus pratos, mas como eles são atualmente peças de colecionador (leia-se inalcançálveis para o bolso do cidadão médio), ela me presenteou com esses os lindos pratos da coleção Blue Room, da Spode. Veja uma foto, aqui. Prestem atenção ao detalhe. Não é pra chorar de emoção e alegria? :c) Obrigada queridoca, de coração!
dezembro 23, 2004
Segundo dia
A primeira atividade do dia foi dar uma volta na pequena florestinha aqui na frente de casa. Antes, porém, aproveitei pra fazer meu anjo na neve. Hohoho. O Casal M veio devidamente equipado com sua super-duper máquina digital Canon, com mil e uma utilidades, funcões e firulas. Andamos em linha reta pra dentro da floresta, eu e Marcinha um pouco pra trás, matraqueando como sempre.
Quando chegamos à água, que estava congelada, Mr.M comecou a tirar fotos. Usou tripé e tudo. O dia estava LINDO, neve branquinha até os calcanhares e céu azul. E, até por isso mesmo, frio pra burro. Marcinha escreveu lá no Vida... que estavam 11 graus abaixo de zero. Mesmo assim as fotos de Mr.M saíram e ficaram, devo dizer, um espetáculo. Vejam vocês mesmos aqui e aqui.
(todas as fotos são de autoria de Martin Leggett).
Foi nesse dia que eu caí pela primeira vez na neve, quando andávamos os quatro tranquilamente pela floresta. Mr.M registrou o momento (claro) mas teve a delicadeza de apagar a prova dos anais da viagem. (Thank you!) :c) Voltamos pra casa, faz pipi, bebe água, faz mais pipi e off we go para o supermercado, comprar o que faltava pra fazer os Petit Gateaux da Marcinha.
Supermercado meio cheio, mas como eu sei exatamente onde tudo se localiza, fizemos compras em tempo recorde, ajudados, claro, pelas muitas caixas abertas. Mr.M e meu Urso respiraram aliviados quando se viram na rua já com as compras feitas. Eu e Marcinha, por outro lado, queríamos era voltar pro supermercado e investigar todos os produtos, conversar sobre o que poderíamos fazer etc. Hohoho.
Demos uma volta pelo centro de Boden, o que não demorou mais do que 20 minutos (hohoho). Marcinha disse que gostou da cidade, que a achou "grande" e bonita. Bom, isso vindo de uma paulista, só pode significar duas coisas: ou ela estava sendo gentil ou Bournemouth é um ovinho. Hohoho. As lojas estavam todas abertas, lindas, convidativas, mas nossos bolsos, coitadinhos, pediam arrego. Fomos pra casa.
Fiz dois pudins de leite (um pro Natal e outro pro dia 26, que aqui também se comemora) e Marcinha preparou a massa de seus Petit Gateaux, que seriam assados no dia seguinte, pouco antes da hora de servir. A essa altura, estávamos os quatro exaustos. O Casal M, especialmente, achava difícil se acostumar com os dias escuros do norte sueco.
Um Natal muito especial
stou aqui em casa, feliz da vida, preparando pudim de leite para o jantar da Natal de amanhã. Mas a razão de eu estar feliz da vida não é essa. O motivo é que temos convidados muito especiais aqui em casa. A Marcinha e seu marido, Martin, vieram passar o Natal e o Revéillon aqui em casa. Estou tão feliz que nem sei o que escrever. :c) Marcinha é tão doce e bonita, Martin é alto e muito simpático. :c)
Eles chegaram ontem na hora do almoco. Depois de um vôo turbulento a partir de Estocolmo, eles conseguiram pousar no aeroporto de Luleå (30 minutos de Boden de carro). Quando estávamos conversando e esperando pela bagagem, ouvimos pelos auto-falantes que os carregadores do aeroporto não podiam descarregar as malas porque o avião havia deslizado com a ventania na pista congelada e eles estavam esperando a ventania amainar pra comecar a trabalhar.
*gulp*
Agora Marcinha e Martin, sentindo-se wild and adventurous foram dar uma volta aqui pelas vizinhancas do nosso prédio e comprar manteiga no supermercadinho aqui perto. :c))) Vamos só ver o que eles vão trazer do supermercado. Hohoho.
dezembro 22, 2004
Primeiro dia
Eu e Stefan esperamos pelo Casal M no aeroporto de Kallax, em Luleå. O mal tempo que atingiu a Suécia inteira parecia ter se localizado sobre o norte do país. Os meteorologistas da TV diziam que os ventos chegaríam à forca de tempestade.
Apesar disso, o Casal M chegou pouco depois das 12h40, cerca de 20 minutos atrasados. Nos encontramos na área das esteiras de bagagem, que no aeroporto de Kallax é aberta ao público, e comecamos a conversar à espera pela mala dos dois. Dez, 15, 20 minutos e nada. Stefan foi perguntar o que houve e logo depois ouvimos o anúncio no sistema de auto-falante do aeroporto.
As malas do vôo vindo de Estocolmo não puderam ser retiradas devido aos fortes ventos que impediram o trabalho dos carregadores. O avião, que ainda tinha passageiros a bordo, escorregou de lado na pista gelada, levado pelos ventos fortíssimos (acho que chegaram a passar os 20 m/s). Nos demos por vencidos e vamos para o andar de cima, tomar um café.
Depois de uma meia hora, já com a mala na mão, nos aventuramos no nosso pequeno carrinho pra casa, no meio de ventos fortíssimos. Tenho certeza de que o Casal M ficou meio preocupado com suas perspectivas dos próximos 13 dias. As condicões atmosféricas eram mesmo de assustar.
Já em casa, tomamos uma sopa de cogumelos com pães de queijo (não o brasileiro, mas um pão daqui, tipo bisnaga, feito no forno, muito bom). A sopa estava ok. Eu e meu urso mostramos nosso apartamento ao Casal M, conversamos um pouco, e logo em seguida, comecamos a preparar o jantar.
Comemos filés de salmão assados no forno com sal grosso, batatas e molho. Bebemos um vinho branco húngaro que estava bom. À noite, vimos "Chicken Run" e rimos muito (eu lembrei de antigas colegas de trabalho, olhando para as galinhas histéricas da fita hohoho). Estávamos todos cansados das aventuras do dia. Conversamos mais um pouco e nos recolhemos.
dezembro 21, 2004
Preparativos e presentes
á estou em Boden para o Natal. A rigor deveria ter ficado em Umeå até hoje, quando teria aula o dia inteiro, mas como estava doida pra vir pra casa e minhas companheiras de curso se prontificaram a copiar a palestra de política social pra mim, eu vim. Agora, falando sério, que professor otimista é esse que marca sua primeira aula do curso para um dia antes do intervalo de Natal? Bom, tenho tantas coisas pra fazer amanhã que nem sei por onde comecar.
Antes de mais nada, queria agradecer à Marcia de Souza pelo lindo quadro com a Irish Blessing e pelo cartão de Natal; à uma outra Marcia, minha querida Pururuquinha, que me mandou livro, escova de cabelo pequenininha, elásticos, caderninho de anotacão; à Patty, queridoca recém-casada com o lindão do Terje, pelo cartão lindo; à Suyaen, que a essas horas está se divertindo no Brasil com suas filhotas, também pelo cartão lindo; e, claro, à Dani, que me mandou um CD maravilhoso (vem cá, me diz a verdade, a Maria Rita é a reencarnacão da Elis, né???). Obrigada, meninas. Que o Natal de vocês seja MUITO feliz. :c))) (desculpe a falta de links, mas meu computador não computa, sorry)
Aliás, contei que minha mãe me mandou uma panela de pressão de Natal? Pois é, adorei! Agora vou poder fazer feijão preto em dez minutos (bom, 15 minutos, já que o feijão daqui não é fresquinho). Se bobear deixo de lado os costumes nativos e sirvo feijão preto e farofa no lugar de presunto de Natal, ovos, batatas e peixes. Hohoho. Tenho a impressão que minha sogra não ia ficar muito feliz. E hoje é o dia mais curto do ano. A partir de amanhã, ganhamos minutos de luz todos os dias. Hoje, aqui em Boden, o sol apareceu às 10h03 e se pôs às 13h07. :c) Amanhã, o sol aparece às 10h04 e se põe às 13h08. :c) (essa é a quarta tentativa de publicar esse post. meu urso mudou o sistema de nossa máquina sobressalente e, devo dizer, o Linux é óóóóótimo, mas máquinas lerdas são umas mer**as).
dezembro 19, 2004
Quarto advento

oje é o quarto e último advento, o que quer dizer que já estamos na semana do Natal. :c))) A igreja sueca dedica o dia de hoje à Nossa Senhora (legal, sempre gostei dela). Agora vou dar uma volta com o meu urso. Mais tarde volto pra responder aos comentários. Beijo, desligo.
dezembro 17, 2004
Um dia na disneilândia sueca - IKEA!!!!
assei o sábado passado to-di-nho na IKEA, en Sundsvall (vejam onde é no mapa lá do post do dia 27 de novembro), com Anette, amiga da universidade, e a filha dela, Emelie, de 18 anos. Me diverti MUITO, gastei mais do que queria (e podia), mas, what the hell, foi ótimo. :c) O resto das fotos está aqui. Divirtam-se! :c)
dezembro 16, 2004
Azulzinho

dia lá fora está cinza, mas quando olho pra cima, tudo o que vejo é esse céu aí da figura. :c) Hoje teria aula o dia inteiro, das 8h às 15h, mas o professor ficou doente e faltou. Amanhã tem, mas eu não vou. Como já terminei de fazer a prova, estou tranqüila pra apresentação, na segunda. Aproveitei o dia-bonus para limpar a casa (sempre me incentivando com a sensação de prazer do depois da faxina feita). Fui ao supermercado, juntei meus trocadinhos e comprei, entre outras coisas, tangerinas, que são uma mania nacional durante todo o mês de dezembro aqui. Natal não é Natal sem laranjas e tangerinas em arranjos nas mesas. Nunca gostei de tangerina quando morava no Brasil, mas aqui, adoro. São docíssimas. Parece que se engole um raio de sol. :c) (Foto copiada da Marina)
dezembro 15, 2004
Sem drama
ssa coisa de universidade é ótima mesmo. Fico feliz em acordar todos os dias e saber que tenho algo produtivo pra fazer com a minha vida. No entanto, o fato de estar fazendo universidade aqui não assegura em nada minha condição profissinal futura. Em bom português: mesmo com diploma sueco, ainda corro um risco muito grande (maior do que minhas colegas de turma) de ficar desempregada depois de formada.
Não, não é drama dessa vez não. O Statistiska Centralbyrån (SCB), o IBGE daqui, divulgou na semana passada uma pesquisa que só confirma meus medos mais profundos: Um terço dos imigrantes com educação superior não consegue arrumar um emprego. Já dentre aqueles que trabalham, 20% têm um emprego que não corresponde ao nível de sua formação formal (médicos iraquianos e arquitetos iranianos que dirigem taxi pelas ruas de Estocolmo, por exemplo). A situação é ainda pior se você for homem com raízes na África ou mulher vinda da Ásia.
Uma das razões dessa disparidade é, segundo o SCB, a falta por parte dos imigrantes de uma rede de contatos, que facilita na hora de conseguir entrevistas de empregos, dicas quentes de vagas etc. Um nome não-sueco e um background estrangeiro (leia-se vivido em algum país não-europeu ou não-americano) também são razões para a dificuldade de encontrar um trabalho condizente com a sua competência, segundo o SCB. (Já escrevi sobre isso aqui).
Aí você pensa: ah, mas essa galera deve falar um sueco péssimo, né? Nem sempre. Dois terços dos imigrantes ouvidos para a pesquisa dizem poder acompanhar uma discussão em sueco sem problemas. Eles podem, inclusive, apresentar trabalhos, argumentar e escrever em sueco. A metade dos imigrantes podia fazer a mesma coisa também em inglês. Pra vocês que lêem em sueco, o relatório está aqui.

E hoje o Kanal 5 mostra o último episódio de Friends. Nunca fui fanática pela série, mas sempre gostei de assistir às maluquices deles. Meus favoritos são, disparados, Joey e Phoebe. Eles são o máximo, num tem pra ninguém. Mas, confesso, sempre tive uma quedinha pelo Chandler. Hohoho.
dezembro 14, 2004
Gelo escorregadio
abe quantos graus está fazendo lá fora? Dois graus positivos! Sim, PO-SI-TI-VOS. Deu a louca em São Pedro (ou estamos poluindo demais os mares ou surgiu o El Niño escandinavo, que deve ser propriamente batizado Lillen). O fato é que a neve que caiu uns dias atrás derreteu, depois endureceu um bocado e agora virou gelo. Isso quer dizer que quase levei dois tombos no caminho de ida pra universidade. Na volta eu fui mais cuidadosa.
O mais impressionante é ver os nativos, totalmente relaxados, deslizando sobre o gelo transparente (neve, que derreteu e virou água e congelou de novo). Hoje vi uma moça que corria por sobre poças de gelo escorregadio. Ah, detalhe: ela usava botas de salto alto. Eu, com minhas botinas reforçadas, precisava me concentrar pra não cair. Levei quinze minutos pra chegar à universidade, num caminho que demora geralmente cinco. Lá fui eu, andando que nem um pingüinzinho, um, dois, um, dois. Passinhos curtinhos pra não desafiar a sorte.



Clique na foto para vê-la maior.Falando em sapatos, vocês não sabem qual é a última moda desse inverno. Várias meninas usam essas botas aí da foto na universidade. Eu as apelidei Botas Chewbacca. São ou não são umas coisas?
dezembro 13, 2004
A luz

oje é dia de Santa Lúcia aqui na Suécia. Meninas fazem desfiles nas escolas vestidas de branco, com cabelo solto e uma coroa de velas acesas na cabeça (veja imagem ao lado). Santa Lúcia tem raízes pagãs e veio da cidade de Siracusa, na Sicília. Ela morreu como mártir em 304 d.C., depois de rejeitar um casamento arranjado e doar seu dote aos pobres. (Atta girl!) O ex-futuro-marido, humilhado, difamou Lúcia, dizendo que ela era cristã. Colocaram-na no tronco pra queimar, mas ela, misteriosamente, não pegou fogo. Então a mataram com uma espada mesmo. Os restos mortais de Santa Lúcia estão na igreja San Geremia em Veneza. Aqui comemora-se Santa Lúcia no dia 13 de dezembro como um anúncio da chegada da luz (o solstício de inverno está se aproximando e depois do dia 20 de dezembro passaremos a ganhar minutos de luz todos os dias). Leia mais sobre Lucia aqui.
dezembro 12, 2004
Nobel
exta passada, dia 10, foi o dia da entrega do Prêmio Nobel. Vi pela televisão a cerimônia de entrega, que foi linda. As cabeças coroadas todas glamourosíssimas, cheias de glitter e bling-bling (a foto abaixo é do site do Nobel, e mostra a mesa do jantar). A austríaca Elfriede Jelinek, ganhadora do Nobel de literatura, não veio receber o prêmio por ter fobia social. Pelo menos ela não fez como Jean Paul Sartre, que em 1964, declinou a honraria.
Antes da cerimônia, tinha ouvido no rádio incontáveis reportagens com os ganhadores dos prêmios de física, química, medicina etc. Uma, no entanto, me chamou a atenção. Foi uma entrevista com a cientista Linda Buck, que dividiu o Nobel de Medicina com Richard Axel. Eles descobriram os receptores de aromas e a intrincada organização do sistema de olfato.
O interessante é que é conhecido que Linda Buck tinha avós nascidos na Suécia (em Värmland) mas que emigraram pros EUA no século passado. Ela disse inclusive que gostava do sotaque dos entrevistadores suecos em inglês, porque se lembrava dos avós. Mas o mais interessante foi o que a repórter disse no final da entrevista: "Podemos dizer que metade do prêmio de medicina vai para uma pesquisadora sueca, já que a avó da laureada veio daqui".
Fiquei pensando... E achei interessante essa "lógica". Então quando uma criança nasce em solo sueco de uma mãe e de um pai não-suecos (e geralmente advindos de países do terceiro mundo), a criança é imigrante, inclusive do ponto de vista estatístico. Mas quando uma americana ganha um prêmio importante, os nativos já querem logo adotá-la como sueca honorária.
Conclusão: pra ser levada a sério aqui preciso ganhar um prêmio Nobel. Fiquei pensando que teria de escrever livros fenomenais, descobrir as qualidades dos átomos ou a cura pro câncer... Tudo fora do meu alcance intelectual. Acho que o mais fácil seria ganhar o Nobel da Paz, mas, merde, são os noruegueses que decidem esse... :c/ HOHOHO.

E hoje é o terceiro advento. Logo, logo é Natal. :c)))))
dezembro 10, 2004
Drottningen av de svarta cocadorna*
oje descobri a única vantagem em ter crescido num país de terceiro mundo, mergulhado em crises econômicas sucessivas: em aulas de economia em qualquer país do mundo, você é mestre em política monetária, inflação, deflação, estagnação, conjuntura, preços, juros etc. Minhas colegas estavam boquiabertas depois que fiz duas ou três perguntas. Disse que sabia tanto sobre isso por ter "experiência de primeira-mão".
Mas o melhor vocês não sabem! São poucos aqui que me conhecem pessoalmente, mas tenho a impressão que a maioria já compreendeu que sou meio CDF, né? Pois é. Eu nunca falto aulas e quando o faço é por um bom motivo (geralmente pra estudar em casa). Foi o que fiz ontem, quando não fui à universidade pra conseguir dar um gás na minha leitura do livro (bastante complicado) e até encontrei forças pra escrever a primeira versão da prova.
Pois não foi que o professor, que estava explicando desenvolvimento industrial local e internacional, parou a palestra no meio e perguntou pro auditório repleto (quase 90 alunos): "Onde está aquela moça que veio do Brasil?" Sim, ele estava curioso pra saber as condições de produção de empresas como Volkswagen, Volvo, Coca-Cola e que tais em solo brasileiro. Se a eficiência era a mesma das fábricas dos países desenvolvidos etc.
Quando ele me disse que "sentiu minha falta ontem", fiquei verde, vermelha e amarela de vergonha. Expliquei o que tinha feito e ele compreendeu, até porque hoje eu falei sem parar, perguntei e dei palpite a todo o momento quando o assunto era inflação, crescimento econômico e desemprego tanto na Suécia quanto no Brasil. A palestra de hoje foi superinteressante e já me deu outras idéias sobre uma das perguntas da prova.
* A rainha da cocada preta, em sueco. HOHOHO
dezembro 09, 2004
Mão à palmatória
ntão, terminei de escrever a prova. Sim, minhas quatro perguntas estão prontas, escritinhas e bonitinhas. Claro que não sei se posso adicionar "certinhas" à essa lista de adjetivos. Na verdade, foi até tranqüilo responder às perguntas sabia? É, eu sei, eu sei, vocês já tinham me dito que seria. Mas eu tenho que fazer meu drama, certo? Afinal, eu sou uma canceriana-almodovariana de carteirinha, ok? Hohoho.
Hoje não saí de casa. Acordei cedíssimo, tomei café, li o jornal e comecei a trabalhar. Já tinha escrito a resposta à primeira pergunta (a que traduzi no post do dia do dia 7) ontem à tarde, quando voltei da universidade. Cheguei a começar a escrever a resposta à segunda pergunta e terminei hoje. A segunda pergunta é: "Discuta de forma crítica a afirmação: é sempre melhor ter um crescimento econômico acelerado do que desacelerado". O bom foi que o professor disse que eu podia escrever sobre o Brasil. Ele achou até interessante poder ler algo diferente. :c)
Então, desci a lenha. A terceira questão era sobre o enorme número de pessoas que não podem trabalhar na Suécia atual por estarem "doentes". Os chamados sjukskriven são um fenômeno atualíssimo (e bem local) e que causa muitos problemas na economia sueca em geral e no mercado de trabalho em particular. A última pergunta era sobre globalização, causas, efeitos, que situação socioeconômica encontraremos quando nos formarmos etc.
E vocês tinham razão em outra coisa: precisei me segurar pra não escrever mais do que o permitido. O bom de se escrever em sueco é que a língua é superenxuta, não tem essa abundância de pronomes do português - o que em outras situações pode até ser visto como riqueza do nosso idioma e pobreza das línguas anglo-saxônicas, que saem juntando adjetivos a torto e a direito com verbos, prefixos, sufixos e até crucifixos.
Agora é só continuar estudando, indo às palestras (amanhã tem uma sobre mercado externo e política monetária), lendo e corrigindo o texto. Sim porque eu tô aliviada por ter terminado de escrever apenas a primeira versão do trabalho. Com o tempo (e até a troca de idéias com coleguinhas) o texto vai mudando e melhorando. Mas o trabalho mais duro já foi feito. Agora eu quero não me sentir tão nervosa. Eu mereço um refresco.
dezembro 08, 2004
Montanha, modo de usar
ão sei se vocês notaram, mas o Montanha mudou um bocadinho. Sabe essa coluna lilás aí à esquerda, pois é, mudei algumas funções de lugar e implementei outras. Quer dizer, eu não mudei nada de lugar, quem mudou foi a Lu - temos que dar o crédito a quem merece, né Lu?
A novidade está aí ao lado, um quadradinho chamado "Mesmo dia, anos passados", que mostra o que escrevi no dia de hoje nos anos passados. :c) Logo abaixo, no tijolinho entitulado "Leia mais...", os posts do Montanha aparecem divididos em categorias, como Vidinha, Europa & Escandinávia ou Livros. Esse é mais antigo, mas nunca havia escrito sobre ele, então aqui está.



Que bom que cês gostaram das minhas letras especiais. Se quiserem fazer o mesmo, eu uso a letra "Floribunda" (só o nome já vale), da parte de Initials desse site aqui.



Agora vou voltar pro meu livro. Se demorar um pouco pra responder aos comentários e aos emails, sorry. Mas o lance aqui está realmente difícil. Beijocas.
dezembro 07, 2004
Buá, quero a minha mãe!
Começamos ontem o curso de economia social, que vai durar até o dia 20 de dezembro. Já na palestra de abertura, o professor distribuiu as perguntas da prova/trabalho final, que temos de fazer em casa (e entregar no dia 20). Temos que escrever uma folha A4 para cada pergunta (são quatro no total). Um exemplo?
"Imagine que o Parlamento, para diminuir o desemprego para pessoas de até 25 anos, decida que o salário máximo permitido deve ficar 25% abaixo da média salarial atual. Descreva possíveis conseqüências para os jovens, o mercado de trabalho em si e a economia da sociedade em geral."Gostou?
Depois tem gente que diz que eu só reclamo.
dezembro 06, 2004
Luto, um processo
m dos melhores livros que li até agora pra universidade chama-se "Hur man möter människor i sorg", ou "Como se lida com pessoas em luto", de Gurli Fyhr. O livro foi a base pra um seminário que durou um dia inteiro nesse curso que fizemos de psicologia. O luto ao qual a escritora se refere não é apenas aquele que sentimos quando perdemos uma pessoa amada para a morte, mas pode siginificar qualquer tipo de perda, uma doença, o fim de um casamento, até mesmo a perda de raízes, de seu país.
A parte mais interessante do livro é a que trata do processo de oscilação que todos nós passamos quando estamos "trabalhando" essa perda. Oscilamos entre o mundo real, no qual temos de lidar com a notícia concreta e todas as suas conseqüências, e o mundo de sonho, onde a pessoa se refugia temporariamente para reunir forças e emergir novamente pro mundo real. Uma pessoa que recebeu o diagnóstico de uma doença incurável, por exemplo, têm a tendência a achar que logo logo a ciência vai encontrar uma cura (mundo do sonho), mas volta e meia ela percebe que essa possibilidade, ainda que real, é remota e que a coisa mais certa é a que ela vai mesmo morrer (mundo real).
Essa oscilação ajuda a trabalhar o luto, a sensação de perda, de uma maneira saudável emocionalmente. É um processo lento, muitas vezes demora anos para se aceitar perdas mais complicadas. Cabe aos outros em volta não tentar acelerar o processo, não querer mostrar pra pessoa que insiste em ficar no mundo dos sonhos, que a realidade é outra. Na maioria das vezes, a pessoa sabe muito bem qual é a realidade, mas ela precisa de tempo para aceitá-la completamente. A única exceção é quando a pessoa em luto entra em um processo auto-destrutivo, depressivo prolongado. Aí sim, claro, há necessidade clara de ajuda psicológica.
Isso aliás é uma agonia para parentes e amigos que vêm a pessoa se nutrindo de fantasias impossíveis no mundo dos sonhos. A tentação em chacoalhar a pessoa e dizer "umas verdades" é grande, mas o resultado é sempre o oposto do esperado. A pessoa em luto acaba se fechando ainda mais em seus sonhos e esperanças vãs, sem condições emocionais de encarar a realidade da perda. Aí é que entram profissionais como assistentes sociais e psicólogos, cuja obrigação é saber distingüir entre um processo de luto saudável e o auto-destrutivo.
O mais interessante do livro é que a autora não minimiza qualquer perda, seja ela importante ou insignificante aos olhos alheios. Doeu na pessoa em questão, começou um processo de luto que precisa ser vivido até o fim. O respeito ao processo de luto alheio é essencial para que a pessoa possa ter tempo e espaço para se ver livre da dor da perda. E quem pressiona mais, critica e até ridiculariza a sensação de perda prolongada da pessoa, não compreende o desfavor que está fazendo.
À patrulha chata que rola por aí: o fato de eu escrever sobre luto não quer dizer que esteja deprimida. Li o livro pro curso que acabei de fazer na sexta passada e resolvi escrever sobre ele aqui. Se você acha que "eu tô me achando a intelectual" etc etc etc, só porque escrevi sobre um livro interessante, sugiro uma coisa. Sabe aquele "x" que fica no canto superior direito do seu monitor? Pois é, vai com a setinha do seu mouse lá e clica, vai.
dezembro 05, 2004
O tempo passa

Há exatos três meses, também um domingo, tirei uma foto de umas crianças jogando futebol no meu quintal. Aí em cima é a mesma vista, agora sem crianças (infelizmente), porém com muita neve e uma árvore de natal que fica cheia de luzes à noite. :c) E hoje é o segundo advento (só faltam dois pro Natal! *pisc* *pisc* *pisc*). Bom domingo.

E hoje é aniversário da minha amiga Renata. A acordei com uma ligação rápida e estou comemorando aqui, de longe, assistindo a "Felicity", série que a Rê sempre gostou e que o marido dela, Marcos, apelidou muito propriamente de "chatissity". Hohoho. Beijo, Rê.
dezembro 03, 2004
Sexta-feira e os micos
A moça do tempo na TV tinha dito que ia fazer temperatura mild (a palavra é a mesma em sueco e em inglês) pra essa época do ano aqui em Umeå. Enquanto esperava pelo desgraçado do ônibus no ponto, percebi que a meteorologista errou. Feio. Tava um frio cão, apesar do dia lindo. Mas esperei, o ônibus veio depois de um atraso considerável, e lotou.
No centro de Umeå, muita gente (ôba), menos frio e comércio movimentado. Fui direto à Clas Olsson, uma cadeia de lojas espalhadas pelos quatro cantos daqui. Tem de tudo lá, desde parafusos a máquinas de cortar madeira, velas, rádio-relógios e artigos para carro. Diz-se que é o melhor point pra se arranjar namorado, já que homens de 15 a 80 anos passam hooooras browseando pelas prateleiras da loja.
Fui lá pra achar um presente pro meu pai, achei, comprei e, na hora de sair, me encrenquei com as pessoas no tumulto e acabei entrando na loja novamente. Percorri seus corredores mais uma vez e consegui ir embora. Que mico. Fui à Hemtex, que vende artigos de cama, mesa e banho. Dei uma olhada nas coisas (tudo caríssimo) e gostei de umas maçãs fake, muito lindas pra fazer arranjo de mesa, junto com velas.
Peguei três e fui pagar. Na caixa, o rapazinho fez cara de espanto ao me ver com as maçãs. Como não tinha preço, ele foi perguntar a uma outra vendedora o custo das frutas falsas. Uma terceira mocinha se juntou ao grupo e depois de um minuto de deliberação, os três chegaram à conclusão de que as maçãs eram decoração da loja e não estavam à venda. Que micaço, aço, aço.
Sai de lá e fui mandar os presentes da família do meu pai no correio. Comprei um envelope pequeno por pura falta de fundos e só consegui embalar o presente do meu irmão, Carlos, que deve receber minha lembrancinha antes do Natal. Já em casa, fiz um macarrão com atum de almoço e fui ler. Agora, no final do dia, só tenho que agradecer aos céus e pedir que the lord presenteie os criadores do dorflex e da bolsa de água quente com a melhor ambrosia available do reino dos céus.
Beijo. Fui.
dezembro 02, 2004
Quem sou eu?
Eu sou uma colcha de retalhos, de pedaços de uma vida passada, de sonhos, de esperanças. Eu sou o café Arvid Nordqvist, feito com grãos Brasil Cerrado; eu sou uma conversa em que uma pessoa conta suas férias na Ilha da Madeira, onde fala-se português; eu sou o arroz branco refogado com alho; eu sou a mocinha da propaganda de xampu que samba e balança seus cabelos vestindo uma camisa da seleção; eu sou a manga e o mamão papaya brasileiros no supermercado; eu sou a artilheira de futebol morena, baixinha e talentosíssima; eu sou as matérias sobre violência, pobreza e corrupção na TV e nos jornais; eu sou o feijão preto, vendido aqui como comida macrobiótica; eu sou um tipo de depilação que a mocinha do salão de cabeleireiro nunca tinha ouvido falar; eu sou a música do Gil, da Marisa, do Caetano, da Rita, do Chico; eu sou o carnaval, mesmo sem nunca ter ido à Sapucaí em dia de desfile; eu sou um sotaque; eu sou um cartão postal com um pelicano na capa; eu sou uma bandeira verde e amarela pendurada na parede; eu sou um foco de calor no meio da tundra.
D'après Raul Seixas.
dezembro 01, 2004
Palavras
Li na CNN que a Merriam-Webster publicou uma lista com as dez palavras mais procuradas nos sites da empresa que edita um dos dicionários mais vendidos da língua inglesa. E imagine qual a palavra mais procurada?
1. blog
2. incumbent
3. electoral
4. insurgent
5. hurricane
6. cicada
7. peloton
8. partisan
9. sovereignty
10. defenestration
Pois é, blog foi a palavra que mais apareceu nas buscas do site. O resto da lista é uma mostra da realidade bélica americana. Levando em consideração que a maior parte das consultas deve ter vindo dos EUA, é muita gente perguntando o querem dizer insurgente, pelotão, soberania (Gente, os americanos precisam realmente procurar no dicionário pra saber o que é isso?) e defenestração. Acima, uma foto do meu Merriam-Webster, em verão compacta, comprado numa livraria perto do Madison Square Garden, em 98 (clique na foto para vê-la maior). Agora, a palavra blog será incluída na edição de 2005 do Merriam-Webster Collegiate Dictionary, 11a edição. A lista completa de palavras está aqui.



Menino, hoje eu tô que tô. Rabugentíssssssssima.







