novembro 16, 2005

I am what I am

Dia muito bom. Seminário pela manhã, trabalho de grupo até a hora do almoço. O curso de organização continua a mesma porcaria, mas vamos levando. Sinto que agora posso me concentrar nele, ao invés de me preocupar com o resultado de ciências políticas. A noite de ontem pra hoje foi a primeira desde o mês passado que dormi direto, sem interrupções e sem acordar com dor de cabeça depois de ter pesadelos aflitivos.

É, sou nervosinha mesmo. Mas não sem motivo. Acho que, na verdade, o que causa meu nervosismo é uma necessidade de não "falhar" no que diz respeito às provas. A coisa de ter uma segunda chance é boa, mas acho chato ter de ficar estudando um assunto que já estudei, ainda mais estando no meio de um outro curso. Racionalizando, minha preocupação é totalmente compreensível e válida, ainda que não seja agradável ou desejável.

Sempre fui assim, desde criança. A diferença é que, no colégio, era obrigada a estudar coisas que sempre odiei, como matemática e física, e que, por mais que tentasse, não conseguia tirar notas boas. Por isso mesmo, não estudava muito pras provas, ficava apenas angustiada e paralisada. Quando passei pra universidade é que me dei conta que eu sou realmente uma aluna muito boa, competente, atenta e curiosa.

A palavra em sueco do dia é upptäckt, descoberta.

Posted by Maria at 12:21 PM | Comments (7)

novembro 15, 2005

Prova - o resultado

Ai, estou tão feliz! Passei na prova de ciências políticas! E passei bem! De 48 pontos possíveis tirei 42,5!!!!!!!!!!! Já dancei sozinha aqui em casa, me abracei e agradeci a mim mesma pela paciência e pela disciplina que tive durante todo o curso, apesar de muitas vezes achar que minha vaquinha estava enveredando pelo caminho do brejo.

O professor, Bo (pronuncia-se Buu), é um amor de pessoa, cultíssimo e muito bem humorado. Ele ficou contente de eu ter tirado uma nota tão boa e deixou até um recado superlegal no final da prova:

"Underbart Maria! Jag visste det! Strålande insats och tyvärr får jag inte ge dig ett VG! 'Brasiliansk samba' i toppklass! Lycka till i fortsättningen!"

O que quer dizer: "Fantástico Maria! Eu sabia! Participação brilhante e é uma pena que eu não possa te dar um VG! 'Samba brasileiro' de primeira classe! Boa sorte no resto do curso!"

(A coisa do VG é o seguinte: no meu curso recebemos conceitos para passar. Pode-se tirar IG (icke godkänt) pra quem não foi aprovado ou G (Godkänd) quer dizer aprovado e é o conceito máximo de quem passou, não importantando se com a nota máxima ou apenas acima da média mínima).

Estou nas nuvens!

A palavra em sueco do dia é självkänsla, amor-próprio.

Posted by Maria at 04:04 PM | Comments (22)

novembro 09, 2005

Sem "tchan"

O tal do curso de organização, cooperação e liderança atingiu todas as minhas expectativas: é chatíssimo, repetitivo e tem livros didáticos incrivelmente enfadonhos. O melhor é que durará apenas um mês. Ontem foi a primeira aula pra valer, depois da apresentação do curso na segunda. Quase morri de tédio.

Um dos professores, Joakim, sentou durante as duas horas de aula, e repetiu o que podíamos ler nas transparências que mostrava. Quando começávamos a copiar os pontos importantes ele dizia que poderíamos encontrar absolutamente tudo no livro principal do curso. Aí pensei: "O que estou fazendo aqui olhando pra sua cara deprimida, cara pálida?"

Vou a uma aula pra ter o diferencial, os exemplos práticos, a explicação inspirada, concreta ou até teórica, mas que venha de uma pessoa criativa, com vontade de ensinar. Ler o conteúdo do livro não me traz qualquer problema e até prefiro fazê-lo sozinha do que em grupo. Por isso senti que estava perdendo meu tempo.

Logo depois, descobri que quase todas as minhas colegas pensam da mesma maneira. Acho que quem resolver assistir à aula de hoje não vai ter problemas em encontrar lugar para se sentar. Fico com pena do Joakim, que é doutorando na Instituição de Trabalho Social. Mas, ao mesmo tempo, acho que ele poderia ter se preparado melhor.

Esse professor é a mostra viva de gente que não tem "tchan", compreende?

A palavra em sueco do dia é glöd, ardor, fervor, paixão.

Posted by Maria at 08:27 AM | Comments (12)

novembro 03, 2005

Prova

E a prova de ciências políticas foi hoje. Estudei muito nos últimos dias, li, escrevi, respondi a provas antigas. Acho que deu resultado. Apenas duas perguntas não pude responder com certeza absoluta de que estava dizendo algo que fizesse sentido. Uma dizia respeito aos direitos absolutos e relativos da sociedade sueca. A outra pedia para que descrevêssemos o processo de promulgação de uma lei no parlamento daqui.

A primeira eu realmente não tinha a menor idéia. Dei uma enrolada básica porque deixar perguntas em branco é contra minha religião. A segunda eu até tinha certa noção, mas tenho a impressão que confundi moção (do parlamento) com proposição (do governo) etc. Se o professor for bonzinho, acho que passo - raspando, mas passo. O duro é que essas provonas são um teste de resistência: responda por escrito em moooitas folhas de papel ao maço a cerca de 25 perguntas. Explique, dê exemplos, compare. De 9 às 13hs.

Meu cérebro e minha mão direita estão meio dormentes. Na segunda começa um outro curso chamado "Organisation, samverkan och ledarskap", algo como "Organização, cooperação e liderança". Upsidooo, que legaaaaalll... :c/ Agora vou pra cidade bater perna, que eu também sou filha de... deus (ou buda, allah, da puta, ou seja lá qual for sua preferência).

PS.: O livro do Ian McEwan é terrível. Não, melhor: o livro é ótimo, mas a história é apavorante. Cruz credo. Depois de ter lido o capítulo três ontem à noite tive de ler o início de "Coming home", de Rosamunde Pilcher, só pra relaxar e poder dormir. :c)

A palavra em sueco do dia é kramp, cãibra.

Posted by Maria at 01:50 PM | Comments (9)

outubro 07, 2005

:c)



Isso é um vegetal, chama-se Romanesque Broccoli.

Me sinto muito feliz e humildemente agradecida pelos comentários e emails de quem sente falta de ler o Montanha. Vocês não sabem como é importante saber. O intervalo não foi pra dar uma de gostosa, mas aconteceu por pura necessidade emocional. Vou voltando aos poucos, devagarzinho, pra não forçar a barra. Não sou uma pessoa zen, nunca fui. Tenho uma pequena marquinha vertical no meio das duas sobrancelhas que não me deixa mentir. Mas a vida continua, claro, claro.

Amanhã (sábado) tem jogo da Suécia contra a Croácia, pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2006. O melhor jogador do time sueco, Zlatan Ibrahimovic, está machucado depois de um jogo pelo seu clube, o italiano Juventus. Suecos em pânico. A-d-o-r-o o Zlatan. Ele fala um sueco incompreensível (sotaque de Malmö), é metido, se acha o máximo e é mesmo o rei da cocada preta. Ele tem quase dois metros de altura, é atacante, e sempre decide na hora da necessidade. Nem sempre de cabeça; às vezes todo torto, de costas pro gol. Ele é oportunista e talentosíssimo.

Bacana o comitê norueguês do Nobel ter dado o prêmio da paz para a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), das Nações Unidas e para o seu chefe, o egípcio Mohamed El Baradei. Bacana porque foi ele quem desafiou Bush e seus comparsas e pediu mais tempo para achar provas concretas da existência de armas de destruição no Iraque. No mais, se o cara irrita aos EUA, eu já tô gostando. Já o prêmio de literatura desse ano, que deveria ter sido anunciado na quinta passada, não o foi. Por que será?

Novo curso na universidade. Ciências políticas (statsvetenskap). Um quinquilhão de livros e textos pra ler, muitos capítulos de livros pra destrinchar (aprendo quando escrevo, não basta apenas ler, tenho que fazer resumos), milhares de palavrinhasquilométricastodasjuntas pra aprender (os suecos se amarram em juntar duas ou mais palavras pra identificar uma terceira coisa). Exemplo: katt = gato, mat = comida, burk = tigela.
Para nós: “a tigela de comida do gato”. Pros suecos: “kattmatsburk”. Ainda fico maluca um dia desses.

Fui pra casa (= Boden) no final de semana passado. No ônibus, na volta, sentou ao meu lado uma senhorinha de 75 anos. Conversamos as quatro horas da viagem. Ela achou meu cabelo lindo (todos os nativos acham), me perguntou se eu tinha vindo pra Suécia adotada (quando contei que vim pra cá em 2001 ela não acreditou) e contou que estava indo pra Umeå para fazer uma operação no coração. Ela tinha acabado de perder o marido depois de 45 anos de casamento e nenhum dos quatro filhos estava com ela. Fiquei com o coração apertaaaado. Ela disse que era assim mesmo, “afinal”, disse-me ela, “eles têm que trabalhar” (ainda assim, fiquei penalizada. Que diabo é isso? Sua mãe vai fazer uma operação no coração, aos 75 anos de idade, e você não pode tirar um dia de folga? Quequéisso!) No final, antes de saltar no meu ponto, nos abraçamos, ela me desejou sorte com meus planos (contei tuuuudo pra ela) e lhe desejei boa sorte com a operação. Passei o dia todo pensando nessa senhora, cujo nome eu não perguntei.

A palavra em sueco do dia é tacksam, agradecida.

Posted by Maria at 11:29 PM | Comments (30)

setembro 15, 2005

Prova e segurança

Dia óóóóóóóótimo. Acordei cedo, fui encontrar com Elin-amiga-da-universidade na frente da faculdade para ir fazer a prova do curso de psiquiatria. Vamos sempre juntas pras provas, que são feitas fora do campus, num prédio especial apenas para provas longas. Mas essa de hoje foi curta (apenas uma hora) e eu quase gabaritei! Acertei todas as respostas, menos uma. Sucesso total, merci beaucoup. Agora só falta passar nas demais etapas do curso, seminários de leitura e de leis. Ufa.

Estou aqui escrevendo (ou tentando escrever, mais precisamente) um post sobre a mania de segurança da sociedade sueca, uma característica que eu já havia reparado mas que não ousava criticar. Domingo passado li na página de debate do meu jornal um artigo bem escritérrimo de um psiquiatra criticando a mania sueca de tomar conta de tudo e de todos, o que cria uma sociedade distituída de força vital, incapaz de ultrapassar conflitos, conquistar sonhos e enfrentar a vida de peito aberto.

É claro que pra quem me lê do Brasil e precisa lutar pra exatamente tudo na vida, pode parecer que o que escrevi acima é delírio, besteira ou simplesmente burrice. Mas o fato é que as pessoas aqui são tratadas a pão de ló a vida inteira, e quando se vêem na frente do primeiro obstáculo, pânico. Um exemplo: Na escola não existem provas até a criancinha completar 15, 16 anos. Quando baby sai pra vida real, seja na universidade ou no mercado de trabalho, com as exigências de competição que isso representa, nego deprime e fica utbränd (desgastado, "queimado" no sentido psicológico)

O raciocínio é muito mais profundo do que esses dois parágrafos aí de cima, e diz respeito à cultura sueca como um todo, ao maravilhoso sistema público de saúde e toda uma política de cuidado com o cidadão que não existe em nenhum outro lugar do mundo (bem, talvez na Noruega). O que o psiquiatra diz (e que eu concordo) é que toda essa generosidade sufoca a iniciativa individual. O lado bom dessa sociedade é que quando alguém está mal, há sempre ajuda. Mas quando uma pessoa brilha, ela é muitas vezes impedida de ser melhor do que os outros - pelo bem do grupo.

Pensei em traduzir o artigo, mas putz, é longo pra caramba, viu? Será que tem interesse?

A frase em sueco do dia é Du ska inte tänka att du är något. Literalmente não pense que você é alguma coisa, que você é importante (no sentido de quem você pensa que é?). Essa é a essência da chamada Jantelagen, uma "lei" cultural, que permeia a sociedade sueca de cabo a rabo. Você, por mais brilhante que seja, não deve mostrar seu brilhantismo, mas deve sempre procurar ser lagom, ou seja, suficientemente boa/bom. Nada de mais, nada de menos.

Posted by Maria at 03:03 PM | Comments (23)

setembro 01, 2005

Alegria, alegria

Se por um lado, a volta às aulas provoca um certo desconforto, por outro, paradoxalmente, fico sempre muito feliz. Sou obrigada a viver sem meu urso; a morar longe de "casa"; a batalhar para passar nas provas; a fazer malabarismos com uma economia apertadíssima. Mas, ao mesmo tempo, realizar todas essas coisas e ainda me sentir bem no final do dia pode ser visto como uma vitória diária. Daí a felicidade.

O primeiro curso do semestre é de psiquiatria social, no qual temos uma introdução às doenças mais comuns com as quais provavelmente teremos de lidar quando começarmos a trabalhar. Depressão, angústia, trauma, mano-depressão, assim como esquizofrenia e psicoses. Não é fácil, mas interessantérrimo. Os livros didáticos são espetaculares e os professores melhores ainda.

Ontem, durante uma aula, o professor foi interrompido por um homem sentado lá no alto do anfiteatro, que começou a questionar tudo o que o professor dizia. Ele desceu até o centro da sala e começou a querer explicar pro professor seus pontos-de-vista. Nós, cerca de 90 estudantes (quase todas mulheres), prendemos a respiração, esperando o pior. Mas era um outro professor, mostrando ao vivo e a cores como age uma pessoa mano-depressiva em seu estágio maníaco.

Estou fascinada.

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E quando eu digo que a vida é cheia de surpresas vocês acham que estou exagerando ou recorrendo a clichês. Mas é verdade. Querem um exemplo? Estava eu aqui em casa, sentadinha no sofá, lendo pacientemente (e com muito interesse) o capítulo sobre Angústia do livro principal, que será discutido na palestra de hoje, quando veio o correio. Anúncios de lojas de móveis, de sorvetes, de roupas. No meio, um pacote.

Não tinha endereço de retorno. Abri, sentindo que era um livro, mas sem saber o que esperar. Eis que de dentro tiro o livro "Café e Bar Ponto Chic", de Francisco Paula Freitas, e um bilhete que me deixou tão feliz (sååå lycklig) e emocionada (och rörd) que eu simplesmente tinha que contar aqui. O pacote com o livro me foi enviado por Bengt Jonsson, leitor do Montanha que eu não conhecia.

Olha, muita água já rolou debaixo dessa ponte aqui, muitos desentendimentos, muitas coisas chatas, engraçadas e boas. Mas essa é uma das melhores. Bengt, que quer melhorar seu português, diz que me lê já tem alguns anos e, melhor, afirma que gosta do que lê. Automaticamente fiquei com vergonha das vezes em que fui um pouco dura com os nativos, principalmente quando eu estava muito frágil e sem muita esperança no futuro.

Mas, tenho certeza, ainda mais lendo e relendo o bilhete tão gentil, que Bengt compreende que a vida é assim mesmo, complicada, como uma Montanha-Russa de verdade. E que eu falo da minha vida, com seus dias bons e ruins - não de verdades universais e imutáveis. Pelo bilhete, que me encheu de alegria, compreendo que, na verdade, somos todos humanos, nativos ou não, capazes de coisas terríveis e formidáveis. E, por isso, sou muito grata.

A frase em sueco de hoje é tack, Bengt!, obrigada, Bengt!.

Posted by Maria at 11:34 AM | Comments (23)

março 16, 2005

Trabalho e lazer

Estou exausta. Minha camarada de curso Elin acabou de sair aqui de casa depois de mais de quatro horas de trabalho, durante os quais consumimos litros de café e devoramos meio bolinho pão-de-ló (que era pequenininho mesmo). Estamos trabalhando juntas nesse curso de qualidade e avaliação e escrevendo a prova final, que é um plano para se fazer uma avaliação (utvärdering ou utredning). Não faremos a avaliação, mas temos que planejar tudo, desde escolher o objeto de nossa pesquisa (escolhemos uma clínica de tratamento de crianças com deficiência de atenção) até escrever um plano de entrevistas, enquetes, perguntas, objetivos etc etc etc. Haja paciência, mas é interessante.

Terminei ontem de ler "Blonde" de Joyce Carol Oates. Gostei mas achei o livro longo demais (quase 900 páginas), ainda mais sendo a autora tão intensa o tempo todo. Coincidentemente assisti ontem a uma entrevista com a escritora americana na TV e confirmei o que já suspeitava: ela só escreve sobre mulheres que tenham sido vítimas de injustiças variadas. O último livro dela a ser lançado aqui, "Rape: a lovestory", que é ficção, trata exatamente da problemática da violência sexual, com a culpa sendo colocada na vítima (que usou saia muito curta, que bebeu demais, que tem uma vida sexual ativa demais etc) e não no vilão. Oates diz até que a mulher que tem coragem de dar queixa da violência que sofreu é vítima de um segundo estupro, realizado pelo establishment que simplesmente se nega a acreditar na versão dela.

E agora, só pra aliviar, comecei a ler o "How To Lose Friends And Alienate People", do inglês Toby Young. Ele foi repórter da Vanity Fair em Nova York e conta no livro seus dias de glamour e decadência na capital do mundo. Ainda estou no início e ele já está quase entrando de penetra numa efterparty da entrega do Oscar. Uma leitura dessas é engraçada porque mostra o lado podre dos nossos "ídolos" (Tom Cruise é um babaca mesmo, né?) e nos faz rir. (Imagino que esteja precisando ler alguma coisa inspiracional depois desse show de cinismo inglês, mas sabe do que mais? Não tô a fim. Comecei a ler um livro sobre boas energias - supostamente coisa séria - e simplesmente não consegui passar da primeira página. Achei tudo uma babaquice sem fim).

Posted by Maria at 04:51 PM | Comments (15)

março 14, 2005

Avaliações, avaliações, avaliações

E hoje começamos mais um curso: "Qualidade e Avaliação" (Kvalitet och Utvärdering), que durará duas semanas. Isso, mesmo, você leu certo, apenas duas semanas. Mas isso não impede que os professores aloprados viagem na maionese sueca. É incrível, mas está lá na lista de literatura que teremos de descolar cinco livros obrigatórios (dos quais já tenho três; um emprestado da biblioteca e outros dois copiados) e mais cinco livros auxiliares (que eu nem olhei que é pra não morrer de cansaço). É uma graça ou não é? Duas semanas, dez livros. Moleza. Melzinho na chupeta. Mamão com açúcar.

Começamos hoje com uma palestra infinitamente chata sobre qualidade nas avaliações feitas nas repartições públicas daqui. Essa coisa de utvärdering (mais conhecido como utredning), avaliação, é a expressão da alma burocrática sueca. TUDO se resolve por intermédio de uma avaliação. O serviço social não está satisfatório? Faz-se uma avaliação. O professor não atuou e o aluno deprimiu? Faz-se uma avaliação. Três presos fugiram da cadeia? Faz-se uma avaliação. O governo não atuou rápido o suficiente para acudir as vítimas da Tsunami na Ásia? Faz-se uma avaliação. E assim vai.

Em todas as empresas, sejam públicas ou privadas, faz-se avaliações para resolver todo e qualquer problema. Uma carta supostamente escrita por um empregado da Volvo andou circulando pela Internet, onde ele explicava como é o processo de decisão numa empresa sueca. Não posso dizer que o conteúdo da carta é verdadeiro, mas parece ser. É aquilo lá mesmo: reunião depois de reunião, muito café com bolinhos de canela nos intervalos, e mais blá-blá-blá. As decisões são tomadas depois de rodadas e mais rodadas de reuniões, planejamento, café e bolinhos.

Posted by Maria at 05:21 PM | Comments (15)

março 02, 2005

Humor de bibliotecário

Estou aqui no intervalo da aula de busca de livros e artigos científicos no sistema online da biblioteca. A bibliotecária, uma menina novinha e simpática, fala baixinho lá na frente e veste uma camiseta com os dizeres "Ej Hemlån", que quer dizer "Não disponível para empréstimo", fazendo gracinha com os livros que não podemos levar pra casa e têm de ser lidos na biblioteca - assim como ela.

Bem, até agora a aula foi cansativa. Todo mundo saiu da sala agora para a pausa do café e eu simplesmente não pude resistir à tentação de escrever um postzinho desse computador maneiríssimo, com monitor flatscreen e tudo. Pena que não trouxe minha camera digital, senão podia tirar uma foto pra mostrar aqui. Agora tenho pela frente mais duas horas de aula sobre database e coisas desse tipo. Podia ser pior. :c)

Posted by Maria at 10:12 AM | Comments (11)

fevereiro 24, 2005

Alegria pura

tulipas_amarelas.jpg

Acabei de fazer algo que nunca havia feito antes: comprei um buquê de tulipas amarelas pra mim mesma no supermercado. A razão? Ah... Simples: PASSEI NA PROVA DE ESTATÍSTICA!!!!!!!!!! :c)))

Ah, que delícia de sensação! Livre! Estou livre dessa maluquice! Ahhhhhh!!!! Conquistei 27 pontos de 40 possíveis. Para passar precisávamos de 20. Minha felicidade aumenta ainda mais quando olho pras minhas tulipas, que são intensamente amarelas. Eu as carrego por todos os cômodos da casa: na cozinha, onde almocei; no quarto, onde li jornais antigos; agora na sala de jantar, onde escrevo; e aqui no Montanha, como um agradecimento a vocês todos que me deram a maior força. Valeu! :c)

Acabei de voltar da cidade onde fui comprar um fichário pra arquivar minhas anotações do curso de estatística. Só que a papelaria é ao lado da minha livraria favorita. Eu, feliz da vida, não resisti - ou melhor, nem tentei resistir - e comprei dois livros: "Blonde", de Joyce Carol Oates (uma biografia romanceada de Marilyn Monroe), e "How to lose friends an alienate people", de Toby Young (um livro-reportagem sobre o tempo em que o britânico Young trabalhou como repórter na revista Vanity Fair americana, com muita fofoca, intriga e o humor cínico britânico).

Oi, viva eu
oi viva tu
viva o rabo do tatu. UHU! :c)

Posted by Maria at 08:35 PM | Comments (21)

fevereiro 18, 2005

Na polícia

E o curso de estatística acabou. Me dei mais ou menos bem na prova, como era de se esperar, mas tenho esperança de conseguir o mínimo de pontos necessários pra passar, o que pra mim já é uma vitória. Agora é esperar pelo resultado, que deve demorar mais uma semana. Começamos na terça-feira um curso de Método Qualitativo, no qual aprenderemos como entrevistar pessoas para nosso trabalho de campo e projeto final de curso.

É interessante saber que existe tanta teoria acerca do ato da entrevista, coisa que nunca estudei apesar de ter sido jornalista atuante por sete anos depois de formada. Desenvolvi minha técnica própria no dia-a-dia, depois de observar coleguinhas, adaptar minha linguagem ao ambiente da entrevista e tentar domar (sem muito sucesso) minha falta de paciência com secretárias-protetoras-de-chefes-importantes, sem tempo de responder às perguntas de repórteres insistentes.

Interessante como que a formação de jornalista no Brasil nem sequer chega perto de treinar seus alunos na arte de fazer uma boa entrevista (pelo menos não se fazia isso no meu tempo). Parece que o consenso é que há coisas que se aprende muito melhor e mais rapidamente na rua, quebrando a cara. Os suecos, bem mais arrumadinhos, te fazem ler mil livros sobre as teorias de entrevistas, sobre como se engajar (ou não), como perguntar, que tipos de perguntas fazer etc. Uma coisa.

Meu grupo de trabalho é péssimo. Pedi pra professora pra fazer o trabalho sozinha, mas ela não aceitou e ainda me olhou como que se estivesse vendo um ET pronto pra phone home através de uma antena parabólica feita de brinquedos quebrados. Só faltou me oferecer M&Ms. Bom, tudo na universidade aqui na Suécia se faz em grupo, com exceção das provas, claro. Essa coisa de grupo é boa às vezes, reconheço, mas na maioria dos casos você fica mesmo refém da mediocridade alheia.

Meninas novinhas e muito tímidas, sem qualquer jogo de cintura (que não é prerrogativa de brasileiros, concordo, concordo, mas, convenhamos, é quase). Nos decidimos por entrevistar mulheres que estudam em cursos dominados por alunos do sexo masculino, como o curso de formação de policiais. Essa coisa de gender tá muito na moda aqui. Todos os cursos têm uma parte em que se tenta estudar a perspectiva feminina e/ou de discriminação feminina.

Fomos as três pro prédio do curso de polícia, adjacente ao nosso prédio, e lá fui eu, de sala em sala, perguntando se algumas das moças se interessariam em falar conosco. Consegui a minha entrevistada na segunda tentativa e ainda descolei mais duas para as demais mocorongas do meu grupo. Elas estavam maravilhadas. "Como é que você consegue entrar assim, num grupo de pessoas, e simplesmente perguntar tudo?" Me desculpem os tímidos e envergonhados, mas quem tem boca vai a Roma, viu?

Tô me gabando sim. Tô sim. Isso é uma coisa que faço bem, muito bem. Minha entrevistada, cujo nome o sigilo não me permite divulgar, estuda pra ser polícia porque sempre foi seu sonho e porque quer trabalhar com a unidade canina, já que ama animais. Antes desse curso ela estudou sociologia por três anos, mas largou. Não pude deixar de pensar: "Que diferença da PM carioca!!!" Se bem que a polícia daqui também tem suas maçãs podres (MUITO podres, diga-se de passagem), exatamente como em qualquer lugar do mundo.

Mas hoje já tá muito tarde pra discutir isso.

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E hoje, dia 18, é aniversário do meu pai, Armando. Um beijo, pai. Muitas saudades, sempre.

Posted by Maria at 12:59 AM | Comments (17)

fevereiro 06, 2005

Oi oi oi

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Queridos, aqui estou. Andei, de fato, fora do ar. Mesmo. Nem sequer visita ao Montanha eu fiz, que dirá aos outros blogs. É aquela cantilena: estudo todos os dias, pelo menos quatro horas por dia, geralmente na parte da tarde, depois de uma manhã na universidade. Quando chega a noite, estou tão exaurida que não consigo pensar em nada.

Aí vocês perguntam: "Mas essa menina não está exagerando??? Não pode ser assim tão difícil!" E não é mesmo. O problema é que eu estou histérica e quero fazer a prova dessa matéria apenas uma vez pra me ver livre desse martírio (se não passar posso fazer a prova mais uma vez, um mês depois). E não sou apenas eu que estou arrancando os cabelos não, ok? Várias coleguinhas também dizem a famosa frase "Jag fattar ingenting!" ("Não entendo nada!").

Bom, passei o final de semana em casa (= Boden), estudando com a ajuda do meu urso as entranhas do Excel, essa calculadora supersofisticada. Além disso, fiz exercícios, repeti problemas já feitos e li dois capítulos do livro. Devo dizer que descobri o porquê de tanta gente gostar de lidar com o Excel: dá uma satisfação enoooorme quando você entra os dados, faz um monte de contas e depois dá tudo certinho, nas últimas casas decimais.

No mais, tudo em paz. Branquinho, meu cabelo branco que mora no cucuruto da minha cabeça, ganhou um companheiro encaracolado. São vizinhos. Há duas semanas meu estômago está em petição de miséria, nervosíssimo, instável. Tem um infeliz que senta em algum lugar do mundo e dedica sua energia à colocar spams ma-nu-al-men-te no meu blog. Como meus comentários estão fechados (a não ser os dos posts mais atuais), o spammer resolveu atacar meus tréquibéquis. Vê se pode? Se manca, maluco! Sai fora!

A semana começa com uma palestra sobre "correlação", o que é uma parte mais interessante da estatística. Tira-se conclusões do tipo: beber vinho faz bem à saúde (os dados mostram que franceses e italianos, que bebem muitos litros de vinho por pessoa por ano, morrem muitíssimo menos de ataques do coração em comparação com os demais países europeus). Temos ainda exercícios com o Excel (já fiz todos), seminário (já fiz todos os problemas) e aula de matemática (arrrgggghhhttt!!!).

Até! :c)

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janeiro 24, 2005

Oh, céus

Então, acabei de voltar da universidade. Hoje começamos oficialmente o terceiro semestre. Com que curso? Estatística. É, pois é, es-ta-tís-ti-ca. Quando parar de hiperventilar eu escrevo mais, ok? :c/

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Posted by Maria at 12:30 PM | Comments (28)

dezembro 10, 2004

Drottningen av de svarta cocadorna*

flor-h.gifoje descobri a única vantagem em ter crescido num país de terceiro mundo, mergulhado em crises econômicas sucessivas: em aulas de economia em qualquer país do mundo, você é mestre em política monetária, inflação, deflação, estagnação, conjuntura, preços, juros etc. Minhas colegas estavam boquiabertas depois que fiz duas ou três perguntas. Disse que sabia tanto sobre isso por ter "experiência de primeira-mão".

Mas o melhor vocês não sabem! São poucos aqui que me conhecem pessoalmente, mas tenho a impressão que a maioria já compreendeu que sou meio CDF, né? Pois é. Eu nunca falto aulas e quando o faço é por um bom motivo (geralmente pra estudar em casa). Foi o que fiz ontem, quando não fui à universidade pra conseguir dar um gás na minha leitura do livro (bastante complicado) e até encontrei forças pra escrever a primeira versão da prova.

Pois não foi que o professor, que estava explicando desenvolvimento industrial local e internacional, parou a palestra no meio e perguntou pro auditório repleto (quase 90 alunos): "Onde está aquela moça que veio do Brasil?" Sim, ele estava curioso pra saber as condições de produção de empresas como Volkswagen, Volvo, Coca-Cola e que tais em solo brasileiro. Se a eficiência era a mesma das fábricas dos países desenvolvidos etc.

Quando ele me disse que "sentiu minha falta ontem", fiquei verde, vermelha e amarela de vergonha. Expliquei o que tinha feito e ele compreendeu, até porque hoje eu falei sem parar, perguntei e dei palpite a todo o momento quando o assunto era inflação, crescimento econômico e desemprego tanto na Suécia quanto no Brasil. A palestra de hoje foi superinteressante e já me deu outras idéias sobre uma das perguntas da prova.

* A rainha da cocada preta, em sueco. HOHOHO

Posted by Maria at 01:00 PM | Comments (19)

dezembro 09, 2004

Mão à palmatória

flor-e.gifntão, terminei de escrever a prova. Sim, minhas quatro perguntas estão prontas, escritinhas e bonitinhas. Claro que não sei se posso adicionar "certinhas" à essa lista de adjetivos. Na verdade, foi até tranqüilo responder às perguntas sabia? É, eu sei, eu sei, vocês já tinham me dito que seria. Mas eu tenho que fazer meu drama, certo? Afinal, eu sou uma canceriana-almodovariana de carteirinha, ok? Hohoho.

Hoje não saí de casa. Acordei cedíssimo, tomei café, li o jornal e comecei a trabalhar. Já tinha escrito a resposta à primeira pergunta (a que traduzi no post do dia do dia 7) ontem à tarde, quando voltei da universidade. Cheguei a começar a escrever a resposta à segunda pergunta e terminei hoje. A segunda pergunta é: "Discuta de forma crítica a afirmação: é sempre melhor ter um crescimento econômico acelerado do que desacelerado". O bom foi que o professor disse que eu podia escrever sobre o Brasil. Ele achou até interessante poder ler algo diferente. :c)

Então, desci a lenha. A terceira questão era sobre o enorme número de pessoas que não podem trabalhar na Suécia atual por estarem "doentes". Os chamados sjukskriven são um fenômeno atualíssimo (e bem local) e que causa muitos problemas na economia sueca em geral e no mercado de trabalho em particular. A última pergunta era sobre globalização, causas, efeitos, que situação socioeconômica encontraremos quando nos formarmos etc.

E vocês tinham razão em outra coisa: precisei me segurar pra não escrever mais do que o permitido. O bom de se escrever em sueco é que a língua é superenxuta, não tem essa abundância de pronomes do português - o que em outras situações pode até ser visto como riqueza do nosso idioma e pobreza das línguas anglo-saxônicas, que saem juntando adjetivos a torto e a direito com verbos, prefixos, sufixos e até crucifixos.

Agora é só continuar estudando, indo às palestras (amanhã tem uma sobre mercado externo e política monetária), lendo e corrigindo o texto. Sim porque eu tô aliviada por ter terminado de escrever apenas a primeira versão do trabalho. Com o tempo (e até a troca de idéias com coleguinhas) o texto vai mudando e melhorando. Mas o trabalho mais duro já foi feito. Agora eu quero não me sentir tão nervosa. Eu mereço um refresco.

Posted by Maria at 05:00 PM | Comments (10)

dezembro 07, 2004

Buá, quero a minha mãe!

flor-c.gifComeçamos ontem o curso de economia social, que vai durar até o dia 20 de dezembro. Já na palestra de abertura, o professor distribuiu as perguntas da prova/trabalho final, que temos de fazer em casa (e entregar no dia 20). Temos que escrever uma folha A4 para cada pergunta (são quatro no total). Um exemplo?

"Imagine que o Parlamento, para diminuir o desemprego para pessoas de até 25 anos, decida que o salário máximo permitido deve ficar 25% abaixo da média salarial atual. Descreva possíveis conseqüências para os jovens, o mercado de trabalho em si e a economia da sociedade em geral."
Gostou?

Depois tem gente que diz que eu só reclamo.

Posted by Maria at 11:46 AM | Comments (18)

novembro 26, 2004

Tô moooorta

Dia inteiro na universidade, apresentacão do trabalho de grupo. Tudo correu bem, mas a tensão engole minha energia. Obrigada pelos comentários aí de baixo. Já já respondo. Beijo, desligo.

Posted by Maria at 02:24 PM | Comments (7)

novembro 11, 2004

Compulsão

Dia inteiro na faculdade. Palestra sobre OCD (Obsessive Compulsive Disorder ou Tvångstanke, Tvångshandling störning ou Transtorno obsessivo-compulsivo) na parte da manhã. Depois do almoço, seminário, o que quer dizer uma espécie de discussão em grupo. Incrivelmente interessante e estressante. No final, vimos um trechinho do filme "As good as it gets", com o Jack Nicholson. Não sei se é por causa da escuridão (acordei às 6h30 e ainda estava escuro como a noite. Saí da faculdade às 16h e já era noite fechada) ou se me dediquei demais ao curso de leis, o fato é que agora parece que não tenho mais forças pra me concentrar no curso de psi. Tô precisando das minhas meias coloridas... :c) Dificílimo escrever esse parágrafo aí de cima. Passei o dia inteiro falando, ouvindo, escrevendo e raciocinando em sueco. Difícil começar a pensar em outra língua - mesmo sendo português. Ufa!

Posted by Maria at 04:54 PM | Comments (12)

novembro 08, 2004

Reação cognitiva

umea_november.jpg Umeå, 7h38min da manhã

Um dia liiiindo. E produtivo. Palestra sobre psicoterapia cognitiva, muito utilizada no tratamento de viciados em drogas e álcool. Busca-se uma melhoria no comportamento da pessoa, por meio de uma mudança em suas ações, seu pensamento e até de suas emoções. Essa é, aliás, a parte mais difícil, claro. A terapia cognitiva é extremamente pragmática e não tem como objetivo tratar de problemas mais profundos, causados por traumas ou coisas mais cabeludas. Angústia aqui, não existe. Ou se existe, não tem um papel tão proeminente.

O professor, Anders, comentou sobre traumas variados de algumas pessoas cujos casos ele teve contato profissionalmente. Um cara perdeu emprego e posição social por não conseguir controlar sua ira quando alguém, através de um comentário inocente, o fizesse se sentir inferior, "sujo" - no sentido moral e físico. A "explicação" é, segundo Anders, que esse cara não podia entrar em casa quando era pequeno e aparecia na porta sujo das brincadeiras de rua. A mãe simplesmente fechava a porta na cara dele e pronto.

Isso me fez pensar bastante. Primeiro: que bom que nunca tive pais malucos assim. Segundo: até que ponto nossa irritação é válida? Até que ponto um tantinho de repressão não é necessário para que possamos viver em "paz" com outras pessoas a nossa volta? Será que reagimos demais sempre? Terceiro: conviver é uma arte, putz grila.

Posted by Maria at 12:11 PM | Comments (10)

outubro 21, 2004

Quinta-feira

Tô indo fazer prova. Ó céus, ó céus, ó céus! Estudei, sei tudo, mas ainda assim. Ó céus, ó céus, ó céus! Vim aqui só pra reclamar que meu jornal hoje não foi entregue (deixa-se a reclamação no site do jornal...). Agora veja você, no dia em que eu poderia pagar pra dar uma lida nas notícias, tirar minha mente da prova, dar uma relaxada lendo sobre assassinatos, fome no Sudão, guerra no Iraque, eleição americana... Bom, é a vida. Já são quase sete e meia da manhã e nada de amanhecer! Ó céus, ó céus, ó céus! Beijos. Fui.

Update, 12h26: A prova consistia num "jogo de julgamento", no qual alunos foram divididos entre advogados de defesa (eu), acusação, juiz, vítima etc. Correu tudo bem, fizemos bem nossas partes. Dei uma bola dentrérrima, outra forérrima. O cara que eu defendia foi condenado, ou seja, eu "perdi". Bom é que todo mundo que evidentemente fez seu trabalho para que o julgamento funcionasse bem - seja "perdedor" ou "ganhador" - recebeu pontos. A coisa mais engraçada foi que nos outros jogos anteriores (meu grupo era o último de cinco) os advogados de acusação não conseguiram condenar o ladrão. A professora, depois de tudo acabado, disse que "finalmente tinha conseguido uma condenação", de forma que as cartas estavam meio que marcadas. Estou cansada, mas o curso ainda não acabou. Semana que vem tem mais. E dessa vez pra valer: prova escrita das 9 da matina às três da tarde, com a ajuda do livro de leis e olhe lá. Ó céus.

Update, 19h42: Estudo em grupo terminou agora. Maria R. e Elin, companheiras de curso e de grupo, estavam aqui em casa discutindo questões de provas antigas. Estou MOOOOOOOOOOORRRTA. Mas feliz. Dia produtivo é isso aí. Respondo aos emails amanhã, ok? Beijocas.

Posted by Maria at 07:24 AM | Comments (22)

setembro 23, 2004

Perdas e ganhos

Tô sem tempo de fazer social nos blogs queridos e amigos. Me desculpem. Meu tempo online é curtíssimo e o que tenho, divido entre responder emails e escrever aqui. As visitinhas precisam ficar pra depois, infelizmente. Mas estou sempre por aqui, quando levanto o nariz dos livros e me dou recreio.

Ainto tô lendo o "Perdas e Ganhos" da Lya Luft. Leio um pouquinho de cada vez, aí interrompo pra ler um livro ou um texto pra universidade. Mas é até bom, sabia? Esse livro da Lya Luft merece ser degustado com cuidado. Teve uma moça que veio aqui e deixou um comentário perguntando o que eu estava achando do livro.

Olha, estou gostando. Até porque a Lya Luft tem uma qualidade que me agrada horrores: ela escreve com raiva. (Hehehe.) Eu leio os textos dela e a imagino totalmente envolvida, dedicada e concentrada a dizer o que pensa sobre seus temas. Parece que ela tem uma idéia, senta na cadeira e escreve de uma vez só. Quando crescer, quero escrever como ela. :c)

Acabei de voltar de nossa segunda "visita de estudos" do curso. Hoje fomos a um julgamento, pra ver como as coisas são feitas, os procedimentos e tals. O caso era da misshandel, ou seja, violência física entre duas (ou mais pessoas). Estava lá a vítima, um rapaz que foi a uma discoteca comemorar sua festa-de-solteiro e que levou socos e tabefes de um outro, também presente no tribunal.

O cara que deu os socos e tabefes (ele já tinha sido condenado em primeira instância mas apelou para pegar uma pena mais branda) é um típico "pitboy". Baixo, bem treinado, fortinho, cabelo curto. Só faltou o pitbull ao lado. Ele chegou ao prédio algemado, o que me deixou nervosa. Mas, nada demais aconteceu. Não ficamos sabendo o resultado (tivemos que vir embora mais cedo) mas foi uma experiência interessante.

Já tinha visto um julgamento antes, em Nova York, quando morei lá pra estudar inglês em 1998. Foi um caso simples, de roubo. O ladrão era latino (não sabíamos exatamente de onde) e precisava de tradutor. Eu e muitos dos alunos da minha turma entendiamos espanhol e ficamos impressionados com a quantidade de erros que a tradutora cometeu. Bom, a experiência foi muito interessante, ainda mais porque o advogado de acusação (ou procurador público?) era um gaaaaato. Hohoho.

Posted by Maria at 02:48 PM | Comments (9)

maio 16, 2004

Sueco

O texto que leio é um deserto de consoantes, tons fortes e quebradiços. Dói pra falar, pra ler e pra entender. É como andar descalça em cascalho.

Posted by Maria at 05:30 PM | Comments (18)

março 26, 2004

Bicho papão

Hoje apresentamos nosso trabalho de grupo. Discutimos o chamado Kvinnojour, ou casa de amparo a mulheres submetidas à violência masculina. Aqui há casas como essa em todas as cidades e queríamos saber como é que funcionava. A primeira coisa que descobrimos é que, apesar de receber dinheiro de pessoas físicas e das kommuns (governo das cidades) onde se encontram, esses centros oferecem poucas informações à respeito de seus sucessos/fracassos. As estatísticas são furadas, entrevistas difíceis de se obter. Um perregue. Nem parece que estamos na organizadíssima Suécia.

Mesmo assim fizemos o trabalho e foi muito legal. A apresentação foi ainda melhor. Conseguimos despertar a curiosidade da turma que havia sentado calada durante quase todo o dia, em estado de torpor. Como não pude ir à entrevista com as mulheres do kvinnojouren (elas pediram que apenas duas pessoas do grupo fossem), li um livro que elas utilizam em seus cursos sobre a situação da mulher na sociedade e o apresentei.

E fiquei boba com o tom usado. Apesar de apoiar esse tipo de atividade e achar que, de fato, algumas mulheres precisam sim de muita ajuda, depois de ler o livro "oficial" considero os métodos desse kvinnojour um tanto quanto extremos. Há um ódio generalizado por todos os homens, sem diferença. Querem um exemplo? Imagine que uma mulher resolva se mudar para centro e quer levar consigo seu filho. Se o menino tiver mais de 13 anos, ele não pode ir morar com a mãe.

Isso porque aos 13 anos, dizem as mulheres de lá, já há sinais de que o menino começa a ser homem. Daí a proibição. Imagina o meu irmãozinho, que faz 13 anos agora em maio, sendo colocado na mesma categoria de homens violentíssimos? Um absurdo. Aí vocês se perguntam: "Imagina como elas não vêm homens de verdade". Pois é. Homens de verdade elas não vêm mesmo porque o medo é tão generalizado que não há chance. Mesmo quando o medo é plenamente justificado, a adaptação dessas mulheres na sociedade é dificultada pela pregação radical a que são sujeitas.

Sou uma feminista reservada, por assim dizer. Acho que a mulher é sim posta pra escanteio de propósito algumas vezes pela sociedade e outras vezes ela mesma escolhe uma posição menos proeminente. Mas isso é um assunto longo. Ao mesmo tempo que acho fantástica a existência desse tipo de ajuda na sociedade, discuto esse radicalismo. Se eu seguisse pela linha de pensamento do kvinnojouren, teria de afirmar que metade da população mundial é formada por bicho-papões.

Pra descontrair. Sexo na Inglaterra, na Nova Zelândia (hahaha) e... na Suécia. Essa é boa. (Valeu, Alê!)

Posted by Maria at 06:55 PM | Comments (20)

janeiro 21, 2004

Notas

Almoçar é um luxo concedido apenas àqueles que sobreviveram ao primeiro semestre... São tantas providências práticas que precisam ser tomadas que eu precisaria de uma secretária para dar conta de tudo. Não almocei nenhum dia desde segunda-feira.

Hoje comprei os 11 livros obrigatórios para o curso introdutório. Vou começar a ler o primeiro hoje para poder dar tempo de entregar trabalhos, responder às perguntas por escrito, fazer trabalho de campo, pesquisa, relatório e ainda participar de seminários. Gastei uma nota. :c(

Até que não fez tanto frio hoje não, mas também estava tão agasalhada hoje que até suei! O que é horrível porque o suor congela com o frio e você acaba sentindo mais frio ainda. O segredo, me disse meu urso polar, é se vestir em várias camadas, mas evitar sair de casa completamente quentinha.

Ele diz que temos que sentir um pouco de frio mesmo com as roupas (dezenas delas) para que nosso corpo possa funcionar normalmente sem se aquecer demais e provocar o suor. Mas eu não quero saber de passar frio. Me enrolo toda, coloco duas calças, dois casacões enoooooormes e uma botina de respeito.

Nossa, quando mulher quer ser má não há quem agüente, né mesmo??? Nossa, tem cada mocréia na minha turma!!!! :c(

Posted by Maria at 05:19 PM | Comments (0)

novembro 27, 2003

Notas

Acabei de voltar do colégio. Hoje o dia foi longo mas produtivo e muito gratificante. Isso porque recebi minhas notas finais dos cursos que estou fazendo, mesmo ainda restando um mês para o final do semestre. E eu me dei bem! :c)

Consegui alcançar o conceito máximo, MVG (Mycket Väl Godkänt = Excelente), em duas matérias: ciências sociais e religião. Nas outras três, Sueco B para imigrantes, Psicologia e Sueco B comum, consegui tirar VG (Väl Godkänt = Muito bom), o que, pra mim, é ótimo.

A razão de eu estar apressando as coisas é que pretendo um dia conseguir uma vaga na universidade e essas notas ajudam muito a aumentar minha média geral, calculada tendo como base minhas notas no ginásio lá no Rio.

Não sei se vou conseguir uma vaga na universidade, o curso que escolhi é muito procurado, mas tudo bem. A gente tenta de qualquer jeito. Se der, deu. Senão, eu vou chorar na cama que é um lugar quente. ;c)

A foto que ilustra este post eu tirei agorinha, depois de ganhar de presente do meu urso polar esse vasinho com os cactus mais lindos. Queria ter cactus já tem um tempo, mas a grana sempre encontrava outros caminhos... Mas hoje, eu mereço. :c)

Posted by Maria at 03:28 PM | Comments (0)

novembro 24, 2003

Estudando o Islamismo

Estou estudando islamismo pra minha aula de religião. Tenho prova amanhã. Devo dizer que estou me surpreendendo favoravelmente com a fé islâmica pura, isto é, sem a parte do terrorismo, infelizmente cada vez mais ligado à imagem da religião fundada por Mohamed. Aprendo, além dos fundamentos da fé, um pouco de história, o que é fantástico.

Impressionante como o Islam puro e simples não tem nada a ver com a imagem que nós, povos do oeste, estamos acostumados a ouvir na TV. Agora é que eu vejo o quanto a cobertura jornalística tende mesmo a simplificar tudo o máximo possível. A notícia tem que estar digerida, pronta para o consumidor que não tem muito tempo para refletir sobre o que assiste, ouve ou lê.

O mais interessante é que, apesar do livro do meu curso ser simplificado, há uma parte lá em que se menciona a diferença de pensamento do mundo árabe e do mundo de cultura cristã do oeste. No tópico sobre mulheres e seu lugar na sociedade, por exemplo, explica-se que muitas mulheres muçulmanas não entendem o por quê de toda essa preocupação do mundo com a situação delas.

O questionamento se uma mulher deve ter o mesmo valor do que um homem é, ainda de acordo com o que diz o Corão, irrelevante simplesmente porque para eles, homens e mulheres são iguais, mas exercem papéis distintos na sociedade. Quem somos nós para dizer que eles estão errados? O mundo é outro. Veja uma das diferenças apontadas pelo meu livro e que diz respeito à diferença de base da fé para muçulmanos e cristãos:

No mundo muçulmano, a fé absoluta é a base para a tomada de decisão que leva a resolução da maioria dos problemas. Allah é absoluto e não pode ser questionado.
No mundo do oeste, quando se quer resolver um problema, parte-se de premissas distintas, adquiridas na antiguidade. Nós nos questionamos constantemente sobre como resolver o problema da melhor maneira possível.

Posted by Maria at 04:42 PM | Comments (0)

novembro 20, 2003

Matemática

Na minha aula de ciências sociais estamos aprendendo conceitos gerais e básicos de economia. Coisas como PIB etc. É interessante, senão pelas informações em si, pelo menos pelo fato que meu vocabulário em sueco fica maior e mais diversificado a cada dia. Estaria tudo bem se agora não tivéssemos que desenhar gráficos de curva de oferta e de procura e, a partir desses gráficos, deduzir se a economia de mercado está sendo respeitada ou não.

É nesses momentos que regrido à Maria de 20 anos atrás e acontece uma coisa que detesto: me sinto burra. Aqueles numerosinhos, as percentagens, as frases complicadas dos problemas feitas pra fazer você "pensar". Cara, eu não agüento matemática. Tenho uma mente razoavelmente lógica, sou inteligente e tal, mas não me coloque na frente de um problema de matemática ou física porque eu simplesmente saio correndo.

Aquela coisa de x+y=z é tão chata que eu não consigo me interessar. Nunca consegui. Fiz de tudo para melhorar minhas notas, mas as matérias de exatas sempre foram muito difíceis pra mim. Me dê um texto complicado, com múltiplos subtextos, diálogos impossíveis, personagens sem lógica e eu ficarei feliz em tentar decifrar o que o autor quis dizer. Pra mim, sei lá, parece que há mais dimensões na palavra do que nos números.

Sempre tive sérios problemas com matemática, física e química, apesar de me sair um pouco melhor na última graças a um professor de primeira categoria, o Palhares. Mas nunca repeti de ano, como aconteceu com alguns amigos meus. Aí um dia quando eu já estava na faculdade me dando superbem com jornalismo e estudando sociologia, filosofia etc, aconteceu uma coisa que me fez pensar.

Fui ao casamento de uma amiga de colégio e, já na festa, reencontrei todos os meus antigos amigos, com os quais não tinha mantido contato algum por anos. Conversa vai, conversa vem, um dos meus amigos mais queridos, o Raimundo, me pergunta se eu estava gostando da universidade e quanto era o meu CR. Eu disse quanto era (era muito alto) e ele quase caiu pra trás. "Mas você era uma das piores alunas da turma!", ele disse.

Aí parei pra pensar. Sim, eu era realmente péssima em algumas coisas, mas em outras, como História, Geografia, Português, Inglês, Artes etc eu era boa aluna, não excelente, mas boa. Só que o que contava, pelo menos na minha época da ginásio, era mesmo o diabo da matemática. É por isso que sou tão traumatizada com esse inferno.

Posted by Maria at 03:42 PM | Comments (0)

novembro 14, 2003

Provona

Tô cansadona. Acabei de chegar em casa depois de fazer uma prova por quase cinco horas. É isso mesmo, vocês leram certo, cinco horas. Trata-se da prova nacional final do último nível de sueco. Ela dura cinco horas porque é, na verdade, uma "redação". Coloquei entre aspas porque não basta escrever qualquer coisa.

O lance é que semanas antes das provas - sim, são três as danadas - lê-se um caderno com textos sobre variações sobre o tema central, que nesse semestre é "Tempo". Falamos sobre estresse, falta de tempo, gente que tem tempo demais e acaba fazendo besteira etc. Além dos textos, você recebe nessa última prova uma folha com nove questões, das quais deve escolher apenas uma.

Isso porque em cada questão pede-se para se explicar, justificar, comparar e exemplificar nossas opiniões, citando pedaços de um ou dois textos do caderno. Não é difícil, mas é trabalhoso. Resolvi que me concentraria para escrever o máximo possível antes da hora do almoço, que estava marcado de 11h15 às 11h45. Começamos às 8h20 e às 10h30 eu já näo agüentava mais ficar sentada.

Fui dar uma volta, refrescar as idéias. Almocei e voltei pra terminar. Por isso é que a prova dura cinco horas. Como é quase impossível colar na preparação de um texto longo, temos essa liberdade de sair e voltar. Acabei escrevendo mais do que o pedido - máximo de 800 palavras. Dei uma enxugada no texto, que tinha o sugestivo título "Hur lång är tiden?" ("Quão longo é o tempo?" - não fui eu quem o escolheu) e fechei a conta com 786 palavras.

O melhor dessa história toda é que pudemos fazer a prova em computadores. Ficou infinitamente mais simples escrever, pelo menos pra mim, que crio melhor direto no micro. A outra coisa boa foi que nós, imigrantes, pudemos usar nossos dicionários. Eu não me fiz de rogada e levei a turma toda: sueco-sueco, inglês-sueco/sueco-inglês; sueco-português; sinônimos em sueco e até meu dicionário de inglês para quem fala português (da Martins Fontes, muito bom).

Não sei como me saí, mas tentei explicar que pra mim o conceito de tempo é relativo, dependendo se você persegue a pontualidade perfeita ou se leva a vida aproveitando os momentos quando eles se apresentam. Quando se é feliz num instante, vive-se numa outra dimensão, onde o tempo perde em importância para a experiência em si.

Complicado? Bom, fez sentido na hora.

Posted by Maria at 01:58 PM | Comments (0)

novembro 06, 2003

Primeira gången

Acabei de chegar em casa. Dia loooooooongo e prova. Fui bem. Ufa! Na aula de psicologia alguns alunos apresentaram seus trabalhos de aprofundamento. O meu foi sobre Lekterapi. Não sei a tradução para portugisiska, mas é mais ou menos uma "terapia da brincadeira". É um tratamento para que crianças com traumas e dificuldades psicológicas em geral consigam vencer seus medos e voltem a se desenvolver normalmente.

Mas não é sobre isso que quero escrever hoje. É que pela primeira vez desde que comecei a estudar sueco aconteceu uma coisa muito bacana: estava assistindo a uma apresentação de um aluno que falava sobre esquizofrenia e fiz uma anotação sobre o cara, pensando: "Vou anotar isso aqui pra poder comentar no blog depois". O engraçado é que quando fui olhar a anotação agora, vi que ela está escrita em sueco.

Aí você pode perguntar o que é que há de errado com isso. E eu respondo: é que eu me lembro claramente de ter pensado enquanto anotava "vou escrever em português pra garota que senta do meu lado não entender". Escrevi allt som jag ville fast på svenska. Estranhíssimo como o cérebro engana a consciência. :c)

Minha anotação era sobre o cara que estava aprensentando, Hans, que foi adotado na China. Achei engraçado um chinês com nome Hans. Ainda mais interessante é que ele conseguiu apresentar o trabalho sem mexer um músculo da face. Quando falava mal abria a boca. Um fenomen.

Posted by Maria at 03:47 PM | Comments (0)

novembro 05, 2003

Oi

Estou estudando, não dá pra escrever hoje. Bisous.

Posted by Maria at 02:47 PM | Comments (0)

outubro 21, 2003

CDF

Tô "muerta". Trabalhando muito. Escrevendo um trabalho de sete páginas para ciências sociais. Cansada e com dor no ombro, no pescoço, no cérebro. Saudade de escrever aqui, mas não tá dando. Só pra vocês saberem that I care.

Posted by Maria at 05:16 PM | Comments (0)

outubro 13, 2003

Trabalho

Passei o dia inteiro de hoje escrevendo um trabalho para minha aula de religião. Fiz, na verdade, uma matéria e até tive de mudar o "lead" ou o primeiro parágrafo porque estava jornalístico demais, geral demais. O mais difícil nessas horas não é organizar as idéias. Minha capacidade está intacta mesmo três anos depois de ter largado a profissão. O problema é mesmo adequar o que eu quero dizer ao meu vocabulário. Mas consegui. Três páginas, espaço simples, Times New Roman tamanho 12. As palavras que tive que procurar no dicionário:

Dedicar-se: tillägna
Abraçar: omfamna
Estimar: värdera
Solução: lösning
Raro: sällsynt
Multiplicar: multiplicera
Conquistar: vinna/erövra

O assunto do trabalho? Celibato. :c)

Posted by Maria at 04:56 PM | Comments (0)

outubro 07, 2003

Sumida, canja e malandros

Caraca, já é terça-feira? Quase quarta (aqui já são quase seis da tarde). Dia cheio, colégio, estudos. Tenho duas provas difíceis essa semana, por isso ando sumida. Sumi também porque urso polar está doente, gripado.

Além de escrever que nem uma alucinada, estou fazendo uma canjinha pra ele (só espero que fique boa). Urso polar passou o dia inteiro dormitando na frente da TV, no escritório (temos uma cama extra lá, deliciosa), e agora está lá na sala, roncando.

O mais engraçado é que ele "escolheu" de ficar gripado exatamente no dia seguinte em que pedi a ele que me desse um help na limpeza da casa porque estou nessa semana puxada. Depois nego diz que carioca é que é malandro... :c)

Posted by Maria at 06:00 PM | Comments (0)

setembro 03, 2003

Só pra avisar...

... que estou atoladíssima aqui. Preciso ler "Antigona" até amanhã (Já li) e acabar um exercício de sueco (Já terminei). Agora preciso preparar um trabalho sobre a União Econômica Européia. Já já eu volto aqui, ok? Os comentários estão fazendo muita falta, mas não tenho simplesmente tempo de procurar nenhum outro sistema, me inscrever, instalar etc. Se você quiser falar comigo, me mande um email. Já instalei um novo sistema, comente! Ficarei mais que feliz.


Campanha



Porque precisamos ter mais talentos na cultura nacional. Viva o André! (Prosa e Poesia)

Posted by Maria at 08:19 AM | Comments (0)

maio 22, 2003

Não me agüento

Está me dando um aperto no coração ver as despedidas de todos vocês aqui que está sendo difícil não escrever, sabiam? Não, não escrevi o post abaixo apenas para "testar minha audiência", mas fiquei feliz com o carinho de todos.

E não é que hoje pintou assunto? Cortei meu cabelo (ficou lindo) com uma cabeleireira chamada Åsa [ôôssa]; fiz uma prova nacional do último nível de inglês e tirei MVG, que quer dizer Mycket Väl Godkänt e representa "Excelente" no sistema de notas daqui (estou feliz!); consegui um bidrag, ou ajuda financeira, para estudar no semestre que vem (iuuuupiiii), e amanhã é o aniversário de 12 anos do meu irmãozinho Carlos (Feliz Aniversário, meu lindo!).

O fim da picada

Ah, hoje li uma coisa no jornal que me deixou perplexa: uma mulher fez seguro contra feiúra. Isso mesmo, você leu certo. A inglesa Nicole Jones fez um seguro que lhe pagará 100 mil libras caso seu marido a deixe porque ela ficou gorda e feia. E como se a humilhação já não fosse muita, ainda tem a gota d'água: um "painel" composto por dez peões de obra é que vai decidir se ela não é mais atraente. É o fim, não é?

Na reportagem, Nicole diz que o marido vive dizendo que "a trocará por um modelo mais novo" e que se por acaso for necessário o pagamento do "prêmio", ela utilizará o dinheiro para fazer as alterações necessárias para ficar bonita novamente. Céus! Tantos anos de feminismo e avanço jogados no lixo...

Deixa eu dizer uma coisa à Nicole: darling, come direitinho, dá um pé na bunda desse infeliz e encontra um homem melhor. Mas antes, queridoca, vê se arruma um analista porque a coisa tá preta.

Eu hein...

Posted by Maria at 09:43 PM | Comments (0)

maio 13, 2003

Rebeldia

Tô aqui quebrando a cabeça pra escolher um tema sobre o qual vou falar durante cinco minutos na quinta-feira. Prova-teste de sueco. Cinco minutos não é nada, ainda mais pra mim, que falo pelos cotovelos quando estou embalada, mas ainda assim está difícil decidir. O problema é que os temas são tão diferentes e, apesar de serem variados, são quase todos chatos.

Pode-se falar sobre: "Pode ser certo fazer guerra?"; "Uma teoria ética"; "Responsabilidade dos pais"; "Segurança na escola?"; "Cópias piratas" etc. Não disse que não tem nada interessante? Um dos temas é "Uma pessoa modelo - a quem você admira". Poderia até falar sobre isso, mas o problema é que não tenho uma pessoa - apenas uma - a quem admiro sem restrições.

Acho que todo mundo quando olhado bem de perto perde um pouco do seu charme. Se não me engano, o Caetano escreveu em uma música que todo mundo de perto é imperfeito, ou coisa parecida. Nada mais exato. Poderia falar das milhares de coisas que admiro nos meus pais, na minha avó querida, no meu irmão e até nas minhas cachorrinhas. Mas... apenas uma pessoa? Não tenho, não.

Acho que vou escolher esse tema mesmo e me rebelar contra ele ao mesmo tempo. Não dá, simplesmente não dá para ter apenas uma pessoa a quem se considere um "ídolo" sem que se pense que aquela pessoa é gente, que tem mau hálito de manhã e pode ser um pentelho às vezes. É, acho que vou fazer isso. Como eu li por aí, fazer um blog é melhor e mais barato do que fazer análise. *Hohoho*

Posted by Maria at 03:47 PM | Comments (0)

março 12, 2003

Que coisa!

Fazendo exercício pra aula de sueco de amanhã. Ler poemas da Edith Södergran, responder a algumas perguntas de compreensão e mais outras tantas de gramática. No final, traduzir um poema da minha língua pro sueco (como se isso fosse tarefa fácil) e, pior, escrever um poema de amor. Em sueco, lógico.

O poema que escrevi eu não mostro aqui de jeito nenhum, mas a "tradução" que fiz foi a de um poema do meu pai. Acho que é o que mais gosto de toda a obra dele. O original é:

VERBETE PARA WEBERN 2*

Lágrimas gargalhantes
tantas quantos são
os brilhantes pisados

*****Minha "tradução"*****

VERBETE PARA WEBERN 2*

Skrattande tårar
så många som
söndertrampade diamanter



*Armando Freitas Filho, Paissandu Hotel, 1986.

Posted by Maria at 05:20 PM | Comments (0)

março 03, 2003

Impessoal

Fazendo um exercício novo para o curso de sueco. Tinha que ler um livro e fazer uma espécie de diário sobre a leitura. Anotar partes mais importantes, explicar por que; dizer quais os personagens que mais nos marcaram etc. Interessante. Li "Liten Ida", de Marit Paulsen, sobre uma menina nascida na Noruega ocupada durante a Segunda Guerra Mundial, filha de uma norueguesa e de um soldado alemão.

Trouxe comigo outros dois livros pra experimentar. Um sobre um casal que vive separado por força do trabalho do marido - mergulhador em uma plataforma de petróleo na Noruega - e que deixa toda a responsabilidade dos filhos com a mulher, que também trabalha. O outro livro é a tragetória de uma escrava nos tempos do Império Romano.

Na verdade queria comentar uma coisa que vi na TV, um documentário sobre Arquimedes, mas estou sem saco. Mas já já eu volto ao normal. Volta e meia me sinto meio felina. Fechada dentro de casa, sentada perto do radiador, olhando pra fora da janela, vendo o tempo passar. Não, não estou triste nem nada. Estou ok. Mas é o que estou sentindo sinceramente.

Posted by Maria at 02:10 PM | Comments (0)

fevereiro 18, 2003

Descobertas - Upptäckter

Estudando sueco. Texto sobre alma, religião etc. Primeira questão: procurar definições de alma no dicionário sueco-sueco. Segunda questão: procurar definições sobre alma em culturas diferentes.

Achei um site bacanérrimo chamado Wikipedia, com versões em várias línguas inclusive português.

Fiz umas buscas, batuquei umas palavrinhas em sueco, outras em inglês e achei a definicão de alma em várias religiões. Os judeus, muito organizados, dividiram a alma em três partes (Nefesh, Ruach e Neshamah). Para os hindus, a alma em sânscrito é "Atma"; já os budistas não acreditam na existência de alma.

O mais fascinante, no entanto, foi um texto em sueco sobre a religião Sami, o povo criador de renas que habita o norte de Noruega, Suécia, Finlândia e Rússia. Segundo o texto, a religião sami está praticamente morta por força do cristianismo que se alastrou por aqui séculos atrás. Eles eram politeístas e acreditavam que a natureza tinha uma alma.

Que coisa linda!!! Estou enganada ou os índios da América do Sul também acreditavam na mesma coisa? Alguém sabe?

Posted by Maria at 11:16 AM | Comments (0)

janeiro 30, 2003

Socialismo cultural

Apresentei hoje meu trabalho sobre o Brasil, com figuras de overhead (aquele aparelho que projeta na parede imagens impressas em folhas transparentes), e uma folha explicativa. Parece que as pessoas gostaram. Não fizeram muitas perguntas, mas ficaram impressionados pelo fato de o Brasil ter colônias de imigrantes da Ásia e da Europa. Eu disse que todo mundo na sala poderia ser brasileiro porque temos imigrantes da Ucrânia, do Japão, da Itália etc. Não sei se todos gostaram - o senhor que apresentou o trabalho sobre liderança na segunda sentiu falta do futebol - mas a professora disse ter sido "interessante".

Aliás, esse é um traço marcante dos suecos: o reconhecimento por um trabalho bem feito existe, mas é dado com muita reserva. Isso porque é mal-visto socialmente ser melhor do que os outros. Aqui, o socialismo é muito mais do que um sistema político-econômico. É um modo de vida. Perguntei ao Stefan e ele tentou me explicar: numa sala de aula (ou numa empresa, ou num grupo de amigos) você pode se destacar por ser mais capaz, porém é bom que você seja muito melhor do que os outros, assim uma liderança incontestável. Caso seja apenas um pouco melhor do que a média, você não é bem visto. Parece, segundo a ótica social sueca, que você está se mostrando.

Eu sinceramente não sei se aparento saber muito mais do que os outros, até porque ainda cometo muitos erros quando falo. Mas não deixo que isso me iniba e falo pelos cotovelos nas aulas. Participo de tudo, faço perguntas às pessoas que estão apresentando trabalhos e interajo com todos que consigo alcançar. Não sei se eles acham que eu sou metida (provavelmente sim), mas não posso fazer nada contra isso. O que faço para tentar prevenir esse mal estar é ser simpática com todos e, volta e meia, perguntar o que uma palavra quer dizer. Aí eles se lembram que eu não sou exatamente metida, mas apenas uma imigrante. Deixo eles pensarem assim. Quando menos esperarem, estarei falando a língua deles melhor do que eles próprios.

Posted by Maria at 01:12 PM | Comments (1)

janeiro 27, 2003

Na sala de aula

Primeiro dia de aula de sueco com outros alunos suecos. A professora, Helena, me pareceu ser bastante bacana. Depois que me apresentei e participei de duas ou três discussões sobre exercícios na classe, notei uma transformação no seu rosto: acho que ela estava aliviadíssima de eu não ser uma imbecil. Não faço idéia do que ela esperava de mim, mas ela certamente ficou surpresa.

Vamos ler "Homero", "Hamlet" e "Candide", Voltaire. Socorro!!!. Além disso, leremos textos sobre a literatura nórdica na Idade Média. Superinteressante. Vai ser carne de pescoço, nenhuma moleza, mas estou animada. Teremos uma prova de literatura na semana 11 (esqueceram que aqui contam-se semanas? Estamos agora na semana 5), e além disso, faremos exercícios de escrita nos moldes da prova nacional.

Vou ter que comprar três livros caríssimos. Juntos, ficam em mais de 1.200:- coroas (carca de 120 dólares). Tô precisando de um patrocinador, alguém se habilita? :c))) Já tentei localizar alguém que estivesse vendendo livros usados, prática muito comum aqui, mas infelizmente não encontrei ninguém. Mas tudo bem, dá-se um jeito.

Amanhã vou apresentar minha já mais do que ensaiada apresentação sobre o Brasil, com imagens e fotos lindérrimas. Essa é a tal da "prova oral". É pra falar por apenas cinco minutos e o tema é livre. Hoje falaram um senhor sobre técnicas de liderança; uma criatura sobre o nascimento de bebês (!!); e outra criatura sobre sua viagem de férias à Goa, na Índia (ela não sabia nem qual o idioma falado lá).

Agora vou pra auto-escola quebrar a cabeça sobre leis, carros, setas e placas.

Posted by Maria at 11:57 AM | Comments (0)

abril 24, 2002

No curso II

Um pouco frustrada. Algumas pessoas não compreendem direito o que é dito na sala de aula pela professora. Por isso, repetem como macacos amestrados tudo o que é dito, mas o olhar é "em branco", típico de quem não entendeu nada. Não sei quanto à professora, mas eu fico chateada com essa falta de resposta. Tinha tantas coisas pra perguntar para esse povo!

O índice de concentracão é mínimo. Reclamei disso com a minha professora do outro curso - no qual estudo sueco - e ela me disse que é preciso ter muita paciência porque a maioria das pessoas não têm o costume de estudar tanto. Concentracão se aprende na escola também.

A vietnamita, por exemplo, é um problema. Ela parece uma máquina de repeticão de monossílabos em sueco. E pior, com um acentuadíssimo sotaque vietnamita, incompreensível. A professora pergunta: "Vad heter du?" ("Como você se chama?"), e ela diz: "huhum du".

Posted by Maria at 10:37 AM | Comments (0)

No curso

Anotacões rápidas da apresentacão dos nossos países.

-- No Sri Lanka as mulheres não conseguem empregos bons e, em conseqüência, se mudam para o Kuwait ou para a Arábia Saudita para tentar ganhar mais.

-- O Afeganistão teve um período bom, antes dos Talibãs, quando ainda era um país comunista.

-- Ainda fazem testes atômicos debaixo do solo do Cazaquistão.

-- Motivo de orgulho na história bósnia: o assassinato do arquiduque Franz Ferdinand em 1914, fato que deu início à Primeira Guerra Mundial.

Posted by Maria at 10:23 AM | Comments (0)

abril 15, 2002

Novo curso

Hoje comecei um curso novo, que vou fazer ao mesmo tempo em que estudo sueco. É um curso especial para imigrantes no qual estudaremos ciências sociais, leis, direitos e modo de vida da sociedade sueca. Uma das partes mais interessantes é que, além das aulas comuns, que duram quatro horas por dia, teremos visitas de pessoas que nos explicarão como funciona a sociedade desse país. Como funcionam, por exemplo, os sindicatos (aqui é muito importante fazer parte de um sindicato), ou o sistema de assistência social.

A intencão é nos dar mais conhecimento do país, das leis, dos direitos e das obrigacões dos cidadãos, para que possamos nos preparar melhor para o mercado de trabalho. O incrível é que recebemos um pagamento para frequentar as aulas, que vão até a primeira semana de agosto. Quatro mil coroas suecas por mês (US$ 400). Não é muita coisa, mas já é alguma coisa. Ainda não me acostumei com a idéia da cidade me pagar pra eu ter educacão. O curso já é de graca e eles ainda pagam pra você ir estudar. Não é magnífico?

Hoje foi apresentacão e, confesso, o mais interessante foi conhecer pessoas tão diferentes. Estudando comigo temos duas pessoas do Cazaquistão, uma moca do Sri-Lanka, um casal russo, duas mocas da Bósnia e uma de Kosovo, um rapaz do Afganistão, uma moca da Turquia e outra do Vietnã. Ainda tem um rapaz que veio de alguma terra do Oriente Médio, mas não consegui entender qual.

Primeiras impressões: é tudo verdade o que dizem das mulheres da Bósnia e de Kosovo. Haja repressão! Você precisa fazer um esforco pra escutá-las dizer alguma coisa. A orientadora teve de ser perseverante para saber os nomes delas. Uma coisa. Já a russa, que se chama Evelina, parece ser uma simpatia. Além do que, é absolutamente lindo escutá-los falando russo uns com os outros. Não entendo nada, mas é uma língua tão bacana! Queria aprender russo um dia.

Posted by Maria at 01:41 PM | Comments (0)

março 22, 2002

Å Ä Ö

Hoje estou meio sem energia pra nada. Acho que é porque, mesmo sem trabalhar, estou estudando como uma maluca essa língua cretina. E isso, sem dúvida, deve valer como um tremendo trabalho cerebral. Atualmente estou estudando preposicões, o que está me deixando louca. Como em todas as outras línguas que sei, não há regras exatas para a maioria dos casos. Você precisa decorar mesmo. Aliás, só pra dar um exemplo: vocês sabiam que sueco tem NOVE vogais e não apenas as nossas cinco? É que aqui eles resolveram inovar...%&¤##&%%"#... e além do conhecido a, e, i, o, u temos ä (pronuncia-se "é"), ö (ê), å (ô), e y.

...%&¤##&%%"#...(piiiiiiiii)

Posted by Maria at 02:26 PM | Comments (0)