janeiro 04, 2005
Uma retrospectiva
Foto: Martin Leggett
Pronto, escrevi os posts sobre as aventuras do Casal M aqui na Suécia. Resolvi publicá-los em ordem cronológica, isto é, nos seus respectivos dias. São posts diários, a partir do dia 22 de dezembro até agora. Se você achar mais fácil, clique na categoria Aventuras de M&M na Suécia e confira o dia a dia da aventura. Essa foto aí de cima é apenas uma de muitas tiradas por Mr.M e mostra a vista do lago congelado localizado perto da floresta aqui na frente de casa. Tem muitas outras fotos espalhadas nos posts. Todas em links, que é pra ninguém ter problema em carregar a página. Espero que gostem! Beijocas.
janeiro 03, 2005
Alegria de pobre dura pouco mesmo
Marcinha e Martin já foram embora e deixaram muitas saudades. Como que num presente de despedida, Boden amanheceu branquinha, árvores pesadas de neve, céu branco (anunciando mais neve), paisagem de conto de fadas. Até São Pedro nos deu uma colher de chá e mandou temperaturas ameníssimas durante a última semana inteirinha, o que ajudou a mostrar essa região extrema da Suécia pro Casal M.
Conhecer a Marcinha foi um presente pra mim e pro meu urso (e quando digo "Marcinha", incluo também o Martin, óbvio). Mas acho que pra nós duas o encontro foi mais importante. Amanhã comeco a organizar as notas do meu diarinho pra publicar aqui, mas queria dizer antes de mais nada que esses foram o Natal e o Ano Novo mais legais que tive em quase quatro anos de Suécia.
Sabe aquela docura que você imagina quando lê os textos do Vida escrita a mão? Pois é, essa docura existe MESMO, é real e cabe nessa paulista incrível, bonita, criativa e sensível. Não foram poucas as vezes que descobri discretas lágrimas nos olhos puxadinhos, quando conversávamos sobre de tudo um pouco. Ou quando eu, dramática e desajeitada, me emocionava com meu presente de Natal. *pisc* *pisc* *pisc* :c)
Estou triste por eles terem ido, mas MUITO FELIZ por ter tido a felicidade de tê-los aqui em casa durante esse tempo. Quanto aos emails, cartões, mensagens no Orkut e no Multiply, ainda não os acessei - mil desculpas. É que eu e meu urso resolvemos que hoje tiraríamos férias dos computadores por mais um dia e assistiríamos a "Carandiru", do Hector Babenco (gente, que filme bom!) de tarde. Agora me deu uma saudadesinha básica de vocês, então vim aqui. Amanhã eu volto, ok? Beijocas.
janeiro 02, 2005
Décimo segundo dia
Nós quatro, cansados, não fizemos muita coisa nesse quase último dia. Como estava "quente" para essa época do ano (tack St Per!) - de manhã até choveu água no meio da neve - Marcinha pode realizar seu sonho de fazer seu primeiro boneco de neve. Ganhou nariz de cenoura e olhos de azeitonas pretas, chapeuzinho e cachecol. Só não foi batizado. Alguém tem uma idéia de nome pro menino não ficar pagão? :c)
À tarde, tomamos fika (leia o esclarecimento desse fenômeno sueco lá na Marcinha, no post do dia 26 de dezembro), chocolate quente O'Boy, (que Marcinha comprou e levou pra UK, junto com um tubo do meu querido caviar!) e bolinhos suecos de canela, sobre os quais já escrevi aqui (com fotos e tudo). Logo depois, assistimos a "You've Got M@il" e nos prepararmos pra ir jantar.
Fomos ao Panelen, restaurante aqui em Boden, especializado em carne. Comemos muito bem e voltamos pra casa, onde tomamos sorvete e assistimos ao maravilhoso "Contact". Foi ótimo.
Tsun@mi
Parece que as tsunamis no oceano Índico afetaram os servidores da Pixelzine, porque o Montanha ficou inalcancável por dias (mais uma vez). Antes que saiamos do ar novamente, quero dizer que leio sempre os comentários (quando o servidor da Pixelzine segura a onda, that is), mas ando sem tempo para escrever. Fiz um pequeno diário dessas últimas duas semanas e ainda estou decidindo se vou escrever um post grande com as atividades e fotos desses últimos dias ou se farei pequenos posts nos respectivos dias (publicados em retrospectiva).
Marcinha & Martin estão se divertindo bastante (or so I hope), o tempo tem ajudado MUITO, com temperaturas ameníssimas para essa época do ano, e nossos estômagos recebem diariamente sua dose de felicidade, providenciados pela minha querida amiga Marcinha (com contribuicões do maridón também, claro). Assim que a vida voltar ao normal, organizo minhas notas e passo o diarinho pra cá, ok? Quanto aos emails, ainda não os respondi (obrigada pelos cartões e emails carinhosos e desculpa aí pela falta de tempo :c)
A Suécia está em choque com as ondas mortíferas que atingiram vários países da Ásia. Mais de três mil suecos estão desaparecidos na Tailândia e no Sri Lanka. As autoridades estimam que a Suécia é o país com mais mortes registradas de todos os países europeus. Os jornais comparam as tsunamis com saldos de mortes em guerras e afirmam que essa é a maior tragédia que o país já enfrentou desde 1709, quando o rei sueco Carl XII perdeu a batalha de Poltava para a Rússia do tsar Peter o Grande. Ontem cerca de 20 criancas suecas chegaram de avião ao aeroporto de Arlanda em Estocolmo desacompanhadas. As tsunamis os fizeram órfãos.
janeiro 01, 2005
Décimo primeiro dia
Saímos para dar mais uma volta nas montanhas (sim, ainda existem muitas montanhas de Boden inexploradas, e meu urso faz questão de que conhecamos cada uma delas, ughpf). Mas, falando sério, foi mais um passeio lindo. E a vida se repetiu: eu levei meu tombo básico (sem fotos, thank god) no meio da neve fofa, Mr.M tirou suas fotos lindas (aqui, aqui e aqui) e voltamos pra casa são e salvos.
Marcinha, à toda, resolveu tomar conta da cozinha mais uma vez (e eu fiquei triste com isso, né? HOHOHOHO) e fez um DE-LI-CI-O-SO bacalhau no forno, com batatas e legumes assados. Olha, tava uma coisa de doido. Eu ADORO peixe, legumes e verduras, então esse jantar tava sob medida. E eu, que nunca havia sequer comprado bacalhau aqui por pura inabilidade culinária, agora já sei uma receita ultra-boa e supersimples. Viva a Marcinha!!!!! :c)
Depois do jantar assistimos a Moulin Rouge, que é sempre um prazer rever, e terminamos aquele sorvete de manga divino. Uhm, delícia.
dezembro 31, 2004
Décimo dia
Foi um dia cheio. Depois do café-da-manhã, seguimos para a área de treinamento de tiro do trabalho do meu urso que, orgulhosamente, explicava como deveríamos usar a arma que ele escolheu para a nossa aula de tiro prático 101. E lá fomos nós, pessoas pacíficas, atirar em pobres homens-alvos de papelão. A Marcinha já contou essa história lá no Vida..., portanto não vou repetir.
O legal, foi que M. M descobriu que sabe atirar espetacularmente bem (vejam as fotos lá na Marcinha). Querida Marcinha deu dois tiros, mas sua mira não é lá essas coisas (ou será que ela ficou com pena do homem de papelão?). Eu dei um tiro e acertei no ombro do homem-alvo, o que, segundo meu urso, causaria sua morte, depois de longos minutos de agonia. Cruzes. Mas eu estava feliz mesmo assim, vai entender.
Na volta, passamos pelo escritório do meu urso, quando Marcinha teve a oportunidade de experimentar um dos orgulhos profissionais de Stefan: o seu colete a prova de balas (a pistola da foto é de plástico, don't worry).
À noite, comemos um típico jantar inglês, criado pelo Casal M. No menu, rosbife, batatas e cenouras, repolho roxo (o único que não gostei), Yorkshire pudim e vinho francês. De sobremesa, Bread and Butter pudim. Estava DI-VI-NO. É ou não é um luxo ter seus convidados fazendo jantar especial pra você? Nossa, eu AMEI. Hohoho. Pra terminar a noite, assistimos a "O Brother, Where Art Thou?", nosso favorito filme-dos-irmãos-Coen.
Comemoramos a chegada de 2005 com vinho borbulhante húngaro. Tava boooommmm... :c)
dezembro 30, 2004
Nono dia
Levei Marcinha pra visitar uma loja de móveis muito legal que tem aqui em Boden - não é Ikea, mas dá pro gasto. Os móveis da MIO são bonitérrimos, todos com precos astronômicos. No caminho pra loja, errei uma saída, e me vi na estrada para Luleå. Senti que Marcinha ficou meio nervosa, mas, como esse caminho eu conheco bem, contornei na próxima entrada, em Sävast, e pronto, estávamos no caminho certo.
Aí um esquilinho vermelho, peludinho, passou na frente do nosso carro - mas numa distância boa do carro. Ele conseguiu atravessar a estrada sem problemas. Claro que nessa altura do campeonato a Marcinha já tinha reparado que eu, na verdade, não tinha "errado o caminho", mas tinha dado apenas uma voltinha a mais exatamente para que ela pudesse ver o esquilinho, lógico. :c) hohoho. Bonitinho né, queridoca? :c)
Depois de dar umas voltas, fomos alugar dois DVDs, o último Harry Potter e King Arthur (meu urso, um purista no que diz respeito ao rei Arthur, se irritou com as liberdades criativas do diretor. Eu gostei). Seguimos pro supermercado comprar umas coisinhas que faltavam (já repararam que nos amarravos num supermercado, né? :c))), visitamos a igreja de Boden (que é uma das mais feias que eu conheco) e fomos pra casa. À noite, comemos tacos e tomamos vinho sul-africano. De sobremesa, sorvete de manga. DI-VI-NO.
dezembro 29, 2004
Oitavo dia
Saímos cedo de casa para visitar três templos nesse oitavo dia. Não, calma, a galera não enlouqueceu não. Fomos primeiro à igreja de Gammelstad (20 minutos de carro de Boden), que foi construída por volta de 1400. É a coisa mais liiiiiiinda. Tivemos ainda a sorte de ter como guia Kjell (pronuncia-se chell), que nos contou, em inglês, sobre detalhes da história da igreja. Foi muito legal. Visite o site da igreja aqui. É show.
Demos uma volta de carro por Luleå, a maior cidade do extremo norte sueco. Passamos pelo centro com suas ruas lotadas (adoro!) e pela área da SSAB, uma superempresa de beneficiamento de aço (pra alegrar o coracão engenheirístico de Mr.M). O segundo templo visitado foi um supermercado (hohoho) enoooorme, com o sugestivo nome "Willy:s", que provocou risinhos no Casal M - eu, uma lady com uma mente puríssima, nunca nem tinha unido o c* com as calcas. Hohoho.
Passeamos pelo Teknikens Hus, museu de tecnologia da Universidade de Luleå, onde Mr.M se deliciou com os experimentos mecânicos, químicos, astronômicos e que tais apresentados para um público que vai dos 8 aos 80 anos. De lá, saímos direto pruma volta nas lojas (eu me dei de presente um casaco irado - como diz meu irmão - e Mr.M comprou meias).
No final, visitamos o terceiro templo do dia: o System Bolaget, ou o templo do álcool na Suécia. Já escrevi sobre o Systemet, como são carinhosamente chamadas as lojas de birita suecas, aqui. Compramos vinhos sul-africanos e franceses, cervejas e vinhos borbulhantes (champanhe aqui é proibitivamente cara).
Já em casa, meu urso colocou o putzgrilla pra funcionar e fizemos hamburguers caseiros, com muito molho. Tava bom pra burro. Depois, assistimos à 84 Charing Cross Road, que eu AMO, você sabem, e que Marcinha também amou :c) E pra terminar a noite de uma forma inesperadamente feliz, ainda recebemos um telefonema do nosso querido amigo Cido, esse canceriano esperto, que foi o único a descobrir que Marcinha estava vindo pra Suécia. Cido, queridoco, foi tão legal falar contigo. Obrigada! Um beijo enorme! :c)
dezembro 28, 2004
Sétimo dia
Desde que o Casal M confirmou que viria nos visitar mesmo no Natal, eu e meu urso comecamos a pensar em possibilidades de programas legais, levando em consideracão o frio, a pouca luz do sol etc. Um dos programas que pensamos desde sempre ser possível, era uma visita à Pagla, uma estacãozinha de ski e divertimentos generalizados aqui em Boden.
Nosso intuito não era arriscar nossos pescocos (nem os de nossos hóspedes) em descidas arrojadas das montanhas daqui - até porque aqui em casa ninguém esquia bem. Além do mais, as "montanhas" de Boden não chegam a ser montanhas, mas pequenos montinhos... mas isso é detalhe. O que queríamos fazer mesmo era levar o Casal M para andar de pulka (já expliquei o que é pulka aqui).
O dia estava meio cinza, temperatura, um ameno zero grau. Chegamos lá mais ou menos na hora do almoco, vários equiadores treinavam no terreno preparado pela prefeitura. Saí com o Martin e Marcinha para tirar umas fotos, enquanto meu urso preparava a fogueira. Comemos nossos pedacos de salsicha sueca Falu (Falukorv, pros iniciados), torradas devidamente em galhos de árvore recolhidos no chão (calma, Greenpeace!) e tomamos chocolate quente.
Aí, chegou a hora de gastar as calorias nas subindo e descendo as montanhas. Casal M precisou de uma mãozinha do meu urso pra fazer a pulka sair do lugar, mesmo com minha querida amiga Marcinha, que é peso-pena. Depois, com a pulka já devidamente no lugar, no topo da montanha, todos os santos ajudaram. Foi hilário. Primeiro tentou Marcinha, sem muito sucesso. Aí veio Mr.M, e quase me atropelou. No final, desceram os dois juntos e, deu no que deu. HOHOHO.
Já em casa, depois de um banho quente, papo e mais papo, Marcinha fez bife a rolê com receita da Dona Wal e que ficou DI-VI-NO. Eu fiz o meu arrozinho de sempre e eles gostaram também (tenho que repetir isso porque, vocês sabem, não é sempre que uma cozinheira principiante como eu recebe elogios fervorosos de uma chef de primeira como a Marcinha, então segurem a onda e me deixem repetir, ok? hohoho). Meu urso contribuiu fazendo a sobremesa: shakes de sorvete de baunilha, leite e raspberries. Terminamos a noite assistindo a Extreme Makeover, que ninguém é de ferro. :c)
dezembro 27, 2004
Tsunamis
mpressionante as tsunamis na Ásia. As TVs daqui mostram sem parar a devastacåo causada pelo terremoto seguido pelas ondas fortíssimas às cidades de Índia, Sri Lanka, Phuket, Tailândia etc. Muitos suecos viajam exatamente para essas localidades agora, fugindo do frio, da neve e do céu cinza.
Ao mesmo tempo, aqui casa, no quentinho, onde quatro pessoas de três países diferentes dividem pouco mais de 80 metros quadrados, está tudo em paz. Aqui nåo chove, nem neva (muito). Mas faz frio. Hoje demos uma volta de veículo de neve pelas florestas de Boden e quase congelamos em 17 graus abaixo de zero - mas foi divertido.
Vejo a tragédia de milhares de pessoas na TV e fico culpada de nåo me sentir pior. Nem sei que dia da semana é hoje. Tô tåo feliz que nem tenho muito tempo pra pensar em escrever. Marcinha está fazendo feijoada (a panela ainda está borbulhando lá no fogåo, com fogo bem baixinho, e o apartamento inteiro cheira deliciosamente bem).
Ah! Obrigada pelos comentários nos posts abaixo. Recebi muitos cartões de natal eletrônicos e alguns emails que ainda nåo respondi. Agradeco a compreensåo. Ah, tåo legal. Agora eu e Marcinha estamos sentadas na minha sala, assistindo à "Ready, steady, cook" na BBC Prime. Que legal!!!!!! Beijo, desligo.
Sexto dia
Já recuperadíssima (o que uma boa noite de sono não faz com a gente, né?) acordamos prontos para uma aventura. Meu urso pegou emprestado um veículo de neve do trabalho dele e saímos para aventuras invernais pelas montanhas de Boden. Stefan se sentiu vingado depois de quase quatro anos tentando me convencer a sair com ele num desses tanques especialmente criados para andar nas montanhas cobertas de neve. Eu sempre disse que não estava a fim, que estava muito frio, que eu tinha medo, que etc etc etc. Agora, com o Casal M aqui em casa, não podia inventar mais nenhuma desculpa. E lá fomos nós.
E, devo dizer, que fui uma boba de não ter ido antes. Que vista linda! Veja você mesmo, aqui e aqui. :c))) (fotos de Martin Leggett).
Já em casa, Marcinha fez uma feijoada deliciosa, eu fiz arroz (que eles gostaram MUITO, atencão!) e terminamos a noite assistindo a "Kelly's Heroes", um filme bacana, mas meio chato... Mas antes, o Casal M descobriu que tínhamos aqui em casa o canal de TV BBC Prime, e que às 19h30 EastEnders era transmitida. Pronto, a casa parou para saber das aventuras de Paul, Andy e cia. A novela, que existe a singelos 25 anos (!!!), não é lá essas coisas, I'm afraid. A dramaticidade não chega aos pés de uma Janete Clair, a maldade não pode ser comparada com a do Gilberto Braga e o romance nem lembra um Manoel Carlos. Mas, tenho que admitir, estou curiosa pra saber o que houve com Paul. Hohohohohoho.
dezembro 26, 2004
Quinto dia
Fomos pra Piteå, pra casa da sogra, onde comemoramos o annandag, ou o "segundo dia". Comemoramos ainda o aniversário de Bob, pai do meu urso, apesar da sua ausência. Mais uma vez, comilanca (batatas gratinadas, entre outras coisas), muita gritaria, gato e cachorro. Martin ficou com dor de cabeca no final do dia.
Já eu, passei malíssimo na volta pra casa - não uso aqui a palavra que comeca com "v" e termina com "omitei" porque sou uma lady, vocês sabem, mas tava veeeerde. O vilão foi um remédio barra-pesada que tomei para dor de cabeca que só fez piorar e ainda me deixou quase sem estômago. Blérght! E, como desgraca nunca vem sozinha, o carro superaqueceu na volta pra casa. Tivemos de parar umas três vezes pela estrada pra tentar encontrar um posto de gasolina aberto.
Finalmente, já em casa, o carro devidamente equipado com um galão de glicol (antifreezing, não sei o nome em português, sorry), pude, por assim dizer, dar vazão ao chamado do meu âmago. Nossa, não me lembro da última vez que me senti tão rotten. O jantar se repetiu à minha frente, só que em ordem inversa... :c/
dezembro 25, 2004
Quarto dia
Estávamos tão cansados que nem saímos de casa. Se o fizemos foi pra dar uma volta ligeira (mas pra ser sincera nem me lembro mais). Assistimos a dois DVDs: show da Marisa Monte (linda! tananã! linda! tananã!) e a Fahrenheit 911, que ganhei de Natal do meu urso. Gostei mais do primeiro do que do segundo, ainda mais depois de saber que nem assistindo a esse documentário os americanos aprenderam como votar. :c/
À noite, Marcinha fez pirê de batatas (com os tubérculos que sobraram da orgia natalina), os rapazes fritaram os restos do presunto e eu me contentei com algumas almôndegas. Estava frio, estávamos estafados depois de um dia de Natal exaustivo. Fomos dormir cedo.
dezembro 24, 2004
Terceiro dia
Natal. Acordamos meio tarde (quase às 10 da matina) e já comecamos a preparar a casa para o dia. A família chegaria lá pelas 14h30, o que nos deixava pouco tempo para tudo o que precisava ser feito. Depois do café-da-manhã, sempre seguido de conversa e muuuuuuitas histórias do meu urso (que estava felicíssimo com a atencão do Casal M), Martin e Stefan foram buscar mesas e cadeiras, enquanto eu e Marcinha dávamos os últimos retoques na cozinha.
Logo depois chegou a família toda (éramos 11 pessoas no total, sendo três criancas, um cachorro e um gato). Não vou entrar em detalhes, mas só digo uma coisa: poderia ter aberto uma papelaria no dia 25 com todas as caixas e os papéis de presente deixados aqui em casa. :c) Josefin, de dez anos, foi um papai noel engracadíssimo. Comemos muito e bem. Os Petit Gateaux foram um completo sucesso (a receita ficou perfeita) e, no final, resolvemos dar uma volta pra ajudar o estômago a digerir a orgia alimentícia.
Saímos eu, Casal M, Veronica (irmã do meu urso) e a cachorrinha dela, Lona. A temperatura estava amena, um ou dois graus abaixo de zero (ou acima, já nem me lembro mais). Demos uma volta enooorme no quarteirão aqui e casa. Lona feliz da vida, pulando e fazendo pipi alternadamente na neve branquinha. Eu e o Casal M atrás. Quando voltamos pra casa, tivemos uma surpresa: estávamos presos do lado de fora do prédio.
Eu havia deixado a chave em casa por razões óbvias e nem me dei conta de que já era quase nove de noite, horário em que a porta da frente do prédio se tranca automaticamente todas as noites. Quando nos demos conta do acontecido, comecamos a (tentar) jogar bolas de neve na janela aqui de casa, para chamar a atencão dos quatro adultos e das três criancas, mas não conseguíamos. As neve, fresquinha, era tão leve que não conseguia alcancar a janela no terceiro andar. Eu bombardeei as janelas dos apartamentos dos vizinhos que, felizmente, não estavam em casa. No final, em meio a muitos risos, fomos "resgatados", por Josefin, Emelie e Amanda, às gargalhadas. :c)
Vocês estavam curiosas sobre o que eu ganhei de presente do Casal M e que me deixou tão emocionada, né? Olha, ganhei um monte de coisas, meu urso também. Mas o presente que mais me tocou foram dois pratos. Isso mesmo. A história é essa: há um tempo atrás perguntei à Marcinha se ela sabia onde eu poderia encontrar uma louça da marca Enoch Wood, de origem inglesa. Eu havia crescido com a coleção dos pratos azuis e brancos da minha avó Celia e queria comprar alguns. A Marcinha achou meus pratos, mas como eles são atualmente peças de colecionador (leia-se inalcançálveis para o bolso do cidadão médio), ela me presenteou com esses os lindos pratos da coleção Blue Room, da Spode. Veja uma foto, aqui. Prestem atenção ao detalhe. Não é pra chorar de emoção e alegria? :c) Obrigada queridoca, de coração!
dezembro 23, 2004
Segundo dia
A primeira atividade do dia foi dar uma volta na pequena florestinha aqui na frente de casa. Antes, porém, aproveitei pra fazer meu anjo na neve. Hohoho. O Casal M veio devidamente equipado com sua super-duper máquina digital Canon, com mil e uma utilidades, funcões e firulas. Andamos em linha reta pra dentro da floresta, eu e Marcinha um pouco pra trás, matraqueando como sempre.
Quando chegamos à água, que estava congelada, Mr.M comecou a tirar fotos. Usou tripé e tudo. O dia estava LINDO, neve branquinha até os calcanhares e céu azul. E, até por isso mesmo, frio pra burro. Marcinha escreveu lá no Vida... que estavam 11 graus abaixo de zero. Mesmo assim as fotos de Mr.M saíram e ficaram, devo dizer, um espetáculo. Vejam vocês mesmos aqui e aqui.
(todas as fotos são de autoria de Martin Leggett).
Foi nesse dia que eu caí pela primeira vez na neve, quando andávamos os quatro tranquilamente pela floresta. Mr.M registrou o momento (claro) mas teve a delicadeza de apagar a prova dos anais da viagem. (Thank you!) :c) Voltamos pra casa, faz pipi, bebe água, faz mais pipi e off we go para o supermercado, comprar o que faltava pra fazer os Petit Gateaux da Marcinha.
Supermercado meio cheio, mas como eu sei exatamente onde tudo se localiza, fizemos compras em tempo recorde, ajudados, claro, pelas muitas caixas abertas. Mr.M e meu Urso respiraram aliviados quando se viram na rua já com as compras feitas. Eu e Marcinha, por outro lado, queríamos era voltar pro supermercado e investigar todos os produtos, conversar sobre o que poderíamos fazer etc. Hohoho.
Demos uma volta pelo centro de Boden, o que não demorou mais do que 20 minutos (hohoho). Marcinha disse que gostou da cidade, que a achou "grande" e bonita. Bom, isso vindo de uma paulista, só pode significar duas coisas: ou ela estava sendo gentil ou Bournemouth é um ovinho. Hohoho. As lojas estavam todas abertas, lindas, convidativas, mas nossos bolsos, coitadinhos, pediam arrego. Fomos pra casa.
Fiz dois pudins de leite (um pro Natal e outro pro dia 26, que aqui também se comemora) e Marcinha preparou a massa de seus Petit Gateaux, que seriam assados no dia seguinte, pouco antes da hora de servir. A essa altura, estávamos os quatro exaustos. O Casal M, especialmente, achava difícil se acostumar com os dias escuros do norte sueco.
Um Natal muito especial
stou aqui em casa, feliz da vida, preparando pudim de leite para o jantar da Natal de amanhã. Mas a razão de eu estar feliz da vida não é essa. O motivo é que temos convidados muito especiais aqui em casa. A Marcinha e seu marido, Martin, vieram passar o Natal e o Revéillon aqui em casa. Estou tão feliz que nem sei o que escrever. :c) Marcinha é tão doce e bonita, Martin é alto e muito simpático. :c)
Eles chegaram ontem na hora do almoco. Depois de um vôo turbulento a partir de Estocolmo, eles conseguiram pousar no aeroporto de Luleå (30 minutos de Boden de carro). Quando estávamos conversando e esperando pela bagagem, ouvimos pelos auto-falantes que os carregadores do aeroporto não podiam descarregar as malas porque o avião havia deslizado com a ventania na pista congelada e eles estavam esperando a ventania amainar pra comecar a trabalhar.
*gulp*
Agora Marcinha e Martin, sentindo-se wild and adventurous foram dar uma volta aqui pelas vizinhancas do nosso prédio e comprar manteiga no supermercadinho aqui perto. :c))) Vamos só ver o que eles vão trazer do supermercado. Hohoho.
dezembro 22, 2004
Primeiro dia
Eu e Stefan esperamos pelo Casal M no aeroporto de Kallax, em Luleå. O mal tempo que atingiu a Suécia inteira parecia ter se localizado sobre o norte do país. Os meteorologistas da TV diziam que os ventos chegaríam à forca de tempestade.
Apesar disso, o Casal M chegou pouco depois das 12h40, cerca de 20 minutos atrasados. Nos encontramos na área das esteiras de bagagem, que no aeroporto de Kallax é aberta ao público, e comecamos a conversar à espera pela mala dos dois. Dez, 15, 20 minutos e nada. Stefan foi perguntar o que houve e logo depois ouvimos o anúncio no sistema de auto-falante do aeroporto.
As malas do vôo vindo de Estocolmo não puderam ser retiradas devido aos fortes ventos que impediram o trabalho dos carregadores. O avião, que ainda tinha passageiros a bordo, escorregou de lado na pista gelada, levado pelos ventos fortíssimos (acho que chegaram a passar os 20 m/s). Nos demos por vencidos e vamos para o andar de cima, tomar um café.
Depois de uma meia hora, já com a mala na mão, nos aventuramos no nosso pequeno carrinho pra casa, no meio de ventos fortíssimos. Tenho certeza de que o Casal M ficou meio preocupado com suas perspectivas dos próximos 13 dias. As condicões atmosféricas eram mesmo de assustar.
Já em casa, tomamos uma sopa de cogumelos com pães de queijo (não o brasileiro, mas um pão daqui, tipo bisnaga, feito no forno, muito bom). A sopa estava ok. Eu e meu urso mostramos nosso apartamento ao Casal M, conversamos um pouco, e logo em seguida, comecamos a preparar o jantar.
Comemos filés de salmão assados no forno com sal grosso, batatas e molho. Bebemos um vinho branco húngaro que estava bom. À noite, vimos "Chicken Run" e rimos muito (eu lembrei de antigas colegas de trabalho, olhando para as galinhas histéricas da fita hohoho). Estávamos todos cansados das aventuras do dia. Conversamos mais um pouco e nos recolhemos.



