julho 29, 2005

Parabéns, vó!

vovo_celia_peq.jpg

Minha querida vovó Celia.


Hoje é aniversário da minha avó Celia, que está fazendo nada menos do que 93 anos. Vó, parabéns! Te amo MUITO. Um beijo enorme!

A palavra em sueco do dia é mormor [murmur], vovó (do lado da mãe, literalmente "mãe da mãe").

Escrito por Maria à s 07:41 AM | Mais: Aniversários | Comente! (17)

julho 28, 2005

Papos na Nigella

Absolutamente fascinada pelo fórum de discussão no site da Nigella, onde pessoas interessadas por comida em geral e tudo o que gira em torno de comida em particular, se encontram. Um dos meus favoritos: monica e seu tópico: "The Bitch is Back", sobre a irritação com a ignorância dos empacotadores dos supermercados britânicos, que praticam a heresia de colocar na mesma sacola galinha crua e salame. Oh, dear.

Os nomes são outro achado. Dustbunny, Wildrose, Cake eater e, claro, Domestic godess, fazem a festa no meio de muita piada, comentários do dia-a-dia de cada uma e receitas, muitas receitas. Mas tem mais diversão. Natasha g escreve no tópico "Just to be nice":

"Inspired by Clarebear's strand about the paella, I was wondering what other people have eaten just to be nice."
Eu já comi várias vezes apenas para não fazer uma desfeita para a(o) dona(o) da casa. Afinal de contas, que tipo de canceriana seria eu se não tivesse feito isso? :c) (Mas de "canceriana bocó" eu tenho pouco. Me ajudam muito nessa empreitada minha lua em Áries e Urano, localizado na minha primeira casa. Ambos me demovem da necessidade quase patológica de agradar. Afinal, para coroar tudo, meu ascendente é libra! Vai agüentar uma coisa dessas! Thanks god for Aries!)

Sou fã da Nigella já tem tempo. Leia meu primeiro texto sobre ela, aqui.

A palavra em sueco do dia é mat [móót], comida.

Escrito por Maria às 06:37 AM | Mais: Cultura e comida | Comente! (12)

julho 27, 2005

Chatô e o trabalho

Estou me divertindo muitíssimo com o livro do Fernando Morais, "Chatô, rei do Brasil" (obrigada, Ka!). Leio agora sobre a conspiração que envolveu a eleição de 1930, além da revolução, com Chatô apoiando Getúlio Vargas. É muito interessante reafirmar o que nós, soldados-rasos da imprensa brasileira, já sabíamos: o jornalismo brasileiro nasceu de necessidades políticas. Nada mais. Essa coisa de reportar o que acontece, é puro romantismo.

Confesso que sempre fiz pirraça contra esse livro - visto que o estou lendo dez anos depois de seu lançamento! A explicação é simples: a obra era o livro de cabeceira dos meus colegas de turma na ECO, Escola de Comunicação da U.F.R.J., o que me fez, por rebeldia, nunca querer tocar num volume. A galera da ECO, a maioria gente muito boa, era ainda assim fundamentalmente diferente de mim (vários fatores que não vêm ao caso aqui).

Dan.jpg Sve.jpg Dan.jpg Sve.jpg

Mudando de assunto: Li um artigo de opinião no meu jornal de hoje dizendo que a lei sueca de proteção aos empregados, o sonho dourado de qualquer país socialista, está ajudando a enterrar o país numa recessão seríssima. A situação é complicada. É difícil demitir uma pessoa com emprego fixo, o que, aliás, é muito positivo. O problema é quando essa pessoa está de saco cheio de trabalho dela e não tem coragem de pedir demissão porque aí perde todos os direitos trabalhistas, sem contar na dificuldade de encontrar um outro trabalho fixo.

A taxa de desemprego bateu os 5,6% em 2005, o que é muito para um país pequenino como a Suécia. Ninguém contrata, poucos são os que investem. Empresas suecas, como Electrolux, demitem seus trabalhadores aqui e se instalam em países onde a mão-de-obra é mais barata e os impostos menores. O Banco Central sueco, totalmente independente do governo, resolveu baixar ainda mais a taxa de juros para tentar acelerar a economia. Sem muito sucesso.

É grande o número de pessoas que ficam "doentes" por conta dessa paralisia. A palavra está entre aspas porque na verdade as pessoas ficam é deprimidas com a situação que não muda e sentem-se impotentes para alterar sua vida de forma decisiva. Aí é que aparece um fenômeno muito sueco, o chamado sjukskrivning, ou quando a pessoa vai ao médico pedir para ficar em casa por estar "doente". Essa "doença" pode ser corporal (gripe, perna quebrada etc) ou mental (desânimo, depressão, ansiedade). O problema aqui é que são governo e empregadores que arcam com as despesas desse processo, o que causa um ônus terrível para ambos os lados.

Há uma tentativa dos partidos de esquerda, especialmente o partido verde, de dar um ano livre, durante o qual a pessoa receberia apenas uma parcela de seu salário e poderia tirar folga ou tentar iniciar seu próprio negócio. Nesse meio tempo, o trabalho dela seria feito por um estagiário. Isso ajudaria a quem precisa mudar de ares e também a quem está à margem do mercado de trabalho. Mas esse projeto, assim como tantos outros, é financiado pelo governo, o que limita seu alcance.

Em comparação com o mercado de trabalho do Brasil, o único que conheço, o mercado de trabalho sueco parece um muro altíssimo e intransponível para quem não tem os contatos certos. Quem está dentro do terreno protegido pelo muro, está seguro, mas morre de chatice e depressão - porque mudanças não são admitidas, em nome da segurança! A quem está do lado de fora simplesmente não é permitida a entrada, porque as empresas não estão a fim de pagar impostos exorbitantes ao governo por cada pessoa empregada.

A Dinamarca, país-irmão, tem um mercado de trabalho semelhante ao americano (e ao brasileiro). É mais fácil perder o emprego, mas também muitíssimo mais fácil achar outro. Por outro lado, trata-se de um mundo muito mais selvagem. Quantas são as pessoas com mais de 55 anos que conseguem empregos decentes no Brasil? E nós, imigrantes, como é que ficamos? Sim porque tenho a impressão de que a situação dos imigrantes na Dinamarca não é melhor do que aqui do outro lado do Öresund... Ou será que é?

A palavra em sueco do dia é arbete, trabalho.

Escrito por Maria à s 02:01 PM | Mais: Europa & Escandinávia | Mais: Livros | Comente! (17)

julho 26, 2005

Tra-lá-lá

maluco.gif

A segunda palavra em sueco do dia é galen [góólen], maluco.

Escrito por Maria à s 09:32 PM | Mais: Pra frente é que se anda | Comente! (9)

De canivetes e decepções

No primeiro dia em Londres, quando visitamos o London Eye, fomos submetidos a uma revista rigorosa, durante a qual precisamos abrir nossas mochilas (tínhamos chegado de trem para passar a noite) e mostrar tudo o que tinha dentro. Meu urso, sueco até a alma, carregava consigo um canivete, que nunca deixa seus bolsos. Nervosa, disse: "Você deixou o canivete em casa, né?". A cara de nervoso dele me respondeu mais eloqüentemente do que mil palavras.

O guardinha achou o canivete e disse: "Well, well, well, what do we have here!", numa voz meio de piada. O resultado é que meu urso acabou tendo que deixar o canivete com o guarda, em troca de um recibo. Essas revistas se repetiriam em todas as atrações da viagem, sempre com o mesmo resultado. Aí, quando voltei pra casa, li no meu jornal uma notinha que me chamou atenção novamente pros canivetes.

A repórter Jane Magnusson também viajara com seu canivete. Só que ela esqueceu de tirá-lo da bagagem de mão. O canivete foi então devidamente confiscado no check in no aeroporto e ela, claro, nunca o viu novamente. (Isso aconteceu comigo também quando voltei do Brasil pra Suécia em 2002, só que ao invés de um canivete, os guardinhas do Galeão enburraram com a minha pinça.)

Mas o mais interessante é que depois do ataque aos EUA em setembro de 2001 as únicas duas empresas fabricantes dos chamados canivetes suíços entraram em seríssimas dificuldades econômicas. Uma delas decretou falência no último mês de abril. A Victorinox parece ainda estar de pé, até porque o exército suíço continua fornecendo a todos os seus soldados um canivete cheio de ferramentinhas.

Aí, Magnusson termina sua pequena notícia com uma conclusão controversa: "O que é interessante, no entanto, é que o terrorismo nesse caso acabou por levar à [utilização e fabricação] de menos armas". Eu, particularmente, prefereria um mundo cheio de canivetes e com menos extremistas de todos os calibres, raças e religiões.

É muito engraçada essa coisa de decepção. Sem perceber, construí uma persona aqui, através dos textos que escrevo no Montanha e isso, incrivelmente, está trabalhando ao meu desfavor. Fico até com a sensação de que não posso escrever o que quero, mas apenas o que vocês acham que eu devo, o que fica "bem" para mim, escrever. Olha, isso eu não faço não, tá? E tem mais: só se decepciona quem idealiza. Pés no chão, camaradas! E vamos em frente.

A expressão em sueco do dia é Strunta i det!, Deixa pra lá!

Escrito por Maria à s 10:57 AM | Mais: Europa & Escandinávia | Mais: Irritação e ironia | Comente! (23)

julho 25, 2005

Hohoho

Iwin.jpg

:cD

a segunda palavra em sueco do dia é slut, fim.

Escrito por Maria à s 07:47 PM | Mais: Europa & Escandinávia | Comente! (13)

Triste

Ainda estou penalizada pelo que aconteceu a Jean Charles de Menezes, o eletricista que morreu por engano em Londres. Tive pena porque, ao que parece, ele era uma pessoa de bem, trabalhador, com seus papéis em ordem. Ao mesmo tempo, no entanto, fico dividida em meio a razão e a emoção.

Instintivamente, sinto raiva da polícia britânica, que não foi capaz de fazer diferença entre um terrorista e um trabalhador. Mas, por outro lado, compreendo a decisão dos britânicos de atirar na cabeça, pra matar. Isso faz parte das novas direitrizes anti-terrorismo adotadas depois dos atentados de 7 e 21 de julho.

Jean Charles tinha tudo contra si: era evidentemente não-britânico; usava roupas demais pro verão inglês; morava numa região meio barra-pesada; não parou quando a polícia mandou; e teve ainda o azar de resolver correr em direção a uma estação de metrô, o alvo favorito dos terroristas, quando a decisão certa teria sido parar.

Vou escrever aqui pra deixar bem claro minha posição: lamento o ocorrido, mas acho que a polícia fez o que devia. Estive em Londres, vi como as coisas estavam tensas. Não é fácil compreender um ato selvagem desses - nem o dos terroristas nem muito menos o da polícia que, concordo, deveria ter tido mais sangue-frio. Mesmo assim, defendo meu ponto de vista lembrando da sensação de nervoso que senti andando de metrô pra cima e pra baixo.

Foi realmente lamentável o que aconteceu com o pobre do eletricista, mas olhando racionalmente, a polícia cumpriu o seu dever. Erradamente, claro, mas cumpriu.

Mas, não é apenas isso que me deixa dividida nessa história toda. Uma coisa que me deixou reticente foi o fato de o governo brasileiro ter "pedido explicações" sobre o acontecido à polícia britânica. A razão para minha irritação? Reproduzo o post da Bia Badaud:

O governo brasileiro vai pedir satisfações ao governo inglês a respeito do brasileiro morto 'por engano' pela polícia inglesa.

E os milhares de brasileiros inocentes mortos pela polícia brasileira, aqui no Brasil? Comé que vai ficar?

Discussão nos comentários. Mas, por favor, make sure that the brain is in gear before engaging the mouth - and mind the gap!

A palavra em sueco do dia é orättvisa [urétvíísa], injustiça.

Escrito por Maria à s 10:40 AM | Mais: Europa & Escandinávia | Comente! (25)

julho 24, 2005

Engenharia genética

Os primeiros indícios apareceram na Inglaterra, onde enfrentamos 30 graus e eu achei que ia morrer. Mas hoje confirmei: com toda a certeza, meu DNA mudou. Acabamos de chegar em casa depois de sair para comprar algumas coisas no supermercado. Está garoando, 13 graus. Eu, de jeans e camiseta, achei a temperatura uma delícia.

A palavra em sueco do dia é mutant, mutante.

Escrito por Maria às 03:34 PM | Mais: Vidinha | Comente! (15)

julho 23, 2005

Vitriolica

Já tinha que ter saído de casa há horas, mas chove muito no reino de Carlos Gustavo e Sílvia. Paciência. Não há de ser nada. Santo Júpiter há de prover. Vamos em frente. Olha o que descobri num passeio na BBC:

jar_unkemptwomen_blogspot.com

Inglesa, ilustradora, blogger, vivendo atualmente em Portugal. Politicamente incorreta e deliciosamente talentosa. Fiquei morrendo de raiva de algumas coisas que ela escreveu lá, o que meio que me tirou o tesão, mas, me rendo, as ilustrações são ótimas. Vai ver que sou eu que não captei o humor da figura.

A palavra em sueco do dia é burk, pote, jarra.

Escrito por Maria às 12:07 PM | Mais: Variedades | Comente! (9)

julho 22, 2005

Quebrando a cabeça

Sou uma criatura de poucos vícios. Tirando chocolate, que evito antes das seis da tarde para me manter civilizada, nada me tenta mais do que o normal. Mas aí, a gente inventa de ir visitar uma amiga querida na Inglaterra, um país que está sendo conquistado por uma febre irreversível: o quebra-cabeça japonês SuDoKu - e me vejo completamente bouleversé.

Sudoku.gifMuitas vezes, enquanto andávamos de metrô e eu tentava me acalmar olhando para os tranqüilos cockneys lendo seus livros, indiferentes à ameaça de bombas e atentados, via muitas pessoas de caneta na mão, concentradíssimos, a rabiscar incansavelmente em pedaços de jornal.

Um dia, ao meu lado no metrô, uma senhora passou os 20 minutos da viagem debruçada sobre num diagrama quadrado, formado por 81 quadradinhos, onde podia-se ver alguns números já pré-impressos. Fiquei fascinada com aquilo. Numa visita à Borders de Bournemouth, vi que existiam até livros sobre o quebra-cabeça. E há também uma home page oficial, que fica em www.sudoku.com (em inglês).

O SuDoKu é um jogo feito de números, cujo objetivo é colocar números de 1 a 9 em cada quadradinho do quebra-cabeça, sendo que não se pode repetir números na horizontal, nem na vertical, nem no quadrado interior, formado por nove quadradinhos. O jogo é simplérrimo (mas difícil de explicar, como repararam pela tentativa acima). Não é necessário conhecimento matemático, mas paciência e pensamento lógico - o que por si só já pode ser bem difícil de se alcançar.

Eu ainda sou um fracasso total. Vivo errando alguma coisa e meus números sempre se enbolam. Meu urso é mais bem-sucedido, mas eu não falo nada senão ele fica impossivelmente convencido. :c) Mas é divertido mesmo tentar descobrir onde a sua escolha deu errado, até porque todos os quadradinhos são interligados e interagem (o que faz do SuDoKu um jogo filosófico). Já existe SuDoKu na Suécia, nos jornais mais populares. Mas a febre ainda não conquistou espaço na alma nativa, totalmente devota às palavras-cruzadas.

Leia na Wikipedia a explicação do SuDoKu em português.

A palavra em sueco do dia é mani, mania.

Escrito por Maria às 11:38 AM | Mais: Variedades | Comente! (21)

julho 21, 2005

Mais uma vez?

involucao.gif

Será possível?

Mudando de assunto. Terminei de ler The Curious Incident of the Dog in the Night-time, de Mark Haddon, e ainda estou com a voz do protagonista, Christopher Boone, na minha cabeça. Quem escreve é o próprio Christopher, que tem 15 anos e Asperges (uma forma de autismo). Ele detesta ser tocado e precisa se lembrar como são faces felizes e tristes. Quando o mundo fica muito confuso, ele pensa em problemas matemáticos, para ficar calmo. Ele ama padrões, ritmo e fala sempre a verdade.

O livro é delicadíssimo. Seguimos Christopher em suas aventuras e nos malabarismos que precisa fazer para realizar seu projeto (não conto o que é pra não estragar a experiência de quem quiser ler o livro depois). Christopher entende o mundo de forma muito diferente e sua imaginação é transcendental. O autor, Mark Haddon, que escreve livros para crianças e adolescentes, ganhou uma série de prêmios por essa obra. No meio da leitura me vi contemplando várias coisas lá escritas como verdadeiros pensamentos filosóficos. Recomendo muitíssimo.

Agora começo a ler "Chatô: o rei do Brasil", do Fernando Morais, que ganhei de presente da minha querida Karenin. Valeu, queridoca! :c)

A segunda palavra em sueco do dia é bok [búúk], livro.

Escrito por Maria à s 03:48 PM | Mais: Europa & Escandinávia | Mais: Livros | Comente! (7)

Janela de comentários

Três pessoas já me escreveram dizendo que não estão conseguindo abrir a caixa de comentários aqui do Montanha. Eu também não estou conseguindo, mas contorno o problema clicando com o botão direito do mouse e escolhendo a opção "abrir em outra janela", ou seja lá como esteja escrito no seu browser. Comigo, funciona. Vou tentar ver o que é que está acontecendo e já já volto.

A palavra em sueco do dia é hake, defeitinho.

Update :: Já voltou a funcionar, pelo menos pra mim. Se você consegue abrir a caixa de comentários desse post (ou de qualquer outro), pode deixar um comentário dizendo isso, please? Obrigada!

Escrito por Maria à s 11:35 AM | Mais: Irritação e ironia | Comente! (10)

julho 20, 2005

Eu, o mundo

Hoje é dia de lavanderia. Está chovendo horrores lá fora. Fiz até dois filminhos com a câmera digital (de mais ou menos 20 segundos cada) mostranho o toró. À uma da tarde virou noite e choveu tanto que a visibilidade caiu a quase zero. Apesar dos trovões, três crianças saíram pra tomar banho de chuva aqui na frente do prédio. Me lembrei que fazia o mesmo quando morava numa vila em Botafogo há muitos anos atrás. A diferença é que eu era mais nova do que as crianças daqui e saía de casa só de calcinha, porque estava quentíssimo no Rio, apesar da chuva. Hoje é dia de ficar em casa, olhando a chuva cair. Meu urso já terminou de ler o Harry Potter (gostou muito) e eu estou quase acabando o The Curious Incident of the Dog in the Night-time, que ganhei de presente de aniversário da Marcinha. Mas escrevo sobre isso mais tarde. Hoje estou com vontade de fazer cadernos de colagem, combinar flores secas em cores pastéis, trocar os lençóis e deixar o quarto inteiro cheirando a lavanda. O mundo está londe de mim hoje.

A palavra em sueco do dia é regn, chuva.

Escrito por Maria às 02:31 PM | Mais: Vidinha | Comente! (6)

julho 19, 2005

Plurarismo e intolerância

lank2.gif

Acabamos de retornar de nossa primeira volta em Boden pós-Inglaterra. Impressão: senti muita falta de ver gente de outras cores que não a variação branca-braquela, branca-bronzeada da população sueca. Gosto de ver mais pluraridade. Aqui é preciso procurar muito pra achar alguém diferente. E por falar nisso, tenho lido muitos artigos de jornais ingleses e suecos sobre os quatro homens que se estouraram em Londres. Os que mais me chamaram a atenção foram os que retratam o recrutamento de jovens europeus, nascidos aqui de pais imigrantes, e que são mandados para escolas extremistas no país de origem de seus pais e avós.

Num artigo publicado no Daily Mail de ontem, David Jones escreve sobre sua visita a um bairro paquistanês na cidade de Leeds, de onde os quatro terroristas vieram. Entre outras coisas, ele descreve uma rotina de discriminação que é muito semelhante à sueca. Quem sabe o que é Rosengård, em Malmö, ou Rinkeby, em Estocolmo, compreende. Jones escreve que, em média, homens de origem paquistanesa e bangladeshi recebem £150 a menos, por semana, do que homens britânicos brancos. E mais: cerca de 40% dos jovens de Bangladesh estão desempregados – uma cifra altíssima se comparada a rapazes brancos da mesma idade.

Essa situação se repete na Suécia, com semelhantes números de desempregados entre imigrantes jovens de origem árabe ou africana. E isso NÃO É mera coincidência.

Não quero, com isso que acabei de escrever, colocar os jovens marginalizados na Inglaterra ou na Suécia numa posição de vítimas de um sistema injusto, mas, se pensarmos bem, é isso mesmo que acontece. A exclusão dos pobres no Brasil funciona da mesmíssima forma. A diferença é que a maioria das pessoas vítimas de uma economia perversa controlada por homens e mulheres conservadores (europeus ou sulamericanos) resolvem mostrar que têm valor de outra forma, principalmente através de um trabalho, e não explodindo ônibus e metrô, assaltando e matando.

No mesmo artigo, Jones escreve sobre as entrevistas que fez com muitos jovens britânicos filhos de imigrantes. Todos trabalhavam ou estudavam e a maioria tem uma vida muito boa (do ponto de vista material). Por que, então, se afiliar a esse tipo de extremista? Por quê procurar uma vida mirada no ódio e na destruição? Talvez, porque a exclusão seja um mal hereditário, assim como o ódio, que pode ser passado de geração para geração. Enquanto lia a matéria e tentava responder a essas perguntas, meu pensamento ia sempre à retórica dos neo-naz***as, que recrutam rapazes e moças perdidos, sem referências ou objetivo na vida, para seu movimento radical. É a mesmíssima coisa.

Meu pai me disse que fica muito feliz sabendo que o bin Laden afirmou que Suécia e Suíça são países seguros. Na minha pacata opinião, acho que isso não adianta nada. Osama e seus compadres querem provocar mayhem em grande escala, mas apenas em países envolvidos com os EUA de forma flagrante. Meu medo são esses rapazes e moças aparentemente estáveis, de boas famílias, mas que crescem assistindo seus pais lutar pra sobreviver na Europa inevitavelmente como cidadãos de segunda categoria e, mais tarde, sofrem o mesmo na pele. Meu medo é que de repente esse rapaz e essa moça se vêem no meio de um movimento radical e decidam fazer justiça divina com as próprias mãos.

A palavra em sueco do dia é hat [rróót], ódio.

Escrito por Maria à s 04:08 PM | Mais: Europa & Escandinávia | Mais: Vida de imigrante | Comente! (11)

julho 18, 2005

Nono e décimo dias

Já estamos em casa, em Boden, felizes e muito cansados. M&M fizeram a gentileza de nos levar de carro de Bournemouth até o aeroporto de Heathrow, em Londres, num trajeto de duas horas. Ah, detalhe: nosso avião sairia às 6h45m da manhã de hoje. Vai pro trono ou não vai? :c) Acordamos, todos, lá pelas três da matina e fomos tal e qual zumbis até o aeroporto.

Mas, ainda falta contar dos últimos dias. No nosso último final de semana na Inglaterra voltamos à lezeira habitual e ficamos apenas em Bournemouth, curtindo o sol e o calor (que melhorou muito). Tanto no sábado quanto no domingo fomos a pé ao centro da cidade, fizemos uma visitinha básica à Borders, onde compramos o novo Harry Potter e sentamos na sombra do parque pra almoçar, escrevendo postcards.

Passeamos ainda pelo mercado francês, que se estabelece na praça central de Bournemouth de quando em vez. Não me contive e comprei um sabão de lavanda que, mesmo enrolado num plástico, perfumou minha mala todinha; curry em pó (que também perfumou tudo, apesar de enroladinho); e gastei me last five quid num prato artezanal marroquino. Aliás, surpreendi meu urso, a mim mesma e ao vendedor, quando comecei a conversar com ele em francês (perguntei se aquilo era marroquino mesmo ou se ele estava me enrolando - hohoho). :c)

Faltou escrever no post de ontem

Impressões de Bournemouth:
Cidade costeira. Relaxada como o Rio. Muita gente de biquini e sandálias de dedos nas ruas. Dirigem como loucos. Cheiro de maresia exatamente igual ao da Urca. Ônibus amarelos. Muitas casas lindas pra vender. Especulação imobiliária. Internacional. Muitos franceses. Jardins pequenos porém lindos. Hortências, hortências e mais hortências.

Impressões de Londres:
Internacionalíssima. Moderna. Agitada. Apertada. Quente. Cheia de gente. Todo mundo com pequenas cordinhas brancas de seus iPods nos ouvidos. A maioria lia no metrô, calmamente, enquanto eu entrava em quase-pânico. Indianos, asiáticos, negros, bonitos, árabes, judeus, brancos, feios, ricos, pobres (mais ricos do que pobres). População simpática. Metrô apertadíssimo, mas eficiente.

A palavra em sueco do dia é intryck, impressão.

Escrito por Maria às 05:50 PM | Mais: Inglaterra | Comente! (17)

julho 17, 2005

Londres

14_visao_linda_aerea_final.jpg

Sétimo dia, 14 de julho
Saímos da estaçao de trem de Bournemouth rumo à Londres na quinta-feira, dia 14, cedinho. Durante a viagem, muito agradável, atravessamos o verdadeiro English Countryside, o que por si só já foi uma maravilha. Muitos cottages, vaquinhas, carneirinhos, campos verdes. Às dez em ponto da manha chegamos à estaçao de Waterloo.

Passamos por baixo do prédio da Shell (que definitivamente estraga a paisagem) e demos de cara com o London Eye e, do outro lado do Tamisa, as Casas do Parlamento e o Big Ben. Foi uma emoçao. Nao porque sempre tenha querido ver essa paisagem (well, uma parte de mim queria sim) mas por razoes mais pessoais que nao discutirei aqui.

Nessa hora, nao sabia pra onde olhava, se pro Big Ben, se pras Casas do Parlamento ou se pro London Eye, que é uma senhora roda gigante. Comentei sobre o tempo? Pois é, durante toda essa viagem, tanto em Bournemouth quanto em Londres, o sol brilhou de manha até a noite, de forma insistente e intensa. Em bom portugues: estava um calor de lascar côco a viagem toda.

Mas voltando: antes de entrar no London Eye, passamos por uma revista mais ou menos minuciosa nas nossas bolsas e por detectores de metal. Tudo verificado, entramos na nossa cúpula ovalada com ar-refrigerado. Foi uma viagem dentro da viagem. Londres cresceu à nossa frente: vimos a Catedral de St.Paul, o British Museum, o Tamisa dividindo a cidade ao meio como uma cobra verde-musgo. E, lá em baixo, os nativos, também chamados de Londoners.

Sim porque se tem uma coisa que eu gosto de observar quando viajo, além dos monumentos e das paisagens, sao os nativos. Me senti completamente a vontade em Londres. Nas ruas, fala-se todas as linguas e é relativamente raro escutar inglês. Sao muitos os orientais (japoneses e coreanos) e os indianos. Mas escuta-se também muito francês, holandês, português (muuuuito), húngaro (meu urso sabe como é) etc etc etc.

As saias das meninas inglesas estao curtíssimas, cortadas logo abaixo da bunda. Os rapazes parecem fazer questao de mostrar sua rebeldia por intermédio de cabelos cuidadosamente desarrumados e reforçados com gel (como o rapaz que nos vendeu os ingressos pra Torre de Londres, que mais parecia um porco-espinho muito bonitinho).

Bom, logo depois, atravessamos a ponte em frente ao Big Ben e nos dirigimos para o Palácio de Buckingham para ver a troca da guarda. Antes, porém, passamos pelo lindíssimo parque St. James. Nativos dando de comer aos patos, flores, gramados impecáveis, carvalhos mais do que centenários, uma coisa de looooouuuuuco.

Mas continuamos em frente, porque queríamos estar lá já que era na quinta-feira ao meio-dia que a Inglaterra pararia em honra aos mortos nos ataques terroristas do dia 7. Assim como nós, uma multidao teve a mesma idéia. Foi uma doidera encontrar um lugar ao sol, literalmente, pra ver os guardas com seus chapéus de pele de urso (coitado dos ursos e dos guardas, porque estava quente pra cacilda).

Mas, encontramos lugares, eu e Stefan, grudados nas grades do Palácio, M&M mais atrás. Eu e meu urso nos divertíamos escutando a duas adolescentes italianas, Julia e Isabella, que conversavam aos berros e faziam graça de absolutamente tudo. Quando a banda oficial deu o toque inicial para os dois minutos de silêncio, Julia perguntou a Isabella qual a música que eles tocariam naquele momento. Isabella, rápida como uma bala, respondeu: "La cucaracha". Sem comentários.

Antes do meio-dia, porém, todo o staff do Palácio saiu de seus escritórios e, enfileirados na frente do castelo, prestaram seu respeito aos mortos. A rainha também estava lá, mas eu nao vi. O calor estava tao forte que um senhor (ou senhora - nao deu pra ver de longe), sentado no monumento circular da Rainha Victória, em frente ao palácio, teve de ser retirado de ambulância.

Depois disso, nos sentamos no Parque Green, e comemos nossos sanduíches, que Marcinha havia preparado com tanto cuidado. Já meio exaustos (eu, pelo menos), seguimos em frente, pra procurar um metrô, que nos levaria ao British Museum. Pois é, andamos sim de metrô mesmo depois das bombas. Nao foi uma escolha, mas uma necessidade. Londres é enoooorme, e as atraçoes estao espalhadas para todos os lados, de forma que é imprescindível ter um meio de transporte barato e rápido.

Aqui, vale uma confissao: fiquei com muito medo de andar de metrô. Muito mesmo. Estava aflita o tempo todo: olhava desconfiada para tudo e todos, principalmente para homens/rapazes de aparência árabe viajando sozinhos. Logo eu, pensei, logo eu que detesto racismo, que acho a discriminaçao um dos atos de violência velada (ou nao) mais terríveis que existe, logo eu! Fiquei imediatamente com raiva dos idiotas que se explodiram no metrô e no ônibus em Londres, assim como os que fizeram/fazem o mesmo na Turquia, em Israel, no Iraque, no Afeganistao ou na Espanha.

Nao vou analisar profundamente o radicalismo islâmico, até porque nao tenho capacidade para tanto. Além do mais, pelo que li na imprensa britânica nesses dias, todos os líderes religiosos muçulmanos condenaram os ataques. Vi, inclusive, um desses líderes ser confrontado fisicamente na TV por extremistas londrinos. Já disse e repito: tenho horror a extremismo, seja ele muçulmano, sionista, cristao/católico ou qualquer outro.

Voltando: os vagoes de metrô estavam ainda mais sufocantes do que as ruas. E cheios. Cheiíssimos. Mas sobrevivemos. Logo estávamos no British Museum. Vimos a coleçao do Egito (aquela roubada no país pelos exploradores britânicos dos séculos passados e que o governo egípcio quer de volta), livros armazenados na biblioteca real, arte greco-romana, estátuas impressionantes, cabeças bizantinas (eu acho), budas, e muito, muito mais. A sala de leitura do museu é, por si só, uma maravilha.

Saímos dali direto pro hotel. No caminho, passamos pela Tavistock Square, ainda fechada pela polícia. Foi lá que explodiu o ônibus número 30. Uma hora depois, de banho tomado e meio famintos, saímos novamente. Passamos pela estaçao de King's Cross, onde uma das bombas explodiu. Foi tocante ver as flores deixadas num pequeno espaço criado para as homenagens. Uma bandeira verde, com uma bola vermelha me chamou atençao (veja foto no link acima). Nela, estava escrito que o Corao nao defende atos extremos como aquele.

Mais emocionante ainda foi ver os cartazes, espalhados por toda Londres, com fotos das pessoas que provavelmente foram mortas nos ataques, mas que ainda sao dadas como desaparecidas (por falta de identificaçao). Como Marcinha descreveu bem, deu um nó na garganta mesmo.

No final do dia, fomos para o Covent Garden. ADOREI. Lojinhas alternativas, restaurantes bacanas, feirinha, livraria Banana, bares, shows. Assistimos a um artista de rua sentados na calçada, comemos uma pizza, e fomos pro hotel, dormir.

Oitavo dia, 15 de julho

Meu aniversário! Acordamos tarde, ganhei presente de M&M com cartao lindo, nos vestimos, tomamos café e nos mandamos. Nossa primeira parada foi a Torre de Londres, onde passamos a manha e boa parte da tarde. Seguimos um Yeoman, que conta a história da Torre de forma interessante e engraçada para um mar de turistas; vimos as jóias da coroa (diamantes, rubis, safiras e opalas indianas e africanas) e nos divertimos com os corvos reais. A Torre Branca, onde ficam as armas, armaduras e a capela onde os condenados a morte passavam sua última noite vivos, dentre eles rainhas e reis, é visita obrigatória.

Depois de um almoço (= sanduíche de atum), comemos um pedaço de torta de chocolate belga (estava um sonho), cantamos parabéns, e nos dirigimos para um dos bairros mais chiques de Londres, Kensington, para visitar o Museu de Ciências e ver a exposiçao do The Hitchhiker's Guide to the Galaxy. Saímos de lá quando o museu já estava fechando (e eu ainda estava falando com meu pai no celular). Logo depois, M&M ainda acharam energia e simpatia para nos levar pra visitar a Harrod's. Nao comprei nada, mas quase pirei no departamento de louças e artigos pra casa.

Depois disso, pegamos o metrô novamente e fomos direto para Waterloo, aguardar o trem para Bournemouth, que saiu pontualmente às 20h5min. Duas horas depois, muito cansados, chegamos em casa. Queria dizer aqui, em público, meu MUITO OBRIGADA, à M&M, que foram companheiros de viagem excelentes, e que sem mesmo precisar ir a Londres, se prontificaram a ir conosco. Dear M&M, thank you very much for all these days. I thank you for your generosity, patience and friendship. Now we wait you in Sweden again!

Fotos novas!

A palavra em sueco do dia é engelska, inglês.

Escrito por Maria às 10:22 AM | Mais: Inglaterra | Comente! (14)

julho 13, 2005

Sexto dia

quarta_guiness.jpgDia muito preguiçoso. Acordamos tarde, tomamos café e fomos dar uma volta no centro de Bournemouth. Na hora do almoço (lá pelo meio da tarde), entramos em um pub, comemos sanduíches com Guiness (eu e Marcinha tomamos coca-cola). Voltamos, assistimos a Shrek 2 no DVD, e daqui a pouco vamos jantar (curry by Mr.M). Estamos, na verdade, armazenando energias porque amanha o dia será cheio. :c)

A palavra em sueco do dia é lat, preguiçoso.

Escrito por Maria às 08:01 PM | Mais: Inglaterra | Comente! (26)

julho 12, 2005

Quinto dia

terca_stonehenge_placa.jpgDia especialíssimo: hoje fomos a Stonehenge.

O monumento é liiiiindo, no meio de um campo enorme, onde parecem existir fazendas. Estava cheio de turistas, que congestionavam o túnel de entrada, no sol de 35 graus (estimados). Antes, porém, fila pra comprar o tíquete e pra pegar uma espécie de telefone com a história de Stonehenge gravada em diversas línguas. O local é dividido em sete pontos. Quando se passa por um ponto, digita-se o número e ouve-se a história daquele ângulo.

É muito engraçado na entrada do monumento: nenhum turista quase olhava pras pedras; a maioria ficava sentada na grama em frente, tomando sol ou de costas para Stonehenge. Todos, velhos, moços e mais ou menos, ouvindo a voz gravada em japonês, sueco, inglês, espanhol, holandês ou alemao. Eu, pra ser sincera, fui menos compenetrada. Desliguei o trequinho e fui andando até as pedras, que nao podem ser tocadas, mas podem ser vistas de pertinho.

Só tenho uma coisa a dizer: É O MAIOR BARATO!!! Vejas as fotos novas aqui. Agora eu e meu urso começaremos a preparar o jantar de hoje, que será sueco. Faremos ugnspannkaka, uma panqueca de forno, que leva ovo, leite, farinha, sal e manteiga. Come-se geralmente com geléia de blueberry (que compramos no Sainsbury's). Cheers! :c)

A palavra em sueco do dia é sten, pedra.

Escrito por Maria às 05:13 PM | Mais: Inglaterra | Comente! (7)

julho 11, 2005

Quarto dia

segunda_village10.jpgE hoje fomos aa Poole, andamos de ferry, visitamos o Corfe Castle (leia mais nesse post que a Marcinha publicou aqui) - nao exatamente nessa ordem. Estou completamente apaixonada pela regiao de Dorset: pequenas montanhas todas verdes, cottages liiiindos, flores, natureza, agua, barcos e praias. Veja as fotos, aqui!

O calor estah impressionante. Mr.M fez ateh uma estripulia e comprou um ventilador. :c) Andamos de um lado para outro com garrafas d'agua e/ou sorvetes na mao. Alias, o que seria da civilizacao moderna sem os sorvetes? Meus pes estao inchados e acho que eh o calor, acredite se quiser (jah aconteceu isso uma vez comigo, quando estava no Mexico, a trabalho, e estava quente pra dedeu lah tambem).

Andamos pela cidadezinha que rodeia o Corfe Castle, que eh uma das coisas mais lindas que eu ja vi na vida. O castelo e o vilarejo datam do seculo X! Entrei numa lojinha do National Trust e quase pirei! Eh duro ser pobretona na Gra-Bretanha, viu? Travesseirinhos de lavanda, pout-porries das ervas mais fantasticas, xicaras, bolsinhas, chas das qualidades mais impressionantes... Tudo custando os olhos da minha pobre carinha.

Na volta passamos por Poole, uma cidade costeira/pesqueira bem bonitinha. Demos uma volta numa loja de ceramicas locais (nao comprei nada, claro, too expensive), tomamos uma coca-light no calor senegales ingles e fomos fazer compras no Sainsbury. Agora deixa eu ir ajudar aa Marcinha senao ela me poe pra trabalhar mais tarde.. HOHOHOHOHOH.

A palavra em sueco do dia eh by, vilarejo.

(Hej svärmor! Vi har det bra! Klicka här för bilderna! Puss och kram till alla!)

Escrito por Maria às 08:06 PM | Mais: Inglaterra | Comente! (9)

julho 10, 2005

Terceiro dia

domingo_brincos-de-princesa.jpgMarcinha tinha me dito que ia maneirar com as manias atleticas dela e de Mr.M quando chegassemos aqui. Mas, qual o que. Passamos o dia de hoje passeando pelo parque New Forest, no norte de Bournemouth. Andamos aproximadamente quatro quilometros - e eu jah tava pedindo penico quando terminamos a trilha. :c)

Nao, serio, que caminho LIIIIINDO! Arvores antiquissimas, carvalhos quase centenarios, pinhos gigantescos, flores, pedras e ateh cavalos selvagens. Lindo! Vimos inclusive um tratador alimentar os veados pertinho do publico. Tirei milhoes de fotos, logico. E estamos com muita sorte com o tempo: sol fortissimo e calor de 28 graus. :c)

A palavra em sueco do dia eh promenad, caminhada.

Escrito por Maria às 07:45 PM | Mais: Inglaterra | Comente! (6)

julho 09, 2005

Primeiro e segundo dias

rua01.jpgPois eh, cah estamos nos, na Inglaterra. Yeap, viemos mesmo depois das ultimas loucuras terroristas. Nem passou pela minha cabeca desistir de vir depois das bombas em Londres. O mesmo vale para o meu urso, que com sua mente predominantemente pragmatica, disse: "Bom, agora que eles ja explodiram tudo o que tinham pra explodir, Londres eh uma das cidades mais seguras do planeta, ainda mais devido aa capacidade da policia inglesa".

Mas a nossa vinda tem tambem uma outra razao, claro. Nao estamos na capital, mas em Bournemouth, na casa da Marcinha e do Mr.M, que nos receberam com champagne e brioches feitos em casa!!!! E que apartamento lindo! Dormimos numa cama deliciosa e, luxo dos luxos, temos nosso proprio quarto e banheiro! Fiz um tour pela cozinha, where the magic happens, e vi todos os apetrechos de cozinha da minha querida Marcinha.

Chegamos em Heathrow ao meio-dia de ontem e nao tivemos problema algum nos controles de passaporte ou malas. Na saida, de carro pela M25, achei que tinha entrado no aviao errado e ido parar em Sao Paulo. A imagem eh quase a mesma. Soh os carros que teimam dem dirigir ao contrario. Isso, alias, eh enervante. Mas emocionante tambem. Mais ao sul, percebemos que estamos na Inglaterra: muitos montes, campos verdinhos e florestas. A coisa mais linda!

Depois de instalados, fomos dar uma volta por Bournemouth. Vimos aquelas casinhas geminadas com a façada de tijolinho, os jardins no fundo, na frente das casas flores lindas (Hortensias em todos os cantos. Bournemouth eh rodeado de hortensias!). Uma das ruas principais perto da casa de M&M eh cheia de lojas e restaurantes. Entramos numa loja de especiarias indianas e quase compramos nosso primeiro curry de verdade. :c)

Hoje, no segundo dia, saimos a peh ate o centro da cidade. Andamos por ruas liiiiiindas, com casas maravilhosas, com arvores ainda mais incriveis. Passeamos pelo centro, entramos em muitas lojas, vi 505 coisas que queria comprar, passeamos pelo parque onde havia show gay, fomos aa praia, vimos o pier, fizemos picnic na areia, bebemos nossa primeira pint num pub ingles e voltamos pra casa de onibus. Nunca imaginei que a Inglaterra fosse tao legal! :c)

Fotos!

A palavra em sueco do dia eh Storbritannien, Reino Unido.

Escrito por Maria às 07:02 PM | Mais: Inglaterra | Comente! (11)

julho 08, 2005

Stefan e Maria II

mala02.jpg

Fomos.


A palavra em sueco do dia é smekmånad [ismêkmôônad], lua de mel.


Escrito por Maria às 05:16 PM | Mais: De bem com a vida | Mais: Inglaterra | Comente! (12)

julho 07, 2005

Londres, 7/7

Que horror.


Escrito por Maria à s 10:33 PM | Mais: Europa & Escandinávia | Comente! (6)

julho 06, 2005

No arquipélago




Tem mais fotos lá no Flickr.

Ontem passamos o dia no arquipélago de Piteå, na casa de praia dos tios do meu urso, Mauritz e Veronica. Foi um dia maravilhoso. Chegamos a um pequeno porto na cidade de Jävre às 11 da manhã e eles nos buscaram no barco Miss Coconut. Cinco minutos depois, estávamos chegando à ilha onde eles têm sua casa de veraneio, stuga, em sueco.

A casa é linda, cercada de natureza literalmente por todos os lados, e com todos os confortos possíveis. Tem casa de hóspedes, sauna e até banheiro! Uma coisa. Comemos bem, bebemos ainda melhor (espumante e vinho tinto da Espanha) e lagarteamos no sol, que ninguém é de ferro. Me senti em Búzios. Estava quente, por volta dos 30 graus no sol, mas uma brisa suave vinha do mar e não deixava esquentar demais.

O resultado é que eu e meu urso ficamos completamente vermelhos. No final do dia fomos visitar Rönnskär, uma ilha de pescadores que hoje é um paraíso para quem gosta de vida marítima. Vimos o farol (urso subiu láááá em cima, eu não), as casinhas (hoje casas de veraneio), e a igrejinha. Chegamos em casa às dez da noite, exaustos, mas felizes. :c)

A palavra em sueco do dia é skärgård [chéérgôôrd], arquipélago.

sun.gifsun.gifsun.gif

pingreen.gif Dicas de leitura bloguística: Marina, mandando muitíssimo bem, sobre as verdades e as mentiras da vida na Suécia; e Karenin, inspiradíssima, contando como foi parir Antonio. Vale a pena.

Escrito por Maria às 08:43 AM | Mais: De bem com a vida | Comente! (16)

julho 05, 2005

Bate forte, coração

date.jpg

Esse blog é território de uma mulher apaixonada.

Escrito por Maria às 12:06 AM | Mais: De bem com a vida | Comente! (15)

julho 04, 2005

Animal

Está o maior xarivari aqui depois que os jornais suecos deram repercução à uma matéria na Veja sobre a igualdade desigual entre mulheres e homens na Suécia. O artigo diz, entre outras coisas, que apesar das aparências de igualdade entre os sexos, a Suécia tem um dos maiores índices de violência contra a mulher da Europa, ficando atrás apenas de Portugal. Está lá:

"A Suécia é um primor no que diz respeito à igualdade entre os sexos no trabalho e na vida pública. No Parlamento, 45% das cadeiras são ocupadas por mulheres, o maior índice internacional de participação feminina e quase o triplo da média européia. Por consenso entre os partidos políticos, elas também estão no comando de metade dos ministérios. Um terço dos cargos de confiança no governo é reservado para as mulheres. Em nenhum outro lugar da Europa é maior a presença feminina no mercado de trabalho e tão alta a média salarial, comparada com a masculina, como na Suécia.

Dentro de casa, infelizmente, a história é outra. A violência contra a mulher - incluindo aí espancamento doméstico, relações sexuais forçadas e constrangimento psicológico - é também uma das maiores da Europa. Nos últimos quinze anos, o número oficial de casos de violência contra mulheres na Suécia aumentou 40%. Em 2003, de acordo com um relatório da Anistia Internacional, 50% das agressões que chegaram ao conhecimento da polícia se referiam a surras aplicadas por marido, namorado e toda sorte de ex."

Eu já tinha escrito um pouco sobre isso, em março passado, aliás. O problema é que a matéria foi baseada numa entrevista com a embaixadora da Suécia no Brasil, Margareta Winberg (foto), que é uma figura bastante controversa aqui. Ela era vice-primeiro-ministro e ministra da igualdade, antes de ser mandada para beeem longe pelo primeiro ministro socialdemocrata, Göran Persson. Segundo o que li na época, foi ela quem "escolheu" ir pro Brasil.

Bom, o lance é que foi Margareta quem deu à Veja a incrível cifra de 40% de mulheres suecas brutalizadas. A origem desse número é o estudo de uma outra feminista notória e muitíssimo controversa, Eva Lundgren, da Universidade de Uppsala. Entre outras coisas, Eva Lundgren afirma que existe uma rede de pedófilos – todos homens – que fariam inclusive sacrifícios de bebês de forma sistemática, como uma forma de subjulgar as mulheres. Políticos e empresários estariam envolvidos. O lance é que ninguém sabe como Eva chegou a essas conclusões e nunca nenhum corpo foi encontrado. E ela é muitíssimo respeitada no mundo acadêmico, acredite se quiser.

Mas não é tudo. Esse assunto está quente por aqui porque tanto Margareta quanto Eva participaram de um documentário denominado "A guerra dos sexos", que passou na TV estatal sueca. O documentário mostrou uma série de absurdos cometidos pelos centros de apoio às mulheres, mais exatamente pela organização que os representa, Roks. A chefe desse Roks disse que acredita piamente na teoria de Eva Lundgren, sobre o sacrifício de bebês, manifesta que homens e mulheres estão em estado permanente de guerra civil e terminou sua entrevista dizendo que acredita que "Homens são animais".

Vale lembrar que a taxa oficial de violência contra a mulher é 3%, mais ou menos, como explica Peter. Os socialdemocratas estão caladinhos, mas os cristãos-democratas já pediram a cabeça de Winberg. Além disso, uma comissão de avaliação foi instituída para analisar os estudos de Lundgren – o que é uma atitude seríssima. Tá parecendo caça às bruxas. Eu particularmente fico com pena que pessoas instruídas como essas mulheres digam tantos absurdos. Isso só contribui para que o feminismo como um todo seja ridicularizado e descreditado como solução para o problema da desigualdade social e econômica entre os sexos.

Defendo uma análise socio, politico e econômica baseada em nuances. Não adianta chamar todos os homens de "animais" e achar que todo mundo vai concordar. Isso porque é claro que não são todos os homens que batem em suas mulheres/namoradas. O problema, segundo essas feministas, é que eles são violadores "em potencial" – todos eles. Por isso são chamados de animais. Eu me considero feminista, mas tenho até vergonha de dizer isso em público por aqui porque as pessoas acham que eu detesto homens em geral, o que não é verdade.

A palavra em sueco do dia é extremist, extremista.

Escrito por Maria à s 04:33 PM | Mais: Europa & Escandinávia | Comente! (10)

julho 03, 2005

Montanha 3.1

geekier.jpg
Marcinha, poderosa.

O Montanha mudou de servidor. A mudança, praticamente painless, aconteceu graças à paciência, à tenacidade e à incrível capacidade nerdística da minha querida amiga Marcinha, que fez tudo sozinha. Querida, nem sei como te agradecer. OBRIGADA!!!!! Você fez por merecer o botom "Geekier than thou", conferido apenas ao supergeeks do mundo. :c)

Se você, leitor(a), está aí lendo isso aqui é porque a rebinboca da parafuseta do DNS do servidor já replicou tudo o que tinha que replicar e o meu domínio já foi redirecionado para o novo serviço. Isto é, já estamos no servidor novo. Quem, por um acaso, estiver lendo isso aqui, poderia fazer a gentileza de deixar um comentário dizendo se está vendo tudo direitinho? Obrigada!

A palavra em sueco do dia é ändringar, mudanças.

PS.: Queria agradecer a todos vocês que comentaram no post abaixo, sobre o nosso casamento. Eu e Stefan ficamos muito felizes com as mensagens e os votos de felicidades. Um abraço em todos!

Escrito por Maria à s 10:39 PM | Mais: Pra frente é que se anda | Comente! (23)

julho 01, 2005

Stefan e Maria

3908.gif

Nos casamos.

No civil, na prefeitura de Boden, apenas a família e uma amiga íntima, que por acaso estava na cidade de férias. Decisão tomada na segunda, executada hoje (viva a burocracia desburocratizada sueca!). Dia lindo, sol brilhando e calor de 23 graus. Eu vestia rosa, meu urso de terno preto. Eu usava uma guirlanda de flores na cabeça e um buquê combinando. Meu urso estava lindo. Nos meus pés, as sandálias de salto que usava quando aprendia a sambar com Carlinhos de Jesus. Em casa, torta de chocolate e champagne. Viva! :c)

bolinhazinha06.gif A palavra em sueco do dia é bröllop [brôlôp], casamento.

(Ilustração, Leo Martins.)

Escrito por Maria à s 03:49 PM | Mais: Aniversários | Mais: De bem com a vida | Mais: Vidinha | Comente! (61)

A Nova Casa da Maria

MariaHome.jpg

Querida Maria,

Eis sua nova casa, neste novo momento de sua vida.
Que você preencha estas páginas em branco com muitas conquistas, alegrias e boas surpresas.

Tem algumas coisas ainda fora do lugar, mas aos poucos a gente vai arrastando os móveis, pintando as paredes e cobrindo de flores.

Beijos da Márcia.

:o)

Escrito por Maria à s 03:00 PM | Mais: Pra frente é que se anda | Comente! (3)