janeiro 01, 2006
2006
E finalmente o ano novo chegou! Estou adorando, so far! :c) Passamos o revéillon em casa. Comemos bem, bebemos um pouco, dançamos com o auxílio luxuoso da VH1, que passou as melhores músicas de todos os tempos e seus respectivos clips em horas de transmissão quase sem intervalos. Foi um daqueles "túnel do tempo" que o Falabella costumava apresentar no Vídeo Show, lembram? Uma coisa.
Dancei tanto que fiquei com dor de cabeça. Meu urso, no entanto, arriscou apenas uns passos cuidadosos (tão desajeitados que me encheram de ternura). À noite, lá pras dez, demos uma volta na vizinhança. Estava mais ou menos sete, oito graus abaixo de zero. Uma temperatura muito agradável*. Como sempre, ninguém nas ruas, apenas alguns jovens indo para festas e os bêbados, que não sentem o frio como o resto de nós.
À meia-noite alguns fogos, vermelhos, dourados (daqueles que explodem em milhares de estrelas lindas) e azuis. Liguei pro Rio quase à meia-noite de lá, três da manhã daqui, e desejei de todo o coração que esse ano nos traga muita saúde. O resto é alegria extra. Fomos dormir no meio da madrugada, exaustos e felizes. (Apesar da notícia que os tios do Stefan foram roubados no Rio e perderam duas câmeras, telefone celular, algumas roupas e o diário de viagem que estavam fazendo. Fiquei tristíssima, mas, eu avisei e eles não ouviram).
* Quem vive aqui sabe que sete abaixo de zero é praticamente verão. Eu reclamo da neve e do frio intensíssimo (tipo 25 abaixo de zero), mas quando está assim, frio mas não em demasia (até dez abaixo de zero), eu adoro. Ainda mais, tenho um casaco milagroso, botas ótimas e luvas fofas e quentes. Na cabeça não ponho nada porque detesto chapéus/boinas/gorros.
A palavra em sueco do dia é början, o começo.
dezembro 29, 2005
A expressão em sueco do dia é Gott Nytt År!, Feliz Ano Novo!
dezembro 21, 2005
Acabou!

ra não dizer que estou sem graça por estar me repetindo cada vez mais, escolho afirmar que o que faço aqui é estabelecer novas tradições. Uma delas é o post do dia de hoje. Todo o mês de dezembro, lá pro dia 21 ou 22, publico um post com o título "Acabou", fazendo referência ao final da escuridão do inverno. Isso porque hoje é o dia mais curto do ano e, paradoxalmente, o mais feliz, pelo menos pra mim. A partir de amanhã voltamos a ganhar minutinhos de luz todos os dias, sendo que aqui na região norte ganha-se muitos minutos... Espero esse dia como uma criança que espera a chegada do papai noel, ou o dia do seu aniversário, com um leve sorriso nos lábios e a certeza de que uma surpresa muito boa está pra acontecer. Viva!
Hoje o sol nasceu às 09hs30min e se porá às 13hs41min. Amanhã, nascerá às 09hs31min e assim por diante... :c)
A palavra em sueco do dia é Vintersolståndet, solstício de inverno.
setembro 07, 2005
Oliver
Passei essa última semana meio que paralizada. Não fisicamente, mas mentalmente. Minha energia foi suficiente apenas para estudar os textos necessários para as aulas e para me preocupar com o Oliver, o cachorro do Alex, dono do Liberal Libertário Libertino. Alex e Oliver se mudaram para Nova Orleans dias antes do Katrina arrebentar a cidade. Alex foi obrigado a deixar Oliver em casa quando foi evacuado por ordens da universidade onde trabalha. Hoje li no Liberal que o Oliver foi encontrado com vida e os dois devem se ver em breve.
Não conheço o Alex nem muito menos o Oliver, mas essa história me pegou de jeito. Talvez porque tenha a ver com um cachorro indefeso e ainda por cima um poodle, raça que amo de paixão. Talvez porque evidencie certas escolhas que fiz na vida e que representaram perdas. Talvez simplesmente porque tenha empatia com a situação do rapaz e do seu cachorro. Não sei a razão. Só sei que não consegui escrever aqui e, pra falar a verdade, nem tinha vontade. Ainda mais vendo a exclusão social americana exposta, como uma ferida feia, pra quem quiser ver. Terrível.

No mais não tenho feito nada de diferente. Li um livro interessante para o curso de psiquiatria; comecei a acompanhar "Idol 2005" porque acho divertido (apesar de não gostar de nenhum outro programa de reality TV); morro de saudades do meu urso; passei a sexta e o sábado passados na casa de Anette, companheira de curso, onde tirei muitas fotos dos gatos dela; a impressão que tenho nesse momento é que minha vida parece um fusquinha 78 tentando subir uma ladeira na chuva.
A palavra em sueco do dia é kamp, luta.
julho 26, 2005
Tra-lá-lá
A segunda palavra em sueco do dia é galen [góólen], maluco.
julho 03, 2005
Montanha 3.1

O Montanha mudou de servidor. A mudança, praticamente painless, aconteceu graças à paciência, à tenacidade e à incrível capacidade nerdística da minha querida amiga Marcinha, que fez tudo sozinha. Querida, nem sei como te agradecer. OBRIGADA!!!!! Você fez por merecer o botom "Geekier than thou", conferido apenas ao supergeeks do mundo. :c)
Se você, leitor(a), está aí lendo isso aqui é porque a rebinboca da parafuseta do DNS do servidor já replicou tudo o que tinha que replicar e o meu domínio já foi redirecionado para o novo serviço. Isto é, já estamos no servidor novo. Quem, por um acaso, estiver lendo isso aqui, poderia fazer a gentileza de deixar um comentário dizendo se está vendo tudo direitinho? Obrigada!
A palavra em sueco do dia é ändringar, mudanças.
PS.: Queria agradecer a todos vocês que comentaram no post abaixo, sobre o nosso casamento. Eu e Stefan ficamos muito felizes com as mensagens e os votos de felicidades. Um abraço em todos!
julho 01, 2005
A Nova Casa da Maria
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Querida Maria,
Eis sua nova casa, neste novo momento de sua vida.
Que você preencha estas páginas em branco com muitas conquistas, alegrias e boas surpresas.
Tem algumas coisas ainda fora do lugar, mas aos poucos a gente vai arrastando os móveis, pintando as paredes e cobrindo de flores.
Beijos da Márcia.
:o)
junho 25, 2005
Viva!

E o governo brasileiro está de parabéns. Li na manhã de hoje a notícia de que o Brasil pretende quebrar a patente do remédio Kaletra, contra a AIDS, caso o laboratório Abbot não corte o preço em até 40%. A decisão é tão sensacional, que deu até aqui no meu jornal (imagem acima). Humberto Costa afirmou que um laboratório estatal brasileiro pode fazer uma cópia do Kaletra por 68 centavos de dólar por pílula, o que é muito bom comparado com o preço que o governo paga hoje ao laboratório americano: 1 dólar e 17 centavos.
Aí o ministro da saúde disse que essa é a "primeira vez que o governo brasileiro quebra a patente de um remédio", numa entrevista coletiva. Mas eu tenho cá pra mim a vaga lembrança de que o Serra, quando ainda era ministro da saúde do FHC, fez a mesma coisa, não foi? Anyway, gostei muito da notícia. Ainda mais porque ela foi tomada numa situação política complicada, quando os EUA ameaçam acabar com os privilégios de comércio brasileiros, se o governo não atuar mais fortemente contra a pirataria de CDs e DVDs.
Ao mesmo tempo, o The New York Times publicou um artigo de opinião na quinta-feira não apenas apoiando a decisão do governo Lula, como exortando Bush a fazer o mesmo. "O Brasil tem o melhor programa de combate à AIDS dos países em desenvolvimento", escreve o jornal na abertura do editorial. "O representante do comércio americano precisa vir a público garantir que não haverá ações de retaliação contra o Brasil porque o país pratica seu direito de salvar vidas".
A palavra em sueco do dia é liv, vida.



E hoje é aniversário da minha querida amiga, Marcinha! Viva!!! Parabéns, queridoca! Que todos os seus sonhos se tornem realidade! Um beijo enoooorme!
A palavra extra em sueco do dia é grattis, parabéns. :c)
abril 03, 2005
fevereiro 27, 2005
Totus Tuus
Fiquei emocionada ao ler ontem no meu jornal uma matéria sobre o papa, aqui chamado de Johannes Paulus den andre, descrevendo sua doença mais importante, o Parkinsons. Sem poder falar depois da traqueotomia, o papa pediu um bloco para escrever algumas palavras assim que tinha acordado da anestesia. Quando seus ajudantes olharam o que ele havia escrito, leram: "O que vocês fizeram comigo?", e depois, "Sou ainda completamente seu!"
A primeira frase é fácil de se entender. A segunda é dirigida à Nossa Senhora, a quem o papa é devoto desde sempre, mas mais intensamente depois do atentado nos anos 80 em que quase perdeu a vida. Sinto uma admiração enorme por pessoas como o papa, que se entregam tão completamente à fé a uma causa boa, a uma energia positiva. Queria ser assim também. Gosto de Nossa Senhora, e é pra ela que eu me viro quase sempre, mas tenho dúvidas. Gosto da idéia da fé, mas não gosto da Igreja.
Fui criada numa família católica disfuncional. Ninguém ia a igreja mas todo mundo rezava pro seu santo preferido. Minha avó materna gosta de Santo Antônio e Nossa Senhora; meu pai é devoto de Nossa Senhora de Fátima (acho que herança da minha avó paterna); meu avô gostava de São Francisco. Minha mãe teve uma época em que adorava o papa e até saiu às ruas quando ele veio ao Brasil pela primeira vez. Ela cantava: "Abenção, João de Deus... Nosso povo te abraça.. Tu vens em missão de paz... Sê bem-vindo... e abençoa esse povo que te ama!"
Eu já disse isso aqui e repito: não gosto nada das posições extremamente conservadoras do papa em relação à homossexualidade, ao aborto, ao sexo e à camisinha. Por isso, me declaro uma católica rebelde, porém que tem idade suficiente pra saber a perda que o mundo terá quando João Paulo II morrer.
setembro 01, 2004
Variadas
Hoje ninguém me derruba, nem a chuva que cai insistentemente lá fora desde ontem, nem o resfriado que insiste em tentar se estabelecer. Ainda resisto. Faço exercícios de "Yoga para nervosos" (hohoho, adoro esse título), do professor Hermógenes e vou segurando as pontas até quando der. Mas tenho uma teoria: tal qual as crianças que começam na creche e "pegam" todos os tipos de bugs, o recomeço das aulas na universidade também pode facilitar resfriados e pentelhações variadas.
Quero mandar um beijo especial pra Pururuquinha. *smack!* :c)
Hoje tem filme maravilhoso na TV: "Tea with Mussolini", com a incomparável Judi Dench e com direção de Franco Zeffirelli. Tem alguma coisa especial em filmes de/sobre ingleses na Itália. Não sei o que é. Desde "A Room with a View", do fantástico James Ivory, que vi ainda adolescente, me amarro no estilo. Adoro o cinema inglês em geral, mas meus favoritos são todos aqueles com a Emma Thompson, o Antony Hopkings e até o Kenneth Branagh, tipo "Vestígios do dia" (também James Ivory) e "Muito barulho por nada". Isso sem falar na minha "queda" por Stephen Fry (o gordo-feio mais lindo do cinema) e, claro, John Cleese e a galera do Monty Python.
maio 26, 2004
Eu sabia
Depois nego diz que não acredita em astrologia...
Cancer (June 21 - July 22) Your May horoscope by Susan MillerLife certainly has not been easy lately, dear Cancer (ja, tell me about it!). Saturn, the planet that brings hard life lessons, has finished almost half of its two-year orbit through your sign. By now you are coping with a range of new challenges and responsibilities, and undergoing a major life transition (Yesss!). The universe requires each of us to submit to a two-year tour of duty with Saturn every 29 years. Your period began in June 2003 and is set to end in July 2005.
Saturn is a little like a personal trainer. At first we don't like a thing he says. He seems pushy and annoying (Hahaha). Everything he makes you do seems to make you hurt a little. However, soon you start to look and feel completely different ... and better. You begin to see that all the hard work Saturn has done on your life was good and necessary.
For a long time, Saturn centered most of its harsh tests on those Cancers born in June, but that has recently changed. Saturn's orbit is speeding ahead and will now shift its attention to Cancers with birthdays from July 1 to 15 (!!!). If your birthday is named, you will be dealing directly with Saturn from May through September 2004.
maio 09, 2004
Três anos de Suécia
Hoje, dia 9 de maio, faço três anos de Suécia. Parei pra pensar na minha vida aqui, esses 1.100 dias em permanente descoberta, dor, experiências e muita evolução. Pensei nas coisas que conquistei, nas que abri mão e principalmente naquelas sobre as quais perdi o controle. Nas pessoas que sinto falta e nas pessoas que estou aprendendo a conhecer. Como minha vida mudou!
Não digo que tenha mudado pra melhor nem pra pior, mudou apenas. Ganhei e perdi. Em dias ruins acho que passei os últimos anos num estado permanente de privação de sentidos. Perplexa, me pergunto sem parar: "O que é você estava pensando?", "Endoidou?" e "Como foi que você fez isso com você mesma?"
Em dias melhores, arregalo os olhos e vejo com muito mais clareza tudo o que conquistei e descobri aqui: minha felicidade ao lado do meu urso, o domínio cada vez maior de um idioma interessante, as conquistas que colorem a minha existência, os livros incríveis que leio, a cultura e as pessoas que me desafiam diariamente.
E como era de se esperar, a viagem à Suécia se mostrou mais do que uma mudança de país. É, foi e continua sendo uma viagem interna. A cada coisa que descubro, como um folhetim de rádio, várias nuances de branco na neve, a aurora boreal, descubro coisas a meu respeito, meus limites e desmistifico barreiras que pensava que tinha.
Vim pra cá uma jornalista de 29 anos, já com sete anos de experiência na bagagem e a noção de que teria de dar um tempo na carreira para poder aprender o idioma. Hoje sou uma ex-jornalista e blogueira de 32 anos, que escreve por necessidade de alma e está tentando acreditar que ter uma vida profissional fora do jornalismo é possível. Estudo para ser assistente social e quero trabalhar diretamente com imigrantes e refugiados.
E nesse processo, o Montanha-Russa foi e é uma ferramenta fundamental. Pra escrever, preciso organizar meus pensamentos e, fazendo isso, entendo melhor tudo o que acontece comigo aqui. O país, as pessoas, as instituições, as idéias. Tudo passou a fazer mais sentido pra mim depois de aparecer nos quase 900 posts que escrevi aqui no Montanha.
O primeiro ano aqui, 2001, foi muito difícil. Talvez por isso mesmo não me lembre de quase nada. Mal conseguia mandar ou receber emails da minha família sem me descabelar de angústia. Minha vida se resumia a estudar sueco, amar meu urso e chorar de saudades. A única memória mais forte foi do infame 11 de setembro, e eu aqui, a um oceano de distância dos meus ex-colegas de trabalho. Nunca me senti tão fora de sintonia com minha vida no Brasil.
Em 2002 a angústia diminuiu e consegui respirar mais aliviada. Descobri as receitas deliciosas do livro de receitas da minha avó querida, percebi, logo depois, que gostava de cozinhar, vi a aurora boreal pela primeira vez na minha vida, aprendi e ensinei detalhes da gramática sueca, conheci gente de lugares tão diferentes quanto Afeganistão, Sri Lanka, Turquia e Iraque, visitei Estocolmo, discuti o crescimento do preconceito nos países nórdicos, especialmente na Dinamarca e chorei muito quando o Brasil ganhou a Copa do Mundo.
Ainda em 2002 tive que fazer curso pra tirar uma carteira européia que prova que sei lidar com computadores, mesmo depois de quase dez anos lidando (e escrevendo sobre) informática, fui ao Brasil pra matar as saudades, fiz um estágio que não levou a nada, fui a Estocolmo especialmente para ajudar a eleger Lula presidente do Brasil, tentei ser professora, escrevi uma carta pra ministra da integração sueca criticando o racismo institucionalizado daqui e até ganhei um pedaço de chão na Lua.
Em 2003 tirei minha carteira de motorista sueca, chorei quando vi uma manga do Brasil no supermercado, descobri como é duro ser burguesa aqui, notei, depois de quase dois anos, que não existem ralos nos apartamentos, aprendi a fazer bolinhos típicos, tirei muitas fotos do verão e do outono, descobri a "praia" sueca e vi como esse povo ama uma estatística.
E o ano de 2004 começou muito bem: conquistei minha vaga na universidade e agora tenho mais esperanças no futuro.
Nesse meu mundo novo a saudade ocupa um espaço grande, está sempre ali, ao meu lado. É a minha companheira. Se no Brasil, sinto falta de tudo aqui. Se na Suécia, morro de saudades de tudo e de todos lá. Não adianta tentar fugir disso. É melhor aceitar, como uma das verdades universais. Depois da noite vem o dia. Sinto saudades todos os dias. Tudo bem.
Tal qual numa Montanha-Russa de verdade, subo e desço, grito de pavor e excitação, fico de pernas pro ar morrendo de medo ou achando tudo um barato. Descobri que o lance não é vencer o medo, mas existir apesar dele, ir fazendo sem dar muita bola pra eventual escuridão da alma.
E a vida continua. Stay tunned... :c)
maio 06, 2004
Um dia de cada vez
Jag tar en dag i taget. -- Eu vivo um dia de cada vez. Devagar. Um passo pra frente. Estou cansada (em todos os níveis possíveis, não apenas no físico) e o que realmente gostaria de fazer é de deitar na cama e dormir debaixo das cobertas.
Mas hoje foi um bom dia. Limpei a casa, estudei e escrevi parte da prova. Escutei rádio. O folhetim de rádio agora é o livro "Brick Lane", de Monica Ali, escritora inglesa com raízes em Bangladesh. Terminei de ler "Ett öga rött". Fantástico. Quem puder ler, recomendo muitíssimo.
E pela primeira vez, desde setembro do ano passado, saí na rua hoje sem nenhum casaco. Sol e mais de 20 graus. Deu quase pra ficar feliz. Na universidade assistimos a um filme norueguês fantástico, chamado "Elling". Recomendo muitíssimo. Emocionante.
abril 29, 2004
Passado, presente, futuro
Sabe uma das coisas que mais detesto? Alguém que me manda um email, um amigo ou conhecido que não veja há mais de três, quatro anos, e pergunta:
-- E aí, o que tens feito?
Como, eu pergunto como, posso explicar "o que tenho feito" nos últimos três anos em apenas dois parágrafos, corpo reduzido num email ligeiro? Não dá, a menos que eu queira intensionalmente ser rude e escrever: "Me mudei e mudei".
Sim, mudei muito. E quando digo isso - quero deixar beeeeeem claro - não estou me gabando, muito pelo contrário. Acho que agora é que estou conseguindo respirar pela primeira vez, depois de três anos de luta. Ainda estou me acostumando com tudo o que aconteceu, as mudanças de expectativa, de futuro. Acho estranho voltar atrás e lembrar de quem eu era, pra poder descrever minha "evolução".
Por isso, não levem a mal se algum de vocês me mandar um email me perguntando - por pura boa educação, eu presumo - o que tenho feito ultimamente. Simplesmente não dá pra explicar rapidinho. Posso resumir assim: "Estou bem. Feliz. Apesar da saudade. Beijo. Maria".
março 24, 2004
Desculpem o transtorno!
Atenção rapaziada: o Mauro me chamou a atenção pra um detalhe que eu tinha esquecido: a preguiça alheia em mudar links repetidamente. Bom, se você acha um saco ficar mudando endereços de blogs, se não gosta de mexer muito na sua template porque tem medo de estragar tudo, se é preguiçoso(a) ou se simplesmente não está nem aí pra onde o Montanha-Russa esteja hospedado, um aviso!
Segundo a capitã Lu Misura, a tal troca do DNS já aconteceu. O que significa que em breve poderemos ver o Montanha também no endereço www.fabriani.com. Isso significa que o endereço fabriani.mundopequeno.com será desativado. Sim, eu sei, eu sei. É sacanagem com todos vocês que já mudaram. Me desculpem! Se pudesse estar aí perto de vocês daria uma balinha diet pra cada um como consolo. Sorry.
O único problema é que, pelo que me explica a Lu Misura, o tal do DNS ainda está "se propagando" pelo espaço cibernético, o que faz com que algumas pessoas, em alguns continentes, possam ver o Montanha-Russa 2.0 no endereco www.fabriani.com e outras (como eu) ainda sejam enviadas para o blog antigo, lá no Blospot. Mas tudo bem. A gente aguarda.
março 23, 2004
Tenda da tia Maria
Acordei hoje cedinho porque tenho dois trabalhos de grupo para fazer. Um às 9h30m e outro às 16hs, ambos na biblioteca da universidade. Depois de tomar café-da-manhã ouvindo rádio (problemas no Kosovo, reportagem direto da Faixa de Gaza etc) fui ler jornal. Li um artigo que confirmou o que eu já sabia: contato físico faz com que possamos viver.
Estudos feitos com crianças que vivem em orfanatos e recebem pouco ou nenhum toque humano mostram que a maioria morre. Sim, morre. O contato faz com que liberemos o hormônio Oxitocina, que entre outras qualidades, nos dá tranqüilidade, uma sensação de calma e, consequentemente de que somos amados. Além disso, quem não é tocado por ninguém tem dificuldades de absorver proteínas e, por isso, definha. Incrível, não?
O mais engraçado é que dependo mesmo do toque humano. Desde quando era bebê e mamãe fazia Shantala, uma massagem indiana para bebês, até agora, uma galaloa de mais de 30 anos. Quando converso com o pessoal da minha turma lá na faculdade vivo tocando braços, antebraços, ombros. No início eles ficavam um pouco surpresos, mas agora eles sabem que não quero dizer nada com isso (i.e. não tem nenhuma mensagem sexual sub-reptícia).
Mas nem sei porque comecei a falar disso. O que eu na verdade vim aqui pra contar é que depois de ter lido meu jornal, tomei um banho e liguei o computador. Queria saber se alguém ainda me visita e deixa comentários. (Esse tipo de contato também é muito importante, ok?) Aí, abri o outlook e notei um email standart da Susan Miller, uma astróloga de Nova York, que escreve relatórios mensais interessantes sobre planetas, influências, luas etc.
Pois bem, a Susan Miller me informou no email que era pra eu concluir todos os meus negócios o mais rápido possível porque Mercúrio está entrando em retrocesso. E todos vocês sabem o que isso quer dizer, não é? Pois é. Informação de utilidade pública: Mercúrio vai ficar de mau com a gente de 6 até 30 de abril, portanto tentem finalizar todos os projetos que ainda estejam pendentes antes dessa data. E eu só digo o seguinte: Lu, parece que essa coisa da mudança de DNS só vai mesmo sair lá pro final do mês que vem... :c(
março 22, 2004
Montanha-Russa 2.0
O Montanha-Russa está de cara nova, como vocês podem ver. É a versão 2.0 do meu blog. Além do trabalho pesado, feito pela equipe da Pixelzine, da Lu Misura, ainda tive o prazer de poder contar com a ajuda da Marcinha, que recriou sozinha, lá dentro dos códigos HTML do Movable Type, a atmosfera do Montanha.
E eu ainda a aluguei durante a tarde da terça-feira passada pra que ela me ensinasse como se mexe com as templates etc. Nossa! Marcinha, queridoca, eu já te disse isso, mas você é feeeeeeeerrrraaaaa! (além de ser um doce de pessoa). Obrigada!
Aí vocês perguntam: se você já estava com o blog pronto desde a terça-feira passada, por que só o inaugurou hoje? E por que o nome diferente? Por que você não manteve o endereço www.fabriani.com? Bem, a história é mais complicada do que parece. O problema é que pedi o redirecionamento de DNS pros caras da empresa que hospedava o www.fabriani.com para que ele pudesse ser acessável por intermédio dos servidores da Pixelzine. Isso, segundo a Lu Misura, poderia ser feito online e tudo deveria estar pronto em não mais do que dois dias.
Pois não é que dei de cara com a burocracia sueca? Depois de tentar TUDO pelos caminhos online (requisitado pela Carambole, a empresa), meu Urso mandou até fax pedindo o redirecionamento no último dia 15 de março. Nada. Hoje, já perdendo as estribeiras, liguei pros caras da Carambole (também, com esse nome não podia ser um treco sério!) e o seguinte diálogo se desenrolou:
Eu - O que que há, mermão?.
O cara - Ah, seu papel já foi encaminhado para o departamento comercial (pra verificar se está tudo pago) e ainda não voltou.
Eu, no depto. comercial - Está tudo pago, não é?
Outro cara - Sim, está tudo pago.
Eu - Então porque ainda não fizeram a mudança, cara pálida?
Outro cara - Ah, o cara que faz isso estava doente... Mas eu vou tentar acelerar o seu processo pra você, ok?
Tem que se ter muita paciência, viu? Mas isso, devo dizer, é típico sueco. A gente acha que a escandinávia é uma cópia loira dos EUA ou da Alemanha, onde tudo é feito rápido, eficientemente, mas neca. Aqui é mais parecido com o Brasil nesse ponto. Tudo muito lento. A única diferenca é que todos os caras com quem falei são extremamente bem educados.
Bom, sejam bem-vindos ao Montanha-Russa 2.0! E, por favor, atualizem o link do Montanha-Russa, ok? Agora nos chamamos http://fabriani.mundopequeno.com.
março 11, 2004
Moderníssima
Estou moderníssima, cutting edge. Desde que comecei a estudar em Umeå (já vai/vão fazer dois meses, uau) meu celular vem ganhando dia após dia status de objeto de primeira necessidade. Por uma razão, além da óbvia possibilidade de se falar ao telefone: mensagens de SMS.
Sou fã de Internet, AMO receber emails (apesar de ser muito preguiçosa para responder à maioria) e agora essa coisinha dos SMS me pegou de jeito. Uma mensagem rápida, de texto, sem a interrupção muitas vezes indesejável do celular. Perfeito! Os suecos são campeões mundiais de envio de SMS, juntamente com finlandeses, noruegueses e dinamarqueses.
Eu também aderi. Estou aqui em casa, lendo meu jornal, e escuto alguns acordes da musiquinha caribenha que escolhi pro meu celular. Uma colega de turma, Jenny, me convidou pra tomar um café na universidade hoje, às quatro da tarde, quando ela tiver terminado de estudar. Demorei meia hora pra digitar "Ok. Nos vemos às 4 horas no UB Café". Mas tudo bem. O treino leva à perfeição. Hohoho.
março 07, 2004
Oi
Viajei, meu urso estava aqui em casa e eu não pude escrever. Tenho alguns emails para responder também e prometo fazê-lo amanhã.
Então. Quinta e sexta fui para o hotel-fazenda com minha turma da faculdade. Foi um "internato" de dois dias e uma noite, no qual fizemos exercícios de desenvolvimento pessoal e pudemos interagir de forma mais informal. Foi interessante porque além do hotel-fazenda ser a coisa mais linda, deu pra se divertir.
O local, chamado Kronlund (foto), pertence à minha universidade. Muitas turmas de vários cursos vão pra lá pra formar grupos mais unidos e realizar seminários. A comida é uma delícia e o cenário parece de sonho. Kronlund fica num vale, no meio de montanhas e perto de um rio. Imaginem tudo isso coberto em neve branquinha... Lindo.
O mais legal de tudo foi no primeiro dia, quando fizemos um exercício corporal, para soltar as amarras (muito necessário em se tratando de suecos). Qual não foi minha surpresa quando a professora disse que faríamos um exercício criado por Augusto Boal, o dramaturgo brasileiro. Fiquei toda contente.
O exercício era assim: uma pessoa subia numa cadeira e dizia para as outras no chão, organizadas em pares, a tocar a outra pessoa com a parte do corpo pedida. Por exemplo, podia-se dizer: "Palmas das mãos juntas" ou "Toquem os joelhos". No meio de muitas risadas nervosas (incluindo as minhas), deu certo.
janeiro 12, 2004
Segunda-feira...
... e estou cansaaaada. Acho que sou prima do Garfield. :c/
dezembro 15, 2003
Even the sturdiest oak
Even the sturdiest oak was once a single nut holding its ground.
A imagem veio daqui. Vocês sabem que não costumo publicar essas mensagens de autoafirmação porque acho isso uma grande papagaiada ridícula. Mas essa frase, que meu urso polar me disse no fim de semana, fez sentido pra mim. Gostei demais da idéia, até porque é logicamente uma verdade. Me faz me sentir mais forte e capaz de qualquer coisa.
dezembro 12, 2003
novembro 06, 2003
outubro 29, 2003
Errata e homenagem
Acho que às vezes eu piro um pouco na batatinha e meio que escrevo aqui pra mim mesma, sem lembrar que esse site é aberto e que algumas pessoas realmente vêm ao Montanha-Russa para me ler. Seria engraçado se eu não tivesse inadvertidamente magoado uma pessoa com uma coisa que escrevi. Não quero ofender ninguém com o que escrevo aqui. Mas foi isso o que aconteceu. Se lembram daquele post em que disse que herdei um monte de coisas dos meus pais? Pois é, meu pai ficou magoado com o que eu escrevi lá. Bom, primeiro de tudo, quero pedir desculpas ao meu pai se ele se sentiu mal pelo que escrevi. Minha intenção não foi a de atacá-lo. Escrevi o que sinto e, talvez tenha escrito um pouco demais. Já retirei o post do ar.
Segundo, tenho certeza de que herdei muitas coisas boas suas, pai. Sob o perigo de parecer convencida, vou citar algumas: minha paixão pela palavra exata, meu gosto pela leitura de bons livros, minha mania de ler jornal todos os dias, minha necessidade de leitura noturna, minha capacidade de concentração, minha língua afiada, às vezes irônica, minha capacidade de argumentação, meu lado mais moderno, mais pé-no-chão, minha capacidade de ver a vida de forma relativa (essa característica não é hereditária, mas aprendida). Pai, sou muito mais parecida com você do que você (e eu) possamos imaginar. Tenho um profundo respeito por você, pelo seu trabalho e um orgulho imenso de ser sua filha. Fica triste comigo não! :c)
Aliás, estava esperando que o livro do meu pai chegasse aqui para que eu pudesse comemorar seus 40 anos de poesia no blog. Mas como o correio está atrasado (apesar de ser DHL), vai aqui minha homenagem ao meu pai, Armando Freitas Filho, um dos poetas mais importantes do Brasil, ganhador de prêmios e traduzido em vários países. Pai, você é o máximo! Leia abaixo a crônica que o Tutty Vasques escreveu na Vejinha Rio, na edição de 22 de outubro, sobre o meu pai. :c)
Se fosse um filme, Armando Freitas Filho seria flor do orquidário de Woody Allen. O poeta tem sinopse para tanto, repara só: autor célebre completa 40 anos de carreira em 2003 tentando driblar a desagradável sensação de estar fechando a tampa de sua biografia ao reunir em antologia os 13 livros que escreveu. Aflige-lhe, desde jovem, a idéia de que "não há saída viva para a vida". Filho único de família castradora, católico praticante até os 33 anos, membro abstêmio de uma geração que pegou de tudo, hipocondríaco de pedra, gago e insone, ele ouviu música popular pela primeira vez depois de casado, o que lhe abriu as portas para o sexo livre, seu único vício na vida. Trata-se de um tipo que a gente julga só existir no cinema.
Este roteiro foi escrito após duas horas e meia de conversa no escritório doméstico do poeta, na Urca. Armando estava ainda assustado com o volume - 608 páginas - da primeira prova em papel de Máquina de Escrever - Poesia Reunida e Revista, livro que lança quintafeira agora, na Timbre do Shopping da Gávea. Doía-lhe as costas e mais ainda o diagnóstico médico a respeito: ele não tinha nada. "Deve ser a TPL - Tensão Pré-Livro", resmungou. A noite pontuou com gargalhadas o relato denso, trágico e à flor da pele que Armando Freitas Filho constrói para sua vida. Personagem de Woody Allen, segundo ele, é o escambau: "O cineasta não é hipocondríaco a sério pelo simples fato de ganhar dinheiro com isso."
Fala sério: "Ser hipocondríaco é horrível". Armando pensa na morte todos os dias. Enobrece qualquer sintoma vagabundo a ponto de transformar um incômodo em doença terminal. "É incrível a atenção massacrante que você dá a seu próprio corpo", ouviu dia desses de seu clínico geral. O paciente narra suas mazelas com interpretação desconcertante. Ora indignado, ora resignado, o poeta é cândido e explosivo no exercício da palavra oral.
Fala muito. Lá pelos anos 80, o Baixo Leblon tinha imensa curiosidade de saber qual era a droga daquele cara que não consumia nada no banheiro e soltava o verbo feito louco entre as mesas do Diagonal, onde ingeria, no máximo, meio copo de Coca-Cola por noite. Armando nunca deu um tapa, um tiro, uma cafungada no lenço, coisa nenhuma que seus amigos experimentavam de monte. Arrepende-se amargamente das duas vezes em que encheu a cara na juventude. "Sempre tive medo de perder-me." O poeta precisa estar inteiramente sóbrio para ser doido do jeito que é.
Doido a ponto de levar seu macarrão na água e sal para um jantar festivo na casa de amigos. Tem horror a viagens, pânico noturno e chama de Doutor Acaso o protagonista de suas superstições. Quanto tempo ainda lhe resta de convívio com a família? Não à toa, cuidar do corpo é uma de suas obsessões: "Faço ginástica como quem reza." Que Deus o perdoe!
A família queria que ele fosse padre - médico e advogado também servia - e o garoto criado para a leitura e a música clássicas, decidiu parar os estudos antes da faculdade. Não faz concessões. Sua obra não admite facilidades, lida com o efêmero, quando não trata da morte explícita. "Escrevo com algemas, minha poesia é gaga e empedrada." O poeta, consta de sua sinopse, é gago e essa é mais uma de suas fraturas expostas. "Não consigo ler meus poemas em público sem gaguejar severamente." Em conversas informais, lança mão de um truque: "Todo gago tem que ter um coringa verbal na manga para na hora do aperto colocá-lo no meio da frase."
Acabam por aí suas fraquezas no embate com o outro. "Sempre acho que sei mais, que sou mais inteligente, e geralmente sou mesmo." A supremacia intelectual tem uma variante inesperada. Armando considera-se craque com a bola nos pés. Ainda que não seja verdade (não há notícia de testemunha do campeonato de 1956 na praia da Urca), sua narração para o gol do título arrepia amigos como eu e - ninguém é perfeito! - José Miguel Wisnik. Acompanhe: "Parei a bola no peito entre dois zagueiros adversários, girei 180 graus para a direita e, sem deixar a bola quicar, acertei na mosca o canto onde a coruja dorme." Dá vontade de gritar goooool, mas este é outro filme, nada a ver com Woody Allen. --por Tutty Vasques - Veja Rio, 22 de outubro 2003.
outubro 14, 2003
outubro 06, 2003
Tin-tin!!!
E pra começar a semana bem, aqui vai uma parte da "Serenity Prayer", dos Alcoólicos Anônimos.
God, grant me the serenity to accept
the things I cannot change,
courage to change the things I can
and wisdom to know the difference.
Não sou alcoolista, mas acho essa "oração" um primor de bom senso.
setembro 08, 2003
Presente
Pra quem precisa de palavras doces, um presente:
An Old Irish Blessing
May the road rise up to meet you.
May the wind always be at your back.
May the sun shine warm upon your face,
and rains fall soft upon your fields.
And until we meet again,
May God hold you in the palm of His hand.
Obrigada, Marcia, queridoca! Este é o site onde a Marcia achou a versão original dessa oração.
abril 17, 2003
Ela chegou!!!!

Minha carteira não é linda??? E é rosa ainda por cima!!! :cDDD
Adoramos "About Schmidt". O Jack Nicholson é um senhor ator! Ele é o filme e o filme é ele. F-E-N-O-M-E-N-A-L.
março 28, 2003
Resistência moçambicana
Recebi a carta abaixo em um email do Sérgio Murilo Castro [smurilo@yahoo.com], que lê o Montanha-Russa. É um texto do escritor moçambicano Mia Couto, no qual ele protesta contra a guerra e dá razões históricas importantes para sua manifestação. Sei que é um texto longo, mas vale a pena ser lido. É muitíssimo bem escrito e contundente. Num mundo perfeito, o Bush, mesmo ignorante, pediria para alguns de seus acessores que achassem uma pessoa que pudesse traduzir essa carta para ele. Claro que ele nunca o fará. Além de um texto muito longo e em outra língua, diz verdades para as quais ele prefere fechar os olhos. Boa leitura. (Obrigada, Sérgio!)
CARTA AO PRESIDENTE BUSH Mia Couto
Senhor Presidente:Sou um escritor de uma nação pobre, um país que já esteve na vossa lista negra. Milhões de moçambicanos desconheciam que mal vos tínhamos feito. Éramos pequenos e pobres: que ameaça poderíamos constituir? A nossa arma de destruição massiva estava, afinal, virada contra nós: era a fome e a miséria. Alguns de nós estranharam o critério que levava a que o nosso nome fosse manchado enquanto outras nações beneficiavam da vossa simpatia. Por exemplo, o nosso vizinho - a África do Sul do "apartheid" - violava de forma flagrante os direitos humanos. Durante décadas fomos vítimas da agressão desse regime. Mas o regime do "apartheid" mereceu da vossa parte uma atitude mais branda: o chamado "envolvimento positivo". O ANC esteve também na lista negra como uma "organização terrorista!". Estranho critério que levaria a que, anos mais tarde, os taliban e o próprio Bin Laden fossem chamadas de "freedom fighters" por estrategas norte-americanos.
Pois eu, pobre escritor de um pobre país, tive um sonho. Como Martin Luther King certa vez sonhou que a América era uma nação de todos os americanos. Pois sonhei que eu era não um homem mas um país. Sim, um país que não conseguia dormir. Porque vivia sobressaltado por terríveis factos. E esse temor fez com que proclamasse uma exigência. Uma exigência que tinha a ver consigo, Caro Presidente. E eu exigia que os Estados Unidos da América procedessem à eliminação do seu armamento de destruição massiva. Por razão desses terríveis perigos eu exigia mais: que inspectores das Nações Unidas fossem enviados para o vosso país. Que terríveis perigos me alertavam? Que receios o vosso país me inspiravam? Não eram produtos de sonho, infelizmente. Eram factos que alimentavam a minha desconfiança. A lista é tão grande que escolherei apenas alguns:
-- Os Estados Unidos foram a única nação do mundo que lançou bombas atômicas sobre outras nações;
-- O seu país foi a única nação a ser condenada por "uso ilegal da força" pelo Tribunal Internacional de Justiça;
-- Forças americanas treinaram e armaram fundamentalistas islâmicos mais extremistas (incluindo o terrorista Bin Laden) a pretexto de derrubarem os invasores russos no Afeganistão;
-- O regime de Saddam Hussein foi apoiado pelos EUA enquanto praticava as piores atrocidades contra os iraquianos (incluindo o gaseamento dos curdos em 1998);
-- Como tantos outros dirigentes legítimos, o africano Patrice Lumumba foi assassinado com ajuda da CIA. Depois de preso e torturado e baleado na cabeça o seu corpo foi dissolvido em ácido clorídico;
-- Como tantos outros fantoches, Mobutu Seseseko foi por vossos agentes conduzido ao poder e concedeu facilidades especiais à espionagem americana: o quartel-general da CIA no Zaire tornou-se o maior em África. A ditadura brutal deste zairense não mereceu nenhum reparo dos EUA até que ele deixou de ser conveniente, em 1992;- A invasão de Timor Leste pelos militares indonésios mereceu o apoio dos EUA. Quando as atrocidades foram conhecidas, a resposta da Administração Clinton foi "o assunto é da responsabilidade do governo indonésio e não queremos retirar-lhe essa responsabilidade";
-- O vosso país albergou criminosos como Emmanuel Constant um dos líderes mais sanguinários do Taiti cujas forças para-militares massacraram milhares de inocentes. Constant foi julgado à revelia e as novas autoridades solicitaram a sua extradição. O governo americano recusou o pedido.
-- Em Agosto de 1998, a força aérea dos EUA bombardeou no Sudão uma fábrica de medicamentos, designada Al-Shifa. Um engano? Não, tratava-se de uma retaliação dos atentados bombistas de Nairobi e Dar-es-Saalam.
-- Em Dezembro de 1987, os Estados Unidos foi o único país (junto com Israel) a votar contra uma moção de condenação ao terrorismo internacional. Mesmo assim, a moção foi aprovada pelo voto de cento e cinquenta e três países.
-- Em 1953, a CIA ajudou a preparar o golpe de Estado contra o Irã na sequência do qual milhares de comunistas do Tudeh foram massacrados. A lista de golpes preparados pela CIA é bem longa.
-- Desde a Segunda Guerra Mundial, os EUA bombardearam: a China (1945-46), a Coreia e a China (1950-53), a Guatemala (1954), a Indonésia (1958), Cuba (1959-1961), a Guatemala (1960), o Congo (1964), o Peru (1965), o Laos (1961-1973), o Vietname (1961-1973), o Camboja (1969-1970), a Guatemala (1967-1973), Granada (1983), Líbano (1983-1984), a Líbia (1986), El Salvador (1980), a Nicarágua (1980), o Irã (1987), o Panamá (1989), o Iraque (1990-2001), o Kuwait (1991), a Somália (1993), a Bósnia (1994-95), o Sudão (1998), o Afeganistão (1998), a Jugoslávia (1999)
-- Acções de terrorismo biológico e químico foram postas em prática pelos EUA: o agente laranja e os desfolhantes no Vietname, o vírus da peste contra Cuba que durante anos devastou a produção suína naquele país.
-- O Wall Street Journal publicou um relatório que anunciava que 500 000 crianças vietnamitas nasceram deformadas em consequência da guerra química das forças norte-americanas.
Acordei do pesadelo do sono para o pesadelo da realidade. A guerra que o Senhor Presidente teimou em iniciar poderá libertar-nos de um ditador. Mas ficaremos todos mais pobres. Enfrentaremos maiores dificuldades nas nossas já precárias economias e teremos menos esperança num futuro governado pela razão e pela moral. Teremos menos fé na força reguladora das Nações Unidas e das convenções do direito internacional. Estaremos, enfim, mais sós e mais desamparados.
Senhor Presidente:
O Iraque não é Saddam. São 22 milhões de mães e filhos, e de homens que trabalham e sonham como fazem os comuns norte-americanos. Preocupamo-nos com os males do regime de Saddam Hussein que são reais. Mas esquece-se os horrores da primeira guerra do Golfo em que perderam a vida mais de 150 000 homens. O que está destruindo massivamente os iraquianos não são as armas de Saddam. São as sanções que conduziram a uma situação humanitária tão grave que dois coordenadores para ajuda das Nações Unidas (Dennis Halliday e Hans Von Sponeck) pediram a demissão em protesto contra essas mesmas sanções.
Explicando a razão da sua renúncia, Halliday escreveu: "Estamos destruindo toda uma sociedade. É tão simples e terrível como isso. E isso é ilegal e imoral". Esse sistema de sanções já levou à morte meio milhão de crianças iraquianas. Mas a guerra contra o Iraque não está para começar. Já começou há muito tempo. Nas zonas de restrição aérea a Norte e Sul do Iraque acontecem continuamente bombardeamentos desde há 12 anos. Acredita-se que 500 iraquianos foram mortos desde 1999. O bombardeamento incluiu o uso massivo de urânio empobrecido (300 toneladas, ou seja 30 vezes mais do que o usado no Kosovo).
Livrar-nos-emos de Saddam. Mas continuaremos prisioneiros da lógica da guerra e da arrogância. Não quero que os meus filhos (nem os seus) vivam dominados pelo fantasma do medo. E que pensem que, para viverem tranquilos, precisam de construir uma fortaleza. E que só estarão seguros quando se tiver que gastar fortunas em armas. Como o seu país que despende 270 000 000 000 000 dólares (duzentos e setenta biliões de dólares) por ano para manter o arsenal de guerra. O senhor bem sabe o que essa soma poderia ajudar a mudar o destino miserável de milhões de seres.O bispo americano Monsenhor Robert Bowan escreveu-lhe no final do ano passado uma carta intitulada "Porque é que o mundo odeia os EUA?" O bispo da Igreja Católica da Florida é um ex--combatente na guerra do Vietname. Ele sabe o que é a guerra e escreveu: "O senhor reclama que os EUA são alvo do terrorismo porque defendemos a democracia, a liberdade e os direitos humanos. Que absurdo, Sr. Presidente! Somos alvos dos terroristas porque, na maior parte do mundo, o nosso governo defendeu a ditadura, a escravidão e a exploração humana. Somos alvos dos terroristas porque somos odiados. E somos odiados porque o nosso governo fez coisas odiosas. Em quantos países agentes do nosso governo depuseram líderes popularmente eleitos substituindo-os por ditadores militares, fantoches desejosos de vender o seu próprio povo às corporações norte-americanas multinacionais? E o bispo conclui: O povo do Canadá desfruta de democracia, de liberdade e de direitos humanos, assim como o povo da Noruega e da Suécia. Alguma vez o senhor ouviu falar de ataques a embaixadas canadianas, norueguesas ou suecas? Nós somos odiados não porque praticamos a democracia, a liberdade ou os direitos humanos. Somos odiados porque o nosso governo nega essas coisas aos povos dos países do Terceiro Mundo, cujos recursos são cobiçados pelas nossas multinacionais."
Senhor Presidente:
Sua Excelência parece não necessitar que uma instituição internacional legitime o seu direito de intervenção militar. Ao menos que possamos nos encontrar moral e verdade na sua argumentação. Eu e mais milhões de cidadãos não ficamos convencidos quando o vimos justificar a guerra. Nós preferíamos vê-lo assinar a Convenção de Kyoto para conter o efeito de estufa. Preferíamos tê-lo visto em Durban na Conferência Internacional contra o Racismo.
Não se preocupe, senhor Presidente. A nós, nações pequenas deste mundo, não nos passa pela cabeça exigir a vossa demissão por causa desse apoio que as vossas sucessivas administrações concederam apoio a não menos sucessivos ditadores. A maior ameaça que pesa sobre a América não são armamentos de outros. É o universo de mentira que se criou em redor dos vossos cidadãos. O perigo não é o regime de Saddam, nem nenhum outro regime. Mas o sentimento de superioridade que parece animar o seu governo. O seu inimigo principal não esté fora. Esté dentro dos EUA. Essa guerra só pode ser vencida pelos próprios americanos.
Eu gostaria de poder festejar o derrube de Saddam Hussein. E festejar com todos os americanos. Mas sem hipocrisia, sem argumentação e consumo de diminuídos mentais. Porque nós, caro Presidente Bush, nós, os povos dos países pequenos, temos uma arma de construção massiva: a capacidade de pensar.
janeiro 12, 2003
Um pouco de perspectiva
Eu não sei... Ninguém tá falando nada a esse respeito ou eu não estou achando os comentários na Internet. O fato é que queria comentar aqui a viagem do Lula às áreas paupérrimas do Brasil. Estou profundamente comovida com o que ele está fazendo: depois de eleito, voltar às casas, casebres, tendas pra ver e mostrar aos burocratas do seu ministério para quem eles estarão governando. Como eu sempre digo, um pouco de perspectiva não faz mal a ninguém.
Não sei se o Lula vai conseguir fazer alguma coisa que mude a vida dessa gente, na miséria há tanto tempo. Estou por fora dos ti-ti-tis desse início de governo - do possível neo-populismo que o Lula estaria adotando. O que leio nos jornais é que o homem está indo às cidades mais arrasadas, visitando pessoas, tocando na ferida. Acho isso fantástico. Tomara que dentro do ar-condicionado do Planalto, ele e seus ministros consigam divisar políticas que melhorem a vida de quem nunca teve vez.
janeiro 02, 2003
Bom começo
Meu reveillon foi ótimo. Tudo deu certo. Do ponto de vista culinário, os brownies da Nigella ficaram perfeitos - bons mesmo! Além disso, fiz um pão que ficou ótimo. O jantar foi uma massa italiana com molho de salmão, salada especial e, claro, lentilha. Estava muito frio - o termômetro marcava algo em torno dos 25 graus negativos - mas a reunião na casa da Sonia estava tão legal, que o frio era um detalhe.
À meia-noite e dois minutos estávamos todos do lado de fora da casa, que fica no meio da floresta e em frente a um lago atualmente totalmente coberto de neve, soltando foguetes. Claro que me mantive à distância, mas estava feliz de poder ver algum tipo de fogo de artifício no reveillon. Lembrete para o ano novo: deixar de ser tão hard ass about some of the Swedish traditions, including alcohol consumption.
Comemos muito, conversamos mais ainda e nos divertimos demais. Troquei idéias com Sonia e Milena, outra brasileira casada com um sueco, sobre nossas vidas aqui. Foi tão bom encontrar pessoas que pensam parecido, que têm os mesmos interesses e que sofrem de problemas semelhantes! As meninas, mais espertas do que eu, me deram dicas importantes sobre como lidar com as instituições suecas. Mais um lembrete de ano novo: be brave.
Minha vontade era abraçar todo mundo ali e dizer "OBRIGADA!!!!". Pela festa, pela casa, pela comida, pelo privilégio de encontrar pessoas fantásticas assim, pelo carinho... Mas achei que ninguém merecia uma dose de carência tão cedo no ano novo, de forma que resolvi abraçar Stefan mais uma vez. Nossa, como eu amo esse homem. Agora vou ler porque ainda tem muita champagne rolando no meu sangue. :c)
dezembro 31, 2002
FELIZ ANO NOVO!!!
Esse ano foi especial. Foi quando vivi pela primeira vez um inverno rigoroso. Neve. Muita neve. Voltei a ter dez anos de idade várias vezes.
Comecei meu blog em fevereiro, dia 28, e o Montanha-Russa se tornou um espelho da minha vida. Me enxergo melhor quando me leio.
Ajudei a eleger Lula presidente do Brasil.
Mandei dezenas de currículos para dezenas de empregos diferentes. Recebi muitos elogios mas nenhuma oferta. Escrevi uma carta aberta, em sueco, para a ministra. Não obtive resposta mas somente meu exercício bem-sucedido do idioma e a repercussão me mostram que há terreno para uma luta.
Aprendi a viver com o mínimo de dinheiro. Descobri que é totalmente possível.
Tive sentimentos inéditos, profundos e fortes. Ganhei até um pedaço de chão na Lua!
Conheci dezenas de pessoas, brasileiros e estrangeiros, que têm blogs. Gente muito especial. Alguns posso até chamar de amigos, o que acho um luxo. Sou grata, mais uma vez, à Internet, por ter mudado minha vida pra melhor.
Foi um ano no qual "nasci" para a Suécia. Jornais, revistas, TV e rádio começaram a fazer sentido para mim. A língua não é mais cantada, como uma música cuja letra apenas adivinhamos algumas palavras. Agora as sílabas se encaixam em palavras, as palavras em frases, as frases em argumentos, perguntas e respostas. Me alfabetizei.
Sofri muito também. Briguei, fiquei com raiva, ciúmes, inveja. Mas tudo passou. O que não passou foi a saudade. Mas ela é mesmo minha companheira.
Oi Ano Novo, seja bem-vindo. Abra os braços porque essa criatura aqui está pronta para mergulhar de cabeça.
dezembro 22, 2002
Acabou
Apesar de ainda ter pela frente dois meses de frio intenso, a escuridão para mim acaba hoje. Explico: é que hoje é o solstício de inverno - o dia mais curto do ano. A partir de amanhã ganhamos preciosos minutinhos de sol e luz todos os dias. Os suecos não comemoram nada - talvez até pela proximidade do Natal - como fazem quando chega a hora do equinócio, o tal do midsommar, dia 22 ou 23 de junho.
Para mim, no entanto, o dia 22 de dezembro marca um renascimento, da luz, da vida, do calor. Acho inclusive o midsommar meio triste porque a partir dali perde-se luz todos os dias. O ciclo se completa hoje. É o fim. E o começo.
O sol nasceu hoje às 9h51m em Luleå (cidade mais importante do norte e que fica pertinho aqui de Boden) e se pôs às 13h11m. Amanhã, o sol se porá às 13h12m. De pouquinho em pouquinho, a gente chega lá. Não deixa de ser uma lição interessante da natureza, pensando bem.
dezembro 11, 2002
Primeiro dia de aula
Acabei de voltar do meu primeiro dia como professora substituta em uma escola sueca. A moça da prefeitura me ligou hoje cedo, dessa vez com uma voz de gente normal, e me deu as coordenadas. Era pra substituir a professora de uma turma da quarta-série (crianças de cerca de 10, 11 anos) durante o dia inteiro. Nem precisa dizer que meu coração estava aos pulos quando entrei na sala e vi aquelas 16 carinhas curiosas olhando pra mim.
Quando cheguei lá eles estavam assistindo a um filme no vídeo. Depois do pequeno recreio, recebi as meninas para uma aula na qual cortamos estrelas de papel, colorimos e colamos. Foi divertido porque é uma coisa que eu sempre gostei de fazer e as crianças ficaram felizes quando conseguiram fazer as estrelonas. Quarenta minutos depois foi a vez dos meninos, que estavam na ginástica, cortarem e colarem. Almoço e logo depois uma hora de aula de matemática.
Eu tenho horror a matemática na minha língua, quanto mais em sueco, mas não podia fugir. Fiquei com vontade, mas achei que não ficaria bem. As crianças tinham que trabalhar em grupo quatro perguntas sobre multiplicação, lógica etc. Quase morri de desespero, mas consegui resolver os problemas no meu horário de almoço.
Depois apresentei imagens sobre o Brasil, o Rio de Janeiro e meninas e meninos fizeram muitas perguntas bacanas. Em seguida seis deles apresentaram seus trabalhos sobre a Idade Média na Suécia e eu aprendi mais do que eles. :c)
Minha primeira impressão foi muito boa. As criaturinhas foram gentis comigo e seguiram todas as minhas ordens, mesmo que às vezes não o quisessem. Disseram que eu falava bem sueco para o pouco tempo em que estava aqui e eu fiquei feliz. Criança não costuma mentir assim, na frente dos outros só pra agradar professor.
Preferi dar aula para os meninos do que para as meninas, que se mostraram muito mais voluntariosas. Os meninos fazem mais zona, mas foram os que perguntaram mais e melhor. No final, já mais relaxada, pude falar bastante sobre o Brasil e todos me perguntaram se eu voltaria amanhã. Fiquei feliz.
Conversei com a professora deles, Eva, que está doente, e ela disse que provavelmente não estará apta para dar aula amanhã e me perguntou se eu poderia substituí-la. Eu disse que sim. Ele ficou de me deixar um esquema com tudo o que eles devem fazer, mas eu já sei que tem dever de sueco - preposições e pronomes - além de dever de inglês também. No inglês eu me garanto, mas no sueco acho que vou mudar de cadeira e pedir pra um deles me explicar algumas coisinhas... :c)
dezembro 07, 2002
Ain't No Mountain High Enough
by Marvin Gaye
Listen, baby
Ain't no mountain high
Ain't no vally low
Ain't no river wide enough, baby
If you need me, call me
No matter where you are
No matter how far
Just call my name
I'll be there in a hurry
You don't have to worry
'Cause baby,
There ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough
To keep me from getting to you
Remember the day
I set you free
I told you
You could always count on me
From that day on I made a vow
I'll be there when you want me
Some way, some how
'Cause baby,
There ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough
No wind, no rain
My love is alive
Way down in my heart
Although we are miles apart
If you ever need a helping hand
I'll be there on the double
As fast as I can
Don't you know that
There ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough
To keep me from getting to you
Don't you know that
There ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough
dezembro 06, 2002
O artigo
Algumas pessoas ficaram curiosas sobre o artigo que escrevi sobre a política de imigração e integração sueca. Como tinha que traduzi-lo de qualquer forma para enviar para meus pais, aqui vai sua versão em português. Quero dizer apenas que trata-se de uma versão em português porque, como disse antes, o escrevi direto em sueco. Há certas expressões, frases e até mesmo palavras que não têm tradução em português. Além do mais, assim como inglês, o sueco é uma língua concisa, o que nem sempre é o caso do português. Bom, feitas todas as ressalvas, ao que interessa:
CARTA ABERTA PARA MONA SAHLIN SOBRE A POLÍTICA DE IMIGRAÇÃO DA SUÉCIA
por Maria Fabriani
Concordo com você, ministra da integração Mona Sahlin, quando diz que o problema da política de imigração sueca é uma descriminação estrutural. Por outro lado, considero que com a política atual de mercado de trabalho é quase impossível que imigrantes sejam empregados até mesmo por empresários que assim o escolham. Eu venho do Brasil e devido ao meu trabalho como jornalista conheço as realidades de muitos países. Nunca, no entanto, vi uma sociedade tão fechada como a sueca.
Não existe uma "Suécia Multicultural". Tentarei esclarecer o que é multicultural: cerca de 89% dos brasileiros são católicos e, ao mesmo tempo, a Igreja Católica demonstra respeito e aceitação por Umbanda e Candomblé, duas religiões que vieram da África no começo do século XVII, quando os escravos vieram para o Brasil para trabalhar.
Ser multicultural não é apenas ter imigrantes no país. É ter pessoas que falam diferente e que têm experiências diversas. Ser multicultural quer dizer, além disso, absorver aspectos da cultura dos outros e, mais do que tudo, não tentar enquandrar os imigrantes em uma fôrma sueca.
Um país multicultural não nasce por decreto. O processo é demorado e deve ser natural. Talvez os imigrantes não precisem ser suecos; funciona bem ser diferente. O ponto mais importante é entender que os imigrantes podem ser tão interessantes para o mercado de trabalho quanto os suecos.
A Suécia perde mão de obra competente que não agüenta vir para esse país e não ter uma única esperança de melhoria de sua situação de trabalho. Eu sei que é uma palavra feia em sueco, mas o que vocês estão criando hoje, Mona Sahlin, é uma sociedade de classes. (Em sueco é uma palavra só: klassamhälle)
Quando vim morar na Suécia há um ano e seis meses atrás, não sabia falar sueco mas estava convencida de que quanto mais rápido eu conseguisse aprender a língua mais fácil seria conseguir um emprego. Claro que previ muitos problemas; sabia que seria difícil convencer os empregadores suecos das minhas qualidades profissionais. Mas tudo bem, pensei, porque tenho educação formal, experiência, sou educada, honesta, persistente e, além disso, sei várias línguas estrangeiras. Mas eu estava completamente errada.
Hoje, depois de ter estudado sueco por um ano e dois meses, pensei que poderia tentar encontrar um trabalho para ajudar na economia doméstica. Eu sabia que meu sueco não era suficiente para um trabalho em jornalismo, então mandei meu currículo para vários outros locais, de vendedora de butique até tradutora. Nenhuma resposta. Como eu posso mostrar pra você, Mona Sahlin, que eu posso trabalhar tão bem como qualquer sueco? Vocês querem que a Suécia seja aberta à imigração, então precisam entender o que isso significa.
Agora é que estou começando a entender como é difícil a sequer conseguir uma entrevista preliminar. Eu pensei em talvez voltar à universidade e estudar para ter um diploma sueco. Apesar do meu diploma e meus quatro anos de estudos já terem sido reconhecidos e meus sete anos de experiência terem sido validados pelo sindicato dos jornalistas suecos que me aceitou como membro associado. Então, pensei, eu poderia procurar um trabalho que realmente me interessasse. Mas agora eu duvido disso.
Por que eu deveria passar mais alguns anos numa universidade quando estou quase convencida de que terei problemas para encontrar um emprego depois simplesmente porque vim de outro país? Por que investiria o meu tempo e o meu dinheiro - meu dinheiro, não o do estado, meu dinheiro que está em uma conta de um banco sueco - em uma educação que eu sei que não adiantaria nada?
Eu sinto como se eu estivesse batendo contra um muro. Eu bato, grito e tento dar a volta mas não consigo. Minha sensação é que eu preciso ser um dos tijolos para ser aceita, ou todo o meu conhecimento é jogado fora. A pergunta é: será que algum dia conseguirei ser um desses tijolos?
O que eu gostaria de dizer é que o governo PRECISA entender que uma mudança da política do mercado de trabalho é absolutamente necessária. Menos demandas para os empresários e novas leis para facilitar a situação dos imigrantes sem colocar o emprego dos suecos em perigo.
Por outro lado, os suecos DEVEM entender que existe sim racismo na Suécia. Existem aqueles que gritam e que mostram abertamente que nos odeiam e existe um outro tipo de discriminação: aqueles que consideram os imigrantes como pobre coitados que têm tudo de bom aqui na Suécia e não precisam mais do que um teto sobre suas cabeças.
Eu digo apenas: eu tinha tudo de bom no Brasil. Vim para a Suécia de livre e espontânea vontade porque o meu namorado é sueco e quero trabalhar aqui. Eu quero ter uma carreira aqui, exatamente como no Brasil. Quero ser elogiada e ser considerada uma trabalhadora muito boa. Exatamente como antes. Por que eu deveria aceitar menos do que isso?
Conheço imigrantes que são exatamente como eu. Existem muitos outros, no entanto, que não querem trabalhar. Mas existem também muitos suecos que preferem trabalhar como substitutos no verão e viver do seguro social o resto do ano.
Eu amo a Suécia e gostaria de continuar a morar aqui mas eu preciso me expressar e realizar algum trabalho produtivo. Tenho um profundo respeito pela Suécia, um país democrático e que realmente cuida bem de seus cidadãos. Mona Sahlin, você talvez esteja se perguntando o que eu quero depois de ter escrito tudo isso aqui. E eu respondo: quero ter uma chance para mostrar do que eu sou capaz.
dezembro 02, 2002
Papel de embrulhar peixe
Escrevi um artigo sobre essa coisa de racismo e a dificuldade de se conseguir emprego - ou sequer uma entrevista preliminar - e pelo menos um jornal o publicou. Foi o Kuriren, e o meu artigo está aqui, na página de Opinião (não a de cartas dos leitores, mas na página de opinião do jornal, o que é bem diferente).
Legal.
O problema é que nada muda por causa disso. Muito provavelmente, a ministra da integração, para quem escrevi a carta aberta, nem sequer leu o artigo (o Kuriren é um jornal local). Mas foi bom ao menos poder dizer o que estava entalado aqui na minha garganta. No mínimo, no mínimo, exercitei meu sueco. O duro disso tudo, é que tem suecos que concordam comigo em gênero, número e grau, mas duvidam que tenha sido eu quem escreveu o artigo no idioma deles.
outubro 21, 2002
De volta à Academia
Acabei de voltar da Universidade de Luleå, que fica a 30 minutos de carro daqui de Boden (como do Leblon à Barra em dias privilegiados). Fui lá conversar com um studievägledare, uma espécie de consultor que indica caminhos aos estudantes que estão em dúvida sobre que curso fazer. No meu caso é ainda mais aguda a necessidade de orientacão porque sequer sei como o sistema de ensino funciona. Levei meus diplomas, já reconhecidos pelo organismo de educacão superior daqui, e o cara ficou meio de queixo caído.
Não que eu tenha uma educacão fora dos padrões, mas quatro anos de universidade (UFRJ), sete de experiência profissional e mais vários cursos de idima são mais do que o suequinho poderia esperar de uma imigrante. Para cursar qualquer coisa aqui você tem que ter um curso de inglês básico. Mostrei meu diploma do curso que fiz em Nova York e o cara quase caiu pra trás. Gosto de mostrar essas coisas porque me fazem lembrar o quanto eu me esforcei para ser o que sou hoje - e mostro aos suecos o que é que a baiana tem, sabcumé?
Anyway, fui lá munida também de algumas informacões que pesquei no site da universidade e muitas perguntas, claro. O cara me explicou como são os cursos e eu perguntei como é que se consegue uma vaga. Há cerca de três tipos de classificacão de estudantes: os que saem direto do colégio, quem faz uma högskola - um nível intermediário entre o colégio e a universidade - e quem tem diplomas de fora da Suécia, como é o meu caso.
Para conseguir minha vaga dependo que poucos adolescentes queiram ir direto para a universidade e, aqueles que por ventura queiram estudar mais, tenham notas ruins. Além disso, caso tenha sucesso, preciso ainda pedir ajuda de custo para pagar o curso. Em fim, fui lá, falei muito, mas não tenho a menor idéia se vou conseguir alguma coisa. Nem sei que curso farei, pra falar a verdade. É nessas horas que eu queria ser bem pequenininha e aceitar as decisões que alguém tomasse por mim. Sei que é infantil, mas, ah, às vezes é tão difícil ser adulto o tempo todo!!! :c/
outubro 09, 2002
Assassinaram a gramática
Estou fazendo o dever para a aula de sueco de hoje e queria escrever sobre uma mulher com vastos cabelos castanhos. Tasquei lá no papel: "Mörk hårig kvinna". Mörk quer dizer "escuro(a)"; hårig significa "cabeludo(a)"; e kvinna, "mulher".
Só que está errado. A razão? Se você não juntar as palavras mörk e hårig, o sentido fica totalmente alterado.
Então: Mörk hårig kvinna = Mulher escura e cabeluda; e Mörkhårig kvinna = Mulher de cabelos escuros.
O adjetivo mörk, no segundo caso, se junta e altera hårig. No primeiro caso, ambos adjetivos dizem respeito ao sujeito, kvinna.
Ô linguinha marvada! :c)
setembro 18, 2002
It's good to be home
Voltei. Ainda estou muito cansada e agora me apareceu uma dor nas costas que está me deixando maluca. O problema é que eu não sou mais nenhuma criança e minhas malas estavam bastante pesadas. As retirei em Frankfurt, minha primeira escala na Europa, e -- surprise surprise -- precisei fazer o mesmo em Estocolmo.
As pessoas estão mesmo apavoradas com o terrorismo. Acreditam que no embarque para Frankfurt, ainda no Galeão, no Rio, encrencaram com a minha pinça? Já tinha tido o cuidado de retirar minha tesourinha e minha lixa de unha da bagagem de mão, mas quem poderia imaginar que a pinça seria problema?
Stefan, que tem sempre alguma coisa engraçada para dizer quando conto um drama, comentou: "Até parece que você ia pegar a pinça no meio do Atlântico e dizer que o avião estava seqüestrado e, pinça na mão, diria que quem se revoltasse teria sua sobrancelha removida ali mesmo, na frente de todo mundo!". :c)))
Tenho muitas coisas pra contar mas preciso de tempo. Uma coisa, no entanto, vou dizer logo: a vida é ótima! Livet är underbart! Life is great!
julho 22, 2002
Novidades sobre Alzheimer
Novidades sobre Alzheimer na conferência sobre a doença, que está sendo realizada em Estocolmo esta semana. (CNN)
Colesterol alto pode facilitar aparecimento de Alzheimer. (BBC)
Estilo de vida estaria ligado ao surgimento de Alzheimer. (BBC)
Referência: tudo sobre Alzheimer. (BBC)
Alzheimer pode ser diagnosticado em jovens de 20 anos. (Aftonbladet)
Aproveite e dê uma olhada nos links-referência sobre o assunto, localizados na coluna à esquerda, depois dos sites de notícias.
maio 13, 2002
I can see clearly
I can see clearly now
I can see clearly now the rain is gone
I can see all obstacles in my way
Gone all the dark clouds that made me blind
It's gonna be a bright, (bright) bright, (bright) sun shiny day
It's gonna be a bright, (bright) bright, (bright) sun shiny day
Yes I can make it now the pain is gone
All of the bad feelings have disappeared
Here is the rainbow I have been praying for
It's gonna be a bright, (bright) bright, (bright) sun shiny day
Look all around, there's nothing but blue skies
Look straight ahead, there's nothing but blue skies
I can see clearly now the rain is gone
I can see all obstacles in my way
Here is the rainbow I have been praying for
It's gonna be a bright, (bright) bright, (bright) sun shiny day
It's gonna be a bright, (bright) bright, (bright) sun shiny day
I can see clearly now the rain is gone
I can see all obstacles in my way
Gone all the dark clouds that made me blind
It's gonna be a bright, (bright) bright, (bright) sun shiny day
It's gonna be a bright, (bright) bright, (bright) sun shiny day
Look all around, there's nothing but blue skies
Look straight ahead, there's nothing but blue skies...
fevereiro 28, 2002
First
This is just my first entry. I am still trying. And I am still trying to figure it all out.



Bom dia.
Bom dia.
