agosto 11, 2005
A cura
Já tentei vários métodos de cura ao longo dos muitos estágios da minha vida: psicanálise, hipnotismo, acupuntura, confissão, florais, medicina convencional, chocolate, sono, astrologia, heiki, espiritualismo, quiromancia, ginástica, numerologia etc. Depois de cada um, se o corpo parecia estar numa boa, a mente desandava - ou vice-versa. Mas uma coisa eu sempre entendi claramente: ao lado da cura verdadeira está o entendimento e a aceitação da dor, que vem sempre junto com a mudança, seja essa aparentemente problemática ou não.
E mudança é o que não falta. A minha vida sempre foi - sempre mesmo - como uma Montanha-Russa sensorial. Mesmo quando nada de novo acontecia, tinha sempre uma sensação diferente aparecendo aqui e ali, um questionamento, um desagrado, um desafio, uma frustração ou uma profunda alegria. Já me disseram que é porque eu tenho Urano, o planeta das surpresas, na primeira casa. Eu acredito nisso, até porque gosto de acreditar no que todo ser inteligente que se preza não acredita. Hohoho.
Sempre fui meio melancólica, desde pequena. Acho que, com o passar do tempo, tenho aprendido a lidar com a melancolia de uma forma mais bem-humorada, graças ao meu amadurecimento e à duas pessoas que me ensinaram muito sobre a importância do humor de duas formas completamente diferentes: meu irmão, Carlos, e meu urso. Mesmo assim, mesmo sem dar muito espaço à melancolia e tentando realmente ser objetiva, concordo com tudo o que diz Melanie Reinhart aí em baixo.
"...Se caminhamos precipitadamente em direção à auto-realização, lutando para manifestar nosso potencial sem reconhecer e aceitar o sofrimento que nos acompanha, podemos ser vítimas da trágica visão unilateral que encontramos na vida de pessoas que foram famosas, porém infelizes, poderosas mas profundamente frustradas, ou em nível mais comum, simplesmente iludidas com elas próprias.Escrito por Bia Badaud, domingo 7 de agosto de 2005.Enquanto o sofrimento for projetado em outros, ou, de forma mais abrangente, no mundo, a cura pessoal pode ser impossível, e os ideais de servir à humanidade podem degenerar em aflição e auto sacrifício. Ao admitir pela primeira vez o próprio sofrimento em nível consciente, a pessoa pode, através deste processo, iniciar um ciclo de cura." -- Melanie Reinhart, Quíron and the Healing Journey
A palavra sueca do dia é berg och dalbana [béri ok dalbana], montanha-russa.
maio 03, 2005
Preferidos, amados e relembrados
Uma flor de alface
"Numa das vezes que minha mãe esteve aqui me visitando, passamos muitas horas olhando e comprando saquinhos de sementes de verduras, legumes e flores. Minha mãe comprou uns saquinhos de flores californianas, que ela levou para o Brasil e plantou. Meses depois, conversando pelo telefone, ela me contou que as flores tinham crescido e estavam lindas. Ela também me contou que uma das sementes do saquinho não cresceu flor. Para a surpresa da minha mãe, no meio das flores californianas cresceu um pé de alface, que foi colhido, devidamente lavado e virou uma bela salada!"
Fer Guimaraes Rosa, January 11, 2005
Saindo à francesa
Você de repente reparou que eu não estou mais presente, que saí de fininho e ninguém nem viu, que decidi não participar, que não sou dessa tribo, que prefiro não saber, que eu quero paz e tranqüilidade, que eu fiquei perplexa e não quero mais compactuar, que sumi do mapa, você nunca mais me viu, nem ouviu falar de mim, nem ouviu de mim. É assim mesmo, vai se acostumando, pois eu sempre saio à francesa quando não me sinto mais confortável para ficar.
Fer Guimaraes Rosa, May 01, 2005

