dezembro 01, 2005

A neve luminosa


Foto de Tom Rune

ão conte pra ninguém: quando a neve cai, a escuridão dessa época do ano melhora muito. O céu das noites fica cinza claro, as luzes refletem no solo coberto de branco. Tudo fica muito mais bonito e silencioso. Mas quando os nativos me perguntam se noto a diferença da escuridão do outono para a "claridade" do inverno com neve, digo que não. Não vejo diferença nenhuma. É breu da mesma forma.

Ficam todos sem entender, fazem cara de estranheza e se calam (alguns com seu orgulho ferido). Faço isso não (apenas) por sacanagem, mas porque gosto de ver a cara de surpresa deles. "Como ela não vê algo tão evidente?", se perguntam, em silêncio. Mas a razão principal é porque às vezes sinto necessidade de me mostrar fundamentalmente diferente. Talvez porque já pense e aja muito igual a eles.

E novembro a-ca-bou!

A palavra em sueco do dia é snö, neve.

Posted by Maria at 10:33 AM | Comments (13)

novembro 17, 2005

Entre dois mundos

cubo.jpgUma das coisas mais chatas de se mudar de país - principalmente sair de um país de terceiro mundo para um de primeiro com mania de se achar a consciência da humanidade - é que volta e meia você é vista uma representante ambulante do seu país de origem, pro bem ou pro mal.

Explico: em ano de copa do mundo, pessoas que pouco conheço vem falar comigo em tom simpático, comentam os jogos (ou as vitórias) do Brasil e acham que tudo é uma maravilha. No resto do tempo, volta e meia sou interpelada por pessoas que tenho pouquíssimo contato e que me indagam em tom reprovador sobre as mazelas sociais brasileiras, como seu eu pudesse explicá-las.

A última foi uma colega de turma na universidade. Estávamos conversando antes de uma aula. Ela, mãe de cinco filhos, me disse que nunca havia saído da Suécia. Me disse ainda que eu falava bem o sueco e me perguntou como eu fazia, já que volta e meia usava palavras que ela considerava "difíceis", como koncept, kontext, diskurs etc.

Expliquei então que falava assim por dois motivos: o primeiro é porque meu vocabulário no Brasil era muito diversificado, e ter um vocabulário pobre em sueco não era uma opção. Tenho necessidade de me expressar no mesmo nível, seja em sueco ou em português. O segundo motivo, claro, é que em português, as palavras conceito, contexto e discurso não chegam a ser difícieis, até por serem de origem greco-latina e fazerem parte da estrutura do português.

Aí, no final da conversa, tirado do nada, ela me mandou essa: "Maria, é verdade que no Brasil existem meninos de rua?" Fiquei meio sem saber o que responder. "Sim", disse-lhe, "é verdade". Toda a primeira parte de nossa conversa me pareceu um preâmbulo para a verdadeira pergunta que ela já queria me fazer há tempos (depois ela me disse isso).

A coisa de ser representante de seu país sem ter pedido pelo título é uma faca de dois gumes. É claro que gosto de ficar orgulhosa das vitórias no futebol brasileiro, e é óbvio que fico muito triste cada vez que sou lembrada das faltas gravíssimas do meu país para quem vive na miséria e nunca teve oportunidade na vida.

Acho que meu desconforto nasce também da minha própria confusão do que diz respeito aos mundos em que vivo. O terceiro, com todas as suas faltas e, ao mesmo tempo, uma vivacidade que deixa os europeus ma-lu-cos, e o primeiro, correto e justo (até certo ponto), porém chato e previsível.

Tenho certeza de que a colega não quis me humilhar. A impressão que tive é que ela estava realmente curiosa sobre como crianças poderiam ser deixadas sozinhas no meio de cidades grandes - o que para qualquer sueco é uma incógnita absurda, levando em consideração todo o cuidado que eles têm com suas crianças. (O estranho aqui, aliás, é nós, brasileiros não acharmos o fato de existirem crianças de rua uma coisa totalmente absurda. Mas isso é uma outra discussão.)

Não parti pro ataque perguntando à colega sobre os pecadillos suecos porque não quero defender quem explora por exemplo mão-de-obra infantil nos cafezais de Minas Gerais, nem os responsáveis pela existência de crianças que preferem as ruas das grandes cidades brasileiras às escolas.

Mas um diabinho pousado aqui no meu ombro esquerdo, sussurou no meu ouvido: pergunta a ela o por quê da Suécia ter fechado as fronteiras para judeus europeus durante a Segunda Guerra Mundial! Pergunta o por quê da Suécia ter esterelizado centenas de mulheres deficientes mentais tendo como desculpa a eugenia da raça! Pergunta como milhares de imigrantes não conseguem viver de forma equivalente ao sueco médio simplesmente porque não são aceitos no mercado de trabalho!

Consegui ignorar o diabinho.

A palavra em sueco de hoje é kluven, dividido.

Posted by Maria at 09:20 AM | Comments (33)

novembro 16, 2005

I am what I am

Dia muito bom. Seminário pela manhã, trabalho de grupo até a hora do almoço. O curso de organização continua a mesma porcaria, mas vamos levando. Sinto que agora posso me concentrar nele, ao invés de me preocupar com o resultado de ciências políticas. A noite de ontem pra hoje foi a primeira desde o mês passado que dormi direto, sem interrupções e sem acordar com dor de cabeça depois de ter pesadelos aflitivos.

É, sou nervosinha mesmo. Mas não sem motivo. Acho que, na verdade, o que causa meu nervosismo é uma necessidade de não "falhar" no que diz respeito às provas. A coisa de ter uma segunda chance é boa, mas acho chato ter de ficar estudando um assunto que já estudei, ainda mais estando no meio de um outro curso. Racionalizando, minha preocupação é totalmente compreensível e válida, ainda que não seja agradável ou desejável.

Sempre fui assim, desde criança. A diferença é que, no colégio, era obrigada a estudar coisas que sempre odiei, como matemática e física, e que, por mais que tentasse, não conseguia tirar notas boas. Por isso mesmo, não estudava muito pras provas, ficava apenas angustiada e paralisada. Quando passei pra universidade é que me dei conta que eu sou realmente uma aluna muito boa, competente, atenta e curiosa.

A palavra em sueco do dia é upptäckt, descoberta.

Posted by Maria at 12:21 PM | Comments (7)

novembro 02, 2005

Ian McEwan

Comecei a ler "Kärlekens raseri" (no original "Enduring Love") do Ian McEwan ontem à noite. A dona do apartamento que alugo deixou seus livros nas estantes (a meu pedido) e eu me divirto com a variedade de autores que nunca li ou que ainda não li (por falta de tempo, dinheiro ou informação). O Ian McEwan é um desses. Li sobre ele no meu jornal, quando seu último livro, "Saturday", foi lançado aqui.

Estou adorando. A linguagem dele é intrincada, sem ser complicada. Um acontecimento trágico serve de introdução do livro, que é qualhado de pensamentos e considerações filosóficas abstratas sobre a vida, as escolhas que fazemos, tudo. No final, a história faz sentido, mas é um sentido mais rico, mais aprofundado. Tive que me obrigar a parar de ler ontem, depois da meia-noite, quando terminei o capítulo dois.

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Na verdade, sou uma criatura simples (sem ser simplória). Fico feliz em descobrir que a cor das varandas do prédio vizinho é lilás. Fico com lágrimas nos olhos quando canto uma música que amo (geralmente Rita Lee). Sou capaz de ficar muito feliz (muito mesmo) quando ouço/leio/assisto a uma música/livro/filme que gosto.

A palavra em sueco de hoje é övning, exercício.

Posted by Maria at 03:48 PM | Comments (6)

agosto 26, 2005

Escolhas

E porque sempre há uma escolha a ser feita na vida, escolho não deixar minha sensação de surpresa e desapontamento tomar conta; me nego a sofrer pelas dificuldades alheias. Depois de muito pensar, não acho que tenha feito algo de errado ou deixado de fazer algo certo. Mas, o mais cruel dessa coisa toda é exatamente a impossibilidade de saber o que aconteceu. Depois da pergunta, da curiosidade amiga, o silêncio. Isso não se faz.

E ontem foi um dia ótimo. Saímos pela manhã em direção à casa da minha sogra, que nos esperava feliz. Urso montou a churrasqueira e instalou iluminação na estante nova (sogra se mudou durante o verão). Eu fiz quase nada, mas ajudei a limpar tudo depois do jantar. Sobremesa: sorvete de framboesa. :c) Demos uma volta no quarteirão, nós três, e vimos a chuva cair até tarde. It turns out you don't need much to be happy.

Hoje chove e o céu está cor de chumbo. Mas tudo bem, afinal, é sexta-feira. Teremos jantar caprichado (achamos um arroz temperado que promete), dengo e tals. Meu urso está em casa e eu me sinto realmente bem. Além disso, uma das pessoas mais delicadas que "conheço" recebeu um presente e tanto. Carola, minha querida, parabéns pela novidade. Estou aqui torcendo por você. Beijocas e muita saúde!

A palavra em sueco do dia é val [vóól], escolha.

Posted by Maria at 08:19 AM | Comments (3)

agosto 25, 2005

Difícil

Uma das coisas mais complicadas da vida é o relacionamento humano. Quando a gente acha que está agradando, está, na verdade, fazendo papel de bobo. Quando adora uma pessoa e diz, honestamente, uma coisa para ajudar está, na verdade, invadindo a privacidade dela. O relacionamento de amizade e/ou parentesco representa também uma série de expectativas. Não corresponder às expectativas (suas ou dos outros) representa inevitavelmente frustração.

Você espera que a pessoa continue a se comunicar como antes; você acha que nada mudou, mas como saber? O pior de tudo é o silêncio magoado, de quem não ousa dizer o que sente - ou simplesmente não consegue organizar seus pensamentos o suficiente para explicar o que está acontecendo. Enquanto isso, você fica lá, achando que é uma merda ambulante.

Aí, de repente, acontece alguma coisa e você está numa boa, achando que a pessoa vai estar feliz por você. Mas, devido à circunstâncias da vida da pessoa, ela simplesmente recebe a sua notícia como uma humilhação - pra ela. O mesmo acontece quando tentamos agradar amigos ou parentes. Simplesmente não dá pra saber como a opinião/conselho/texto será recebido. E quando você se choca com a reação do outro, você é super-sensível ou, em outras palavras, um chato.

Por isso, prometo de agora em diante não mais escrever emails pra ninguém perguntando se está tudo bem, não ligarei pra ninguém com o mesmo motivo, não darei mais notícias pra quem acha que sou uma chata super-sensível e intrusiva e, tenho a impressão, minha vida ganhará em qualidade.

A palavra em sueco do dia é beslut, decisão.

Posted by Maria at 09:52 AM | Comments (21)

agosto 10, 2005

O anonimato e suas impossibilidades

Nesses últimos dias de preguiça, comecei a realizar um projeto que vinha querendo fazer há muito tempo: um site onde listo os livros que li, nas respectivas datas, com comentários curtos. Ainda estou no começo mas o fato de ter iniciado um blog novo, me fez pensar nas origens do Montanha. Acabei por me perguntar o que faria de diferente se pudesse voltar no tempo, pro dia 28 de fevereiro de 2002.

Acho que antes de mais nada eu seria anônima, o que me daria possibilidade de escrever muito mais livremente sobre absolutamente tudo, sem precisar imaginar o que "as pessoas" pensam de mim. É uma liberdade imensa simplesmente poder escrever sem limites, sem precisar pensar no que o fulano ou a sicrana vão imaginar a meu respeito. É claro, tem gente que consegue fazer isso mesmo dando nome, endereço e colocando foto no blog, mas isso é outra história.

Por outro lado, acharia difícil ser anônima porque sou eminentemente pessoal quando escrevo. Pra mim, blog é um espaço pessoal, criado por uma pessoa que quer se expressar sobre sua vida, suas experiências, suas opiniões. E isso torna o site inevitavelmente "íntimo" -- mesmo que haja muitos níveis nessa intimidade. Às vezes me sinto meio narcisista, falando de mim o tempo todo, mas, pô, o blog é pra isso mesmo. Não vou fazer um blog pra falar mal de outros, que seria estupidez. Então, a narcisista dentro de mim, perdoada, agradece.

A palavra em sueco do dia é navel [nóóvel], umbigo.

Posted by Maria at 09:48 AM | Comments (14)

fevereiro 23, 2005

"Row, row, row the boat

"Row, row, row the boat Gently down the stream Merrily, merrily, merrily, merrily Life is but a dream" Folksong
Posted by Maria at 09:33 AM | Comments (10)

fevereiro 13, 2005

"A woman that wants to

"A woman that wants to be like a man has no ambition". (Hohoho. Ouvi na TV. Não sei quem disse, mas deve ter sido uma pessoa muito inteligente).
Posted by Maria at 03:52 PM | Comments (12)

fevereiro 07, 2005

No plexo solar

escher01.jpg Imagem: Escher.
Sabe o que estou a fim de fazer? Estou a fim de ir pro Rio, passar uns tempos com mãe+pai+irmão, meus amigos, minhas cachorrinhas, minha língua, minha cidade, minhas ruas, minha música. Quero esquecer por algumas semanas a insegurança diária de andar por calçadas geladas, de falar uma língua estranha, de estudar estatística, de duvidar do meu futuro, de aturar as esquisitices desse bicho estranho chamado "sueco". Mas, na verdade, teria de trocar uma insegurança pela outra. Não sinto angústia. Sinto uma saudade viva, mas dormente. É como se fosse um surdo (o instrumento de bateria, não o deficiente auditivo), cujo som é tão baixo que dói no peito, no meio do coração.
Posted by Maria at 08:50 PM | Comments (25) | TrackBack

janeiro 27, 2005

(Falta de) enlevo e libertação

Minha vida nesse momento é um deserto. Um deserto feito de números, fórmulas, probabilidades, valores médios, absolutos e suas freqüências. Nada é subjetivo. Tudo é claro e preciso. Socorro! Admito, no entanto, que acho interessante a capacidade da estatística de ajudar a comprovar vários tipos de experiências científicas, de remédios novos - sua capacidade de cura e suas contra-indicações - até quão desigual uma sociedade pode ser com seus próprios cidadãos.

Isso me agrada. A interpretação da estatística, suas conclusões. O que é difícil de engolir é a aridez do processo matemático. Apesar disso, compreendo que é apenas sabendo de suas entranhas, das fórmulas, das proporções e cifras, que é possível tirar conclusões corretas. Por isso, ainda não me revoltei completamente. Mas é por isso também que não escrevo aqui tão freqüentemente. Preciso de enlevo, conhecimento (não apenas matemático) e, porque não dizer, poesia.

E foi isso que encontrei num programa que acabei de assistir em um dos canais da SVT (TV estatal sueca). Foi um documentário produzido pela BBC sobre a música de Auschwitz, tocada por prisioneiros judeus e ciganos. O filme foi mostrado hoje em mais de 50 países como um marco dos 60 anos de liberação do campo de concentração polonês. Foi em 27 de janeiro de 1945 que o Exército Vermelho libertou o que ainda restava dos prisioneiros de Auschwitz.

Muito tocante. Três sobreviventes, a cantora Eva, a cellista Anita e o tocador de acordeão Michael, contam suas lembranças, mostram seus números tatuados nos ante-braços e repensam como conseguiram sobreviver. Eles mostram um certo peso na consciência por terem feito música na porta do campo de concentração, enquanto centenas de pessoas desciam dos vagões e iam direto para os fornos, onde morriam. "Não se pensa em moral nessa hora", defende-se Anita. "Estávamos todos preocupados em não morrer".

Eva, judia da Hungria, estava faminta quando chegou a Auschwitz depois de quatro dias de viagem. A fome fez com que perguntasse se conseguiria um pedaço de pão se cantasse. A responsável pelo barracão das mulheres onde ela estava disse-lhe que sim. Ela começou então a cantar "Madame Butterfly", de Puccini. Nessa hora a responsável pela orquestra do campo disse que ela iria cantar pra eles, o que lhe salvou a vida.

Seria bom ter certeza que os horrores dos campos de concentração nunca mais se repetissem. Mas sabemos que eles já se repetiram muitas vezes durante esses 60 anos. Exemplos não faltam: Srebrenica, na ex-Iugoslávia, Ruanda, Sudão e, em menor escala, Candelária, Carandirú etc etc etc. Será que nunca aprenderemos a lidar com nosso ódio? Será que o nacionalismo precisa existir em detrimento da integração pacífica dos povos?

No que diz respeito a mim, sairei dessa aridez toda em algumas semanas. Essa sensação de finitude me ajuda a suportar a frustração da matemática. Aliás, tenho até a impressão de que a culpa não é da matemática em si - bastante inofensiva até agora - mas de péssimas experiências pedagógicas com a matemática. Isso sim destruiu nossas possibilidades de um convívio civilizado. Vou até ali, escutar uma música, ler um livro, ver um filme, falar com um amigo, namorar, irrigar minha existência. Já já eu volto. Salut!

A matéria da BBC, aqui.

Posted by Maria at 11:00 PM | Comments (32)

janeiro 20, 2005

Oi

Hoje não tenho sobre o que escrever. Ou, se o tenho, não vem à tona. Não acredito na história que se está sem inspiração. Isso é lorota de quem não gosta de escrever, ou tem preguiça. Anyway, aprendi, depois de muitas sessões de análise, que quando se está assim, achando que não se tem nada pra dizer, é que se tem muito a falar. Bom, como o ouvido (e os olhos) de vocês não são penico e eu não faço análise em público, saio de mansinho e volto logo. Adieu.

PS.: Ah, a cachorrinha da minha amiga Viktoria deu cria. Ainda não vi os filhotes mas estou morrendo de curiosidade. :c)

Posted by Maria at 03:50 PM | Comments (10)

dezembro 02, 2004

Quem sou eu?

Eu sou uma colcha de retalhos, de pedaços de uma vida passada, de sonhos, de esperanças. Eu sou o café Arvid Nordqvist, feito com grãos Brasil Cerrado; eu sou uma conversa em que uma pessoa conta suas férias na Ilha da Madeira, onde fala-se português; eu sou o arroz branco refogado com alho; eu sou a mocinha da propaganda de xampu que samba e balança seus cabelos vestindo uma camisa da seleção; eu sou a manga e o mamão papaya brasileiros no supermercado; eu sou a artilheira de futebol morena, baixinha e talentosíssima; eu sou as matérias sobre violência, pobreza e corrupção na TV e nos jornais; eu sou o feijão preto, vendido aqui como comida macrobiótica; eu sou um tipo de depilação que a mocinha do salão de cabeleireiro nunca tinha ouvido falar; eu sou a música do Gil, da Marisa, do Caetano, da Rita, do Chico; eu sou o carnaval, mesmo sem nunca ter ido à Sapucaí em dia de desfile; eu sou um sotaque; eu sou um cartão postal com um pelicano na capa; eu sou uma bandeira verde e amarela pendurada na parede; eu sou um foco de calor no meio da tundra.

D'après Raul Seixas.

Posted by Maria at 10:50 AM | Comments (19)

novembro 14, 2004

Não se afobe não que nada é pra já

Dei uma pausa no trabalho final/prova do curso de psi para flanar na Internet. Me lembrei de um post interessante de uma moça cujo modo de pensar mucho me gusta. Ela copiou o hexagrama de número 5 do I Ching, o ótimo "Paciência". Fui e fiz minha perguntinha básica. Achei que os gênios elevados e sábios iriam me dar a mesma indicação, mas não. Eles foram muito mais acertivos.

Veio pra mim o hexagrama de número 3, "Dificuldade no início". "Dãããã", pensei. Claro que vai ser difícil no início, o problema não é esse. O problema é quão longo esse "início" é. Sei que o I Ching não responde à perguntas cujas respostas sejam apenas sim ou não. Posso perguntar se conseguirei um emprego decente nesse país, e o I Ching vai dizer que preciso ter paciência para lidar com o insólito da vida distante; que minha energia precisa ser revitalizada e que a vida não é tão simples.

Ok, ok. Diz lá no hexagrama 3: "Dificuldade no início. O nascimento de qualquer coisa - incluindo uma nova aventura ou um relacionamento - é a entrada dentro do reino do desconhecido. Ao mesmo tempo, novas coisas parecem estar acontecendo a todo tempo com você, o que pode fazer com que confusão se estabeleça facilmente. Mas o caos é uma força poderosa se você a aproveita da forma certa. Não tenha pressa. Não deixe eventos te enlouquecer. Permança calma e persevere, mas dê o primeiro passo. E conte com toda a ajuda que conseguir."

É, o I Ching tem razão mesmo.

Tempo em Umeå hoje: nublado com possibilidade de chuva no decorrer do período. Temperatura oscilando de 3 a 7 C. Nascer do sol às 08h04, pôr do sol às 14h40.

Posted by Maria at 02:36 PM | Comments (11)

novembro 08, 2004

Reação cognitiva

umea_november.jpg Umeå, 7h38min da manhã

Um dia liiiindo. E produtivo. Palestra sobre psicoterapia cognitiva, muito utilizada no tratamento de viciados em drogas e álcool. Busca-se uma melhoria no comportamento da pessoa, por meio de uma mudança em suas ações, seu pensamento e até de suas emoções. Essa é, aliás, a parte mais difícil, claro. A terapia cognitiva é extremamente pragmática e não tem como objetivo tratar de problemas mais profundos, causados por traumas ou coisas mais cabeludas. Angústia aqui, não existe. Ou se existe, não tem um papel tão proeminente.

O professor, Anders, comentou sobre traumas variados de algumas pessoas cujos casos ele teve contato profissionalmente. Um cara perdeu emprego e posição social por não conseguir controlar sua ira quando alguém, através de um comentário inocente, o fizesse se sentir inferior, "sujo" - no sentido moral e físico. A "explicação" é, segundo Anders, que esse cara não podia entrar em casa quando era pequeno e aparecia na porta sujo das brincadeiras de rua. A mãe simplesmente fechava a porta na cara dele e pronto.

Isso me fez pensar bastante. Primeiro: que bom que nunca tive pais malucos assim. Segundo: até que ponto nossa irritação é válida? Até que ponto um tantinho de repressão não é necessário para que possamos viver em "paz" com outras pessoas a nossa volta? Será que reagimos demais sempre? Terceiro: conviver é uma arte, putz grila.

Posted by Maria at 12:11 PM | Comments (10)

novembro 07, 2004

Oh, lord

oh lord won't you buy me a mercedes benz? vendo filme com morgan freeman, ele é policial, CIA, FBI ou coisa que o valha, chamado pra resolver o seqüestro de uma menininha. li no globo que a mãe de um jogador de futebol foi seqüestrada e que outro jogador foi morto a tiros. que coisa. a atriz que faz papel principal ao lado de freeman é daquelas loirinhas com cara de cachorrinho. The first rule of style is to have something to say. The second rule of style is to control yourself when, by chance, you have two things to say; say first one, then the other, not both at the same time (George Polya, Hungarian mathematician). Me controlar? Are you KIDDING?????

Posted by Maria at 09:36 PM | Comments (4)

novembro 04, 2004

Amigos

Na segunda começamos o curso básico de psicologia. São apenas cinco semanas, mas é muito melhor do que leis. Por enquanto estudamos Freud (claro), Erik Homburger Erikson, Maslow, Piaget etc. Hoje foi a vez da psicologia cognitiva, cujo centro é a equação pensamento+sensação+ação. Fiquei pensando nisso, na relação do pensamento, das palavras que escolhemos para expressá-lo e nas ações que tomamos em conseqüência desses pensamentos - principalmente no que diz respeito a relações entre amigos.

Não há nada que seja mais difícil do que relações humanas. Ando numa onda de mal-entendidos com alguns amigos. Parece que digo "A" e a pessoa entende "Z". Ainda não sei se sou eu que estou me expressando mal ou se é ela que não tá a fim de enxergar o que estou dizendo. No momento me parece que sou eu que ando muito reativa, me ferindo por quase nada. Às vezes acho que estou sendo até franca demais, que estou queimando o pavio fácil demais, que estou falando muito. Deveria ficar é calada, fingir que tudo está numa boa e pronto. Pior pra mim que não consigo.

Posted by Maria at 06:02 PM | Comments (16)

outubro 23, 2004

Aconteceu

baylan.jpgEstão sentados? Então senta que a notícia é uma bomba: o primeiro-ministro sueco Göran Persson reformou seu cabinete e pela primeira vez convidou um imigrante para assumir um posto no governo. Ibrahim Baylan (foto), 32 anos, político ativo aqui em Umeå, é o novo ministro da educação. Ele veio pra Suécia ainda menino de um pequeno povoado no Curdistão da Turquia. Morou anos em Estocolmo, no subúrbio de Botkyrka, e há 11 anos se mudou pra Umeå, onde se formou na minha universidade em ciências políticas.

Acho essa notícia fe-no-me-nal. Isso porque são os órgãos públicos - de vital importância na vida econômica sueca - que devem dar o exemplo e empregar pessoas de outras culturas. Começa-se a ver gente de nome, aparência e sotaque diferentes e de competência comprovada na vida pública, fica mais fácil pra população como um todo aceitar imigrantes de uma forma geral. Mais legal ainda é que ele não foi escolhido pra ser ministro da integração, mas sim de educação, uma pasta importantíssima para os suecos. Mostra que ele não está lá porque é imigrante, mas porque é competente.

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Ontem na hora do almoço dei um pulo na universidade para devolver um livro na biblioteca. Encontrei uma colega de curso, Mehrnosh (nascida em Teerã, veio pequenininha pra Estocolmo, os olhos amendoados mais lindos que já vi e gente boa pra caramba). Ela ia estudar pra prova da semana que vem com um bando de outras colegas. Lá fui eu, claro. Sentamos na sala, as meninas a discutir uma coisa ou outra sobre leis, divisão de bens (sabe-se que uma questão da prova incluirá isso) e eu simplesmente não consegui acompanhar o raciocínio. Olhava pras meninas e não dava pra contar com meus abusados neurônios. Pedi desculpas, saí de lá e vim pra casa. Cansada.

Ande de eu ir, uma das moças disse que precisaria sair às 14h30 porque tinha combinado com uma outra amiga de ir fazer ginástica com ela. Eu pensei (já que concentração no exercício eu não tinha mesmo) que acho impressionante a necessidade de certas pessoas em estar sempre acompanhadas. Eu sou uma criatura gregária, gosto de gente, de amigos, de grupos de trabalho (quando todo mundo se dá bem e faz seu trabalho), mas chega uma hora em que simplesmente preciso ficar sozinha, vir pra casa, ler, pensar etc. É legal estar bem acompanhada, mas caso isso não seja possível, prefiro a solidão. Sinceramente.

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Terminei de ler o livro do Sven Lindqvist. Interessante, mas o cara é meio obsessivo (o que não é problema, já que também posso ser assim às vezes). Uma coisa, no entanto, achei muito legal (já copiei pro meu caderninho). Ele escreveu assim: "Talvez exista um ódio no amor, porque aquele que ama fica exposto." É ou não é verdade? Quem ama é fortíssimo e fraquíssimo ao mesmo tempo. Estar tão desnuda (não apenas no sentido corporal, mas principalmente no emocional) pra uma pessoa é uma felicidade real... e assustadora.

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Um caçador foi morto no fim de semana passado por um urso nas florestas perto de Jokkmokk, cidade no extremo norte sueco. Essa foi a primeira vez desde 1902 que um ser humano perde a vida num ataque de um urso, que geralmente evita o contato com humanos. Agora os caçadores querem ter permissão pra matar mais ursos por época de caça e os órgãos de proteção da fauna nativa defendem os animais, que são cerca de 2 mil em todo território nacional. (Preciso dizer que acho o fim da picada essa coisa de caça? Não, né?)

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Muitos me perguntam porque eu ainda permito comentários aqui no Montanha mesmo depois de ter tido tantas chateações com gente maluca. Uma das razões é que gosto da conversa, da troca de idéias cordial que acontece por meio dos comentários. Sem eles, fica meio que um monólogo menos interessante. Mas essa é apenas uma razão. A outra é que sem comentários, estaria me privando de acordar de manhã depois de uma noite com pesadelos horríveis e ter meu dia salvo com um comentário assim:

"Olá. Olha, eu vim aqui por uma recomendação de um amigo, sabia??? E se como você foi citada??? mais ou menos algo do tipo "referência" de alguém que escreve com amor. Achei impressionante a maneira como você se expressa. Ele estava certo. Muito boa sorte!!! Cesar- direto de São Paulo, Brasil
Obrigada César e um agradecimento especial ao seu amigo. Saibam que vocês salvaram o meu dia e me deixaram muito feliz.

Posted by Maria at 11:21 AM | Comments (33)

outubro 19, 2004

Nariz pra neve

escher02.jpgQuando era criança, sempre me maravilhava com os adultos dizendo que "estava cheirando à chuva". Quase sempre eles estavam certos e, à tarde, quando fazia calor o dia inteiro, chovia muito. Ainda acho uma coisa fenomenal essa possibilidade de prever o tempo com a ajuda do nariz. Mais tarde, já mais crescidinha, compreendi o mecanismo sensual de se poder prever a chuva, a humidade, o cheiro de terra e do concreto molhados, grama cortada.

Agora me vejo novamente na frente de mais um desafio. As pessoas aqui dizem: "Vai nevar em breve. Posso sentir no ar". No que eu prontamente me coloco a perguntar como a pessoa sabe, como sente, etc. Ninguém sabe me explicar. No inverno é invariavelmente seco aqui no norte, mas parece que a neve cai mais quando a temperatura está mais amena (ou menos fria). Mas neva também quando está 20 graus negativos... Ainda não descobri o mecanismo que os nativos usam pra prever a chegada da neve, mas um dia eu chego lá. (Imagem: Escher.)


Felicíssima: hoje recomeça um dos programas que mais adoro na TV sueca, chamado "Din Släktsaga" (mais ou menos "História dos seus antepassados"). Já escrevi sobre ele no dia 23 de outubro de 2003. É um show obrigatório pra qualquer canceriano que se preze, mesmo os enrustidos, como eu. Uma das histórias de hoje é a de um homem que foi tentar a sorte nos EUA nos anos 20 deixando noiva grávida pra trás. Disse que voltaria em cinco anos. Trinta e um anos depois, ele coloca os pés novamente na Suécia. Noiva e filho, já um homem, o aceitam de volta. A outra história é a de um casal que também queria tentar a sorte na América no início do século. Juntaram dinheiro pra pagar a passagem de navio, até que um dia conseguiram comprar o tíquete. O nome da embarcação: Titanic.

Posted by Maria at 09:14 AM | Comments (24)

outubro 17, 2004

Cenas de um casamento

Ingmar e Ingrid

Acordei 8h30, mas estava com sono. Levantei às 9h porque não consegui mais dormir. Café+leite+torrada+queijo+geléia de morango light. Rádio. Fui ler jornal às 10h. Na primeira página apenas uma coisa: o lançamento do livro de Maria van Rosen, filha de Ingmar Bergman, o famoso diretor sueco. O livro é composto por textos dos diários de Ingmar, Maria e sua mãe, Ingrid, que morreu de câncer no estômago há dez anos. Partes do livro vieram publicadas no caderno de domingo do jornal.

Comecei a ler e me deixei levar pelo texto íntimo. Fala-se de coisas cotidianas, amor e morte. Muito tocante. Lá pelo meio, me emocionei muito com a tristeza dos três (e demais membros da família) pela morte iminente. O livro foi escrito com a permissão de Bergman, dos irmãos de Maria e de toda a família. Não há mágoas, amarguras ou brigas. Há apenas um momento na vida de três pessoas sensíveis. Em tempo: Maria van Rosen não sabia que era filha de Bergman. Ficou sabendo aos 22 anos. A mãe, Ingrid, se separou do primeiro marido para casar com o diretor. A união durou 24 anos.

Trecho: "Ingmar: Segunda-feira, 15 de maio. Ingrid está mais ou menos como ontem, só que mais acordada. Mais preocupada, "sobreviverei esses dias?" Ela é de repente distante, quase dura. "Não pergunte tanto." Ela recebe doses progressivas de morfina. Pensei que ela fosse vomitar. Fortes arrotos. Não, não acho que pude ver qualquer paz hoje. Pelo contrário. De repente e quase inaudível: "Eu te amo." Lhe dou água. Ela tem uma má vontade incompreensível contra as pastilhas para criação de saliva. Tudo é de repente distante e estranho. Mas a mão é ainda conhecida."

>>>Me toquei que a morte de uma pessoa amada não pertence apenas à pessoa, por mais pessoal que a morte possa ser. Mas ela pertence principalmente à família ou, pelo menos, aos entes queridos mais próximos (sejam amigos ou familiares). A morte de quem morre não é dela/dele. Quem morre, morre. Quem fica é que paga a "conta", que precisa lidar com o que a morte representa - e é uma dor/perda contínua, ano após ano. O que vale é não deixar que a morte tome muito espaço da vida. Move on, move on.<<<

bolas.gif

Oráculo: Uma moça chegou ao Montanha digitando isso aqui no Google: "eu o amo moro no brasil e ele nos estados unidos ele é casado e eu sou solteria" (sic). Meu comentário: SAI DESSA, MENINA!!!!

Posted by Maria at 12:56 PM | Comments (17)

setembro 21, 2004

Leis e realidade

justica.gifNesse primeiro mês de aulas do curso básico de ciência legal (grundkurs i rättsvetenskap), aprendi um pouco mais sobre como a sociedade sueca é construída, como as instituições funcionam (ou deveriam funcionar) e até como os cidadãos pensam - já que leis nada mais são do que um reflexo do modo de pensar da sociedade, né?

Desde que comecei a me inteirar mais sobre como a Suécia funciona passei a pensar, claro, no Brasil. Mesmo assim quero deixar bem claro que me nego terminantemente a fazer comparações diretas entre os dois países. Primeiro porque é impossível comparar realidades (e histórias) tão diferentes, segundo porque não vivo mais no Brasil, e terceiro porque não gosto de me juntar ao coro dos amargos e dizer que no Brasil tudo é uma merda.

Mesmo assim, volto a dizer, quando você comeca a entender as entranhas do sistema sueco, fica sim com uma pontinha de vontade de comparar, de comentar, de dizer como as coisas "deveriam ser feitas" da forma certa. É fascinante analisar o controverso sistema de impostos que diminui muito as desigualdades e mais ou menos impede a criação de uma sociedade de classes, as leis que conseguem garantir a todos os cidadãos direitos básicos como cuidados médicos adeqüados, educação e cuidados com os cidadãos mais velhos.

Dá vontade de se candidatar a um cargo público em Brasília pra "dar um jeito na confusão" no Brasil, levando consigo as idéias suecas.

O único problema é que geralmente, o texto da lei - até mesmo o brasileiro - é muito bonito e, em certos casos, até mesmo perfeito. O que estraga é a execução (ou não) das leis. O povo sueco gosta que se enrosca de leis e as segue com gosto. Não sei porque, não tenho base antropológica pra discutir esse fenômeno, mas o fato é que aqui as leis são seguidas pela maioria da população. No Brasil, todos sabemos, as coisas são muito diferentes nesse ponto.

(Nota: Quero deixar uma coisa clara aqui: com o parágrafo acima não quero criticar o povo brasileiro, nem me unir àqueles que dizem que o único problema do Brasil é o "povinho".)

Acho que o lance é mais complicado do que parece. Quem na verdade dita o futuro de um país? O que faz um país "dar certo"? Aqui parte-se do princípio da confiança mútua entre as partes. Por exemplo, em certos estacionamentos públicos você pode deixar seu carro sem pagar nada, basta colocar um reloginho de papel no parabrisa (por dentro) marcando a hora em que chegou (isso quando não diz numa placa que você tem que pagar taxa, claro). Sempre que paro num desses "estacionamentos livres" vou conferindo os carros e a grande maioria coloca os tais dos reloginhos.

Não acho que no Brasil esse sistema não desse certo. Tenho a impressão de que falta cuidado da parte dos cidadãos em querer que dê certo. Os suecos têm muito orgulho do seu país, do desenvolvimento alcançado nos últimos 60 anos (depois da segunda grande guerra). A sorte deles é que tiveram governos honestos, que investiram o dinheiro ganho com esse desenvolvimento em pesquisa, educação e na construção do chamado wellfaire state. Por isso, as pessoas tentam manter a ordem, respeitar as leis.

Acho que no Brasil, infelizmente, não temos essa auto-estima, essa capacidade de sentir orgulho da evolução brasileira.

Posted by Maria at 04:55 PM | Comments (23)

setembro 10, 2004

Imaginary Homelands

sphere.jpg Imagem: Escher

Salman Rushdie sobre si mesmo e asiáticos na Inglaterra:

"Somos hindus que cruzaram as águas negras; somos muçulmanos e comemos carne de porco. Consequentemente pertencemos atualmente em parte ao mundo do leste. Às vezes nos sentimos na fronteira de duas culturas (...). Pelo fato de termos sido transportados através de meio mundo, somos pessoas traduzidas. Normalmente imagina-se que algo sempre se perde numa tradução; eu sustento teimosamente que algo também pode ser ganho... Somos ao mesmo tempo insiders e outsiders nessa sociedade. Essa visão estereoscópica é o que podemos oferecer no lugar de uma visão completa." (Rushdie 1992, páginas 15, 17, 19 - Trecho retirado do livro I ensamhetens labyrint: invandring och svensk identitet, de Mauricio Rojas)

Posted by Maria at 10:43 AM | Comments (19)

setembro 09, 2004

...não. Hoje não.

...não. Hoje não.

Posted by Maria at 08:43 PM | Comments (11)

setembro 08, 2004

A Terra é um planeta inusitado, que funciona por meios tortuosos. Povoado por bípedes tão diferentes visualmente, mas que, no entanto, dividem uma coisa em comum: vivem e sobrevivem porque crêem. Seja Deus, Alá, Buda ou qualquer outro. Nascem, crescem e morrem acreditando em alguma coisa. Na mãe, no pai, no filho, no espírito santo, no parceiro, no amigo. Nem os desconfiados se salvam porque têm crenças básicas embutidas. Até o ateu está incluído: ele crê na independência. Eu acredito na esperança, que pra mim equivale à fé religiosa. Que coisa insólita essa de se viver de crença.

Posted by Maria at 10:27 AM | Comments (24)

agosto 28, 2004

À luta, companheiras!

tusch.jpgPensando mais no assunto do post abaixo, e depois dos comentários de todos vocês (obrigada!), achei que faltou dar uma solução pra quem não tem a sorte de morar numa sociedade em que esse tipo de sexualidade exagerada é questionada. Eu, pessoalmente, depois de virar adulta, descobri que não há nada - nada mesmo - mais sexy do que uma pessoa segura de si. Não importa se essa pessoa é caolha, gorda, manca e careca. É uma pessoa segura, tem senso de humor e sabe fazer graça de si mesma sem ser patética e querer angariar a piedade alheia, pronto: é magnetismo na certa.

Pensei também em como mudei pessoalmente nesses últimos anos. Me lembro de um dia em que fiz uma barbeiragem no trânsito da Barra, quando esperava para estacionar num dos shoppings de lá. Utilizei as dimensões do meu pequeno Fiat Uno, furei a fila e entrei na frente de um outro carro na loooonga fila de espera. O cara - sim, era um homem! Ainda acho que estava sofrendo de uma privação de sentidos temporária por ter "desafiado" um homem desconhecido nas ruas do Rio - o cara ficou puto da vida, lógico. Acelerando o carro dele (não me lembro qual a marca, mas era graaaande e preto), emparelhou com o meu uninho vermelho.

Olhou pra mim, com uma cara muito emputecida, baixou a janela do seu lado direito e, depois de alguns momentos de hesitação, do tipo em que podia ver seu cérebro escolhendo por entre centenas de palavrões para pegar um que realmente me humilhasse, gritou: "Filha da puta!" Fiquei chocada, claro, mas feliz. Sim, FE-LIZ. Isso porque ele tinha me chamado de "filha da puta", mas não de "gorda filha da puta" ou "baleia filha da puta". Eu, mais do que magra, estava me sentindo linda mesmo, ainda que isso não me ajudasse na hora de guiar nas ruas enlouquecidas do Rio.

mulher.gifAgora veja que maluquice: eu ficar FELIZ porque um indivíduo que nunca vi na vida não me chamou de "gorda". Quando pensei nisso, fiquei atônita ao perceber o quanto a opinião alheia influenciava minha auto-imagem. É absurdo dar tanto poder assim pruma pessoa que nunca vi, um cara como outro qualquer. Acho que minha geração, que nasceu nos anos 70 (e até um pouco antes), foi ajudada em muitos pontos pela luta de nossas mães, pela influência do Womans' Lib e coisas do tipo. Está na hora de nós, mulheres de 30 de hoje, liderarmos uma campanha mundial, para que a ditadura do corpo não escravize nossas filhas. Se nossas mães queimaram sutiãs, queimaremos pacotes de pipocas "low fet".

A armadilha da submissão é pior do que a armadilha da desigualdade de direitos. Nossa luta é mais sutil, mas tem de ser travada. As mulheres precisam entender que o Santo Graal dessa história toda não é ser uma "Stepford Wife" (o livro é ó-ti-mo; li de uma sentada só, ontem), uma mulher perfeita, mas ser quem você é, e gostar disso, com toda a sua alma, corpo e mente. Se o seu homem não aprecia isso, coitado dele. (E que fique claro aqui que nada tenho contra dietas moderadas, cujo objetivo é a saúde mesmo. Eu adoro caminhar, gosto de andar de bicicleta e sinto genuíno prazer em me movimentar.)

Posted by Maria at 09:30 AM | Comments (21)

agosto 27, 2004

Sobre bundas, barrigas e revoltas

joyride.gifOntem tava flanando pelo Multiply quando caí num texto que me chamou muito a atenção. O título: "Falsa gorda: mito ou irrealidade? (Considerações sobre um dilema feminino)", escrito pelo roteirista Juca Filho e publicado no site Elas por Elas em junho de 2003.

Qualquer coisa com as palavras "gorda" e "mulher" na mesma frase já me interessa, mas esse texto em especial, criado por um homem sensível e de bom gosto, me fez pensar no que geralmente faço questão de esquecer: a luta diária que eu e muitas mulheres travam com o meu próprio corpo, que insiste em ser maior e mais mole do que gostaríamos.

Juca escreve:

"Antigamente uma figura mítica e extremamente sensual povoava e excitava o imaginário masculino: a falsa magra.

A falsa magra era a verdadeira mulher-mistério. Esguia como uma sílfide, à luz do dia, quando caíam os panos, "na penumbra das alcovas", a falsa magra revelava todo o seu esplendor curvilíneo, macio e consistente, com todas as "delícias carnais" na medida.

Talvez fossem realmente tempos mais felizes. Para nós e para elas. Menos sofridos, mais reais, mais humanos. As medidas "ideais" não eram tão "giselianas" nem se esperava de uma mulher o mesmo tônus muscular de um zagueiro do Vasco."

Sempre achei que tinha nascido na época errada. Apesar de amar computadores, televisão, rádio e cinema, sei que pertenço a uma era menos obcecada com o corpo, menos sujeita à ditaduras ferozes de dietas intermináveis. E o pior é que essa maluquice toda é aceita como a busca da "saúde". E ai de você se não quiser fazer uma lipo! É logo rotulada de desleixada.
"Atualmente tudo mudou. Vivemos, talvez, a era da "falsa gorda". Antes, a surpresa se dava na intimidade, ao descobrir que haviam mais tesouros escondidos entre o céu e a pele que supunha nossa vã análise à primeira vista. Agora isto se dá às claras, quando vemos mulheres belas e estimulantes aos nossos olhos masculinos se julgando imperfeitas, em débito com um padrão, sempre a 2 ou 3 ou mais quilos da felicidade.

O fato é que a "falsa gorda" é uma realidade, inclusive entre as mais bacanas, inteligentes, deliciosas e queridas mulheres que enriquecem e tornam nossa vida masculina muito mais surpreendente, instigante e interessante. Assim como é um fato bastante comum ouvir dos meus amigos e de mim mesmo, encantados por estas mesmas mulheres, a mesma intrigada pergunta : "pra que?".

É ou não é o máximo!? Juca, onde você estava que nunca te encontrei enquanto ainda era solteira no Brasil? A vida de uma mulher no Rio (não sei se o fenômeno se repete em outras capitais) é se manter linda e perfeita até sangrar pelo nariz. Eu, que prefiro deitar pra ler um livro a ir suar numa sala fechada junto com outros 50 malucos, agradeço pela existência de gente como o Juca, capaz de gostar da mulher que tem uma bunda assim assado e não se apaixonar pela bunda perfeita, que happens to be connected to a woman.
"Numa sociedade que cada vez mais desaprende a pensar individuadamente, o mito da "falsa gorda" e sua idéia de felicidade possível apenas dentro de um único padrão estético pré-determinado é uma das mais poderosas armadilhas contra a realização pessoal, social e afetiva da mulher. Por ele se sofre, se mata e até se morre. (O que me faz, muitas vezes, pensar : por que, afinal, mesmo com a imensa evolução de idéias, comportamento e atitude individual e social que conseguiu e que nos deixa, homens contemporaneos, tão admirados e despreparados, a mulher ainda é presa tão fácil deste "dogma"?)"
(c) Juca Filho
Não sei se depois dos 30 essa questão mudou pra mim, ou se a vida se encarregou de me mostrar uma coisa ou duas a respeito de perfeição e como isso pode ser um conceito relativo. O que sei é que aqui na Suécia as coisas são diferentes. De que forma, você pergunta? Sim, aqui, quando a Hennes & Mauritz, uma das maiores lojas de departamento de roupas do mundo, coloca um outdoor enooorme nas grandes cidades suecas, no qual a nova coleção de verão da loja, inspirada nas praias do Rio, é ilustrada pela bunda de uma modelo brasileira, há uma revolta geral por parte das mulheres, que acham um absurdo esse tipo de banalização da sexualidade.

A discussão foi tão grande que até mesmo a ministra da igualdade (sim, isso existe aqui), se disse ultrajada com o outdoor, e pediu para que a H&M o retirasse das ruas. Jornais fizeram matérias sobre o outdoor, meninas foram ouvidas e se disseram cansadas de serem confrontadas todos os dias com um ideal para elas impossível de alcançar. Li inclusive uma carta emocionante, publicada no meu jornal, de uma menina de 17 anos que ficou ofendida com o outdoor porque vinha sofrendo desde pequena com anorexia.

Coisas que nunca, nunquinha da silva sauro, a gente ouve no Brasil. Discussão sobre nudez pública só mesmo quando envolvida com religião e olhe lá! Viver frustrada com o seu próprio corpo é um esporte nacional entre as mulheres latinas (as argentinas são campeãs em anorexia no continente) e ninguém questiona isso. Quando as mulheres de todas as idades começaram a chiar por causa do outdoor, a sociedade sueca como um todo deu um passo a frente, no caminho de tolerância e normalidade.

Ninguém precisa ver aquele outdoor. Eu não preciso. Não quero ver a bunda perfeita ou imperfeita de nenhuma mulher (mesmo aquelas que desfilam nuas nos banheiros das academias da vida). Não, eu quero é paz pra ser quem eu sou, apesar ou com a minha bunda. Sei lá, desde que vim morar aqui, comecei a me ver de forma diferente. Não sou mais uma bunda caída ou uma barriga grande. Eu sou gente, antes de tudo. Minha bunda e minha barriga, por mais que não estejam do jeito que eu gostaria, são partes de mim. Precisam ser respeitadas e assumidas. Quando entendi isso, passei a sorrir no espelho pra mim mesma - apesar de tudo.

Tem mais texto do Juca Filho aqui.

Posted by Maria at 01:55 PM | Comments (28)

agosto 10, 2004

Catch 22

Odeio ser controlada mas, ao mesmo tempo, minha falta de controle me irrita.

Posted by Maria at 10:37 AM | Comments (5)

agosto 05, 2004

Dúvida

Alguém sabe como é que se diz "maresia" em inglês?

Nada melhor pruma mente cansada numa tarde quente de verão: filme antigo "Star Trek", com capitão Kirk + Spock e companhia. :c)

Não, melhor mesmo são os programas veterinários da Animal Planet. Cada coisa... Ainda bem que não mostram os bichinhos em sofrimento. Bom, é melhor do que a Ricky Lake...

Fazendo risotto com arroz basmati e ervas italianas, gostosas pacas. :c)

Posted by Maria at 01:12 PM | Comments (11)

agosto 04, 2004

De saco cheio

Tava querendo escrever um post mas não sabia como começar. Resolvi então dar uma volta por aí pra relaxar e descobri que ela já havia escrito tudo o que eu estava pensando. Pra que repetir? Saco cheio de gente burra.

O "The da Vinci Code" é interessante, mas certamente um choque depois de passar dias na companhia de Coetzee e Michael K. Já leu "Crime e Castigo" e passou logo em seguida prum romance da Danielle Steel? Pois é... é essa a sensação. (E, sim, eu leio de tudo, de Dostoiévski a Danielle Steel, cujos livros são deliciosos de se ler num aeroporto, num vôo transatlântico ou num ônibus demorado). Hoje, no entanto, saco cheio de livro bobo.

Penso seriamente em acabar com a possibilidade de comentários aqui no Montanha. Seriamente. O que me impede ainda é a possibilidade de interação com certas pessoas - mas até isso é relativo. Saco cheio de "interatividade".

A última que descobri é que tem um gaiato que anda publicando comentários do tipo "abu du bidabi" em posts antigos aqui do Montanha (lá pra outubro de 2003) propagandeando seu site pornográfico ou para aumento de pênis. Como não sou boba nem nada, já bloqueei o IP e apaguei os comentários. Nada impede que ele utilize outro IP (prática mais do que condenável), mas pelo menos faço a vida dele um pouco mais difícil. Saco cheio de spam.

Posted by Maria at 09:36 AM | Comments (17)

julho 31, 2004

Canto esponjoso

areia.jpg"Bela
esta manhã sem carência de mito
e mel sorvido sem blasfêmia. Bela
esta manhã ou outra possível
esta vida ou outra invenção
sem, na sombra, fantasmas.

Umidade de areia adere ao pé.
Engulo o mar, que me engole.
Valvas, curvos pensamentos, matizes da luz
azul
completa
sobre formas constituídas.

Bela
a passagem do corpo, sua fusão
no corpo geral do mundo.

Vontade de cantar. Mas tão absoluta
que me calo repleto." -- Carlos Drummond de Andrade (livro "Novos poemas", 1948).

Posted by Maria at 02:03 PM | Comments (9)

novembro 09, 2003

O que será, será... Será?

Ontem assisti ao filme "Sliding Doors", com a Gwyneth Paltrow. Já tinha visto o filme antes, mas decidi ver de novo porque gosto dessa coisa da relatividade do destino - se é que existe tal coisa como destino. Anyway, depois do filme, não pude deixar de me perguntar umas coisas.

Imagine se eu tivesse resolvido ficar no Brasil, como minha vida estaria agora? Bom, primeiro acho que eu teria trabalhado por mais um ano na Globo.com, mas provavelmente seria mandada embora quando a Globo.com se transformou em Globonews e depois em um pedaço do Globon.

Estaria ainda morando no meu amado apartamentinho na Urca, mesmo tendo que pagar um aluguel caro. Muito provavelmente, depois de ser demitida começaria a escrever frilas pra revistas em geral e tentaria um emprego numa assessoria de imprensa.

Continuaria a ter contato diário com minha família e meus amigos. Acho que Stefan teria ido morar comigo no Brasil, mas não posso ter certeza se ele realmente teria coragem de largar tudo e ir. Mas acho que sim. Também é interessante pensar no que eu não teria feito, caso permanecesse no Brasil.

Nunca teria aprendido sueco tão bem; provavelmente nunca conheceria iranianos, bósnios, croatas, iraquianos, turcos, russos, assim como, claro, outros suecos (a não ser Stefan). Não teria oportunidade de me sentir viva, vivendo um amor e nadando contra a corrente social que teima e me colocar "no meu lugar".

Nunca teria visto tanta neve e nunca teria experimentado a sensação de beleza da aurora boreal. A questão é: será que eu estaria mais feliz? E a resposta é: impossível saber.

Aliás, completo hoje dois anos e meio de Suécia. :c)

Posted by Maria at 02:09 PM | Comments (0)

novembro 06, 2003

Primeira gången

Acabei de chegar em casa. Dia loooooooongo e prova. Fui bem. Ufa! Na aula de psicologia alguns alunos apresentaram seus trabalhos de aprofundamento. O meu foi sobre Lekterapi. Não sei a tradução para portugisiska, mas é mais ou menos uma "terapia da brincadeira". É um tratamento para que crianças com traumas e dificuldades psicológicas em geral consigam vencer seus medos e voltem a se desenvolver normalmente.

Mas não é sobre isso que quero escrever hoje. É que pela primeira vez desde que comecei a estudar sueco aconteceu uma coisa muito bacana: estava assistindo a uma apresentação de um aluno que falava sobre esquizofrenia e fiz uma anotação sobre o cara, pensando: "Vou anotar isso aqui pra poder comentar no blog depois". O engraçado é que quando fui olhar a anotação agora, vi que ela está escrita em sueco.

Aí você pode perguntar o que é que há de errado com isso. E eu respondo: é que eu me lembro claramente de ter pensado enquanto anotava "vou escrever em português pra garota que senta do meu lado não entender". Escrevi allt som jag ville fast på svenska. Estranhíssimo como o cérebro engana a consciência. :c)

Minha anotação era sobre o cara que estava aprensentando, Hans, que foi adotado na China. Achei engraçado um chinês com nome Hans. Ainda mais interessante é que ele conseguiu apresentar o trabalho sem mexer um músculo da face. Quando falava mal abria a boca. Um fenomen.

Posted by Maria at 03:47 PM | Comments (0)

outubro 08, 2003

Pássaros que nadam

Outro dia assisti a um programa cujo nome já me esqueci, mas através do qual fiquei sabendo de uma coisa bacanérrima: sabia que os pássaros não sentem o ar como nós, humanos? Para eles, o ar é mais resistente e tem uma consistência similar a da água. Os pássaros, na verdade, não voam, mas nadam pelos céus do mundo. Legal, né?

Posted by Maria at 08:50 AM | Comments (0)

setembro 29, 2003

Dois em um

Às vezes fica claro pra mim que me divido em duas. Por um lado minha energia flui leve e fácil, as coisas acontecem, sou consciente dos meus atos e de suas conseqüências, assim como do que preciso fazer para ficar contente comigo mesma. Sei disso e faço de tudo para alcançar essa satisfação.

Por outro lado, tem dias que é difícil me agüentar. Continuo sabendo o que é necessário fazer para ficar feliz mas tenho uma dificuldade incrível para fazê-lo. É como olhar pruma maçã que está na sua frente. Você está com fome. O normal seria esticar o braço e pegar a fruta. Mas você não faz isso.

E aí começa a chateação. Por quê você não faz o que sabe ser necessário? É simples, né? É, é simples mesmo. Mas esse meu lado complicado apresenta uma lista de razões que fazem o movimento de esticar o braço pra pegar a maçã parecer pior do que correr uma maratona.

Ao mesmo tempo em que quero mandar às favas as razões que me impedem de fazer o que é necessário para ser feliz, sei que preciso desses impedimentos, dessas dúvidas. Elas são parte de mim e me definem. O pior é isso.

Será que quando a gente fica mais velha isso melhora? Costumava pensar que sim, mas acho que só se sai dessa lenga-lenga complicada quando se deixa de lado os perigos psicológicos e se aposta numa vida mais direta e descomplicada. O que quero dizer é: todas as pessoas "profundas" que conheço são infelizes.

Posted by Maria at 11:07 AM | Comments (0)

setembro 27, 2003

Perseverança

Li esse post no blog da Rosana Hermann, de quem já gostava na TV e passei a adorar depois que conheci o Querido Leitor. O texto abaixo é meio velho (mais ou menos um mês), mas sempre volto a ele quando penso em desistir. Isso acontece quando leio e estudo sueco que nem uma obcecada e nas ocasiões em que vou dizer alguma coisa mais complicada as palavras somem, quando olho pela janela e nem as cores lindas do outono me fazem esquecer que o invernão está ali na esquina, ou quando meu coração aperta de saudades. O texto da Rosana é bacana porque é uma ode à perseverança. Quando você estiver quase desistindo, pense na manteiga! :c)

Manteiga (...) O dia está sendo de muita lucidez. Não sei o que é. Mas vou mudar os rumos da minha vida a partir de hoje. Tenho visto, ouvido, aprendido, absorvido e está acontecendo um processo, do jeito que eu mesma sempre descrevo: o processo da manteiga. Quem já bateu manteiga sabe como é. Você se vê ali, batendo um monte de leite. Parece impossível que aquilo vire manteiga, mas você está ali pra isso e vai batendo. No meio do processo, o braço começa a ficar cansado. Você não acredita que aquilo vá virar manteiga e ainda por cima, começa a sentir um grande incômodo. Aí vem o processo de questionamento. Por que você vai ficar ali, como uma idiota, de braço dolorido, batendo aquele monte de leite com cara de que não virar coisa nenhuma? Não tem nenhum sinal de manteiga, continua tudo líquido e branco. A única coisa concreta é o cansaço no braço e a descrença. E aí, na reta da desistência, você se irrita e, com raiva, bate mais e mais e mais. Aquele leite branco e líquido. E não se sabe como, ou porquê, numa meia volta da batida, subitamente... plaft! TUDO VIRA MANTEIGA. MANTEIGA. De uma vez. E aí, você esquece o cansaço e a descrença, diante daquele milagre.

Alguma coisa está acontecendo hoje, com essa aproximação de marte.
Pode trazer o pãozinho fresco.
A manteiga, está pronta.

Posted by Maria at 05:59 PM | Comments (0)

agosto 31, 2003

Sobre o Montanha-Russa, a vida e as mudanças

É tão frustrante vir aqui e não poder ler os comentários de vocês! Mais uma vez fica comprovado que um blog não é apenas o que se escreve nele, mas a interação com seus eventuais leitores. Well, o Yaccs está fora do ar por conta de um problema com o servidor e deverá ficar assim até amanhã. Tomara que volte logo porque falar sozinha é um saco.

Uma moça chamada Rebecca deixou um comentário dizendo que está realizando um sonho: virá estudar na Suécia por um ano. Mas, depois de ler alguns posts sobre racismo e discriminação aqui do Montanha-Russa, ela ficou muito apreensiva. Vou tentar explicar uma coisa, então.

Olha, tudo o que eu escrevo aqui é um reflexo das minhas experiências e percepções. Mas, como qualquer mortal levemente pessimista, tenho uma tendência a descrever tudo de forma mais dura e difícil do que na realidade.

Uma coisa importante que você, Rebecca, deve ter em mente: comecei a escrever esse blog há quase dois anos exatamente para poder entender a Suécia e tentar localizar o meu lugar nesse mundo novo. Isso porque escrever, pra mim, tem o efeito de esclarecer as coisas, torná-las mais simples. Quando você faz o que eu fiz, muda toda a sua vida de um dia pro outro, literalmente, é muito difícil se adaptar.

Pois bem. A primeira coisa que se sente é uma curiosidade natural com o país novo, a língua, as pessoas, os costumes etc. No meu caso, depois disso veio meio que um desencantamento com a falta de capacidade dos suecos de entender que eu era eu e que isso já bastava para que eles me convidassem para trabalhar como editora-chefe do Aftonbladet com salário astronômico, apartamento em Gamla Stan e carro da firma. :c)

Hoje, percebo, no entanto, que o buraco é mais embaixo. Claro que minhas reinvindicações, os casos esporádicos de preconceito enfrentados por imigrantes e tudo o mais existem, são reais. Mas são exceções. Hoje estou mais conformada com a idéia de que meu caminho aqui é longo. Estou trabalhando pra que ele seja, pelo menos, prazeiroso. Cabe a mim fazer de tudo para que minha vida dê certo, assim como caberá a você trabalhar sua energia, suas expectativas e frustrações para ser feliz aqui, no ano dos seus estudos.

Além de trabalhar duro, a única coisa que eu preciso fazer é acreditar que tudo, no fim, dará certo. Porque essa é a verdade. Um dia ou outro, tudo vai dar certo.

Então, queria dizer pra você, Rebecca, pra não ficar impressionada com as coisas que escrevi lá no início do blog. Tudo muda, evolui. A vida tem seus altos e baixos, exatamente, aliás, como uma Montanha-Russa. :cD

Posted by Maria at 11:47 AM | Comments (0)

Uma alegoria

Quando penso na Suécia, minha impressão é que estou diante de uma mulher dura, alta, com o rosto marcado pelas dificuldades da vida. Ela vê, finalmente, na segunda metade da sua vida, seu futuro não tão complicado, com a perspectiva de uma boa pensão e anos tranqüilos de velhice. Essa mulher acha difícil enfrentar mudanças, é totalmente ligada às antigas tradições que lhe foram passadas por sua mãe que as recebeu da avó, que as recebeu da bisavó e assim por diante.

Quando eu a olho nos olhos azuis, ela sorri e manifesta algum interesse. De onde eu venho, como eu aprendi a língua tão bem, o que eu fazia na minha terra e quando meus parentes virão me visitar são as primeiras perguntas. Respondo a todas, sempre me esforçando para não errar na gramática. Depois, as perguntas acabam e a mulher começa como que automaticamente a me mostrar como as coisas são feitas aqui. Como quebra-se um ovo, como responde-se ao telefone, como faz-se um prato tradicional. Eu fico cansada, mas observo com respeito.

No outro dia, quando quero fazer o mesmo com ela, retribuir com uma pequena aulinha de como fazemos tudo isso no meu país, ela não se mostra interessada. Mantém apenas um sorriso educado no rosto mas eu sei que não está prestando atenção em nada do que estou dizendo. Percebo que ela está aberta a me receber nas condições dela. E não adianta ser rebelde e tentar chocar porque tudo o que conseguirei alcançar é mais distanciamento.

Percebo que deve ser difícil pra ela ouvir minhas opiniões, minhas críticas, mas me impressiono com sua paciência em me deixar falar sem interromper. Eu sei que ela escuta cada palavra, mas as respostas são educadamente estudadas. Como uma criança pequena, choro e reclamo para chamar a atenção dela. Quero que ela concorde comigo, me dê razão e diga que tudo ficará bem. Ela me olha com seu olhar azul e sorri. Percebo, então, que eu preciso crescer.

Posted by Maria at 11:24 AM | Comments (0)

agosto 16, 2003

Pergunta

Quando você escreve no seu blog, você escreve pra quem?

1) Pra você mesmo

2) Pra quem comenta

3) Pros amigos

4) Pro éter do ciber-espaço

Se você respondeu sim à alternativa quatro, me ensina como fazer? Como é que se escreve alguma coisa sem se pensar: "Ah, essa fulaninho vai achar o maior barato"... Em outras palavras, como é que a gente fica livre da dependência do que os outros acham?

Posted by Maria at 03:22 AM | Comments (0)

agosto 13, 2003

"Do not be afraid of going slowly. Be afraid only of standing still"

Tô melhor. Obrigadíssima pelos comentários ao post aí de baixo. Muito obrigada mesmo. Ajuda demais. Cheguei à conclusão que não é produtivo ficar deprê assim. Claro que não posso fazer nada no que diz respeito à falta de equilíbrio hormonal a que sou sujeita todos os meses, mas posso sim tentar evitar ficar deprê por outras razões.

Preciso me concentrar nos planos que tracei pra minha vida no outono e todo o resto, não importando se a conjuntura econômica indica mais incertezas do que promessas futuras de uma carreira. Tenho que simplesmente let it go. Senão eu fico louca.

Foi isso que eu fiz vindo pra cá, in the first place, de forma que o que preciso agora é seguir caminhando como quem respira calmamante. O ar entra; o ar sai; o ar entra; o ar sai. Senão, hiperventilo a vida e saio por aí, aos trancos e barrancos, tropeçando nos acontecimentos, sem enxergar nada o que estou fazendo nem perceber o que estou ganhando ou perdendo.

Nesses momentos de confusão mental, espiritual e emocional é fundamental poder fazer uma escolha. Decidir-se, optar por uma saída, seja ela qual for, é mais importante do que se preocupar em saber se a decisão é a certa ou não. Na dúvida, vou fazendo o que eu conseguir, até que eu pare.

Posted by Maria at 12:12 PM | Comments (0)

agosto 08, 2003

Por aí

Depois de fumegar com um monte de pequenas coisas - como o Blogger que dava um erro fatal quando eu tentava escrever - melhorei muito. Enquanto o Roberto Marinho morria lá no Rio, saí de casa e fui visitar uma amiga, que mora há cerca de meia hora daqui. Aí, minha mente desanuviou.

É que reconquistei uma pequena fração de liberdade que tinha no Brasil no momento em que me apliquei para tirar minha carteira de motorista sueca. E ontem (e ante-ontem) relembrei como é bom dirigir por aí, tendo pra onde ir, sabendo como chegar, mas não tendo pressa.

Dirigi por uma estrada secundária, que passa por diversas cidadezinhas. A paisagem é tão bonita, os campos verdinhos, o céu azulzim, sol, calor. Abri a janela e uma abelha entrou no carro. Tive de parar no acostamento pra tirar a danada dali, mas nem isso estragou meu humor.

Volta e meia parece que minha angústia, esse monstro passivo-agressivo que mora no meu peito, dá um refresco, sai de férias e eu posso simplesmente apreciar o momento atual, o agora, o já - esse minuto que escrevo esse texto - de uma forma completa.

Acho que é isso que se chama felicidade, né? :c)

P.S.: Obrigada, Marcinha! :c)

Posted by Maria at 07:20 AM | Comments (0)

agosto 02, 2003

O tempo

Leio sem parar. Em sueco, mais do que tudo. Jornais, home pages, textos e livros, muitos livros. Desde que percebi que conseguia ler livros em sueco e me divertir - não apenas por obrigação do curso de idiomas - descobri uma série de escritores escandinavos interessantíssimos. Mesmo assim estou frustrada. Estou frustrada porque por mais que leia sem parar textos sobre os mais variados assuntos, não consigo utilizar nem 30% das palavras e dos conceitos que aprendo.

Quando leio, entendo 95% de tudo o que é dito. Mas quando vou falar, parece que o cérebro engasga; lá de baixo de suas dobras, as palavras novas, cheias de ä, ö, e ås ficam borbulhando, como se fossem vinhos de safra recente, esperando para serem engarrafados e consumidos. Volta e meia uma vem a tona e eu nem sei se é a palavra certa pro contexto, mas o incrível é que sempre é.

Me lembro que quando era pequena, costumava ouvir às conversas dos adultos (pai e amigos; mãe e amigos; avó e amigos) e tentava acompanhar os assuntos, por mais que minha atenção se desviasse das palavras para algum detalhe curioso de uma das pessoas. Mesmo assim me lembro nitidamente do meu desejo de entender tudo o que eles estavam dizendo, cada palavra, as piadas etc. Me lembro que quando lia livros não entendia tudo o que era dito e que lia mesmo assim, porque "um dia", pensava eu, "vou entender tudo".

Pois estou de volta nessa rotina. Às vezes sinto que meu aprendizado de sueco é como construir um quebra-cabeça. Uma palavra lida ali e usada acolá vai como que se encaixando na minha cabeça. Mas, como se fosse o corpo curando uma doença em doses homeopáticas, preciso de tempo para poder tomar posse dessa palavra e do que ela representa, para poder usá-la propriamente. Há frustração, como eu disse antes, mas, ao mesmo tempo, gosto desse processo lento, aprecio a construção de uma existência nova por meio das palavras que povoam a minha vida.

Me lembro um dia em que vi Matrix com o meu irmão e comentei que queria ser as pessoas do filme, que "aprendem" quando o conhecimento é "baixado" no cérebro delas. Comentei com Carlos como seria bom poder fazer isso com sueco e sair por aí, falando fácil como quem pilota um helicóptero eximiamente. Mas, ao mesmo tempo, não seria tão divertido. Adoro quando descubro o significado de uma palavra que ouvi em diversos contextos e que, depois de várias pontes de raciocínio, consigo estabelecer seu significado.

Posted by Maria at 02:10 PM | Comments (2)

julho 11, 2003

Monstro de olhos verdes

A Suyaen me enviou uma matéria da BBC sobre um estudo feito sobre o ciúme em diferentes países. Diz a matéria:

(...)
Gary Brase, da Universidade de Sunderland, na Grã-Bretanha, analisou o ciúme em muitos países e encontrou as diferenças esperadas entre homens e mulheres. Ele descobriu que a maior diferença entre homens e mulheres ocorre no Brasil e, a menor, no Japão. [Precisa ser cientista pra saber disso???] Outra descoberta foi que na Suécia as mulheres estavam mais preocupadas com o fato de seus parceiros terem sexo com outra pessoa.

Analisando a pesquisa com profundidade, Brase notou que a taxa de fertilidade do país pareceu fazer uma grande diferença. Países com altas taxas de fertilidade, como o Brasil, têm homens com muito ciúme da conduta sexual de suas parceiras. Homens em países com menor fertilidade, como o Japão, se preocupam menos com isso. Brase acredita que o resultado reforça a visão evolucionária para a origem do ciúme.

Uma conclusão possível: por mais que o homem esteja em constante evolução desde o Início dos Tempos, essa necessidade atávica de passar seus genes adiante nos faz sempre lembrar que deixamos de morar em cavernas "ontem".

Posted by Maria at 12:35 PM | Comments (0)

julho 05, 2003

Paciência...

A Suécia pára no verão. Não tem essa de fazer revezamento para tirar férias durante o ano. Em julho todo mundo entra de férias, as lojas trabalham em horas reduzidas e é complicado ter acesso a um serviço bem prestado. Ainda estamos esperando uma solução para o problema dos nossos óculos; estou esperando meu livro do Harry Potter; etc... Que saco!

Nada a ver: Às vezes me pergunto sobre a vida: Is that all there is?

Posted by Maria at 12:18 PM | Comments (0)

junho 15, 2003

Posted by Maria at 10:47 PM | Comments (0)

junho 13, 2003

Se tem uma coisa

Se tem uma coisa que se aprende quando se mora no exterior, essa coisa é colocar experiências em perspectiva.

Posted by Maria at 11:50 PM | Comments (0)

junho 11, 2003

Insight

Ha uns anos atras aconteceu uma coisa que eu somente consegui entender agora. Uma noite, quando eu tinha uns 17 anos, estava voltando pra casa da minha mae, de carona com meu tio J.. Nao sei porque mas estavamos conversando sobre a separacao de um dos meus primos, filho mais velho dele. Nao me lembro o que eu disse, mas meu tio, sem experiencia em casamentos desfeitos, afirmou:

"Eh claro que eh mais complicado para o filho do L.C., mas eu acho que ele vai ficar bem mesmo assim. Seus pais se separaram quando voce era muito pequena e voce ficou bem, neh? Olha soh pra voce".

Nao entendi, na hora, o que ele estava querendo dizer e, mais ainda, nao entendi que ele estava sendo profundamente elogioso. Pensei que ele nao sabia nada das minhas culpas, dos meus anos de analise, da minha relacao turbulenta com meus pais durante todos os anos da minha adolescencia. E nao dei o salto. Me neguei a entender o elogio escondido por tras da total ignorancia do meu tio sobre o assunto separacao-e-suas-consequencias.

Na verdade, meu tio, um homem que sempre trabalhou e encontrou no trabalho um meio para atingir tudo o que sempre quis na vida, me via como um sucesso extremo; uma menina que tinha conseguido muito e que ainda conseguiria mais ainda.

Well, antes tarde do que nunca. Valeu, tio J.! :c)

Posted by Maria at 11:37 AM | Comments (0)

junho 04, 2003

Alívio

Acabei de falar com minha mãe. Incrível como mesmo separadas por milhares de quilômetros, nossa sintonia está mais afiada do que nunca.

Tenho pensado muito nos últimos dias se vou ou não ao Brasil no final do ano. Meu pai disse que paga pela minha passagem, o que para mim - ainda sem trabalho - é uma maravilha. Morro de saudades de todo mundo, minha família, meus amigos, minhas cachorrinhas... Mas, ao mesmo tempo, não queria ir não.

É difícil explicar, mas simplesmente minha vontade é de ficar por aqui, aproveitar o verão para conhecer mais a Suécia e, quem sabe, dar um pulinho na Noruega ou até mesmo na Finlândia.

Ao contrário do que meus sentimentos sentimentalóides estavam me dizendo - "sua mãe vai ficar tããão triste se você não for" etc - eu sabia, no fundo, que podia ser honesta com a minha mãe a respeito do que eu realmente queria.

Mas nem precisei comecar a explicar. Ela mesma tomou a iniciativa e a maturidade dela, sua capacidade de me amar sem querer me sufocar, sem querer que eu fique ao lado dela 24 horas por dia, é um dos sentimentos mais maravilhosos que existem na face da terra.

Mãe, eu fecho com você.

Obrigada pela sua generosidade e parabéns pelo seu sucesso com as aulas!!!!! Estou muito orgulhosa de você!

Posted by Maria at 11:28 PM | Comments (0)

maio 27, 2003

Casa de ferreiro...

Gosto de pensar que sou uma ótima ouvinte. Dedicada, fiel, cheia de idéias e com alguma experiência para saber como são as coisas da vida - o suficiente para não julgar quem me procura para desabafar. Mas quando chega a hora de me defrontar com a verdade das minhas próprias dificuldades e "ter responsabilidade pela minha vida", a coisa fica mais difícil.

Posted by Maria at 09:53 PM | Comments (0)

maio 21, 2003

Pausa

Sabem de uma coisa engraçada? Perdi o tesão por isso aqui, o meu blog. Claro que ainda o acho lindo de morrer, que ainda sinto falta do simples prazer de digitar alguma coisa diariamente e que freqüentemente penso na forma de posts, mas ainda assim, o que era antes já não é mais.

Acho que um dos papéis que o Montanha-Russa tinha (e ainda tem às vezes) é de servir como um rascunho, onde posso escrever o que penso para que toda essa loucura que fiz na minha vida ganhe algum significado. Já disse e repito: escrever, pra mim, é um meio de make sense of it all, and works like a charm.

Mas esse "trabalho" de purificação do meu estranhamento nesse novo mundo já não é mais suficiente. Quero me expressar aqui de outras maneiras e me sinto tolhida, tímida, sem vontade de ir mais a fundo, mesmo sabendo que a grande maioria das pessoas que me visita gosta do que lê e até se diverte com o que escrevo.

Os comentários entram nessa equação e são importantíssimos. Nunca gostei de falar sozinha e prefiro ter opiniões de um grupo de pessoas do que ficar pensando obsessivamente sobre um assunto de forma solitária. Ainda assim, sinto que minhas energias estão se rearrumando.

Ainda não consigo explicar mais claramente o que está se passando; talvez eu esteja apenas reagindo a uma questão que sempre me incomodou: o que escrevo aqui pode ser lido por qualquer um e esse tipo de abertura é complicada. Acho que esse tempo todo fantasiava que apenas quem comentava aqui é que lia o blog, mas é claro que sei que isso não é verdade.

Mas isso é apenas um detalhe.

O importante é que notei que gostaria de escrever algumas coisas aqui mas me censurei. Não por serem coisas impróprias, muito pelo contrário -- até porque tendo a não escrever sobre coisas impróprias, mas apenas fazê-las :c) -- mas por serem coisas íntimas.

É por isso que estou entrando num brake. Pode ser que escreva milhares de posts amanhã ou que demore alguns dias com uma novidade. Ainda não sei, mas queria apenas avisá-los. Beijão, tchau.

Só pra acalmar os amigos queridos: está tudo muito bem com meu urso polar. O lance não é esse. Uma transformação, por mais complicada que seja, nem sempre significa infelicidade. See ya!

Posted by Maria at 11:48 PM | Comments (0)

abril 22, 2003

Auto-imagem



Roubei da Bia Badaud. Já foi lá no blog dela? É bacana. Bem escrito e animado. (Dica da Cora)

Posted by Maria at 07:44 PM | Comments (0)

abril 11, 2003

Sobre a queda

Estava pensando como interpretar aquelas imagens da estátua do Saddam sendo destruída na praça paraíso, no centro de Bagdá. O povo certamente pareceu bastante feliz - como numa catarse coletiva de permissão e permissividade. Mas uma coisa me fez considerar aquelas imagens estranhas. Parecia tudo tão encenado para as câmeras, a alegria das pessoas que mal olhavam para a estátua que estavam destruindo, mas sim para os cinegrafistas que circulavam pelo local tal qual moscas num monte de açúcar.

Não tenho razões para duvidar da alegria mostrada pelos iraquianos. Antes, acho que eles estão apenas mostrando legitimamente o que quase 30 anos de repressão podem fazer com povo. Mesmo assim, acho que o Iraque terá um caminho dificílimo pela frente. Isso porque não é fácil se acostumar a ser livre e a decidir seu destino com independência. E tem o "problema" da riqueza imensurável do país. Por um lado é uma maravilha; uma moeda de troca universal que pode garantir ao Iraque se destacar entre as nações mais ricas do mundo. Por outro, uma maldição capaz de corromper homens de bem.

Faço um paralelo com a antiga União Soviética, por exemplo. Conheci uma cidadã do Cazaquistão aqui em Boden que me ensinou, sem perceber, uma lição de como essas mudanças políticas afetaram profundamente algumas pessoas. Ela me contou que tinha uma vida boa nos tempos da URSS. Era chefe numa empresa que fabricava móveis, fez universidade e sabia falar inglês - uma raridade naqueles tempos e para a faixa etária dela (por volta dos 40 anos).

Pois bem, o regime caiu e com ele todo o status que ela tinha. Por ser chefe, ela fazia necessariamente parte do Partido Comunista soviético e tinha uma série de funções de controle sobre os trabalhadores da fábrica. Tudo mudou quando veio a Perestróika. Sem saber como se comportar num país novo e numa sociedade nova, ela fugiu para a Suécia. Só conseguiu visto porque se casou com um sueco.

Não vai ser fácil para os iraquianos se acostumarem com o novo estado de coisas. Só espero que uma nova espiral de corrupção e violência não tome conta do país, e que o novo governo seja inteligente o suficiente para resistir à pressão dos EUA e da Grã-Bretanha.

Posted by Maria at 12:16 PM | Comments (0)

abril 10, 2003

Pequeno conto de férias

Ele ficaria fora por quatro dias. Quatro dias inteirinhos para ficar só, fazendo o que ela gostava. Dizer tchau foi chato mas uma dor necessária. Afinal, eram apenas quatro dias! Ela se dividia entre a saudade que já sentia e a vontade de ficar sozinha.

Ele foi e prometeu ligar quando chegasse ao seu destino. Até seria bom que ele ligasse para avisar que tudo estava bem, desde que isso não atrapalhasse nenhuma das atividades que ela iria fazer: ler até ficar cansada e dormir, tomar banho de banheira por duas horas e sair da água toda enrrugadinha e assistir a todos os programas de celebridades que ele conseguisse. Fez a lista mentalmente e imediatamente sentiu uma pontada de culpa.

Como uma criança que não brincava há muito tempo, ela fechou a porta e sorriu. Foi difícil decidir o que fazer primeiro. Já eram 2 da tarde. Decidiu colocar um CD no som e ir cozinhar. Fez o suflê que tanto amava e até errou a receita, mas estava se divertindo tanto que nem se importou. Recomeçou e deu tudo certo.

"you owe me nothing for giving the love that I give
you owe me nothing for caring the way that I have
I give you thanks for receiving it's my privilege
and you owe me nothing in return"

Enquanto misturava a farinha com a manteiga e o leite, pensava no que poderia fazer à noite. Ligar para alguma amiga? Não. Visitar alguém? Não. Ela estava tendo uma leve dificuldade para aceitar um simples comando interno: ela queria ficar sozinha. Como nos velhos tempos.

Nada contra ele, no entanto. Estava tudo em cima. Ótimo relacionamento e tal, mas como era bom ficar longe por um tempo!!! Voltou sua atenção uma vez mais para a mistura que havia começado a embolar. Pensou na mãe e em como ela a havia ensinado a fazer esse suflê. Um rápido aperto na garganta, mas nenhuma lágrima.

"and I salute you for your courage
and I applaud your perseverance
and I embrace you for your faith in the face of adversarial forces
that I represent"

Com a mistura básica do suflê pronta, ela só precisava esperar para que esfriasse para juntar os ovos e dar os toques finais do prato. Dançou um pouco com a panela nas mãos. Procurou o caderno de receitas na cozinha e não resistiu ao ritmo. Começou a cantar mas não sabia a letra. Improvisou e riu com sua inabilidade. Um ridículo delicioso.

Pousou a panela para esfriar e olhou na revista da tevê. Ia passar um filme inglês interessante na TV à noite. Alguma coisa sobre uma cidade em Wales que lutava para ter sua primeira montanha, mas o medidor oficial disse que estavam faltando 20 pés para que o monte fosse considerado oficialmente uma montanha. Interessante. Depois de muito tempo poderia assistir ao que quisésse sem polêmicas.

Enquanto separava os ovos, lembrou que não havia almoçado. Mas ela não estava com fome. Ela não tinha vontade de nada nem de ninguém. A única coisa que queria era ficar só. Férias de interação humana. Pensou nisso enquanto olhava para a tevê, muda, ligada para lhe fazer companhia.
"you'll rescue me right?
in the exact same way they never did
I'll be happy right?
when your healing powers kick in"

Soundtrack provided by Alanis Morissette's "Under Rug Swept", 2002.

Posted by Maria at 02:42 PM | Comments (0)

abril 05, 2003

Sobre o orgasmo feminino

Tava lendo a Colombina comentar sobre uma pílula que ajudaria a libido feminina e facilitaria o orgasmo. Já estão até fazendo publicidade da maravilha lá dos EUA. Aqui nunca vi. O que vejo atualmente na tevê sueca são vários programas mostrando mulheres sendo massageadas, estimuladas, excitadas para chegar ao momento glorioso. Claro que não dá pra saber se o efeito é verdadeiro ou não, afinal, nós somos mestras do mistério nesse campo, mas confesso que foi estranho ver aquilo assim, exposto.

O primeiro programa, que segue o estilo dos talk shows baixo nível americanos, tipo Ricky Lake, mostrou uma menina mostrando-se excitada diante de uma platéia idem. Ela estava vestida, mas isso não queria dizer nada porque a linguagem corporal dela não poderia ser, digamos, mal entendida. O outro programa é especializado em sexo mesmo. Acho até bacana porque é direcionado aos jovens, que fazem perguntas diretas e obtêm respostas sem falsa-moral. Nesse programa uma mulher chegou ao orgasmo (ou pelo menos fingiu muito bem) ao fazer uma posição de relaxamento, seguida de uns movimentos especiais, ondulantes, com os quadris.

Acho que a "graça" do orgasmo feminino é que ele é menos evidente do que o masculino e, por isso mesmo, mais intrigante. Nos programas as mulheres se queixavam que suas vidas sexuais poderiam ser melhores porque elas não conseguiam chegar à satisfação máxima. Uma das muitas coisas que pensei enquanto assistia aos programas foi: a insatisfação feminina não é privilégio de países ou culturas nos quais o prazer da mulher é visto em segundo plano em relação ao do homem. Falta de prática, tensão, ansiedade, entre outros, são males universais. :cD

Outra coisa que pensei foi: por quê eles mostram isso? Será que não basta o cineminha de sacanagem do Big Brother? (Meninos, li que o BB aqui é uma sacanagem louca). Não sei, gosto de pensar que sou aberta a todo e qualquer estilo de vida e tenho um real fascínio por culturas diferentes, mas tudo tem um limite. Acho que explorar isso não é legal. Mas, sei lá, de repente eu estou enganada. Ou, pior: ficando velha.

Posted by Maria at 06:24 PM | Comments (0)

abril 04, 2003

Pensamento... nega... positivo

Nada de muito especial tem acontecido. A única coisa que eu penso dia e noite - literalmente, porque estou sonhando com isso também - é a tal da prova prática de direção. Todos os dias no final da tarde Urso polar e eu saímos para dirigir. Andamos pelas ruas do centro da cidade de Boden - essa grande metrópole, como diz a Marina - e vamos dirigir nas estradas, onde terei de testar minha habilidade e encontrar um local adequado para fazer um retorno.

Sei que eu sei tudo o que é necessário, mas assim como para a prova teórica, tenho medo de freak out. O problema é que para a prova teórica só dependia de mim, enquanto que no trânsito as situações são imprevisíveis e mudam a todo momento.

Mas ao mesmo tempo que escrevo isso, penso: "Mas você aprendeu a dirigir no Rio. Se você nunca bateu com o carro lá, não tem como errar aqui". Sim, em tese isso é verdade. O único problema é que o jeito agressivo do carioca de dirigir não vale aqui. Está num cruzamento sem sinal? Vale a Regra da Direita: aquele carro que vem à sua direita tem preferência. Mas cuidado para não ultrapassar uma passagem de pedestres: eles tem preferência, mesmo quando atravessando uma estrada razoavelmente movimentada.

Tento segurar a minha onda, mas sou mais forte do que eu mesma e não paro de pensar:

"Relaxe! Basta você se concentrar em ler todas as placas e, ao mesmo tempo, em não andar mais rápido do que os 30 km/h permitidos no centro da cidade, não se posicionar na parte errada da rua, levar em consideração que a qualquer hora e momento uma bicicleta pode surgir na sua frente e você tem que parar, não importanto se está com uma fila de motoristas enfurecidos atrás, que os pedestres realmente confiam que você vai parar pra eles e você não pode assustar nenhuma velhinha com andador, que o examinador quase com toda certeza estará de mau homor, que você acordará com dor de cabeça e que estará nevando".

Posted by Maria at 12:55 PM | Comments (0)

É duro ser burguesa na Suécia

Está nevando horrores novamente. É lindo lindo lindo. Problema é que depois vira uma pasta marrom de areia (aqui no norte do país não se usa sal) misturada com gelo que entra casa a dentro. Não há limpeza que chegue. E olha que aproveitamos o início da semana pra fazer uma espécie de "limpeza de primavera". Urso polar ficou encarregado de tomar conta da lavanderia, quatro andares pra cima e quatro andares pra baixo, enquanto eu fazia a faxina propriamente dita.

Banheiro, cozinha. Depois passei aspirador em todos os cômodos, retirei os tapetes e as passadeiras e as coloquei para pegar um ar na varanda. Quando estava me preparando para abrir as janelas para deixar o ar entrar e começar a passar o mop com detergente no chão da sala, veio a neve. Primeiro foram aqueles floquinhos redondinhos, que quando você tenta limpar do seu casaco viram pó branco. Depois os flocos foram aumentando até que virou uma nevasca mesmo, com vento e tudo.

Parei a limpeza de primavera no meio - não a contragosto - e acho que, mesmo assim, o apartamento voltou a estar apresentável. Sinto uma calma quando vejo o apartamento limpo e arrumado.

É claro que essa calma que eu sinto nem chega aos pés da minha calma e satisfação se visse o apartamento limpo e arrumado sem ter levantado um dedo para isso... Mas tudo bem. É duro ser burguesa na Suécia.

Posted by Maria at 12:53 PM | Comments (0)

março 26, 2003

Soak Up The Sun

Sheryl Crow/Jeff Trott

(...)

I'm gonna soak up the sun
Gonna tell everyone
To lighten up (I'm gonna tell 'em that)
I've got no one to blame

For every time I feel lame
I'm looking up o I'm gonna soak up the sun
I'm gonna soak up the sun
(...)

I'm gonna soak up the sun
While it's still free
I'm gonna soak up the sun
Before it goes out on me
Don't have no master suite
I'm still the king of me
You have a fancy ride, but baby
I'm the one who has the key

(...)

Maybe I am crazy too
(...)



Chega de nhe-nhe-nhén! Porque a vida, apesar de tudo, é boa. A imagem é repetida porque eu a adoro.

Posted by Maria at 11:01 PM | Comments (0)

março 25, 2003

Reflexões

Estava lendo aos comentários que vocês fizeram no meu post lá de baixo, o sobre energias positivas e negativas. Comecei a responder ao Mauro, que tem argumentos interessantes e que casam com minha opinião a respeito de amizades. A saber:


Minha amiga é o tipo de pessoa que faz de se sentir deprimida um modo de vida;

Para a gente ajudar alguém, essa pessoa tem que estar disposta a receber a ajuda e fazer a parte dela também para melhorar a situação;

Precisa existir um envolvimento e uma contribuição de ambas as partes. Mais ou menos como uma simbiose, entende? Senão vira parasitismo.

Aí comecei a escrever e ficou enooooorme. Transformei então a resposta que daria ao Mauro e a todos vocês em um post. Comento os pontos de vista supracitados segundo o que sinto e não o que sei sobre relações humanas. Ponderei sobre as questões e tentei dar uma opinião genuína, um gut feeling.

Concordo com você, Mauro, em gênero, número e grau. No entanto, me pergunto se não estou "escolhendo demais" as amizades que tenho e descartando pessoas apenas por razões fúteis. Penso assim porque fiz isso minha vida inteira, fui desleixada e indiferente com pessoas apenas porque elas eram "difíceis". Agora, aqui sozinha nesse país gelado, me pergunto se não está na hora de investir de verdade em amizades duradouras, naquelas que nos ajudam em tempos difíceis.

Por outro lado, sinto que a melancolia dela realmente me aflige e isso é bem real. Não sei ainda o que vou fazer, afinal nem sou tão grudada assim com ela - não gosto de grudar com amigo(a) nenhum. Se grudar, só mesmo com o Stefan e olhe lá. Nos encontramos duas vezes na semana, eu e ela, quando temos aulas de sueco juntas, e só. Para falar a verdade, ela é o tipo de pessoa que realmente precisa de "um ombro amigo" apenas para chorar as misérias e raramente para rir. Claro que é totalmente inconsciente da parte dela, mas é a verdade.

Ao mesmo tempo, sinto que minha amizade com ela é construída por dificuldades em comum: vir morar num país estrangeiro, com uma língua difícil e ter de lidar com uma cultura totalmente estranha, fechada, com tradições por vezes incompreensíveis e ridículas até. Não posso negar, falamos sobre assuntos pesados: dificuldades no casamento, dia-a-dia, as manias (chatas) dos homens suecos. Conversamos também sobre nossa sensação de solidão aqui. E isso, claro, não é um assunto lá muito leve. De forma que não posso colocar toda a culpa dessa enrascada nela, coitada. Acho que precisamos, ambas, fazer um esforço para tornar essa amizade mais leve.

Mas aí, eu me pergunto: como tornar essa amizade mais leve se as questões que me afligem - e às quais ela responde com experiência, uma vez que vive aqui há 14 anos - são centrais na minha vida? Como eu disse num outro post, minha vida social aqui é limitada a visitas esporádicas ao cinema e à casa de casais amigos. Mas não muito mais do que isso. Estudo sueco sem parar; procuro emprego diariamente; e lembro do que eu tinha no Rio quase todos os dias - o que me deixa chateadíssima. Isso torna difícil meu cotidiano.

Acho que na verdade, refletindo sobre o que acabei de escrever, há uma necessidade aguda de uma mudança na minha vida. O problema com a minha amiga é importante pelo fato de eu gostar dela, de achá-la uma criatura boa e doce. Mas claro que se ficar pesado demais, eu terminarei com essa amizade da forma mais suave possível. O farei por mim porque não quero entrar numa relação de codependência. Mas o mais importante disso tudo é mesmo mudar o nhe-nhe-nhén do meu dia-a-dia.

Posted by Maria at 11:09 PM | Comments (0)

março 18, 2003

Deixe-me ir, preciso andar/

rosa3.jpg

Deixe-me ir, preciso andar/ Vou por aí a procurar/ Rir pra não chorar/ E se alguém por mim perguntar/ Diga que eu só vou voltar/ Quando eu me encontrar.
Para Craudinha, queridoca.
Posted by Maria at 03:46 PM | Comments (0)

março 10, 2003

Montanha em expansão

Queria dizer que estou feliz pelas visitas de vocês todos. Ando meio em entresafra, mas não deixo isso aqui de jeito nenhum. Fico feliz que os amigos de sempre venham e perguntem como é que estão as coisas e fico ainda mais contente quando gente nova, como o Mauro, vem cada vez mais aqui deixar seus comentários. Obrigada!

Estou estudando horrores. Li dois livros em sueco de sexta-feira passada até hoje de manhã e fiz um trabalho sobre um deles. Além disso, estou lendo pela quarta vez o livro de regras de direção porque minha prova teórica se aproxima.

Além do que, uma questão tem me atazanado as idéias nos últimos dias. Sinto necessidade às vezes de ser um pouco mais pessoal aqui no meu blog, mas ao mesmo tempo sei que não posso me expor assim. Não, não pretendo escrever nenhum segredo escabroso ou mostrar os esqueletos nos armários, mas sim coisinhas do dia-a-dia, mais particulares, que não sejam textos sobre os suecos nem piadinhas.

Sei como cada um de vocês funciona em seus respectivos blogs, uns mais abertos, outros mais formais. Eu nunca me perguntei qual a linha editorial do Montanha-Russa porque sempre achei que ele seria como um diário mesmo, onde eu poria as coisas que me interessam sobre minha vida. Ele é isso e muito mais.

Agora não sei o que fazer. Parece que um dia a gente tem mesmo que fazer uma escolha editorial não apenas no blog mas em tudo na vida: no que acreditamos, o que defendemos. Eu sempre desconfiei, mas agora posso afirmar: neutralidade não existe. Acho até que quem é neutro é chato.

Uma coisa engraçada é que adoro escrever aqui, mas não suporto ninguém bancando o smart ass com as coisas da minha vida, me perguntando de furos que eu dei ou de coisas pessoais. Sei lá, incongruência mesmo. A pergunta é: até que ponto ir?

Falando nisso - quer dizer, quase nisso - leia esse artigo do No Mínimo sobre a (falta) de privacidade na Era Google.

Posted by Maria at 10:51 PM | Comments (0)

março 03, 2003

Bem de perto, ninguém é perfeito

Tem uma coisa que acho fundamental no ser humano: a capacidade de ouvir a si próprio; às barbaridades que se diz sem nenhuma idéia de que muito certamente irá ferir alguém. Aprendi isso muito cedo, nas sessões de análise sem fim e em conversas com meus mudernos pais. Se as conversas não foram tão interessantes - mexia-se sempre em alguma coisa que me era dolorido - certamente aprendi muito e hoje em dia sei como é fundamental escutar a si mesmo.

Ter a consciência de que o que você diz para alguém pode ter a ver com você mesmo, é importante. Mesmo assim a gente mete os pés pelas mãos às vezes e fala coisas que não deveria. Ou então escuta coisas que outras pessoas nos dizem na maior ingenuidade. O incrível é que essas pessoas, que gostam da gente, que nos querem bem, não notam como o assunto é impróprio, como chateia, como nos deixa nervosos. O silêncio é sagrado mesmo.

Posted by Maria at 02:36 PM | Comments (0)

março 02, 2003

Sem palavras

Acho que estou ficando velha. É que volta e meia interrompo a frase que estava dizendo no meio e só penso o resto. Isso geralmente acontece quando estou concentrada em alguma coisa. Stefan, minha "vítima" mais usual, fica maluco: "Cadê o resto da frase? Cadê o resto?", pergunta ele.

Acho que é cansaço. Até porque as frases que corto pelo meio são quase todas em sueco. O lance é que as continuo na minha cabeça, em sueco também, mas tenho preguiça de falar. Já aconteceu também em inglês e até em português. Mas na minha língua é mais raro, claro.

Em sueco, volta e meia digo assim: "Jag vill ha..." (Eu quero...) e não completo. Aí, Stefan: "Quer o quê? Me diz o que você quer?".

Acho que é cansaço. Só pode ser.

O problema fica pior quando eu quero perguntar alguma coisa. Como no inglês, em sueco inverte-se a posição de sujeito e verbo quando formula-se uma pergunta. Então fico eu lá dizendo: "Vill..." ("Quer..."). E perco o interesse em dizer o quê. Fico imaginando as pessoas mudas. Deve ser uma ginástica incrível falar com as mãos o tempo todo. Quero mais é telepatia.

Posted by Maria at 09:31 AM | Comments (0)

fevereiro 25, 2003

Um cachorro pensa: "Que legal!

labrador.jpgUm cachorro pensa: "Que legal! Essas pessoas com quem eu moro me d&ão comida, me deixam morar na casa quentinha delas, tomam conta de mim e realmente se importam comigo. Eles devem ser deuses!"

Um gato pensa: "Que legal! Essas pessoas com quem eu moro me dão comida, me deixam morar na casa quentinha delas, tomam conta de mim e realmente se importam comigo. Eu devo ser um deus!"

Posted by Maria at 11:17 AM | Comments (0)

Bla-bla-blá

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Um monte de coisas pra escrever, mas hoje estou sem capacidade de me concentrar. Na verdade, não sei sobre o que escrever. Parece sessão de análise que a gente senta e diz: "Hoje não tenho nada pra dizer". Segundo os freudianos (minha única experiência pessoal), é aí que você tem definitivamente alguma coisa a dizer. Mas essa teoria também poderia ter saído de qualquer almanaque que ninguém estranharia.
Volta e meia fico com vontade de escrever somente por escrever. Digitar textos. Simplesmente isso. Ou, melhor: ver o resultado na tela, como se eu tivesse ainda no Rio, trabalhando nos sites, nas revistas e nos jornais da vida e ainda sentisse aquela satisfação de ver um texto meu editado, no ar ou impresso. Vaidade? Não, não apenas isso. Esse prazer de escrever e realizar é mais uma volta à minha vida antiga - ou a descoberta de um caminho similar na vida nova.
Não estou dizendo coisa com coisa hoje. Eu hein.
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fevereiro 22, 2003

Trevlig helg!

estrada_amarela1.jpg

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fevereiro 21, 2003

Eu sou muito estranha mesmo...

Muitas coisas sobre as quais quero escrever. Mas agora não. Estou assistindo a um filme com o Gene Hackman. Ainda não sei qual é, mas não me importo. Eu amo o Gene Hackman. Acho ele um chaaaarme... Além de competentérrimo. Na minha lista estão ainda o rei Sean Connery, Michael Cane, Al Pacino, Dustin Hoffman, Ray Liotta, Gary Sinise etc.

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fevereiro 15, 2003

P A Z

introspeccao.jpg
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fevereiro 06, 2003

Anorexia e outros bichos

Ontem vi um documentário inglês muito impressionante. Era sobre desordens alimentares, anorexia etc. O propósito do programa era mostrar que crianças cada vez mais novas estão desenvolvendo uma obsessão com corpos perfeitos. Mostrou o caso de duas irmãs, de 11 e sete anos. A pré-adolescente andava toda emperequetada com suas amigas preocupadérrimas com seus corpos, seus cabelos, suas coxas, suas barrigas.

A de sete anos espremia uma camada de pele de sua barriguinha, ainda com a chamada baby fat e dizia que sabia que estava gorda. Aí, os caras entrevistaram a mãe, que dizia não entender como as meninas tinham ficado tão obcecadas assim. Bastava olhar pra ela pra sacar: loura oxigenada, busto siliconado e sorriso mecânico, mostra viva uma rotina de sacrifícios em torno de sua forma. Sua filha mais nova olhava embevecida para a mãe e entregava:"mamãe toma Slim Fast pra emagrecer".

Mas o que mais me chocou foi o caso de Jung, uma menina de origem oriental (desculpem, mas não sei se era chinesa ou japonesa). Ela dava cinco voltas pelo quarteirão todas as noites; pulava 200 vezes a corda; rodava um bambolê especial com bolinhas que, segundo ela, a faria perder centímetros na cintura; e chegava ao cúmulo de colocar pimenta em todas as suas refeições porque havia lido em alguma revista que isso a faria perder peso.

No final do programa, Jung convida duas amigas para dormir na sua casa. Aí, começa o ritual ao qual a menina se entrega todas as noites: fazer ginástica com as bochechas para perdê-las. Uma de suas amigas, muito gordinha por sinal, começa a rir e pergunta: não é melhor falar? Assim você se diverte e tem o mesmo resultado. :c)

Quando vejo isso, me pergunto: como essas crianças ficaram desse jeito? De quem é o problema? Dos pais? Da televisão? Das revistas de moda? Como criar uma criança na era da informação sem que ela seja bombardeada diariamente com propaganda de que magro é bom e gordo é ruim?

Posted by Maria at 01:56 PM | Comments (0)

fevereiro 05, 2003

Das palavras e do todo

Vi um programa no Discovery chamado "History of Writing". Fiquei fascinada. Os caras entrevistaram desde Nicholas Negroponte até professores de linguística sobre como a escrita acontece hoje em diversas culturas e como será no futuro.

Achei muito legal uma coisa dita meio que de passagem no documentário: as civilizações orientais, que utilizam a escrita por ideogramas, são treinadas a exercitar o lado direito do cérebro, ou a parte criativa, artística do ser humano. Por outro lado, nós, criados para ler linearmente, temos ativado nosso lado esquerdo, mais analítico e racional quando aprendemos a escrever.

Uma diferença básica acontece se pensarmos que a conotação nas línguas ocidentais ocorre quando há o posicionamento de uma palavra num cotexto especial ou, quando existe uma combinação de palavras para descrever uma situação. Nas línguas orientais, a conotação é dada por um só ideograma, que representa o todo.

O documentário não quis provar que os orientais são melhores do que os ocidentais, até porque se essa predominância do lado analítico fosse tão determinante não teríamos tantos artistas ocidentais e os orientais, em contrapartida, seriam incapazes de pensar linearmente.

O que achei fascinante é que o mundo oriental é repleto de milhares de "letras", os ideogramas, que, na verdade, são símbolos de situações, sensações, de um todo. Me lembro quando estava em um albergue de estudantes em Paris em 93 e conheci um rapaz de Hong Kong. Conversamos um pouco e pedi a ele que escrevesse o meu nome em mandarim no meu diariozinho de viagem (ver figura ao lado).

Depois de pensar muito e de falar o meu nome em voz alta várias vezes - dando ênfase especial à parte -ri, de Maria - ele desenhou o meu nome. Perguntei por que ele tinha dificuldade com essa sílaba e até me lembrei que eles não têm esse som de "r". Ele me explicou que estava tentando visualizar o meu nome antes de escrevê-lo. Fiquei encantada.

Posted by Maria at 10:57 AM | Comments (0)

fevereiro 04, 2003

Islândia

Tava lendo a revista Seleções daqui e vi um artigo muito interessante: descreve como o povo da Islândia conserva seu idioma. A matéria diz assim: "As sagas islandesas foram registradas em papel em 1200-1300 d.C. e as crianças islandesas de hoje as lêem no original. A leitura de algumas sílabas foi modernizada, mas no geral o idioma é o mesmo de mais de 800 anos atrás."

O intuito da matéria era entrevistar estudiosos da ilha para saber o que está sendo feito para defender o idioma islandês da invasão predadora do inglês. Para defender seu idioma, o governo da Islândia criou um instituto responsável em analisar cada neologismo, cada palavra emprestada, importada ou imposta culturalmente e achar um equivalente direto em islandês.

Existem palavras em islandês para tudo - tudo mesmo. Aí você pensa: "Sim, mas há também em português". Não, não há. O que em português é equivalente a "pager", aquele trequinho que existia antes dos celulares dominarem? Pois é, em islandês chama-se frioðþjófur, que quer dizer "ladrão de liberdade". Hahaha.

Mas por que esse povo luta tanto para manter seu idioma, pergunta o repórter da revista (obviamente americano ou inglês). "Porque essa é a nossa cultura", defende Ari Páll Kristinsson, chefe do Comitê de Terminologia. "Há inclusive um banco de palavras sustentado pelo governo e uma hotline para quem precise de ajuda para encontrar uma palavra em islandês", diz ele, em inglês perfeito.

Vivem na Islândia apenas 285 mil pessoas e a produção cultural é espetacular. Segundo a reportagem, um em cada dez islandeses escreve pelo menos um livro em sua vida. "Aqui, o ato de escrever é retratado quase como um dever nacional", escreve o repórter. Uma das editoras da ilha, a Eymundsson, funciona desde 1872 e publica cerca de 600 livros em islandês todo o ano.

Quero visitar a Islândia, mas preciso de patrocinadores, alguém se habilita? :cD

Posted by Maria at 09:46 AM | Comments (0)

janeiro 16, 2003

Banana primordial

Deu na BBC: cientista diz que banana pode estar extinta em até dez anos.

Ó céus!!!!


A razão é que a bananeira é uma planta estéril, sem sementes, como se fosse um clone modificado da primeira banana, a banana selvagem, que existiu há dez mil anos e não era comestível. "Emile Frison, chefe da Rede Internacional para o Aprimoramento da Banana (uhhhh????), em Monpellier, na França, afirma que falta diversidade genética à planta para resistir a doenças que atacam as plantações.

"Em 1950, a então dominante banana da espécie Gros Michel foi exterminada no Panamá por um fungo. A sua sucessora, chamada Cavendish, está ameaçada por uma epidemia global, que atinge plantações na África, na Ásia e nas Américas. Todas as variedades da banana moderna são descendentes de uma banana mutante estéril, cultivada na Idade da Pedra".

Agora, veja você.

Posted by Maria at 09:07 PM | Comments (0)

janeiro 12, 2003

Redenção

"A human being should be able to change a diaper, plan an invasion, butcher a hog, conn a ship, design a building, write a sonnet, balance accounts, build a wall, set a bone, comfort the dying, take orders, give orders, cooperate, act alone, solve equations, analyze a new problem, pitch manure, program a computer, cook a tasty meal, fight efficiently, die gallantly. Specialization is for insects." -- Robert A. Heinlein.

Ainda bem que tem gente que me entende... (Presente do Tom. Obrigada, companheiro).

Posted by Maria at 12:57 AM | Comments (0)

janeiro 09, 2003

Em outro mundo

Escrevi o primeiro post de hoje porque li uma matéria na revista favorita de Stefan, a Illustrerad Vetenskap - algo como "Conhecimento Ilustrado". Soa meio cheezy, mas na verdade é que a revista é muito interessante. A matéria de capa é sobre o Carnaval do Rio, com um texto bacana sobre as relações sociais peculiares dessa época do ano que marca o "adeus à carne". (Até parece).

Bom, além dessa, outra reportagem que me chamou atenção nessa edição foi um especial sobre autismo, doença cuja incidência triplicou nos últimos dez anos em todo o mundo. Alguns médicos atribuem esse crescimento ao acesso a um diagnóstico mais apurado, outros simplesmente não têm explicação. Por mais que se estude, o autismo ainda é um mistério para os cientistas.

Não vou me extender sobre o autismo em si, que faz parte de um espectro de sete doenças, entre elas a Síndrome de Aspergers e a Síndrome do Savant. Essa última confere capacidades geniais a pessoas profundamente autistas, como no caso do americano Kim Peek. O filme Rain Man foi baseado na vida de Peek. Aquilo tudo do filme - contar palitos caídos no chão em um relance - é tudo verdade.

Mas, como escrevi lá no primeiro post, tenho uma intensa curiosidade sobre o cérebro humano, tanto do ponto de vista fisiológico como psicológico. Uma explicação possível para o aparecimento do autismo é a exposição do cérebro do feto a uma quantidade exagerada de testosterona - o hormônio sexual masculino. Segundo os cientistas, isso faria com que o cérebro da criança - geralmente meninos - perdesse a capacidade "feminina" de interação e sociabilidade.

Sem saber como o autismo aparece - ainda não se sabe qual o gene responsável pela doença - os cientistas desenvolveram um teste simples para tentar dar um diagnóstico mais preciso: mediram os dedos anelares de meninos com autismo e com Síndrome de Aspergers (caso mais brando da doença) em relação a seu dedo indicador. Os resultados foram comparados com as medições realizadas em meninos sadios. Descobriu-se que quanto maior a diferença entre o dedo anelar e o indicador, maior a possibilidade da criança vir a desenvolver autismo.

Que coisa, né?

Posted by Maria at 03:55 PM | Comments (0)

Curiosa

Sempre quis ser jornalista. Nunca expressei meu desejo verbalmente, mas quando visitei o Jornal do Brasil numa excursão escolar aos 11 anos, me encantei. Era de manhã, ainda muito poucos jornalistas em ação, mas já o suficiente para dar à redação um ar vivo. Vimos o telex, um cara nos explicou a importância da página ímpar em detrimento da par (os olhos dos leitores percorrem a página par mas param na ímpar por mais tempo), e por que era importante o espaço "acima da dobra". Me apaixonei pelos rolos gigantescos de papel armazenados na gráfica do primeiro andar.

Mas o fato do jornalismo ter sido um sonho realizado (e bem realizado), não quer dizer que já adulta não pretendesse ser outras coisas. Gostaria de ser cientista, por exemplo. Queria ter talento para entender química, física, biologia, matemática, além das minhas preferidas ciências humanas e sociais. Gostaria de estudar genética, religião, astronomia, filosofia, astrologia, medicina, psicologia, antropologia, física quântica, arqueologia, fotografia, russo, finlandês, literatura universal, psiquiatria, sociologia, gastronomia, veterinária, criminologia, programação, nanotecnologia etc etc etc.

Sou um poço sem fundo de curiosidade. É por isso que acredito em reencarnação: simplesmente não é possível que nasçamos com tantas habilidades e tanta curiosidade e não possamos expressar nem um quinto no curto espaço de tempo que temos aqui. Bom, acredito em reencarnação por outros motivos também, mas não vou entrar em detalhes.

Posted by Maria at 09:18 AM | Comments (0)

janeiro 05, 2003

Elucubrações numa manhã de domingo

Ontem a irmã de Stefan, Veronica, suas três filhas e o marido vieram passar o dia aqui. Gosto muito dela, que é três anos mais velha do que eu. Somos, inclusive, parecidas fisicamente, o que é engraçado. Sempre que Veronica vem aqui fico pensando em como as vidas de pessoas parecidas podem ser tão diferentes. Quando ela estava tendo sua primeira filha, por exemplo, eu estava saindo da faculdade; enquanto mudava de emprego, ela dava a luz às gêmeas.

E vou mais além: incrível como as pessoas não têm medo de uma coisa tão definitiva quanto ter filhos - ou, pelo menos, todo mundo finge muito bem. Eu tenho pavor. Não, não é nenhum trauma psicológico não, podem ficar tranqüilos. É que ter um filho é um grande passo, não é? Todo mundo fica (ou tenta ficar) imbuído no ideal hollywoodiano de amor apesar de tudo, essa coisa incondicional, super-humana. Quando na verdade o acontecimento do amor, mesmo entre mãe e filho, é uma construção. Depende do nosso querer.

Imagine ter um filho com o qual não se tem a mínima empatia? Pior: e se ela/ele for chata(o)? Sim, porque nada me convence que o amor materno seja tão enlouquecidamente cego que não possa enxergar a chatice de sua própria cria.

Mas esse meu medo-fascínio já é antigo. Como toda e qualquer garota fico imaginando como seria o meu filho. O que ensinaria a ele, como contaria as histórias, as versões, se conseguiria apazigüa-lo ao invés de deixá-lo furioso. Acho engraçado, mas as três filhas da Veronica são curiosas a meu respeito. A coisa toda de ser brasileira é um motivo, mas há também o fato de eu ainda não ter filhos, apesar de já ser velha; de não ter inveja do barco delas; de não gostar de tomar banho de piscina quando está 30 graus negativos lá fora etc.

O mais cômico é que elas têm meio que medo de mim. É engraçado, mas minha cara de séria as assusta. E olha que o problema nem é o meu sueco porque elas entendem tudo o que eu digo (já perguntei). É, acho que essa coisa canceriana não colou comigo não.

Posted by Maria at 01:48 PM | Comments (0)

janeiro 03, 2003

Equilíbrio

Se perguntando por que estou tão esotérica hoje? (para entender, leia os dois posts anteriores) Simples: hoje é dia de faxina. Acabei de dar os retoques finais no banheiro. É muita realidade para uma pessoa só. Grunpft...

Posted by Maria at 01:59 PM | Comments (0)

dezembro 21, 2002

Coisas que gostaria de ter dito

"Não há nada mais chato do que duas pessoas que continuam falando quando você está interrompendo." -- Mark Twain

"As pessoas boas dormem muito melhor à noite do que as pessoas más. Claro, durante o dia as pessoas más se divertem muito mais." -- Woody Allen

"Que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho." -- Clarice Lispector

"O segredo da minha longevidade é que sempre tomei cuidado com as drogas que tomava." -- Keith Richards

"A única coisa que a gente deve cuidar é de dar sempre um passo à frente, um passo, por menor que seja." -- John Steinbeck

"As idéias são como coelhos. A gente pega um casal, aprende a cuidar deles, e bem depressa tem uma dúzia." -- John Steinbeck

Quer mais? Vá até aqui. Dica da minha querida Meg.

Posted by Maria at 06:55 PM | Comments (0)

dezembro 18, 2002

Sem piscar

Sabe uma coisa que odeio? Ter que me "vender" para o empregador. Dizer que sou ótima, que sei fazer isso e aquilo etc. Não consigo lidar bem com essa coisa de marketing pessoal. Talvez por isso que apesar de gostar, não quero seguir carreira política. É muita exposição estranha e que me deixa meio perdida.

Na minha cabeça, sou o que sou e quem quiser que acredite. Mas sei que não funciona assim. É necessário sentir uma firmeza por parte do candidato, uma certeza de que ele(a) será capaz de realizar o trabalho. O meu problema agora é que sei que sou uma ótima pessoa e uma trabalhadora esforçada, blá-blá-blá, mas não sei se sou capaz de fazer o que fazia antes.

É meio complicado, mas é assim. Essa maluquice de mudar pra cá me fez olhar minha vida de uma forma diferente.

Aliás, uma moça que deixou um simpático recadinho ali no meu Mapa de Visitantes, disse uma coisa que me fez pensar. Ela escreveu que achava "meio surreal" eu ter ido morar num lugar tão longe... Acho que ela tem razão. Pensando bem, é uma loucura danada. E quando olho pra trás e vejo a inevitabilidade que sentia em relação à evolução dos eventos, me pergunto de onde veio toda essa ousadia.

Posted by Maria at 04:43 PM | Comments (0)

novembro 28, 2002

Maria bloodhound

Sempre tive uma memória olfativa privilegiada. Um cheiro é capaz de me fazer lembrar pessoas, épocas, locais. Acho interessante esse tipo de memória, assim como minha memória fotográfica. É difícil eu esquecer um rosto depois de tê-lo visto uma única vez. Meu único problema é colocá-lo no contexto adequado.

Mas o que eu quero falar mesmo é de olfato. Stefan me chama de bloodhound (foto) porque sou capaz de identificar exatamente que tipo de almoço ele comeu ou se tomou café. Outro dia ele passou a mão nos meus cabelos e eu perguntei se ele tinha bebido chá no trabalho. Ele disse que sim. Perguntei então se o chá havia derramado na mão dele. Não. Eu tinha sentido apenas o cheiro que se espalhou pelos vapores do chá.

Não sei o que acontece, mas quando sinto um cheiro forte (como um shampoo anti-caspa, por exemplo) parece que "quebro" o cheiro em várias partes; parece que as moléculas do aroma entram nariz a dentro e vão se modificando, se combinando. Por isso que sou bastante sensível para perfume francês. O cheiro do perfume nunca é aquele primeiro, mas um terceiro ou quarto aroma que está por trás do cheiro inicial. E quando chego a essa terceira ou quarta camada já estou intoxicada.

Com sua sutileza inata, Stefan sugeriu que eu substituisse o "nariz eletrônico" do seriado C.S.I (Crime Scene Investigation), um dos nossos preferidos. Fico torcendo para que o Grissom, a Catherine, o Warrick, a Sara e o Nick usem Luminol para descobrir padrões no sangramento da vítima, ou que precisem utilizar toda a expertise do Greg, o cara do laboratório. Só não gosto quando eles mostram a tragetória da bala quando entra pessoa a dentro, dilacerando tudo o que encontra pela frente. Afinal, sou bloodhound, mas nem tanto assim.

Posted by Maria at 11:51 AM | Comments (0)

novembro 16, 2002

Idéias no éter

Vocês já se viram nas palavras de outra pessoa? Um livro, uma reportagem, uma estrofe que define todas as suas dores, todas as suas alegrias, aquelas que você não sabe onde comecam nem acabam e que muito menos consegue explicar? Acontece comigo sempre e preciso me segurar senão saio escrevendo cartinhas de fã para os escritores e jornalistas dizendo mil obrigadas por ele ou ela terem conseguido entender o que eu queria falar. O problema é que tenho horror a ser chata, de forma que me contenho muito e só escrevo quando realmente não posso mais evitar.

Esse é o caso da Ana Cristina Reis, colunista do Globo. Mandei um email pra ela durante a Copa, eu acho, depois de apreciar o trabalho dela por anos. Ela tinha escrito uma coluna naquela oportunidade sobre um jogador sueco com cara de lenhador que era um charme. Achei a ocasião perfeita. A coluna dela é ótima, super divertida e escrita com tanta honestidade que parece que a Ana Cristina está na minha frente numa mesa do Jobi contando suas histórias.

Pois ela atacou novamente. Hoje fui ler o Globo para conferir as últimas do Lula e, claro, as matérias do ELA e as colunas em geral, Veríssimo, Elio Gaspari, Ancelmo Góes, João Ximenes Braga, Dapieve, Xexéo, Marcio Moreira Alves, Mauro Rasi, João Ubaldo e a Ana. Na coluna que li, ela fala sobre o "Sex and the city", um seriado que adoro, ao contrário dela. Vale a pena ler. Vou reproduzir tudo aqui porque não adianta apenas linkar. A coluna some depois de ser renovada. Divirtam-se! :D

UPDATE ==> "Homem sofre. No Sex and the City sofre muito" Coluna do Joaquim Ferreira dos Santos no No Mínimo.

Posted by Maria at 03:23 PM | Comments (0)

novembro 14, 2002

Impasse

gato.gifOntem Stefan comecou a ler um novo livro e comentou uma coisa que me fez pensar. Rindo, ele disse que o autor da obra dedicou o livro à sua família, que incluía o gato. O felino tinha ganho mais linhas de dedicatória do que qualquer outro membro do clã. Stefan riu disso, como se dissesse: "Que coisa engracada! Dedicar mais ao gato do que às pessoas".

Pra mim isso não tem nada de absurdo, mas aí pensei: Stefan é alérgico a pêlo de gato (de cachorro também) portanto tem vivido todos esses anos sem um contato mais prolongado com um felino. Cachorro ele já teve (Collie), mas era um cachorro de toda a família e absolutamente proibido de entrar no quarto do Stefan por causa da alergia.

Não consigo imaginar não poder tocar em um gato ou um cachorro. A vida é tão melhor com eles!

Já chegamos à conclusão que mais cedo ou mais tarde teremos um cachorro porque simplesmente não dá pra viver sem. Mas o problema é que Stefan quer um cachorro grande, um Collie, que ele tanto adora, mas que não pode cuidar, nem escovar, nem lavar. Eu, que não tenho qualquer tipo de alergia, prefiro um pudle (poodle, púdle, como é que se escreve isso em português???) porque são cachorros inteligentérrimos, limpíssimos, lindos e, melhor do que tudo, indicados para pessoas com alergia. Eis aí o impasse.

Posted by Maria at 01:23 PM | Comments (0)

novembro 12, 2002

Teorias

Fiz um comentário hoje em um post da Alê que me fez pensar. Ela disse que estava tudo bem na vida dela, mas que ainda faltava alguma coisa, algo que ela não sabia o que era. Comentei que essa falta - um vazio existencial - vai estar sempre ali. Não adianta tentar preenchê-lo com pão com banana e queijo ou suco de laranja com mamão, nem com homens (ou mulheres), nem com filhos, e nem mesmo com cachorros ou gatos.

Eu costumava pensar assim e acho que ainda cometo este erro muitas vezes. Quando era crianca pensava que tudo ficaria melhor quando não precisasse mais estudar matemática. Na adolescência achava que quando eu entrasse pra universidade as coisas melhorariam. Na faculdade, tudo ficaria perfeito quando eu encontrasse um trabalho. No trabalho, a situacão seria ideal se eu conseguisse aquele emprego. E, permeando todas essas expectativas, havia sempre um vazio no que dizia respeito ao-homem-que-eu-amaria-e-que-tornaria-tudo-perfeito. Finalmente.

Bom, claro que não é assim, né? Não precisa ser filósofa pra saber disso. Mas como estou operando no meu modo escritora-de-best-seller-de-auto-ajuda, aqui vai um pensamento para hoje: a vida é como um cobertor pequeno. Você cobre um lado e descobre o outro. Não tem como ter de tudo sempre.

É claro que há pessoas mais hábeis em conseguir o que consideram necessário para alcancar sua felicidade do que outras. Mas também existe uma outra categoria de pessoas que gostam do desafio de transformar as circunstâncias, por mais adversas que sejam, em matéria propícia para a construcão de uma vida rica e feliz. Será que pertenco a este estrato?

Não sei. Ontem vi um programa na TV sobre a Teoria do Caos. Vocês já ouviram falar? Um ato ocorrido em algum lugar do mundo pode acarretar, por uma infinita cadeia de acontecimentos e reacões, um desastre do outro lado do mundo. Incrível, não? Adoro pensar nessas coisas.

Costumava odiar, assim em negrito mesmo, quando o meu pai dizia "pra eu colocar esse problema em perspectiva e ver que não é tão ruim assim". Ficava doida! Quem é ele pra diminuir a minha dor? "É ela que me define, é ela que diz quem eu sou". Mas, claro, papai estava certo. Hoje sei que é uma vantagem poder colocar as coisas em perspectiva e perceber que, de fato, as coisas são do jeito que são. Nem mais, nem menos. E um dia elas acabarão. E outras comecarão.

Posted by Maria at 01:12 PM | Comments (0)

novembro 08, 2002

Queridos leitores,

Passei o dia inteiro meio angustiada, querendo escrever muito mas sem saber sobre o quê. Não que eu estivesse sem inspiracão. Não acredito nisso de "estar inspirada". O que faco é simplesmente sair escrevendo, meio sem saber no que vai dar. E invariavelmente dá em alguma coisa. Boa ou ruim. Mas dá.
Aprendi a fazer isso no meu trabalho como jornalista no Brasil. Isso porque quase tudo pra mim é interessante. E acho fascinante quando as pessoas dizem que me lêem e que gostam do que eu escrevo. Mesmo as que não gostam mas que me lêem do mesmo jeito. É uma sensacão incrível. O fato de pessoas gastarem alguns minutos de suas vidas para vir aqui e ler o que eu escrevo é fantástico. Acho que o que eu queria dizer é: Obrigada! :c)
Posted by Maria at 02:57 PM | Comments (0)

novembro 04, 2002

Os demônios e eu

Muitos dos comentários que vocês fizeram sobre o post abaixo me fizeram pensar. E cheguei à conclusão lógica que vocês têm razão quando louvam a disciplina irritante dos suecos e dizem querer mais cuidado no trânsito maluco do Rio/São Paulo/Brasil. Sei que posso estar chovendo no molhado mas é uma das coisas que sempre me deixam mais boquiaberta: aqui há um senso de respeito cívico, um senso comum que faz com que a maioria arrasadora - sempre há excecões, claro - tenha uma postura exemplar frente à sociedade. Respeitar leis é uma coisa mais do que natural. E só o fato de eu chegar a essa conclusão e fazer essa declaracão mostra como nós, brasileiros, estamos desacostumados com a civilidade.

Fiquei horrorizada com o trânsito quando visitei o Rio em agosto-setembro passados. Me lembrei que costumava "costurar" tanto quanto os outros motoristas e ainda xingava e buzinava sem qualquer preocupacão. E me considero uma pessoa educada, veja bem. Não quero dizer com isso que a Suécia é tão melhor do que o Brasil, porque aqui há muitos outros problemas que nunca nem se quer podem ser imaginados por nós, como o altíssimo índice de suicídios (isso não é lenda!). Às vezes sinto que estou na outra ponta do extremo. Onde tudo é regulado por leis e pelo bom senso alheio. Há respeito. Muito respeito. Respeito demais, aliás. Tanto que impede que as pessoas sejam calorosas e ousem mais nas suas vidas.

Acho que falta alegria aqui. Não entro naquela enrascada de dizer que o povo brasileiro é gentil apesar de tudo, mas o que eu digo é que há uma diferenca básica dentre esses dois povos: a alegria. Parece meio babaca ficar dizendo isso, mas vocês não sabem a importância que uma cultura ligada unbilicalmente com a alegria tem na vida de um ser humano. A sisudez sueca, só quebrada pela ingestão de incríveis quantidades de álcool, é um impedimento social real. Torna a vida das pessoas mais difícil ou menos agradável.

Acho que dirigir é a única atividade na qual a total falta de educacão e de cuidado do brasileiro fica patente até a olhos estrangeiros. E isso me faz pensar: será, então, que é tudo falso? Essa docilidade, essa alegria, os sorrisos que aparecem do nada e transformam um côco servido no calcadão numa experiência quase celestial?

Ah, sei lá. Tô meio assim assim hoje, ou seja lá o que é que me fez escrever tudo isso. Minha mãe me ligou ontem e disse que estava com muitas saudades e me perguntou "quando eu iria voltar" pro Brasil. Senti um frêmito nervoso no meu estômago, como um nome ou uma frase que não deveria ter sido pronunciada para evitar que antigos demônios acordassem.

Tarde demais.

Posted by Maria at 01:50 PM | Comments (0)

outubro 30, 2002

Explicacões

A Claudia, brasileira que vive na Holanda, me visita às vezes e sempre deixa comentários interessantes. Um deles, se vocês se lembram, foi quando ela me perguntou porque passar por todo esse perrengue - mudar de país se tudo é tão difícil para recomecar etc. Ontem ela me visitou novamente e, mais uma vez deixou um comentário polêmico e interessante. Vou reproduzir aqui mais uma vez porque acho que essa é uma questão que muitas pessoas estão pensando. Claudia escreveu:

"O Lula ja e o novo presidente, como esperado. Honestamente, eu estou com pena dele. As pessoas ainda nao amadureceram o suficiente para nao esperar um salvador da patria, aqui da Holanda da pra sentir como a galera esta pensando que o Lula vai conseguir mudar o mundo e consertar o Brasil ( pausa para gargalhadas ahahahahahaha). Nem o Serra, preparadissimo como e, ia conseguir fazer milagre, ainda mais com este panorama internacional horroroso, desemprego e recessao no mundo inteiro, ameaça de guerra no iraque . .. Entao, eu prevejo uma futura frustraçao coletiva imensa, nao porque o lula necessariamente va orquestrar um desastre, mas porque ele nao vai conseguir fazer um vigesimo do que os eleitores do PT estao irrealisticamente esperando dele. O lado legal disso e realmente ver um ex-metalurgico, um fodido que passou fome na infancia e perdeu um dedo numa maquina na fabrica, conseguir "chegar la". Isso e legal, e DEMOCRATICO, demonstra que no Brasil qualquer um pode mesmo chegar la, dependendo de um misto de esforços, sorte, destino e estar-no-lugar-certo-na-hora-certa. Fora o fato de que o Lula nao e um político ladrao, e por causa deste passado sem duvida e um cara bem intencionado e com uma certa sensibilidade social. Mas e um bronco, desculpe presidente, mas vc ainda fala "as elite" e coisas do tipo. Apesar dos ternos Armani, nem ingles o cara fala, imagina este cidadao numa reuniao na OMC ou tendo que decidir a politica de cambio ou outras complexas questoes economicas ... Mas eu sou uma pessoa otimista, nao votei nele, nao torci por ele mas vou fazer pensamento positivo e torcer pelo melhor.
bora ver!
Claudia"

E a minha resposta foi:

Claudia, com todo respeito: essa cantilena de que o Lula não sabe falar inglês é coisa velha. Tradutores e intérpretes existem por essa razão. Para se defender uma nacão com paixão não é necessário falar outras línguas, mas basta entender bem a nossa língua. Além do mais, veja bem, o FHC, muitíssimo culto, como eu e você, aliás, não conseguiu nos salvar das garras do FMI.

E não pense que estou aqui fazendo discurso político radical porque não é o caso. Tenho horror a radicalismos. Não gosto sequer da faccão radical petista. O que acho é que o acordo que o FMI fechou com o governo FHC é nossa dor e delícia. Precisamos dele - por desacertos do executivo dirigido por FHC - e, ao mesmo tempo, ainda vamos morrer disso, se é que você me entende, porque as condicões para o empréstimo são quase sub humanas para com a populacão mais pobre, que vai sofrer mais uma vez. O Lula, no entanto, se comprometeu a cumprir o trato porque não é burro. Sabe a condicão do país deixado pela inteligentsia tucana.

Concordo com você que o Lula vai ter um looooongo e difícil caminho pela frente, mas vamos combinar uma coisa: o fato de ele saber ou não falar outras línguas não quer dizer nada, ok? Se fosse assim, os EUA NUNCA elegeriam qualquer presidente.

Fui ler o jornal hoje e achei genial essa idéia da Fome Zero. É por isso, Claudia, que eu gosto do Lula, porque ele se preocupa com as questões emergenciais, aquilo que fazia parte do discurso teórico do FHC, falando como o sociólogo que é e não como o presidente da república. Eu votei no Lula porque acredito de todo o coracão que ele é um brasileiro preocupado com as condicões de vida básica da populacão mais pobre, que não tem voz, não pode reclamar nem fazer greve simplesmente porque em sua maioria não têm sequer trabalho.

A preocupacão econômica, vital, sem dúvida, também está presente no governo do Lula, claro, porque como disse, ele não é otário, mas o que ele quer fazer com mais urgência é tirar da miséria absoluta uma multidão de gente que merece ter, pelo menos, o que comer no fim do dia. E isso, pra mim, é ser Presidente da República.

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outubro 23, 2002

A vida como ela é

Achei muito oportuno da TV4, um canal de TV de notícias e entretenimento que adoro e que está dedicando toda sua grade de programas dessa semana a matérias sobre o racismo na Suécia. Ontem, no jornal nacional deles, foi mostrada uma autoridade dizendo que podem haver tumultos tão graves quanto aqueles que ocorreram em Los Angeles quando policiais brancos bateram em Rodney King sem motivo aparente. Até a ministra da integracão da Suécia, Mona Sahlin - não muito competente se você quiser mesmo saber minha opinião - disse que não chega a tanto, mas que perigo sem existe.

Amanhã vão mostrar em um programa ótimo chamado "Kalla Fakta" (que quer dizer mais ou menos "a verdade nua e crua dos fatos") como é difícil para imigrantes com educacão superior conseguir um emprego aqui. É o caso por exemplo, de Kurosh Jalali, cidadão sueco nascido no Irã, que por ter background de imigrante, só conseguia empregos como faxineiro e lavador de pratos. Foi para a Inglaterra e se tornou chefe apotecário no primeiro dia em que procurou emprego. Experiência semelhante a de Naser Izadkhan, também cidadão sueco com família imigrante. Hoje ele é ortodontista radicado em Manchester, Inglaterra, mas quando estava na Suécia era obrigado a ser motorista de taxi para poder sobreviver.

A verdade é que a sociedade sueca precisa acordar para o fato de que preconceitos existem e são prejudiciais para todos. Se não for por humanidade que seja por problemas econômicos. A dificuldade de se aproveitar os talentos e a competência de suecos com background imigrante custa muito à sociedade sueca como um todo. "Se o estabelecimento de profissionais de background imigrante fosse o mesmo registrado por suecos nascidos aqui, o governo ganharia mais de 30 bilhões de coroas por ano", constata Jan Ekberg, professor de Economia Nacional. Ele faz referência a todos os impostos que essas empresas pagariam, além dos custos do social com os desempregados, que deixariam de ser pagos.

Kalla Fakta, TV4, Torsdag, Kl. 20.00.

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outubro 08, 2002

Q & A

A Claudia (infelizmente ela não deixou uma home page) comentou o meu post sobre o final do meu estágio e deixou uma pergunta intrigante no ar. Foi a pergunta que eu tive de me fazer antes de decidir largar tudo e todos e vir morar na Suécia. Eis o que ela escreveu.

"Mary, desculpa a curiosidade, mas me fala: como vc faz para aturar todas essas adversidades plus clima escandinavo??? Vc fez essa escolha por amor? Olha, eu tenho 24 anos e ja viajei meio mundo, mas de ferias tudo e maravilhoso. No momento estou em Utrecht (Holanda) e vim no intuito de ficar. Razao: um amor. Mas to achando tudo taaaaaaaao dificil que, como cantaria a marina, era mais facil tentar esquecer. E virar mais uma ilusao nessa madrugada...."

Eis a minha resposta, depois de pensar muito.

Claudia, não tem um jeito fácil de responder a sua pergunta. Certamente minha decisão de vir morar aqui não foi fácil. Muito pelo contrário, foi e é difícil mesmo, muito difícil. Mas, como é que eu posso te explicar? Eu simplesmente tinha que vir pra cá. Já tentei a vida sem o Stefan, depois de tê-lo conhecido, e não deu certo.

Eu ousei tanto porque acredito que essa experiência é de alguma forma essencial para mim. Você quer saber se foi uma decisão baseada em amor. Com certeza foi sim.

Tenho poucas respostas, mas acho que aquelas que tenho me ajudam a permanecer lúcida para saber que apesar de ter sido uma decisão complexa, estou no caminho certo.
Quer saber se dói saber que deixei pra trás uma vida inteira no Brasil? Dói. Dói muito. Quer saber se vou continuar casada com o Stefan para sempre? Não sei. Quer saber se estou frustrada pelo fato de ter deixado o meu emprego? Sim, mas tenho esperanca de conseguir me expressar profissionalmente aqui também, preciso só me dar tempo.

Quer saber se sou feliz apesar de toda a saudade? Sou sim. E é isso o que me importa.

Não sei o que é melhor pra você, afinal, "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é". Para mim, ter vindo morar aqui foi um lance de ousadia, dor e descoberta. Me sinto viva. E isso é muito bom.

Posted by Maria at 04:27 PM | Comments (0)

setembro 30, 2002

Manchete do Globo de hoje:

Soros cobra ajuda dos EUA ao Brasil

Olhei rápido, saindo de um texto em sueco, e demorei a entender que a notícia nada tinha a ver com um ataque de cobra e o soro utilizado para debelar o envenenamento. Eu hein! :c)

Posted by Maria at 09:14 AM | Comments (0)

julho 25, 2002

Meu caminho

Agora descobriram um asteróide que pode vir a colidir com a Terra em 17 anos.

Dezessete anos dá pra fazer muita coisa. Não sei o que estará acontecendo na minha vida em 17 anos - se me dissessem que eu estaria morando com o meu namorado na Suécia em 1998 eu riria até chorar.

Na verdade o que eu quero é sobreviver até setembro. Não, não tem nada a ver com doenca nem muito menos com ataque terrorista - tem a ver com saudade.

This is my way.......

Posted by Maria at 10:51 PM | Comments (0)

julho 20, 2002

"When I feel blue I

"When I feel blue I just take another breath"

Posted by Maria at 04:17 PM | Comments (0)

Cruela Cruel

A Meg me ligou ontem para pedir desculpas por ter esquecido do meu aniversário. De fato, eu tinha ficado meio chateada pelo fato de ela ter esquecido, mas, ao mesmo tempo em que recebi tantas mensagens bacanas de tanta gente, pensei que eu estava precisando largar mão de ser tão self centered e que ela provavelmente tinha muito mais coisas com as quais se preocupar.

Mas aquele ressentimento dos rejeitados - ou dos que pensam que foram rejeitados - permaneceu. E eu me calei. Poderia ter mandado um e-mail pra ela esculhambando, fazendo uso da minha recém-descoberta verve, dizendo que se ela não me desejasse feliz aniversário imediatamente eu não hesitaria em chegar ao extremo de tirar o link do Sub Rosa do Montanha-Russa - o que não faria nunca, it goes without saying. Mas não fiz nada disso. Eu me calei.

E o silêncio se transformou num ato de crueldade. Sim, podemos ser cruéis, muito cruéis, sem nada dizer. O silêncio se enche de expectativas frustradas, de sentimentos imaginados e, portanto, aumentados fora de proporcão. Eu fui cruel comigo mesma primeiro em achar que a Meg estava se lixando pra mim. Depois, fui cruel com ela ao insinuar, com o meu silêncio, que eu estava me lixando se ela se lembrasse ou não. E continuei sendo cruel com ela ao permitir que o silêncio imposto por mim provocasse culpa, quando finalmente ela se lembrou da data.

Por isso, quero pedir desculpas à Meg, que é uma pessoa incrível. Desculpe-me, Meg.

Esse episódio - que somente nós cancerianas, habituadas ao mundo perverso da chantagem emocional e da crueldade sub-reptícia in a daily basis achamos interessante o suficiente para receber qualquer consideracão - fez com que eu notasse que esse silêncio amargurado é um padrão na minha vida. Não vou entrar em detalhes porque isso é muito pessoal, mas me dei conta de que posso ser bem mazinha sem nenhum esforco. Ó céus.

Posted by Maria at 02:27 PM | Comments (0)

julho 18, 2002

Neurose

Nunca pensei que fosse me identificar com uma criatura como essa cantora Pink. Mas parece que ela estava lendo os meus pensamentos quando escreveu a música "Don't Let Me Get Me", que diz assim:

(...)
Everyday I fight a war against the mirror
I can't take the person starin' back at me
I'm a hazard to myself

Don't let me get me
I'm my own worst enemy
Its bad when you annoy yourself
So irritating
Don't wanna be my friend no more
I wanna be somebody else.
(...)

Em um desses documentários que o GNT passa (ou passava enquanto eu ainda estava no Brasil), fiquei sabendo que até as modelos têm esses dias em que queriam se transformar em avestruzes. Mas será mesmo? Se for verdade, deve ser um horror muito maior, porque, coitadas, elas só têm aquilo, né? O fato de serem deusas, ninfas, perfeitas e milionárias.

Eu, pelo menos, sou simpática. E minha mãe sempre me disse que eu era linda. E todos nós sabemos que as mães não mentem.

Posted by Maria at 07:58 PM | Comments (0)

julho 13, 2002

Falar e viver

O Tom Moore, do Mostly Music (que é feito também pela Laura Ronai), escreveu esse post aqui que eu achei interessante por ter sido uma das minhas descobertas mais recentes:

Language and personality

I found this in a page on the Czech language today: As the Czech saying goes: "You are as many times a person as many languages you speak." The English rendering is not quite idiomatic, but you get the idea.
And I guess it must be common, because it only took a few more seconds to find the Czech... Kolik jazykù znáš, tolikrát jsi člověkem. (As many languages as you know, that many times you are a man). I studied enough Czech to read it slowly with a dictionary, but speaking it is another matter entirely.


Comentei que eu sentia isso na pele, todos os dias. Falando português sou uma pessoa; sueco, outra. E não tem apenas a ver com falta de vocabulário, mas com mudancas mais drásticas, como o próprio ritmo da fala. Notei que quando falo sueco, minha fala fica "ondulada" - no sentido de altos e baixos; sons novos e combinacões meio ilógicas. Não sei explicar direito. Mas é estranho. O Tom Moore respondeu ao meu comentário dizendo que quando ele, que é americano (eu acho), fala português até sua voz fica diferente.

Repito aqui um trecho do "Diário de Viagem", do Camus, que escrevi aqui no dia 14.05.02: "Quando se fala uma língua estrangeira, segundo Huxley, há alguém dentro de si que diz não com a mão".

Aliás, como a linguagem é importante! Outro dia estava vendo um dos documentários do Discovery e assisti um especial sobre um "cientista" que havia separado criancas de suas famílias e feito com que nenhuma linguagem lhes fosse ensinada. Ele queria saber se as criancas criariam um idioma próprio para se comunicar. Ele nunca soube porque todas as criancas morreram. Infelizmente não lembro o nome desse criminoso, mas acho que a experiência aconteceu na Rússia, mas não tenho certeza.

Posted by Maria at 02:16 PM | Comments (0)

julho 03, 2002

Eu adoro elefantes Eles têm

Eu adoro elefantes



Eles têm patas silenciosas, estão entre os animais mais inteligentes que existem e vivem sob uma lei muito bacana: quanto maior, melhor. Ah! E são um matriarcado. :c)

Posted by Maria at 08:07 PM | Comments (0)

junho 15, 2002

Posted by Maria at 04:30 PM | Comments (0)

junho 13, 2002

Eu não quero ter medo

Como diz a Roberta, que é uma mulherzinha rascante, o mundo é muito estranho. Mas mais estranha mesmo sou eu. Às vezes acho que sou uma criatura normal, mas volta e meia umas maluquices que faco ou que penso me fazem ver como sou doida mesmo. Por exemplo, acho que sofro de um delírio de auto-referência que é muito desagradável. De vez em quando parece que tudo e todos estão contra mim e, em vez de chorar, como boa canceriana, fico revoltada e saio batendo porta, rasganto papéis e praguejando. Claro que ninguém me persegue - sou eu que não consigo descolar do meu umbigo. Sabe o que eu queria? Ser livre de verdade e não me importar com o que as outras pessoas pensam ou como elas julgam que eu deveria viver a minha vida. Sei que sou 70% assim, independente, satisfeita, feliz. Mas ainda sofro com a expectativa da opinião de certas pessoas que, por uma razão ou outra, ainda podem me fazer sofrer muito. E eu odeio esse sofrimento. O martírio em si e também a minha fraqueza em permitir que coisas assim ainda me perturbem a existência. Por que será que a gente nunca está totalmente livre? Por que não somos nunca suficientes para nós mesmos? Por que a gente cria tantos problemas para si próprio? Por que mesmo sabendo a raiz do problema e como curá-lo não fazemos nada a respeito? A resposta pra essa última é simples: porque essas encrencas nos fazem companhia. São terreno conhecido, atitudes antigas, hábitos. E como é difícil quebrar com esses círculos viciosos! A gente sabe que mudanca é coisa boa mas tem medo.

Posted by Maria at 07:13 PM | Comments (0)

junho 09, 2002

Minha vida em quatro linhas

"Sou assombrada pelos meus fantasmas, pelo que é mítico e fantástico - a vida é sobrenatural. E eu caminho em corda bamba até o limite de meu sonho. As vísceras torturadas pela voluptuosidade me guiam, fúria dos impulsos. Antes de me organizar, tenho que me desorganizar internamente. Para experimentar o primeiro e passageiro estado primário de liberdade. Da liberdade de errar, cair e levantar-me." -- Clarice Lispector. (Pescado na Rosana, claro)

Posted by Maria at 10:16 AM | Comments (0)

junho 04, 2002

AVE MARIA Português Ave

AVE MARIA
Português Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto de vosso ventre, Jesus. Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.
Latim Ave Maria, gratia plena, Dominus tecum: Benedicta tu in mulieribus et benedictus fructus ventris tui Jesu. Sancta Maria, Mater Dei, ora pro nobis peccatoribus, nunc et in hora mortis nostrae. Amen.
Sueco Hell dig, Maria, full av nåd, Herren är med dig. Välsignad är du bland kvinnor och välsignad är din livsfrukt Jesus. Heliga Maria Guds moder bed för oss syndare nu och i vår dödsstund. Amen.
Italiano Ave Maria piena di grazia, il Signore è con te. Tu sei benedetta tra le donne e benedetto è il frutto del tuo seno Gesù. Santa Maria, Madre di Dio, prega per noi peccatori, adesso e nell'ora della nostra morte. Amen.
Espanhol Dios te salve María llena eres de Gracia, el Señor es contigo. Bendita eres entre todas las mujeres y bendito es el fruto de tu vientre, Jesús. Santa María, Madre de Dios, ruega por nosotros los pecadores ahora y en la hora de nuestra muerte. Amén.
Francês Je vous salue, Marie pleine de grâce, le Seigneur est avec toi. Tu es bénie entre toutes les femmes et Jésus, le fruit de tes entrailles, est béni. Sainte Marie, Mère de Dieu, prie pour nous, pauvres pécheurs, maintenant et à l'heure de notre mort. Amen.
Inglês Hail Mary, full of grace, The Lord is with thee; Blessed art thou among women and blessed is the fruit of thy womb, Jesus. Holy Mary, Mother of God, pray for us sinners now and at the hour of our death. Amen.
Alemão Gegrüßet seist du, Maria, voll der Gnade, der Herr ist mit dir. Du bist gebenedeit unter den Frauen, und gebenedeit ist die Frucht deines Leibes, Jesus. Heilige Maria, Mutter Gottes, bitte für uns Sünder jetzt und in der Stunde unseres Todes. Amen.
Não sou Goethe, mas quero mais luz! Hoje tô só na base da oracão mesmo. E pra reforcar, aqui vai minha prece favorita, a "Ave Maria", em oito idiomas diferentes. Cortesia da minha querida Alê e do padre Peter Fresman S.J., da paróquia de Stockholm.
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maio 19, 2002

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maio 18, 2002

O Som do Sol

Astrônomos detectaram ondas sonoras vindas de uma estrela, localizada a 130 anos-luz da Terra. Sintetizados, os sons parecem ser uma série de notas graves.

Três décadas atrás foi a vez do Sol. Astrônomos se deram conta, então, que o Sol vibra como um instrumento musical gigantesco, com notas e freqüências bem-definidas.

UAU!
Matéria da BBC.

Posted by Maria at 05:37 PM | Comments (0)

maio 17, 2002

Eu disse! Eu disse!

Mercúrio está retrógrado mesmo, como eu disse lá no post de ontem. Desde que escrevi aquilo tanta gente me disse que também está tudo confuso em suas vidas que fui ver o que é que poderia estar acontecendo com os céus atualmente. E aqui está:

"Mercury and Neptune Retrogrades

Expect the unexpected as two planets reverse their courses, affecting our communication and logic: Mercury and Neptune both slow down momentarily and shift into retrograde periods this week. Prepare for minor inconveniences over the next few weeks, and lots of dreaminess and escapism over the next several months.

Mercury goes retrograde, or appears to be moving backward from our perspective here on Earth, on Wednesday, May 15. Until the morning of June 8, your patience, persistence and ability to keep things in perspective may be challenged. The pesky problems that are associated with Mercury Retrogrades -- tripping over your words, having misunderstandings with loved ones, getting stuck in traffic, playing too many games of phone tag -- can actually offer refreshing moments of peace because they force you to slow down, take a deep breath and reevaluate things. If you remain calm and organized over the next three weeks, you'll feel rejuvenated and ready to dive back into the chaos of life when Mercury turns direct again.

The Neptune Retrograde is a different animal altogether. For one thing, it's much longer: The Planet of Illusion will be retrograde from May 13 until October 20! While the effects of the Mercury Retrograde are obvious, you'll feel the influence of the Neptune Retrograde while you sleep. After a night of vivid, enlightening dreams, you may awaken full of insight! For the next five months, you're likely to be especially intuitive and imaginative; the flip side is that you're equally likely to have problems focusing and you could get lost in your whimsical fantasies."


Socorro! Ficar assim até o mês que vem é demais!!!

Posted by Maria at 03:11 PM | Comments (0)

maio 10, 2002

Looping

Estava pensando neste ano passado aqui na Suécia, e constatei quantas coisas mudaram. Minha vida virou ao contrário, como a Lua aqui, que cresce e diminui no sentido oposto ao do Brasil. Uma coisa.

Quando cheguei quase morri de frio (e olha que estávamos na primavera, com média de 10 graus em dias de sol), não conseguia entender uma palavra do que as pessoas diziam, assistia televisão só mesmo porque aqui tudo é legendado (só programa infantil é dublado), de forma que a maioria dos filmes, seriados etc, são em inglês, gracas a Deus.

Mal entrava na Internet, apesar da conexão de banda larga aqui de casa, porque escrever e-mails pra minha família e amigos era uma tortura chinesa de último grau de crueldade. Chorava horrores, meu corpo comecava a reagir à adaptacão ao novo clima - radicalmente mais frio e seco do que o do Rio.

Agora as coisas melhoraram muito. Só poder ler em sueco, conversar com as pessoas, ver televisão e, de repente, me dar conta de que vejo o programa sem me esforcar para entender o que está sendo dito, já é suficiente para me dar uma qualidade de vida muito boa. O estranhamento, ainda presente, é mais suave.

Mas, vocês sabem, morro de saudades das pessoas que deixei no Rio. Tem problema não! Agosto está logo ali na esquina!

Posted by Maria at 01:45 PM | Comments (0)

maio 04, 2002

Adorei

Roubei da Meg, que, aliás, já tinha roubado d'aqui. É um dos itens de uma lista das coisas que ele mais odeia.
"(...)
3. Mulher nervosa. Eu adoro as mulheres. Me apaixono dezessete vezes por dia, em média. Gosto da maneira como elas se movem, do cheiro que elas têm, do olhar, dos peitos, da bunda, das pernas, dos lábios e tudo o que vem grudado junto. Porém, se você tiver que conviver (em casa, no trabalho ou mesmo no ônibus) com uma pessoa neurótica, torça para que seja um homem. Esses dias, li uma entrevista com um ladrão - por que o espanto? Se entrevistam o pessoal de Brasília... - que declarou, categoricamente: "prefiro assaltar os homens. São mais previsíveis". Até mesmo DEUS declarou, no livro de Provérbios, que é melhor dormir no telhado do que ficar debaixo do mesmo teto com uma mulher encrenqueira. E quem são vocês para duvidar do Todo-Poderoso? (Aliás, tenho que me lembrar de postar um apanhado de frases da Bíblia provando, de uma vez por todas, que Deus tem um senso de humor - digamos - divino)."


Eu também tenho horror a mulher nervosa. Hoje, por exemplo, queria sair da minha pele e dar uma volta, livre leve e solta, sem carga nenhuma. Às vezes eu não me aguento.

Posted by Maria at 04:35 PM | Comments (0)

abril 26, 2002

O universo não tem começo nem fim

Matéria na BBC News sobre artigo da revista Science apresenta um novo modelo criado por dois cientistas, Paul Steinhardt, de Princeton, nos EUA, e Neil Turok, de Cambridge, na Inglaterra. Eles tentam explicar como é o cosmos e para onde ele está indo.

Steinhardt e Turok afirmam que o universo passa continuamente por um ciclo infinito de expansão e estagnação, o qual é dirigido por uma ainda inexplicada "energia negra". Os cientistas são contra a teoria do Big Bang. Eles afirmam que esse modelo não explica o que antecedeu ao Big Bang, nem deixa claro qual será o futuro do cosmos.

Perguntinha: pode acabar algo que nunca começou?

UPDATE: Outra perguntinha, desta vez feita pelo André Sá: pode existir algo que nunca começou?!

Posted by Maria at 01:29 PM | Comments (0)

abril 23, 2002

Miau

Quem é que estou querendo enganar? Gosto de gatos sim, admito.

Posted by Maria at 10:40 AM | Comments (0)

Uhmmmm

Todo mundo sabe que sou uma "pessoa-cachorro". Mas sempre que vejo fotos de gatos dos blogs alheios lembro da minha mãe e de sua paixão por felinos. E me sinto mais perto dela. Então, navegando hoje por aí, pulando de uma pedrinha para outra, cheguei até o outro lado do mundo, em Davis, Califórnia, no site da Fernanda Guimarães Rosa, cujo gato, Mister Gray, é esse aqui de baixo, brincando com a máquina fotográfica. É ou não é muito lindo?



Posted by Maria at 09:39 AM | Comments (0)

abril 21, 2002

Fim-de-semana

Acabamos de voltar de Piteå, cidade que fica no litoral no norte da Suécia, distante cerca de duas horas de carro de Boden, e onde os parentes do Stefan moram. Adoro a mãe, Vera, e a irmã dele, Veronica, que aliás se parece muito comigo fisicamente (veja foto ao lado). Posso dizer que ela é minha melhor amiga aqui. Nos damos bem desde o primeiro dia em que nos conhecemos, em 1999.

É sempre ótimo ir até Piteå porque, além da cidade ser uma gracinha e mais quente que Boden, adoro a Veronica, a Vera, a sensacão de família que tenho junto delas. Tive um pouco de medo antes de vir pra cá, pensando que talvez elas sentissem ciúmes do Stefan. Que nada! Vera acha que ganhou uma filha e não perdeu um filho. E eu sei que não é conversa fiada.

Veronica tem uma cachorrinha linda de morrer, chama-se Lona (fala-se Luuna), que é um pastor alemão branco. Adoro sair pra dar uma volta com Veronica e Lona, que apesar de ter apenas oito meses é educadíssima e atende a todos os comandos de sentar, esperar para atravessar a rua e tal. Além disso, Veronica é casada há séculos e tem três filhas - e olha que ela é apenas três anos mais velha do que eu. :c)

Posted by Maria at 08:02 PM | Comments (0)

abril 18, 2002

Descobertas

pratos.jpgComo prometi, vou escrever sobre uma coisa que descobri aqui na Suécia a meu respeito: é que eu gosto de cozinhar. Não, é sério. No Brasil cozinhar pra mim era um problema. Na minha casa nunca tinha paciência pra fazer nada e sempre corria pra casa da minha mãe quando estava sem ter o que comer. Mas agora, que estou aqui sozinha, isso mudou.

Minha mãe sempre me disse que a gente internaliza quem a gente ama: os gestos, os gostos, os ensinamentos. É o nosso jeito de ficar perto daquela pessoa, mesmo estando geograficamente longe. Ela tem toda a razão. Sou a prova viva de que a saudade faz com que você descubra capacidades que nunca pensou poder existir dentro de você. (parece filisofia de almanaque, mas vocês não têm idéia de como está fazendo minha vida mais leve).

Pois bem, quando vim pra cá, sentia muita saudade, saudade de tudo e de todos. Comecei aos poucos, porque me faltavam experiência e auto-estima, a cozinhar pratos simples, que minha mãe sempre tentou me ensinar mas que eu achava que nunca ia conseguir fazer. Agora sei que não somente eu prestei muita atencão como, quando cozinho, penso nas pessoas que eu amo e que estão no Brasil e sorrio. Não choro mais.

xicaras.jpgDesde que cheguei aqui já descobri que sabia fazer bolo de amendoim da minha avó (já dei a receita aqui no blog, está no arquivo); feijão preto (mesmo sem panela de pressão); arroz temperadinho com um pouquinho de alho; franguinho à milanesa, sequinho e crocante, saladas das mais variadas, com muitas verduras e legumes; e até bolo de carne moidinha (para a felicidade do Stefan). Isso, claro, sem falar nos óbvios omeletes caprichados, e na massa, que sempre amei e que sei fazer bem. Aprendi ainda a fazer uma torta gelada com café, muito gostosa, mas os ingredientes estão todos em sueco, porque a receita é daqui.

Outro dia estava fazendo os bolos para uma festa que um casal amigo do Stefan deu (tem post sobre isso lá nos arquivos) e, enquanto batia as claras em neve, juntava o acúcar à farinha etc etc etc, lembrava da minha avó Celia, querida, que ajudou meus pais a me criar e que era doceira de profissão. Ela me deu o livro de receitas dela - de onde tiros muitas receitas ótimas - e eu achei que nunca iria usá-lo. Mas, enquanto batia aqueles bolos para a festa, conversava com ela em pensamento e dizia, "Ô, vó, tá vendo só? Até que eu não sou de todo má na cozinha!", e sorria de mim para mim mesmo. Nem precisa dizer que os bolos ficaram deliciosos e fizeram o maior sucesso.

É claro que é difícil cozinhar todos os dias, como uma obrigacão, mas estou numa de descobertas, então me aguentem mais um pouquinho. Ontem, por exemplo, foi ótimo. Queria fazer uma coisa boa para o jantar (Stefan e eu comemos apenas um sanduíche de almoco, de forma que o jantar precisa necessariamente ser comida). Tinha comprado salada (alface e mais uns verdes), tinha tomate e ovo em casa e decidi fazer uma salada césar. Coloquei dois ovos cozidos também. Íamos comer galinha, então fiz ainda um pouco de arroz pra acompanhar.

Ficou tudo tão bom! Fiquei tão orgulhosa! Como diz minha mãe e é a mais pura verdade: cozinhar com carinho, seja pra você mesmo ou para alguma outra pessoa, é um ato de amor.

[Atualizacão: e pra quem tá pensando que sou apenas eu quem cozinha aqui em casa, uma informacão: Stefan é um chef de primeira, sabe muito de cozinha e me ensinou muitas coisas. Aqui, cozinhar é ensinado na escola para todas as criancas, meninos e meninas. Hoje mesmo troquei receitas de bolo de carne com um senhor sueco de mais de 60 anos.]

Posted by Maria at 03:26 PM | Comments (0)

abril 17, 2002

Delícias


Amanhã vou escrever sobre uma das muitas descobertas pessoais que fiz aqui na Suécia desde que cheguei, há quase um ano.


Posted by Maria at 10:29 PM | Comments (0)

abril 16, 2002

Mais luz! (apesar das sardas)

Porque eu quero muito mais luz na minha vida, aqui vai uma curiosidade sobre luz solar na Suécia. Todos vocês se lembram quando estudamos o solstício e o equinócio, mais ou menos na quinta série, né? Bom, eu me lembro, ainda mais porque nunca entendi exatamente do que se tratavam. Acho que nem mesmo minha professora de geografia na época sabia muito bem, porque a explicacão dela foi muito mais complicada do que o necessário.

É claro que há mil e um esclarecimentos científicos, mas prefiro o meu: o dia 21 de junho, início do verão no Hemisfério Norte, é o dia mais longo do ano aqui no topo do mundo. Enquanto isso, o dia 21 de dezembro é o dia mais curto do ano, quando comeca oficialmente o inverno aqui.

Pois bem. Para quem mora no Rio não há muita diferenca, a não ser quando há horário de verão. Mas aqui a luz é recebida com júbilo sempre que volta do seu longo exílio do inverno. É exatamente nesse período lindo, de termos cada dia mais uns minutinhos de sol, que estamos agora. Então vejam quanto tempo de luz temos em Kiruna, que fica perto de Boden: nesta semana o sol está se levantando às 4h41min da manhã e está se pondo às 20h39min da noite. Semana que vem a cidade terá mais 30 minutos de luz.

E mais, sabem qual é a média de luz do sol em Kiruna? Em janeiro, ápice do inverno, a média de luz solar em Kiruna é zero. Isso mesmo. O sol fica abaixo do horizonte e não chega a nascer. Já em julho, auge do verão, a média de luz solar é, nada mais nada menos do que 24 horas. O sol simplesmente não se põe. Aqui em Boden temos sol em janeiro, mas bem pouquinho, cerca de três horas por dia apenas. Mas, para ser sincera, ainda não me decidi se prefiro ter sol e luz o tempo todo ou se gosto do aconchego da noite.

Posted by Maria at 08:17 PM | Comments (0)

Descoberta

Eu AMO o Stefan.

Posted by Maria at 07:29 PM | Comments (0)

abril 07, 2002

What matters most is

What matters most is how well you walk through the fire - Charles Bukowski
Posted by Maria at 12:26 PM | Comments (0)

abril 06, 2002

MARAVILHOSA

Mais uma vez, admito, roubei. Fui ao Blowg, da Marina, e não resisti. Aqui está o fruto do meu pecado:


"Se a blusa de lycra não fica bem em mim, problema da blusa de lycra". Irene Ravache


Amém.

Posted by Maria at 12:37 PM | Comments (0)

abril 02, 2002

Li isso aqui no site

Li isso aqui no site da Marina, que eu infelizmente não conheco, mas que deve ser uma pessoa muito interessante. Desculpe, Marina, mas copiei na careta de pau mesmo. Achei genial! Queria saber quem é o Francisco. Que crianca incrível! Me faz lembrar meu irmão Carlos. Aqui vai:

O Medo
A árvore tem medo do machado. A barata tem medo do chinelo. A televisão tem medo do curto-circuito. O espelho tem medo de ser quebrado. O livro tem medo de ser rasgado. O carro tem medo da batida. O sapato tem medo do chiclete. O chiclete tem medo do sapato. O aluno tem medo da prova. É isso que é o medo. (Francisco, 9 anos)


Posted by Maria at 08:01 AM | Comments (0)

abril 01, 2002

O medo

Li isso aqui no site da Marina, que eu não conheco, mas que deve ser uma pessoa muito interessante. Desculpe, Marina, mas copiei na careta de pau mesmo. Achei genial! Aqui vai:

O Medo
A árvore tem medo do machado. A barata tem medo do chinelo. A televisão tem medo do curto-circuito. O espelho tem medo de ser quebrado. O livro tem medo de ser rasgado. O carro tem medo da batida. O sapato tem medo do chiclete. O chiclete tem medo do sapato. O aluno tem medo da prova. É isso que é o medo. (Francisco, 9 anos)

Posted by Maria at 07:39 PM | Comments (0)

março 25, 2002

Looping

Aliás, lendo os meus mais recentes posts aqui na Montanha e também em meus outros blogs, parece que tudo na minha vida atual pode ser classificado em duas categorias: as coisas/pessoas/momentos dos quais sinto saudades e as coisas/pessoas/momentos dos quais não sinto saudades.

Pode parecer idiota, mas não deixa de ser um insight. Estou muito reduzida. Vou me expandir.

Posted by Maria at 04:09 PM | Comments (0)

Injecão de ânimo

"Schoppenhauer escreveu que a inteligência do ser humano parece estar na razão inversa da sua capacidade de suportar barulho".
Se for mesmo verdade, já estou me sentindo mais inteligente (mesmo depois de uma prova barra pesada como a de hoje). Só de pensar que agüentei, todos os dias, aquela televisão maldita em cima da minha cabeca lá na Globo.com, na Barra. Cara, que loucura. Disso, não tenho saudades.

Posted by Maria at 04:05 PM | Comments (0)

Dor de cabeça enlouquecedora

É uma saudade estranha. ele chega atrasado e ela o abraca, com uma saudade estrangulada. solucos por dentro. coque, óculos, casaco. contida. não quer pesar a relacão. será que ele sente o coracão batendo, acelerado, na garganta dela? E todas as coisas que ela NUNCA vai poder dizer pra ele porque ele não entende a língua dela?ai que falta que TUDO me faz! Onde vim parar, meu Deus. Por favor, permita que eu nunca fira ninguém, muito menos ele. Odeio crueldade.

Posted by Maria at 08:38 AM | Comments (0)

...

"O problema não é inventar. É ser inventado hora após hora e nunca ficar pronta nossa edição convincente."
Carlos Drummond de Andrade

Posted by Maria at 06:40 AM | Comments (0)

março 22, 2002

???

Só queria saber porque a vida às vezes parece ser tão complicada.

Posted by Maria at 06:01 PM | Comments (0)

março 17, 2002

Fraude

Aliás, uma das razões que tornaram mais fácil minha decisão de vir morar aqui foi exatamente essa sensacão de ser uma fraude em termos profissionais. Alguém já sentiu isso alguma vez?

Posted by Maria at 01:35 PM | Comments (0)

março 06, 2002

Desejo

Queria tanto ir ao Brasil agora! Mas, sinceramente, Maria, será que você voltaria?

Posted by Maria at 05:22 PM | Comments (0)

Procura

Ainda tenho esperancas de que tudo vai dar certo de alguma maneira. Mas será?

Posted by Maria at 05:20 PM | Comments (0)

Ah!

Meu Deus! Estou tão frustrada! Vou fazer uma lista de razões para não me perder.
1) Não tenho mais tanto interesse em escrever sobre coisa alguma. Por outro lado, sempre que tenho contato com o ambiente jornalístico entro em erupcão: me dá uma saudade e uma certeza de que é isso mesmo que eu quero fazer da minha vida;
2) Procuro trabalhar aqui na Suécia como jornalista mas preciso saber escrever (lógico) em sueco, o que ainda não sei completamente. Já me arrisco, mas ainda é muito pouco para sequer comecar a pensar em escrever para jornais e revistas;
3) Não quero ser caixa de supermercado; será que é orgulho besta?
4) Não há empregos decentes nessa cidade de merda.
5) Para ter qualquer chance de ser jornalista aqui preciso fazer um curso complementar, que dura cerca de um ano, em uma das grandes universidades daqui. O problema é que moro no fim do mundo, literalmente. E não tenho dinheiro para simplesmente me mudar para Estocolmo e comecar a estudar. Para isso precisaria de uma bolsa ou de um auxílio estudo, aos quais ainda não posso ter acesso porque sou imigrante e como tal preciso esperar dois anos até ter direito a me candidatar a eles.
6) Ele falou outro dia que se eu precisasse me mudar para outra cidade para poder exercer minha carreira, que ele iria com certeza. Me pareceu ter dito de coracão. Mas fico com medo só de pensar. Afinal, estou aqui para viabilizar uma relacão ou não?
7) Mas será que tudo isso não é muito afobamento meu não? Tenho um lado bom dizendo aqui na minha orelha: "Espera um pouco, espera dos dois anos. Você vai estar falando muito bem e, se te conheco bem, vai estar escrevendo decentemente também em sueco. Aí, aumentam suas chances em qualquer mercado de trabalho".

Posted by Maria at 05:18 PM | Comments (0)

março 01, 2002

Fora do ninho

Será que algum dia esse sentimento de estranhamento vai passar?

Posted by Maria at 05:16 PM | Comments (0)

Estranho

Tem coisas aqui que eu ainda não entendo. Mas são as pessoas que mais me deixam perplexa. Quer dizer, na verdade nem deveria ficar perplexa porque já deveria saber que todas as diferencas do mundo existem entre mim e esse pessoal daqui. O problema é que a gente nunca está preparada para o inusitado (lógico). Esse pessoal que vamos visitar hoje, por exemplo: um casal, melhores amigos dele. A menina até que é legalzinha, mas o cara é um troglodita. Se bem que, às vezes, ele pode ser extremamente doce. À maneira sueca (bem particular) e bruta (aquela absolutamente universal).

Posted by Maria at 05:13 PM | Comments (0)

Cômico

Chega a ser engracado, mas fico muito mais tranqüila quando ele não está aqui em casa o tempo todo, como agora. É que há uma certa demanda para que fiquemos juntos o tempo inteiro, o que é difícil pra mim. A distância faz bem - nem que seja passar o dia trabalhando, sem se ver. Ele não sabe ficar sozinho. Não que eu seja uma craque, mas ele mesmo já admitiu que eu me "daria melhor" se um dia nos separarmos. Não quero pensar nessa possibilidade, no entanto.

Posted by Maria at 05:10 PM | Comments (0)

fevereiro 28, 2002

Preciso escrever, mas não sei como

Uma pérola que me define perfeitamente: "Tenho que falar pois falar salva. Mas não tenho uma só palavra a dizer." (Clarice Lispector)

Claro que tinha que ser a Clarice, né?

Posted by Maria at 08:43 PM | Comments (0)