outubro 26, 2005
O pulso ainda pulsa
Fui fazer uma prova de economia e ciências políticas, matérias combinadas. Sentei numa sala enorme junto com umas 100 pessoas e começamos a fazer a prova. Quando li as perguntas, não acreditei nos meus olhos. Não entendia nada do que estava sendo perguntado ali. E minha dificuldade não tinha nada a ver com o idioma.Foi aí que acordei, a bola da angústia ainda na minha garganta, às 7h18min da manhã de hoje, com as marteladas dos obreiros que fazem alterações no meu prédio. Se encontrar um deles nas escadas sou capaz de tascar-lhe um beijo. Na boca.Comecei imediatamente a chorar. As perguntas eram completamente sem pé nem cabeça, numa espécie de código acessível apenas aos iniciados nas artes matemáticas. Estava perdida. Uma das perguntas mais absurdas não tinha sequer texto, trazia apenas cifras que tinham algo em comum. Só faltava descobrir o quê.
Foi quando senti pela primeira vez um aperto na região do meu estômago, uma angústia difusa, que foi subindo, subindo, até chegar ao meio do meu peito e, depois, à garganta, onde se instalou. Chorei muito, me revoltei, fiquei irritada, chorei mais um pouco, pedi ajuda ao fiscal de prova. Nada parecia adiantar.
Pensei no terror de ter de fazer uma segunda prova caso não passasse. Essa é uma possibilidade que existe em todos os cursos. O problema é que essa prova é feita no meio do curso seguinte e, caso você não consiga passar, perde o direito a receber a ajuda financeira do governo. Bye bye aluguel, bye bye universidade.
Terminada a prova, entreguei o papel e me dirigi a um café que fica perto da universidade. Uma de minhas colegas, que eu sempre achei ser um amor de pessoa, estava sentada numa mesa às gargalhadas. Sentei-me com ela e comecei a dizer como a prova tinha sido difícil, o que me fez chorar ainda mais. Ela disse que a prova tinha sido facílima e me olhou com desdém.
Confusa, fui pegar meu carro no estacionamento. No parabrisa, notei três papéis amarelos, dobrados. Eram três multas por ter estacionado em local proibido. O pânico de antes voltou a se instalar, um medo absurdo de ser presa veio subindo até a garganta (apesar de racionalmente saber que apenas as multas não eram suficientes para tanto). Me sentei dentro do carro e chorei.
A palavra em sueco do dia é ångest [ôônguest], angústia.
setembro 13, 2005
She's gone

Pois é, o capítulo vovó Celia terminou. Ela morreu. Depois de muitos anos (15 ?) se perdendo nos labirintos do Alzheimer, ela finalmente pode deixar as limitações do seu corpo. Recebi a notícia com uma mistura de tristeza, saudade, fatalidade e alívio. Fiquei triste porque minha vó foi tudo pra mim durante muito tempo da minha existência. Sinto saudades de conversar com ela e me recrimino por todas as vezes que briguei com ela, por estar cansada com sua curiosidade sobre a minha vida - o que, paradoxalmente, apesar de me irritar, me causava um sentimento de extrema ternura.
A fatalidade entra no esquema porque eu e minha mãe, que cuidou de minha avó todos esses anos, já sabíamos que o fim estava próximo, apesar de ela estar aparentemente bem e saudável. Fico aliviada em saber que ela está livre, finalmente, das limitações horrendas que essa doença causou na sua vida. Tenho certeza de que a vovó, ou seu espírito, ou sua alma, ou o que quer que seja, está bem lá em cima, reencontrando família, irmãos, amigos. O que resta aqui para mim são partes dela que fazem parte de mim, um gesto, um modo de pensar, uma atitude. Sinto uma tristeza leve, cor-de-rosa (sua cor favorita), pela falta de alguém que amou enormemente e foi amada em retorno.
Valeu, vó! :c)
A palavra em sueco do dia é farväl!, até a vista!
setembro 12, 2005
Celia Regis Bittencourt Fabriani
29 de julho de 1912 - 09 de setembro de 2005
agosto 11, 2005
Privilégio
Você já se deu conta hoje de que é um afortunado por poder ouvir e entender a poesia melodiosa cantada por Elis Regina, Marisa Monte, Dorival Caymmi, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, João Gilberto etc? Na frente do computador, pensando em outra coisa, me dei conta de repente que "A Paz", do Gil, que faz parte da minha biblioteca de música online, estava tocando. Uma melodia especial essa do português. Não por ser português, mas por ser minha língua.
A palavra em sueco do dia é musik, música.
junho 17, 2005
No gramado
Ontem compreendi porque fico tão aflita quando assisto aos jogos da seleção brasileira na TV daqui. É que é muito difícil escutar aos comentários dos comentaristas esportivos estrangeiros. A maioria desses profissionais adora o Brasil, mas ao mesmo tempo, cobra muitíssimo dos jogadores. E muitas vezes com razão. Isto é, os comentaristas têm toda a razão do mundo para exigir mais dos nossos jogadores, que eles vêem jogar nos melhores times europeus. Mas às vezes essa exigência beira o absurdo. Por mais gols que façamos, parece que nunca jogamos bem!
Mas, antes de eu me inflamar completamente, vou logo avisando que tenho uma falha de caráter: sou daquelas que não consegue ver futebol de forma fria e distante. Até tento discutir numa boa, mas o sangue me ferve e perco as estribeiras. Sabendo dessa minha infeliz característica, são muitos os idiotas, digo, provocadores que me perguntam sobre a última vitória da Argentina contra o Brasil, por exemplo. Acho melhor deixar pra lá, até porque quando fico irritada todas as palavras de sueco que aprendi nesses quatro anos desaparecem como que por encanto e as únicas coisas que lembro são os palavrões e insultos pessoais às mães dos indivíduos.
Ontem, no jogo contra a Grécia pela Copa das Conferedações, os caras disseram o jogo todo que o ataque brasileiro precisava melhorar. Ok, o Ronaldinho não estava feliz ontem, mas e o resto? E o chute do Adriano? O oportunismo do Robinho? A beleza do Roque Jr.? A rapidez do Cicinho? O apoio do Zé Roberto e do Gilberto? A segurança do Dida? Acho que o que eu queria era mesmo ir pro Brasil cada vez que a seleção entrasse em campo valendo alguma coisa. Se bem que, pensando bem, ouvir o Galvão Bueno também não é uma boa pra minha saúde mental... Assim como a convocação de Emerson e Lucio, que continuo sem entender.
A verdade é que dói ver o time do seu país criticado por estrangeiros. Minha vontade é de sentar na frente do computador e mandar emails desaforados para todos, ou enviar SMS dizendo que eles todos estão equivocados e que não entendem nada de futebol. Mas não paguei esse mico por aqui. Ainda.
A palavra em sueco do dia é: passionerad, apaixonada.
junho 08, 2005
Eu sou fã


Ann Bancroft (1931-2005)
Trade mark
In most of her films, she habitually removes an earring before answering a telephone.
Personal quotes
"I was at a point where I was ready to say I am what I am because of what I am and if you like me I'm grateful, and if you don't, what am I going to do about it?"
"The best way to get most husbands to do something is to suggest that perhaps they're too old to do it."
"When Mel told his Jewish mother he was marrying an Italian girl, she said: 'Bring her over. I'll be in the kitchen - with my head in the oven'."
Fonte: IMDB
março 21, 2005
Consolo

Quando eu era criança minha avó Celia me levava sempre à praia à tarde, depois que o pior do calor tinha passado. Ela sentava num banco no calçadão e eu ia brincar na areia. Essa é uma das memórias mais felizes da minha infância. Eu fazia castelos de areia com areia molhada, cavava buracos, molhava os pés no mar, dava estrelas na areia e trabalhava como gandula pros jogos de vôlei de marmanjos e moçoilas.
Além disso, me lembro que uma das coisas que mais adorava fazer era quebrar as "pedras" de areia espalhadas pela parte mais quente da praia, geralmente longe do mar e perto do calçadão. Na verdade não eram pedras, mas pequenos e macios ajuntamentos de areia em forma de pedra. Me lembro que quando as esfarelava, podia sentir o calor da areia da parte interna do ajuntamento.
A neve também forma as mesmas "pedras" macias, com neve esfarelenta e meio molhada. Só que agora ao invés de esfarelar com a mão ou com a sola do pé, o faço com a minha botina super reforçada. O efeito é o mesmo e a sensação quase a mesma. Me serve de consolo. E eu, marmanjona de 33 anos, saio por aí, pisando e esfarelando pedrinhas de neve pelas ruas de Umeå. :c)
março 10, 2005
Sonho
Acordei à cinco da matina com dor de cabeça. Tomei um dorflex e, quando acordei horas depois, estava tontinha da silva xavier. Depois do café-da-manhã tentei estudar, mas continuava me sentindo meio funky, então resolvi dar uma volta. Fui à livraria e comprei um caderno novo (sempre gostei de inaugurar um caderno novo, canetas novas, borrachas novas...). Mas nem isso ajudou. Não consegui estudar muito. Estava me sentindo exausta e ainda tonta. Quando fui tentar dar uma dormidinha, os vizinhos resolveram mudar todos os móveis de lugar. Depois de muito twist-and-turn, dor de cabeça, mãos e pés gelados, consegui dormir por uns 20 minutos. Sonhei que eu e meu grupo (essa coisa de grupo na universidade me atazana até quando durmo) tentávamos subir uma montanha enoooorme, coberta de gelo. Enquanto escalávamos usando sapatos especiais com pequenos ganchos nas solas, máquinas raspavam o gelo e passavam de baixo pra cima jogando sal. E eu lembro do nó no meu estômago frente à parede quase intransponível, gelada e escorregadia.



A atriz Zilka Salaberry faleceu aos 87 anos. Ela fez parte da minha infância.
janeiro 03, 2005
Alegria de pobre dura pouco mesmo
Marcinha e Martin já foram embora e deixaram muitas saudades. Como que num presente de despedida, Boden amanheceu branquinha, árvores pesadas de neve, céu branco (anunciando mais neve), paisagem de conto de fadas. Até São Pedro nos deu uma colher de chá e mandou temperaturas ameníssimas durante a última semana inteirinha, o que ajudou a mostrar essa região extrema da Suécia pro Casal M.
Conhecer a Marcinha foi um presente pra mim e pro meu urso (e quando digo "Marcinha", incluo também o Martin, óbvio). Mas acho que pra nós duas o encontro foi mais importante. Amanhã comeco a organizar as notas do meu diarinho pra publicar aqui, mas queria dizer antes de mais nada que esses foram o Natal e o Ano Novo mais legais que tive em quase quatro anos de Suécia.
Sabe aquela docura que você imagina quando lê os textos do Vida escrita a mão? Pois é, essa docura existe MESMO, é real e cabe nessa paulista incrível, bonita, criativa e sensível. Não foram poucas as vezes que descobri discretas lágrimas nos olhos puxadinhos, quando conversávamos sobre de tudo um pouco. Ou quando eu, dramática e desajeitada, me emocionava com meu presente de Natal. *pisc* *pisc* *pisc* :c)
Estou triste por eles terem ido, mas MUITO FELIZ por ter tido a felicidade de tê-los aqui em casa durante esse tempo. Quanto aos emails, cartões, mensagens no Orkut e no Multiply, ainda não os acessei - mil desculpas. É que eu e meu urso resolvemos que hoje tiraríamos férias dos computadores por mais um dia e assistiríamos a "Carandiru", do Hector Babenco (gente, que filme bom!) de tarde. Agora me deu uma saudadesinha básica de vocês, então vim aqui. Amanhã eu volto, ok? Beijocas.
agosto 16, 2004
Torcendo no éter
Olimpíada vista de fora é meio frustrante. Claro, a TV local mostra os esportes onde o país tem mais chances. Aqui esses esportes são ciclismo feminino, tênis de mesa e vários tipos de tiro ao alvo. Mas à noite, depois das 22hs, se você der sorte, pode ver a dupla Shelba e Adriana Behar arrasar a África do Sul no vôlei de praia. Ou se deliciar com a arte de Daiane dos Santos (tocando Altamiro Carrilho!) e Daniele Hypolito no exercício solo da ginástica olímpica. Cheguei a ficar com água nos olhos. Hoje a TV deverá mostrar semi-finais de badminton (?!) e outras esquisitices. E eu fico aqui, torcendo no éter pro meu Brasil.



Se você mora na Suécia, entende a língua e se interessa por rádio, sintonize amanhã das 9h20 às 10h no programa "Ring P1", no qual ouvintes podem participar diretamente. Contribuí com um pequeno artigo, no qual pergunto: "quando um imigrante torna-se sueco?" ("När blir man svensk?"). A sintonia da P1 em Boden é 90,6 (estação de Älvsbyn), em Lidköping é 88,9 (estação de Skövde), em Norrköping é 90,0 e em Arvika é 90,5 (estação de Karlstad).
Update - 16h22 => Uma das produtoras do programa "Ring P1" acabou de me ligar pra dizer que minha contribuição está "ótima" (palavra dela) e que vai sim ser colocada no ar amanhã. Fiquei tããããããooo feliz!!! UHU! Dou o link aqui assim que eles colocarem o show na Internet amanhã, depois das 10h. :c)))
julho 27, 2004
De luto
Meu Deus, o Fervil morreu. Recebi a notícia do CAT, que a recebeu dos pais dele. O Fervil estava voltando do trabalho em Santo Cristo (Rio) quando uma moto emparelhou com ele, aparentemente para assaltá-lo, e o cara deu um tiro no tórax. Morte instantânea. Gente.
Pra quem não sabe, o Fervil, ou Fernando Vilella, era um jornalista de informática muito querido por toda a comunidade. Moço, regulava em idade comigo. Infelizmente nunca tive o privilégio de trabalhar com ele, mas na revista que ele criou, a Internet.br. Nos encontrávamos em acontecimentos de imprensa. Estou chocada.



20:37 hs -- Passei o dia meio perturbada, depois de ter recebido a notícia acima no início da manhã. Fiquei pensando que dor incrível a da família do Fervil, a agonia dessa violência horrorosa. Queria enviar minhas sinceras condolências a eles. Pensei muito na violência do Rio, o que me deixou ainda mais triste. Não sei nem o que dizer.



Estou quase terminando a arrumação inicial dos arquivos do Montanha. Digo inicial porque ainda tenho que dar um ajustes em posts até mais recentes que ainda estão com títulos duplos e fotos que não aparecem. Os links eu tento ver se tenho saco pra conferir mais tarde.
julho 11, 2004
Filmes e despedidas
Ontem assistimos a dois DVDs alugados: "Kill Bill" e "Love Actually". A-MA-MOS os dois. Adorei ver finalmente o quarto filme do Tarantino (tô até vendo Angelique rindo e pensando como eu estou por fora). Morri de rir quando as cabeças (assim como braços e pernas) começaram a rolar pela espada samurai da Uma Thurman. Aqueles esguixos de sangue dignos de filmes B eram um sarro. Hohoho. E agora eu preciso, preciso, pre-ci-so ver a seqüência. :c)
O "Love Actually" é uma delícia. Tão bonito. Quando os ingleses decidem fazer uma comédia romântica a coisa fica tão melhor! Adorei o roqueiro em decadência ("Kids, don't buy drugs! Be a rock star and they will give them to you for free!!!) Hohoho; a esposa traída da Emma Thompson (também, é possível não gostar de alguma coisa que a Emma Thompson faz?); e mais o português mais lindo falado pelo delicioso Colin Firth (Nossa, que homem é esse?). Muito legal.



Sexta-feira passada, dia 9, foi o enterro do pai de Stefan. Havia fila para realização da cerimônia de despedida, por isso teve-se de esperar 15 dias. (Bem-vindos à Europa socialista!) A cerimônia foi muito bonita, sóbria e delicada. A capela era pequena, de madeira e tinha na parede do altar um painel de vidro, onde podia-se ver as árvores lá fora. Emocionante.
Tudo isso mexeu comigo, com meus sentimentos de perda pessoais, com a saudade que sinto de tudo e de todos, e me fez um pouco infeliz por não estar perto da minha família. No dia-a-dia esqueço a sensação de que algo está faltando - até por ser uma estratégia de sobrevivência - mas nesses 15 dias isso foi impossível. Stefan? Ele está bem. Muito melhor do que eu, inclusive. :c)



No jornal de hoje, matéria sobre a violência no Brasil (São Paulo e Rio). Comecei a ler com uma ponta de mau humor: "Que saco", pensei, "esses caras só mostram o lado ruim! Tenho que escrever pra eles e dizer que o Brasil não é só isso". Mas aí, li a matéria do correspondente da América Latina, Nathan Sachar, e... concordei com ele. Tudo o que está ali é a mais pura verdade.
Ele não descreve apenas o tráfico de drogas, a corrupção da polícia, a negligência do governo e os horrores de uma guerra civil desfarçada que mata 50 mil pessoas por ano. O correspondente fala principalmente do medo de ser viver à beira de tanta violência 24 horas por dia. Me lembro bem dessa sensação - que ainda vive dentro de mim, até aqui onde vivo um dia-a-dia seguríssimo.
"Os pedestres que andam pela Avenida Paulista em São Paulo têm uma expressão que denota despreocupação. No entanto, não é futebol, samba ou sexo que eles têm em suas mentes. Um estudo feito pelo jornal A Folha de S. Paulo no ano passado mostrou que o que mais dominava os pensamentos das pessoas é sua própria segurança". (Tradução livre minha)
junho 27, 2004
Away

Queridos: esse post é só pra dizer que voltei. Estava em Piteå, na casa da minha sogra, sem acesso a um computador. As razões dessa ausência são duas, uma boa e outra ruim. A boa é que esse final de semana foi comemorado o Midsommar, um feriado tipicamente sueco, no qual marca-se o solstício de verão, o dia mais longo do ano. A partir de agora perdemos minutos de luz do sol dia a dia. O que não é mau, já que aqui no norte da Suécia nessa época do ano, chegamos a ter 17 horas de sol por dia. Haja cortina azul marinho.
A razão ruim é que Bob, pai de Stefan, morreu no dia 24 às 13hs. Estava publicando o post abaixo quando Stefan me ligou pra me dizer. Depois disso, joguei algumas coisas na mochila e fui pra estação de ônibus. Mesmo assim, a passagem de Bob já estava sendo esperada. Há mais de 20 anos ele estava numa clínica para pessoas doentes e/ou idosas depois de ter sofrido um acidente que o deixou com sérios problemas de saúde. Muito doente, nos últimos tempos precisou aliviar a dor com morfina. Ele se foi rodeado pela família, literalmente. Vera e três filhos de mãos dadas, ao lado dele, o tempo todo.
Bob teve uma vida cheia de mudanças, rica em acontecimentos. Enfrentou ocupação alemã em Amsterdam, foi soldado na Indonésia, imigrou para os EUA, onde conheceu minha sogra. De lá, eles voltaram pra Suécia em 1971, já com três filhos (meu urso entre eles). A família está bem, todos estão conformados. A irmã e as sobrinhas de Bob vêm da Holanda para o enterro, que deverá ocorrer na semana que vem. Veja a página In memoriam que Stefan fez em homenagem ao pai.

Queria ter escrito sobre a derrota sueca para a Holanda, mas agora isso já é old news. Só digo que de fato os holandeses jogaram melhor e mereceram ganhar. Agora só me resta torcer pra... quem? Talvez a República Tcheca. Que timaço! :c) Os dias aqui têm sido simplesmente fantásticos. Depois de um midsommar encoberto (o que é normal), o sol não pára de brilhar há dias. Céu azul, sol, "calor" de 25 graus, brisa fresca. Delícia.
junho 15, 2004
Sonho CSI, dicas e futebol
Hoje sonhei que estava no cinema com o Grissom (protagonista do CSI Las Vegas, uma das minhas séries de TV favoritas). Estávamos, claro, investigando algo ilegal e fomos a um computador onde podia-se comprar entradas para outros filmes. Grissom se movimentava agilmente pelas telas do computador e eu estava de olho, pra ver se vinha alguém.
Claro que veio. Os seguranças nos cercaram e nós saimos correndo da sala e nos vimos numa sacada, de frente para a parte interior do shopping onde o cinema ficava. Abaixo de nós, uma "garganta" de escadas, níveis de lojas, muito concreto e vidro. Grissom, cabelos grisalhos encaracolados, diz: "Temos que pular". Eu, apavorada, concordo. Ele pula. Eu o vejo aterrissar com a bunda numa escada, vejo sua cara de dor. Ao seu lado vejo a mulher que pulou com ele. Cabelos negros, compridos. Saia. Ela deveria ser eu.
Mas eu não pulei, que não sou boba nem nada. Continuei lá de cima, olhando o pobre do Grissom e tal da mulher estatelados lá em baixo.



Essa é para todos vocês que me mandaram emails me perguntando se existia uma edição em inglês do livro da Elsie Franzén: a Anlene comentou lá em baixo e deu dicas quentíssimas. Veja só:
"A Julia Kristeva, em 1987, lançou um livro que se converteu em um clássico sobre este tema [imigração]: "Étrangers à nous-mêmes". Tzvetan Todorov também publicou em 1996 "L'homme dépaysé", livro super interessante que analisa seu processo pessoal de adaptação ao país que elegeu para viver (a França)."
Aí agora você está dizendo: "Mas eu não leio francês!" AHA! Então veja aqui o livro da Julia Kristeva em inglês, "Strangers to Ourselves"! E aqui o livro do Todorov em espanhol, "El Hombre Desplazado".




Estamos no começo da Copa Européia (UEFA), em Portugal, uma espécie de Copa do Mundo sem o Brasil e a Argentina. Os jogos têm sido meio chatos, a não ser pela vitória impressionante da França contra a Inglaterra, com o Beckham perdendo pênalti e o Zidane fazendo dois gols decisivos em 1 minuto. Ontem a Suécia deu uma lição na Búlgária: 5 a 0, sendo dois gols do maravilhoso Henke Larsson (foto acima). E, sim, você viu certo: ele é mulato. Suequíssimo e lindo. Adivinhou, né? Ninguém tem problemas em vê-lo como sueco, apesar de sua "aparência".
Como não preciso dividir meu coração entre Brasil e Suécia, eu torço livremente pelos loirinhos do azul e amarelo (blå gult, como eles se chamam aqui). Grito "Gooooooooooooooooolllllllllllllll" e Stefan, que não gosta de esportes, ri às gargalhadas da minha emoção. Ele fica nervoso com minha demonstração de energia, sai correndo, rindo, pra me abraçar... Pra me calar? Diz que vai comprar uma bandeira sueca pra eu sair pulando pelo gramado aqui em frente de casa. :c)
É engraçado, mas parece que invertemos os papéis... Isso ficou evidente ontem, na hora do jantar. Eu, deitada no sofá assistindo ao final do jogo Dinamarca versus Itália (zero a zero) enquanto Stefan fazia o jantar e cantava na cozinha. O menu: macarrãozinho cabelinho-de-anjo com molho a bolognesa. Uma delícia! No final, ele ainda lavou a louça! E eu ainda esticada no sofá... hohoho.
abril 26, 2004
abril 25, 2004
Saudades
Foto: Marizilda Cruppe, o Globo.
Hoje é domingo, pé de cachimbo,
o cachimbo é de ouro, bate no touro,
o touro é valente, bate na gente,
a gente é fraco, cai no buraco,
o buraco é fundo, acaba o mundo.
Respondendo à Ines, que perguntou quando irei ao Brasil. Não sei, Ines. Não sei mesmo. Mas sei que vai ser o maior barato quando eu for. Além da saudade que sinto da minha família e amigos, uma das coisas que mais sinto falta é de dar uma caminhada assim, perto da água da praia. Delícia.
(PS.: Não precisam me lembrar que corro o risco de ser assaltada ou de pegar uma micose na areia. Sei disso tudo. Mas a saudade é tanta que estou preparada para relevar esses "detalhes". Hohoho.)
abril 24, 2004
Neve em abril
Acredite se quiser, mas está chovendo/nevando hoje. No final de abril. Quando reclamo, tanto meu urso quando minha sogra, a ursa maior, riem e dizem que é sempre assim em abril. Um pouco de neve no chão e tempo chuvoso - pra ajudar a derreter de vez a neve. Típico de primavera.
Mas, sei lá o que acontece comigo (alguns chamam de velhice), mas não consigo me lembrar do mês de abril do ano passado (nem do de novembro, outubro ou julho, for that matter). Parece que sou uma criança: sempre me surpreendendo com o tempo, suas mudanças e esquisitices. Mesmo depois de quase três anos nessa terra.
Fico aqui, girando numa redoma gelada, com uma memória mais ligeira do que a de um peixe de aquário. Não sei porque, acho que ainda estou fixada na imobilidade do tempo no Rio, onde têm-se duas estações por ano: alto verão e veranico. Tudo está sempre verde e a quentura é permanente. Tão diferente.
março 25, 2004
Ah, esses hormônios...
Hoje sonhei que estava comprando roupas na loja de Ipanema da Dimpus (em frente à Chaika). Me acompanhando, um muchacho muito belo, sueco, que até bem pouco tempo fazia parte de um dos reality shows que assisto religiosamente. (Sorry, Urso! Foi mal aê!) As vendedoras eram lindas, loiras e magras. (Claro, o que esperar da Dimpus?)
Como eu estava demorando pra me decidir se comprava as roupas ou não, as vendedoras nos informaram que poderíamos guardá-las na loja e nos apontaram pruma porta. Lá dentro, quatro pessoas enoooormes de gordas dormiam em camas de prisão acorrentadas às paredes, cobertas de musgo e sujeira. Parecia um dungeon da idade média. Que coisa.
Ontem, andando na rua, escorreguei e caí, pela milésima vez, por causa do gelo que se forma no chão. Quando me levantei, com a ajuda de uma senhora que parou pra perguntar se estava tudo bem (eles estão acostumados com gente que, como eu, vive caindo pelas ruas por causa do gelo) e eu disse que sim. Aí, me veio à cabeça que deveria ter dito: "Esse aqui não é exatamente o meu ambiente", fazendo referência ao gelo no chão, frio etc.
Mas quando pensei nisso, não me vi dizendo isso, mas vi/imaginei minha mãe. A vi na minha frente rindo comentando mais uma derrapada no gelo. Aí, meus caros, comecei a chorar que nem um bebê pelas ruas de Umeå, lembrando da voz da minha mãe, da risada, do cheiro, da presença dela. Só digo uma coisa: o que esses hormônios da TPM não fazem com o nosso cêrebro? Gente...
março 22, 2004
Sonho e realidade
Tenho sonhado muito. Ou melhor, tenho lembrado muito dos meus sonhos. Na noite de ontem pra hoje sonhei com meu Urso. Ele me olhava intensamente antes de me beijar e eu podia ver suas pupilas dilatadas e os olhos azuis. E, por isso, ficava feliz. Isso porque Stefan não toma drogas, nós não estávamos no escuro (e ele não tem olhos azuis). Então as pupilas estavam dilatadas por minha causa, por ele estar olhando para quem ama. Hohoho.
Outro dia sonhei um sonho menos feliz. Estava com minha mãe e minha avó numa espécie de bunker, onde minha avó estava deitada por estar muitíssimo doente (o que é verdade). Sabia que teria que dizer adeus à vovó e por isso chorava ao lado da minha mãe, sempre presente. Acordei com um nó na garganta. Havia chorado muito no sonho e continuei na realidade. E aí lembrei o que tinha acabado de ler na noite anterior.
Como vocês já sabem a Suécia tem um sistema de wellfaire fantástico, onde os impostos escandalosos descontados de todos os cidadãos realmente retornam em benefícios gerais, como escolas espetaculares, tratamento médico garantido e, quando o indivíduo ficar bem velhinho, o chamado äldreomsorg [éldreomsori], que fornece pessoal especialmente treinado, uma rede de clínicas ou apartamentos especialmente criados para os mais velhos.
Se você é cidadão sueco (mesmo tendo morado o primeiro terço da sua vida no Brasil, como eu) quando ficar velho você tem seu lugar garantido em uma dessas clínicas. É claro que às vezes existem problemas, muita gente velha para poucos apartamentos especiais ou vagas no sistema público de saúde. Mas, mesmo assim, em geral o sistema funciona bem.
Pois bem, o sistema realmente precisa mesmo funcionar bem porque segundo a lei sueca "filhos adultos não têm qualquer obrigação de cuidar nem sustentar seus pais no final da vida". Li isso no livro mostrado aí à esquerda, "Etik och Socialtjänst" ("Ética e Serviço Social"), de Ulla Pettersson. Alguém sabe se no Brasil os filhos são obrigados a tomar conta de seus pais? Ou se sequer existe uma legislação a respeito?
Confesso que fiquei meio chocada. Pensei imediatamente: "Esses suecos! São uns desalmados!" Mas, na verdade, faz sentido. O que se defende ali é que a pessoa não precisará se preocupar com a saúde dos pais se, por exemplo, não puder pagar um tratamento caro de saúde. O Estado está aí pra encarar a nota. O indivíduo trabalhou a vida toda (aqui aposentam-se homens aos 65 anos e mulheres aos 60) e fez mais porque merecer essa garantia.
fevereiro 17, 2004
janeiro 25, 2004
A verdade
Stefan foi pra Boden hoje de manhã - por causa do horário insano do único trem do domingo. Acabei de falar com a minha mãe. Chamem o Guiness Book of Records! Foram os trinta minutos mais rápidos da história! Quero mais!!! Tinha tantas coisas pra dizer que eu parecia uma criança quando quer contar uma história e não tem tempo de detalhar e sai falando desenfreadamente, esquecendo palavras, inventando outras, rindo e chorando ao mesmo tempo e sentindo, durante todo o processo, o coração apertadinho no peito, a voz da pessoa ali no ouvido e o amor que nunca acaba.
Minha vida é mesmo uma montanha-russa. Todos os dias estou pra cima e pra baixo, em cima e em baixo, torta, assustada, feliz, exuberante, esperançosa, triste, saudosa. E quando falo com pai, mãe, irmão ao telefone tento manter a torrente abaixo do nariz. Bato os pés e não deixo de respirar. Nado e mantenho o ritmo pra não me "quebrar" totalmente. Tem dias mais fáceis, alguns mais difíceis e outros quase impossíveis. Bom, vou dormir porque amanhã é um outro dia. Amém.
Santa Maria, Mãe de Deus,
Roguai por nós pecadores,
Agora e na hora de nossa morte,
Amém.
Ah, um dia essa saudade ainda acaba comigo.
janeiro 15, 2004
Sobre gatos

I'm catless, então copio fotos dos gatos dos outros. Essa coisa linda aí de cima é gato da Susanna, cujo Fotolog é um barato. Mas antes de ir dormir, uma explicação: não coloco a foto do gato aqui porque está na moda, mas porque sinto muita falta dos gatos lá da casa da minha mãe.
Resisti muito, jurei fidelidade às minhas cachorrinhas Luz e Alice, isso porque era idiota e pensava que quem gosta de cachorros não pode gostar de gatos. Até que um dia não agüentei mais e caí de quatro jurando amor eterno aos gatos mais lindos do planeta: Leonardo, Aurora, Antuak II e Ashtar, além de Mirna Jad e Antuak I, que estão dando com certeza um pega-pra-capá nos anjos.
Aurora é cinza-tigrada, uma pantera indiferente. E pontual. Todos os dias às 18hs ela faz que não quer nada, pula no sofá e se acomoda demoradamente na minha barriga, onde dorme até eu precisar ir ao banheiro. O ritual se repete até que minha mãe vá se deitar e a leve pro quarto. De manhã, sou mimada com iogurte de mel e cenoura e Aurora vem todos os dias pedir pra lamber a tampinha. Detalhe: ela nunca pede comida a ninguém, nem mesmo à mamãe.
Leonardo é uma loucura. Preguiçoso, louraço, peludíssimo. Não sei o que aconteceu entre nós mas desde que nos vimos pela primeira vez não conseguimos nos separar. Onde eu ia, lá ia Leo atrás; e onde ele ia, lá ia eu, hipnotizada. Quando eu ia ao banheiro de noite, lá ia ele. Sentava na minha frente e ficava olhando. Quando se cansava, pulava na pia e meio que dormia com a cabeça voltada pra mim. Leonardo tem uma tara por fios - assim como todos os gatos - mas se for o cordão da minha câmera fotográfica, uhmmm, ele enlouquece.
Ashtar é o tímido da turma. Exatamente como Leonardo, só que negro. Lindo. Foge de mim como o diabo da cruz. Sofreu muito e não teve uma infância fácil. Tolera apenas que minha mãe toque nele. Banhos eventuais, remédios (ele precisou de muitos) e até comida só podem ser dados pela mamãe e olhe lá. Às vezes ele desembesta até com ela. Mas, no que diz respeito aos irmãos, é uma doçura, principalmente com o Leo, que ele 'adotou'.
Antuak II eu ainda não conheço. Ele chegou depois da minha última visita ao Rio. Mas ele tem esse nome em homenagem ao Antuak I, que morreu em 2002 de Peritonite Infecciosa Felina. E que era uma cópia em temperamento do Leonardo, só que numa "embalagem" siamesa. Só de ouvir a voz da minha mãe quando ela descreve como Antuak II é exatamente como o I - amigo, doce, cuidadoso, amoroso - fico feliz porque sei que ela também está contente. A Mirna Jad era irmã da Aurora e também morreu, junto com o Antuak I. Ela era feia e mau-humorada. Mas, até mesmo por isso, era a preferida. A rabugice dela conquistou todo mundo, por incrível que pareça.
janeiro 03, 2004
Olha que coisa chique
A Sarah Ivich sonhou comigo e escreveu no Agridoce no dia 20 de dezembro. Olha que legal:
Sonho Maluco
Jogo da Seleção Brasileira de futebol contra a Suécia, na casa do adversário. No gol brasileiro, Maria Fabriani. Finalzinho da partida. O Brasil não pode levar mais nenhum gol para vencer o campeonato. O juiz marca um pênalti para a Suécia. A goleira (que tinha sido especialmente convidada para a ocasião) faz uma defesa magistral. O jogo termina, a torcida canarinho comemora enfurecida, Maria Fabriani se torna heroína nacional. Foto na primeira capa de jornais, programas de TV.
Finalmente, eu acordo. Não é a primeira vez que eu sonho com alguém que escreve um blog que eu leio, mas dessa vez foi tão louco que eu tinha de contar.
O máximo, não? Êta sonho porreta! :c)
dezembro 16, 2003
Lista do supermercado
Tomate
Pepino
Alface
Maçã
Banana
Pêra
Pão
Leite
Queijo
Diet Coke e
Peace of mind.
dezembro 03, 2003
Saudade
Acabei de fechar o pacotão de Natal da mamãe. O do papai enviei ontem. Fiquei com vontade de me dobrar todinha dentro da caixa. :c/
dezembro 01, 2003
Orgulho
Dá licença, não é por nada não, mas o meu pai é o poeta definitivo.
agosto 25, 2003
PARABÉNS, MÃE!!!

Hoje é aniversário da minha mãe, Regina. Ano passado nessa mesma época eu estava no Brasil, abraçando-a e beijando-a. Mãe, quando você receber as cópias impressas do blog de agosto, esse dia já vai ter passado. Mas estou aqui, ao meio-dia dessa segunda-feira dia 25, pensando em você e torcendo para que tudo dê certo na sua vida. Te amo muito!!!. Um beijo!
PS.: Stefan manda um beijão pra "sogrinha linda". :cD
agosto 21, 2003
Bom dia!!!

"Acorda Maria Bonita/ Acorda vem fazer o café/ Que o dia já vem raiando/ E a polícia já está de pé"
Minha mãe canta sempre essa música quando me acorda de manhã cedinho. Quando ela faz isso, todo e qualquer cansaço desaparece e uma ternura invade o meu peito. Sou obrigada a acordar com um sorriso nos lábios. Sempre. Passei uma noite de pouco sono e quando resolvi me levantar, às seis da matina, a musiquinha me veio imediatamente à cabeça... :c)
agosto 13, 2003
"Do not be afraid of going slowly. Be afraid only of standing still"
Tô melhor. Obrigadíssima pelos comentários ao post aí de baixo. Muito obrigada mesmo. Ajuda demais. Cheguei à conclusão que não é produtivo ficar deprê assim. Claro que não posso fazer nada no que diz respeito à falta de equilíbrio hormonal a que sou sujeita todos os meses, mas posso sim tentar evitar ficar deprê por outras razões.
Preciso me concentrar nos planos que tracei pra minha vida no outono e todo o resto, não importando se a conjuntura econômica indica mais incertezas do que promessas futuras de uma carreira. Tenho que simplesmente let it go. Senão eu fico louca.
Foi isso que eu fiz vindo pra cá, in the first place, de forma que o que preciso agora é seguir caminhando como quem respira calmamante. O ar entra; o ar sai; o ar entra; o ar sai. Senão, hiperventilo a vida e saio por aí, aos trancos e barrancos, tropeçando nos acontecimentos, sem enxergar nada o que estou fazendo nem perceber o que estou ganhando ou perdendo.
Nesses momentos de confusão mental, espiritual e emocional é fundamental poder fazer uma escolha. Decidir-se, optar por uma saída, seja ela qual for, é mais importante do que se preocupar em saber se a decisão é a certa ou não. Na dúvida, vou fazendo o que eu conseguir, até que eu pare.
julho 26, 2003
Difícil
Sonhei muito à noite. Sonhei com a minha avó Celia, que está muito doente, sendo cuidada pela minha mãe com uma paciência e um carinho que me impressionam. Sinto muita falta da minha avó. Tem partes dela espalhadas por toda a minha vida. No jeito em que falo, em que amo, na forma em que me expresso. Sou consciente de que sou o resultado de forças combinadas. Só que além do pai e da mãe, na minha equação tem mais um componente. Minha avó não era apenas avó. Era muito mais. E exatamente agora releio o que acabei de escrever e vejo que escrevi no passado: "minha avó era", ou invés de "é". Nunca ninguém me disse que não era pra sempre. Eu não contava com o desgaste da vida. Eu via você tão doce e forte que esquecia de te ver como um ser humano. Que saudade, vó!
Eu dormia e sonhava que a vida era alegria. Despertei e vi que a vida era serviço. Servi e aprendi que o serviço era alegria.
Rabindranath Tagore
Copiado da Bia Badaud, sempre inspirada. Mãe, esse post é pra você.
junho 04, 2003
Alívio
Acabei de falar com minha mãe. Incrível como mesmo separadas por milhares de quilômetros, nossa sintonia está mais afiada do que nunca.
Tenho pensado muito nos últimos dias se vou ou não ao Brasil no final do ano. Meu pai disse que paga pela minha passagem, o que para mim - ainda sem trabalho - é uma maravilha. Morro de saudades de todo mundo, minha família, meus amigos, minhas cachorrinhas... Mas, ao mesmo tempo, não queria ir não.
É difícil explicar, mas simplesmente minha vontade é de ficar por aqui, aproveitar o verão para conhecer mais a Suécia e, quem sabe, dar um pulinho na Noruega ou até mesmo na Finlândia.
Ao contrário do que meus sentimentos sentimentalóides estavam me dizendo - "sua mãe vai ficar tããão triste se você não for" etc - eu sabia, no fundo, que podia ser honesta com a minha mãe a respeito do que eu realmente queria.
Mas nem precisei comecar a explicar. Ela mesma tomou a iniciativa e a maturidade dela, sua capacidade de me amar sem querer me sufocar, sem querer que eu fique ao lado dela 24 horas por dia, é um dos sentimentos mais maravilhosos que existem na face da terra.
Mãe, eu fecho com você.
Obrigada pela sua generosidade e parabéns pelo seu sucesso com as aulas!!!!! Estou muito orgulhosa de você!
Sonho
Sonhei que estava numa casa em obras e que achava no meio dos escombros um filhotinho de poodle preto. Ele (era um macho) estava cansado, meio sujo, mas quando o toquei no narizinho - bem de leve - senti a humidez da saúde. Acordei enternecida.
maio 24, 2003
Descoberta
Ontem, quando falei com meu irmão no telefone, aconteceu uma coisa linda. Ele me contou que estava querendo ir disputar um campeonato de esgrima em São Paulo, no qual representaria o Rio na categoria dele, a Infantil. O único problema era que o nosso pai não queria deixar ele ir sozinho.
Aí, eu e Carlos dissemos quase que ao mesmo tempo: "Sabe como o papai é, né?". Ambos suspiramos. Os suspiros não eram maldosos, mas cúmplices. Eram um reconhecimento de quem sabe do que o outro está falando e divide de uma forma que apenas irmãos sabem fazer tudo o que diz respeito aos pais.
Nunca tinha sentido essa conexão com o meu irmão - apesar de ter conectado com ele em tudo, desde que ele nasceu - e foi mágico quando senti que finalmente não estou mais sozinha nesse nível. Meu irmão sabe do que estou falando e isso me dá uma sensação maravilhosa.
A maioria de vocês deve ter irmãos, portanto essa cumplicidade deve ter existido sempre, mas pra mim ela é novidade. Meu irmão nasceu quando eu já tinha 19 anos. Uma vida inteira crescendo sozinha. Agora que ele e eu podemos dividir mais essa experiência, fico tão feliz que me dá vontade de chorar.
Mas não vou chorar não porque eu tou é muito feliz. Estou fazendo pão. :c)))
maio 23, 2003
FELIZ ANIVERSÁRIO CARLOS!!!!!!!!

Hoje é aniversário do meu irmãozinho Carlos, o lindo aí da foto acima, que está fazendo 12 anos de idade. Como o próprio assina seus emails atualmente, Carlos já é um pré-adolescente. Meu irmão é um rapazinho muito inteligente e bonito, que gosta de jogar videogame (tem uma fixação com "Zelda") e se pudesse passava dias trancado no GameWorks do Rio Sul.
Nunca vou me esquecer quando fui ao Brasil em setembro do ano passado. Carlos e eu fomos nos divertir lá no Rio Sul e, claro, acabamos no GameWorks. Eu, que não sou gamemaníaca mas que me amarro num computador, não me fiz de rogada e sentei lá ao lado do meu irmãozinho. Aí, comecei a torcer descaradamente por ele (claro!) enquanto nossa encarnação digital caçava bandidos na telinha.
Adoro pagar mico com meu irmão, dizer pra todo mundo que ele é o maior, o melhor, o mais bonito e o mais inteligente. Tou errada? Tou mimando a criatura? Não... Se eu mimo, a Cristina, mãe do meu irmão, e o meu pai desmimam e eu tenho certeza que no final das contas, meu irmãozinho foi, é e sempre será uma pessoa incrível. Carlos, meu lindo, fique com Deus! Eu te amo!!!
A foto é antiga. Trata-se, ladies and gentlemen, de um protesto. Não recebo mais fotos do meu irmão já tem um milênio e dois dias. :c) Alô, alô pessoal da Urca, vocês já ouviram falar de uma coisa chamada "correio"????
março 29, 2003
Para minha mãe

"Trabalhar com fidelidade, dia após dia, para conseguir um vislumbre vale a pena não só pela alegria e força que isso traz, mas também porque proporciona uma imagem pela qual ele pode se moldar e corrigir a si mesmo".**Paul Brunton, Práticas para a Busca Espiritual - Relax e Solitude, 1986.
"Se alguma vez ele tiver uma percepção de sua alma divina, deve se lembrar que isso aconteceu porque ela esteve sempre lá, dentro dele, sem nunca tê-lo abandonado. Se ele perseverar na Busca, a experiência irá se repetir no momento certo."*
março 24, 2003
Em claro
Estou quebrada. Passei a noite em claro assistindo à cerimônia do Oscar. Valeu a pena, apesar de eu não ter visto a maioria dos filmes que concorreram. Gosto de ver o Oscar, gosto de ver aquelas pessoas todas e acho que volta e meia faz-se justiça a artistas verdadeiramente sensacionais.
Aqui o show começou a ser transmitido às 2h30m da manhã e foi até às seis da matina. Fui dormir às 6h05m, assim que o Steve Martin - ótimo - deu boa noite. Gostei muito do Adrian Brody ter ganho; adorei o discurso dele, inclusive quando ele mandou a musiquinha parar pra que pudesse dizer o que quisésse.
Gostei do Michael Moore, que é feio, gordo, incomoda e faz bem. Um homem assim é necessário à humanidade, ainda mais quando se trata de americanos. Susan Sarandon estava linda, como sempre (adoro ela). Muito chic, fez um sinal de paz e amor e disse tudo.
E o Caetano Veloso? Gostei do número dele, mas achei a cantoria com a artista mexicana meio confusa. Estava torcendo por ele, mas achava que o U2 ia levar o troféu. Até eu fiquei surpresa com o sucesso do Eminem. Quem diria. Acordei às 11h45m e me preparei para ir pra escola - aula de sueco. Só voltei agora.
Estou com muita saudade da minha mãe. Acho que é o cansaço.
Sinto muita falta de um aspecto da minha vida no Brasil: o acesso à uma vida cultural mais movimentada. Não apenas pelo fato de ter meu próprio dinheiro, mas ainda por morar simplesmente numa cidade grande. A essa altura do campeonato já teria visto quase todos os filmes premiados.
Esse deserto cultural é difícil de preencher. Há outras coisas me chateando também, não é só isso. Mas são mais complicadas. Me pergunto se eu morasse em outra cidade, por exemplo, Estocolmo, se eu estaria indo mais ao cinema. Acho que sim, mas tudo depende do dinheiro. Uma pena.
Já perceberam que não está dando pra comentar, né? O YACCS sumiu e o Falou & Disse tá com problema. Aparece aqui em baixo mas não abre. Bom, vamos ver como fica. Não quero mudar mais uma vez, até porque tenho um monte de comentários lá no F&D, mas se precisar eu mudo pra outro. O que eu queria mesmo era migrar pro Movable Type e não precisar me preocupar mais com isso. Mas confesso que não tenho sanidade mental suficiente no momento para fazer isso sozinha.
março 12, 2003
Que coisa!
Fazendo exercício pra aula de sueco de amanhã. Ler poemas da Edith Södergran, responder a algumas perguntas de compreensão e mais outras tantas de gramática. No final, traduzir um poema da minha língua pro sueco (como se isso fosse tarefa fácil) e, pior, escrever um poema de amor. Em sueco, lógico.
O poema que escrevi eu não mostro aqui de jeito nenhum, mas a "tradução" que fiz foi a de um poema do meu pai. Acho que é o que mais gosto de toda a obra dele. O original é:
VERBETE PARA WEBERN 2*
Lágrimas gargalhantes
tantas quantos são
os brilhantes pisados
*****Minha "tradução"*****
VERBETE PARA WEBERN 2*
Skrattande tårar
så många som
söndertrampade diamanter
*Armando Freitas Filho, Paissandu Hotel, 1986.
março 11, 2003
Na televisão
A SVT (Sveriges Television, TV estatal sueca) acabou de mostrar mais um documentário sobre a fauna e a flora da América do Sul. São seis programas, produzidos pela BBC e que mapearam literalmente os altos e baixos da natureza do nosso continente: dos Andes à bacia amazônica.
Já tinha ficado emocionada na semana passada, quando vi o primeiro programa da série, mas hoje foi demais. O programa inteiro foi dedicado ao Amazonas e aos sistemas de vida que mudam com a época de seca e de chuvas. Fantástico.
Fiquei emocionada ao ver uma família brasileira vivendo à beira do rio. Fazem-se imagens das Piranhas, rondando o pequeno pier onde a mãe lava os pratos do almoço. Farinha e arroz chamam atenção dos peixes. De repente, os filhos do casal caem na água e a apresentadora se apressa a explicar que as Piranhas são apenas perigosas quando presas em um reservado. Soltas no rio, elas têm medo de nós.
Que liberdade daquelas crianças! Senti necessidade de tomar banho de rio, mesmo sendo uma criatura da cidade.
Agora vou ver um dos meus programas favoritos na TV sueca: Värsta Språket [véstra sprôquet]. O programa é sobre a língua sueca, suas idiossincrasias, maluquices, manias etc. O assisto desde que começou e sou uma entusiasta da maneira como o apresentador trata do assunto: com um certo cinismo e achando tudo muito engraçado. Não sei não, mas esse país precisa de mais graça.
março 05, 2003
Que dia mais feliz!!!
O carteiro passou aqui em casa ontem e deixou um aviso. Tinha um pacote de mais de oito quilos me esperando lá no correio. E o pacote veio do Brasil!!!! Mamãe!!!!! :cD Vejam o que minha mãe me mandou:
um par de sandálias da Tribo dos Pés, loja que amo de paixão;
oito sabonetes Phebo, quatro Amazônia pro Stefan e quatro comum, pra mim;
três garrafinhas de Dietil e mais três de essência de baunilha;
dois shampoos Seda Citric Fresh, os meus preferidos;
um potinho de goiabada cascão (uhmmmm);
um creme de mentol Ox, para massagear os pés cansados do meu urso polar;
uma massageador de bolinha;
dois dos meus pirex lindos, desenhados, que tinha na minha casa e que deixei com a mamãe por não ter mais lugar na mala;
meu baralho de cartas com imagens de quadros do Klimt;
uma caixinha de pílulas de Prímoris, minhas salvadoras quando a TPM está me matando;
um ralador tudo-em-um da Moulinex, muito lindo;
revistas e receitas do Celidônio que sairam no Globo (uma delas veio junto com uma matéria do Jornal da Família cujo título é: Teste seu QI sexual. Uhmmm, o que será que mamãe quis dizer com isso?)
um "pão-duro" (ferramenta de borracha, para tirar até a última migalhinha da panela);
um chocolatinho Nestlé com Leite de Moça dentro... uhhhhhmmmmmm
...e dois pingüins de geladeira, com cartola e tudo, comprados na Luvaria Gomes. *hohoho*... Só a mamãe mesmo. :cD
março 04, 2003
O mico da manga

Como Stefan é um orgulhoso consumidor de gorduras, batatas fritas e que tais (sem nunca engordar uma grama), tentei desviar (minha) rota engordativa e adicionar legumes, verduras e frutas à nossa lista. Fui à parte de hortifrutigranjeiros procurar por algo interessante. Foi aí que tudo aconteceu.
Parei na parte das frutas "exóticas" e vi uma manga. Amarelinha, com uma linda cor avermelhada em um dos lados. Perfeita. Pensei: "Manga! Que delícia! Há quanto tempo que não como uma!". Quando fui ver quanto teria de pagar por minha extravagância, olhei para cima, onde ficam as plaquinhas de preços e procedências. E lá, li: "Mango - från Brasilien" (Manga - do Brasil).
Larguei manga, sacos plásticos, lista, caneta, carrinho e homem e comecei a chorar ali mesmo. O maior mico, diria meu irmão, mas absolutamente irremediável.
fevereiro 25, 2003
Rio de Janeiro
Estou com medo de ligar pra minha mãe e ficar ainda mais deprimida, sabendo que ela está lá, sozinha em plena linha de fogo.
fevereiro 13, 2003
Nossa, dava tudo por um
Nossa, dava tudo por um abraço bem apertado e um beijo da minha mãe.
janeiro 31, 2003
Afogada
Estou aqui, escrevendo de avental, depois de ter fritado um monte de peitos de frango para a reunião que terei hoje na casa da irmã do Stefan, lá em Piteå. Tudo saiu como deveria - até porque fritar filés de peito de frango à milanesa não é uma tarefa das mais complicadas.
Só espero que não se repita com as pessoas da festinha de hoje o que aconteceu aos comensais daquele jantar do filme mexicano "Como água para chocolate", de Afonso Arau. Tita (Lumi Cavazos) passa para a comida que preparou sua tristeza profunda quando fica sabendo que seu amor casar-se-á com sua irmã mais velha.
No meu caso não há a questão seríssima, mas apenas as nuvens de sempre, encarapitadas em cima da minha cabeça, tornando meu dia pesado, escuro, apesar do sol lindo que está fazendo lá fora. Mesmo assim, o fato de estar cerca de 20 graus negativos não ajuda muito.
Enquanto cozinhava, botei um disco pra tocar. Não escolhi muito - peguei o primeiro que vi da minha coleção. Veio Caetano, "Prenda Minha". Enquanto passava as galinhas no ovo, na rosca e fritava, quase chorei várias vezes.
A coisa é que minha saudade, essa companheira, está mudando. Antes era aguda, machucava, incomodava todos os dias, minuto a minuto. Depois, foi amenizando; aparecendo apenas quando via alguma coisa que me lembrava minha família.
Agora, está ficando pior porque ela se esconde no dia-a-dia entorpecido. A angústia de não entender mais o que se diz não existe e há uma porta aberta para a adaptação. Mas outro tipo de tristeza apareceu e quando se manifesta, vem como um maremoto. Dói pra caramba.
janeiro 22, 2003
Que pena
O Oldemário Touguinhó morreu. Pra quem não sabe, ele era um dos mais respeitados jornalistas esportivos do Rio e do Brasil. Era um personagem carioca, por dentro de tudo o que dizia respeito ao esporte e às vezes, muito mais do que isso.
Não tive a honra de poder trabalhar perto do Oldemário no JB. Nem tive tempo de ser tão boa jornalista pra ser considerada sua colega, mas, ainda no estágio de início de carreira no Globo, em 94, tive o prazer de vê-lo em algumas matérias, porque fiz, por um mês, estágio na editoria de esportes.
Queria deixar aqui o registro porque ele era o tipo de profissional que eu gostaria de ser um dia. Além de ter sido, segundo experiência de quem trabalhou com ele, uma pessoa fantástica. Que fique em paz.
janeiro 20, 2003
Nossa saudade
Uma homenagem às meninas exiladas, que enfrentam dias difíceis de vez em quando, apesar do amor que sentem e da certeza de suas decisões. Essa certeza que, muitas vezes, parece até uma cela. Somos todas prisioneiras de nossa própria coragem, moças. O negócio agora é abrir o peito pras dores e pros amores. A vida continua apesar de tudo. Um beijo procês!
Caetano Veloso
Quando eu me encontrava preso
Na cela de uma cadeia
Foi que eu vi pela primeira vez
As tais fotografias
Em que apareces inteira
Porém lá não estavas nua
E sim coberta de nuvens
Terra, Terra.
O mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria
Ninguém supõe a morena
Dentro da estrela azulada
Na vertigem do cinema
Manda um abarço pra ti, pequenina
Como se eu fosse o saudoso poeta
E tu fosses a Paraíba
Eu estou apaixonado
Por uma menina Terra
Signo de elemento terra
Do mar se diz terra à vista
Terra para o pé, firmeza
Terra para a mão, carícia
Outros astros lhe são guias
Eu sou um leão de fogo
Sem ti me consumiria
A mim mesmo eternamente
E de nada valeria
Acontecer de eu ser gente
E gente é outra alegria
Diferente das estrelas
De onde nem tempo nem espaço
Que a força mande coragem
Pra gente te dar carinho
Durante toda a viagem
Que realizas no nada
Através do qual carregas
O nome da tua carne
Nas sacadas dos sobrados
Da velha São Salvador
Há lembranças de donzelas
Do tempo do imperador
Tudo, tudo na Bahia
Faz a gente querer bem
A Bahia tem um jeito...
dezembro 19, 2002
Insônia, Web e Gil
Pois é, não consigo dormir. Então, claro, vim pra Internet. Mó vício.
Já queria ter falado sobre o Gil no Ministério da Cultura, mas outras coisas aconteceram. A Marina, minha ídola, disse tudo o que eu gostaria de ter dito se pudesse ter pensado antes dela. Como esse não foi o caso, reproduzo aqui o pensamento que passou por mim e foi traduzido por ela:
Meu medo, como diria a Regina Duarte, é que tem muita estrela na equipe Lula. Sabe aquelas produções de Hollywood, cheia de famosos, mas que no final o filme é uma merda?
outubro 25, 2002
Amor à primeira vista
Finalmente revelei seis dos milhares de rolos de filme que juntavam poeira aqui em casa. Tem foto do inverno passado, quando esquiei pela primeira vez na vida e até do verão passado, quando subi num touro mecânico também pela primeira vez.
Para comecar o slide show, escolhi o meu amado Leonardo, um dos gatos da minha mãe. Eu não o conhecia - minha mãe o ganhou depois de eu ter vindo morar aqui - mas nos entendemos desde o primeiro dia. Quando não estava dormindo ou comendo, ele não saia do meu lado. Ai que saudades, Leo! :c(
outubro 17, 2002
Rapidinhas
Vejo dois meninos brincando de andar de bicicleta na neve fininha e já quase toda derretida pelo sol. Agora não sei se quero um deles ou se prefiro me juntar a eles.
Comprei minha passagem de trem até Estocolmo para poder votar pelo Lula. Quero ver chegar, Lula lá, brilha uma estrela...
Não sei que livro comecar para ler no trem. O que leio agora Paradiset, Liza Marklund, está no final.
Encontrei na rua com um conhecido que nos convidou para a festa de lancamento do CD da banda de heavy metal dele. Lamentou que não poderíamos ir. Eu disse que estaria em Estocolmo votando e Stefan vai trabalhar o fim de semana inteiro. Mas eu poderia ter respondido que preferia martelar um prego na cabeca a ir a uma festa de heavy metal. Adoro esse meu lado Dragon Lady.
Vou fazer peitinho de frango a parmegiana (sem a parmegiana, só com queijo) pro meu amor jantar.
Vi Apocalipse Now Redux no Pay Per View. Bonito pra burro. Por outro lado, uma depressão. Nunca mais.
A prova ontem foi difícil, bem difícil. Sei que perdi seis pontos, pelo menos, porque ao contrário do que costumo fazer, deixei uma questão em branco.
Quem vai ser a alma boa que dará o primeiro Prozac à Regina Duarte?
outubro 16, 2002
Como gritar de formas diferentes
Eu, em casa
Nevou a manhã toda
As ruas estão brancas
Não está tão frio assim
Aula de sueco hoje
Prova
Estudo formacão de palavras
Aprendo a gritar de formas diferentes em sueco
São doze verbos - quase todos irregulares
Oca
Quero um cachorro ou um gato ou um filho
Um não, gêmeos
Quero sempre mais do que posso
Escrever um livro
Best seller
Comi uma colherzinha de doce de leite de Minas
Não resolveu
outubro 12, 2002
Roda, roda, roda baleiro

Roda, roda, roda baleiro atencão! Quando o baleiro parar põe a mão! Pega a bala mais gostosa do planeta e não deixe que a sorte se intrometa! Bala de leite Kids, a melhor bala que há! Bala de leite Kids, quando o baleiro pararrrrrrrrr!!!!
outubro 02, 2002
outubro 01, 2002
Saudades da minha avó Celia
Vó, hoje fiz uma "travessura": comprei um livro caríssimo. Ainda lembro do seu rostinho quando você voltava da rua depois de fazer uma das suas "travessuras". Queria poder te mostrar o livro. É da Astrid Lindgren, a mais famosa escritora sueca, autora da Pippi Långstromp. O nome do livro é "Bröderna Lejonhjärta", ou "Os Irmãos Coracão de Leão". Ai, nunca pensei que fosse sentir tanta saudade na minha vida. :c(
setembro 21, 2002
Coisas que gostei de fazer no Rio...
Abracar e beijar minha mãe, meu irmão, meu pai e minha avó
Dar mais beijos na minha avó querida e dizer que eu a amo
Brincar com minhas cachorrinhas Luz e Alice e com os gatos da mamãe
Fazer festinha no Leonardo, o gato persa loiro da mamãe, que me seduzia com seus olhos dourados
Ver meu irmão jogar esgrima
Ver meu irmão sorrir
Jogar videogame com o meu irmão
Rir com o meu irmão
Procurar o Wally com o meu irmão
Andar no Rio Sul lotado com o meu irmão
Pagar mico no Games do Rio Sul, defendendo o meu irmão dos outros meninos no videogame
Encontrar meus amigos, Renata, Marcos, Chris, Agnes, Alê, Angélica, Dri, Annacat, Karine, Elisa, Valerinha, Fernanda, Paty, Ana Paula, Ana Conde, Ana Duarte (essa desgarrada só pelo telefone mesmo), Angela, Tom (também pelo telefone)...
Tomar café, conversar e blogar com Alê e Angélica
Ganhar livro de Angélica e sorriso de Alê
Ganhar CD do Tom Jobim da Cristina
Comer o feijão delicioso da minha mãe
Ler de tarde na cama da minha mãe
Aprender a fazer suflê de queijo com a minha mãe
Tomar café da manhã às seis da matina com a minha mãe
Ver fotos antigas com o meu pai
Dar a mão ao meu pai enquanto ele descansava no sofá da sala e eu via televisão
Saber que eu vou voltar pro Stefan
Vem ouvir esse segredo...
Estou aqui fazendo dois suflês de queijo para a minha sogra Vera e a irmã do Stefan, Veronica (+ toda a família), que estão vindo jantar aqui hoje. Querem a receita? Já já dou. Ah! Para me inspirar, coloquei na vitrola o CD do Tom Jobim que ganhei no Brasil da mulher do meu pai. Fiquei muito inspirada e comecei a cantar! Stefan, que prefere uma música mais, digamos, movimentada, disse que adora me ouvir cantando em português. :c) Agora ninguém me segura! Hohoho.
Se soubestes como eu gosto do teu cheiro, do teu jeito de flor, não negavas um beijinho a quem anda perdido de amor...
Definitivamente preciso ensinar português a esse rapaz, concordam? :c))
setembro 18, 2002
It's good to be home
Voltei. Ainda estou muito cansada e agora me apareceu uma dor nas costas que está me deixando maluca. O problema é que eu não sou mais nenhuma criança e minhas malas estavam bastante pesadas. As retirei em Frankfurt, minha primeira escala na Europa, e -- surprise surprise -- precisei fazer o mesmo em Estocolmo.
As pessoas estão mesmo apavoradas com o terrorismo. Acreditam que no embarque para Frankfurt, ainda no Galeão, no Rio, encrencaram com a minha pinça? Já tinha tido o cuidado de retirar minha tesourinha e minha lixa de unha da bagagem de mão, mas quem poderia imaginar que a pinça seria problema?
Stefan, que tem sempre alguma coisa engraçada para dizer quando conto um drama, comentou: "Até parece que você ia pegar a pinça no meio do Atlântico e dizer que o avião estava seqüestrado e, pinça na mão, diria que quem se revoltasse teria sua sobrancelha removida ali mesmo, na frente de todo mundo!". :c)))
Tenho muitas coisas pra contar mas preciso de tempo. Uma coisa, no entanto, vou dizer logo: a vida é ótima! Livet är underbart! Life is great!
setembro 05, 2002
Na real
Estou aqui com a Alê e com a Angélica, ambas amigas blogueiras que conheci graças à Internet. São tão legais ao vivo quanto pela Web. Não é o máximo? Estamos desde às três da tarde aqui na Letras e Expressões em Ipanema só conversando e tomando café. Quando comentei que deveríamos vir até aqui à sala de computadores para escrever posts em nossos blogs dizendo que havíamos nos encontrado, Alê quase pulou da cadeira dizendo:"Claro! O que estamos esperando? Pra quê ficar sentada conversando quando podemos escrever?". Uma figura! Angélica está aqui do meu lado esperando eu publicar esse post para que ela possa comentar.... Esse povo de Internet é ótimo! Minhas duas mais novas amigas! :c)))
agosto 21, 2002
Meu irmão é um cavaleiro Jedi
Acabei de voltar de uma experiência incrível: vi uma aula de esgrima do meu irmão, Carlos. Ele, muito compenetrado, na posição de ataque (tem um nome específico que está me fugindo - nesse momento ele está fazendo rap no banheiro enquanto toma banho, de forma que não vou interrompê-lo de jeito nenhum :c), andando com o florete na mão e protegido com um colete fininho e uma super-máscara. Quase interrompi o jogo, como é chamada da disputa, porque a luta com os floretes podia machucar meu irmão! Ele, claro, foi muito explícito sobre os detalhes de todos os ferimentos possíveis. Cada coisa que deixou meus pobres cabelos em pé!
Carlos é um Cavaleiro Jedi!!!!!
agosto 18, 2002
Pequeno relatório dos momentos de felicidade
Quero falar com vocês sobre a felicidade que é reencontrar meus amigos. Ontem mesmo fui à festa da Valerinha e pude rever alguns amigos da Globo.com. No mesmo dia (estou colecionando amigos leoninos) tinha mais duas festas: a da Karine e a da Ana Conde. Não que eu estivesse convidada para essa última, mas se tivesse o meu carrinho vermelho aqui eu iria mesmo assim. A Ana não sabia que eu estava no Rio, mas se soubesse tenho certeza de que me convidaria (ando tão rodeada de leoninos que acabo pegando emprestadas características deles, como essa auto-estima deliciosamente exagerada).
Como é bom rever meus amigos. Como é bom.
Refém
Pode parecer incrível, mas tenho muitas saudades de Boden. Quem poderia imaginar?
Na sauna carioca
Que calor é esse, hein? A primeira coisa que me lembrei de reclamar da Suécia era do seu clima sequíssimo mas, quando botei o pezinho pra fora do Galeão e fui envolvida pela onda de calor húmido, lembrei com saudades da secura sueca. Ufff!!! Que abafamento!
agosto 14, 2002
Primeiras impressões
RIO DE JANEIRO -- Finalmente consegui encontrar um cyber-café aqui por perto de casa. Estou na Letras e Expressões aqui em Ipanema, uma delícia! Bem, nem posso começar a agradecer todo o carinho que vocês demonstraram com esse monte de comentários aí de baixo. Muitíssimo obrigada, ok? Olha só, um monte de coisas pra contar. Bom, vamos por partes.
-- Ainda no avião da Varig, no caminho Frankfurt-Rio (por favor, não me digam quem foi que construiu aquele aeroporto de Frankfurt... É um pesadelo! Corri de um lado para outro, por mil e duas esteiras aceleradoras (ou seja lá o nome que elas tenham) e acabei chegando suadíssima, vermelha e esbaforida no balcão da Varig). Bem, como ia dizendo, no avião, falando meu amado português com as amáveis comissárias de bordo, fiz uma delas rir porque quando me perguntou o que eu queria beber com a pasta (muito honesta, aliás), eu respondi: "Peloamordedeus, me diga que você tem guanará Antarctica diet!" Claro que ela tinha e eu me deliciei com duas latinhas. Ai, que delícia!
-- Na linha vermelha. Tinha me esquecido como o trânsito dessa cidade era maluco. Os carros tiram cada fino que vou te contar! Stefan, baby, you were right! I guess the Jaguar driver came from Rio! :c)
-- Nada é melhor do que ver minha família novamente. Nada. Só ficou faltando o Stefan.
-- Meu irmão é a coisa mais linda do mundo. Ele cresceu e está parecido comigo, mas também com a elegância longelínia dos traços da mãe dele, Cristina, mulher do meu pai. Além disso, a doçura com que ele me recebe é tão especial! Vocês já viram um menino de 11 anos abraçar e beijar alguém? Com essa idade eles não querem nem chegar perto de meninas e que tais. Pois o meu irmão, Carlos, me abraça e me beija e eu me sinto a pessoa mais afortunada do mundo. Carlos, meu irmão, eu te amo!
-- Acordo todos os dias com as minhas cachorrinhas Luz e Alice (tem foto dela no dia 15 de maio) fazendo a maior festa e eu sou simplesmente enlouquecida por elas. Vocês não sabem como é bom poder brincar com elas, jogar bolinha esse tipo de coisa. Estou nas nuvens.
-- Adoro conversar com a minha mãe. Temos muito o que falar e eu tenho muito o que contar. Ai que saudade! Já até brigamos umas quatro ou cinco vezes nesta semana em que estou aqui. A vida está normal! :c)
-- E meu pai me mostrando fotos minhas de quando era criança? Pai, te amo, viu?
-- Ah, e meus amigos Renata, Marcos e Chris, com quem fui almoçar no Sobrenatural, em Santa Teresa, no sábado passado, são simplesmente o MÁXIMO. Adorei sentar na mesa e vê-los conversando sobre tudo, telefonia, fofocas, a vida etc. Se me deixassem eu ficava até de manhã na casa deles, rm Botafogo. A coisa mais linda a minha afilhada Ping (Já tem foto dela aqui, só não lembro o dia, sorry).
-- Amanhã vou almoçar com Dri, Ka, Elisa e Annacat (galera da Mantel) e ainda devo jantar com Rê+Marcos, Chris e Agnes no final da semana. E ainda tenho que ligar para a Meg, para a Alê e para a Angélica. Ai, meninas, desculpem viu? Mas já já eu ligo, ok?. Esqueci alguém???? :c)))
-- Será que tem mais alguma coisa que eu queria escrever e esqueci? Ah sim, tem sim: O feijão da minha mãe é uma delícia! :c)
agosto 05, 2002
"Minha alma canta... Vejo o
agosto 04, 2002
No estômago
..::Vou te contar, os olhos já não podem ver::..
Fazendo malas; lavando roupas; anotando receita de pão pra fazer pra mamãe;
..::Coisas que só o coracão pode entender::..
Respondendo e-mails; ficando p*uta da vida; escutando Maysa cantar "Dindi" e Nara Leão, "Wave";
..::Fundamental é mesmo o amor. É impossível ser feliz sozinho::..
Queria ter um botão que faz com que todas as angústias desaparecam. Prometo que aviso quando eu descobrir onde fica. Claro que depois de ter registrado a patente. :c)
..::O resto é mar e tudo o que eu não sei contar::..
Muita saudade do Stefan. Muita mesmo. Ai.
agosto 01, 2002
julho 23, 2002
Florbela Espanca
"Não trouxe nunca as minhas mãos vazias a mais pequenina esmola do destino. Até hoje não há ninguém que de mim se tenha aproximado que me não tenha feito mal. Talvez por culpa minha, talvez...O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe der ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde esta, que tem saudades... sei lá de quê!"
Trecho de uma carta escrita pela poeta portuguesa em junho de 1930. Num oferecimento da minha amiga Ana Flavia, que infelizmente não tem um blog, mas está sempre por essas bandas. Dos 12 anos em que somos amigas, passamos sete em países e hemisférios diferentes. As diferencas são grandes - crescemos de formas distintas - mas o carinho ainda é muito grande e a admiracão, mútua. Ana, só queria te pedir o nome do livro do qual você tirou o trecho, ok? Beijo e obrigada!
Leia mais sobre a Florbela Espanca aqui. Já a imagem da flor ao lado pode ser encontrada, entre muitas outras tão lindas quanto, aqui. Foi indicacão da Marina.
julho 22, 2002
Novidades sobre Alzheimer
Novidades sobre Alzheimer na conferência sobre a doença, que está sendo realizada em Estocolmo esta semana. (CNN)
Colesterol alto pode facilitar aparecimento de Alzheimer. (BBC)
Estilo de vida estaria ligado ao surgimento de Alzheimer. (BBC)
Referência: tudo sobre Alzheimer. (BBC)
Alzheimer pode ser diagnosticado em jovens de 20 anos. (Aftonbladet)
Aproveite e dê uma olhada nos links-referência sobre o assunto, localizados na coluna à esquerda, depois dos sites de notícias.
julho 17, 2002
Morrendo de fome
Meu estômago se contorce enquanto escrevo essas mal tracadas porque estou de regime. Tomo café da manhã normal porque senão não agüento estudar excel em sueco, mas o resto do dia passo à base de shake. Não quero que ninguém no Brasil me mande direto do aeroporto para o spa mais próximo :c)
Se bem que acho que a minha mãe - que não está nem aí pra essas coisas - já comprou feijão, arroz e soja (somos vegetarianas) pra durar o mês inteiro. E aí tem todas as variacões, os doces, os bolos, uhmm.
P.S.: Passei na prova do Excel, galera! Prestem atencão: 93% de aproveitamento! Agora só falta o Excel database. Urrrgghhtt!!!
maio 31, 2002
Mario Lago
"Eu fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo. Nem ele me persegue e nem eu fujo. Qualquer dia a gente se encontra".
Acompanhei um amigo que iria entrevistar o Mario Lago no seu apartamento em Copacabana para uma revista portuguesa. Fiz até algumas perguntas porque ele sabia tanto! Uma inspiracão um artista assim! Sabia sobre música, teatro, cinema, livros. Uma inspiracão.
Que siga em paz.
maio 21, 2002
Um dia bom
Hoje estou tão feliz! Eis as razões:
-- reencontrei o Chris, um amigo-irmão meu de quem morro de saudades e que até já deu uma volta aqui no Montanha-Russa. Que saudades de você, maluco! :c)
-- fizemos churrasco na casa da Veronica, irmã do Stefan, e eu me senti mais em família;
-- ganhamos uma cama de solteiro de presente da Vera, minha sogra. Já a montamos aqui no escritório, de onde escrevo, a espera de hóspedes, principalmente do meu irmão querido;
-- Meg, Alê, Rossana, Ana Flávia, Monica, Dri e meu pai me mandaram e-mails;
-- muita gente comentou vários posts meus e isso me deixa muito feliz!
-- vi um alce na estrada que liga Piteå a Boden.
Agora vou dormir porque amanhã comeca tudo de novo. Hoje foi feriado (outra razão para ter ficado feliz!). Dia de Pentecostes.
maio 15, 2002
Parabéns pra você!

Minha Alice está fazendo seis aninhos hoje. Minha linda, fique com Deus. Um beijo enorme. Ai, que saudade.
maio 12, 2002
Dröm
Tive meu primeiro sonho em sueco. Estava em Petrópolis mas ao mesmo tempo na Suécia e ia pegar um trem. Fui até o guichê e conversei com o vendedor em sueco. Comprei meu tíquete e, quando dei por mim, estava em um cinema a céu aberto, mas não lembro qual era o filme. Me virei e vi Stefan, andando calmamente. Senti uma felicidade instantânea e uma seguranca tão grande!
Acordei.... Será? :c)
maio 06, 2002
Ainda sobre saudade
Apesar de estar numa boa (sempre melhoro quando a semana comeca), o tema saudade é importante pra mim. Por isso, intensifiquei a procura por um poema da Cecília Meireles que havia anotado e, mais tarde, perdido. Seu título é "A última cantiga". Não vou reproduzi-lo por inteiro aqui porque o que eu gosto mesmo é de sua última estrofe, que anotei quando o meu avô morreu, em 1988.
"(...)
E ondas seguidas de saudade,
sempre na tua direção
caminharão, caminharão
sem nenhuma finalidade."
E, outro dia, depois de sugestão da Renatinha, li no Wumanity da Rossana, isso aqui:
"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."
Adivinha de quem é? Claro! Só poderia ser dela, da minha, da sua, da nossa Clarice Lispector.
Não acredito que haja descricão mais correta para esse sentimento tão profundo. É uma urgência tão alucinada; você sobrevive mas tem a impressão que está faltando sempre alguma coisa importante. É quase físico esse sentimento. Exatamente como um ronco no estômago. Mas é importante saber que essa sensacão melhora com o tempo. Sou testemunha disso.
maio 05, 2002
Bem melhor
maio 04, 2002
Saudade
Abraco e beijo da minha mãe
Os olhos da minha avó
Amor incondicional
A voz do meu irmão chamando o meu nome
Beijos em Alice e Luz
Beijos de Alice e Luz
O cheiro do mar da Urca no cair da noite
Meu carro
O barulho dos ônibus passando debaixo da minha janela
Cinema e depois pizza com Rê e Marcos
Cinema com meu irmão
Cinema sozinha
Minha TV Sony
Minha casa
Meus livros
Casa da minha mãe
Minha mãe
Minha mãe
Meu pai
Cheiro de jornal
Jornal Nacional com meu pai
português
trabalho
amigos
abril 23, 2002
Saudade
Reli alguns posts recentes e notei que ando falando muito sobre a minha mãe. É, a saudade se manifesta das formas mais inesperadas.
abril 19, 2002
Banzo
Cansada de pensar em sueco, falar sueco. Quero a quentura do português.
abril 15, 2002
+ sonhos
Aliás, essa coisa de Rússia me fez lembrar que outro dia sonhei que eu vinha da Moldávia. Sempre achei o nome Moldávia lindo e sabia, no fundo da minha cabeca, que se tratava de uma república da ex-União Soviética. Mas nunca havia pensado mais nisso.
Quando tive o sonho, no entanto, e contei para o Stefan, ele brincou que eu era uma péssima espiã porque eu não apenas sonhava como ainda contava para ele meus sonhos com o meu "verdadeiro país".
Isso merece uma explicacão: é que a Suécia vê a Rússia (e antes da queda do Comunismo, a União Soviética) como uma ameaca militar real e imediata. Um dos colegas de trabalho do Stefan chegou a dizer um dia para mim: "Não nos perguntamos se os Russos virão [invadir a Suécia], mas quando eles virão".
Uma maluquice pensar isso, né? Maluquice para nós, brasileiros, que ficamos do outro lado da Terra em relacão aos russos. Aqui, eles estão pertinho...
abril 11, 2002
Sonho em violeta
Sonhei que o Chico Buarque disse que me amava. Fiquei meio sem graca porque - atencão freudianos de plantão! - meu pai estava presente. Estávamos em uma festa de intelectuais e esse tipo de coisa, numa casa fantástica, no estilo inglês, de tijolinhos aparentes e jardim lindo. De fato, acho que estavam jogando pólo.
O problema é que o Chico - que sussurrou no meu ouvido que me amava - estava meio bêbado. Fiquei desapontada, mas mesmo assim achei o máximo a declaracão. Fui ao site dele e olha que coisa linda: "...Depois de te perder/Te encontro, com certeza/Talvez num tempo/da delicadeza/Onde não diremos nada/Nada aconteceu/Apenas seguirei,/como encantado/Ao lado teu...".
abril 09, 2002
Onze meses
Até me esqueci: hoje está fazendo onze meses que me mudei aqui para a Suécia. :c)
Ainda está parecendo que vou voltar a qualquer momento pro Brasil, que estou numa das minhas férias ou que viajo a convite de alguma empresa.
Será que isso quer dizer que há algo mal resolvido?
Bom, não sei. A saudade continua aqui. Não me deixa e nunca vai me deixar. É o único relacionamento da minha vida que sei com absoluta certeza que nunca vai acabar.
Já que estamos falando em cachorros
Essa aí ao lado é o meu baby, Alice, de cinco aninhos, que mora com a minha mãe no Rio. A história da Alicinha é uma daquelas que deixa qualquer pessoa que gosta de animais *p* da vida. Última de uma ninhada grande, ela foi retirada a forca de sua mãe e, em conseqüência, machucou a patinha dianteira direita. Os donos decidiram deixá-la no canil, porque só queriam bichinhos "perfeitos".
Um dos enfermeiros se compadeceu e decidiu ficar com ela. Mas como trabalhava o dia todo e Alice precisava de atencão e cuidados médicos, ele resolveu doá-la para uma amiga minha, a Cristina, com quem trabalhei no Jornal do Commercio, em 95-96. Mas a Cristina já tinha um cachorrinho, que ficou cheio de ciúmes da Alice. Cristina anunciou, então, pelo sistema de mensagens do jornal, que tinha uma cachorrinha que precisava de uma nova casa. Depois de discutir com a mamãe todos os prós e contras, pude dizer sim à Cris, e ficamos com a Alice.
Quando ela chegou lá em casa, admito, fiquei tão horrorizada com seu estado físico, desnutrida, com uma barriga imensa, cheia de vermes etc etc etc, que quase desisti. Quis desistir. Falei com a minha mãe que iria devolver a Alice para a Cris. Que inventaria alguma história. Minha mãe disse: "Não vai desistir coisa nenhuma. Vai é aprender a cuidar dela, a ter paciência, como uma mãe". Ainda lembro que fiquei em pânico. Meu pânico era ter de cuidar desse bichinho totalmente irracional, ter de ser paciente, ter de tentar ensinar alguma coisa a alguém que não entendia o que eu dizia!!! E a dependência? Gente, aquela criatura dependia de mim!!!!
Além do mais, Alice, nessa época, era selvagem, um cachorrinho de poucos meses e que tinha sérios problemas de relacionamento, por assim dizer. Tinha sofrido tanto que não suportava que ninguém a abracasse ou se quer chegasse perto da patinha ferida. Ora, eu, no meu egoismo bem primário, queria um cachorrinho que me amasse, que fosse que nem aqueles dos filmes; não queria ter que ensinar a ela a me amar: ela deveria já vir sabendo disso, ora bolas. Hoje vejo como, nessa época eu não tinha nocão do que era amor de verdade.
Fomos a vários veterinários e um deles disse que se tivessem feito uma cirurgia relativamente simples logo depois do nascimento, ela não teria quase nenhuma seqüela da deformidade. Perguntei se ele poderia fazer a operacão naquela ocasião, uns quatro meses depois do nascimento. Ele me explicou que seria uma carnificina, palavra dele. Que teria de quebrar a perninha dela de novo etc e tal. Dissemos um não enfático e só quisemos saber o que poderíamos fazer com ela para melhorar seu estado geral de saúde.
Depois de tomar todas as vacinas, Alice passou a ir todos os dias com a minha mãe e a Luzinha brincar na areia da praia do Leblon (fiquem tranqüilos que minha mãe é uma daquelas pessoas que só vai à praia às seis da manhã e cheia de sacos plásticos para qualquer tipo de eventualidade). Quase ninguém sequer notava que ela mancava um pouquinho da perninha. E ela, com o tempo aprendeu a abracar, beijar, demonstrar um carinho que parece ser infinito. De fato ela ficou tão amorosa que tinha "namorados" em todos os postos da praia. E, pior, só gostava de, literalmente, cachorros grandes, de pastor alemão pra cima. Uma coisa! :c)
Tivemos muita sorte de ter Alice. E eu aqui, morrendo de saudades. Por que não a trouxe comigo? Porque quando se envia um animal para a Europa eles obrigam que o bichinho fique seis meses de quarentena. Seis meses. Alice não tem saúde para isso e eu não tenho dinheiro (sim, é o dono, claro, quem arca com os custos). Além do que, o veterinário dela nos disse que o frio intenso seria um veneno para o problema que Alice tem nos quadris.
Mas tenho fotos dela por todo o apartamento (na sala, na porta de geladeira na cozinha, e no quarto) e antecipo os dias que passarei me embolando com ela no chão quando for visitar o Rio, em agosto. :c)
abril 07, 2002
Lembranca da minha avó Celia
Estava lendo um texto sobre demência aqui e ouvindo Chico Buarque cantar sobre labirintos e alcapões, e lembrei da minha avó Celia, na primeira consulta que ela teve com o Dr. Marsel, especialista em Alzheimer. Ela já estava precisando de ajuda 24 horas por dia, mas ainda conseguia falar, se mover, comer. Só que tudo o que ela fazia já não fazia sentido... era uma confusão total - para ela e para nós, minha mãe e eu.
Lembro-me desse dia no consultório do Dr. Marsel porque vovó, como só ela podia fazer, não entregou os pontos e, quando ele pediu que ela escrevesse o nome dela numa folha de papel e desse os nomes de certos objetos, fez uma forca monumental e conseguiu cumprir as tarefas, só porque estava sendo desafiada pelo médico. Teimosa linda, minha avó Celia.
Mensagem do meu irmão
Maria olha esses emoticons:
}i{
borboleta
~:)
bebê
coelinho
()_()
(="=)
(")_(")
abril 04, 2002
Novo blog na praca
Meu irmão, Carlos decidiu aderir e virar "blogueiro". Com a ajuda prática da mãe dele, Cristina, e com o apoio moral do nosso pai, Armando, nasceu o Factor 6.
Muito lindo e inteligente como ele é, meu irmãozinho está ainda estudando as possibilidades de seu novo site, escrevendo textos de várias formas, vendo qual é a que casa melhor com o seu estilo. Eu já me convidei para escrever como membro do time do Factor 6, mas ainda não recebi a resposta....!!!!&%¤#(&%¤/¤#%%*=)(....
Tudo bem, afinal, eu estou cinco horas à frente do meu irmão, que mora aí no Rio, e que deve estar indo pro colégio agora. Ainda tenho esperancas de que Carlos me deixe entrar de penetra no clube que ele fundou com mais cinco amigos - os quais, aliás, ainda não foram avisados da existência do clube.
abril 03, 2002
"Se essa rua, se essa
"Se essa rua,
se essa rua fosse minha,
eu mandava,
eu mandava ladrilhar,
com pedrinhas,
com pedrinhas de brilhante,
para o meu,
para o meu amor passar"
março 30, 2002
Feliz Páscoa
Um beijo enorme para meus amigos e família. Muitas saudades.
Maria
março 27, 2002
Gatos
Não consigo dormir (são 1h37m aqui). Resolvi escrever isso logo. Prefiro cachorros, mas aprendi a gostar de gatos com a minha mãe, Regina, que, além de tomar conta de Luz e Alice, nossas duas cachorrinhas, tinha cinco gatos.
Pois é: tinha. Recebi um fax ontem no qual minha mãe me contou que Mirna Jad e Antuak, dois dos gatinhos, morreram de Peritonite Infecciosa Felina no início de marco. Não me agüentei, tive de telefonar pra ela e saber como estavam as coisas. Minhas perguntas eram: "Como é que você está?", "Como estão os outros três gatinhos?", "Essa doenca pode pegar na Alice ou na Luz?", "E os humanos, correm riscos?". As respostas, dadas com um estoicismo tão característico da minha mãe, mas que ainda me deixa nervosa (será que ela está bem mesmo ou não deixa transparecer a quebradura por dentro???) foram todas boas. Os outros gatinhos estão bem, e não a doenca não pega nem em caninos nem em humanos.
Que saudade do Antuak! Ele era um gato interessante! Não se rocava em você o tempo inteiro, claro, mas era enlouquecidamente curioso e seguia a minha mãe por todos os lados. Quando ela lavava a louca na pia ele a olhava de cima da geladeira. A Mirna Jad era uma criatura, como direi, tipicamente felina: distante, cheia de atitude, "estou me lixando pra você", kind of thing. Só abria um pouco o flanco para a mamãe. Nunca nos demos bem, eu e Mirna. Acho que lutávamos pela atencão da mesma pessoa e eu, bobamente, achei que iria ganhar a parada. A Mirna era muito parecida comigo: uma pentelha que, às vezes, dava uma chance à docura.
Ai, que saudades. Queria dar uns apertos no Antuak e na Mirna agora. Queria abracar minha mãe, beijar a mão da minha avó, jogar videogame com meu irmão, assistir Jornal Nacional com o meu pai, sair com meus amigos, reclamar do calor, sentir saudades do Stefan, querer voltar pra cá, apesar de tudo.
março 26, 2002
Tchau, tchau, Mirna Jad e Antuak
Homenagem a dois gatinhos da minha mãe que morreram esse mês. Não falo mais sobre isso porque ainda estou chocada. Alice e Luz, minhas cachorrinhas, estão bem, gracas a Deus. Minha mãe também. Eu é que estou achando complicado isso tudo. Não quero mais falar hoje. Vou assistir TV ou tentar ler.
março 25, 2002
Fecho os olhos
E sinto uma saudade crônica, profunda.
Tento não ficar triste. Digo: "é normal".
Geográfica e psicologicamente falando.
Mas que dói, dói. É muito real.
Será que um dia isso melhora?
março 20, 2002
"E.T. The Extra Terrestrial" vinte anos depois
Meu, Deus, estou chorando. Acabei de ver o preview da versão de aniversário de um dos melhores filmes que eu já vi na minha vida: "E.T.". Depois de 20 anos (!!!), todas as emocões came rushing in again! Choro quando o ET diz pro Eliott "I´ll be right here", antes de embarcar na nave de volta pra casa.
Ahn, como eu queria assistir esse filme com o meu irmão! Tenho certeza de que ele iria amar. Ainda mais porque eu tinha exatamente a idade dele, 11 anos, quando o filme foi lancado pela primeira vez. Não que Carlos já não tenha assistido ao filme antes. Mas, sei lá, é mais emocionante poder assistir junto, né?
Ainda me lembro do cinema Leblon 1, ali do lado da casa da vovó, lotado com pais e criancas (e olha que aquele cinema é grande). Fui com uma tia e minhas primas. Nunca tinha visto a carinha do ET porque isso fazia parte da estratégia de marketing de lancamento do filme, descobri anos depois.
No início, acompanha-se a vida da família do Eliott e temos apenas glances do ET. Não tenho certeza, mas acho que vemos a carinha dele pela primeira vez só mesmo quando a Drew Barrymore entra sem avisar no quarto do irmão e se depara com ele (e comeca a gritar :c)
Não, não, vemos a carinha dele antes sim: quando ele ainda está perdido na floresta e os caras do governo comecam a procurar por ele (com cachorros farejadores e tudo) e, de repente, um deles (acho que o Peter Coyote), abre um arbusto e damos de cara com o ET, mais assustado do que todos nós sentados nos cinemas em todo mundo. Me lembro da cena porque o susto foi tão grande que, involuntariamente, bati com as palmas das minhas mões nos meus olhos, de medo. Doeu, mas o filme foi uma experiência.
Bom, estarei indo assistir a essa edicão de aniversário sem a menor dúvida. Chorarei, mesmo aqui, no pico do mundo. Não sinto saudades de ter dez anos, mas sinto saudades das pessoas (e dos filmes) que povoavam minha vida então.
PS.: Já baixei duas skin pro meu ICQ com o E.T...
PS 2.: Esse Steven Spielberg é o M Á X I M O!!!!
março 18, 2002
Banzo
Gente que saudade do Rio!!!! Quer dizer, não exatamente do Rio, mas da família, amigos etc. Ontem escutei um disco que tinha, entre outras, "Wave", interpretada pela Nara Leão. Liiiiiiindo. Outro dia estava no supermercado comprando, entre outras coisas, frutas e legumes. Vi uma manga linda, grande, suculenta. Quando fui ver o preco, li que ela tinha vindo do Brasil. Não é que comecei a chorar, ali mesmo, na frente do balcão de frutas? Uma coisa...


