novembro 05, 2005
Enquanto isso, na Argentina...
A palavra em sueco do dia é dumhet, burrice.
agosto 02, 2005
Listas e comunidades
A Tetê foi a única que reparou (ou a única que perguntou) sobre a ausência dos links de blogs aí, na coluna lilás à esquerda. Tirei os links porque fiquei cansada de receber emails do tipo: "porque você tirou o link do meu blog da sua lista? Tá se achando muito importante, é? Também vou tirar o seu!" Sinceramente, esse tipo de coisa é tão baixo astral que nem dá pra comentar. Continuo visitando meus blogs preferidos, cujos endereços estão nos "Favoritos", e ainda quem me visita e deixa comentários.
Aí teve uma infeliz que me perguntou "quais os meus critérios" para tirar um link da minha lista. Ora, pensei eu, tenho que ter "critérios"? Bom, na minha lista entram as pessoas que, claro, têm um blog, que visitam o Montanha e que escrevem posts interessantes e/ou comentários legais aqui. Mas, não precisa corresponder a todas as categorias. Os que saem são, em geral, aqueles que não escrevem mais em seus próprios blogs. Existem casos de gente que saiu da lista por eu ter perdido interesse no que a pessoa escreve, mas esses são raríssimos.
Por favor, não me convidem mais para entrar para comunidades no Orkut e nem esperem que eu visite sua home page no Multiply. Aliás, no Multiply eu só visito mesmo a Tetê, de vez em quando, porque ela não quer mais ter blog e porque publica fotos lindas de suas viagens. Já o Orkut virou um antro de raivosos em geral, do qual quero mais é distância. Minha página continua lá, como referência para quem tiver interessado, mas não visito e escrevo pouquíssimos scraps. Minha participação em comunidades é nula.
A expressão em sueco do dia é less på [léss pôô], cansada de/com algo.
julho 26, 2005
De canivetes e decepções
No primeiro dia em Londres, quando visitamos o London Eye, fomos submetidos a uma revista rigorosa, durante a qual precisamos abrir nossas mochilas (tínhamos chegado de trem para passar a noite) e mostrar tudo o que tinha dentro. Meu urso, sueco até a alma, carregava consigo um canivete, que nunca deixa seus bolsos. Nervosa, disse: "Você deixou o canivete em casa, né?". A cara de nervoso dele me respondeu mais eloqüentemente do que mil palavras.
O guardinha achou o canivete e disse: "Well, well, well, what do we have here!", numa voz meio de piada. O resultado é que meu urso acabou tendo que deixar o canivete com o guarda, em troca de um recibo. Essas revistas se repetiriam em todas as atrações da viagem, sempre com o mesmo resultado. Aí, quando voltei pra casa, li no meu jornal uma notinha que me chamou atenção novamente pros canivetes.
A repórter Jane Magnusson também viajara com seu canivete. Só que ela esqueceu de tirá-lo da bagagem de mão. O canivete foi então devidamente confiscado no check in no aeroporto e ela, claro, nunca o viu novamente. (Isso aconteceu comigo também quando voltei do Brasil pra Suécia em 2002, só que ao invés de um canivete, os guardinhas do Galeão enburraram com a minha pinça.)
Mas o mais interessante é que depois do ataque aos EUA em setembro de 2001 as únicas duas empresas fabricantes dos chamados canivetes suíços entraram em seríssimas dificuldades econômicas. Uma delas decretou falência no último mês de abril. A Victorinox parece ainda estar de pé, até porque o exército suíço continua fornecendo a todos os seus soldados um canivete cheio de ferramentinhas.
Aí, Magnusson termina sua pequena notícia com uma conclusão controversa: "O que é interessante, no entanto, é que o terrorismo nesse caso acabou por levar à [utilização e fabricação] de menos armas". Eu, particularmente, prefereria um mundo cheio de canivetes e com menos extremistas de todos os calibres, raças e religiões.

É muito engraçada essa coisa de decepção. Sem perceber, construí uma persona aqui, através dos textos que escrevo no Montanha e isso, incrivelmente, está trabalhando ao meu desfavor. Fico até com a sensação de que não posso escrever o que quero, mas apenas o que vocês acham que eu devo, o que fica "bem" para mim, escrever. Olha, isso eu não faço não, tá? E tem mais: só se decepciona quem idealiza. Pés no chão, camaradas! E vamos em frente.
A expressão em sueco do dia é Strunta i det!, Deixa pra lá!
julho 21, 2005
Janela de comentários
Três pessoas já me escreveram dizendo que não estão conseguindo abrir a caixa de comentários aqui do Montanha. Eu também não estou conseguindo, mas contorno o problema clicando com o botão direito do mouse e escolhendo a opção "abrir em outra janela", ou seja lá como esteja escrito no seu browser. Comigo, funciona. Vou tentar ver o que é que está acontecendo e já já volto.
A palavra em sueco do dia é hake, defeitinho.
Update :: Já voltou a funcionar, pelo menos pra mim. Se você consegue abrir a caixa de comentários desse post (ou de qualquer outro), pode deixar um comentário dizendo isso, please? Obrigada!
junho 27, 2005
Mais uma vez, fora do ar

A palavra em sueco do dia é Irritation, irritação.
junho 24, 2005
Uma rapidinha
Rápido, antes que o servidor da Pixelzine caia de joelhos novamente, vamos lá. E o pior é que nem tenho muitas novidades pra contar, mas me sinto meio que obrigada a escrever, já que não sei quando o Montanha vai estar online novamente... Exatamente como uma criança esfomeada come mais do que deveria só pra garantir que não passará fome.
Estou aqui ouvindo uma rádio anos 80, que é um escândalo. Tocando agora, Madonna: "Get into the groove/Boy you've got to prove/Your love to me, yeah". Acabou de tocar uma música do The Cure, um grupo que eu amava quando era adolescente (vai entender). Fui até ao show deles no maracanazinho (a pior acústica do mundo) e sabia todas as letras das músicas!
Me lembro que fomos muitos amigos do colégio e nos sentamos no fiofó do judas, lááá na última arquibancada. Na confusão, um dos rapazes caiu da arquibancada de concreto e quebrou o braço. Foi aquele alvoroço! Ficamos todos com muito medo de que ele precisasse de uma transfusão de sangue e que, por causa disso, pegasse AIDS. Paranóias dignas do meio dos anos 80.
Hoje é o tal do midsommar. As festividades aqui em casa estão resumidas a um churrasco pra duas pessoas (carne pro urso e salmão pra mim), batatas (salada com maionese pro urso, batatas cozidas na água e sal pra mim) e salada com muita cebola (uhm, adoro). Conseguimos nos abster das sobremesas doces. Temos bananas e chiclete sem açúcar, caso os munchies resolvam nos infernizar muito.
A frase em sueco do dia é Glad midsommar!, Feliz solstício de verão!
junho 22, 2005
Fundamentalismo
Não sei se vocês sabem, mas nasci católica, assim como 89% da população brasileira. Mas, mesmo sendo, não o sou, na verdade. Sou, o que o Orkut inteligentemente classifica como spiritual but not religious. Perfeita definição. As razões para meu cetisismo são muitas, controversas e bastante particulares, de forma que não pretendo discutí-las aqui.
Mas, na verdade, comecei a escrever esse post pensando em fundamentalismo, que sempre ligamos aos muçulmanos, mas que é um fenômeno cada vez mais comum no cristianismo. Meu contato com xiitas-cristãos se resume à simpatia por Ned Flanders, dos Simpsons. Nada mais. Até porque, fujo de tudo que é exagerado nesse campo. Fanatismo nem pensar.
Comecei a pensar nisso tudo quando li sobre a manifestação na Espanha contra a legalização do casamento gay. Sinceramente, não consigo entender o porquê de querer proibir um ato de amor. Mesmo não sendo homossexual, dou graças à sorte por estar morando hoje em dia num país onde o estado é totalmente independente da igreja. Aqui homossexuais podem ter sua união reconhecida formalmente e, agora passaram a ter direitos de adotar ou, no caso de casais femininos, tentar a fertilização artificial. Há inclusive uma análise sendo feita pelo governo para transformar a lei de casamento sueca em neutra no que diz respeito ao sexo dos cônjuges. Mais info, aqui.
Pensei ainda mais nisso quando me deparei com o blog de Zach, um rapaz americano de 16 anos, que contou pros pais que era homossexual e que por isso acabou sendo mandado para um boot camp fundamentalista cristão para (recuperação de) gays. É leitura impressionante e não é a toa que o pobre menino já recebeu mais de 1000 comentários em seu último post.
Estão lá no blog as regras do "programa". É uma loucura atrás da outra, um assustador desvairio de devoção misturado com ignorância. Diz lá que "One of the core functions of the Refuge is the common pursuit of corporate sobriety from sin". A sobriedade dos pecados a que se faz referência é o fato do jovem em questão ser homossexual. A lista de coisas estapafúrdias é longa e até certo ponto dolorosa de se ler. E pra justificar os métodos do "programa" são citados vários parágrafos de textos bíblicos, como carta aos coríntios, evangélio segundo Lucas e vários salmos.
Mas abaixo no blog, lemos um post em que Zach escreve que contou pros pais que era gay. A reação foi uma conversa em que o rapaz ouviu dos pais que havia alguma coisa "psicologicamente errada" com ele e que os pais o haviam "criado errado". Posso até tentar entender esse fundamentalismo besta americano (que se repete em outros lugares do mundo, infelizmente) mas não consigo perdoar essa falta de visão de adultos que deveriam pensar e não apenas obedecer (a deus, às leis, aos costumes, à tradição etc).
Acredito piamente que é melhor ser gente decente (e aí não coloco qualquer condição religiosa na palavra "decente"), do que ser bem ajustado ao que a sociedade comanda. Não adianta nada ser heterossexual e espancar a esposa. Não adianta ser heterossexual e odiar cada minuto da sua vida. Podia dar mil exemplos de machos e fêmeas perfeitamente ajustados mas que deveriam ser presos pra sempre para impedir que a humanidade fosse obrigada a lidar com eles.
A palavra em sueco do dia é kärlek [cháárlek], amor.
março 09, 2005
Paciência
"Se vc escreve 'olá!!!! lindo dia!!!!' nego murmura que há tanta desgraça que é deselegante acordar feliz assim. Além de reclamarem veementes das exclamações.
Se vc escreve 'acho isso ou aquilo feio' nego sai de onde estava pra vir comentar que isso ou aquilo é lindo, que só almas sebosas não enxergam.
Se vc escreve bem é esnobe, se escreve mal é burro, se quer ajudar é piegas, se quer que se danem é insensível, se transcreve letras de músicas é sem assunto, se não escreve nada cadê você que sumiu, se elogia é puxa saco, se critica é mal amada.
Ou seja, qual a principal qualidade que um blogueiro muito lido precisa ter? Hm?
Paciência, muuuuuuuuuuuuuuuuita paciência..." (Bia Badaud, copiado da Cora)
É perfeito, ou não é?
março 05, 2005
Eu, Malu Mader
Sempre achei ridículo aquele papo de quem é famoso de que não é fácil ter sua vida aberta ao escrutínio público. Achava particularmente idiotas as entrevistas dadas por estrelinhas de novela da Globo, que se irritavam com pedidos de autógrafos no supermercado ou na pizzaria da esquina. Mas, tenho que reconhecer, estava enganada.
Tava conversando com a Marcinha outro dia e, entre outros assuntos, trocamos idéias sobre uma das coisas mais irritantes que acontecem nos nossos blogs: comentários íntimos feitos por pessoas totalmente desconhecidas, que nunca se deram ao trabalho de se apresentar e que já chegam escrevendo "Amiga, eu sei como é", ou "Fulaninha, quando é que você vai ter filhos?", ou ainda pior "Fulana, quero te perguntar umas coisas sobre o país onde você mora. Me manda um email, estou esperando".
Ha!
Isso me faz pensar novamente em uma das minhas idéias comerciais mais inteligentes, mas que infelizmente não é viável: patentear um spray de simancol, que iria vender horrores e me faria impressionantemente rica da noite pro dia. Sinceramente. Às vezes, guardadas as devidas proporções, me sinto uma estrela da novela das oito da Globo. Certas pessoas vêm aqui no Montanha, lêem dois ou três posts e acham que me conhecem e que sabem tudo da minha vida. A partir daí sentem-se livres pra se referir a mim como uma amiga antiga, a quem pode-se perguntar tudo, até mesmo decisões de foro muito íntimo.
Bom, de fato nesses três anos de Montanha, escrevi muitas das coisas que aconteceram comigo aqui, mas vejam bem: descrevi muitas das coisas que aconteceram, não todas. Minha vida é muito mais do que o que escrevo aqui, em corpo reduzido, em alguns parágrafos de texto. Não se engane, você que acha que me conhece a fundo, você conhece apenas uma pequena parte de mim. Não chegue entrando de sola, dizendo "amiga" isso, "amiga" aquilo. Se tem uma coisa que aprendi nesses 33 anos de vida é que chamar alguém de amigo deve ser um privilégio, não uma banalidade.
Com isso não quero dizer que não tenha feito ótimas amizades com a ajuda do Montanha. Fiz sim e muitas. Pessoas que começaram a ler meus textos, fizeram comentários interessantes, chamaram minha atenção e assim foi. Troco emails e até telefonemas com vários leitores, quatro moças na Suécia e quatro fora daqui, fora minhas camaradas no Brasil, muitas das quais conheço pessoalmente. Tenho orgulho de chamar essas pessoas de amigos.
E também quero fazer uma diferenciação aqui das pessoas que me escrevem dizendo que adoram o que lêem e que sentem como se "já me conhecessem há séculos". Tenho essa sensação também quando leio um livro (ou um blog) de que goste muito, o que não é raro. Adoro esses emails. Adoro também os comentários de pessoas que vêm aqui anonimamente e que um dia, sabe-se lá porque, resolvem se manifestar. Acho isso o máximo. E não importa o que escrevem nos comentários, basta saber que tem gente que gosta daqui que eu já fico feliz.
O problema, volto a destacar, não é fazer amizades, mas como essas são feitas. Sou uma criatura lenta nesse campo. Preciso de tempo para conhecer a pessoa, aceitar suas idiossincrasias - e saber se ela aceitará as minhas. Por isso, uma dica a quem vestir a carapuça (se bem que isso é impossível, visto que essas pessoas, como eu mesma disse, não têm simancol e muito menos entendem que é pra elas que estou escrevendo isso aqui) - well, você que veio aqui uma ou duas vezes e que na terceira já chega me chamando de "Amiga", vá com calma. Tenho certeza de que você não faz por mal mas te peço que observe regras básicas do bom convívio blogal.
* Sei que terá gente pensando assim depois de ler esse post: "Mas essa menina se acha mesmo muito importante, né? Se ela escreve essas coisas todas na Internet tem mais é que aguentar perguntas de desconhecidos sem reclamar". Bom, nem preciso dizer que concordo que, uma vez na Internet, está tudo aberto a quem quer que tenha um computador e acesso à rede. É até por isso que não escrevo aqui no Montanha nada sobre minha vida íntima. Às perguntas sobre minha capacidade reprodutiva, por exemplo, não respondo, ignoro, deixo cair no esquecimento pra ver se a pessoa se manca. Mesmo assim, volto a insistir, não é porque estamos na Internet, um local público, que temos que agüentar a falta de educação alheia.
março 01, 2005
Os bunda-moles
Sabe aqueles dias em que qualquer aglomeração de duas ou mais pessoas é um perfeito exemplo de um congresso de bunda-moles? Pois é. Hoje apenas já tive ganas de esganar duas pessoas, depois de sandices ditas com a maior cara-de-pau (já até esqueci o que era, só a revolta ficou). É melhor nem dá exemplo da faculdade que é pra manter o nível disso aqui. Ó, céus, dai-me paciência para aturar os risinhos abafados, as sonsices alheias, a falta do que fazer, a língua ferina, a falta de ética, de compaixão e de inteligência.
Mas, de volta à vida.
O livro da dinamarquesa Hanne-Vibeke Holst, "Kronprinsessa", que li até ontem, é muito legal, apesar de longo e às vezes trabalhoso. É um romance sobre a vida de Charlotte, ministra do meio-ambiente da Dinamarca, que se vê dividida entre as obrigações da carreira e as de mãe e esposa. O livro é trabalhoso às vezes porque tem longas discussões sobre política do meio-ambiente eminentemente locais, o que me fez pular alguns parágrafos. Mas a impressão geral é muito boa.
O livro que estava lendo desde ontem, "Uppdrag: Mamma", que traduzido fica mais ou menos "Missão: Mãe" é interessante porque é uma coleção de histórias das vidas de várias mulheres e suas experiências com a mudança do corpo, adoção, dor, falta de sono, volta ao trabalho, angústia, depressão pós-parto, amamentação, em fim, tudo o que diz respeito à maternidade. Li até o final, mas pulei um monte de páginas (já tava meio de saco cheio de tanto babytalk no final das contas)
E abaixo à bunda-molice! HOHOHOHOHOHOHOH (Só rindo mesmo)
janeiro 13, 2005
"God hates fags"
"Mary, que tal essa?
Segundo certa organização religiosa, o recente tsunami asiático teria
sido enviado por Deus para dizimar suecos gays em férias. A matéria, aqui, e mais gozação, aqui". (Email do meu amigo Cat)
Hohohohohohohoho.
Depois ainda tem gente que pergunta porque o mundo inteiro tem picuinha contra os americanos. Eu, hein.
dezembro 01, 2004
Palavras
Li na CNN que a Merriam-Webster publicou uma lista com as dez palavras mais procuradas nos sites da empresa que edita um dos dicionários mais vendidos da língua inglesa. E imagine qual a palavra mais procurada?
1. blog
2. incumbent
3. electoral
4. insurgent
5. hurricane
6. cicada
7. peloton
8. partisan
9. sovereignty
10. defenestration
Pois é, blog foi a palavra que mais apareceu nas buscas do site. O resto da lista é uma mostra da realidade bélica americana. Levando em consideração que a maior parte das consultas deve ter vindo dos EUA, é muita gente perguntando o querem dizer insurgente, pelotão, soberania (Gente, os americanos precisam realmente procurar no dicionário pra saber o que é isso?) e defenestração. Acima, uma foto do meu Merriam-Webster, em verão compacta, comprado numa livraria perto do Madison Square Garden, em 98 (clique na foto para vê-la maior). Agora, a palavra blog será incluída na edição de 2005 do Merriam-Webster Collegiate Dictionary, 11a edição. A lista completa de palavras está aqui.



Menino, hoje eu tô que tô. Rabugentíssssssssima.
novembro 01, 2004
Grhaawwhhlll
Num cutuca muito hoje não, a menos que você tenha uma vara beeeeeem longa.
outubro 31, 2004
Fim de outubro
Vou te contar uma coisa: patrulha é uma coisa chatíssima. Mas sabe o que não é chatíssimo? Chegar em casa depois de um fim de semana ótimo e ainda encontrar um presente dado com muito carinho. Tack Luciane! Jag älskade boken om Per och Emma. E sabe o que é realmente muito bom? Outubro acabou!!! *pisc* *pisc* *pisc* *pisc* :c)
setembro 26, 2004
Que saco!
Olha, quero dizer uma coisa aqui pra todos vocês e pra uma pessoa em particular: esse blog é MEU. Isso aqui não é uma home page comercial ou coisa que o valha, por isso não sou obrigada a deixar gente maluca fazer o que quiser aqui. Sou uma pessoa democrática, mas para poder ter ordem e garantir um ambiente razoavelmente amigável no Montanha, sou obrigada a estabelecer certas regras de conduta aqui dentro.
Se o assunto que escrevi é polêmico e você não concorda com as minhas opiniões ou com as opiniões expressas nos comentários por outras pessoas, fine. Sinta-se livre para dizer o que pensa num tom normal, sem dar aula ou desprezar o outro. Agora, preste atenção aqui: você NÃO PODE insultar quem quer que seja, ou mandar emails cínicos, direto pra pessoa em questão, sugerindo leituras e dando "aulas".
Muitas pessoas já deixaram dicas de livros nos comentários, o que eu aprecio muitíssimo. Adoro aprender e acho realmente interessante uma troca de idéias contínua - é até por isso que ainda mantenho comentários aqui no blog. Mas, vale lembrar, existem maneiras e maneiras de se dar uma "dica", um toque ou coisa que o valha. Se você não sabe ser educada, é melhor não escrever nada.
A liberdade de expressão é uma noção poderosa e que defendo sempre. Mas quando o assunto se torna uma catfight entre duas pessoas, o melhor é retirar o lance do fórum público e resover (ou brigar mais ainda) no privado, por email. Sou obrigada a escrever esse post porque tem gente que não compreende que estou interessada numa troca cordial de idéias, e não apenas em aulas de antropologia.
No mais fico irritadíssima por não poder escrever sobre assuntos que me interessam sem receber comentários disparatados de gente que vem aqui não para comentar, mas para zonear, provocar, tocar fogo no circo e depois desaparecer. Já bani o seu IP, mas você continua vindo, escrevendo, sem se dar conta que aqui, você não é bem-vinda.
setembro 03, 2004
agosto 31, 2004
Meu chefe é um psicopata
Essa é boa. Matéria do meu jornal diz que psicopatas podem parecer bons chefes, com características de líderes natos. Ao mesmo tempo, essas pessoas podem causar perdas enormes às empresas com seus métodos de gerência. Psicólogos querem desenvover testes para descobrir se um candidato a um posto de liderança é um psicopata antes dele ser promovido.
O pesquisador Paul Babiak, da empresa HR Backoffice, encontrou várias pessoas que se encaixam na descrição clássica de psicopatia. Um deles é "Dave", que trabalhava para uma empresa de tecnologia nos EUA. O grupo de trabalho de "Dave" estava sofrendo com inúmeros conflitos, perda de moral e piores resultados. Por isso, Babiak foi chamado como consultor.
"À primeira vista gostei de "Dave", diz ele. "Assim como todos os outros o achei muito agradável e simpático". Mas depois de um tempo de observações sistemáticas e entrevistas, a verdadeira imagem de "Dave" começou a aparecer. Babiak ficou sabendo que ele quase nunca aparecia pra trabalhar, se utilizava de outras pessoas e gastava tempo do expediente com conversas bobas.
"Dave" conseguiu convencer todos da incompetência de um chefe, que foi demitido. "Dave", ao contrário, foi conquistando cargos até chegar ao topo. Ele tinha ainda relacionamentos sexuais com várias funcionárias. "Dave" alcançou 29,4 na escala criada por Babiak para definir pessoas com tendência à psicopatia, cujo valor máximo é 40. Quem chega a 25 pontos já é definido como psicopata, de acordo com as características estabelecidas pela pesquisa psicológica.
Eu, que sempre tive uma vida pacata, nunca me imaginei tão próxima de psicopatas. Mas se essa descrição é correta, em cada empresa onde trabalhei encontrei pelo menos uma pessoa que preenche todos os requisitos da psicopatia! Ainda mais se levarmos em conta que os psicopatas são charmosos e manipuladores, além de dramáticos - eles têm quase sempre uma grande "visão" para o negócio em questão. Eles têm um ego superinflado, o que pode se confundir com extrema auto-confiança.
E você, quantos psicopatas já encontrou hoje?
agosto 13, 2004
Q.I. e raça
Estava lendo meu jornal no outro dia quando me deparei com uma notícia que me deixou de boca aberta: Tatu Vanhanen, 75, pai do primeiro ministro finlandês e professor de ciências políticas na Universidade de Tampere, deu uma entrevista à imprensa finlandesa que causou o maior auê. O problema é que Vanhanen realiza há anos uma pesquisa sobre a relação entre quociente de inteligência (QI) e raça.
Na entrevista, ele afirma sem papas na língua, que o desenvolvimento dos países de primeiro mundo (principalmente na Europa e América do Norte) se deve à alta inteligência de sua população. Como explicação pro alto QI, Vanhanen cita o fato da maioria da população desses países ser de raça branca/caucasiana. Por outro lado, o subdesenvolvimento de países da África, por exemplo, seria uma conseqüência direta do baixo QI de sua população - ocasionado, segundo Vanhanen, pelo fato da população desses países ser predominantemente negra.
Ele elabora sua tese, dividida aliás por Richard Lynn, professor emeritus em psicologia da Universidade do Ulster: países cujo QI médio seja inferior a 90 correm sério risco de subdesenvolvimento, e dá uma lista explicativa. "Hong Kong: 107; Coréia do Sul: 106; Japão: 105; Taiwan: 104; Holanda, Alemanha e Áustria: 102; Suécia: 101; Finlândia: 97; Índia: 85; Tanzânia: 72; Nigéria: 67; Serra Leone: 64; Etiópia: 63; Guinéa Equatorial: 59."
"E o Brasil?", você pergunta. Sim, Vanhanen diz que o Brasil é uma exceção: "A inteligência média do Brasil é baixa (87) porque a metade da população é negra, mas a metade branca possibilita um desenvolvimento tecnológico avançado".


Fico pasma cada vez que leio esse parágrafo aí de cima.


Segundo o professor, "Ninguém pode culpar os brancos pelos problemas da África. Quando a inteligência média dos finlandeses é de 97, na África esse índice fica em torno de 60-70." Ele diz que os governos dos países africanos deveriam ser compostos por mais brancos-europeus, americanos ou asiáticos. "Apenas para criar boas condições de vida", sugere Vanhanen.
Agora começam a discutir se o professor está demente. Eu acho que é uma hipótese válida. Tenho experiência com demência (Alzheimers) e sei que essa doença é capaz de tranformar o mais bem comportado cidadão num neo-naz**ta de carteirinha. Esse professor tem que estar doente. Não é possível ser professor emeritus, receber dinheiro do governo pra uma pesquisa que busca provar a supremacia de uma raça sobre a outra. Simplesmente não é possível.
A alternativa é termos de conviver com dois estudiosos que dedicaram suas vidas (com a bênção do establishment acadêmico e político) a provar "cientificamente" a soberania da raça branca sobre a negra. A falta de qualquer menção à dominação colonial, à desumanização de culturas, às consequências físicas da fome, a massacres coordenados por forças políticas com fins econômicos, ou à simples e cruel exclusão social que nos é tão familiar no Brasil, me deixa em dúvida sobre a saúde mental desses senhores.
Leia uma matéria sobre o livro de Richard Lynn e Tatu Vanhanen aqui (em inglês).
julho 28, 2004
Bem feito
Cheia de coisas pra escrever mas ando meio sem saco. Uma delas, no entanto, vale a pena. Um líder político de extrema-direita (cujo nome não publico no Montanha porque aqui não escrevo merda), fundador de um partido neo-naz**ta sueco (cujo nome não publico pelo mesmo motivo) foi condenado a 1 ano e 4 meses de prisão e a pagar 130 mil coroas (+ou- 50 mil reais) de multa por ter batido na mulher dele em diversas ocasiões, sendo algumas vezes na frente dos filhos do casal.
O engraçado/trágico dessa história toda é que esse verme se auto-entitulou pai da "família perfeita sueca", quando posou com a mulher e os filhos pra um anúncio do partido nas últimas eleições. Na home pages deles (cujo link eu não coloco, claro) há manchetes diárias do tipo "Estuprador muçulmano pega cadeia". Numa notinha do suplemento de cultura do meu jornal de hoje um repórter pede que os responsáveis pela atualização do site coloquem lá: "Preso homem sueco que espanca mulheres".
maio 30, 2004
Francamente
Nova novela inglesa, importada pela TV sueca. O nome é: "Vassa Saxar", cuja tradução é "Tesouras Afiadas". Repito: o nome da novela é "Tesouras Afiadas". Acredite se quiser. Conta-se a história de dois salões de cabeleireiro (!!!!) que lutam entre si por clientes numa rua londrina (eu acho). No jogo há espaço para intrigas variadas, os obrigatórios triângulos amorosos e uma dramaturgia que dá vontade de chorar. Help! Ai que saudade de um bom Gilberto Braga! :c/
maio 28, 2004
Hohoho
Mr Bush has got two sides on his brain:
the right side and the left side...
On his right side he hasn't anything right.
On his left side he hasn't anything left.
Valeu, Suyaen!
maio 15, 2004
Puritana, eu?!
Tô estudando imigração, migração, discriminação e cultura. No livro "Sobre análises de imigração e trabalho social" li que cultura é tão profundamente enraizada em uma pessoa que suas manifestações mais atávicas são muitas vezes inconscientes. E mais: apenas reparamos nesses traços culturais quando saímos do nosso ambiente natural ou quando nos deparamos com algo totalmente adverso ao nosso modus operandi.
Acho que isso é a pura verdade. Nunca me senti mais brasileira do que agora (mas isso é outra discussão). Outro dia estava assistindo a um programa veterinário na TV4, um dos canais de TV mais legais daqui. A veterinária cuidava de um cavalo lindo que tinha uma espécie de curativo em uma das patas. Fiquei arrepiada quando ela arrancou a bandagem da ferida infeccionada e o pobre o cavalo soltou um guincho de dor.
No meio do procedimento, no entanto, outra coisa me chamou a atenção. Quando a imagem saía do close e voltava a mostrar o cavalo inteiro, podia-se ver ni-ti-da-men-te que o animal estava, hurrm, como dizer? Ele estava "feliz" com aquela atenção toda. Via-se toda sua, hurrm, virilidade de forma espetacular.
Como não havia fêmeas eqüinas por perto, tenho a impressão de que o cavalo foi enganado por eventuais cheiros humanos e/ou químicos usados pela veterinária. Ou então ele se amarra numa experiência sadô-masô. Só sei que fiquei envergonhadíssima ao ver aquele esplendor todo e, mesmo sabendo que estava sozinha, ainda olhei pros lados, meio que buscando alguém pra dividir minha sensação de embaraço. No final, tive de rir do meu puritanismo ridículo.
Não quero nem ver o tipo de gente que chegará ao Montanha por causa desse post depois de procurar as keywords mais cabeludas no Google. Saco.
Não vou comentar o incidente The New York Times versus Lula porque outros já o fizeram melhor. Quero apenas dizer que o governo brasileiro deveria ter se limitado ao processo jurídico. Expulsar o repórter foi demais. Além disso, tenho a impressão que a Casa Branca está perdendo a mão na guerra de influência para desestabilizar governos latino-americanos. Antes eles eram mais sutis. Por último: prefiro ter um presidente cachaceiro (se é que isso é mesmo verdade) a ter um líder assassino, corrupto, burro e moralmente falido. E tenho o dito.
maio 12, 2004
Nevando nas flores

Não sou dessas pessoas que se deixam influenciar pelo tempo, mas hoje está difícil não ficar meio pra lá de Bagdá: poxa, está NEVANDO em plena primavera! :c(
A foto acima, tirada dez minutos atrás, é da vista que tenho da varandinha da sala. Sorry quem tem conexão discada - a imagem está pesada porque não consegui tratá-la no Photoshop. Isso porque estou sem "memória virtual". Eu não, claro, meu computador (mas a minha também já está rateando).
abril 19, 2004
abril 14, 2004
Protesto
Estava me preparando para escrever um post sobre uma notícia que li hoje no jornal daqui, mas recebi da Alê essa carta de protesto escrita pelo Silvio Reis e mudei de idéia. Mesmo atrasada, distante, acho que preciso publicá-la. É importante.
Não tive o desprazer de experimentar o governo Rosinha, mas leio O Globo e o JB todos os dias e fiquei de boca aberta com a indiferença da governadora. Uma guerra urbana se desenrolava nas ruas do Rio e ela se negou a dar declarações por estar de férias. Que vergonha!. Aqui está a carta do Silvio Reis.
Escreve um cidadão
"Prezada Governadora,
Eu não acredito que a senhora ou o seu marido sejam capazes de enfrentar o problema da segurança pública no Rio de Janeiro. Não digo resolver, afinal são muitos anos de descaso de governos anteriores como o do padrinho politico do seu marido, o Sr Leonel Brizola, digo enfrentar, mostrar trabalho.
Até o momento o seu marido só se apresenta para patetices como a do caso Staheli e agora na semana santa o que vemos? Uma guerra entre os narcotraficantes que simplesmente ignoraram a policia e a senhora e o seu marido estavam de folga em Angra dos Reis e mandaram dizer pela assessoria de imprensa que não iriam falar por estar de férias. O Rio explodindo, a imprensa só falou da Rocinha mas na Tijuca se ouviram tiros durante toda a noite também, e a senhora e o seu marido de férias.
É inadmissivel este desrespeito que a senhora e o seu marido tem pelo Rio de Janeiro. É insuportável, é irritante, é absurdo, é angustiante enfrentar esse seu despraro e do seu marido, é angustiante tê-los como governadores do RJ.
Todas as noites espero angustiado a minha mulher voltar do trabalho, corro angustiado para casa para acalmá-la, e só vejo meu sofrimento piorar como o do caso da vizinha que foi sequestrada (e dane-se as firulas dos seus advogados imorais, é sequestro!!!) e morta em São Gonçalo.
Estou cansado da sua cara de deboche e da cara de falsidade do seu marido. Estou cansado de vocês. E nunca pensei que fosse capaz de fazer algo em relação a isso mas eu vou fazer o todos devem fazer: Lutar politicamente para expulsá-los da vida politica para sempre. Quero o casal Garotinho longe do meu Rio de Janeiro, quero vocês longe daqui e vou fazer isso pelo meu voto e pelo voto de milhares de pessoas que como eu estão indignadas com essa situação vergonhosa.
EU VOU LUTAR POLITICAMENTE PELO ENTERRO POLITICO DO CASAL GAROTINHO!
SUMAM DA NOSSA VIDA.
Não quero saber o que vocês vão fazer, não quero saber do seu cabelo, da sua igreja, só que que vocês não ocupem nunca mais nenhum cargo publico.
BASTA!!!
E espero encontrar apoio em qualquer lugar, não me interessa saber de quem é o apoio, aceito apoio do DIABO para tirá-los da vida pública da minha Cidade Maravilhosa. Só temo que ele já seja aliado do casal Garotinho.
Os eventos da sexta-feira santa me deixaram atônito com o despreparo e com o perigo real de guerrilha urbana entre os grupos narcoterroristas.
Peço desculpas aos amigos para quem estou enviando uma copia (oculta) deste desabafo. Conto com o apoio de vocês.
ADEUS!
Atenciosamente,
Silvio Reis"
(carta retirada do blog da Cora)
março 21, 2004
Ironia
É... Cada vez mais me convenço de que os suecos estão mais é certos, sabe? Lagom är bäst... (Meio termo, moderação é melhor).
março 13, 2004
Vai passar
A irritação é passageira. Mas é chata mesmo assim. E o pior: não estou com TPM. Minha irritação é típica de menina mimada, que não está satisfeita com as coisas. Fico irritada por estar irritada por tão pouco. Meu cabelo está longo demais, minhas unhas crescem demais, a balança indica quilos demais, há neve e frio demais, meu urso está longe demais. A saudade da minha família é forte demais.
Mas, como disse, já já passa. Hoje fui ao centro da cidade tomar um café com uma tia do Stefan. Ela estava de pessagem por Umeå a trabalho e me ligou. Foi legal. Apesar da minha irritação. E o pior é que quando estou nesse estado de irritação generalizado, nada - nadinha mesmo - alivia. Dormir, não consigo, comer, não posso e beber, não gosto. Sexo? Como já disse, meu Urso está longe. :c(
E o pior é que preciso ler esse livro aí ao lado, "Grundbok i Normativ Etik", ("Livro básico de Ética Normativa") para uma prova que teremos na semana que vem. Estou irritada porque, na verdade, queria era ficar confortably numb com um romance da Danielle Steel ou do Sidney Sheldon. Ah! O fog entorpecente da superficialidade! Um elixir para uma alma doente. Boa noite!
Irritada. Muito irritada. Ahhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!!!!!!
Irritada. Muito irritada. Ahhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!!!!!!
março 12, 2004
fevereiro 29, 2004
Hohoho
Pfizer desiste de criar o Viagra feminino. Explicação: "As mulheres são muito complicadas".
Da matéria do Globon - (meus comentários estão em vermelho): "Depois de oito anos de pesquisas e testes envolvendo três mil mulheres, os cientistas da Pfizer descobriram que excitação e desejo têm efeitos e trajetos diferentes em homens e mulheres" (Dããã!!!).
"Para homens, estar excitado quase sempre leva ao desejo de consumar o ato sexual. Então, ao melhorar a capacidade do homem de ter ereções, o Viagra afeta sua função sexual. Mas, como excitação e desejo são freqüentemente desencontrados nas mulheres, o medicamento pode, sim, criar sinais externos de excitação, mas tem pouco ou nenhum efeito sobre a vontade das mulheres de fazer sexo." (Mistééééério...)
"Em muitas mulheres, o que se observa é um desencontro entre as mudanças genitais e mentais", disse ao The New York Times Mitra Boolel, chefe da equipe de pesquisas do sexo da Pfizer. "Esse desencontro não existe nos homens. Eles realmente têm ereções quando vêem mulheres nuas e querem fazer sexo. Com as mulheres, tudo depende de uma miríade de fatores", observou. (E esse cara gastou milhões de dólares e oito anos de pesquisa pra descobrir o óbvio?)
"Boolel disse que ele e sua equipe vão continuar com a pesquisa, mas explicou que os cientistas vão desviar o foco da genitália para a mente feminina: "O cérebro é o órgão sexual crucial nas mulheres", revelou.
Isso é pra gente parar de reclamar dos cientistas que gastam dinheiro estudando o por quê das meias desaparecerem nas máquinas de lavar. Isso sim é um mistério.
fevereiro 11, 2004
fevereiro 03, 2004
janeiro 30, 2004
Relatividade
Se você algum dia resolver ter uma aula de análise de argumentação, recomendo que escolha bem o professor. Se for um filósofo, prepare-se para uma aventura no mundo das respostas indiretas e no universo do "tudo é possível". Nosso exercício consistia em analisar um texto e separar a tese dos argumentos, que deveriam ser organizados hierarquicamente. A tese era "T", os argumentos pro-tese chamavam-se "P" e os contra, "C".
professor -- O argumento A é a favor da tese, portanto chama-se P1.
alunos -- OK.
professor -- Já o argumento B não reforça a tese, mas o argumento A, por isso vamos chamá-lo de P1P1.
alunos -- OK.
professor -- O terceiro argumento, no entanto, é contrário tanto à tese quanto ao primeiro argumento, o que faz com que se chame C1P1.
um aluno -- Ah, mas eu o batizei de P2, porque mesmo sendo contrário, trata-se de um argumento novo...
professor -- É, você tem razão. Podemos entender a questão assim também.
outro aluno -- Mas eu acho que há uma terceira possibilidade: o terceiro argumento nada mais é do que uma segunda tese, portanto seria T2.
professor -- É, você está certo também.
alunos -- ... (todo mundo se entreolhando) ...



Criatividade - Existem três meninas chamadas Elin Ericsson na minha turma. TRÊS.
janeiro 28, 2004
Respeito
Acho que preciso me explicar: quando escrevi o post abaixo estava me referindo ao meu prazer de estudar aqui. Acabei contando minha experiência no Brasil porque ela faz parte de mim, de minha vida, e por isso é relevante. Não quis, no entanto, dizer que sou melhor do que ninguém nem que a universidade sueca (seja ela qual for) é um luxo para poucos.
Não, se você entendeu isso, entendeu errado. O que quis dizer, e talvez não tenha conseguido expressar, foi meu encantamento com o curso que estou fazendo, com a universidade em geral e com os professores em particular. Isso porque apesar de ter tido muita sorte de ter estudado na UFRJ, tive azar com alguns dos educadores que encontrei por lá.
Cada um tem sua história e suas experiências. Peço que as pessoas compreendam que escrevo aqui do meu ponto de vista, uma mulher de 32 anos que se mudou pro outro lado do mundo e que está tentando dar uma guinada na sua vida. Nada mais. Não quero arrasar o ensino público brasileiro, até porque sou um produto dele.
Aliás, tem uma coisa que está me incomodando muito já tem um tempo. Há uma patrulha violenta que gira em blogs por aí e que ataca as pessoas que expressam suas opiniões sobre temas controversos, como cultura árabe, antisemitismo na Europa etc. Só para não criar uma onda de ódio dirigida à minha pessoa: não tenho nada contra árabes ou judeus.
Se tenho amigos judeus - um deles inclusive morando em Jerusalém - me faltam amigos árabes pura e simplesmente por falta de oportunidade. Cresci num país católico e no Rio de Janeiro, longe do pluralismo paulista, por exemplo. Mas tive uma amiga de colégio cujos parentes vinham da Síria, serve?
Olha, o que estou querendo dizer é que cada um tem direito a expor suas opiniões - sejam elas positivas ou negativas - em seus blogs. O que não dá é para ser atacado cada vez que você levanta um assunto polêmico e que é relevante para você como pessoa. Você está escrevendo no seu blog, que por mais que esteja na Internet, é ainda um território muito íntimo e sem qualquer peso político.
O que a patrulha que circula nos blogs escritos por brasileiros fora do país precisa entender é que aqui na Europa os pontos de vista são diferentes. A visão que se têm da política de Israel, por exemplo, é completamente diversa da visão brasileira. Sabem por que? Porque o Brasil espelha com alguns descontos a visão americana.
A Europa, até estar mais perto dos países árabes e dos conflitos no Oriente Médio, tem outra opinião sobre o assunto. E é sobre isso que nós, brasileiros que moram aqui, escrevemos. Posso falar apenas por mim, mas o que me interessa são os diferentes pontos de vista. Quero discutir e não defendo ninguém, até porque não tenho conhecimento suficiente para tanto.
Não quero criar caso com ninguém, sou uma criatura pacífica até porque não tenho vontade nem energia para ser polêmica e brigona. Queria apenas defender o meu direito de escrever sobre o que eu bem entender aqui. Minha opinião é só minha e ninguém tem nada a ver com isso. Clichê: respeito é bom e eu gosto.
janeiro 15, 2004
...estou calma...estou calma...
Acabei de montar a minha parte de um móvel que compramos na IKEA e que chegou hoje. ...estou calma...estou calma... Não é que o tal do móvel tenha sido especialmente difícil de montar, mas deu um trabalho que vocês não acreditam! Fiquei tão de saco cheio que até gritei de irritação. Era pino pra tudo quanto era lado, tiras, rodelas, o diabo a quatro.
E eu aqui com TPM. Acho que a IKEA deveria suspender vendas de móveis complicados para mulheres que estejam sofrendo os horríveis efeitos da tensão pré-menstrual. Móveis de montagem complexa e nervosismo feminino simplesmente don't go together. Agora eu e meu urso estamos exaustos, de saco cheio um do outro e, claro, do tal do móvel. Que, aliás, ficou até bacana.
Agora vou lá tomar meus comprimidos de Prímoris (laboratório Herbarium, muito bom). Aliás, tenho que lembrar de pedir à mamãe pra me mandar a minha sexta-básica de produtos brasileiros: além da Prímoris para momentos de estress absoluto (montagem de móveis da IKEA, pentelhações genéricas do Urso, frio de menos 30 e TPM), preciso de Dietil, essência de baunilha, camisetas Hering, shampoo Seda e sabonetes Phebo.
janeiro 13, 2004
Damn it! I've got the
Damn it! I've got the munchies! :c(
janeiro 05, 2004
Ridículo
Sabe uma coisa que eu acho muito estranha? A tendência que certas pessoas têm de formar "panelinhas", ou seja "grupinhos exclusivos" que se bastam e não vêem a menor necessidade de incluir gente nova. Apenas quem é "alguém", ou, no caso dos blogs, aqueles que foram citados por "gente importante". Que coisa mais ridícula.
dezembro 11, 2003
Muita dor de cabeça. Muita.
Muita dor de cabeça. Muita. :c(
dezembro 06, 2003
Essa é boa
1) Vá à página do Google.
2) Digite lá as palavras miserable failure.
3) Clique no botão "Estou com sorte" ou "I'm feeling lucky".
4) Veja onde você vai parar.
Hohoho. - Copiado do Ivson.
Saiu até matéria sobre isso na BBC. Wow.
novembro 13, 2003
Tem que rir pra não chorar

Presente da sumida Marcia Aguiar.
novembro 12, 2003
Sem alfinetes
Ai, que coisa horrível esse botão novo que a Bravenet resolveu colocar no GuestMap (Veja ali ao lado, na coluna roxa). Estou tristíssima com essa coisa que muda e pisca o tempo todo. Parece um comercial barato... Acho que vou tirar o mapa daí. Até porque já ultrapassei o limite de 100 pessoas alfinetadas, de forma que os antigos desaparecem. Que saco!
Alguém tem idéia para uma alternativa? Um GuestBook, talvez? Sou meio resistente à idéia porque acho que as pessoas deixariam de comentar... Mas, ao mesmo tempo, é superlegal ler o que se escreve no livro de visitas. A última vez que escrevi em um foi numa exposição de jardins e flores. Botei lá: "Lindo o seu jardim. Parabéns! Maria Fabriani, de Boden e do Rio de Janeiro". Ha! :c)
novembro 08, 2003
Está provado!
Cientistas da Universidade de Cornell nos EUA provaram o que eu sempre soube: cacau tem mais qualidades antioxidantes do que chá e até vinho tinto. Sempre soube que minha pele de pêssego não era apenas fruto de bons gens... Hohoho.
novembro 07, 2003
Açúcar e amargura
O detran sueco estuda a possibilidade de colocar açúcar nas ruas e estradas cobertas de gelo durante o inverno. Até agora usava-se sal para facilitar o descongelamento do asfalto. A razão oficial da mudança é que o sal pode penetrar na terra e piorar a qualidade da água potável. Mas, na verdade, sabe-se que o sal ocasiona ferrugem nos carros. Os especialistas dizem que o açúcar, nesse caso, apresenta o mesmo efeito do sal no asfalto gelado.
Resolvi comentar essa notícia trivial porque na verdade estou cansada de me revoltar contra absurdos. Precisava mesmo falar de açúcar, de preocupações leves, planos ligeiros e pequenas curiosidades. Isso porque, enquanto joga-se açúcar nas ruas e estradas suecas, no mundo real - vulgo Brasil - velhinhos de mais de 90 anos são obrigados a ir aos postos do INSS para se recadastrar. É demais pra minha cabeça.
Update::: A Cintia me perguntou porque eu não quebrava o pau aqui por causa dessa coisa das pensões. Bom, antes que eu perca minha fama de "boa de briga", ermm, eu explico. Não reclamo pro governo porque sei que não tem ninguém do outro lado, ouvindo. Não quero dar uma de Snoopy e escrever aqui na minha torre de gelo pros poderosos do país. Essa indiferença oficial brasileira me fere profundamente.
A razão pra isso é que essa história de desrespeito com os idosos e com suas famílias me é muito próxima, já que minha avó materna depende de suas pensões e tem 92 anos de idade. Minha mãe terá de ir ao posto do INSS enfrentar fila para evitar que a economia delas vá pro beleléu. Isso me deixa tão enlouquecida que não consigo organizar minhas idéias, os sentimentos pululam no meu cérebro e eu acabo perdendo o fio da meada.
outubro 02, 2003
AAAAAAHHHHHHHH
Sabe uma coisa que detesto? Quando a pessoa com quem estou andando lado a lado não consegue andar em linha reta e vive "batendo" no meu lado e quase andando na minha frente. Cês conhecem alguém assim?
Isso geralmente acontece quando conversamos e andamos ao mesmo tempo. Já me disseram que quem não sabe dirigir é que têm essa dificuldade de andar em linha reta ao lado de outra pessoa. Será?
outubro 01, 2003
Só pra saber
Não sei se vocês repararam, mas retirei daqui do alto da coluna lilás o contador de pessoas online. Isso porque infelizmente o Edney não agüentava mais pagar sozinho pela banda que todos nós, marmanjos, usávamos às custas da invenção dele e colocou um anúncio popup sempre que se saía do site.
Algumas pessoas me avisaram que os tais popups apareciam e eu - que não os via graças a uma barra de ferramentas do Google - tentei identificar o que seria e da onde viria. Por fim, o culpado era o script que permitia que eu soubesse quantas pessoas estava online aqui. O retirei e parece que os popups sumiram.
Mas queria saber o seguinte: vocês continuam vendo algum popup quando saem aqui do Montanha?
Mais uma coisa: daqui por diante vocês podem acessar o Montanha pelo endereço http://www.fabriani.com. Chiquérrimo! :cD
setembro 18, 2003
Maligrina
Sabe uma coisa que eu detesto? Quando eu me dirijo a uma pessoa e ela franze o cenho, aperta os olhos e faz aquela expressão universalmente conhecida como ai-o-que-essa-imigrante-está-falando?.
Como, me expliquem por favor, como alguém que nunca me viu antes, nunca ouviu minha voz e não sabe quem eu sou, já parte do princípio que o que vou falar é errado ou complicado, mal explicado, dito com dificuldade e, por conseqüência, difícil de entender? Como???
Isso me irrita demais. Imediatamente perco o fio da meada e minha atitude muda com relação à pessoa. Antes sentia raiva. Hoje, tenho pena dos mais preconceituosos (mas às vezes ainda fico com muita raiva).
Mas agora passei a "me vingar". Quando encontro uma pessoa assim -- o que não é raro, infelizmente -- passo a falar mmmmuuuuiiiittttoooo devagar, fazendo todas as entonações tão importantes para a língua sueca. Tudo com calma, como se tivesse todo o tempo do mundo.
E sabe que dá resultado? Hoje aconteceu isso e segui minha "vingança". No final, a pessoa me disse: "Nossa, como você fala bem sueco!" HAHAHA
Estou com alguns emails na minha caixa postal esperando para serem respondidos. Já já resolvo a questão, ok? Desculpe o atraso. É falta de tempo mesmo.
setembro 15, 2003
Gente burra é fogo
Estava na aula de psicologia hoje de manhã. A professora, Vivianne, é gente boa e engraçada, o que dá ânimo de estudar qualquer coisa, mesmo em sueco. Estamos estudando os mecanismos de defesa estabelecidos por Freud, fobias, medos e angústias.
Vivianne distribuiu um papel com duas colunas de palavras. Na primeira o nome de diversas fobias, como Aracnofobia, Hidrofobia e Androfobia. Na segunda uma lista de substantivos como aranha, água e homem. Ela nos pediu para ligar a fobia com seu respectivo objeto.
Fui fazendo sem duvidar de quase nada* e expliquei no intervalo que era covardia com os outros alunos me dar um exercício assim, já que em português usávamos exatamente as raízes das palavras em latim no nosso dia a dia. A professora riu e perguntou:
-- Mas, português é uma língua independente?
-- ... Claro que é! -- disse eu, surpresa com a ignorância.
Fiquei com vontade de completar: "Claro que português é uma língua independente. Afinal, mais de 200 milhões de pessoas falam português em todo mundo, sua burra!!!".
Mas, claro que não disse nada.
* Sabia que quem tem Ichtyophobia tem pânico de peixe? Essa é nova pra mim.
setembro 14, 2003
Impressionante o que a frustração
Impressionante o que a frustração faz com a gente.
setembro 12, 2003
Repeat after me!
Repeat after me:
Plebliscito -- Pleblissitu -- Blebissitu -- Bebissitu -- Sêbissitu -- Fêpissitu...
Dançando -- Dancado -- Dansando -- Pancando -- Manqueando -- Sancando...
Exceção -- Excessão -- Exsseção -- Eissesão -- Equissão -- Equoção...
Porque -- por que -- por quê -- porqui -- purque -- pircá -- pirá...
AHHHH!!! -- Ahhhh!!! -- Ahhhh!!! -- Ahhhh!!! -- Ahhhh!!! -- Ahhhh!!!
agosto 27, 2003
Rapazes! Limpar a casa é sexy!
LONDRES -- Pesquisadores finalmente confirmaram o que as mulheres já sabiam: homens que fazem a faxina em casa - ou que pelo menos ajudam - são mais atraentes sexualmente do que os que apenas olham a mulher trabalhar. Um estudo de pesquisadores americanos mostra que até mesmo filhos que ajudam na limpeza junto com os pais são mais bem formados e se tornam adultos mais conscientes socialmente. Além disso, o estudo confirmou que as mulheres ficam mais atraídas por homens que ajudem na limpeza doméstica. (Matéria do Aftonbladet)E precisava um estudo pra descobrir isso????
agosto 21, 2003
Só digo uma coisa
Minha vida está em descompasso com a sociedade sueca. Oh céus, give me a break, will ya?
agosto 19, 2003
Que pena!
Estou triste com a morte do brasileiro Sérgio Vieira de Mello no Iraque. Ele era um brasileiro que fazia a diferença para o melhor. Segundo matéria do Globo, seus interesses eram os melhores possíveis, a saber: "Suas prioridades no cargo eram a proteção de civis durante os conflitos, combate ao racismo em todas as suas formas e a garantia dos direitos das mulheres. Mas o diplomata também tinha como prioridade os direitos econômicos e sociais e o direito ao desenvolvimento."
Uma pessoa assim faz falta.
agosto 10, 2003
White noise
Blá-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-sou-feliz-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-quero-minha-avó-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-tô-de-saco-cheio-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-amo-meu-irmão-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-chega-de-gnäll-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-preciso-escrever-um-livro-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-quero-um-trabalho-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-quero-ser-feliz-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-amo-Stefan-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-ler-me-faz-feliz-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-quero-um-cachorro-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-socorro-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-te-amo-mãe-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla-blá-bla-bla-bla-blá-bla-bla.
agosto 04, 2003
julho 18, 2003
Os óculos: uma novela
Estão lembrados da história dos meus óculos, sobre a qual escrevi há cerca de um mês atrás? Pois então, a novela ainda não terminou. Depois de tê-los ido buscar no início de julho e ter reparado que a armação e o grau estavam errados, resolvi ligar ontem pra saber se finalmente eles haviam chegado. E tinham mesmo. Só que dessa vez com o modelo das lentes errado. Acredite se quiser.
A gente imagina que um cérebro com capacidade normal é capaz de entender quando se encomenda um óculos com uma armação X e um tipo de lente Y. Faz-se isso todos os dias em todas as óticas do planeta. Mas parece que o verão é um tempo em que os suecos relaxam mais do que seus corpinhos no sol. Minha sensação é que não há gente pensante nessa terra no mês de julho.
De qualquer forma, fomos lá na ótica porque simplesmente não podíamos entender o que estava acontecendo. A trapalhada era completa. Stefan começou a falar grosso com a recepcionista que logo nos passou para o óptico, o desgraçado que nos examinou errado. Sem que tivéssemos combinado antes, Stefan e eu fizemos a tática do "bad cop-good cop" - ele baixando o sarrafo e eu apenas balançando a cabeça a dizendo que estava muito desapontada com o cara.
... Hohoho ...
Vocês precisavam ver: o fulano foi ficando vermelho, sua mão tremia (eu e Stefan notamos) e ele olhava cada vez mais pro chão. Uma c-o-i-s-a. Quase senti pena do coitado. Anyway, depois disso, vamos tentar conseguir um preço bem camarada para os meus óculos, ainda mais porque os óculos do Stefan ainda não estão perfeitos. Sim, esse infeliz esqueceu de colocar o grau de astigmatismo do meu Urso Polar na receita das lentes, pode??? Santa Incompetência!!!
julho 05, 2003
Paciência...
A Suécia pára no verão. Não tem essa de fazer revezamento para tirar férias durante o ano. Em julho todo mundo entra de férias, as lojas trabalham em horas reduzidas e é complicado ter acesso a um serviço bem prestado. Ainda estamos esperando uma solução para o problema dos nossos óculos; estou esperando meu livro do Harry Potter; etc... Que saco!
Nada a ver: Às vezes me pergunto sobre a vida: Is that all there is?
junho 27, 2003
Neguinha e míope
Vocês nem imaginam! Fui pegar meus óculos e deu tudo errado! O drama: meus óculos vieram com a armação errada e quando os provei, minha vista direita estava toda embaçada. Pedi à ótica pra fazer um outro exame e ela - que está substituindo o cara que fez meus exames por causa do período de férias - disse que eu não tenho hipermetropia, mas miopia.
Em vez do cara ver "- 0.75", que representa miopia, ele viu "+ 0.75", hipermetropia.
E não fui só eu a atingida pelo ótico maluco. Stefan estava sentindo uma dificuldade crescente com seus óculos novos. Quando a ótica foi conferir (já que estava dando tudo errado...), o tal do cara "esqueceu" de colocar na receita que Stefan tem astigmatismo. Colocou a miopia, mas com um grau diminuído. Agora vejam se isso é possível?
Comments (0)
Graças à minha amiga Angélica (obrigada, queridoca) fiquei sabendo que precisava atualizar o código dos comentários do YACCS. Achava que ninguém estava vindo aqui ou se estavam, não deixavam nenhum comentário... Mas tem gente escrevendo pra mim sim, muito obrigada. Bom, já atualizei. Vamos ver se dá certo...
Poxa!!! Quantas pessoas comentaram e eu nem notei! Obrigada!!!! Obrigada Lu Misura, Sérgio, Mauro, Chris, alê, Cido e Matusca. Beijo pra todos vocês! :c)
junho 11, 2003
Ihh, o Blogger mudou sua
Ihh, o Blogger mudou sua area de ediçao de textos. Vamos ver o que é que dara errado agora...
Sim, nao posso mais acentuar as palavras, além de demorar quinhentos mil anos para publicar duas linhas... hummm...
putzzz, eles ainda conseguiram mudar meu fuso horario... que coisa...
Quando a gente acha que nao da para ficar pior... fica
Alo alo meninos do blogger, quero minha acentuacao de volta!!!
abril 07, 2003
março 28, 2003
Guerra de verdade
Pentagon: 12 Marines missing, 14 wounded in fighting around Nasiriya. - (Breaking News - CNN).
A U.S. Marine wounded in the Iraqi war said Thursday he was surprised by the amount of Iraqi resistance, and an Army sergeant said he thought he was going to die in the fighting. - (CNN Online)
Iraq has executed some prisoners of war in what the Pentagon's No. 2 general described Wednesday as one of many "disgusting" war crimes committed by forces loyal to Saddam Hussein. - (CNN Online)
Iraqi information minister warns Iraq will be the "graveyard" of coalition forces. - (CNN Online)
Bush, quer moleza? Senta no pudim.
março 20, 2003
A guerra começou, né?
Acordei às 6h30m, não conseguia mais dormir. Até que a dor nas costas nem está tão problemática, mas simplesmente despertei. Stefan já estava se preparando para ir trabalhar e me avisou: "Deixei a TV ligada. Está na CNN, ok?".
Claro que não consegui segurar a curiosidade, me levantei e fui ver TV antes das sete da matina. Nossa... Assisti a uma parte da transmissão da CNN America, com o Aaron Brown, que deu a notícia, creditada à edição de hoje do Washington Post, de que a CIA tinha localizado um "importante líder" iraquiano em fuga. A agência foi perguntar ao Jorje Moita o que fazer e ele mandou atacar.
Agora, uma coisa que o Aaron Brown disse e que achei interessante é que o Saddam teria ordenado que suas tropas de elite se concentrassem em Bagdá, o que poderia representar uma guerra mais suja do que a de 1991. Para conquistar a capital, os americanos, segundo a CNN, teriam de lutar "a pior forma de guerra": a guerrilha urbana. Onde nenhuma arma de alta tecnologia funciona, mas sim o combate homem a homem.
Acho estranho como é diferente a percepção de guerra aqui e no Brasil. Muitas pessoas não sentem todo esse interesse no que está acontecendo aqui no Oriente Médio - o que acho normal, uma vez que essa parte do mundo parece tão longe! Não me lembro de me sentir apreensiva quando era criança, quando logo ali na esquina a Guerra das Malvinas se desenrolava.
Aqui na Europa só se fala disso. Jornalistas suecos estão em Amã, na Jordânia, e ontem o cara, Rolf Pörseryd - que está em todas as guerras, e até sofreu um atentado no Afeganistão e teve um cinegrafista da sua equipe morto - lamentou em cadeia nacional de televisão não poder ter ficado em Bagdá com os outros jornalistas da CNN, da BBC etc.
Para ser sincera? Cada átomo do meu corpo jornalístico gostaria de estar agora em uma redação - ou então lá, no meio da ação - cobrindo essa guerra. Seria o máximo.
*Criação do Mauro... *hohoho*
março 18, 2003
Ahn?
Li direito, ou o mesmo ministro francês que fez aquele discurso espetaculoso no conselho de segurança da ONU disse, agora, que as coisas estão mudando de figura? Que a França poderá sim mandar tropas para a guerra já praticamente declarada?
Paris: We may help in chemical war. L'avidité est une merde, hein Chirac?
março 17, 2003
Mesmo no meio da minha alegria...
Cowboy maluco é homem mais poderoso do mundo.
Cowboy maluco vai declarar guerra a uma nação por seu petróleo.
Nação a ser atacada apóia ações terroristas contra país do cowboy maluco e seus aliados.
Bactéria mortal misteriosa circula pela Ásia e já já chegará a todos os continentes da Terra.
Economia mundial está indo pro beleléu.
Alguém aí, por favor, manda parar porque eu quero descer!
março 13, 2003
Sobre o post de baixo
Aqui vale um comentário. Fico com muita pena quando vejo o sucateamento do conhecimento humano por conta de um ditador maluco, como Saddam. Não sei a qualidade desse professor e nem se ele estava sendo controlado para responder apenas o que era permitido. Provavelmente sim. Acho um desperdício que a inteligência dos iraquianos seja submetida à incompetência socio-cultural de alguns indivíduos que chegam ao poder sabe-se lá como.
O mesmo digo sobre os EUA, porque a nação mais poderosa do planeta também tem suas peculiaridades, além de ter eleito democraticamente o Bush como líder. Um exemplo de que a capacidade humana de cometer atos de suprema ignorância é mesmo indistinta - não vê raça, credo ou fronteira - é a recusa de algumas escolas públicas americanas em ensinar a teoria da evolução das espécies de Darwin aos seus alunos. No final, é tudo maluquice contra maluquice.
Intolerância burra
Li uma matéria que me impressionou. Foi em um dos jornais editados aqui do norte da Suécia. A matéria, feita pela agência de notícias sueca TT, é uma entrevista com um doutor em línguas da Universidade de Bagdá. O professor Sabah Naji Sheikhly diz que eles precisam "conhecer o inimigo" e por isso oferecem estudos em todas as línguas ocidentais, como inglês e alemão, assim como hebraico.
A peculiaridade está em como os estudantes chegam aos cursos. Diz a matéria: "É contra a lei se interessar por hebreu, então como pode haver estudantes? A resposta está no modo de distribuição dos alunos. Daqueles que se inscrevem no departamento de línguas da universidade, os que têm as melhores notas estudam inglês, os segundos melhores lêem francês e daí pra baixo: alemão, espanhol, russo, turco, hebreu ou farsi (acho que a língua iraniana)".
Notaram? Nem sombra de português...
O repórter constata que aqueles que chegam para fazer o curso do professor Sheikhly são em tese os piores alunos. Ele concorda e completa: "O objetivo dos quatro anos de estudos de hebreu não é falar com ninguém, já que é proibido por lei fazê-lo, mas ler e traduzir textos em hebreu". O repórter não pode entrevistar nenhum aluno, naturalmente todos impedidos pelo departamento de política externa, onde trabalham como espiões.
A maluquice é maior quando se compara o acesso a material didático. Apesar de contar com os piores alunos, o curso de hebreu tem farta oferta de artigos de jornais e até mesmo um raro e restrito acesso à Internet. Já os 600 alunos do curso de francês, por exemplo, não têm acesso nem mesmo a jornais franceses.
Mas o mais engraçado é dito mesmo pelo professor Sheikhly. Em seu doutorado, ele estudou a obra de Yosef Agnon, um escritor judeu. Perguntado pelo repórter se ele gostava do escritor, Sheikhly disse: "Não posso lhe responder. Agnon vive em um ambiente judeu o qual eu nem sequer conheço". E o cara é doutor, hein?
março 09, 2003
Os bons tempos acabaram
Acho que os meninos do Blogger esqueceram de colocar alguns pontos no FAQ que criaram para explicar o que mudaria com a compra da Pyra pelo Google. Deixaram de botar lá:
- que a edição a partir de agora é feita precariamente, com letras acentuadas mudando para caracteres em chinês;
- que volta e meia não temos apenas um, mas dois banners, um em cima do outro, em nossas páginas;
- que o help simplesmente não funciona...
Talk about pressure to pay...
Tic tac... tic tac... tic tac...
Hoje, 9 de março de 2003 = 1 ano e 10 meses de Suécia. Felicidade agridoce.
março 04, 2003
Terra de especialistas
Procurando emprego de verão, ou emprego comum mesmo. Vou nos sites de empresas de recrutamento e faço meu cadastro. Problema: quando vou descrever que tipo de trabalho fazia em cada um dos meus empregos anteriores, apenas uma palavra não é capaz de descrever tudo. Sou jornalista, repórter, editora, mas além disso já fiz textos pra anúncio, já fui secretária, redatora, tradutora e até chefe. Já fiz quase de tudo nesse ramo. Como é que posso me restringir à escolha limitada de um formulário eletrônico?
Essa é outra diferença entre a Suécia e o Brasil. Na minha terra, a gente estuda alguma coisa como base e acaba fazendo muito mais, dependendo da necessidade, da nossa capacidade, lógico, mas principalmente da exigência do trabalho. Aqui as coisas são diferentes. Você quer ser farmacêutico (vender remédios nas farmácias estatis)? Tem que estudar cinco anos. Quer ser médico? Pode se preparar pra passar seis anos na universidade. Quer ser trabalhador de fábrica? Vai ter que passar mais alguns anos estudando pra isso. E por aí vai.
Não condeno a exigência de educação apropriada, mas confesso que é complicado pra mim pensar em investir mais alguns anos da minha vida numa carreira e saber que não poderei fazer nada além daquilo. Se estudar para ser assistente social, por exemplo, só poderei trabalhar com aquilo. Não há mobilidade alguma aqui.
Pode ser que eu esteja mal acostumada, já que tive sorte na minha vida profissional no Brasil e raramente ficava chateada, fazendo a mesma coisa sempre. Mas o que me intriga é uma pergunta que me veio a cabeça há algum tempo atrás, quando comecei a entender a sociedade sueca e como ela funciona: aqui cria-se orgulhosamente uma sociedade de especialistas. Gente que faz "A" e somente "A" pelo resto de suas vidas. Para poder fazer "B" ou "C" ou "D", precisa-se voltar para a universidade e passar anos estudando.
março 03, 2003
Bem de perto, ninguém é perfeito
Tem uma coisa que acho fundamental no ser humano: a capacidade de ouvir a si próprio; às barbaridades que se diz sem nenhuma idéia de que muito certamente irá ferir alguém. Aprendi isso muito cedo, nas sessões de análise sem fim e em conversas com meus mudernos pais. Se as conversas não foram tão interessantes - mexia-se sempre em alguma coisa que me era dolorido - certamente aprendi muito e hoje em dia sei como é fundamental escutar a si mesmo.
Ter a consciência de que o que você diz para alguém pode ter a ver com você mesmo, é importante. Mesmo assim a gente mete os pés pelas mãos às vezes e fala coisas que não deveria. Ou então escuta coisas que outras pessoas nos dizem na maior ingenuidade. O incrível é que essas pessoas, que gostam da gente, que nos querem bem, não notam como o assunto é impróprio, como chateia, como nos deixa nervosos. O silêncio é sagrado mesmo.
fevereiro 27, 2003
Fim do terror dos tamanhos de roupas

Ao contrário de países como os EUA, no entanto, aqui na Suécia fica-se gordinho e grande, ou seja alto e forte. Apesar de haver, claro, gente enoooooorme, esse não é ainda um problema de saúde pública como acontece nos isteites.
A matéria começa assim: "Talvez o problema não seja suas medidas quando você não cabe mais no tamanho médio". É que os tamanhos das roupas suecas de hoje são baseados em medidas feitas nos anos 70, mas as pessoas ficaram um pouco mais gordinhas e maiores em tamanho do que eram naquela época. Daí a disparidade.
Aí vem o choque maior. Diz assim no artigo: "Hoje os tamanhos indicados nas etiquetas podem representar qualquer coisa. Uma parte das butiques marcam roupas tamanho 38 com etiquetas 36, para que os clientes se sintam magrinhos".
Imagina!!!! Eu já sabia que não podia entrar em lojas da Folic, por exemplo, mas achei que isso era nazismo da indústria da beleza brasileira. Nunca poderia imaginar que fosse encontrar a mesma maldição aqui também.
No próximo outono 4800 suecos serão medidos da cabeça aos pés para que as novas metragens sejam enviadas à Comunidade Européia. O intuito é fazer uma regularização dos tamanhos em todos os países participantes. O engraçado vai ser ver o Paolo (italiano médio) comprando uma calça cujo modelo foi o Hans (alemão, sueco, holandês ou dinamarquês).
Por mim, já valeu. Daqui por diante eu digo que sou tamanho 42 e todo mundo tem que acreditar! Hohoho.
A matéria no original está aqui. Em sueco, förstås.
fevereiro 17, 2003
BREAKING NEWS = O Google comprou o Blogger
Li na Cora, que recebeu a notícia da Rosana Hermann. Veja na íntegra o furo do Dan Gillmor, colunista do Silicon Valley.com, um dos sites mais antenados em tecnologia do planeta.
Na minha opinião, isso já era mais do que esperado. Só restava saber quem compraria a Pyra, empresa de cinco pessoas que levava o barquinho de mais de 1 milhão de usuários do Blogger e do Blog*Spot.
Quer entender ainda mais o que a compra pode significar? Leia aqui. (Imagem da Rosana Hermann)
Hoje já está lá na home do Blogger a notícia oficial. Eles dizem que não muda muita coisa... Só espero que quando mude, que seja pra melhor.
fevereiro 14, 2003
Será que o Bush dá ou não dá?
Então, o Hans Blix disse que os iraquianos tinham cooperado mas que ainda precisavam cooperar mais... E quer mais tempo. Será que o bruto do Bush vai dar ou vai partir pra iguinorãnssa?
Aliás, vocês podem estar se perguntando o por quê de eu estar tão interessada nesse assunto. O lance é que nunca havia chegado tão perto de uma guerra. A disputa pelas Ilhas Malvinas não conta porque eu era pequena e não sabia de nada - e se soubesse torceria pela Inglaterra. Agora, esse lance do Iraque é aqui do lado. Pega-se um avião e está em Bagdá em quatro horinhas.
E por falar em localização, a chiquíssima Escandinávia está em maus lençóis. A saber: aqui do ladinho tem a nossa amiga Rússia, com todo o seu arsenal de usinas nucleares caindo aos pedaços. Murmansk, essa charmosa cidade cinza e gelada, onde a frota russa de submarinos nucleares fica estacionada - quando não está a explodir nos mares da vida - fica a apenas 600 quilômetros de Boden. Detalhe: a distância de Boden até Estocolmo é de 1.100 quilômetros.
Guerra
E o mundo inteiro espera hoje pelo pronunciamento de um sueco para saber se haverá ou não guerra. Hans Blix, chefe dos inspetores de armas da ONU, falará hoje sobre o que o Iraque tem e o que deixa de ter, além do que ele imagina que Saddam Hussein esteja escondendo.
Num mundo perfeito, a opinião de Mr. Blix seria altamente esperada como mais uma informação valiosa para se evitar a guerra. Mas como temos George W. Bush como o homem mais poderoso do planeta no momento, Mr. Blix pode falar o quanto quiser que não vai adiantar. Vamos ter guerra de qualquer jeito.
O que é estranho, é a tal gravação com a voz do Bin Laden ter aparecido exatamente agora, quando estamos nos movimentos finais para se decidir uma guerra. Afinal, Bush precisa de um truque para ganhar definitivamente a opinião pública americana - sim, porque para o que o resto do mundo pensa ele está se lixando.
Além disso, há o lance dos tanques cercando os aeroportos ingleses. Será preparação para ataques terroristas? Será medo de retaliação pelo apoio dado aos EUA? Ou será pura e simplesmente um jogo com o medo público?
fevereiro 07, 2003
Dúvida
Só me explica uma coisa que eu ainda não entendi: todo mundo sabe que a Coréia do Norte tem armas de destruição em massa, mas o Bush quer negociar. Por outro lado, ninguém tem certeza absoluta se o Iraque também tem um arsenal nuclear, mas o Bush já mandou avisar ao mundo que não quer nem saber, vai atacar Saddam de qualquer forma. Alguém mais inteligente do que eu pode me explicar o por quê?

fevereiro 03, 2003
Transparente
Tenho minhas razões para estar danada. Não, não é TPM não. Aliás, isso é outra coisa que me deixa possessa. Quem reduz o mau-humor feminino a apenas duas categorias (as que estão em TPM e as que não têm namorado) está sendo machista e ignorante. Tenho todo o direito de acordar do lado errado da cama; gosto de ter a liberdade de dizer o que quero, quando quero e da maneira que quero.
É óbvio que sempre levo em consideração os sentimentos alheios. É por isso que, muitas vezes, não posso fazer o que quero e mandar ver. Afinal de contas, sou uma pessoa bem adaptada socialmente. Mas isso não impede que minha mente e minhas ações mostrem o que sinto. Não sou capaz de esconder uma emoção forte. Boa ou ruim. Get use to it.
Não é a toa que esse blog - que eu já disse quinhentas vezes, sou eu - chama-se Montanha-Russa. Sou uma criatura que muda sem parar. Basicamente, sou boa, doce e feliz, mas tem horas em que simplesmente fico com vontade de quebrar tudo, que nem heroína de novela das oito.
GRRRRAAAAAWWWWWLLLL
Acho que paciência é uma virtude que deveria ser colocada em primeiro lugar no ranking das capacidades mais difíceis de ser atingidas pela raça humana. É claro que falo apenas por mim quando digo "raça humana" - mas tenho certeza de que muita gente se identificará.
Não há nada mais irritante do que se preparar para fazer alguma coisa e descobrir, no último minuto, que todas as suas preparações foram em vão porque uma outra pessoa tem uma visão diferente do que quer dizer organização.
Acho que tudo, na verdade, pode ser limitado ao que você espera dos outros. Você quer que haja um exército de gente que pensa, funciona e responda às coisas exatamente como você? Frustração certa. Afinal, aprendemos que o lance de conviver em sociedade é saber aceitar as diferenças alheias.
Ainda tenho um loooongo caminho pela frente no que diz respeito a esse aprendizado. Não, não quero um exército de "Marias" me seguindo e fazendo tudo do jeito que eu faço - seria demais até mesmo para o mais cabeludo dos egos - mas o que quero é um pouco mais de compromisso.
Será que é pedir demais?
E por compromisso quero dizer o significado anglo-saxão da palavra. Se você não sabe o que é, ah, pelamordedeus, give me a break. Procure num dicionário porque eu estou soltando fumacinha pelas narinas.
janeiro 29, 2003
I'm bloggeless!!!
Estou sem poder acessar o Blogger, que desde cedo me impede de entrar em sua área de publicação. Estou escrevendo isso aqui no notebook do Stefan, no qual esta instalado o W.Bloggar. Não tenho o programa do Marcelo no meu computador porque ele simplesmente não funciona. Já instalei e ele funcionou, mas está ainda muito instável. Óh, deuses da tecnologia, dêem um help pra essa sua humilde serva!!!
Daqui a pouco vou ter que me escafeder daqui porque o dono desse Dellzinho vitaminado deve estar voltando pra casa. O que me deixa feliz e triste ao mesmo tempo. Com Stefan mas sem blog... uhmmm, difícil decisão :c). Bem, só pra completar: se, nos próximos dias, eu continue não conseguindo escrever a partir do blogger, pode ser que esteja postando sim, mas apenas no meu blog backup, cujo endereco é: http://www.montanha-russa.blogger.com.br. Apareçam por lá, ok?
janeiro 26, 2003
Que coisa
Tava vendo quem veio me visitar quando me deparei com um link de um mecanismo de busca brasileiro, o BuscaBr. Quando entrei pra ver o quê a pessoa estava procurando e veio parar aqui no Montanha-Russa, fiquei pasma. É que a pessoa entrou lá a frase - ou mais propriamente as palavras - "pratica de sexo com criancas", sem as aspas, e veio parar aqui!!!!!!!! Gente! Esse assunto é tão horroroso que eu nunca poderia imaginar que o meu bloguinho fosse aparecer numa pesquisa dessas.
Fui ver o que que eles acharam aqui que batia com a procura e fiquei mais besta ainda. O cabeçalho da busca indica:
5. :: Montanha-Russa :: Enjoy your ride!
públicas quarentona que adora sexo e pratica muito - ela galeria de arte que nãogosta de sexo oral não prestam muita atencão nisso, mas criancas e idosos
URL: http://fabriani.blogspot.com/2002_11_10_fabriani_archive.html
O link acima diz respeito a um post que escrevi sobre um dos meus seriados favoritos de televisão, o Sex and the City, da HBO. Fico até sem vontade de escrever mais livremente aqui se for pra ficar sendo encontrada por esse tipo de gente... O(a) infeliz deve ter entrado aqui porque, listados junto ao Montanha-Russa, estavam uma série de análises de livros de psicólogos, organizações de ajuda à criança e até um que prega "continuar com a prática do bem". O meu bloguinho, aparentemente, era o mais picante. HA!
janeiro 23, 2003
janeiro 17, 2003
Estou chata
Hoje tá difícil. Tô com dor, cansada, sem saber o que querer da vida. Meio desanimada. Ah! Tô meio de saco cheio, viu? Sorry.
dezembro 27, 2002
De novo
Vocês sabem que sou dramática, né? E do pior tipo: canceriana-almodovariana. Então, é bom avisar que os meus excessos podem nublar meu julgamento. Por isso, refaço as linhas aí do post de baixo sobre o Natal. E digo: o Natal foi bom porque as crianças adoraram e se não é isso o que indica o sucesso da festa então eu não sei o que é.
As três meninas, filhas da irmã de Stefan, ganharam tantos presentes que até eu fiquei enlouquecida. Estava ajudando uma delas a abrir os pacotes e quando a menina não conseguia romper o papel de embrulho, eu prontamente arrancava o pacote da mão dela e me botava a estraçalhá-lo com volúpia. Hahaha.
Ganhei mais presentes do que dei. Isto se você não contar os dois pudins de leite e os dois pães feitos em casa que levei à festa. As delícias feitas com leite condensado foram devoradas pelas dez pessoas presentes à ceia de Natal. Depois de muita deliberação entre colheradas e mais colheradas dos meus pudins, os suecos chegaram à conclusão que eu deveria fazer mais daquilo para o ano que vem.
Os pães foram servidos junto à smörgåsbord, com muitas saladas de vegetais e maionese, (muita maionese), além de patê de fígado de ganso, presunto cozido, ovos duros com caviar etc. Pensou que acabou? Nãnaninanão. Logo depois veio o jantar propriamente dito, com almondegas de carne, batatas cozidas e costeletas de porco. Levinho não?
Depois da orgia - digo - ceia, abertura de presentes e que tais, as crianças finalmente foram dormir (incrível como elas têm resistência), e nós fomos para a frente da TV para tentar digerir toda aquela comilança. Aí você me pergunta: "Sim, mas não seria melhor dar uma volta na vizinhança para digerir a comida?". E eu respondo: "Com o termômetro marcando 27 graus negativos... I don't think so".
O Natal foi bom mas, graças a Deus acabou!
It's over, finito, la fin, slut! Fomos para a casa da sogrinha dia 23 cedo e só voltamos ontem à noite. Overdose de família. Ganhamos alguns presentes legais, mas teve uma hora em que tudo o que eu queria era estar aqui em casa (ou no Brasil), na frente da televisão, vendo algum filme antigo ou um documentário da BBC.
Hoje tá difícil. Tô com dor de cabeça. Ahhhhhhh.... Um Dorflex por favor!
Olha, queria agradecer pelos emails lindos que recebi. Eles serão devidamente respondidos assim que o Dorflex começar a funcionar, ok?
dezembro 22, 2002
Nunca subestime a capacidade de auto-ilusão do ser humano
Ontem teve reunião na casa do casal amigo de Stefan. Foi uma espécie de agradecimento por meu amor ter levado o cara para o hospital e ficado lá com ele quando, de madrugada, o cara teve um ataque de dor no estômago ou nos rins ou sabe-se lá onde. Acharam que era pedra nos rins, mas não era. Acharam que era tumor no estômago, mas não era. Acharam tudo e não acertaram nada (esses médicos suecos!). Stefan e esse cara são amigos há muito tempo e se adoram. A mulher dele é uma pentelha e, claro, eu tenho que dar uma de primeira-dama e ser diplomática. Tudo bem. Casamento é compromisso.
A noite até que não foi ruim, devo admitir. A moça foi simpática como sempre, e não precisei ficar acordada até muito tarde. Meia-noite já estava de banho tomado e na cama. Sim porque depois de dez minutos na casa deles, roupa, cabelo e até a alma cheiram a cigarro. Aí não dá. Eles até são educados e vão fumar na varanda, mas mesmo assim o cheiro permanece. Ainda mais pra mim que sou meio humana e meio bloodhound.
Aí, no meio do jantar, o cara diz que está se cuidando para evitar que o misterioso problema em um órgão não-identificado do seu corpo volte a se manifestar. Perguntei, interessada, como ele estava se cuidando. E ele sem a menor cara de pau manda essa:
- Ah, parei de tomar café e também não bebo mais leite.
- Como é? Não bebe mais leite? Mas leite é ótimo para o estômago!
- Sim, mas não podemos descartar alergia à lactose.
- ...
O interessante é que o fulano bebe leite desde que nasceu (ele tem 39 anos) e nunca teve qualquer problema. Em contrapartida, bebe álcool que nem um gambá também quase desde que nasceu. Ontem mesmo estava cheio de sprit na cabeça. É a velha história da azeitona na empada. Manja?
dezembro 19, 2002
Feminismo sueco
A minha amiga Ines, que mora perto de Gotemburgo, no sul da Suécia, publicou um post sobre isso e eu achei simplesmente perfeito. O grupo feminista Mulheres sem Fronteiras (Kvinnor utan Gränsen), criou uma campanha para rebater anúncios da cadeia sueca de roupas Hennes & Mauritz - uma gigante multinacional com lojas em todas as grandes cidades européias, Nova York, Los Angeles etc - que mostra sempre modelos impossivelmente perfeitas posando apenas com langerie.
A idéia das feministas foi tirar fotos de pessoas "normais": gordas, velhas, homens vestidos de langerie feminina e espalhar por toda Estocolmo. Segundo a Ines, a campanha está fazendo o maior auê. Não tenho meios de saber desse bochicho porque, como alguns de vocês sabem, moro mais perto do Papai Noel do que as renas. As fotos são estranhíssimas, mas muito engraçadas e acho que atingem seu objetivo: mostrar que coisa imbecil essa de escravizar a humanidade a um padrão de beleza impossível de ser alcançado, a menos que você tenha sido abençoado com um lote perfeito de DNA, o que é raro, vamos e venhamos.
Inezoca diz que gosta desse aspecto da suecada: essa rebelião contra os padrões famélicos de mulheres e homens. Concordo com ela. Não sei explicar exatamente por que, mas o povo desse país é muito mais tolerante e receptivo às, digamos, formas alternativas de beleza. Em português claro: pessoas que não são perfeitas. Ah, na foto aí ao lado, lê-se a palavra "Oretuscherad", que quer dizer "Sem retoques".
Junto às fotos há declarações das pessoas que fizeram parte da campanha. Essa moça aí em cima disse que leu em algum lugar que são apenas oito as mulheres consideradas perfeitas, ideais. Em todo o mundo. Gente!!!! O mais estranho nessa história toda é que "normal" virou sinônimo de defeituoso, repararam? Que coisa.
dezembro 09, 2002
O suficiente é satisfatório... Será?
Essa discussão sobre o racismo na Suécia está mesmo pegando fogo. Semana passada (ou até um pouco antes, não me lembro mais), a Sveriges Television (SVT) - uma TV Cultura melhorada e com muito mais audiência - vetou a participação de uma apresentadora em um problema. A razão? Ela é muçulmana e usava chador, aquele véu cobrindo toda a cabeça, só deixando a mostra seu rosto.
Foi uma grande discussão aqui e, bem ao estilo sueco - todo mundo é igual a todo mundo etc - a presidente da SVT foi explicar o por quê da discriminação no ar, em um programa chamado Mosaik, criado para imigrantes.
A explicação dela - essencialmente sueca - foi que tudo tem que ter o seu limite, ou seja, a sociedade está aberta a qualquer manifestação cultural e religiosa, mas deve resguardar seus telespectadores de uma visão excessivamente parcial do noticiário. Ou seja: "Aceitamos de tudo, mas só um pouco de tudo".
Há uma palavra que define o que é ser sueco: lagom [lóogom]. Lagom quer dizer, suficiente, o bastante, moderadamente. Tudo na Suécia, para ser satisfatório, tem que ser lagom. Não fica bem ser mais nem menos. E, nesse contexo, o chador da moça estava um pouco excessivo.
Acho esse conceito do lagom muito bonito. Até mesmo um pouco espiritual, se olhado de perto. Mas como explicação por uma ação discriminatória é um pouco demais. Às vezes, fico até irritada com tanto comedimento e me dá vontade de soltar os bichos e botar pra quebrar com essa suecada chata. Mas a vontade passa logo. Achei essa charge aí ao lado em um dos jornais daqui, bacana, né?. Mas bom mesmo é isso aqui (lembrado pela Ana e resgatado imediatamente pela Andrea): "Moderation is a fatal thing, Lady Hunstanton. Nothing succeeds like excess." - Oscar Wilde, "A Woman of No Importance".
U-HU!
dezembro 06, 2002
O artigo
Algumas pessoas ficaram curiosas sobre o artigo que escrevi sobre a política de imigração e integração sueca. Como tinha que traduzi-lo de qualquer forma para enviar para meus pais, aqui vai sua versão em português. Quero dizer apenas que trata-se de uma versão em português porque, como disse antes, o escrevi direto em sueco. Há certas expressões, frases e até mesmo palavras que não têm tradução em português. Além do mais, assim como inglês, o sueco é uma língua concisa, o que nem sempre é o caso do português. Bom, feitas todas as ressalvas, ao que interessa:
CARTA ABERTA PARA MONA SAHLIN SOBRE A POLÍTICA DE IMIGRAÇÃO DA SUÉCIA
por Maria Fabriani
Concordo com você, ministra da integração Mona Sahlin, quando diz que o problema da política de imigração sueca é uma descriminação estrutural. Por outro lado, considero que com a política atual de mercado de trabalho é quase impossível que imigrantes sejam empregados até mesmo por empresários que assim o escolham. Eu venho do Brasil e devido ao meu trabalho como jornalista conheço as realidades de muitos países. Nunca, no entanto, vi uma sociedade tão fechada como a sueca.
Não existe uma "Suécia Multicultural". Tentarei esclarecer o que é multicultural: cerca de 89% dos brasileiros são católicos e, ao mesmo tempo, a Igreja Católica demonstra respeito e aceitação por Umbanda e Candomblé, duas religiões que vieram da África no começo do século XVII, quando os escravos vieram para o Brasil para trabalhar.
Ser multicultural não é apenas ter imigrantes no país. É ter pessoas que falam diferente e que têm experiências diversas. Ser multicultural quer dizer, além disso, absorver aspectos da cultura dos outros e, mais do que tudo, não tentar enquandrar os imigrantes em uma fôrma sueca.
Um país multicultural não nasce por decreto. O processo é demorado e deve ser natural. Talvez os imigrantes não precisem ser suecos; funciona bem ser diferente. O ponto mais importante é entender que os imigrantes podem ser tão interessantes para o mercado de trabalho quanto os suecos.
A Suécia perde mão de obra competente que não agüenta vir para esse país e não ter uma única esperança de melhoria de sua situação de trabalho. Eu sei que é uma palavra feia em sueco, mas o que vocês estão criando hoje, Mona Sahlin, é uma sociedade de classes. (Em sueco é uma palavra só: klassamhälle)
Quando vim morar na Suécia há um ano e seis meses atrás, não sabia falar sueco mas estava convencida de que quanto mais rápido eu conseguisse aprender a língua mais fácil seria conseguir um emprego. Claro que previ muitos problemas; sabia que seria difícil convencer os empregadores suecos das minhas qualidades profissionais. Mas tudo bem, pensei, porque tenho educação formal, experiência, sou educada, honesta, persistente e, além disso, sei várias línguas estrangeiras. Mas eu estava completamente errada.
Hoje, depois de ter estudado sueco por um ano e dois meses, pensei que poderia tentar encontrar um trabalho para ajudar na economia doméstica. Eu sabia que meu sueco não era suficiente para um trabalho em jornalismo, então mandei meu currículo para vários outros locais, de vendedora de butique até tradutora. Nenhuma resposta. Como eu posso mostrar pra você, Mona Sahlin, que eu posso trabalhar tão bem como qualquer sueco? Vocês querem que a Suécia seja aberta à imigração, então precisam entender o que isso significa.
Agora é que estou começando a entender como é difícil a sequer conseguir uma entrevista preliminar. Eu pensei em talvez voltar à universidade e estudar para ter um diploma sueco. Apesar do meu diploma e meus quatro anos de estudos já terem sido reconhecidos e meus sete anos de experiência terem sido validados pelo sindicato dos jornalistas suecos que me aceitou como membro associado. Então, pensei, eu poderia procurar um trabalho que realmente me interessasse. Mas agora eu duvido disso.
Por que eu deveria passar mais alguns anos numa universidade quando estou quase convencida de que terei problemas para encontrar um emprego depois simplesmente porque vim de outro país? Por que investiria o meu tempo e o meu dinheiro - meu dinheiro, não o do estado, meu dinheiro que está em uma conta de um banco sueco - em uma educação que eu sei que não adiantaria nada?
Eu sinto como se eu estivesse batendo contra um muro. Eu bato, grito e tento dar a volta mas não consigo. Minha sensação é que eu preciso ser um dos tijolos para ser aceita, ou todo o meu conhecimento é jogado fora. A pergunta é: será que algum dia conseguirei ser um desses tijolos?
O que eu gostaria de dizer é que o governo PRECISA entender que uma mudança da política do mercado de trabalho é absolutamente necessária. Menos demandas para os empresários e novas leis para facilitar a situação dos imigrantes sem colocar o emprego dos suecos em perigo.
Por outro lado, os suecos DEVEM entender que existe sim racismo na Suécia. Existem aqueles que gritam e que mostram abertamente que nos odeiam e existe um outro tipo de discriminação: aqueles que consideram os imigrantes como pobre coitados que têm tudo de bom aqui na Suécia e não precisam mais do que um teto sobre suas cabeças.
Eu digo apenas: eu tinha tudo de bom no Brasil. Vim para a Suécia de livre e espontânea vontade porque o meu namorado é sueco e quero trabalhar aqui. Eu quero ter uma carreira aqui, exatamente como no Brasil. Quero ser elogiada e ser considerada uma trabalhadora muito boa. Exatamente como antes. Por que eu deveria aceitar menos do que isso?
Conheço imigrantes que são exatamente como eu. Existem muitos outros, no entanto, que não querem trabalhar. Mas existem também muitos suecos que preferem trabalhar como substitutos no verão e viver do seguro social o resto do ano.
Eu amo a Suécia e gostaria de continuar a morar aqui mas eu preciso me expressar e realizar algum trabalho produtivo. Tenho um profundo respeito pela Suécia, um país democrático e que realmente cuida bem de seus cidadãos. Mona Sahlin, você talvez esteja se perguntando o que eu quero depois de ter escrito tudo isso aqui. E eu respondo: quero ter uma chance para mostrar do que eu sou capaz.
dezembro 05, 2002
Meu reino por uma pessoa segura de si
A mulher responsável por chamar os professores substitutos aqui de Boden me ligou hoje de manhã bem cedo oferecendo o que pareceu várias escolas nas quais eu poderia substituir professores que não puderam/não poderão ir trabalhar. Toda essa minha incerteza com relacão ao trabalho é porque simplesmente não consegui entender uma palavra do que ela disse ao telefone.
Não, não há nada de errado com a minha audição nem muito menos com a minha capacidade para falar sueco pelo telefone. O problema é que a moça fala extremamente baixo e eu simplesmente não consigo entender uma palavra do que ela diz. E não é sacanagem dela não. O problema é que ela é uma dessas pessoas com baixa auto-estima ou um pouco inseguras que não conseguem se expressar desembarassadamente no telefone com estranhos.
Acho isso um desespero porque eu dependo de pessoas com boa dicção e sem problemas com sua auto-estima para poder conversar no telefone. Se já é difícil estabelecer uma conversação com um inseguro(a) que fala português, imagine em sueco. Pedi várias vezes que ela falasse mais alto, culpei o telefone (como se eu ainda estivesse no Rio lutando contra as linhas analógicas da Telerj, lembram?) mas não consegui bons resultados.
No final, já exausta apesar de ter acabado de acordar, consegui entender um pouco melhor e disse que preferia trabalhar numa escola perto da minha casa pelo fato de (ainda) não poder dirigir sozinha para cidades próximas. Ela ficou de retornar a ligação para me dar um status e ainda não ligou.
Agora você veja, de todos os obstáculos que enfrentei nunca pensei que a insegurança alheia fosse me causar tanto problema.
dezembro 04, 2002
O sonho de qualquer mãe-de-santo
Imagine que você está dirigindo pela Inglaterra e já está meio irritado pelo fato de precisar guiar do lado esquerdo da rua. De repente, você vê a seguinte placa:

Você pensa: o que eu vou fazer agora, meu Deus! E aí, alguns metros depois, você se encontra nesta situação:

The magic roundabout!

Aparentemente existem três ou quatro monstros como esse na Inglaterra. Este aí de cima fica em Swindon, entre Londres e Cardiff. No centro dessa "coisa", dirige-se na direção oposta, ou seja, ali, os motoristas conduzem seus veículos como nós, do lado direito da rua.
Depois dessa, cheguei à conclusão de que os motoristas ingleses são gênios. Sim, porque para dominar um trânsito tão maluco, o cara tem que ser realmente muito inteligente. Agora, imagina fazer um "trabalho" nessa encruzilhada? Poderosíssimo! :cO
dezembro 03, 2002
Voltou
Finalmente o Blogger voltou, depois de um dia inteiro fora do ar. Pros americanos, que ficam lá em Santa Clara, na Califórnia, a pane aconteceu no período da noite, mas pra gente que mora aqui do outro lado da poça, foi o dia todo mesmo. Um horror.
Fiz um blog backup para poder escrever nos dias em que está tudo dando errado. O nome dele é Montanha-Russa Backup.
Então fiquem avisados que quando eu tiver problemas com o Blogger, estarei postando no meu blog-backup, ok? O endereço é: http://www.montanha-russa.blogger.com.br/index.html.
novembro 29, 2002
Maria Svensson Fabriani
Uma foto minha apareceu hoje no jornal para ilustrar um artigo de políticos de centro-direita criticando a política de integração sueca. Junto estão duas colegas de classe e a professora do curso especial para imigrantes que fiz de abril a agosto desse ano. A legenda da foto diz: "Maria Fabriani, Jevgeniya Ivanova, Elisabet Vidman e Evelina Akopof representam imigração que tornam mais rica nossa região".
O artigo critica um ponto em particular do discurso da Ministra da Integração, Mona Sahlin: não é o racismo estrutural que impede que "bons" imigrantes como eu consigam empregos, como a ministra defende, mas as regras extra-duras do sistema de trabalho desse país. Quando se contrata um funcionário aqui na Suécia é quase impossível demiti-lo. Os sindicatos são fortíssimos e defendem os interesses de seus associados até a última instância. Os autores do artigo defendem que essa lei dura inibe empresários e até mesmo grandes empresas, que desistem de empregar imigrantes porque há um temor de contratar "uma pessoa certa para o lugar errado".
Até entendo que esse medo deve existir sim e concordo que a política de contratação sueca é duríssima. Acho inclusive que a tal ministra Mona Sahlin não tem feito grandes avanços no que diz respeito ao sucesso da política de integração. Mas nesse ponto, sou obrigada a concordar com ela. Não é apenas a incerteza de contratar uma pessoa "diferente" que faz com que os empregadores desistam de dar empregos a imigrantes, mas sim um preconceito tão arraigado no subconsciente sueco que até mesmo os mais liberais e críticos não percebem.
Um exemplo? Nenhum tipo de formação acadêmica é boa o suficiente para a Suécia se você não estudou em algum país europeu. Não adianta espernear, dizer que estudou quatro anos para se tornar uma jornalista e eles aqui precisarem apenas passar dois anos numa faculdade para poder escrever em qualquer jornal. Você ainda precisa fazer um ano de "complementação". Complementação de quê, cara pálida? Sueco eu já estudo que nem uma louca desde que coloquei os pés nessa terra. Sobre regras e padrões jornalísticos suecos eu aprendo em um curso de dois meses, no máximo.
Ontem vi uma matéria no jornal da TV4 sobre a dificuldade da segunda geração de imigrantes para conseguir empregos. Entrevistaram uma moça de origem iraniana, muito bonita, falando um sueco perfeitíssimo, com sotaque de Estocolmo mas que não consegue um emprego por causa do nome dela, evidentemente persa. Como ela sabe que é por causa do nome? Depois de enviar currículos, fazer visitas diretas às empresas e ligar para inúmeras companhias por mais de um ano, ela se cansou e fez uma experiência: mandou o seu currículo para um empregador e mudou de nome. Passou a se chamar Michelle Egström, um nome bem sueco.
O currículo dela não apenas foi considerado, como ela foi chamada para uma entrevista. Depois de duas horas de conversa, o empregador se disse feliz com o resultado mas só queria ligar para as referências dela. Aí, sem poder mentir mais, ela disse que seu nome era outro. O cara desistiu de empregá-la e deu como desculpa que não era bom ter mentido no currículo. mas como é que ela poderia não mentir se com seu nome verdadeiro é quase impossível sequer ser chamada para uma entrevista preliminar? Como resultado, a moça está pensando em mudar seu nome para algo bem sueco. Tenho certeza que ela terá mais chances.
novembro 25, 2002
"Ai, que saco!"
Estava lendo sobre tempo de reação para se freiar carros e lutando contra minha falta de concentração. É como se a adolescente que um dia eu fui estivesse pulando aqui dentro do meu peito e gritando, em protesto: "Por que eu tenho que ler esta meeeerrrrddddaaaa?????? Eu já sei tudo isso!!!!!!". E eu, aqui de cima, tentando controlar no melhor estilo super-ego, esse id inflamado. "Sim, é chato. Sim, você já sabe disso, mas tenha paciência, é necessário ceder um pouco para poder se ajustar".
O fato é que a adolescente não está cedendo aos meus apelos e eu estou aqui, escrevendo no meu blog, ao invés de ler o livro da auto-escola. Hoje tá difícil. Foi difícil o fim de semana inteiro, mas não adianta ficar curioso porque eu não vou contar nada. Só acho que, como estou muito sensível, tudo parece ter um peso extra. Palavras ditas e as não ditas, piadinhas ridículas que estão parecendo fora de contexto hoje, mas que qualquer outro dia seriam normais, tudo tá muito complicado.
Já me segurei para não mandar emails inflamados para três pessoas, perguntando pura e simplesmente o que há de errado, se eu fiz alguma malvadeza sem perceber porque nenhum ser humano merece ser tratado com tanta indiferença e falta de boa vontade. Mas, como já tenho um pouco de experiência com esses ataques, deixei pra lá porque desconfio que no máximo em duas semanas essa sensação de rejeição generalizada vai passar e aí eu não quero ter que escrever emails pedindo desculpas a Deus e todo mundo.
Nossa, acho que a TPM é uma adolescência mensal. Cruzes!
novembro 22, 2002
"When you have an "I hate my job"-day, try this
On your way home from work, stop at your pharmacy and go to the thermometer section. You will need to purchase a rectal thermometer made by Johnson & Johnson. Be very sure you get this brand. When you get home, lock your doors, draw the drapes, and disconnect the phone so you will not be disturbed during your therapy. Change to very comfortable clothing, such as a sweat suit and lie down on your bed.
Open the package and remove the thermometer. Carefully place it on the bedside table so that it will not become chipped or broken. Take out the material that comes with the thermometer and read it. You will notice that in small print there is a statement: "Every rectal thermometer made by Johnson & Johnson is personally tested."
Now close your eyes and repeat out loud five times: "I am so glad I do not work for quality control at the Johnson & Johnson Company."
Have a nice day, and remember, there is always someone with a worse job than yours".
Hohoho. Copiei daqui.
novembro 20, 2002
Sem palavras
Hoje eu tô que tô. Dor de cabeca, mau humor. Tenho que estudar muito muito muito senão não vai dar. E todo mundo está tão calmo! AAAAAHHHHHHHHHHHH.
novembro 11, 2002
Dia D do Tupperware
Obrigada, gente! A-D-O-R-E-I todos os comentários ao meu post aí de baixo. Fiquei muito comovida com o carinho de vocês, obrigada!
Mas voltando ao batente, Veronica, irmã do Stefan, veio passar o final de semana aqui em casa. O marido dela foi para um treinamento e ela veio pra cá com uma das filhas, Josefine, de oito anos. Nos divertimos muito mas eu estava exausta quando eles foram embora ontem à noite. Só de pensar que fiquei sem sentar aqui, ler os meus comentários, visitar os blogs de vocês e nem sequer poder ler o jornal.. AHHHHH!!! Comemos muito (Vigilantes, socooooooooorro!!!), assistimos a uns cinco ou seis filmes na TV, inclusive Harry Potter no DVD (IH! Letícia, sorry! :c), foi bom, mas cansativo. Alguém já teve de entreter uma menina de oito anos? AHHHHHHHHH!!!!
Foi a Veronica, aliás, quem levou as duas bolsas com todos os tupperwares de volta para a minha sogra. Eu sabia que iria desencadear alguma reacão, estava só esperando pra saber qual. Não precisei esperar muito. Sogrinha ligou ontem à noite mesmo e falou com o Stefan que disse exatamente o que nós pensamos: ela enche o nosso saco com essa coisa dos tupperwares que nós resolvemos devolver todos. Não satisfeita, ela deixou passar a noite e me ligou hoje também, crente que eu estaria sozinha em casa e teria que atender ao telefone. Mas Stefan estava aqui e atendeu. Mesmo assim, ela pediu para falar comigo e disse que ia brigar comigo etc. Eu, muito inocente, repeti a cantilena, numa voz pacificadora. E ainda sugeri: "Agora você pode mandar comida pra gente sem problemas".
Ah, cansei, sabe? Gosto muito dela mas tudo na vida tem um limite. Inclusive a minha paciência. Na verdade, eu quero é a minha mãe, tá bom?
Falando nisso, um dos amigos do Stefan disse pra ele quando soube que eu tinha finalmente vindo morar aqui: "Você é que é um cara de sorte! Sua mulher é linda, brasileira e ainda deixou a mãe dela lá do outro lado do mundo!". Não sei se o cara disse mesmo que eu era "linda". Stefan me contou assim e eu quero muito acreditar que seja verdade. :c)
novembro 08, 2002
Que vergonha!
Câmara estuda adiar posse de Lula para dia 6
Será que esses caras não têm mais o que fazer não? Era só o que faltava!
E por falar em abuso de poder, você já assinou o abaixo-assinado a favor do Xexéo? Ele, o Mauro Rasi, o Fernando Pedreira e o Arnaldo Jabor estão sendo processados pela governadora desgovernada do Rio, Rosinha Garotinho (Bléééé!!!). Para deixar o seu apoio (nome, profissão e número da identidade), vá até o site da Cora e mande ver.
Aliás, se quiser saber o por quê deles estarem sendo processados, clique nesse blog aqui que a Cora criou com os textos que provocaram a ira da garotinha.
novembro 06, 2002
A guerra do Tupperware
Minha sogra, Vera, é um amor de pessoa. Sempre prestativa, nunca demonstrou mais ciúmes do que o normal e sempre teve o maior carinho para comigo. Mas nada nem ninguém é perfeito, certo? Pois é, numa coisa ela é bem chata: seus tupperwares.
O problema todo comecou com meu amado Stefan que, em seu período de solteirice, afanou várias tigelas e recipientes para conservas de sua mãe. Quando eu cheguei na parada, os trecos já estavam todos aqui, guardadinhos nos armários dele. Além disso, a coisa piora porque sempre que vamos à casa da Vera ela nos abastece com uma série de guloseimas e manda tudo nos seus amados tupperware. Que eu devolvo. Todos lavados e limpos. Só não devolvo cheios de comida porque ela ainda não se acostumou aos meus biscoitos de queijo parmesão (querem a receita?).
O problema é que ela não registra que eu devolvi, entende? O que ela se lembra é que um monte dos potes dela fizeram uma viagem sem volta aos domínios do Stefan. E eu é que pago o pato. O pior foi no último sábado, quando passamos o dia na casa dela e voltamos pra Boden com dois tupperwares. Mas antes de sairmos, Vera fez questão de escrever o nome dela nos potes. Ahhhh, me poupe, né?
Mas hoje resolvi mudar e fazer tudo o que eu queria fazer. Montei no banco da cozinha e tirei todos os nossos potes, desde elegantes tupperware até recipientes de sorvete (milhões! Stefan é maluco por sorvete) que vinham sendo guardados aqui. Vou "devolver" tudo pra Vera, até o que não era dela. Acho que ela vai ficar feliz. E vai entender o recado.
outubro 29, 2002
Sem internet
Estávamos sem Internet. Problema com alguma coisa da Telia - companhia de telefonia sueca, a única por sinal - aqui em Boden. Acabou de voltar.
Stefan, de folga, quase subia pelas paredes.
Lembrei agora... e a Regina Duarte? Deve estar se borrando toda, né não? Hohoho.
outubro 23, 2002
A vida como ela é
Achei muito oportuno da TV4, um canal de TV de notícias e entretenimento que adoro e que está dedicando toda sua grade de programas dessa semana a matérias sobre o racismo na Suécia. Ontem, no jornal nacional deles, foi mostrada uma autoridade dizendo que podem haver tumultos tão graves quanto aqueles que ocorreram em Los Angeles quando policiais brancos bateram em Rodney King sem motivo aparente. Até a ministra da integracão da Suécia, Mona Sahlin - não muito competente se você quiser mesmo saber minha opinião - disse que não chega a tanto, mas que perigo sem existe.
Amanhã vão mostrar em um programa ótimo chamado "Kalla Fakta" (que quer dizer mais ou menos "a verdade nua e crua dos fatos") como é difícil para imigrantes com educacão superior conseguir um emprego aqui. É o caso por exemplo, de Kurosh Jalali, cidadão sueco nascido no Irã, que por ter background de imigrante, só conseguia empregos como faxineiro e lavador de pratos. Foi para a Inglaterra e se tornou chefe apotecário no primeiro dia em que procurou emprego. Experiência semelhante a de Naser Izadkhan, também cidadão sueco com família imigrante. Hoje ele é ortodontista radicado em Manchester, Inglaterra, mas quando estava na Suécia era obrigado a ser motorista de taxi para poder sobreviver.
A verdade é que a sociedade sueca precisa acordar para o fato de que preconceitos existem e são prejudiciais para todos. Se não for por humanidade que seja por problemas econômicos. A dificuldade de se aproveitar os talentos e a competência de suecos com background imigrante custa muito à sociedade sueca como um todo. "Se o estabelecimento de profissionais de background imigrante fosse o mesmo registrado por suecos nascidos aqui, o governo ganharia mais de 30 bilhões de coroas por ano", constata Jan Ekberg, professor de Economia Nacional. Ele faz referência a todos os impostos que essas empresas pagariam, além dos custos do social com os desempregados, que deixariam de ser pagos.
Kalla Fakta, TV4, Torsdag, Kl. 20.00.
outubro 21, 2002
De volta à Academia
Acabei de voltar da Universidade de Luleå, que fica a 30 minutos de carro daqui de Boden (como do Leblon à Barra em dias privilegiados). Fui lá conversar com um studievägledare, uma espécie de consultor que indica caminhos aos estudantes que estão em dúvida sobre que curso fazer. No meu caso é ainda mais aguda a necessidade de orientacão porque sequer sei como o sistema de ensino funciona. Levei meus diplomas, já reconhecidos pelo organismo de educacão superior daqui, e o cara ficou meio de queixo caído.
Não que eu tenha uma educacão fora dos padrões, mas quatro anos de universidade (UFRJ), sete de experiência profissional e mais vários cursos de idima são mais do que o suequinho poderia esperar de uma imigrante. Para cursar qualquer coisa aqui você tem que ter um curso de inglês básico. Mostrei meu diploma do curso que fiz em Nova York e o cara quase caiu pra trás. Gosto de mostrar essas coisas porque me fazem lembrar o quanto eu me esforcei para ser o que sou hoje - e mostro aos suecos o que é que a baiana tem, sabcumé?
Anyway, fui lá munida também de algumas informacões que pesquei no site da universidade e muitas perguntas, claro. O cara me explicou como são os cursos e eu perguntei como é que se consegue uma vaga. Há cerca de três tipos de classificacão de estudantes: os que saem direto do colégio, quem faz uma högskola - um nível intermediário entre o colégio e a universidade - e quem tem diplomas de fora da Suécia, como é o meu caso.
Para conseguir minha vaga dependo que poucos adolescentes queiram ir direto para a universidade e, aqueles que por ventura queiram estudar mais, tenham notas ruins. Além disso, caso tenha sucesso, preciso ainda pedir ajuda de custo para pagar o curso. Em fim, fui lá, falei muito, mas não tenho a menor idéia se vou conseguir alguma coisa. Nem sei que curso farei, pra falar a verdade. É nessas horas que eu queria ser bem pequenininha e aceitar as decisões que alguém tomasse por mim. Sei que é infantil, mas, ah, às vezes é tão difícil ser adulto o tempo todo!!! :c/
outubro 19, 2002
Tudo por um poema
Uma das coisas mais legais de se viver num país como a Suécia não é apenas conhecer características e maluquices do povo sueco. É muitíssimo interessante também entrar em contato com gente dos países mais variados, como Bósnia, Irã, Vietnã, Turquia, Rússia e até Iraque. A convivência, claro, não é lá muito fácil. Afinal, somos todos muito diferentes. Mas, mesmo não sendo refugiada de guerra eu ainda sou imigrante e algumas pessoas têm histórias que merecem mais atencão.
Uma dessas pessoas é o meu amigo Farshid, que é iraniano. Esquecam todos os esteriótipos de árabe machista (até porque os iranianos não são árabes, mas persas): o Farshid é um amor de criatura, muitíssimo inteligente e engracado. Ele veio pra Suécia há quase quatro anos atrás, fugindo de uma milícia que rondava a universidade onde ele estudava em Teerã. O que ele fez? Escreveu um poema no qual criticava o governo dos Aiatolás. Claro que não assinou o poema, que foi colocado num quadro de avisos da universidade. Alguém descobriu quem o tinha escrito e ele teve de fugir no meio da noite.
Pois bem, o negócio é que o governo da Suécia acabou de negar o visto de permanência do Farshid e ele terá de deixar o país dentro em breve e voltar para o Irã. Me encontrei com ele no colégio na semana passada e ele estava desconsolado. Eu sinceramente não entendo. O governo sueco precisa de gente para trabalhar exatamente no servico feito pelo Farshid, que é enfermeiro. Fala-se inclusive em importar mão-de-obra para certas áreas nas quais há falta aguda de profissionais e a profissão de enfermeiro é uma delas.
Para se defender durante o julgamento do seu caso, Farshid e seu advogado sueco conseguiram um fax enviado por seus amigos iranianos confirmando que a cacada realemente aconteceu e que Farshid não pode voltar para Teerã sem arriscar anos e mais anos na cadeia ou então morte imediata. Estilo Salman Rushdie. Uma das pessoas que estavam julgando o pedido de asilo político argumentou que o fax "não tinha sequer um envelope". "Mas como é que eles querem que meus amigos enviem uma carta pra mim se absolutamente tudo no Irã é censurado?", pergunta Farshid.
Acho fantástica essa abertura do governo sueco no sentido de abrigar dezenas de milhares de refugiados de guerra - gente nem sempre qualificada que se não fosse por países com uma política de paz exemplar como a Suécia morreria antes mesmo de tentar se salvar. O que eu critico é que esse abrigo seja tão parcial. O Farshid sabe muito bem sueco, se comunica e trabalha todos os dias. Ele não vive do dinheiro do social, muitíssimo pelo contrário. Além do mais, desde que chegou aqui já fez vários cursos para poder falar sueco e para poder trabalhar como enfermeiro. Por que jogar tudo isso fora?
outubro 17, 2002
Rapidinhas
Vejo dois meninos brincando de andar de bicicleta na neve fininha e já quase toda derretida pelo sol. Agora não sei se quero um deles ou se prefiro me juntar a eles.
Comprei minha passagem de trem até Estocolmo para poder votar pelo Lula. Quero ver chegar, Lula lá, brilha uma estrela...
Não sei que livro comecar para ler no trem. O que leio agora Paradiset, Liza Marklund, está no final.
Encontrei na rua com um conhecido que nos convidou para a festa de lancamento do CD da banda de heavy metal dele. Lamentou que não poderíamos ir. Eu disse que estaria em Estocolmo votando e Stefan vai trabalhar o fim de semana inteiro. Mas eu poderia ter respondido que preferia martelar um prego na cabeca a ir a uma festa de heavy metal. Adoro esse meu lado Dragon Lady.
Vou fazer peitinho de frango a parmegiana (sem a parmegiana, só com queijo) pro meu amor jantar.
Vi Apocalipse Now Redux no Pay Per View. Bonito pra burro. Por outro lado, uma depressão. Nunca mais.
A prova ontem foi difícil, bem difícil. Sei que perdi seis pontos, pelo menos, porque ao contrário do que costumo fazer, deixei uma questão em branco.
Quem vai ser a alma boa que dará o primeiro Prozac à Regina Duarte?
setembro 28, 2002
Tá faltando pesquisa de campo aos cientistas
Às vezes sinto que, ao comentar alguma coisa em um blog alheio, escrevo melhor do que aqui no meu próprio terreno. Isso aconteceu há pouco, quando visitei o Canterbury Tales e vi um post sobre as aranhas britânicas que gostam que se enroscam dos casacos da Letícia. Pois lembrei de uma coisa que sempre me deixou feliz em ter escolhido o norte da Suécia para morar: sabiam que aqui não existe barata?
Acho que aquele blá-blá-blá dos cientistas de que as baratas seriam os últimos seres vivos a resistir à era glacial etc é tudo balela. Nenhum deles jamais presenciou um inverno sueco. Aqui no inverno bobeou, congelou e morreu. Simples assim.
Lembro que quando ainda morava sozinha no Rio, na Urca, um dos meus maiores problemas não era o medo da violência, problemas com os vizinhos ou qualquer coisa desse tipo. Apesar de ser valente e encarar baratas, mariposas, lagartixas e insetos afins, sempre ficava meio desesperada enquanto não conseguia fazer o bicho sair por livre e espontânea pressão do meu apartamento -- sim porque matar a criatura estava fora de questão, afinal, não tinha ninguém pra pegar o bicho morto depois e jogar fora. (Sem mencionar minha evidente preocupacão ambiental, lógico.)
Isso me faz lembrar de minha querida avó Célia, que matava barata com a mão. Isso é que é mulher! Quando era pequena, nas florestas ainda intocadas de Petrópolis, ela e os irmãos cansaram de matar cobras. Atencão: cobras!!! É ou não é o máximo? Eu até mato barata com a mão -- mas quase esfolo a pele depois lavando com detergentes mil. As cobras eu deixo para pessoas mais valentes. :c)
Foto de Terry Cervi.
setembro 26, 2002
agosto 05, 2002
Penetra
Vocês não sabem da maior: sabem quem acabou de visitar o Montanha-Russa? A Testemunha de Jeová-com-complexo-de-rejeicão. Ela mesma. Deixou dois comentários me xingando, dizendo um monte de asneiras e ainda assinou "Julianna", claro, sem e-mail nem home page. Mas o que a "Julianna" não sabe é que, ao contrário dela, não sou otária. Verifiquei o número do IP dela e - surprise, surprise - é aqui da Suécia, da Telia.
Que coisa, não é "Julianna"? Coincidência enorme essa de você entrar no meu blog depois de ter procurado pelo meu nome no Yahoo Brasil e ter vindo deixar os seus comentários infames depois de ter ido aos meus arquivos e lido um post em particular, aquele em que eu escrevo sobre você, dentre cinco meses de informacões quase diárias. Isso tudo depois de eu ter aparecido no jornal aqui da cidade por ter terminado o meu curso especial para imigrantes. Mas tudo bem, as evidências contra você, "Julianna", só aumentam.
Antes de tentar me atacar novamente, gostaria que você tentasse entender uma coisa de uma vez por todas: nosso contato comecou da maneira mais errada possível. Você se aproximou de mim para fazer amizade se aproveitando de informacões privadas, obtidas por pessoas da sua religião que vieram bater à minha porta e com às quais fui muito educada. Você, "Julianna", veio a mim no momento em que eu estava mais frágil numa terra desconhecida e querendo exercer algum tipo de influência sobre mim, sabe-se lá de que forma. Reflita bem sobre o que você escreveu, menina.
Não tenho absolutamente nada contra pessoas de outras religiões. Tenho amigos judeus, agnósticos, ateus, católicos e protestantes. E poderia ter sido sua amiga também, caso você não tivesse mostrado uma face que, quero crer, nada tem a ver com as Testemunhas de Jeová: a sua tendência paranóica ao me perseguir dessa forma. Por isso, eu te peco: me deixe em paz. Försvinn!
Quer saber como essa história ridícula comecou? Clique em "Testemunha de Jeová com complexo de rejeicão" e depois em "Perseguicão ao azevedo".
agosto 04, 2002
De pedra
Não sou de fazer testes, mas esse é muito engracado e, sinto dizer, bastante acurado. Eis os meus resultados:
Disorder | Rating
Paranoid: ============> High
Schizoid: =============> Low
Schizotypal: ===========> Low
Antisocial: ============> High
Borderline:============> Moderate
Histrionic: ============> Very High
Narcissistic:===========> Very High
Avoidant:=============> Moderate
Dependent:=============> Moderate
Obsessive-Compulsive:=======>High
Para fazê-lo, clique aqui.
agosto 01, 2002
Péraí, péraí...
Hoje Urano deve estar com a corda toda porque as surpresas não param de acontecer. Acabei de abrir o Globon e fiquei sabendo que o Romário vai jogar no meu Fluzão. É isso mesmo? O Romário, ídolo rubro-negro e cruz-maltino, nas Laranjeiras?
Fiquei sem palavras...
julho 28, 2002
Mais notícias sobre o cara do Jaguar
Não escrevi desde sexta porque fui dizer adeuzinho pra minha sogra, Vera, que eu adoro e que me trata como a uma filha. Ela mora em Piteå, cidade da qual já falei aqui. Foi tudo ótimo e até descobri duas coisas muito bacanas: se lembram do cara que bateu na nossa traseira com o Jaguar (ou foi ao contrário?)? Pois é, ele foi pego no aeroporto pela polícia, que o estava procurando. Quando Stefan me contou isso quase gritei: "Eu sabia! Eu sabia!", Aquele skumbag não podia ser coisa boa. Ao mesmo tempo fiquei apavorada. Imagina se ele é mafioso? Contei pra vocês que ele tinha um Rolex de ouro no pulso, daqueles com pequenos brilhantinhos nos lugares dos números? Pois é... Sinistro... (Ainda usam essa gíria aí no Rio ou já estou por fora?)
julho 22, 2002
Ata-me!
7h - Primeira chamada do despertador;
7h10m - Segunda tentativa de sair da cama;
7h11m - Ler revistinha em quadrinhos no banheiro;
7h40m - Fazer café, botar pão na torradeira, tirar leite, manteiga e queijo da geladeira;
7h50m - Tomar café da manhã lendo o jornal;
8h28m - Colocar prato, xícara e talheres na máquina;
8h29m - Verificar a temperatura;
8h30m - Comecar a me vestir;
8h50m - Carro pra escola;
9h - Reinício dos estudos sobre a sociedade sueca.
11h30m - Telefonema para o homem pra dizer que sairei um pouco mais tarde. Será que ele pode me buscar às 11h45m?
11h45m - Em pé, na frente da escola.
11h46m - Em pé, na frente da escola.
11h47m - Em pé, na frente da escola.
11h48m - Em pé, na frente da escola.
11h49m - Em pé, na frente da escola.
11h50m - Em pé, na frente da escola.
11h51m - Homem chega, como se nada tivesse acontecido.
E ele que não sabia que estava vivendo com uma pontualíssima canceriana-almodovariana!
julho 20, 2002
Um a um
Como penitência, acabei de fazer as minhas sobrancelhas. Por fazer entendam tirar, um a um, os cabelos rebeldes, que insistem em nascer fora do lugar.
$$$$
Parece que o Blogger voltou ao normal. Fui até o Archive, cliquei em Archive Template e salvei. Esse post é o primeiro a ser publicado de primeira, depois de uma semana de chateacão. Vamos ver quanto tempo dura essa calmaria. Acho que a saída vai ser mesmo pagar pelo Blogger Pro. O que ainda está me impedindo é que quando vou pedir ajuda ao pessoal do Troubleshooting, leio que muitos usuários do Pro também encontram problemas irritantes. Se bem que, vamos ser racionais, é simplesmente impossível, Blogger Pro ou não, ter um servico rodando 24/7 sem qualquer problema. A diferenca é que os Pro's têm assistência mais rápida.
julho 19, 2002
Estraga prazeres
E o prêmio Estraga Prazeres da semana vai para o Blogger!!! Desde segunda-feira venho publicando posts por pura insistência. Escrevo, clico em "Post & Publish" e aparece o texto: Error 503:Unable to load template file: /home/Templates2/3363227_a.html (server:page)[more info]. Publico o mesmo post duas, três, quatro vezes, até que ele aparece na home. Já fiz tudo o que o pessoal do Troubleshooting diz pra fazer: fui até a templêite, não mexi em nada, salvei; fui até os arquivos, cliquei para publicar, não consegui porque o texto do erro 503 aparece novamente, mas continuei tentando. Algum de vocês está tendo ou teve esse problema? Como solucionou?
julho 08, 2002
AH! Eu odeio o Bill Gates!!!
CURSO DE INFORMÁTICA, Boden -- Hoje estou triste, apesar de ter achado esse divertido homem-aranha aí em baixo. É que estou fazendo um novo curso, dessa vez para tirar uma carteira que prova que sei mexer com computadores e com os programas mais utilizados, como Word, Excel, PowerPoint etc. A coisa é que eu sei trabalhar com todos eles mas para ter o diabo do papel provando que eu sei -- e na Suécia tudo tem que ter prova no papel, diploma etc -- preciso fazer esse curso.
No segundo dia de curso fiz as provas para ser certificada em Windows 98 e em Internet e e-mail. Passei nos dois. Mas agora empaquei no Word. Já tentei duas vezes, quinta-feira passada e hoje, e não consegui. Quinta alcancei 73% de respostas certas -- uma, apenas uma resposta a menos do que o necessário para conseguir o diabo do diploma -- e hoje não passei dos 70%. Estou triste. Não gosto de ser reprovada... Mas eu sei que faz parte etc e tal. Vou continuar tentando porque não há coisa que deteste mais do que desistir.
Uma coisa é certa: não me ajuda o fato de todas as perguntinhas desses testes medonhos serem feitas em sueco. Quem me conhece sabe que sofro de uma deficiência crônica de paciência e nunca em minha curta vidinha botei um pezinho em um curso de informática. Aprendi tudo o que sei fazendo -- sou gente que faz mesmo. Mas a questão aqui é que isso não é suficiente pra esses loirinhos. Tudo bem, sei que é importante, mas estou chateada e rabugenta, de forma que me agüentem um pouquinho, tá?
Não entendo porque o desgracado do Bill Gates tinha que criar um programa tão complicado como o Word, com trocentos mil menus de atividades, arquivos, modelos, padrões, convencões.. AAAAAAAAHHHHHHH!!!! Você tem idéia do que seja um Stycken? Pode me explicar o que significa Visningslägen? Sabe o que é um Radavstånd? Pois é, nem eu. :c(
PS.: Sorry os erros de português, mas estou no curso, sem meu dicionário e frágil. Por favor, fechem os olhinhos se virem algo errado, ok?
junho 28, 2002
Minhas aventuras em Estocolmo: o acidente
Stefan e eu estávamos procurando uma vaga no centro da cidade. Pra quem me lê do Rio ou de São Paulo sabe que essa não é uma tarefa fácil. Bom, conseguimos encontrar um edifício-garagem, entramos e, quando estávamos saindo (não havia vagas), ficamos parados em uma curva. O carro de servico do exército, um Volvo maravilhoso, era também enoooorme. Pra sair dali comecamos a dar ré quando escutamos o característico "plóc" e uma buzina.
Claro, haviamos dado ré no carro de trás, que estava simplesmente colado na nossa traseira, um horror. Mas o pior foi que o fulano saiu enlouquecido do carro, xingou até a quinta geracão de todos os militares da Suécia e ainda chutou o Volvo. Stefan, perfeito, impassível, controladíssimo, como poucos suecos - e poucos seres humanos em geral, for that matter - ouviu todos os xingamentos, diretos e indiretos, em silêncio.
Eu, em pânico, só sentia as pernas tremendo de adrenalina e minha cabeca só pensava que se o cara tivesse uma arma ele teria atirado na gente ali, na hora. Fiquei tão nervosa que chorei todo o caminho de volta pro hotel. O acontecimento foi a história preferida da viagem e Stefan já fez milhões de piadas a respeito. Não precisamos pagar nada porque o seguro do exército cobre, mas mesmo assim foi um susto.
Ah, sim: o carro do fulaninho era um Jaguar. :cO
Amanhã tem Skansen e Vasamuseet.
junho 23, 2002
Folkdräkt fast food
As roupas típicas de cada região sueca, os chamados folkdräkt, são muito bonitos e coloridos. Os trajes foram criados pelos camponeses séculos atrás e são utilizados em todas as festas nacionais, como dia da bandeira (6 de junho) e, claro, durante o Midsommar. Leia mais aqui sobre isso (site em inglês).
Mas estou falando disso porque ouvi uma historinha interessante aqui. Depois de descobrir que eu não era sueca e, mais impressionante, era brasileira, um amigo do Stefan contou que visitou o Brasil quando ele tinha uns dez anos. Ele participava de um programa da ONU que levava criancas para conhecer diferentes realidades em diferentes países. No final das duas semanas do evento houve uma festa. Cada crianca deveria vestir um traje típico, para mostrar tracos de sua cultura.
O suequinho, muito a contra gosto, foi vestido com o seu folkdräkt, mas foram os africanos, segundo ele, os mais bonitos: cheios de cores e tecidos incríveis. Mas um país em especial chamou a atencão de todo mundo. As criancas americanas, na falta de qualquer tipo de história - a não ser os clichês hollywoodianos de cowboys e que tais - foram vestidos (pasmem!!!) com uniformes de empregados do McDonald's. Será que é verdade mesmo?
junho 16, 2002
Visão
Historinha engracadinha: um casal britânico batizou sua filha como Ikea, nome da empresa sueca de móveis conhecida mundialmente. A companhia, honrada com o gesto e de olho na jogada de marketing, claro, mandou um presente para o bebê.
Comentário do Stefan: "Se algum dia tivermos um filho, vamos batizá-lo de Volvo".
Hohoho.
junho 10, 2002
Meus pêsames à família de
maio 29, 2002
Inacreditável
Acabei de assistir a um documentário que me deixou de queixo caído. Entrevistou-se um historiador que tenta provar que a Copa do Mundo de 1958, aqui na Suécia, na qual o Brasil conquistou seu primeiro título mundial, não aconteceu. Isso mesmo: ele diz que o mundial de 58 não aconteceu.
O historiador sueco Bror Jacques de Waern tenta provar que a Copa de 58 não aconteceu de verdade na Suécia, como todo mundo pensava, mas foi uma série de jogos disputados para inglês ver, em Los Angeles, na Califórnia. A razão que teria levado os jogos a serem disputados nos EUA seria porque os americanos queriam saber o poder de influência da televisão nas pessoas.
Para comprovar sua pesquisa, de Waern escreveu o livro "The Football Conspiracy", no qual mostra fotos de prédios que ele diz não existirem na época perto dos estádios, estudos sobre a insidência solar e outros detalhes inusitados. Até as chuteiras dos jogadores brasileiros, que disputaram a final com a própria suécia, entram na danca. De Waern diz que os calcados brasileiros são falsos por serem muito mais avancados do que os utilizados na época.
O historiador é um dos fundadores de um grupo chamado Konspiration 58, que tenta provar toda essa teoria. Segundo a caixa do clube, desde que criou sua home page, o Konspiration 58 já recebeu mais de 4 mil novos sócios. E outra informacão interessante: o próximo passo é abrir uma filial do grupo no Brasil. Durma-se com um barulho desses.
Mas, vem cá: se isso tudo for mesmo verdade, como é que o Garrincha arranjou tempo para ter um filho com uma sueca?
maio 24, 2002
Racismo na Escandinávia
Depois de um oportuno e-mail do Tom Taborda, achei que esse era uma assunto interessante. O Tom me mandou um link com o site feito por uma americana que está vivendo há um ano em Copenhagen e escreveu textinhos curtos e interessantes sobre as esquisitices dos dinamarqueses. E uma das características que ela notou é que os dinamarqueses são bastante "restritos" no que diz respeito às diferencas. Segundo a americana, vive-se na Dinamarca sob o moto "We are open to anyone exactly like us".
Tom perguntou sobre as diferencas e semelhancas entre Dinamarca e Suécia e achei que seria um assunto interessante pra tratar aqui, já que muita gente me pergunta como é viver em um país tão diferente. Bom, a Suécia tem uma política de aceitacão de refugiados e imigrantes muito eficiente e que dá todo o tipo de apoio a quem vem pra cá por pura falta de opcão de morar em seu próprio país. Os refugiados têm escola, moradia, assistência médica de graca além e ajuda monetária do estado.
Além do que, a própria sociedade sueca é mais tolerante quanto às diferencas. É claro que há extremos racistas, mas não chegam nem perto à Dinamarca. O pessoal mais barra-pesada contra os imigrantes fica em Malmö, cidade que, aliás, já foi dinamarquesa, mas que foi anexada pela Suécia por meio de uma guerra (link em sueco, sorry. A Suécia lutou com Dinamarca, Rússia, Polônia e Alemanha, entre outros, várias vezes de 1500 até 1800. Veja aqui um texto em inglês, mas o ponto de vista é dinamarquês!). Mas esses problemas em Malmö são locais e de modo algum se espalham pela Suécia inteira.
Mas essa questão de diferencas de política de refugiados entre Suécia e Dinamarca está pegando fogo aqui. É que esta semana, a líder do partido de direita Folkpartiet dinamarquês, Pia Kjaersgaard, uma política importante do governo daquele país, está ameacando fechar a Öresundsbron, ponte que une os dois países. A causa: a ministra da integracão sueca, Mona Sahlin, vem criticando o extremismo dinamarquês no que diz respeito à imigracão. Estou seguindo a discussão pelos jornais e está ficando cada vez mais quente.

Dinamarca: vamos fechar a ponte entre os dois países
Hoje, sexta, um dos jornais que eu leio aqui, o NSD - Norrländska Socialdemokraten, publicou uma página de opinião sobre o conflito. Achei interessante. Veja só: a jornalista que escreve a coluna, Josefine Elfström, diz que a crítica da ministra Mona Shalin não foi desproporcional, como protestou Pia Kjaersgaard. O problema todo é que a Dinamarca está para assumir a lideranca da Comunidade Européia agora no verão (inverno aí no Brasil) e teme-se que essa questão momentosa dos refugiados na Europa receba um tratamento extremista. A Suécia lidera o bloco de nacões-membros da CE que não estão alinhados à política intolerante dinamarquesa. A Suécia, governada por socialistas, é totalmente contra essa demonizacão dos refugiados e tem uma política sólida que oferece apoio de todas as formas a quem é obrigado a deixar seu país.
A Josefine continua: "A líder do partido de direita Folkpartiet, Pia Kjaersgaard, escreveu em sua carta da semana: Se eles querem transformar Estocolmo, Gotemburgo e Malmö em uma Beirute escandinava, com guerra de clãs, assassinatos por honra e estupros em massa, então que deixe eles fazerem isso. Podemos sempre colocar uma barreira na ponte de Öresund".
Essa cacatua infeliz faz referência a um crime que de fato aconteceu recentemente na Suécia - um pai de origem Curda matou com um tiro na cabeca a filha, nascida na Turquia (eu acho) mas criada desde bebê na Suécia e que só queria namorar rapazes suecos e não quem a família mandasse. O nome dela era Fadime e o crime levantou grandes discussões em todo o país porque a família da Fadime já vivia na Suécia havia mais de 20 anos e, no entanto, esse pai nunca aprendeu sueco. Ele está sendo julgado agora com a ajuda de um tradutor, só pra vocês terem uma idéia. Depois de mais de 20 anos morando aqui. O cara vai ser mandado de volta para seu país de origem. Mas também não tem essa de "estupros em massa". Isso é papo de direitista ensandecido.
A Josefine afirma: "Todos os refugiados na Dinamarca precisam fazer um exame de saúde antes de requisitarem asilo, porque o servico de saúde público não cobre as doencas pré-existentes. Na Suécia o sistema de saúde público não faz diferenciacão entre doencas pré-existentes e novas. Todo mundo tem direito a cuidado médico." E continua: "Não podemos dizer que a nossa política de integracão é perfeita. Não é. Mas sem dúvida alguma todos os partidos suecos têm uma visão mais humanitária do problema". E têm mesmo, porque até o Lars Leijonborg, líder do Folkpartiet sueco - equivalente ao partido da dinamarquesa enlouquecida - condena o tratamento conferido pelo estado dinamarquês aos refugiados.
maio 22, 2002
Fora do ar
Estava sem conseguir escrever. Eu e toda a torcida do Flamengo (blergth!). Escrevia, publicava, o status dizia que estava tudo em cima e nada. Os posts não apareciam online. E eu nem podia ligar pra Embratel pra mandar subir "na mão". Problema no Blogger. Mais um. Esses caras tão querendo mesmo que a gente vá pro Blogger PRO. Que saco! (Só de rebeldia não coloco link nenhum aqui).
maio 21, 2002
Hoje foi dia de ginástica.
Hoje foi dia de ginástica. Me senti desproporcional.
Ameaça
Não sei se acontece com vocês, mas recebo em média dois e-mails por dia contaminados com o vírus Klez. A sorte é que o Symantec que temos aqui no servidor é muito bom, está sempre atualizadíssimo e pega sempre os danados. Que coisa triste isso! Fico imaginando quem não se preocupa em se proteger e acaba contaminando seriamente sua máquina - e a de outras pessoas - por pura falta de cuidado. Ah! Importante: todos os e-mails que eu envio também são testados antes de sairem da minha máquina, então ninguém precisa ficar preocupado, ok?
Glitch
Quase pirei agora. Acabei de chegar em casa e fui ver meu bloguinho e cadê??? Aparece o infame Page not found, numa página toda branca. "Me hackearam", pensei imediatamente, mas ao mesmo tempo percebi como isso era pouco provável e resolvi botar Tico e Teco para trabalhar. Fui à home do Blogger e lá estava no status que eles tiveram problemas no servidor do BlogSpot na manhã de hoje lá na Califórnia. Se a sua página não está aparecendo, basta entrar no Blogger e republicar sua página (abre um post antigo ou publica alguma coisa nova). Pra aproveitar, republiquei meus arquivos só pra ter certeza. Deu certo.
maio 18, 2002
Difícil de acreditar
Vocês vão me desculpar, mas tá difícil de entender os paulistas. Coluna de hoje do Ancelmo Góis:
Quem larga na frente
A eleição para governador mal começou. Mas alguns nomes saem na frente:
São Paulo
Paulo Maluf: 33%
Alckmin: 29%"
Paulo Maluf, galera? Pelamordedeus!!!!
maio 16, 2002
Mercúrio retrógrado
Hoje tô cansada, muito cansada. Só pra esclarecer: o post abaixo faz parte de uma "campanha" que a Meg está encabeçando para mandarmos uma energia positiva para o Victor, criador de um dos blogs mais inspirados que eu já vi, o Mui Gats. Não conheço o Victor pessoalmente, mas ele já veio aqui no Montanha-Russa e eu costumo ir visitar o Mui Gats diariamente.
E vocês, meus amigos, desculpem essa sua blogueira desgarrada, mas estou sem idéias. Minha mente está meio que em branco. Os textos vêm e vão. Ando precisando tirar umas férias. Também, hoje tá tão frio aqui. O solão de ontem deu lugar a chuva que já dura o dia inteiro. A temperatura caiu 15 graus e estamos agora por volta dos sete positivos. Só queria ficar debaixo do edredon. Tá difícil falar. E hoje ainda é quinta-feira. Chega de semana, né não?
E o pior é que ninguém comenta essa parada!
maio 12, 2002
Tenho que rir pra

maio 11, 2002
Não sai da minha cabeça
"Rain drops keep falling on my head..."
E o pior é que só sei essa frase. Fica repetindo que nem disco quebrado.
maio 06, 2002
Político é tudo igual
Pois é. Nunca gostei de generalizacões, mas essa é verdadeira mesmo. Hoje, no curso especial para imigrantes, recebemos a "visita" de um político (visita está entre aspas porque também estamos em ano eleitoral aqui e eu não nasci ontem). O nome da figura é Olle Lindström e ele é do partido de centro Moderaterna (ou Moderados). Quis saber o que era ser um político moderado na Suécia, um dos poucos países socialistas que deram certo. E ele: "Defendemos que o estado tenha menos ingerência sobre o dinheiro dos impostos". Um odor liberal ficou no ar. Quando perguntei a posicão dos moderados sobre os imigrantes, fazendo referência ao fenômeno/desastre Le Pen, ele circulou, circulou e não disse nada. Ou melhor, disse sim. Afirmou que os moderados gostavam muito dos imigrantes. Ahn, então tá.
Por outro lado, quando teve oportunidade de apresentar uma de suas idéias que submeteu ao parlamento lá em Estocolmo, discorreu longamente e com muita propriedade sobre a necessidade de melhores estradas aqui para o norte do país. Propôs, em conseqüência, um imposto que adicionaria mais duas coroas ao já ultra inflacionado preco da gasolina para garantir as mudancas. Parecia um Maluf escandinavo. Cruz credo. O pior é que se paga cerca de 33% de impostos todos os meses, descontados ali, na fonte. Tudo bem que aqui na Suécia há uma tremenda rede de servicos sociais, o chamado wellfare, mas ainda assim. É muito dinheiro. E o cara ainda quer aumentar o preco da gasolina. Pergunta se ganhou o meu voto?
abril 25, 2002
Coisa feita
Gente, não parece macumba do Romário essa série de contusões nas estrelas da Selecão?
Me lembro que teve uma história que rolou na época da Copa dos EUA (94) ou na da Franca (98) de que o pai do Romário era de Umbanda ou alguma coisa do gênero...
Essa charge do Chico, do Globo de hoje, está perfeita. A cara do Ronaldinho Gaúcho está demais! Hohoho.
abril 24, 2002
Chega de Spam!
Aderi à campanha da Rossana contra o spam. Chega de tanto lixo nas nossas caixas postais!
Acreditam que estou recebendo convite de empresa pra Fenasoft mesmo estando meio-mundo distante???
Ai, vou tomar café da manhã antes de enfrentar meu Outlook.
abril 23, 2002
Vive l'incompétence
Depois de dica da Renatinha, fui ler o Veríssimo de hoje, no Globo. O artigo é muito bom. Vale a pena ler.
Dois pontos altos:
"Incompetência da esquerda que se dividiu, como a esquerda costuma fazer. Incompetência da imprensa e dos pesquisadores de opinião, que não previram o que ia acontecer. Incompetência do eleitorado que, mal informado e desinteressado, ficou quase 30 por cento em casa. Incompetência da democracia, que não mais convence nem mobiliza. (A omissão foi a verdadeira vencedora das eleições francesas: teve um percentual mais alto do que qualquer um dos candidatos.)".
"Incompetência de velhos impérios que, como o francês, com toda a sua boa vontade e conversa cosmopolita e pluralista, não conseguem assimilar os filhos bastardos das suas aventuras coloniais, que permanecem focos ressentidos, e provocando ressentimento, e muito menos os novos invasores do mundo pobre."
Brilhante.
abril 22, 2002
Décadence
Eleições presidenciais na França, o maluco do Le Pen em segundo lugar, colado no Chirac. Que vergonha!!!
Perseguicão ao Azevedo
Vocês não sabem da maior: a testemunha-de-jeová-com-complexo-de-rejeicão voltou a atacar. Escreveu mais uma vez no guestbook da home page que eu e Stefan fizemos juntos desde que vim pra cá. Antes, ela tinha escrito que tentara entrar em contato comigo mas que, aparentemente a Internet serviu para afastar as pessoas e não aproximá-las.
Depois do que ela fez (leia post do dia 16 de abril), eu e Stefan decidimos apagar o comentário dela. Agora, ela escreveu que nós não deveriamos ter apagado o comentário dela no nosso site, e nos chamou de antipáticos. Cara, ou essa mulher é maluca ou eu sou uma bicicleta. Que coisa!
Resultado: tiramos a home page do ar. Vamos reconstruí-la mais tarde e colocar todas as nossas fotos que lá estavam, mas não agora. Nossa, quando penso naquela criatura vendo minhas fotos fico maluca!!!!
abril 16, 2002
Testemunha de Jeová com complexo de rejeição
Vou escrever sobre isso senão eu explodo de tanta irritacão. Estava eu limpando a casa um dia quando toca a campainha. Eram duas mulheres suecas, testemunhas de jeová. Me fingi de burra, disse que não falava sueco nem inglês. Tudo para tentar que elas desistissem de mim. Qual o quê. Antes de irem embora, uma delas perguntou de onde eu vinha. Bobamente, fui honesta e disse que era do Brasil e que só falava português (esse diálogo se deu em um inglês monossilábico). Elas disseram, então, que voltariam. Mas eu pensei que nunca mais as veria. Elas voltaram sim, desta vez com uma brasileira a tiracolo. Tive sorte e Stefan estava em casa na hora. Pedi a ele pra despachá-las.
Qual não foi minha surpresa quando umas semanas depois, toca o telefone e uma vozinha de fim-de-mundo, como diz minha mãe, anunciou que quem estava falando era Sandra, que morava aqui perto de mim e que era do Brasil e que.... "Péraí", disse eu, "mas quem te deu o meu telefone?", perguntei a ela. Enrolada, confessou que tinha sido uma das testemunhas de jeová suecas. Eu disse que não queria nada com isso e ela me garantiu que a ligacão não tinha nada a ver com religião. Ela apenas queria manter contato com outra brasileira porque sabia, segundo ela, como é duro morar em um país tão diferente. Agradeci mas achei aquilo meio estranho deixei a conversa morrer. Não peguei o telefone dela.
Em fevereiro, um dos jornais onde fui pedir emprego, o Kuriren - uma das home pages mais horrorosas que eu já vi na vida - resolveu, ao invés de me dar um trabalho, me entrevistar. Aparentemente, fiz boa impressão quando fui lá falar com o redator-chefe, mostrar meu portfólio etc. Eles se diziam curiosos com a minha história: jornalista no Rio de Janeiro, com certa experiência, ir tentar comecar tudo de novo em uma outra terra. Bom, um repórter veio e fez a matéria que saiu, nada mais nada menos, que na capa do suplemento de final de semana do jornal. Tive os meus 15 minutos de fama e estou experimentando agora o seu lado amargo também.
Pois não é que essa criatura, Sandra, testemunha de jeová, me liga novamente, dizendo que tinha visto a matéria e que eu não tinha ligado mais pra ela e que.... e que.... (sempre com voz chorosa). Disse que não podia falar naquele momento e desliguei, esperando que ela entendesse o recado. Mas, claro, isso não aconteceu. Não somente ela foi à home page que tenho com o Stefan, como escreveu lá no nosso guest book que "tentou entrar em contato, mas, aparentemente, a era da informática faz com que as pessoas fiquem cada vez mais separadas".
Achei estranho e ousado, mas, deixei pra lá. Qual não foi minha surpresa hoje, ao chegar do curso, quando me deparei com uma carta, batida à máquina, reclamando que eu me achava acima das pessoas comuns "por ser formada em uma faculdade" e que eu tinha feito essa criatura se sentir "vítima de preconceito". Ela destacou com caneta pilot amarela partes do texto da matéria e comecou a rebatê-los. Perguntou: "você diz no texto que tem um background humanístico, mas não deve ser verdade porque você não quer saber de outras pessoas". Fiquei tão enraivecida que liguei para a dita cuja (ela mandou junto da carta seu telefone e endereco).
Perguntei a ela o que a fazia crer que eu era absolutamente obrigada a tê-la como minha "melhor amiga". Ela disse que achou que podia ser importante fazer contato porque ela, quando veio morar aqui há uns três anos, se sentiu muito só etc. Eu disse que não queria fazer contato com ela nem tê-la como amiga. Toda essa insistência estava me deixando maluca. Disse a ela que me desse um tempo, que sou uma pessoa aberta porém reservada. Que gosto de fazer pouco e bons amigos. Agora, vê se pode uma coisa dessas? Testemunha de jeová com complexo de rejeicão... Por essa eu não podia esperar!
Ainda não resolvemos o que fazer, Stefan e eu, mas ele me disse pra ficar de olho. Se ela tentar forcar contato de alguma forma ele vai avisar à polícia. Os telefonemas, escrever no nosso guest book, mandar a carta.. tudo isso configura harrasment. Gente, que coisa mais maluca! Como é que a gente lida com pessoas que não entendem quando está na hora de parar???
abril 13, 2002
Morte na calçada
Corpo fica 5 horas na calçada
AJB
Da Av. Rio Branco ao IML, o corpo levou mais de oito horas
Eram 10h50 quando ele correu para pegar o ônibus na Avenida Rio Branco. De sua barraca de CDs, o camelô Carlos André da Silva viu o senhor calvo, de bigode e cabelo grisalhos, perder o coletivo. Levava a mão ao peito e já se dobrava ao chão. André teve pena e o arrastou para a sombra da marquise do Edifício Avenida Central. Uma auxiliar de enfermagem ainda tentou massagem cardíaca, respiração boca-a-boca. Enfarto fulminante.
O Guarda Municipal Celson rompeu a aglomeração para cobrir o corpo com um plástico. Eram 11h15 quando um médico do Corpo de Bombeiros assinou o atestado de óbito, na calçada, do homem sem documentos que aparentava 65 anos, vestia calça vinho e camisa cinza e carregava uma cartilha da linguagem dos surdos-mudos, com o nome Ruy A. Figueiredo escrito à mão. Tinha aliança no dedo e, no bolso, caneta e sete reais. Foi do guarda a última providência do poder público, até 16h45, quando apareceu o rabecão.
Na calçada o corpo permaneceu cinco horas, 35 minutos e centenas de sinais da cruz, de quem teve compaixão. Da Rio Branco ao Instituto Médico Legal, na Rua dos Inválidos, o carro da Defesa Civil levou três horas e 10 minutos. Quem morre de mal súbito no meio da rua, seja trabalhador, vagabundo ou bandido, vira caso de polícia. Mas nem a polícia explica por que um corpo pode levar oito horas e 45 minutos para chegar ao IML. (...).
Ótimo texto. Fiquei com um aperto no peito. Pobre senhor. Incrível como a gente "esquece" rápido desses absurdos tão banais no dia-a-dia brasileiro. Onze meses fora do Rio fizeram com que eu ficasse absolutamente chocada com essa notícia. Me lembro de ser muito mais cínica do que isso.
abril 06, 2002
Simpsons: culpem a realidade!
Sou eu que já perdi o pé das coisas ou o secretário municipal de Turismo e presidente da Riotur, José Eduardo Guinle, está fazendo papel de bobo ao anunciar que vai processar a Fox pelo episódio "Blame it on Lisa", dos "Simpsons", passado no Rio?
Antes de mais nada, queria dizer que entendo todos vocês que vierem me dizer que é um absurdo botar macaco e cobra em plena cidade - o clichê é tão antigo que chega até a ser risível. E é exatamente aí nesse ponto que me encontro sempre que tento ficar revoltada com os estereótipos criados pelos americanos sobre nós, cucarachas: temos é que rir.
Senão, vejamos: todo mundo sabe que o humor dos Simpsons é cáustico mesmo, que bota pra quebrar com quem quer que seja e não está nem aí com a correção política alheia, certo? Então. Basta olhar para as situações inacreditáveis de cada episódio para saber que o absurdo é a matéria-prima da série. Cadê o bom-humor típico do carioca? Não é fácil, eu sei, mas às vezes, é bom rir das nossas próprias feridas. A matéria do Globo de hoje está aqui.
Acham que estou há muito tempo fora do Rio e já perdi o orgulho? Pois vejam essa: não houvi falar de nenhuma controvérsia quando o episódio "The Crepes of Wrath" foi ao ar pela primeira vez em 15 de abril de 1990. No desenho, o Bart é mandado para estudar na França e é obrigado a viver com dois fabricantes de vinhos que o fazem de escravo. Em troca, a família Simpson recebe em Springfield Adil, um estudante da Albânia que, na realidade, é um espião que rouba os segredos da usina nuclear do Mr. Burns.
Pode-se até entender que a Albânia não tenha feito nenhum protesto oficial, mas o episódio inclui, nem mais nem menos, a orgulhosíssima França. É por essas e por outras que estou cada vez mais concordando com a pentelha que me disse na festa que na Suécia "não há dupla moral". Já no Brasil...
abril 05, 2002
Viver do outro lado da esfera não é mole não
Hoje acordei com vontade de escrever. Estou com um monte de anotacões aqui no meu bloco e quando vim, feliz da vida, dividir meus assuntos com essa página de que tanto gosto e com os meus leitores (acho que ter leitores é uma das coisas mais incríveis da face da Terra, mas esse assunto fica pra outro dia), o Blogger estava fora do ar. Absolutamente. Completamente. Das nove da manhã de hoje (cerca de quatro da matina no Brasil e 11 da noite de quinta-feira na Califórnia) até agora lutei para colocar o post sobre os xingamentos no ar (veja abaixo). Uma pena, mas acho que o lance de assinar o BloggerPro é uma das saídas, apesar de precisar pagar.
Mesmo assim, I fought my way in em algumas páginas de help do servico e li que algumas pessoas já assinantes do Pro também têm problemas. Por fim, exausta e sem paciência, pedi um help para o Phil, que responde à maioria dos problemas de Troubleshooting do Blogger. Minha pergunta é básica: mesmo disposta a pagar os 35 dólares por ano, o que me garante que, vivendo meio mundo à frente da Califórnia, quando puder/quiser escrever não me depararei com os mesmos problemas, uma vez que é quase sempre no período da noite que são feitos os reparos? Não sei se ele vai me responder, mas se ele o fizer de forma inteligente, divido aqui com vocês.
março 29, 2002
Reality Shows
Pois é, estava eu ontem na festa e o assunto degringolou para essa coisa de Reality Shows. Aqui na Suécia tem muitos. Além do Big Brother e do Temptation Island, há um outro chamado Baren, no qual os participantes precisam viver na mesma casa e administrar um bar juntos (???), além do Popstars, e de um tal de Wannabe. Aliás, há uma página que reúne todos os programas e informa sobre as novidades de cada um, como quem foi votado para ser eliminado de um, quem brigou com quem em outro e assim vai. O nome do site é Dokusåpa. Não costumo assistir a nenhum deles e não é por nenhum tipo de escrúpulo intelectual ou qualquer outro motivo. Simplesmente acho que existem coisas mais interessantes para se ver na TV.
Mas estou escrevendo isso porque descobri ontem que aqui eles não colocam o "piiii" no lugar de cada palavrão que é dito. Nego deixa rolar solto os "diálogos". Quando disse na festa que no Brasil havia essa censura, recebi como resposta: "Aqui na Suécia não temos esse tipo de dupla moral". Bom, fiquei sem saber o que dizer, até porque não conhecia as palavras necessárias em sueco para dar uma resposta à altura. Não queria discutir, claro, mas apenas dizer que a criatura podia pegar a moral única sueca e... Mas como sou uma pessoa pacífica, graciosa e, sobretudo, evoluída, finalizei a discussão com um conciliador "Ah é? Então tá".
março 21, 2002
A verdade
Muitos me perguntam por que resolvi vir morar na Suécia. A resposta é simples, queridos: para facilitar a vida da comissão do Nobel...ora bolas!
PS.: O amor do/pelo Stefan? Ahn, sim, temo que isso também seja verdade. Sorry, Ewan, Antonio (Fagundes), Al, Bob, Justin, Liam, Denzel, George, Alexandre (Borges)...
Não, falando sério
Coluna de hoje do Boechat, no JB:
Às falas
Três comissões da Câmara aprovaram requerimentos, ontem, convocando para depor os protagonistas do socorro financeiro do BNDES à Globo Cabo.
Um representante da Microsoft também será chamado para explicar por que a gigante multinacional não aderiu ao excepcional negócio.
Pois é... Tio Bill nunca ficou conhecido como uma pessoa que joga para perder...
Uma operacão brilhante
Alguém leu e entendeu o editorial sobre a "capitalizacão" da Globo Cabo pelo BNDES? Bom, preciso ler novamente para poder comentar sem dizer muita bobagem, mas uma coisa me chamou atencão. Não sabia que uma das novelas de maior sucesso da Globo, O Clone, tinha gravado cenas em Lencóis Maranhenses... Depois da "coincidência" da veiculacão de O Salvador da Pátria e a eleicão daquelle ladrão, coloco as barbas que não tenho de molho...
Mas também isso tudo pode ser apenas uma grande teoria de conspiracão que está infectanto feito o mosquito da dengue o meu frágil intelecto, não é mesmo? Sim, claro. Aliás, é isso mesmo o que me disseram meus três melhores amigos, uma garotinha, uma amiga da faculdade e um agente do SNI.
Ahn, detalhe: se alguém leu as duas palavras fundamentais ano eleitoral no editorial, por favor me avise porque já estou atrasada com o clipping dos jornais, ok? Thanks!
março 19, 2002
Belíndia
A verdade está na matéria coordenada "Desigualdade é um problema estrutural", escrita por Carter Anderson. Ele entrevistou o chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcelo Neri, que disse compreender a indignação do relator especial da ONU diante das desigualdades sociais existentes no Brasil. "Mas os índices de desigualdade, segundo o professor da Fundação Getúlio Vargas, se mantêm há quatro décadas. Para Neri, o governo brasileiro não deveria interpretar as declarações de Ziegler como uma crítica à atual administração".
Na matéria principal, Jean Ziegler disse coexistirem no território brasileiro "uma França, uma Alemanha e uma Somália". Gente, será que o Fernando Henrique quer nos fazer entender que entrou no governo quando o Brasil era uma Somália, liderou uma grande revolucão social, até alcancar uma combinacão de França e Alemanha? Alguém acredita nisso? Eu não.
Adendo no dia 21 de marco, 2002. Veja o que o Veríssimo escreveu hoje sobre o tema.
Segunda opinião
Todas as opiniões sobre a espécie humana são suspeitas porque até hoje não se ouviu uma que não fosse feita por um humano. Dos bichos, que poderiam fazer uma avaliação isenta, o único com condições de dizer qualquer coisa, o papagaio, não diz nada. Só repete o que ouve, e se tem alguma opinião a nosso respeito guarda para si. Muita gente jura que fez contato com seres extraterrenos, alguns bastante críticos com o que vêem aqui, mas também não existem depoimentos confiáveis sobre a Humanidade, em primeira mão, de visitantes do espaço. Assim, estamos condenados à auto-apreciação. Não nos poupamos, às vezes somos impiedosos no julgamento de nós mesmos, mas não adianta. Estamos comprometidos. Não há como escapar ou disfarçar: somos humanos. Todos os nossos amigos e parentes são humanos. Sempre acabamos encontrando desculpas e atenuantes.
Assim como é para a espécie humana, é para os países. Quando vem alguém como esse suíço Jean Ziegler, que prepara um relatório para a Organização das Nações Unidas sobre o direito à alimentação, e diz que no Brasil a miséria é um escândalo e a fome é um crime, nossa primeira reação é de revolta. Ah é? Ah é? E o problema dos imigrantes na Suíça? E as contas secretas de bandidos? E o queijo fedorento? Não precisamos de ninguém para nos dizer o que já sabemos e lamentamos e gostaríamos que fosse diferente. Mas o sr. Ziegler era o homenzinho verde do espaço que faltava, para chegar sem compromisso com ninguém e ver e dizer o óbvio. Como não é do lugar, não tem o hábito do lugar, este longo convívio com a desigualdade que nos absolve, no nosso próprio julgamento. Ou seja, é um sem-atenuantes e sem-desculpas. Disse o que viu, não só a miséria e a fome mas o contraste entre o país martirizado e o outro. Pois o maior escândalo e o verdadeiro crime estão nessa distância, que só aumenta com a social-hipocrisia.
Ah, mas o sr. Ziegler é um socialista. Está explicado. A miséria e a fome no Brasil não são obscenas, o sr. Ziegler é que é de esquerda.
Desigualdade???
Muito interessante a matéria "Relator da ONU critica desigualdade no país e governo brasileiro reage", de Múcio Bezerra e Evandro Éboli, na edicão de hoje do Globo. Quando li em uma coluna que o Governo Federal havia pedido ao o relator especial da Comissão de Direitos Humanos da ONU para o Direito à Alimentação, Jean Ziegler, para não visitar o Maranhão, como estava programado em seu itinerário inicial, já comecei a desconfiar de maracutaia. A desculpa do GF era de que não queria "dar a impressão" de estar perseguindo a Roseana, ainda mais depois do escândalo do dinheiro guardado pelo marido dela.
Mas o que mais me deixou impressionada foi a cara-de-pau desse governo em criticar duramente o relator da ONU por, segundo FHC e seu pessoal, dizer o que todos os políticos sabem mas não querem ver exposto, principalmente em um ano eleitoral. O relatório do sr. Ziegler tirou a casca de um monte de feridas que FH estava cobrindo com bandagem. Escrevem os jornalistas do Globo: "O Ministério das Relações Exteriores divulgou nota contestando as críticas: "O governo brasileiro lamenta profundamente o tom pouco construtivo e a tônica desequilibrada das declarações do professor Jean Ziegler". Segundo a nota, as declarações dele "põem em risco a objetividade de sua missão".
Objetividade? Ou mudaram a definicão da palavra desde que saí do país ou há uma contradicão enorme nessa frase. Tudo o que o sr. Ziegler tentou ser foi objetivo. Disse que "no Brasil o direito à alimentação não é respeitado e todos os direitos dos presos são violados". Em seu relatório a ser apresentado à ONU no próximo dia 1 de julho, "Ziegler criticará os latifúndios brasileiros e o racismo que, disse, põe os negros daqui num patamar de 20% abaixo da linha de pobreza". E tem mais: "Ziegler, que classificou como um inferno as cadeias de São Paulo, disse que pretende recomendar, no relatório que será apresentado na ONU, que seja criada no Brasil uma instituição de controle da aplicação dos direitos humanos, cujos integrantes seriam escolhidos pelo Legislativo. Mas suas idéias também foram alvo de críticas de integrantes do Congresso". Segundo o relator da ONU "é indesculpável que, num país tão rico como o Brasil, 23 milhões de pessoas passem fome, segundo relatório do próprio governo". E completa: "A fome é um ato de violência, não uma fatalidade".
O mais impressionante são os ataques à análise do relator por camadas distintas do poder brasileiro. "Sobre as declarações do presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Roberto Martins, que o chamou de maluco e desonesto, Ziegler disse: ´Sou um pouco maluco, como todo mundo, mas não no trabalho. Fui indicado pela ONU para fazer esse trabalho e mantenho total independência´". Já o ministro do desenvolvimento agrário, Raul Jungmann, "chamou Ziegler de ignorante e disse que vai encaminhar uma representação contra o relator na ONU." Até o PT entrou nessa. Sobre a criacão da comissão contra a fome, nada menos do que o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, deputado pelo PT paulista, Orlando Fantazzini, disse: "Se for mais uma comissão para inspecionar e denunciar a violação dos direitos humanos, não precisa. Já temos muitas".
GENTE, ONDE ESTAMOS???
Para encerrar vou apenas reproduzir um pequeno trecho da matéria que trata do Maranhão. "Ziegler afirmou que, apesar de não ter visitado o Maranhão, como fora previamente acertado, a situação do estado com os piores indicadores sociais do país também fará parte de seu relatório. Segundo o relator, no Maranhão há trabalho escravo, miséria e violação do direito à alimentação. No relatório, Ziegler vai apresentar os números do Ipea (23 milhões de subnutridos no país), do PT (44 milhões) e do bispo de Caxias, dom Mauro Morelli (55 milhões). ´As cifras indicam uma contradição escandalosa e inadmissível, que coloca o Brasil, junto com a África do Sul, como o mais desigual dos 190 países membros das Nações Unidas´".
março 17, 2002
Passaralho
Li os posts do Serginho Maggi (espero que ele não se chateie de eu o chamar de "Serginho"), bom, li os posts dele sobre o passaralho que aconteceu no Globo On e na Globo.com depois do Carnaval. Aliás, exatamente um ano após o primeiro passaralho na Globo.com, do qual não fui vítima.
Aliás, é exatamente sobre isso que queria falar. Quando entrei na Globo.com, fiz uma entrevista com uma moca do RH, cujo nome é complicado e me faz lembrar vagamente algo como Salamandra, ou coisa que o valha. Bem, na entrevista, deixei bem claro que estaria deixando o país no ano seguinte, porque havia decidido vir morar na Suécia.
Imperturbável, ela perguntou: "Quando você deve viajar?". "Ainda näo tenho certeza", disse eu. "Estou esperando o meu visto. Portanto não devo deixar o país antes do mês de marco de 2001". A entrevista se deu no dia 17 de julho de 2000. Depois dessa achei que estava descartada como possível candidata ao emprego. Pensei: qualquer empresa séria nunca contrataria uma pessoa para virtualmente levar nas costas uma secão inteira de um site recém-nascido sabendo que essa pessoa vai pedir demissão em alguns meses.
Surpresa: fui contratada no ato.
Aqui cabe um comentário. Sei que sou boa profissional, mas tenho consciência de há gente muito melhor do que eu, de forma que fiquei realmente surpresa.
Só isso já deveria servir como exemplo da "seriedade" do negócio...





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