maio 31, 2005
Filmes, livros, blog e coluna
No sábado fomos assistir a "Star Wars III - Revenge of the Sith", e adoramos. Eu AMO todos os filmes, especialmente os três primeiros. Mas sabe que esse é quase tão bom quanto os feitos nos anos 70/80? A-do-re-i.
Terminei de ler o livro do Leif GW Persson. Bacana, mas sem muitas surpresas. Pra quem me lê da Suécia e adjacências sabe que o Leif GW Persson är professor de criminologia, superrespeitado no meio policial e é até uma personalidade da TV. Ele faz parte do programa "Efterlyst", que caça ladrões e gente ruim de todos os tipos com a ajuda das pistas dos telespectadores.
O último livro que me surpreendeu completamente foi "Shutter Island", de Dennis Lehane (que li em sueco, com o título "Patient 67"). Espetacular.
Teve uma pessoa que me perguntou, nos comentários do post abaixo, sobre os "saami" - povo que habita partes do norte de Noruega, Suécia, Finlândia e Rússia. Assim que a poeira baixar (estou no meio do processo final do semestre na faculdade), escreverei sobre isso, ok?
Tem coluna nova! Sobre medo de morrer e... celulares.
maio 25, 2005
Relatório da Anistia Internacional
In March, after considering Sweden's 15th and 16th periodic reports under the UN Convention against Racism, the Committee on the Elimination of Racial Discrimination adopted its Concluding Observations. Among the Committee's concerns were the lack of statistical data on the ethnic composition of the population; reports that few hate crimes led to prosecutions and that relevant legislation was not applied; difficulties faced by a large part of the Roma community in areas such as employment, education and housing; unresolved issues relating to Sami land rights; persistent discrimination against immigrants in relation to social and economic rights; and the possibility of expulsions without a right of appeal under the Special Control of Foreigners Act.
Mais, aqui.
maio 24, 2005
Que sono!
Acordei quase às 11 da manhã hoje, o que é raridade. Acho que a última vez que dormi até tão tarde ainda era adolescente... Mas, estava tão cansada ontem (fisica e emocionalmente) que acho que precisei desse descanso. Continuo meio zonza e acho difícil acreditar que já são mais de quatro da tarde. Cadê o dia de hoje que eu não vi passar? Meu urso, que está de folga por ter trabalhado no final de semana, me acordou pra mostrar que uma carta que escrevi pra editoria de opinião do meu jornal foi publicada hoje. Por tanto, se você mora na Suécia, pode ler em sueco (e estiver interessado, óbvio), veja o Dagens Nyheter de hoje. As cartas não aparecem online, sorry, folks. Tem uma família de passarinhos que mora no teto da nossa pequena varandinha. O macho, muito pomposo, canta que é uma beleza. :c)
Sobre o lance da Embratel (Valeu pela dica, Lia!). Então, obrigada a todos vocês que deixaram comentários ontem com a dica da Embratel, cujos serviços eu tentei usar, mas não consegui. Liguei para 020 79 90 55, que é o número da Embratel em Estocolmo e segui as instruções da voz automática. Mas, quando digitei o telefone do meu pai, a voz me informou que o número não era válido. Digitei, na primeira tentativa, 21 + telefone do meu pai e não consegui, número inválido. Na segunda tentativa, coloquei um zero na frente do código de área, mas o número ainda não era "válido". Na terceira tentativa requisitei ajuda de um humano, mas a ligação caiu. Aí, desisti. Como estava cansada e aflita pra falar com meu irmão, liguei com a linha de telefone fornecida pela nossa empresa de banda larga. Paguei apenas 0.89 öre (centavos daqui) por minuto, o que é uma pechincha. O que será que eu fiz errado?
maio 23, 2005
Feliz Aniversário, Carlos!

Hoje é aniversário do meu irmão, Carlos, que está fazendo 14 anos. Parabéns, meu irmão! Nos falamos mais tarde. (Eu sei, eu sei, a foto é beeeem antiga. Mas tenho duas razões de tê-la publicado: primeiro porque o scanner aqui de casa pifou e segundo porque eu ADORO essa sua foto linda).
Update => Dia muito cheio e emocionante: eu e meu urso fizemos uma pequena feijoada para os tios dele que vão ao Brasil em dezembro. Tudo saiu como planejado e eles adoraram o feijão. No final, vimos minhas fotos do Rio. Às dez da noite liguei pro meu irmão e consegui não chorar, apesar do aperto no coração. Sei que escrever isso parece clichê, mas escrevo aqui a sensação literal que tive há pouco, um peso no meio do peito, uma saudade monumental. Difícil de controlar, mas eu consegui não chorar.
Aí, pra completar a noite, fui ver a entraga do Polar Priset ao Gilberto Gil. Festa linda, cheia de gente vestida em smoking e longos, inclusive o Rei, a Rainha (que cantarolou uma música do Jorge Benjor e conversou a noite toda com o Gil em português) e a princesa coroada. Teve também show de Lisa Nilsson e Håkan Hellström, artistas suecos ligados ao Brasil e que cantaram em português. Aí, quando Lisa Nilsson e Simone Moreno cantaram "Aquele abraço" e "Andar com fé", eu não aguentei. Chorei. Tô chorando até agora. Pelas escolhas que fiz, pelas felicidades novas, mas também pela ausência de outras.
"Andá com fé eu vou, que a fé não costuma falhá".
Comecei a assistir a um documentário suíço sobre a Maria Bethania, que gravei ontem, mas não consegui terminar de ver. Preciso dar um tempo na emoção. Acho que vou assistir à CSI New York (que também gravei enquanto os tios de meu urso estavam aqui em casa) pra ver se durmo melhor. Assassinato (de mentirinha) é muito melhor do que saudade (de verdade).

Liguei para a nossa operadora de telefonia, que é a maior do país (e mais comum) pra saber como fazer para ligar a cobrar pro Brasil (num oferecimento Telepapai). Qual não foi a minha surpresa quando fui informada que o serviço de ligações a cobrar foi desativado em setembro de 2004. Isso mesmo: se você mora ou está visitando a Suécia num precisa nem tentar ligar a cobrar porque você não vai conseguir. Esse serviço não existe mais aqui.
Estou boba até agora. Perguntei pra menininha do serviço do consumidor se eu morava em Uganda ao invés de um dos países mais desenvolvidos do mundo. Ela ficou muda, sem saber o que dizer. Se bem que, por outro lado, posso até tentar compreender essa loucura. Aqui telefonia é coisa tão banal, parte normal das despesas do lar nativo, que tenho a impressão que os suecos não têm necessidade de ligar a cobrar. Talvez eles sejam ricos demais pra precisar disso. Será?
maio 22, 2005
Mãe Dinah
Tô pensando em começar a anunciar meus serviços de consultoria. Mas se não der certo, posso tentar ser vidente. Sim, a Grécia ganhou o Melodifestivalen e eu acho que foi certíssimo. Música boa (My Number One), intérprete fantástica, show muito bom. A Suécia, cuja música ficou em décimo nono lugar e no ano que vem vai ter que lutar por um lugar na final, contribuiu pra vitória de Helena Paparizou dando seus 12 pontos (máximo possível) à cantora.
Update: Claro que tive que explicar ao meu urso o que "Mãe Dinah" quer dizer em português, além do siginificado literal. Quando fui traduzir "vidente", a melhor palavra que pude encontrar no meu vocabulário de sueco foi spökärring, que quer dizer mais ou menos "mulher velha espancadora". Meu urso ainda está aqui do meu lado, às gargalhadas. Claro, sueco é assim mesmo. Uma escorregadela em uma vogalzinha, um som fora de tom e pronto: tudo errado. A palavra que estava procurando era spåkärring... Uhrrmmm, ok, piadinha sem muita graça pra quem não entende ou fala sueco (ou pra quem nunca sofreu pra aprender gíria num idioma estrangeiro). Mas, vá lá.
maio 21, 2005
Direitos humanos num sábado morno
No dia de hoje, um ano atrás, escrevi sobre a vergonhosa retirada dos egípcios Ahmed Agiza e Muhammed Al Zery do solo sueco por agentes da CIA com a benção do departamento de estado local. Pois ontem o rádio, a TV e os jornais daqui noticiaram que o comitê anti-tortura das Nações Unidas condenou a Suécia na questão Agiza-Al Zery. O comitê acusa a Suécia de ter violado a convenção contra a tortura, criada e defendida pelas Nações Unidas.
O problema é que a Suécia escolheu acreditar na promessa do governo egípcio de que Agiza e Al Zery não seriam torturados, mesmo sabendo que tortura é método recorrente nas prisões do país, ainda mais depois de 11 de setembro 2001. Essa "ingenuidade" sueca, que muitos preferem chamar de uma vontade de fechar os olhos aos direitos humanos para fazer a vontade dos EUA, é que influenciou o julgamento do comitê. O Human Rights Watch vai um passo adiante e diz abertamente num estudo que o governo sueco estava plenamente consciente de que Agiza e Al Zery seriam torturados e ainda assim liberou o transporte dos dois para fora do país.
Mudando de assunto. Sem a menor vontade de fazer nada. NA-DA. Meu urso viajou a trabalho de manhã cedinho. Ele me acordou pra dizer tchau mas eu estava tão zonza de sono que não consegui dizer nada. O bom é que consegui dormir novamente. Ele acabou de passar aqui em casa pra me dar um beijinho e se mandou novamente. Dei meus chicletes de morango pra ele, que não gosta de mastigar coisa alguma a não ser comida, mas estava com a boca seca de tanto falar. O tempo também não ajuda. Tudo bem que tá 16 graus mas e o vento? Pra quê? Pelo menos não está chovendo. Alltid något.
Acabei de ler o Håkan Nesser e gostei muito, apesar de ter sacado um lance vital no complô no meio do livro - e ter meio que estragado o resto. Só se fala do Melodifestivalen. Que a Suécia vai perder feio, que vai ter de entrar no qualifying no ano que vem etc. Eu acredito que a Grécia ainda tem as maiores chances, mas os noruegueses estão ganhando espaço e devem receber a maioria dos votos suecos. Isso porque os países não podem votar em suas próprias músicas, mas apenas em outras. Vizinho vota em vizinho, compreende? Suecos sempre votam por noruegueses e vice-versa. (Mais uma vez: imagina se o Brasil votaria pela Argentina? Nunquinha da Silva Sauro).
maio 20, 2005
Maçã
Você sabia que maçãs soltam uma substância um gás chamado etilênio etileno que apressa a maturidade de outras frutas como bananas e pêras, por exemplo? Não devemos armazenar maçãs junto a vegetais, mas se quisermos que outras frutas amadureçam mais rápido, basta colocar uma maçã no meio delas.
Eu adoro maçãs.
maio 19, 2005
Mais música
Hoje é a semi-final do festival de música Eurovision (aqui chamado de Melodifestivalen). Na noite de hoje competem 25 países por um lugar na final. Os dez países que receberem mais votos seguem para a final, no sábado. E se lembra que eu escrevi logo ali em baixo que a Noruega era imprestável em festival de música? Pois é, engulo minhas palavras. A música com que o país concorre esse ano é um sarro de engraçada. O grupo, chamado Wig Wam (veja foto acima), é uma mistura do Kiss com o Scorpions, só pra cês terem uma idéia (se lembram da língua do Gene Simmons?).
Em comparação, a Suécia já está classificada pra final e não precisa participar desse qualifying, mas os especialistas dizem que Martin Stenmark (o lindinho do meio na foto ao lado), defensor das cores nativas, não tem uma chance sequer. Eu concordo. Vocês que vêm sempre aqui sabem que eu me irritei muito com a música vencedora da eliminatória sueca. O vencedor, bonitinho que só ele, delivers, mas a música é ri-dí-cu-la. Quer ver o vídeo da música, gravado, claro, em Las Vegas? Clica aqui. Vê e depois me explica, se puder, a razão da existência daquele coelhinho branco no vídeo.
Pra variar, o festival de música virou um evento político (leia mais sobre isso aqui). E calhou de ser na Ucrânia, onde uma revolução pacífica derrotou no ano passado um dos últimos presidentes remanescentes da antiga União Soviética. A música que defenderá o país, incluive, é um rock-hip hop revolucionário. Mas o presidente ucraniano, Viktor Jusjtjenko, mesmo tendo sido eleito democraticamente e dizendo representar um novo tempo, queria recorrer a um artifício tipicamente soviético para inaugurar os trabalhos: fazer um discurso na abertura do evento principal, o que foi devidamente vetado pela direção do festival, que, aliás, é sueca.
E quem vai ganhar, perguntam-me vocês, em insustentável agonia. Do alto dos meus dois anos de experiência em festivais europeus de música, afirmo que a vencedora será a Grécia, cuja música é defendida pela lindíssima sueco-grega Helena Paparizou (ela nasceu e foi criada na Suécia, de pais gregos).
maio 18, 2005
Ópera
Eu adoro música. Gosto de vários estilos, dos clássicos dos anos 70 e 80, R&B, samba (não-pagode) e, claro, MPB. Gosto também de ópera e de clássicos (Adagio de Albignoni é um dos meus favoritos, apesar de ser meio deprê, e entre as árias, Nessun Dorma, cantada durante o Turandot de Puccini). Sim, eu gosto de ópera. Cresci ouvindo "A Flauta Mágica" de Mozart e incontáveis árias interpretadas por Maria Callas (foto ao lado - pra mim ela é única, não tem pra ninguém).
Meus pais sempre tiveram muito bom-gosto no que diz respeito a música. Meu pai é mais pro jazz, Chet Baker, Miles Davis etc. Minha mãe sempre gostou de ópera. Me lembro inclusive que tivemos de devolver um canário que compramos porque o passarinho cantava enlouquecidamente, numa espécie de competição com as sopranos todas as vezes que mamãe escutava seus discos nas manhãs de sábado e domingo na nossa casa de vila em Botafogo.
Ainda no Santo Inácio (colégio carioca) onde passei dez anos da minha vida, comecei a cantar no coral. Me lembro que não conhecia ninguém muito bem, mas incentivada por vovó, acabei indo. Eu tinha uns 11, 12 anos. No primeiro dia assisti à aula de fora, antes de fazer um teste pra determinar se era primeira, segunda ou terceira voz (acabei sendo primeira voz, mais fininha, tipo soprano, o que apenas mostra como a professora era incompetente).
Antes, o coral ia apresentar uma música. Conhecia de vista uma menina magrinha que já fazia parte do coral e fiquei surpresa por vê-la ali. O nome dela era Elisabeth e ela tinha uma voz meio débil, muito infantil. Nunca me esqueço que quando ela abriu a boca pra cantar - como solista - eu quase chorei de emoção. Que voz, que força!
Me lembro nitidamente que fiquei envergonhada de ter ficado tão emocionada. Não consegui entender o porquê daquela emoção que apareceu no meio do meu estômago, assim que a Beth começou a cantar. Fiquei tão envergonhada que não me lembro da música que ela cantou... e olha que eu sei cantar até hoje as músicas que aprendi no coral, até mesmo uma cantiga de ninar em alemão (oh!).
Um domingo bobo desses estava zapeando pelos canais de TV e dei de cara com um programa do estilo "Idol", só que ligado à ópera. Os candidatos tinham de cantar na frente de especialistas e o vencedor ganharia um papel numa ópera a ser encenada em Londres. Apesar de não gostar de reality shows, não consegui deixar de assistir.
Estudantes, executivas, professoras, assistentes sociais, agentes de turismo, todos se submeteram ao treinamento duro e se saíram muito bem. Mas a melhor de todas foi Jane Gilchrist, que até antes de participar do show era caixa de supermercado. Vi no site do Channel 4 que ela ganhou o concurso juntamente com uma outra concorrente.
Que voz! Minhanossasenhora. Não sou educada o suficiente in those matters pra entender de acordes, sutilezas musicais ou que tais. Sou daquelas que sabe apenas apreciar algo bom. Meu gosto é, antes de tudo, instintivo. Por isso mesmo acho ópera o maior barato, porque na verdade, o interessante não são apenas os dó de peito de sopranos, tenores e contraltos, mas antes de mais nada, como esses artistas cantam - a emoção depositada em cada sílaba. Acho que o que me atrai em ópera no final das contas é o excesso, a falta de limites.
Quando vi e ouvi essa Jane Gilchrist cantando fiquei muito emocionada. E o melhor é que ela sempre quis cantar, mas acabou se casando cedo, tendo filhos etc e o sonho foi deixado de lado. E eu adoro quando sonhos se tornam realidade. A-D-O-R-O.
Já escrevi sobre ópera aqui.
maio 17, 2005
Independência, petróleo e inveja
Hoje faz 100 anos que a Suécia concordou em conceder a independência à Noruega depois de um centena de anos vividos em união. O dia, chamado syttende mai (dezessete de maio), é comemorado por todos os noruegueses com muita festa, desfiles (inclusive em plena Estocolmo) e muito orgulho - num contraste absurdo ao 6 de junho, quando suecos são praticamente forçados a comemorar seu dia nacional (mas essa é outra história que merece ser contada mais tarde). Hoje meu jornal fez uma matéria extensa sobre a dissolução da união (cuja bandeira é essa aí de cima) e mostrou que suecos e noruegueses quase entraram em guerra.
A relação sueco-norueguesa é mais amigável do que, por exemplo, a brasileira-argentina. Exemplo: quando um atleta sueco não tem mais chances de ganhar, seja em que esporte for, os suecos torcem primeiro para os noruegueses, depois para os finlandeses e por último pelos dinamarqueses. Isso é meio que impossível para um brasileiro, concordam? Mesmo assim, as piadas que retratam o povo da Noruega como meio estúpido, mostram o mesmo tipo de má vontade que brasileiros têm com relação aos hermanos argentinos. O que ajuda também é que a Noruega só vence os suecos nas competições de ski, e são imprestáveis em futebol, hockey no gelo e festival de música.
Sim, o estereótipo dos noruegueses é de um povo meio bobo-alegre, que gosta de passar grande parte da semana andando de ski nos fiordes. São muitas as piadas que correm aqui no norte, por exemplo, dizendo que os noruegueses não sabem dirigir em rondell (que corresponde ao nosso "trevo", eu acho). Claro que existe um fundo de verdade nisso. No verão, quando Boden e todas as outras cidades do norte são invadidas por noruegueses em férias, o trânsito fica realmente mais difícil. Mas os suecos exageram bastante nessa imagem de incompetência generalizada. Quando perguntei ao meu urso o por quê dessa necessidade de diminuir o "povo-irmão", ganhei uma resposta surpreendente: por causa do petróleo.
A Noruega foi devastada pela Segunda Guerra Mundial, quando sofreu horrores nas mãos dos alemães (que foram ajudados em parte pela "neutra" Suécia), mas se recuperou rapidamente no pós-guerra, graças à descoberta de petróleo em sua costa. O país é hoje riquíssimo, praticamente livre de dívidas externas, com superavits internos anuais e autosuficiente no que diz respeito à produção e consumo do chamado "ouro negro". A economia norueguesa é tão boa que eles não quiseram entrar para a União Européia (UE), temendo que tivessem que ceder à política de Alemanha, França e Itália e pagar polpudas contribuições ao fundo internacional da UE.
Suecos capazes de um mínimo de autoanálise e autoironia concordam que um dos traços mais marcantes do caráter sueco é a inveja. E, no que diz respeito à Noruega, muitos são os que admitem sua inveja com relação à riqueza descoberta por seus vizinhos ex-dominados. Outros tantos dizem, meio que brincando, meio a sério, que a saída para a economia sueca está numa guerra contra os noruegueses. Se os suecos vencerem ótimo; se não, ótimo também. A idéia é deixar os noruegueses tomar conta e endireitar tudo na Suécia com suas petro-coroas.
Disclaimer 1: Na remota possibilidade de algum argentino ler isso aqui, quero dizer que meus comentários têm um caráter jocoso. A ironia nem sempre é bem compreendida quando escrita, seja por falta do escritor... ou do leitor.
Disclaimer 2: Essa coisa da inveja ser uma característica do caráter sueco não é invenção minha. Antes de escrever que sou maluca, mimada ou cínica, leia Svensk mentalitet, de Åke Daun, professor de etnologia no Museu Nórdico e na Universidade de Estocolmo e tire suas próprias conclusões.
OBS: O Montanha passou o dia inteiro de hoje fora do ar. Se você tentou e não conseguiu acessar a página, o problema não é do seu computador, mas dos servidores da Pixelzine.
maio 16, 2005
Tralha, Brasil e TV
Passamos o fim de semana em Piteå, ajudando minha sogra a se mudar para um apartamento menor. Muito trabalho, muita tralha, muito cansaço. Descobri que assim como cor dos olhos, formato do rosto e corpo, ajuntamento de tralha também é uma característica genética passada de geração para geração, de pais para filhos.
Ficamos hospedados na casa dos tios do meu urso. Na noite de sábado discutimos a viagem que eles farão ao Brasil em dezembro. Eles visitarão Ilha Grande e, claro, o Rio. Vimos mapas e as homepages dos hotéis deles. O tio me mostrou uma mochila onde ele guarda sua câmera com uma lente longuíssima (e caríssima). O encoragei a levar a câmera para Ilha Grande, mas disse pra deixar a maleta no cofre do hotel no Rio.
Nada mais a fazer ou comentar. Hoje o ponto alto do meu dia ainda está para acontecer: assistirei a "Oprah". Mais tarde, tem CSI NY. E o livro continua bom. É uma versão melhorada do Wallander do Henning Mankell. Quem lê Mankell e gosta, adora Nesser.
maio 13, 2005
Sol e chuva
Menino, ando desligadíssima. Acho que é a primavera, o "calor" e o sol que me deixam assim, assim. Mas o fato de finalmente não ter nada pra fazer (nem que seja por uma semana) faz com que fique assim, meio que fora do ar. Não fosse o Montanha, minha mania de assistir noticiário na TV e ler jornal, acho que nem saberia que dia é hoje. Meu cérebro está num estado letárgico - e olha que não bebo e nem fumo, uso apenas chocolate para alterar meu estado de cosnciência. Será que estou cansada? Pode ser. Por outro lado, minha alegria com o tempo não tem fronteiras. A temperatura está por volta dos 10 graus, o sol nasce por essas bandas às 03h20 da matina e vai se pôr somente às 21h45. E só fica melhor - mais luz, mais luz! - a cada dia.
Ontem, no entanto, choveu muito, água misturada com gelo. Estava lendo na sala, quase dormindo, quando acordei com os estalos do gelo contra a janela. Levei um susto porque nunca tinha visto granizo aqui, mas era sim gelo misturado com água. Fui fazer um chá e sentei na frente da janela, vendo a chuva cair. Aliás, essa coisa de chuva é engraçada. A chuva de ontem foi classificada na ordem de dilúvio porque aqui quando cai uma garoinha, nego já diz que é toró. Eu, que sobrevivi a várias enchentes de verão cariocas, acho engraçado. Quando chove muito por essas bandas diz-se que spöregnar [spôregnar], que literalmente significa que chove como "lanças", ou seja, as gotas de chuva caem como lanças no chão. Vai entender. (Pelo menos é melhor do que It's raining cats and dogs, é ou não é?)
Essa semana recebi a visita da minha amiga Maria, do marido Jonas e a filhota Sandra (1 ano e meio), que vieram de Umeå e passaram dois dias em Boden. Andamos muito pela metrópole, tomamos muito sorvete (tava calooooorrrr!), andamos de carro, vimos "Bambi" no DVD (mais eu e Maria, Sandra nem se tocou) e nos divertimos muito aqui em casa. Ontem ultrapassei um medo que tinha: liguei para Malmö (terceira maior cidade sueca, localizada no extremo sul, pertinho da Dinamarca - veja mapa da Suécia aqui) pra saber uma informação. A dificuldade é que o povo que mora em Malmö fala um dialeto complicado, com uma série de sons esquisitíssimos, que complicam a vida de quem não está acostumado. Mas, sabe do que mais? Deu tudo certo, entendi tudo. Um barato. :c)
No mais, tudo em ordem. Volto quando tiver mais o que escrever.
maio 09, 2005
maio 06, 2005
No cinema
Acabamos de chegar em casa. Fomos ao cinema assistir a Kingdom of Heaven. Vamos combinar o seguinte: eu adoro os filmes do Ridley Scott. Sabe aquela ambience do Gladiator, do cara tocando com as pontas dos dedos o trigo e tal? Pois é. Esse filme é mais violento, mas mesmo assim é um luxo. O Orlando Bloom é mai-o-meno, assim assim. Tá sempre com uma cara de assustado. Mas o filme é ótimo.
Comecei a gostar de Ridley Scott quando assisti a Blade Runner pela primeira vez. O filme foi lançado em 82, quando em tinha apenas 11 anos e ainda era fã do Didi Mocó. O assisti anos depois, acho que numa sessão da tarde, e me apaixonei. Comprei o livro "O Caçador de Andróides" do Philip K. Dick, no qual o filme foi inspirado, e me decepcionei horrores. A estética do Ridley Scott me pegou de jeito. O livro me pareceu meio desorganizado, confuso, sombrio demais.
Anyway, meu urso A-DO-ROU o filme e me disse durante o filme inteiro (in-te-i-ro) que o Ridley Scott havia sido muito acurado na caracterização das roupas, das armas, de tudo. Sonho de consumo da criatura é uma espada de cavaleiro das cruzadas de verdade. Eu, hein. Não, falando sério: o filme é ótimo. Vale a pena (apesar da matança generalizada).
Update => O Mauro perguntou e achei interessante comentar. Sim, o Ridley Scott retrata os árabes/muçulmanos (no filme, saracenos) de forma muito diferente do que estamos acostumados a ver em filmes atuais (pós e até mesmo anteriores ao 11 de setembro). Salah-Ad-Din (Saladin) era historicamente um exemplo de civilidade, principalmente se comparado com os europeus bárbaros - que faziam guerra apenas por fazer e diziam que era a vontade de Deus. No filme, aparece exatamente essa civilidade de forma gritante. O mais interessante do filme não é o Orlando Bloom ou qualquer outro ator. O mais legal é a tensão sobre quem controlará Jerusalém. Uma pena o filme ser financiado por estúdios americanos. Fosse uma produção européia talvez a história da cidade mais cobiçada da história da humanidade estivesse no centro da narrativa.
maio 05, 2005
Chuva, feriado e preguiça
Quer ler as más ou as boas notícias antes? Bom, a má notícia é que chove há três dias sem parar. A boa é que hoje é feriado e poderemos passar o dia sem sair de casa! E tem mais: os suecos - pasmem! - também dão uma enforcada básica na sexta-feira que sobrou da semana e eis que temos um super-feriado de quatro dias. :c)
Ontem partimos para uma expedição exploratória do Willy:s (se lembra, Marcinha?), hipermercado barateco distante 20 minutos de carro daqui de casa, já que estávamos a zero no quesito alimentos. Na volta, não resistimos e paramos na loja de eletrônicos (vulgo "Ursos playground"). Saímos de lá quase ilesos: compramos o DVD do "Nome da Rosa". :c)))
Acabei de ler "Brick Lane" e... gostei. Assim, assim. Tem partes muito emocionantes e bem escritas, mas eu cortaria umas 100 páginas do meio que mais me parecem a boa e velha encheção de linguiça. O mais interessante é que a Monica Ali escreve de forma bem descritiva, sem muita análise subjetiva de emoções. As emoções estão lá no livro sim, mas são descritas, não sentidas. Dá pra entender?
Bom, enquanto você senta aí na frente do computador e pensa na profundidade da minha análise escrita no parágrafo acima, vou ali na sala me esticar no sofá, ver a chuva cair e me entreter com as aventuras do lindão do William de Baskerville, ok?
Tatá!
maio 04, 2005
Virei colunista
Quarta-feira boba sem ter muito o que fazer? Dá um pulo no mais novo canal de notícias de tecnologia do site da Oi. Mais precisamente, leia a minha coluna, ou dê uma geral nos outros colunistas.
Te mete! Hohoho!
Teria de escrever sobre tecnologia, sendo uma ex-repórter da área e morando numa das regiões mais desenvolvidas nesse segmento no mundo, mas na verdade, a coisa da tecnologia é apenas um detalhe. Tentei quinhentas e cinco vezes escrever algo sério, taciturno, técnico e... não consegui. Ou melhor, consegui sim, porque os textos ficaram chatíssimos! Apaguei tudo e escrevi um post, como se o tivesse escrito pra publicar aqui no Montanha... Aí, deu certo.
maio 03, 2005
Dia Mundial da Liberdade de Imprensa
A jornalista Eva Elmsäter, dos Jornalistas sem Fronteiras, discursa em frente à imagem de Dawit Isaak em EstocolmoOs jornalistas suecos comemoram o Dia Internacional de Liberdade de Impressa com uma vigília de 24 horas em protesto contra o aprisionamento do jornalista eritreano-sueco Dawit Isaak, acontecida em 2001. Isaak, que é cidadão sueco desde os anos 90, foi preso sem acusações formais e senta numa prisão na Eritréia há quatro anos sem julgamento. A família dele, que mora em Gotemburgo, não sabe se Isaak está vivo ou morto.
As críticas dos jornalistas se dirigem antes de tudo à passividade da Suécia, que ainda "negocia" a situação de Isaak com as autoridades da Eritréia. Algumas cartas de leitores publicadas na página de opinião do meu jornal questionam a eficiência do departamento do exterior sueco, que parece uma lesma deprimida em se tratando de cidadãos não completamente nativos. Um dos leitores perguntou se o tratamento seria o mesmo caso Dawit Isaak se chamasse David Isaksson e fosse branco.
Preferidos, amados e relembrados
Uma flor de alface
"Numa das vezes que minha mãe esteve aqui me visitando, passamos muitas horas olhando e comprando saquinhos de sementes de verduras, legumes e flores. Minha mãe comprou uns saquinhos de flores californianas, que ela levou para o Brasil e plantou. Meses depois, conversando pelo telefone, ela me contou que as flores tinham crescido e estavam lindas. Ela também me contou que uma das sementes do saquinho não cresceu flor. Para a surpresa da minha mãe, no meio das flores californianas cresceu um pé de alface, que foi colhido, devidamente lavado e virou uma bela salada!"
Fer Guimaraes Rosa, January 11, 2005
Saindo à francesa
Você de repente reparou que eu não estou mais presente, que saí de fininho e ninguém nem viu, que decidi não participar, que não sou dessa tribo, que prefiro não saber, que eu quero paz e tranqüilidade, que eu fiquei perplexa e não quero mais compactuar, que sumi do mapa, você nunca mais me viu, nem ouviu falar de mim, nem ouviu de mim. É assim mesmo, vai se acostumando, pois eu sempre saio à francesa quando não me sinto mais confortável para ficar.
Fer Guimaraes Rosa, May 01, 2005

