janeiro 27, 2005
(Falta de) enlevo e libertação
Minha vida nesse momento é um deserto. Um deserto feito de números, fórmulas, probabilidades, valores médios, absolutos e suas freqüências. Nada é subjetivo. Tudo é claro e preciso. Socorro! Admito, no entanto, que acho interessante a capacidade da estatística de ajudar a comprovar vários tipos de experiências científicas, de remédios novos - sua capacidade de cura e suas contra-indicações - até quão desigual uma sociedade pode ser com seus próprios cidadãos.
Isso me agrada. A interpretação da estatística, suas conclusões. O que é difícil de engolir é a aridez do processo matemático. Apesar disso, compreendo que é apenas sabendo de suas entranhas, das fórmulas, das proporções e cifras, que é possível tirar conclusões corretas. Por isso, ainda não me revoltei completamente. Mas é por isso também que não escrevo aqui tão freqüentemente. Preciso de enlevo, conhecimento (não apenas matemático) e, porque não dizer, poesia.
E foi isso que encontrei num programa que acabei de assistir em um dos canais da SVT (TV estatal sueca). Foi um documentário produzido pela BBC sobre a música de Auschwitz, tocada por prisioneiros judeus e ciganos. O filme foi mostrado hoje em mais de 50 países como um marco dos 60 anos de liberação do campo de concentração polonês. Foi em 27 de janeiro de 1945 que o Exército Vermelho libertou o que ainda restava dos prisioneiros de Auschwitz.
Muito tocante. Três sobreviventes, a cantora Eva, a cellista Anita e o tocador de acordeão Michael, contam suas lembranças, mostram seus números tatuados nos ante-braços e repensam como conseguiram sobreviver. Eles mostram um certo peso na consciência por terem feito música na porta do campo de concentração, enquanto centenas de pessoas desciam dos vagões e iam direto para os fornos, onde morriam. "Não se pensa em moral nessa hora", defende-se Anita. "Estávamos todos preocupados em não morrer".
Eva, judia da Hungria, estava faminta quando chegou a Auschwitz depois de quatro dias de viagem. A fome fez com que perguntasse se conseguiria um pedaço de pão se cantasse. A responsável pelo barracão das mulheres onde ela estava disse-lhe que sim. Ela começou então a cantar "Madame Butterfly", de Puccini. Nessa hora a responsável pela orquestra do campo disse que ela iria cantar pra eles, o que lhe salvou a vida.
Seria bom ter certeza que os horrores dos campos de concentração nunca mais se repetissem. Mas sabemos que eles já se repetiram muitas vezes durante esses 60 anos. Exemplos não faltam: Srebrenica, na ex-Iugoslávia, Ruanda, Sudão e, em menor escala, Candelária, Carandirú etc etc etc. Será que nunca aprenderemos a lidar com nosso ódio? Será que o nacionalismo precisa existir em detrimento da integração pacífica dos povos?
No que diz respeito a mim, sairei dessa aridez toda em algumas semanas. Essa sensação de finitude me ajuda a suportar a frustração da matemática. Aliás, tenho até a impressão de que a culpa não é da matemática em si - bastante inofensiva até agora - mas de péssimas experiências pedagógicas com a matemática. Isso sim destruiu nossas possibilidades de um convívio civilizado. Vou até ali, escutar uma música, ler um livro, ver um filme, falar com um amigo, namorar, irrigar minha existência. Já já eu volto. Salut!
A matéria da BBC, aqui.
janeiro 24, 2005
Oh, céus
Então, acabei de voltar da universidade. Hoje começamos oficialmente o terceiro semestre. Com que curso? Estatística. É, pois é, es-ta-tís-ti-ca. Quando parar de hiperventilar eu escrevo mais, ok? :c/

janeiro 23, 2005
Estresse do estatus
Você já se sentiu em estranho descompasso com o que a sociedade em geral pensa de você? Com o valores expressos por todos? Já sentiu uma angústia de não estar à altura de seus amigos (geralmente por sentir inveja), de seu namorado (por ciúme), de seu trabalho (por duvidar de sua competência)? Perdeu noites de sono tentando descobrir o motivo de não ser tão amiga daquela pessoa importante e/ou popular? Se você respondeu sim a uma dessas indagações, então você sofre do que o filósofo e escritor Alain de Botton descreve como "estresse de estatus".
Por mais certos de nós mesmos que possamos ser, às vezes baixa uma insegurança básica, uma angústia, nascida sabe-se lá do quê, mas que demora a desaparecer. Tenho a impressão que esses ataques de estresse diminuem com o tempo, ou com o fato de acharmos nosso caminho na vida, independente do que acham família, amigos e conhecidos. O estatus ao qual de Botton faz referência é o valor que o círculo de conhecidos nos infere dependendo de nosso "sucesso" na vida, de acordo, claro, com o que eles chamam de sucesso.
De Botton afirma que quem diz estar "em paz", que diz não se importar com o que os outros dizem de sua pessoa, mente. Ou então, tem um senhor ego. Está lá na página 4: "Se nossa posição na escada social nos dá motivo para desconforto, isso significa que nosso entendimento de nós mesmos depende em alto grau do que os outros pensam de nós. Tirando alguns raros indivíduos, como Sócrates e Jesus, nós confiamos nos sinais de respeito dados pelo mundo à nossa volta para que possamos nos tolerar".
É claro que a visão acima descrita é dura de engolir, ainda mais depois de anos e mais anos de análise, algumas experiências muito boas e outras más, muito choro e vela. Gostamos (eu gosto, pelo menos) de nos sentir livres das amarras do que os outros pensam de nós. E muitas vezes conseguimos. Mas a cobrança, as comparações, a inveja, o desentedimento, a raiva (tudo o que sentimos de vez em quando), tudo isso nos mostra que a disputa por estatus aos olhos dos outros é uma constante em todos nós. É melhor não negar e aceitar sua condição de humano.
O escritor lista cinco causas do estresse do estatus e cinco soluções para o problema. Entre as causas estão:
Falta de amor - o fato de permanecer descasado numa sociedade que presa a vida em família é uma "mostra" do pouco estatus da pessoa em questão, que não teria conseguido fisgar um par;
Esnobismo - precisa-se conquistar além de um parceiro, certa riqueza material para que possamos nos locupletar de coisas, nos mostrar caros e raros, exclusivos;
Expectativas - o aumento impressinante das possibilidades de consumo do pós-guerra forneceu uma possibilidade inédita em toda a história mundial de consumo e satisfação. O problema é que quanto mais se consume, menos feliz se fica;
Meritocracia - o valor de uma pessoa, seu mérito, era julgado a partir do efeito que essa pessoa tinha sobre outras pessoas, não de seu "valor de alma"; e
Dependência - somos subjulgados continuamente durante nossa vida; dependemos de um eventual talento, de um chefe que o descubra, dependemos da sorte, da inteligência de nossos patrões, e até da economia mundial (em tempos globalizados).
Entre as soluções, de Botton lista:
Filosofia - O surgimento da filosofia fez com que tudo o que o mundo ao nosso redor nos sinalisa como sendo nosso valor seja reconsiderado, trabalhado, mastigado dentro de nós, e filtrado através da razão, do juízo, do senso comum. Se o joãozinho acha que eu sou chata, posso dizer, com a ajuda da perspectiva fornecida pela filosofia, que ele está errado. Meu racicínio seria: posso "estar" chata, mas não "sou" chata o tempo todo.
Arte - Arte é a crítica da vida. Pode-se fazer graça com uma situação política, pode-se sugerir dramaticidade a uma condição sócio-econômica, pode-se criticar com um riso.
Política - Cada sociedade tem seus padrões de respeito. Dependendo da cor da sua pele, da sua origem, do seu modo de falar e do seu temperamento, te colocam na categoria "alto estatus" ou "baixo estatus". Mas esses padrões mudam com o passar da história. Os seres humanos de maior estatus em Esparta, Grécia, em 400 a.C. eram homens enormes, brutais e bissexuais. Na Inglaterra dos séculos XVIII e XIX, a história é bem outra, assim como nos dias atuais, certo?
Cristianismo - A morte, com tudo o que traz consigo, é um senhor acorda-leão, nos dá perspectiva para organizar nossas prioridades terrenas. O pensamento sobre a morte dá autenticidade às coisas da vida.
Vida boêmia - Uma tendência ao básico, às felicidades mais evidentes da vida, uma revolta aos valores propagados pela burguesia, uma necessidade de ir contra a corrente e afirmar que é possível sim ser muito feliz sendo fiel à literatura, à arte e ao amor. ("Moulin Rouge", se lembram? Pois é.)
O livro é o maior barato, eu recomendo muitíssimo. Até porque é uma viagem por autores desconhecidos, escritores de 1600, publicidade atual, pensamentos e idéias originalíssimos. Eu li o livro em sueco (veja aqui). Mas o autor, Alain de Botton, que mora em Londres, escreve em inglês. O livro chama-se "Status Anxiety" no original. Veja o site do autor, onde tem todas as informações sobre seus livros. (Como sou uma criatura estressada por natureza, simplesmente preciso comprar mais livros desse homem. Estou de olho nesse aqui e nesse aqui.)
janeiro 21, 2005
O mico e judô
Então, caí. Disse que escreveria aqui quando pagasse o mico, então, conto: caí na frente do supermercado na esquina da minha casa aqui em Umeå, numa rampa coberta por uma camadinha fina de neve e por baixo, gelo lisinho. Agora estou aqui com a metade direita do meu derrière e com minha mão direita doloridos. Aliás, não sei se é apenas reflexo essa coisa de aliviar a queda com a mão, mas aprendi a fazer isso aos seis, sete anos, quando lutei judô.
Nunca contei isso aqui, né? Pois então, nessa idade eu era absolutamente fascinada com judô. Lutava com as almofadas da casa da vovó sem parar, quando o filme da sessão da tarde não me interessava, ou com minhas primas, que nunca entenderam meu fascínio. Até que um dia, minha mãe, reparando em minhas tendências esportivas, me matriculou numa aula de judô no meu coleginho de então. Nem preciso dizer que eu era a única menina na minha faixa etária (e acho que das outras faixas etárias também).
Como era baixinha e novinha, o professor me colocou pra lutar com um menino também baixinho, mirradinho, daqueles bem marrentos. Revoltado por ter sido "rebaixado" pra lutar com um ser tão inferior como uma menina, ele me beliscava nos braços e tentava dar olhares furtivos, porém nem tão sutis, pra dentro do meu quimono. Eu não entendia aquela raiva toda, nem a curiosidade com relação à minha área peitoral, que não era maior do que a dele naquela época.
Meus sonhos olímpicos no time de judô brasileiro acabaram algumas semanas depois, quando me cansei dos risinhos, da raiva revoltada do coitado do meu parceiro, e de usar camiseta debaixo do quimono no calor do Rio de Janeiro. Não passei da faixa branca, mas conquistei dois "graus" amarelos. Acho que mais pela simpatia do professor do que pelos meus dotes esportivos. Mais tarde, joguei futebol, corri, saltei, joguei queimado e treinei basquete e vôlei quase a sério. Antes disso tudo, queria ser bailarina. :c)
Repararam que acabei de ler o "Statusstress" do Alain de Botton? Pois é, êta livrinho interessante! Mas tô com uma preguiça básica de escrever sobre ele hoje, por isso vou deixar pra depois as histórias sobre o que nós, humanos, fazemos para nos sentirmos "amados". Li, nesse meio tempo, um livro muito bom pra universidade chamado "Marginalitet" (não preciso traduzir, preciso?) e outro chamado "Tarzans tårar" ("Lágrimas de Tarzan") de uma escritora sueca bacaninha chamada Katarina Mazetti. Livro bom pruma viagem de trem ou ônibus, nada demais. Agora comecei o "Cartas a Paula", que me foi enviado carinhosamente pela minha amiga Julia, no Natal. (Um beijo, querida). O livro foi feito com cartas de pessoas que leram o "Paula", da Isabel Allende, no qual Allende relata de forma comovente a morte de filha. (Update: terminei de ler ontem mesmo. Livro emocionante. Já comecei outro da Isabel Allende...)
janeiro 20, 2005
Oi
Hoje não tenho sobre o que escrever. Ou, se o tenho, não vem à tona. Não acredito na história que se está sem inspiração. Isso é lorota de quem não gosta de escrever, ou tem preguiça. Anyway, aprendi, depois de muitas sessões de análise, que quando se está assim, achando que não se tem nada pra dizer, é que se tem muito a falar. Bom, como o ouvido (e os olhos) de vocês não são penico e eu não faço análise em público, saio de mansinho e volto logo. Adieu.
PS.: Ah, a cachorrinha da minha amiga Viktoria deu cria. Ainda não vi os filhotes mas estou morrendo de curiosidade. :c)
janeiro 19, 2005
Seqüestro, tsunami e vinho
Manchetes do meu jornal daqui:
A polícia sueca emitiu alarme nacional depois do desaparecimento de um executivo de uma das maiores lojas de departamento daqui. Fabian Bengtsson, presidente da Siba (que vende eletrônicos, eletrodomésticos etc), foi seqüestrado quando saiu de casa para ir pro trabalho em Gotemburgo. Pois é, esses absurdos acontecem até aqui.
A Indonésia aumentou para 166 mil o número de mortos depois da catástrofe com as tsunamis (Ah, é muito estranho escrever "o tsunami". Aqui vai ser feminino mesmo) Oficialmente, anuncia a Reuters, a estimativa é que pelo menos 226.566 pessoas morreram em todos os países atingidos no último dia 26 de dezembro. Que coisa. Muitos suecos ainda estão desaparecidos. O jornal tem manchetes todos os dias sobre o assunto, desde o dia 27 de dezembro.
Cientistas americanos da faculdade de medicina da universidade de Harvard, entre outras, chegaram à conclusão depois de quase 30 anos de estudos, que um copo de vinho ao dia ajuda a reduzir em até 20% a chance de mulheres desenvolverem demência quando idosas. O estudo, que começou em 1976, acompanhou 11 mil enfermeiras americanas. Vou lá comprar um vinhozinho e já volto!
janeiro 18, 2005
Vidinha, nada demais

Um oi rápido, enquanto ainda posso, depois de mais um dia com o Montanha fora do ar. Aqui chove, temperatura positiva, um espanto. Dizem que a friagem toda, tão comum no mês de janeiro, foi pro outro lado do Atlântico, atazanar a vida de quem mora no Canadá e no norte dos EUA. Essa coisa de não estar tão frio seria ótima se não fosse por um detalhe: neve que vira gelo pelas ruas. Amigos, perco a conta das vezes em que quase caí. O mico é grande e está próximo. Eu aviso quando pagá-lo.
Na universidade as coisas estão indo bem. Ontem e hoje entrevistamos duas pessoas mais (já são seis!). Terminei de escrever minha prova e hoje acabamos de escrever o trabalho de grupo. Amanhã tem seminário sobre marginalização. Muito interessante. Aqui o marginal não é apenas o ladrão, como estamos acostumados a pensar no Brasil, mas é a pessoa que fica às margens do mercado de trabalho, por escolha própria ou por impedimentos variados, como uso de drogas e vida perturbada.
Ontem vi um documentário britânico sobre gagos e suas dificuldades no dia a dia. Um cara, LINDO e gaguíssimo, disse que ele não gagueja quando fa-la b-e-m de-va-gar. O problema é que ele acha que isso é difícil demais e deixa a estratégia pra lá. Descobri que sou gaga quando falo sueco. Minha mente vai muito mais rápido do que minha boca e eu acabo me embolando com a entonação (importantíssima quando se fala sueco). Acho que daqui pra frente jag ska prata så där, l-å-n-g-s-a-m-t. :c)
De resto, continuo aqui. Vivendo. Talk to me.
janeiro 17, 2005
Mais 20 anos pela frente
Ontem à noite (mais pra madrugada) fui dormir pensando em um post que iria escrever hoje. Fui formando frases, umas até engraçadas, sobre alguma coisa que iria entreter vocês aqui. Mas hoje, depois de um dia longo, esqueci o que era. Não faço idéia sobre o que iria escrever. Minha cadeia de pensamentos, que me pareceu totalmente lógica horas atrás, desapareceu.
Sempre fui assim: começava a pensar nas minhas matérias, o lead, as divisões, o final, os boxes de informação adicional, tudo ainda na minha cabeça, antes sequer de sentar pra escrever. Mas se não fosse logo pra frente do computador (ou da máquina de escrever, nos meus tempos de Jornal do Commercio), eu perdia o fio da meada. E assim foi hoje. Mas tudo bem, aqui estou, contando a história da falta de história. :c)

Entrevistamos hoje uma pessoa pro nosso trabalho de grupo de política social e tenho a impressão que já terminamos de colher dados. Acabei de acabar de escrever minha prova (dez páginas), que deve ser entregue na sexta-feira, junto com a apresentação do nosso trabalho de grupo (duas páginas). Escrevi sobre o processo de reconhecimento do diploma dos imigrantes com background acadêmico aqui na Suécia.
Tento não me deprimir com os resultados da nossa pesquisa, mas muitas vezes não é fácil. Está lá, preto no branco, num relatório feito por encomenda da Integrationsverket, um órgão governamental que cuida da integração de imigrantes na sociedade sueca. Diz logo lá no início que o reconhecimento do diploma é bom mas não é o suficiente para garantir um trabalho que esteja à altura da formação do imigrante.
O relatório se baseou, entre outras coisas, num estudo realizado pelo Statistiska Centralbyrån (SCB), que é o IBGE sueco, no qual foram ouvidos 9.926 imigrantes cujos diplomas foram validados para o sistema daqui. Depois de três anos, apenas 46% dessas pessoas estavam trabalhando. Durante o mesmo período, 76% dos suecos pertencentes à mesma faixa etária (20-64 anos) tinham emprego.
O que mais me deixa deprê e preocupada é uma parte do relatório que indica a importância do tempo em que um imigrante mora aqui para conseguir um trabalho decente. Cinquenta por cento de homens e mulheres nascidos nos países escandinavos (Dinamarca, Finlândia e Noruega - o chamado Norden) e que imigram para a Suécia, precisam de três anos para encontrar um trabalho em que possam fazer uso de seus diplomas. Para os imigrantes não-europeus, esse tempo aumenta para 20 anos para homens e 24 anos para mulheres.
Ó, céus.

Mas tem coisa boa hoje também: passei na minha prova de economia!!! UHU!!!! O professor disse que eu tinha feito uma "prova muito boa, com bom uso da linguagem e fácil de ler, bons exemplos e raciocínio interessante". Tá bom ou quer mais? :c))))
janeiro 14, 2005
Yahoo! É um menino!
BUCARESTE (Reuters) -- O jornal Daily Libertatea noticiou que um casal romeno decidiu batizar seu filho com o nome de um conhecido portal de Internet. Cornelia e Nonu Dragoman, ambos moradores da região da Transilvânia, se conheceram e decidiram se casar depois de um relacionamento online de três meses. Eles tiveram seu primeiro filho nesse Natal, e decidiram batizá-lo Lucian Yahoo. "Nosso filho se chama Lucian Yahoo por causa do nome do meu pai e da Internet, os pontos de referência mais importantes da minha vida," disse Cornelia Dragoman.Se a moda pega, a quantidade de Carlos ICQ Júnior da Silva Johansson, Antônio Big Foot de Oliveira Smith, Mariana Alta Vista da Rocha Marineau, Paulo Google Machado Campbell não vai estar no gibi... (A notícia original, em inglês, aqui.)
Eu, hein. Se for pra sacanear o próprio filho com um nome desses, sou mais isso aqui. Hohoho.
janeiro 13, 2005
"God hates fags"
"Mary, que tal essa?
Segundo certa organização religiosa, o recente tsunami asiático teria
sido enviado por Deus para dizimar suecos gays em férias. A matéria, aqui, e mais gozação, aqui". (Email do meu amigo Cat)
Hohohohohohohoho.
Depois ainda tem gente que pergunta porque o mundo inteiro tem picuinha contra os americanos. Eu, hein.
janeiro 12, 2005
Post irado
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!! Que raiva!!! Meu grupo de trabalho da universidade tinha uma entrevista marcada hoje às 13h com uma pessoa da kommun (tipo prefeitura), que toma conta dos refugiados que chegam à Umeå. Ela, no entanto, não apareceu pra trabalhar porque estava doente. Pergunta se ela ligou pra gente pra avisar? Nãããããooo. Fomos as quatro lá, na hora marcada, e nada.
Essa coisa sueca de poder ligar pro trabalho, dizer que está doente e ninguém poder questionar nada é muito civilizada do ponto de vista trabalhista, mas emperra a vida dos outros. Mas tudo bem, já marcamos um outro horário. Esperemos que o sistema imunológico da pessoa em questão resolva dar as caras e não dificulte ainda mais a nossa vida. O trabalho sairá mesmo sem ela, mas seria bom se ela participasse.
E pra piorar, quando eu vim aqui no Montanha escrever, reclamar e desabafar, o site estava fora no ar novamente. Putz grila! Hoje não é o meu dia! E acredita que hoje ainda está chovendo aqui em Umeå? Sim, chovendo. No termômetro aparecem três graus positivos, então a neve no chão nesse momento virou gelo liso que nem rinque de patinação. Ó céus. (Update: Na verdade, já parou de chover...) Mas tudo bem, tudo bem. Pensar em coisas positivas, positivas...
Ah, não dá. Tô com muita dor de cabeça (Update: Na verdade, já passou...) . Aliás, tem mais coisa ruim. Lembrei agora que sonhei que havia feito uma prova de matemática e que não tinha passado. Acordei no meio da noite, aflita, pensando na prova. Demorei alguns segundos pra entender que tinha realmente sido um sonho e que eu, na verdade, não fiz prova alguma de matemática. (Update: Mas quando vi que tinha sido um pesadelo, dormi novamente, e muito bem, porque comprei um colchão novo ontem!)
PS.: Hahaha, tenho que rir da minha própria irritação. Hohoho. Eu hein. Já tô até melhor... :c))) (Agora melhorei de vez. Fui lá na Marcinha e li o post dela de hoje. Ah, que delícia. Que saudades. Te adoro, queridoca. Beijocas)
janeiro 10, 2005
Pudim e tempestade
Vocês pediram, então a receita do Bread and Butter Pudding da Marcinha está aqui:
Bread and Butter Pudding (Pudim de pão com manteiga)
Ingredientes: 8 fatias de pão branco; passas (aquelas loirinhas); manteiga.
Para o custard: 250 ml de leite; 3 ovos; 50 gramas de açúcar; uma tampinha pequenininha de essência de baunilha.
Modo de fazer: Corte cada fatia de pão ao meio (em triângulos) e passe manteiga em apenas um dos lados. Para fazer o custard, bata na batedeira os ovos, o leite, o açúcar e a baunilha - até a mistura ficar "esbranquiçada".
Para montar o prato: numa tijela refratária, forre o fundo com uma camada de pão com manteiga. Salpique as passas a gosto e despeje a metade do custard. Coloque mais uma camada de pão e despeje o resto do custard. Deixe descansar por pelo menos uma hora.
Asse em forno pré-aquecido a 180 graus por cerca de 40 minutos (o tempo depende do seu forno).
Lamba os beiços e aproveite. :c)
Já estou em Umeå. As aulas começaram hoje com uma palestra sobre política social. Interessante, mas o professor não é lá essas coisas, pra ser sincera. Mas antes de mais nada, claro, ele perguntou se alguém queria falar da catástrofe na Ásia (como estão fazendo todas as escolas, empresas e repartições públicas da Suécia). O professor, que se chama Ove [Úúve], disse que quatro estudantes e um professor da minha universidade estão desaparecidos na Tailândia. Que coisa.
Nos últimos dois dias uma tempestade monumental matou quatro pessoas aqui na Suécia (mas mais pro sul). Aqui no norte não aconteceu nada (graças ao pai), mas ficamos sem Internet o domingo inteirinho. De resto, o estresse já voltou, claro. Mas também, quem sou eu sem o meu estresse? Faz parte do meu show. :c) Aliás, falando em estresse, tô lendo esse livro aí ao lado, sobre o estresse causado pela busca do status. Fascinante!
Amanhã tem trabalho de grupo na casa da Viktoria, bacanérrima companheira de curso. A cachorrinha dela, uma Rotweiller linda chamada Kiwi, está pra ter filhotes, então vamos nos reunir na casa dela just in case. E eu estou doida de vontade de largar trabalho de grupo e ir assistir ao nascimento dos pequerruchos. Já pensou? O mááááximo! :c)
janeiro 08, 2005
Pão, pão, pão...
Ontem fomos pra Pitea, porque era aniversário da Vera (sogra). Voltamos tarde da noite. Hoje acordamos cedíssimo (seis da matina), mas dormimos novamente. Lemos jornal e saímos. O dia estava lindo. O sol deu um oi rápido e desapareceu mais rápido ainda (nasceu às 9h41 e se pôs às 13h38). As árvores estão pesadas de neve. Ah! Sabe o que fiz como sobremesa pro jantar de hoje à noite? Bread and Butter Pudding, receita da Marcinha. É o pesadelo do falecido dr. Atkins. Hohoho.



O pudding ficou uma coisa de louco. :c) Vimos "Spider Man 2" agora, depois do jantar. Bom mesmo, viu? Falando em filme bom, se você ainda não viu, não deixe de alugar o mais rápido possível "Le fabuleux destin d'Amélie Poulin". Já escrevi sobre ele aqui antes, mas como esse é um dos melhores filmes que eu já vi na minha vida e eu ganhei o DVD de Natal do meu urso, vou repetir. Se não puder alugar, compre pirata no camelô da esquina, invente um jeito. Vale a pena.
janeiro 06, 2005
Eita...
E hoje acordei aas dez pras oito, depois de ter ido dormir aas duas da manha. Acordei assim, de repente, depois de uma noite de sonhos estranhos, mas que nao eram pesadelos. Acordei, inclusive, cantando Laura Pausini. Eu hein, nunca nem tive um CD dela. Bom, seria pior - pesadelos talvez - se tivesse acordado cantando Rita Cadilac....
Ontem respondi aos emails acumulados na minha caixa postal. Um favor, se voce sente uma vontade incontrolavel de escrever pra mim, use meu mail do Yahoo por esses dias. O endereco esta ai ao lado, na coluna lilas, debaixo dessa cartinha que acena freneticamente. Isso porque minha situacao computadoristica ainda eh recalcitante.
Como ja notaram, nao tenho mais direito a acentos e luxos variados. Meu urso ressuscitou meu notebook, um Toshiba muito lindinho, que comprei nos EUA em 99 e que me serve sempre muito bem. O unico problema eh que o teclado eh em ingles e todos os upgrades do windows 98 sao demais pra ele, que fica uma moleza soh.
No som, Marisa Monte e Maria Rita. A voz dela eh tao igual aa da Elis que me da arrepios. Os suecos teem uma palavra boa pra isso: kuslig, amedrontador. Mas eh bom mesmo assim, afinal de contas, as vozes de mae e filha sao lindas. Na TV, Buster Keaton se apaixona por uma vaca e o amor eh reciproco. Oh, ceus.
Ainda nao sei o que farei com o meu dia, mas de uma coisa estou certa: nao farei nada de util. :c)
janeiro 05, 2005
Cidade de Deus
Ontem, além de escrever todos aqueles posts, não fiz muito mais. Meu urso tomou conta da lavacão de roupas (que demorou mais de cinco horas - pobre urso) e eu, lá pras oito da noite, fiz um jantarzinho bem gostosinho. Abri um dos meus potes plásticos do freezer contendo feijão, a ambrosia negra. Derreti tudo num refogadinho de cebola, alho e temperos. Além disso fiz arroz branquinho.
Depois do jantar, meu urso resolveu que iríamos assistir a "Cidade de Deus" novamente. Comecamos com o material extra, uma longa entrevista com o diretor, Fernando Meirelles, assim como alguns dos atores. Fascinante o processo de treinamento e escolha dos meninos e meninas que fizeram parte do filme. Eles passaram por uma oficina diária de atuacão que durou cinco meses. No final, estavam prontos pra dar tudo.
Stefan é fascinado com esse filme. Além de achá-lo super bem-feito, bonito e interessante, ele tem quase que uma curiosidade antropológica no que diz respeito ao mundo da Cidade de Deus. O DVD que ele comprou tem textos em sueco, mas ele fica me perguntando a toda hora o que certas palavras querem dizer. O nome dos personagens, por exemplo, traduzidos pro sueco, é uma fonte contínua de curiosidade. Mané Galinha (traduzido para Fenan), Buscapé (Raketen), Zé Pequeno (Lill' Zé) - tudo soa muito diferente.
Meu urso disse no final do filme, ontem à noite: "Um boa filme, porra". Hohoho.
janeiro 04, 2005
Uma retrospectiva
Foto: Martin Leggett
Pronto, escrevi os posts sobre as aventuras do Casal M aqui na Suécia. Resolvi publicá-los em ordem cronológica, isto é, nos seus respectivos dias. São posts diários, a partir do dia 22 de dezembro até agora. Se você achar mais fácil, clique na categoria Aventuras de M&M na Suécia e confira o dia a dia da aventura. Essa foto aí de cima é apenas uma de muitas tiradas por Mr.M e mostra a vista do lago congelado localizado perto da floresta aqui na frente de casa. Tem muitas outras fotos espalhadas nos posts. Todas em links, que é pra ninguém ter problema em carregar a página. Espero que gostem! Beijocas.
janeiro 03, 2005
Alegria de pobre dura pouco mesmo
Marcinha e Martin já foram embora e deixaram muitas saudades. Como que num presente de despedida, Boden amanheceu branquinha, árvores pesadas de neve, céu branco (anunciando mais neve), paisagem de conto de fadas. Até São Pedro nos deu uma colher de chá e mandou temperaturas ameníssimas durante a última semana inteirinha, o que ajudou a mostrar essa região extrema da Suécia pro Casal M.
Conhecer a Marcinha foi um presente pra mim e pro meu urso (e quando digo "Marcinha", incluo também o Martin, óbvio). Mas acho que pra nós duas o encontro foi mais importante. Amanhã comeco a organizar as notas do meu diarinho pra publicar aqui, mas queria dizer antes de mais nada que esses foram o Natal e o Ano Novo mais legais que tive em quase quatro anos de Suécia.
Sabe aquela docura que você imagina quando lê os textos do Vida escrita a mão? Pois é, essa docura existe MESMO, é real e cabe nessa paulista incrível, bonita, criativa e sensível. Não foram poucas as vezes que descobri discretas lágrimas nos olhos puxadinhos, quando conversávamos sobre de tudo um pouco. Ou quando eu, dramática e desajeitada, me emocionava com meu presente de Natal. *pisc* *pisc* *pisc* :c)
Estou triste por eles terem ido, mas MUITO FELIZ por ter tido a felicidade de tê-los aqui em casa durante esse tempo. Quanto aos emails, cartões, mensagens no Orkut e no Multiply, ainda não os acessei - mil desculpas. É que eu e meu urso resolvemos que hoje tiraríamos férias dos computadores por mais um dia e assistiríamos a "Carandiru", do Hector Babenco (gente, que filme bom!) de tarde. Agora me deu uma saudadesinha básica de vocês, então vim aqui. Amanhã eu volto, ok? Beijocas.
janeiro 02, 2005
Décimo segundo dia
Nós quatro, cansados, não fizemos muita coisa nesse quase último dia. Como estava "quente" para essa época do ano (tack St Per!) - de manhã até choveu água no meio da neve - Marcinha pode realizar seu sonho de fazer seu primeiro boneco de neve. Ganhou nariz de cenoura e olhos de azeitonas pretas, chapeuzinho e cachecol. Só não foi batizado. Alguém tem uma idéia de nome pro menino não ficar pagão? :c)
À tarde, tomamos fika (leia o esclarecimento desse fenômeno sueco lá na Marcinha, no post do dia 26 de dezembro), chocolate quente O'Boy, (que Marcinha comprou e levou pra UK, junto com um tubo do meu querido caviar!) e bolinhos suecos de canela, sobre os quais já escrevi aqui (com fotos e tudo). Logo depois, assistimos a "You've Got M@il" e nos prepararmos pra ir jantar.
Fomos ao Panelen, restaurante aqui em Boden, especializado em carne. Comemos muito bem e voltamos pra casa, onde tomamos sorvete e assistimos ao maravilhoso "Contact". Foi ótimo.
Tsun@mi
Parece que as tsunamis no oceano Índico afetaram os servidores da Pixelzine, porque o Montanha ficou inalcancável por dias (mais uma vez). Antes que saiamos do ar novamente, quero dizer que leio sempre os comentários (quando o servidor da Pixelzine segura a onda, that is), mas ando sem tempo para escrever. Fiz um pequeno diário dessas últimas duas semanas e ainda estou decidindo se vou escrever um post grande com as atividades e fotos desses últimos dias ou se farei pequenos posts nos respectivos dias (publicados em retrospectiva).
Marcinha & Martin estão se divertindo bastante (or so I hope), o tempo tem ajudado MUITO, com temperaturas ameníssimas para essa época do ano, e nossos estômagos recebem diariamente sua dose de felicidade, providenciados pela minha querida amiga Marcinha (com contribuicões do maridón também, claro). Assim que a vida voltar ao normal, organizo minhas notas e passo o diarinho pra cá, ok? Quanto aos emails, ainda não os respondi (obrigada pelos cartões e emails carinhosos e desculpa aí pela falta de tempo :c)
A Suécia está em choque com as ondas mortíferas que atingiram vários países da Ásia. Mais de três mil suecos estão desaparecidos na Tailândia e no Sri Lanka. As autoridades estimam que a Suécia é o país com mais mortes registradas de todos os países europeus. Os jornais comparam as tsunamis com saldos de mortes em guerras e afirmam que essa é a maior tragédia que o país já enfrentou desde 1709, quando o rei sueco Carl XII perdeu a batalha de Poltava para a Rússia do tsar Peter o Grande. Ontem cerca de 20 criancas suecas chegaram de avião ao aeroporto de Arlanda em Estocolmo desacompanhadas. As tsunamis os fizeram órfãos.
janeiro 01, 2005
Décimo primeiro dia
Saímos para dar mais uma volta nas montanhas (sim, ainda existem muitas montanhas de Boden inexploradas, e meu urso faz questão de que conhecamos cada uma delas, ughpf). Mas, falando sério, foi mais um passeio lindo. E a vida se repetiu: eu levei meu tombo básico (sem fotos, thank god) no meio da neve fofa, Mr.M tirou suas fotos lindas (aqui, aqui e aqui) e voltamos pra casa são e salvos.
Marcinha, à toda, resolveu tomar conta da cozinha mais uma vez (e eu fiquei triste com isso, né? HOHOHOHO) e fez um DE-LI-CI-O-SO bacalhau no forno, com batatas e legumes assados. Olha, tava uma coisa de doido. Eu ADORO peixe, legumes e verduras, então esse jantar tava sob medida. E eu, que nunca havia sequer comprado bacalhau aqui por pura inabilidade culinária, agora já sei uma receita ultra-boa e supersimples. Viva a Marcinha!!!!! :c)
Depois do jantar assistimos a Moulin Rouge, que é sempre um prazer rever, e terminamos aquele sorvete de manga divino. Uhm, delícia.

