agosto 28, 2005
Hotel Rwanda
Assistimos ao filme Hotel Rwanda ontem à tarde e eu ainda estou pensando nas coisas que vi, na realidade que não fazia idéia existia. O filme é espetacular. Meu maior medo, de que veria a violência gráfica causada por facões e machadinhas, não se realizou. Mas, se por um lado quase não se vê sangue, por outro a violência e o ódio entre iguais são evidentes - e chocantes.
Agora, foi roubalheira o Don Cheadle não ter ganho o Oscar de melhor ator. Ele é fenomenal. Mas o melhor do filme é, além da história de solidariedade do protagonista, o retrato da ausência de interesse das Nações Unidas em ajudar o povo tutsi, que foi massacrado em dias pelos hutus no verão de 1994. Ficamos, eu e meu urso, boquiabertos com a atitude indecente dos europeus durante o conflito. Que vergonha!
Me lembro que estava estagiando no Globo nos primeiros meses de 94. No segundo mês trabalhei na editoria de Internacional. O trabalho se resumia a sentar na redação e a redigir, com a ajuda de notícias das agências internacionais, matérias completas e claras sobre os assuntos mundiais. Me lembro nitidamente que trabalhei muito em textos sobre o conflito em Rwanda, mas confesso, com vergonha, que para mim a carnificina africana não passou de um exercício estilístico.
A palavra em sueco do dia é att skämmas [att chémas], envergonhar-se.
agosto 27, 2005
De volta
...e acabaram as férias do Montanha. Who am I kidding? Adoro isso aqui e não dá pra ficar longe, nem quando o mundo vem abaixo em diversas áreas da sua vida, você está prestes a deixar sua casa para enfrentar mais um ano longe do urso amado (e agora marido) e chove. Se bem que hoje está o maior sol lindo de morrer. :c) Paulo Coelho* diria que o universo está conspirando para me jogar a diante, longe da minha zona de conforto, à frente e avante! Então tá. Lá vou eu.
Mas, antes: Alugamos ontem dois filmes na locadora, "Kinsey", com o gostosão do Liam Neeson; e "Hotel Rwanda", que ainda não assistimos. O "Kinsey" foi interessante e divertido, porque conta como esse homem interessado por insetos divisou o maior estudo sobre a sexualidade humana até hoje. Eu não sabia que o team do Dr. Kinsey tinha um papel, digamos, ativo na pesquisa... :c) Bacana.
Agora vamos sair para mais um de nossos passeios, um dos últimos antes do ano começar (sim porque o ano aqui só começa depois do verão, assim como no Brasil só começa depois do carnaval). Update :: Acabamos de voltar de Luleå, onde havia festa na rua principal (que é fechada ao trânsito), com tendas de rádios, karaokê infantil e até ópera. Almoçamos/jantamos por lá e chegamos em casa agora. :c)
* E eu li "O Alquimista"! Esqueci de escrever lá no LivrosLivrosLivros!
A palavra em sueco de hoje é tillbaka [tillbóóca], de volta.
agosto 26, 2005
Escolhas
E porque sempre há uma escolha a ser feita na vida, escolho não deixar minha sensação de surpresa e desapontamento tomar conta; me nego a sofrer pelas dificuldades alheias. Depois de muito pensar, não acho que tenha feito algo de errado ou deixado de fazer algo certo. Mas, o mais cruel dessa coisa toda é exatamente a impossibilidade de saber o que aconteceu. Depois da pergunta, da curiosidade amiga, o silêncio. Isso não se faz.



E ontem foi um dia ótimo. Saímos pela manhã em direção à casa da minha sogra, que nos esperava feliz. Urso montou a churrasqueira e instalou iluminação na estante nova (sogra se mudou durante o verão). Eu fiz quase nada, mas ajudei a limpar tudo depois do jantar. Sobremesa: sorvete de framboesa. :c) Demos uma volta no quarteirão, nós três, e vimos a chuva cair até tarde. It turns out you don't need much to be happy.



Hoje chove e o céu está cor de chumbo. Mas tudo bem, afinal, é sexta-feira. Teremos jantar caprichado (achamos um arroz temperado que promete), dengo e tals. Meu urso está em casa e eu me sinto realmente bem. Além disso, uma das pessoas mais delicadas que "conheço" recebeu um presente e tanto. Carola, minha querida, parabéns pela novidade. Estou aqui torcendo por você. Beijocas e muita saúde!
A palavra em sueco do dia é val [vóól], escolha.
agosto 25, 2005
Difícil
Uma das coisas mais complicadas da vida é o relacionamento humano. Quando a gente acha que está agradando, está, na verdade, fazendo papel de bobo. Quando adora uma pessoa e diz, honestamente, uma coisa para ajudar está, na verdade, invadindo a privacidade dela. O relacionamento de amizade e/ou parentesco representa também uma série de expectativas. Não corresponder às expectativas (suas ou dos outros) representa inevitavelmente frustração.
Você espera que a pessoa continue a se comunicar como antes; você acha que nada mudou, mas como saber? O pior de tudo é o silêncio magoado, de quem não ousa dizer o que sente - ou simplesmente não consegue organizar seus pensamentos o suficiente para explicar o que está acontecendo. Enquanto isso, você fica lá, achando que é uma merda ambulante.
Aí, de repente, acontece alguma coisa e você está numa boa, achando que a pessoa vai estar feliz por você. Mas, devido à circunstâncias da vida da pessoa, ela simplesmente recebe a sua notícia como uma humilhação - pra ela. O mesmo acontece quando tentamos agradar amigos ou parentes. Simplesmente não dá pra saber como a opinião/conselho/texto será recebido. E quando você se choca com a reação do outro, você é super-sensível ou, em outras palavras, um chato.
Por isso, prometo de agora em diante não mais escrever emails pra ninguém perguntando se está tudo bem, não ligarei pra ninguém com o mesmo motivo, não darei mais notícias pra quem acha que sou uma chata super-sensível e intrusiva e, tenho a impressão, minha vida ganhará em qualidade.
A palavra em sueco do dia é beslut, decisão.
agosto 23, 2005
Passeio no bosque
A-D-O-R-O o musgo no chão da floresta. Clique e amplie.
A primeira foto (esq. para a dir.) é lingon, mais uma frutinha silvestre que os nativos catam nas florestas. O sabor é ácido e, claro, tem muita vitamina C. Aqui come-se o lingon em forma de geléia, com mooooito açúcar, geralmente como acompanhamento de pratos de carne em geral e alce em particular. Já provei e gostei. A segunda e a terceira fotos são cogumelos, uma outra mania nacional. Agora, não me perguntem o nome desses daí que eu não faço idéia.
Passamos o dia de ontem andando por Boden. Saímos de carro para fazer as comprinhas da semana (pouquinha coisa, leite, pão etc) e acabamos alugando o DVD do filme "Lemony Snicket's A series of Unfortunate Events". Resolvemos sentar num banco de parque para tomar um sorvete. De lá, dirigimos para fora da cidade, em busca de uma floresta para caminhar. Andamos, andamos, eu tirei fotos, colhi lingon, vi muitos cogumelos e meio que me senti no meio de uma fábula do La Fontaine.
A palavra em sueco do dia é saga [sóóga], saga.
agosto 22, 2005
Moda, amor e palavras
Sou uma criatura que não gosta de modas. Tenho a impressão de que preciso observar várias pessoas tentar primeiro, para só depois, com calma, ver se é alguma coisa pra mim. O que, aliás, é estranho, porque na vida geral sou exatamente o oposto disso, me jogo antes e penso depois... Anyway, apesar dessa demora, tenho sim a capacidade de adotar novidades - apesar de sempre estar unfashionably late.
A última foi o tal do feeding (não, não dá pra escrever em português), com o qual, a partir de uma única página leitora, fico sabendo se os blogs e sites que gosto de ler foram atualizados ou não. É uma bênção. Cadastro lá tanto os news sites que mucho me gusto como a grande maioria de vocês, camaradas blogueiros. Existem páginas pessoais, no entanto, que não têm um feeding, o que é uma pena. Feeding, já! Vai lá, meu filho! É indolor.
O querido André Machado, escritor, jornalista, blogueiro e gente de primeira categoria, escreveu uma matéria muito interessante sobre o Amor na Internet. André ouviu muitos internautas (ahhh, essa palavra já tá mais pra lá do que pra cá), entre eles yours truly e até o psicanalista Alberto Goldin. Está muito legal, viu. Recomendo. Como o Globo pede cadastro e uma série de chatices sem fim, copiei o texto do André prum documento Word. Quem quiser ler, tá aqui.
Nas minhas andanças pelos sites da vida, descobri mais uma jóia: o blog de um jornalista parisiense que foi morar no Rio. Acho fascinante a maneira como Olivier Hensgen enxerga o modo de vida, os trejeitos e, principalmente, os defeitos de quem mora na minha cidade (e no meu país). O nome é Carnet Carioca e é um delícia. Tem foto panorâmica da Lagoa Rodrigo de Freitas com o texto: "Quantas metrópolis possuem vistas comparáveis?" e duas fotos da praia, com o gol do futebol de areia demarcados por dois chinelos de dedo e, do outro lado, dois côcos verdes enterrados na areia.
Não sei se vocês repararam (well, alguns o fizeram e até me mandaram emails furibundos a respeito) mas eu ando meio de mau com a língua portuguesa. À medida em que meu urso melhora seus conhecimentos e não comete mais tantos erros de concordância, vou perdendo terreno, me esqueço de palavras, de suas grafias, do que elas querem dizer. E o pior é que nem posso colocar a culpa nas minhas leituras, predominantemente em línguas estrangeiras, porque ganhei uma porção de livros bacanas em português nesse verão.
Tem vezes que meu cérebro dá um nó; a palavra que quero escrever desaparece e fico apenas com a versão em sueco ou inglês a borbulhar na minha frente. E juro que não estou besta ou metida. Estou, na verdade, mais pra desesperada porque obviamente meu português se deteriora a olhos vistos, enquanto o sueco ou o inglês não melhoram mais do que o normal. Por isso, começo aqui a campanha: "Dê um Dicionário Aurélio Online pra Maria Fabriani". Só serve online e a última versão, por favor. :c)
A palavra em sueco do dia é måndag [môôndag], segunda-feira.
agosto 20, 2005
Anoitecer
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Noite de hoje em Boden. Exatamente às nove horas.
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Noite de ontem em Boden. Lá pelas oito horas.
A palavra em sueco do dia é himmel [rrímel], céu.
agosto 19, 2005
Trivial variado

Parece que o governo socialista sueco vai perder nas próximas eleições, marcadas pro ano que vem. Desemprego, economia devagar-quase-parando, welfare decaindo de qualidade são as razões principais. Segundo pesquisas de opinião, se a eleição fosse hoje, os vencedores seriam os moderados, um partido de direita, equivalente, talvez, a uma mistura de PSDB com o PFL. O líder do partido e provavelmente o novo primeiro-ministro, chama-se Fredrik Reinfeldt (foto ao lado) e vem ganhando respaldo junto à opinião pública não apenas por suas idéias, mas também por seus olhos, grandes e castanhos, que a população em geral (mas principalmente as mulheres) acha um charme danado. Tsc...tsc...tsc.
Fiquei simplesmente impressionada com a nova versão do assassinato de Jean Charles, veiculada pela TV e pelos jornais ingleses nessa semana. A BBC News fez uma matéria sobre as discrepâncias da versão oficial e da versão "das internas", a que não veio a público. Se isso for verdade mesmo, estamos diante a um escândalo envolvendo a polícia britânica. E eu fico apenas pensando nesse pobre rapaz, que desespero que ele não deve ter sentido?
E ontem, depois de fofocar por mais de uma hora no telefone com a Ka, me dei conta que estava muitíssimo mais relaxada e animada. Talvez a explicação seja a descoberta de David Sloan Wilson, um professor de biologia e antropologia na State University de New York em Binghamton e autor de "Darwin's Cathedral", um livro sobre evolução e comportamento de grupos. Ele diz que a fofoca nunca foi levada a sério por cientistas que estudam os relacionamentos humanos. Agora, sabe-se que falar mal e/ou comentar o que a fulaninha anda aprontando é uma atividade socialmente importante.
"A fofoca parece ser uma interação sofisticada e multifuncional, que é importante para o controle do comportamento dos membros do grupo", explica Wilson. Quando duas pessoas se encontram para trocar inside information sobre uma terceira pessoa, eles estão passando importantes pedaços de informação adiante, num processo que lembra os métodos de grooming que sociedades primitivas exerciam para ajudar na socialização de seus indivíduos (N.E.: vide macacos e a cata de piolhos).
Uma pesquisa realizada em habitantes de ilhas do Pacífico, crianças americanas, assim como moradores de áreas rurais de Newfoundland e do México, entre outros, confirmou que o conteúdo e a freqüência em que se pratica a fofoca é universal: as pessoas devotam de 1/5 a 2/3 de suas conversas diárias aos mexericos. Homens são tão ou mais devotados à atividade de "passagem de informação adiante" do que as mulheres. (Fonte: NYTimes - precisa ser cadastrado)
E você, sabe da última? Nem te conto... :c)
A palavra em sueco do dia é skvaller [squaler], mexerico.
agosto 18, 2005
*Puff*
Cara, tava com um post na cabeça, já com frases feitas, tudo organizado e, *puff!*, sumiu, desapareceu, ninguém viu. Esqueci de tudo, não apenas do assunto, mas das frases que não tive tempo de escrever. Meu urso chegou, o telefone tocou, a chuva caiu, e meu pobre cérebro não agüentou o rojão. Agora estou aqui, fazendo hora, tentando lembrar, enquanto Tico e Teco correm que nem loucos de um lado pro outro dentro da minha mente, tentando reatar os neurônios cansados.
Minha esperança de lembrar sequer o assunto é remota. Da próxima vez que estiver assim, com a cabeça enrolada numa idéia, prometo que não ouvirei nada, nem o "eu ti amo meu lindenha" que, na boca do meu amado fica uma gracinha, nem o barulho do telefone, nem a chuva batendo na janela. Mudando de assunto (pra dar tempo pros neurônios se recuperarem), hoje bati um papo de mais de hora com Ka, minha querida amiga. É páreo duro pra descobrir quem fala mais. :c)
E, claro, como sempre acontece quando nos falamos, chegamos a uma conslusão sociológica muito profunda: que os homens europeus são uns gastadeiros de primeira categoria. E isso, acreditamos nós, não se deve a qualquer falta de caráter dos ditos cujos, mas de uma história de felicidade político-econômica sem precedentes de seus respectivos países. O chamado welfare é maravilhoso, mas mima o indivíduo que se torna incapaz de, por exemplo, poupar uma graninha. Vai lá ler que vale a pena.

Eu, me preparando pra recomeçar as aulas da universidade, mandei um email pro professor responsável pelo primeiro curso do quarto semestre. Escrevi perguntando qual dos seis livros obrigatórios da lista de bibliografia devo comprar e quais os que posso apenas pegar emprestados na biblioteca. Faço isso sempre que inicio um curso novo para poder programar meus gastos.
Ele, muito simpático, respondeu assim:"Oi Maria! Espere para comprar livros. Você receberá muita informação no primeiro dia de aula e poderá, então, decidir quais comprar e quais pegar emprestado. Espere um pouco, não tenha pressa." E eu respondi: "Oi Mehdi! Olha, eu quero comprar os livros o mais rápido possível, já que tenho uma personalidade obcessiva. :c) Mas ok, eu espero." Ah, disse qual o nome do curso? Introdução à Psiquiatria... ![]()
As palavras em sueco do dia são Piff och Puff, Tico e Teco.
agosto 17, 2005
Livroslivroslivros
E finalmente terminei de fazer o site com a lista dos livros que li. Apesar do trabalhão, foi muito legal listar todos os títulos, ainda mais porque o "projeto editorial" (errrhhmmm) previa que eu escrevesse um parágrafo sobre cada um. Não queria apenas escrever sobre o enredo do livro, mas principalmente sobre minhas lembranças de como foi lê-lo, porque gostei, porque não gostei, curiosidades a cerca do escritor etc.
O site ainda está em construção; quando acabei de colocar os livros da minha lista e dei o trabalho por terminado, comecei a lembrar que havia lido certos títulos por empréstimo e que eles não poderiam ficar de fora, como João Gilberto Noll, por exemplo, um dos meus escritores brasileiros favoritos. Bom, para facilitar o entendimento do novo site, explico algumas opções que fiz durante sua criação:
Tendo isso em mente, convido os curiosos para uma visita em http://livroslivroslivros.blogspot.com. Ficarei feliz em ler seus comentários por lá, sobre a página, os livros, possíveis melhoras, qualquer coisa. É importante dizer que essa página não é pra uma "elite intelectual", até porque, se fosse assim, eu mesma não poderia freqüentá-la. A página é um divertimento. :c)Antes de mais nada, é importante dizer que minhas opiniões escritas no site são eminentemente pessoais e subjetivas. Não tenho a menor intensão de ser crítica literária, até porque não tenho competência para tanto. Mais uma vez: os textos são opiniões particulares.
As capas apresentadas são cópias das edições dos livros que li. Há, claro, exceções, geralmente quando não consegui encontrar a edição exata. Coloquei, então, a capa de outras edições do livro.
Há dias com dois ou mais livros. Isso acontece porque a maioria dos títulos foi citada de acordo com as datas que aparecem no Montanha, que pode ser tanto a data de início da leitura, de seu final, ou simplesmente o dia em que comprei o livro. Além do mais, quando estou estudando, sou forçada a ler não-ficção, mas nem por isso deixo de ler ficção. O faço de forma paralela.
Criei um sistema de cotação dos livros, onde atribuo cinco corações para livros que amei de paixão; quatro para os que são ótimos mas que não conseguiram me emocionar (tanto afetiva quanto intelectualmente); três pros livros legais em geral; dois para os que são apenas passáveis; e um coração partido pros realmente péssimos. Esse sistema, assim como minhas opiniões, é essencialmente subjetivo e depende do meu gosto. Portanto, discussões do tipo, "Você não pode dar apenas dois corações pra esse livro!", não serão respondidas.
Alguns dos textos do site novo são copiados dos posts do Montanha. Isso aconteceu quando achei que o que havia escrito no blog estava legal e não tinha outras idéias para modificar o texto. A maioria dos textos, no entanto, é inédita.
A lista do site não é completa. Listei com mais acurácia os livros lidos nos últimos três anos, por ter escrito sobre eles aqui. Além do mais, com minhas mudanças constantes quando ainda morava no Brasil, muitos volumes acabaram sumindo e/ou sendo esquecidos.
Escrevo, depois de cada texto, qual o idioma em que li o livro. Essa informação é interessante apenas pra mim. Quem gosta de ler sabe que ler clássicos no original é um dos grandes baratos de se aprender outras línguas. Mas, não precisa me escrever dizendo o quão vaidosa eu sou. Não responderei a emails ou comentários desse tipo. O motivo: quem pensa assim está coberto(a) de razão. :cD
A palavra em sueco do dia é lista. Preciso traduzir?
agosto 16, 2005
:c)
Tem coluna nova lá no WNews. Sobre a importância do tamanho para a satisfação humana. :c)
A palavra em sueco do dia é storlek [sturlek], tamanho.
agosto 15, 2005
Na floresta, a catar bagas
Clique e amplie.
E, depois de quase uma semana inteira com chuvas fortes, fracas, garoa, chuva de vento e todas as variações possíveis, o sol apareceu. Ontem. Hoje já tá tudo nublado de novo. Mas ontem, finalmente, colocamos o pé pra fora de casa para fazer outra coisa que não ir ao supermercado (eu) ou pro trabalho (urso). E fomos realizar uma das atividades mais essencialmente suecas que existe: pegar frutinhas selvagens na floresta.
Já contei aqui desse costume dos nativos e, na verdade, nunca havia saído de casa apenas com o intuito de achar as frutinhas e passar horas curvada, com as mãos no meio de arbustos fechados. Sempre aconteceu assim, meio que por acaso. Urso chegou ante-ontem do trabalho contando de um local onde havia visto muitos hallon - a nossa framboesa. Como era área de acesso restrito e ele tinha a chave, ninguém poderia entrar, a não ser nós.
Essa é, aliás, uma das regras da coletânea de frutinhas silvestres: você precisa descobrir locais únicos onde pegar suas frutinhas. Onde esses locais ficam é, em geral, informação Top Secret, não passível de divulgação. Todo pegador-de-frutinhas que se preza tem o seu spot e não diz onde fica nem sob tortura. Saímos de casa, então, com nossos recipientes de plástico (antigos pacotes de sorvete). Tem gente que escolhe um balde para a tarefa; nós não estávamos tão entusiasmados.
E, de fato, o local estava qualhado de hallon. Tão qualhado que a maioria das frutinhas já tinha meio que passado da época, mas mesmo assim, catamos um monte. É claro que nossa colheita não chega aos pés dos catadores-de-frutinhas-silvestres profissionais - geralmente poloneses e outros povos do leste europeu, que vêm pra Suécia durante o verão e o outono trabalhar com mão-de-obra barata - mas, foi o suficiente para nós. Até porque, o importante é o ato de colher as frutinhas, não a quantidade final.
Não, não é desculpa de "má-catadora" não. Esse tipo de atividade - assim como a colheita de cogumelos durante o outono - é reconhecidamente relaxante e tida quase como terapia pelos suecos. Uma das razões disso é o local onde a colheita acontece. As florestas daqui são uma mania nacional, onde os nativos andam para espairecer, colhem flores, cogumelos e frutinhas, as crianças constroem casas de brincadeira, as chamadas Koja [cóia], acampam etc.
Fotos novas, aqui.
A palavra em sueco do dia é bär [béérr], baga (Estranho, né? Pois é esse o sinônimo sim, está em todos os dicionários. Eu traduziria, no entanto, como "frutinha silvestre")
agosto 13, 2005
agosto 11, 2005
Privilégio
Você já se deu conta hoje de que é um afortunado por poder ouvir e entender a poesia melodiosa cantada por Elis Regina, Marisa Monte, Dorival Caymmi, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, João Gilberto etc? Na frente do computador, pensando em outra coisa, me dei conta de repente que "A Paz", do Gil, que faz parte da minha biblioteca de música online, estava tocando. Uma melodia especial essa do português. Não por ser português, mas por ser minha língua.
A palavra em sueco do dia é musik, música.
A cura
Já tentei vários métodos de cura ao longo dos muitos estágios da minha vida: psicanálise, hipnotismo, acupuntura, confissão, florais, medicina convencional, chocolate, sono, astrologia, heiki, espiritualismo, quiromancia, ginástica, numerologia etc. Depois de cada um, se o corpo parecia estar numa boa, a mente desandava - ou vice-versa. Mas uma coisa eu sempre entendi claramente: ao lado da cura verdadeira está o entendimento e a aceitação da dor, que vem sempre junto com a mudança, seja essa aparentemente problemática ou não.
E mudança é o que não falta. A minha vida sempre foi - sempre mesmo - como uma Montanha-Russa sensorial. Mesmo quando nada de novo acontecia, tinha sempre uma sensação diferente aparecendo aqui e ali, um questionamento, um desagrado, um desafio, uma frustração ou uma profunda alegria. Já me disseram que é porque eu tenho Urano, o planeta das surpresas, na primeira casa. Eu acredito nisso, até porque gosto de acreditar no que todo ser inteligente que se preza não acredita. Hohoho.
Sempre fui meio melancólica, desde pequena. Acho que, com o passar do tempo, tenho aprendido a lidar com a melancolia de uma forma mais bem-humorada, graças ao meu amadurecimento e à duas pessoas que me ensinaram muito sobre a importância do humor de duas formas completamente diferentes: meu irmão, Carlos, e meu urso. Mesmo assim, mesmo sem dar muito espaço à melancolia e tentando realmente ser objetiva, concordo com tudo o que diz Melanie Reinhart aí em baixo.
"...Se caminhamos precipitadamente em direção à auto-realização, lutando para manifestar nosso potencial sem reconhecer e aceitar o sofrimento que nos acompanha, podemos ser vítimas da trágica visão unilateral que encontramos na vida de pessoas que foram famosas, porém infelizes, poderosas mas profundamente frustradas, ou em nível mais comum, simplesmente iludidas com elas próprias.Escrito por Bia Badaud, domingo 7 de agosto de 2005.Enquanto o sofrimento for projetado em outros, ou, de forma mais abrangente, no mundo, a cura pessoal pode ser impossível, e os ideais de servir à humanidade podem degenerar em aflição e auto sacrifício. Ao admitir pela primeira vez o próprio sofrimento em nível consciente, a pessoa pode, através deste processo, iniciar um ciclo de cura." -- Melanie Reinhart, Quíron and the Healing Journey
A palavra sueca do dia é berg och dalbana [béri ok dalbana], montanha-russa.
agosto 10, 2005
O anonimato e suas impossibilidades
Nesses últimos dias de preguiça, comecei a realizar um projeto que vinha querendo fazer há muito tempo: um site onde listo os livros que li, nas respectivas datas, com comentários curtos. Ainda estou no começo mas o fato de ter iniciado um blog novo, me fez pensar nas origens do Montanha. Acabei por me perguntar o que faria de diferente se pudesse voltar no tempo, pro dia 28 de fevereiro de 2002.
Acho que antes de mais nada eu seria anônima, o que me daria possibilidade de escrever muito mais livremente sobre absolutamente tudo, sem precisar imaginar o que "as pessoas" pensam de mim. É uma liberdade imensa simplesmente poder escrever sem limites, sem precisar pensar no que o fulano ou a sicrana vão imaginar a meu respeito. É claro, tem gente que consegue fazer isso mesmo dando nome, endereço e colocando foto no blog, mas isso é outra história.
Por outro lado, acharia difícil ser anônima porque sou eminentemente pessoal quando escrevo. Pra mim, blog é um espaço pessoal, criado por uma pessoa que quer se expressar sobre sua vida, suas experiências, suas opiniões. E isso torna o site inevitavelmente "íntimo" -- mesmo que haja muitos níveis nessa intimidade. Às vezes me sinto meio narcisista, falando de mim o tempo todo, mas, pô, o blog é pra isso mesmo. Não vou fazer um blog pra falar mal de outros, que seria estupidez. Então, a narcisista dentro de mim, perdoada, agradece.
A palavra em sueco do dia é navel [nóóvel], umbigo.
agosto 09, 2005
Henning Mankell
Fellow bloggers Ana Maria e Ana Lucia descobriram o escritor sueco Henning Mankell (foto abaixo) e estão adorando. Eu também o adoro. Já li muitos livros dele, ainda quando estava me aproximando do idioma e queria livros fáceis, que não exigissem demais dos meus neurônios. Comecei, no entanto, a ler Mankell em inglês, com o livro "Faceless Killers". Gostei tanto, que resolvi arriscar e comprar em sueco.
Aí, não parei mais. Li Hundarna i Riga ("The Dogs of Riga"), um dos meus preferidos; Den vita lejoninan ("The White Lioness"); Mannen som log ("The Man Who Smiled"); Villospår ("Sidetracked"), que peguei emprestado na biblioteca do colégio onde estudava sueco; Steget efter ("One Step Behind"); Brandvägg ("Firewall"); Pyramiden ("The Pyramid") e Danslärarens återkomst, ("The Return of the Dancing Master"), que tem como protagonista o detetive Stefan Lindman.
Em quase todos, o protagonista é Kurt Wallander, um policial de meia-idade, meio deprimido, um pouco gordo e quase alcoolista. Ele está sempre mau humorado, suado (ou com frio), cansado e parece atravessar a vida a contemplar seus problemas ou o tempo chuvoso da cidade onde mora. Ele resolve casos de assassinato de forma metódica ("Temos que virar todas as pedras"), com milhares de reuniões com seus colegas, depois de resolver disputas burocráticas com seu chefe e no meio de muita confusão afetiva. Separado, Wallander tem romances esporádicos e uma filha, Linda, de 20 e poucos anos, que, aliás, acaba aparecendo no Innan Frosten ("Before the Frost"), que também li e gostei.
Mas, não tem como não gostar do Wallander. O estilo do Mankell é claro e a fórmula bem trabalhada. Tanto é assim que ele é um sucesso de vendas em toda a Europa e, me parece, está começando a ser apreciado nos EUA. Mankell vive em Moçambique, onde escreve peças e participa de projetos culturais. Vi uma entrevista dele há um tempo e ele disse que, apesar de morar lá já faz tempo, ainda não sabe falar português... :c/ Ele é particularmente conhecido na Alemanha, onde seus livros são best sellers. A cidade sueca de Ystad, onde todos os livros se passam, recebe anualmente muitos turistas - em sua maioria alemães - procurando pelos locais descritos nos livros.
Artigo muito bom (e até certo ponto engraçado) sobre Henning Mankell e seus livros. (The Guardian, em inglês.)
A palavra em sueco do dia é kriminalroman, romance criminal.
agosto 08, 2005
No cinema e em casa
E, finalmente, ontem fomos assistir ao filme "The Hitchhiker's Guide to the Galaxy". Não posso dizer que adorei, até porque ainda não li os livros (é uma trilogia de cinco volumes), mas o filme é muito bem-feito e tem efeitos bacanérrimos. Meu urso, um fã antigo, a-m-o-u. Eu gosto pessoalmente do ator Martin Freeman, que interpreta Arthur Dent (ele bebe seu chá em xícaras Spode!). Quando estávamos em Londres fomos ao Museu de Ciências e vimos uma exposição sobre o filme, com os diversos monstros e os figurinos dos atores, além de um monte de detalhes fantásticos. Mas confesso que morri de rir com os Vogons, descritos como monstros burocráticos, e sua obcessão por formulários e horários de almoço. Se eles fossem loiros, até poderiam passar por... Ahn, deixa pra lá.



Mas antes do cinema, alugamos dois filmes no DVD do sábado pro domingo. Nos divertimos com "Ocean's Twelve" e achamos "Closer" moooooito estranho. Vi o DVD do filme "Hotel Rwanda" lá no posto Shell (onde vende-se de tudo e onde há a melhor seleção de filmes pra alugar, acredite se quiser). Fiquei com medo de alugar e ser violentíssimo. Será que alguém que vem aqui já viu e pode me dizer como é que é? Estou muito curiosa. Ouvi falar que é bom pra burro... Dicas nos comentários, merci. No mais, chove muito aqui, desde ontem. Por volta dos 16 graus, com nevoeiro. Eu não reclamo: meu livro tá ali, ao lado da minha cama, me esperando.
A palavra em sueco do dia é bio [bíu], cinema.
agosto 07, 2005
Monges salvadores

Foto:Elin Berge
As pequenas cidades do interior sueco estão "morrendo". A taxa de natalidade é inferior à de mortalidade, os jovens se mudam em massa para a cidade grande, poucos são os empregos e as esperanças de um futuro próspero. Um exemplo dessa realidade é Fredrika, um pequeno vilarejo fadado a desaparecer. Com 3400 habitantes e média etária de 55 anos, a pequena aldeia vinha sofrendo com a mudança de cerca de 100 pessoas por ano para cidades maiores. Isso, em sueco claro, significa perda de impostos e uma sociedade cada vez mais "pobre" (para os padrões suecos, mas ainda assim).
Até que um dia, um monge tailandês resolveu escolher a cidade, localizada no coração de Lappland (ou a terra dos lapões, ou same, veja o mapa ao lado), como centro do novo templo budista a ser construído do norte da Europa. Estudos da Universidade de Umeå estimam que Fredrika pode chegar a receber até 100 mil visitantes por ano, quando o templo estiver pronto. Ontem foi a cerimônia de bênção do terreno escolhido, que contou com a presença de monges budistas vindos da Tailândia, dos EUA, da Bélgica e da Inglaterra (veja foto acima).
Mas a instalação do templo não aconteceu sem vozes contrárias. A igreja se opunha à idéia, mas foi voto vencido. Uma prova é o depoimento de Örjan Dahlberg, que trabalha na igreja de Åsele: "Não existe concorrência entre religiões e um povo mais simpático [que os tailandeses]. Para nós em Fredrika o templo significa turismo e é disso que nós viveremos. Ericsson ou Volvo jamais virão pra cá nos salvar." Stellan Edling tem uma casa de veraneio perto do futuro templo e diz: "Os tailandeses são muito simpáticos e muito bem-vindos. Tenho a impressão que as pessoas estariam muito mais nervosas se fosse outro tipo de religião que resolvesse se instalar aqui."
Bom, só sei de uma coisa: Quando o templo estiver pronto, eu também vou lá na pequenina Fredrika dar uma olhada. E garanto que não serei a única. Há uma necessidade gritante de novidades no coração da "suequice", entocada em suas pequenas e idílicas casinhas vermelhas. O que é "diferente" causa, ainda, uma curiosidade muito grande no sueco médio (mesmo que, às vezes, essa curiosidade se transforme em preconceito depois).
Me lembro de um programa de comediantes stand up que passou na TV estatal daqui. Era um grupo de suecos e suecos com background imigrante (filhos de curdos, turcos etc). Quando o comediante sueco-imigrante (nascido aqui de pais curdos), engraçadíssimo, deixou o palco e entregou o público pro comediante sueco (loiro e olhos azuis), esse abriu seu número perguntando: "Como é que eu vou fazer vocês rirem? Contando piada sobre faxina* ou snus?"
* Pra quem não sabe: os suecos são malucos por uma faxina. O fenômeno da empregada doméstica ainda não chegou por essas bandas, então todo mundo limpa sua própria casa, banheiro, cozinha.
A palavra em sueco do dia é herregud [rréregud], senhor deus, literalmente. Herregud é uma expressão usadíssima, e equivale ao nosso "meu deus!".
agosto 06, 2005
O tapete
No ano passado compramos um tapete pra sala de visitas que nos deixou muito felizes. É branco gelo (ou bege enbranquiçado), fofo, simples, exatamente no nosso estilo (foto). O encontramos numa loja de preços baixos daqui, a Jysk. Pagamos pouco mais de 300 coroas, o que, acreditem, é quase nada. Deveríamos ter desconfiado de que o lance era meio furado.
Mas, mesmo assim, levamos em frente a charada. Me lembro que, ainda na loja, examinamos o tapete todo, em busca de furos, descosturas ou manchas. Não poderia ser assim tão barato e não ter problema algum. Não encontramos nada e nos convencemos de que havíamos feito um achado espetacular (impressionante a capacidade de auto-ilusão do ser humano). Nos dirigimos à caixa, pagamos e deixamos a loja muito felizes (ah, os simples prazeres domésticos).
Qual não foi nossa surpresa quando descobrimos, dias depois de termos arrumado a sala com o tapete novo, que as solas de nossos pés estavam cobertas de pequenos tufos de lã. Nos cantos do apartamento, a paisagem era desoladora. Tufos de lã esbranquiçada ocupavam todos os cômodos, descaradamente visíveis. Nem a cozinha se salvava. Observadores, descobrimos que o tapete era a fonte de tal distribuição de pêlos pela casa inteira. Pensamos que talvez lavando o desgraçado, isso acabaria. Mas, infelizmente, estávamos enganados.
Hoje, ainda com o tapete na sala, olho pros cantos da casa e penso que seria uma boa idéia passar o aspirador de pó antes que fique impossível viver aqui. Sou uma criatura ordenada, vocês sabem, que gosta de ordem ao seu redor. Até porque, com tudo arrumado no mundo físico, há mais lugar internamente para arrumações muito necessárias e urgentes. Mas os tufos ainda estão lá, olhando pra mim. Eu fico aqui, olhando pra eles. Quem será que piscará primeiro?
A palavra em sueco do dia é luddig, felpudo.
agosto 05, 2005
Francês, inglês e bombas atômicas
Ainda sob os auspícios do meu projeto MFF2005 (Maria Fala Francês - 2005), andei flanando por uma série de sites interessantes. Fui lá no Le Monde e encontrei o blog de Martine Rousseau e Olivier Houdart, que corrigem les absurdités que saem no jornal diário e discutem a língua francesa em geral. Ainda estou muitíssimo enferrujada pra entender qualquer discussão gramatical mais profunda, mas me diverti com a Le mot du lundi, ou A Palavra de segunda-feira e ensaios fotográficos que os dois publicam lá.
Um dos ensaios mais legais é o Les attributs du sujet, ou Os Atributos do Sujeito. As fotos, da genitália de estátuas localizadas no Louvre, recebem nomes devidamente explicados em pequenos textos na lateral. Olivier Houdart reclama, por exemplo, na foto do corpo feminino, que batiza de Terra Incognita.
"Ce ventre sans aspérités fait penser aux antiques cartes qui présentaient des continents entiers en blanc, faute de connaissances précises."Mas além de olharem pro próprio umbigo, Rousseau e Houdart descobrem sites interessantes (veja a página de dicionários), como os que eles linkaram por ocasião do aniversário de 60 anos das bombas atômicas jogadas em Hiroshima e Nagasaki. O marco será relembrado a partir de amanhã, data exata da devastação sofrida por Hiroshima. Nagasaki caiu três dias depois.("Este ventre sem asperezas faz pensar nos antigos mapas que apresentavam continentes inteiros em branco, por falta de conhecimentos precisos")

Idéia genial (que, como quase todas as idéias geniais, já foi pensada por um americano e virou livro): ler a Enciclopédia Britannica do início ao fim e comentar entradas engraçadas, dúvidas, encontrar erros e descobrir palavras novas. Andy Ratto, estudante em Berkeley, leu o livro de AJ Jacobs, ficou inspirado, começou a ler a EB e está escrevendo um blog sobre sua experiência. Ele ainda está na letra "A", mas já rendeu pelo menos dois posts interessantes sobre "Atheism". :c)
A palavra em sueco do dia é besserwisser, metido a sabido (também conhecido na língua popular como "pentelho").
agosto 04, 2005
Stupeur et tremblements
Já faz tempo que quero reavivar meu francês, dormente durante os últimos dez anos. Comecei a aprender em 1990 por influência da minha amiga de faculdade Ana Flavia (somos amigas até hoje) e só parei em 1994 porque não dava pra coordenar com o trabalho. Graças a uma professora miraculosa, Cristina, ao meu pai e à própria Aliança, que me forneceu uma meia-bolsa de estudos, cheguei quase até o final do segundo ano do Nancy.
Em 1993, quando viajei pela Europa de mochilão, parei quase duas semanas em Paris, exatamente para poder "gastar meu francês". Um dia, lavava minhas roupas numa lavanderia perto do albergue, quando a minha máquina, claro, parou de funcionar. Tive de procurar a responsável pelo estabelecimento e esclarecer a situação. Depois de resolvido, duas senhoras francesas ali presentes me perguntaram de onde eu vinha. Elas tinham visto uma calça minha de veludo preto e queriam saber onde comprar igual. "No Brasil", disse eu. "Ah, eu jurava que você era italiana", disse uma delas. "É, por causa do sotaque", completou a outra.
Nem preciso dizer que fiquei deprimida o resto do dia. Depois de três anos de estudos quase diários do idioma (eu ainda estava na faculdade então), tinha conseguido falar bem, mas com um dos sotaques mais carregados da Europa. :c/ Acabei me consolando com o fato de poder ler Camus e Flaubert no original - mas que não me façam ler em voz alta! Dentro da minha cabeça mon français est parfait! :c)
Portanto, minha experiência com o idioma de Victor Hugo nos últimos dez anos tem sido muito limitada. Desde que vim morar aqui, então, ainda mais diminuta. Quando em vez ouço alguns segundos de discursos do Jacques Chirac, geralmente nos noticiários suecos, com legendas. Me esforço, então, para não ler o texto e tentar entender. Não gosto do Chirac e não concordo com quase nada que ele diz com sua cara comprida, mas que ele sabe falar bem o francês, ah, isso ele sabe.
Foi aí que escrevi para a minha "francoparlante"-mor, a grande Tetê, e perguntei se ela tinha dicas de livros fáceis em francês pra me sugerir. Qual não foi minha surpresa quando Tetê não apenas me escreveu um email com muitas dicas, como me mandou de presente dois livros: "Stupeur et tremblements", de Amélie Nothomb (que aliás já me havia sido sugerido pela Angelique) e "L'enfant de Noé", de Eric-Emmanuel Schimitt. Merci, merci! :c)
Estou me deliciando com as aventuras de Emélie na empresa japonesa Yumimoto. Como um samurai diminuto, ela se ocupa em virar as páginas dos calendários de toda a empresa, contempla o nada, serve café e chá, distribui cartas, "ajuda" o departamento de contabilidade (com resultados catastróficos), faz relatórios sobre o consumo de manteiga na Bélgica, admira a beleza de sua chefe direta, Fubuki Mori, troca papel higiênico nos banheiros da companhia e é continuamente humilhada por chefes e chefes dos chefes. O livro é um barato. O mais legal é que Nothomb consegue fazer um divertidíssimo tratado sobre a sociedade japonesa, especialmente as mulheres nipônicas. Comecei a ler ontem e já estou quase acabando. Recomendo!
O livro da Amélie Nothomb já virou filme. Veja também o site em inglês.
A palavra em sueco do dia é, claro, Frankrike, França.
agosto 03, 2005
Bolo de tigre
E como sou uma criatura muito "prendada", fui me meter a fazer o que minhas avós sempre chamaram de bolo mármore, pão-de-ló com cacao (foto). Aqui na Suécia esse bolo chama-se Tigerkaka, literalmente "Bolo de tigre" - por causa dos padrões que a massa de cacao faz na massa do pão-de-ló (ou deve fazer, se der certo). Admito que gosto mais do nome em sueco, que soa meio infantil, bacana. Me lembro que não gostava muito desse bolo, que de quando em vez aparecia lá em casa. A razão é simples: apenas uma pequena parte dele era de chocolate! :c)
Me lembro ainda que ficava impressionada com a capacidade das minhas avós, em fazer um bolo incrível desses, cujas cores não se misturavam por algum milagre que apenas a capacidade culinária delas - ou pura feitiçaria - explicaria. Mas, agora, uma mulher crescida, aprendi a apreciar o tal do bolo mármore/de tigre.
A receita eu achei no meu jornal e é muito simples. Os ingredientes são 50 gramas de manteiga, 1 1/4 decilitros de leite, 2 ovos, 2 decilitros de açúcar, 3 decilitros de farinha de trigo, 1 1/2 colher de chá de pó de fermento em pó, 2 colheres de mesa de cacao em pó e 1 colher de mesa de água. Para dar um gostinho extra, eles recomendam 2 colheres de chá de açúcar de baunilha ou a casca raspadinha de 1/2 limão.
Mudei um pouco a receita para agradar ao meu paladar e pelo fato de não ter pó de cacao aqui em casa. Então usei achocolatado em pó (um pouco mais do que a medida do cacao) e essência de baunilha no lugar do açúcar de baunilha (uma coisa muito sueca) ou a casquinha de limão. Para fazer o bolo aqueça o forno em 175 graus. Passe manteiga numa forma redonda de mais ou menos 1,5 litros. Derreta a manteiga e misture com o leite. Bata os ovos com o açúcar até que a mistura fique esbranquiçada.
Junte manteiga+leite com ovos+açúcar e a baunilha. Coloque a farinha e o fermento em pó. Bata até que a mistura fique uniforme. Despeje 2/3 da receita na forma. Misture o cacao com a água e despeje no resto da mistura do bolo que você reservou. Misture um pouco e despeje na forma uniformemente. Asse o bolo por 35 ou 40 minutos (dependendo do seu forno). Deixe esfriar antes de servir.
Update :: O bolo ficou muito bom, exatamente como deve ser, como podem ver pela foto acima. Se bem que me lembro que os bolos mármores lá de casa eram mais "mármore". Acho que da próxima vez misturarei mais a massa de cacao com a de pão-de-ló...Ou misturarei menos... ainda não me decidi. :c)
A palavra em sueco do dia é trolleri, feitiçaria.
agosto 02, 2005
Listas e comunidades
A Tetê foi a única que reparou (ou a única que perguntou) sobre a ausência dos links de blogs aí, na coluna lilás à esquerda. Tirei os links porque fiquei cansada de receber emails do tipo: "porque você tirou o link do meu blog da sua lista? Tá se achando muito importante, é? Também vou tirar o seu!" Sinceramente, esse tipo de coisa é tão baixo astral que nem dá pra comentar. Continuo visitando meus blogs preferidos, cujos endereços estão nos "Favoritos", e ainda quem me visita e deixa comentários.
Aí teve uma infeliz que me perguntou "quais os meus critérios" para tirar um link da minha lista. Ora, pensei eu, tenho que ter "critérios"? Bom, na minha lista entram as pessoas que, claro, têm um blog, que visitam o Montanha e que escrevem posts interessantes e/ou comentários legais aqui. Mas, não precisa corresponder a todas as categorias. Os que saem são, em geral, aqueles que não escrevem mais em seus próprios blogs. Existem casos de gente que saiu da lista por eu ter perdido interesse no que a pessoa escreve, mas esses são raríssimos.
Por favor, não me convidem mais para entrar para comunidades no Orkut e nem esperem que eu visite sua home page no Multiply. Aliás, no Multiply eu só visito mesmo a Tetê, de vez em quando, porque ela não quer mais ter blog e porque publica fotos lindas de suas viagens. Já o Orkut virou um antro de raivosos em geral, do qual quero mais é distância. Minha página continua lá, como referência para quem tiver interessado, mas não visito e escrevo pouquíssimos scraps. Minha participação em comunidades é nula.
A expressão em sueco do dia é less på [léss pôô], cansada de/com algo.
agosto 01, 2005
Amor, I love you
Ihh, me lembrei agora. Hoje fazemos um mês de casados. É bodas de quê? :c)
A segunda palavra em sueco do dia é glädje [glédie], alegria.
No umbigo sueco

Passamos o final de semana no ponto geográfico central da Suécia, perto da cidade de Sundsvall. Foi lá que se realizou o casamento da minha amiga da universidade Anette e de Magnus, o namorado que virou marido. Ficamos hospedados num típico gård [gôôrd] sueco, ou seja uma casa imensa, cheia de quartos, geralmente no meio de um campo enooorme. No Brasil, chamaria-se Casa Grande. A diferença é que aqui nunca existiu senzala.
Chegamos na quinta à noite e passamos o final de semana em festas constantes, churrascos, jogos e brincadeiras. Éramos mais ou menos 40 pessoas, incluídas aí as crianças. Foi cansativo mas muito divertido. Na sexta fez-se um churrasco (do estranhíssimo modo nativo, cada um traz sua carne) e, no sábado, foi o casamento. À tarde fomos levados de ônibus fretado até o ponto geográfico central, no alto de uma montanha, onde existe um restaurante e um mirante.
A festa, logo depois, já de volta à casa, foi boa, muito alegre. Ganhei até um concurso de dança! :c) Voltamos pra Boden ontem de manhã. Como viajamos de carro, levamos oito horas na ida e mais oito horas na volta. Ainda estou meio "quebrada", mas feliz de estar em casa. Veja as fotos novas.
A expressão em sueco do dia é borta bra men hemma bäst [borta bróó men rrema bést], viajar é bom mas voltar pra casa é melhor.
PS.: Obrigada a todos que escreveram felicitando minha avó pelo seu aniversário. :c)






Antes de mais nada, é importante dizer que minhas opiniões escritas no site são eminentemente pessoais e subjetivas. Não tenho a menor intensão de ser crítica literária, até porque não tenho competência para tanto. Mais uma vez: os textos são opiniões particulares.
