dezembro 26, 2005

Day after

ais um Natal veio e passou, graças. O meu começou com a angústia de sempre, aquele buraquinho no meio do estômago, coração apertado, aquela sensação de que tudo é tão impossivelmente errado, errado, errado! Ainda mais quando precisa-se sair de casa debaixo de neve, que não parou de cair durante três dias seguidos. Foi uma graça. No carro, dei minha chorada tradicional, não apenas pela saudade dolorosa que sinto, que é como uma dor de dente que não me deixa em paz, mas por puro medo da nevasca que fazia o carro balançar in a non-natural fashion.

Mas, apesar dos meus chiliques e graças à paciência sobrehumana do Senhor Seu Urso Polar, chegamos à casa da sogra e depois à da cunhada, sem problemas. Lá, três irmãs (a mais velha tem 13 anos e as gêmeas têm 11) nos receberam com sorrisos que me deram a alegria do natal de volta. Tudo bem que os sorrisos delas começaram quando viram nossa sacolona de presentes coloridos, mas, nada nem ninguém é perfeito, ora bolas. Meu coração congelado e sacolejado aqueceu de vez quando os dois cachorros da cunhada vieram nos receber, abanando o rabo.

A tarde-noite foi ótima. A comida estava uma delícia (salmão, almôndegas, molho, batatas cozidas, salsichinhas, sorvete com frutas, biscoitos com café etc etc etc) e deu até briga - o que, convenhamos, não pode faltar em se tratando de funções sociais que incluam toda a família (nem mesmo na pacata Suécia). Um dos presentes mais apreciados pelas três irmãs foi um jogo do programa Idol, em que se canta e recebe-se uma descompostura dos membros do juri, pré-gravados num DVD. Ganhei presentes lindos e necessários e até um bling bling do meu urso poderoso. Ha!

hoje faz um ano que a tsunami matou centenas de milhares de pessoas na Ásia. São quase 600 os suecos que perderam suas vidas na Tailândia e por isso há cerimônias de lembrança durante o dia inteiro na TV estatal nativa, além de cerimônias ao vivo em locais públicos no país inteiro. Meu respeito e solidariedade vai pra essas vítimas e suas famílias. Penso também nos tailandeses, srilankeses, indianos e indonésios (da província de Aceh) que perderam ab-so-lu-ta-men-te tudo com as ondas gigantescas. Tudo.

As fotos do natal estão aqui, onde pode-se ver, entre outras coisas, imagens de um fenômeno observado apenas nesse país e que batizei de "presente frenesi". O nativo em questão, geralmente um menor de idade, entra em transe quando se vê em meio à presentes de natal. O impulso incontrolável é de rasgar tudo o que vê pela frente e jogar o papel ao lado do presente. O resultado é que machos e fêmeas em idade adulta, encarregados de recolher os papéis de presentes, acabam por jogar fora os presentes também. No final do dia, os nativos menores estão tão exaustos que não sabem o que ganharam de quem, nem tão pouco onde estão seus presentes, os quais invariavelmente podem ser encontrados no lixo, ao lado de restos de comida.

A palavra em sueco do dia é vila, descanso.

Posted by Maria at 12:45 PM | Comments (7)

novembro 24, 2005

Filme, livro, munchies e coluna

Domingo passado fomos (urso estava aqui) assistir a Harry Potter and the Goblet of Fire. É o melhor filme da série. O diretor é Mike Newell, que dirigiu entre outros "Quatro casamentos e um funeral". Levei vários sustos, gostei do tom sombrio das imagens e fiquei maravilhada com a beleza visual do filme (note, logo no início, a cena do torneio mundial de Quiddich). Muito bom!

Dei uma parada no livro da Anaïs Nin. Peguei emprestado "Cries Unheard", o segundo livro da jornalista Gitta Sereny sobre Mary Bell, uma menina que em 1968, aos 11 anos, matou dois meninos pequenos na Inglaterra. Agora, muitos anos depois de solta e vivendo com identidade protegida, Mary Bell conta como foi sua terrível infância. Arrepiante.

Poderia dar meu braço direito/ um dedo do meu pé esquerdo/ uma mecha de cabelo por um chocolate.

Tem coluna nova aqui, sobre regras suecas e brasileiras.

A palavra em sueco do dia é trött, cansada.

Posted by Maria at 07:24 PM | Comments (10)

novembro 11, 2005

Endorfina

Acordei antes dos obreiros começarem a bater martelo. Achei até estranho que tenham esperado tanto, já eram 7:20 da manhã quando ouvi o primeiro barulho. Li o jornal, me revoltei com algumas coisas, mas deixei pra escrever sobre elas depois de voltar de uma caminhada. Aproveitei a beleza do dia pra andar até o supermercado mais próximo, que fica distante uns 30 minutos a pé aqui de casa (o mercadinho na esquina da minha rua faliu).

Andei, andei, andei. Apesar de encasacada (e até por causa disso), suei e devo ter ficado com as bochechas todas cor-de-rosa, como eu sempre fico depois de exercício físico. Comprei todas as necessidades básicas, incluindo pepsi-light e brócoli, que vai ser devidamente comido com arroz. Esqueci do meu chá e do pão-cartolina-sueco, mas tudo bem. Chá de limão quebra o meu galho por enquanto. Voltei de ônibus que ninguém é de ferro.

En casa, arrumei tudo na geladeira e no freezer, tomei meu banho, lavei roupas, comecei (e terminei) de escrever um trabalho que deve ser entregue num seminário na semana que vem e... esqueci que tinha estado tão irritada poucas horas antes. Durante os primeiros minutos da caminhada compuz na cabeça o texto da carta de reclamação que iria escrever ao editor responsável. Mas, quando cheguei em casa, a raiva do repórter que escreveu sobre garotos de periferia de forma tendenciosa desapareceu completamente.

E tem gente que precisa beber ou se drogar para se sentir melhor. Já tentaram endorfina?

E o mistério que não quer calar: por que o nosso cabelo fica lindo sempre quando decidimos cortá-lo?

A palavra em sueco do dia é lättnad, alívio.

Posted by Maria at 01:15 PM | Comments (20)

novembro 04, 2005

Chá e enxaqueca

Há semanas que só tomo chá. Tudo começou com uma enxaqueca pré-menstrual especialmente cruel, com direito a céu estrelado no meio do dia, vômitos, tontura, sensação de que meu fim estava próximo. Nessas horas, não consigo pensar em comida e fico hipersensível a todo e qualquer cheiro. Isso na verdade eu já sou normalmente, mas nessas horas de crise, fico muito mais - qualquer cheirinho, bom ou ruim, me deixa à beira do desespero.

Aí, as únicas coisas que descem são chá, maçã e pão duro sueco (com gosto de cartolina). Volta e meia consigo botar uma banana pra dentro, mas não é sempre. Minha sensação é de que vou morrer de tanta dor. Não posso deitar porque a cabeça pulsa e só melhoro quando fico em pé ou sento. Mas o que quero é deitar porque fico extenuada de tanta dor. Sou sensível à luz também (o que, digamos, não chega a ser um problema no norte sueco nessa época do ano).

O chá que eu prefiro é um earl grey russo, da marca Lipton. É de-li-ci-o-so. Também associo minha vontade crescente em tomar chá com a chegada do inverno. Admito: é muito bom tomar um chazinho vendo neve cair (principalmente quando não se precisa sair de casa). Sobre a dor de cabeça: já estou bem melhor. Mas também tenho dor de cabeça em outras situações. Quando fico tensa e preocupada, por exemplo. E ainda quando resolvo fazer regime. Mas essa dor tem outro nome: chama-se malandragem. Hohoho. :c)

flor_lirio_desenho_peq.jpg

Escrevi esse texto ontem à noite. Qual não foi minha surpresa quando li uma materinha no suplemento de economia do meu jornal de hoje sobre a fábrica da Twinings, localizada em Hampshire, UK. A repórter escreve que a fábrica, que já completou 300 anos de existência, produz anualmente incríveis cinco bilhões de bolsinhas de chá para consumo internacional. Diz no artigo que todos os dias bebe-se 500 milhões de canecas de chá em todo o mundo, mas principalmente em países como Inglaterra, China, Índia, EUA, Japão e Marrocos.

A palavra em sueco do dia é te, chá.

Posted by Maria at 10:26 AM | Comments (16)

novembro 01, 2005

Miscellaneous

Na parede da cozinha, perto da janela, pendurei um calendário. Um quadradinho para cada dia do mês. Todos os dias, à noite, vou lá e faço um traço no dia que passou. Não estou numa prisão, mas a sensação de querer ir embora é muito semelhante.

Só não me decidi pra onde quero ir embora...

Acabei de ler "Olga". A-d-o-r-e-i. Karenin me disse que achava que eu ia gostar mais desse livro do Fernando Morais porque era mais curto. O que será que ela quis dizer com isso? Hehehe :c) Adorei mesmo. Obrigada Ka, queridoca!

A igreja sueca passará a abençoar a união de casais do mesmo sexo. O estabelecimento de "parceria" entre casais de homossexuais já era permitido, mas a decisão da igreja é histórica porque mostra a aceitação de um órgão tão tradicional de outros tipos de amor. Viva!

É por essas e por outras que não posso sequer pensar em voltar a morar no Brasil, onde um simples beijo entre dois atores numa novela provoca uma onda de protestos. Cruz credo, que atraso!

Tive uma surpresa maravilhosa na semana passada: meu pai escreveu um poema inspirado por mim e pelas coisas que escrevo aqui no Montanha! Isso me fez ficar tão feliz e orgulhosa que nem sei como explicar. Um calor cor-de-rosa se espalha no meu peito quando penso nisso. Obrigada, pai! :c*

A maravilhosa Patty mudou de endereço. Agora ela mora aqui: http://www.zerograu.blog.com/. O último post é hilário, com fotos ilustrativas sobre o tal do snus, a meleca mais melequenta que os nativos usam ao invés de cigarros. Blééé.

A neve que caiu na semana passada já derreteu. Saravá, meu pai!

E o melhor de tudo é que outubro a-ca-bou! :c)

A palavra em sueco do dia é glömska, esquecimento.

Posted by Maria at 04:27 PM | Comments (14)

outubro 17, 2005

Digressões

Hoje foi o primeiro dia em que realmente fez frio. Claro, já havia ventado horrores e tal, mas frio mesmo, só hoje. Saí de manhã cedinho pra universidade e o ar cheirava a gelo. Me lembro que a primeira vez que senti esse cheiro (que eu associo a gelo, mas que pode cheirar diferente pra outras pessoas, claro) foi quando viajei pela Europa durante o inverno de 1993.

Havia chegado a Roma de trem pela manhã, faminta e sedenta. Comi uma pizza divina e tomei um suco de laranja que nunca mais esqueci num boteco honesto. Fui procurar o tal do albergue, um pouco fora da cidade. Que ônibus tomar? Depois de algumas tentativas infrutíferas, consegui encontrar o que parecia ser o único romano que sabia falar inglês. Mal e porcamente, é verdade, mas ele me ajudou.

No dia seguinte, me dei conta de que não havia comprado água mineral e, bocó, não sabia se podia beber água da pia (sabe-se lá se a higiene italiana é semelhante ao padrão europeu de qualidade). Saí de manhãzinha e me lembro de respirar fundo, ainda sedenta, esse ar com cheiro de gelo. Congelei imediatamente. Me lembro que nunca havia sentido tanto frio na minha vida (hahaha, mal sabia eu as voltas que a vida daria).

Sobre a água: entrei no primeiro restaurante/café que encontrei aberto, fui até o balcão e pedi um copo d'água em inglês (apesar do meu sobrenome não sei falar quase nada, apesar de entender). A mulher me olhou com cara estranha e deve ter pensado "Porque ela está falando inglês?" Sim, todos os italianos conversavam animadamente comigo e tinham certeza de que eu era uma deles. Ainda me olhando de soslaio, a mulher encheu um copo de água na pia e me deu. Bebi e orei na capela sistina pra não morrer de disenteria (Deu certo).

Essa coisa de ter cara universal é engraçada. Na Espanha passei por espanhola ou italiana (antes de abrir a boca); na Itália, idem. Na França acharam que era italiana por causa do meu sotaque (ohhh, que desespero - já contei essa história aqui). Na Holanda ninguém achou que eu era nada, a não ser possivelmente alguma mistura latina. No México, os simpáticos nativos me disseram que parecia americana (oh christ!), "mas com pais mexicanos", completaram pra me consolar, quando viram minha cara de desespero. Nos EUA sou, claro, "latina", sem maiores explicações. Aqui sou suequíssima - até abrir a boca. E até no Brasil um trombadinha já veio me assaltar achando que era estrangeira.

Na verdade, deveria deixar essa chorumela de trabalho social pra lá e me tornar uma espiã. Hohoho.

A palavra em sueco do dia é ansikte, rosto, face, cara.

Posted by Maria at 04:51 PM | Comments (20)

outubro 07, 2005

:c)



Isso é um vegetal, chama-se Romanesque Broccoli.

Me sinto muito feliz e humildemente agradecida pelos comentários e emails de quem sente falta de ler o Montanha. Vocês não sabem como é importante saber. O intervalo não foi pra dar uma de gostosa, mas aconteceu por pura necessidade emocional. Vou voltando aos poucos, devagarzinho, pra não forçar a barra. Não sou uma pessoa zen, nunca fui. Tenho uma pequena marquinha vertical no meio das duas sobrancelhas que não me deixa mentir. Mas a vida continua, claro, claro.

Amanhã (sábado) tem jogo da Suécia contra a Croácia, pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2006. O melhor jogador do time sueco, Zlatan Ibrahimovic, está machucado depois de um jogo pelo seu clube, o italiano Juventus. Suecos em pânico. A-d-o-r-o o Zlatan. Ele fala um sueco incompreensível (sotaque de Malmö), é metido, se acha o máximo e é mesmo o rei da cocada preta. Ele tem quase dois metros de altura, é atacante, e sempre decide na hora da necessidade. Nem sempre de cabeça; às vezes todo torto, de costas pro gol. Ele é oportunista e talentosíssimo.

Bacana o comitê norueguês do Nobel ter dado o prêmio da paz para a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), das Nações Unidas e para o seu chefe, o egípcio Mohamed El Baradei. Bacana porque foi ele quem desafiou Bush e seus comparsas e pediu mais tempo para achar provas concretas da existência de armas de destruição no Iraque. No mais, se o cara irrita aos EUA, eu já tô gostando. Já o prêmio de literatura desse ano, que deveria ter sido anunciado na quinta passada, não o foi. Por que será?

Novo curso na universidade. Ciências políticas (statsvetenskap). Um quinquilhão de livros e textos pra ler, muitos capítulos de livros pra destrinchar (aprendo quando escrevo, não basta apenas ler, tenho que fazer resumos), milhares de palavrinhasquilométricastodasjuntas pra aprender (os suecos se amarram em juntar duas ou mais palavras pra identificar uma terceira coisa). Exemplo: katt = gato, mat = comida, burk = tigela.
Para nós: “a tigela de comida do gato”. Pros suecos: “kattmatsburk”. Ainda fico maluca um dia desses.

Fui pra casa (= Boden) no final de semana passado. No ônibus, na volta, sentou ao meu lado uma senhorinha de 75 anos. Conversamos as quatro horas da viagem. Ela achou meu cabelo lindo (todos os nativos acham), me perguntou se eu tinha vindo pra Suécia adotada (quando contei que vim pra cá em 2001 ela não acreditou) e contou que estava indo pra Umeå para fazer uma operação no coração. Ela tinha acabado de perder o marido depois de 45 anos de casamento e nenhum dos quatro filhos estava com ela. Fiquei com o coração apertaaaado. Ela disse que era assim mesmo, “afinal”, disse-me ela, “eles têm que trabalhar” (ainda assim, fiquei penalizada. Que diabo é isso? Sua mãe vai fazer uma operação no coração, aos 75 anos de idade, e você não pode tirar um dia de folga? Quequéisso!) No final, antes de saltar no meu ponto, nos abraçamos, ela me desejou sorte com meus planos (contei tuuuudo pra ela) e lhe desejei boa sorte com a operação. Passei o dia todo pensando nessa senhora, cujo nome eu não perguntei.

A palavra em sueco do dia é tacksam, agradecida.

Posted by Maria at 11:29 PM | Comments (30)

setembro 26, 2005

Fim de semana com Willy Wonka



Gene Wilder como o original Willy Wonka e seus Oompa Loompas

Fim de semana bom, com meu urso aqui e tudo. Vimos "Charlie and the Chocolate Factory" e amamos. Pela primeiríssima vez, ever, achei que o J.Depp fez um bom trabalho. Está excelente como o traumatizado Willie Wonka. Adoro a estética do Tim Burton e, se não me engano, acho que vi quase todos os seus filmes.

Vi o original milhares de vezes, todas na Sessão da Tarde da Globo. Ainda me lembro que gostava do casaco roxo do Gene Wilder. Esse filme me faz voltar no tempo, em tardes cariocas quentes, quando tudo o que precisava fazer era simplesmente ser. E se até isso representasse dificuldades, bastava ir até a cozinha e dar um beijo na minha avó. Pronto, problema resolvido.

O que gostei no filme novo:

O tratamento dado aos rostos dos atores principais, cujas peles parecem de porcelana. Sabe aquele efeito Photoshopístico meio irreal do qual toda modelo que se preza já foi vítima? Pois é, Burton usa uma técnica semelhante, o que só faz tornar o filme ainda mais fantástico. Note a pele do J.Depp nos diversos close ups.

O desenvolvimento que o Tim Burton faz com a história. No filme original, feito em 1971 com o fantástico Gene Wilder como Willy Wonka, tudo acabava quando Charlie se revelava um "bom garoto", apesar do azedume de Wonka.

Os pequenos números musicais que os oompa loompas (encarnados por apenas um ator chamado Deep Roy, deliciosamente estranho) fazem quando as crianças petulantes, atrevidas e mimadas vão desaparecendo. Pena não ter a música mais importante: "Oompa Loompa, doompa di da..."

A estética "TimBurtiana" da cidade, o clima meio obscuro, a família de Charlie e seu pequeníssimo casebre torto, Helena Bonham Carter como a mãe de Charlie chupando o chocolate que ganhou do filho (por causa de seus dentes podrões).

A resposta do irritadíssimo e meio off the top Willy Wonka aos comentários chatos de Mike TeeVee. "Mumbler! Seriously, I cannot understand a word you're saying!" e "Once again, you really shouldn't mumble, 'cause it's really starting to bum me out!". :c) Hahaha. Essas eu posso usar por aqui.

A palavra em sueco do dia é choklad, chocolate.

Posted by Maria at 12:29 PM | Comments (12)

setembro 23, 2005

Cansei.

Posted by Maria at 08:39 AM | Comments (9)

setembro 14, 2005

Chuva, chuvinha, chuvona

lov.gifE não é que o outono chegou mesmo? Tá garoando desde cedo e não pára. Falei com Maria-amiga-sueca pelo telefone e ela me disse: "Nossa, está chovendo muuuito". Hehehe. Ela nunca viu chuva de verão no Rio. O pior é que eu tenho que sair daqui a pouco. Se pudesse ficar em casa não acharia ruim. Ontem juntei uns trocadinhos (muitos trocadinhos) e fui ao cinema. Assisti a "Zozo", filme do Josef Fares, diretor sueco com raízes no Líbano. É uma versão romanceada da vida dele, a fuga de Beirute em plena guerra no meio dos anos 80, a chegada na Suécia, a adaptação. Morri de rir e chorei também. Gostei muito.

No mais, tudo bem.

A palavra em sueco do dia é regn, chuva.

Posted by Maria at 12:17 PM | Comments (7)

agosto 28, 2005

Fim de verão


Pega no flagra!

A palavra de hoje é saudade.

Posted by Maria at 03:31 PM | Comments (25)

agosto 27, 2005

De volta

...e acabaram as férias do Montanha. Who am I kidding? Adoro isso aqui e não dá pra ficar longe, nem quando o mundo vem abaixo em diversas áreas da sua vida, você está prestes a deixar sua casa para enfrentar mais um ano longe do urso amado (e agora marido) e chove. Se bem que hoje está o maior sol lindo de morrer. :c) Paulo Coelho* diria que o universo está conspirando para me jogar a diante, longe da minha zona de conforto, à frente e avante! Então tá. Lá vou eu.

Mas, antes: Alugamos ontem dois filmes na locadora, "Kinsey", com o gostosão do Liam Neeson; e "Hotel Rwanda", que ainda não assistimos. O "Kinsey" foi interessante e divertido, porque conta como esse homem interessado por insetos divisou o maior estudo sobre a sexualidade humana até hoje. Eu não sabia que o team do Dr. Kinsey tinha um papel, digamos, ativo na pesquisa... :c) Bacana.

Agora vamos sair para mais um de nossos passeios, um dos últimos antes do ano começar (sim porque o ano aqui só começa depois do verão, assim como no Brasil só começa depois do carnaval). Update :: Acabamos de voltar de Luleå, onde havia festa na rua principal (que é fechada ao trânsito), com tendas de rádios, karaokê infantil e até ópera. Almoçamos/jantamos por lá e chegamos em casa agora. :c)

* E eu li "O Alquimista"! Esqueci de escrever lá no LivrosLivrosLivros!

A palavra em sueco de hoje é tillbaka [tillbóóca], de volta.

Posted by Maria at 11:48 AM | Comments (11)

agosto 23, 2005

Passeio no bosque



mark_mossa.jpg

A-D-O-R-O o musgo no chão da floresta. Clique e amplie.

lingon_field_detalj.jpg mark_svamp1.jpg svampao_lingon.jpg

A primeira foto (esq. para a dir.) é lingon, mais uma frutinha silvestre que os nativos catam nas florestas. O sabor é ácido e, claro, tem muita vitamina C. Aqui come-se o lingon em forma de geléia, com mooooito açúcar, geralmente como acompanhamento de pratos de carne em geral e alce em particular. Já provei e gostei. A segunda e a terceira fotos são cogumelos, uma outra mania nacional. Agora, não me perguntem o nome desses daí que eu não faço idéia.

Passamos o dia de ontem andando por Boden. Saímos de carro para fazer as comprinhas da semana (pouquinha coisa, leite, pão etc) e acabamos alugando o DVD do filme "Lemony Snicket's A series of Unfortunate Events". Resolvemos sentar num banco de parque para tomar um sorvete. De lá, dirigimos para fora da cidade, em busca de uma floresta para caminhar. Andamos, andamos, eu tirei fotos, colhi lingon, vi muitos cogumelos e meio que me senti no meio de uma fábula do La Fontaine.

Fotos novas.

A palavra em sueco do dia é saga [sóóga], saga.

Posted by Maria at 12:43 PM | Comments (15)

agosto 20, 2005

Anoitecer

Paisagem
Noite de hoje em Boden. Exatamente às nove horas.


Céu rosa, geral Céu rosa, detalhe
Noite de ontem em Boden. Lá pelas oito horas.

A palavra em sueco do dia é himmel [rrímel], céu.

Posted by Maria at 05:58 PM | Comments (14)

agosto 19, 2005

Trivial variado

Parece que o governo socialista sueco vai perder nas próximas eleições, marcadas pro ano que vem. Desemprego, economia devagar-quase-parando, welfare decaindo de qualidade são as razões principais. Segundo pesquisas de opinião, se a eleição fosse hoje, os vencedores seriam os moderados, um partido de direita, equivalente, talvez, a uma mistura de PSDB com o PFL. O líder do partido e provavelmente o novo primeiro-ministro, chama-se Fredrik Reinfeldt (foto ao lado) e vem ganhando respaldo junto à opinião pública não apenas por suas idéias, mas também por seus olhos, grandes e castanhos, que a população em geral (mas principalmente as mulheres) acha um charme danado. Tsc...tsc...tsc.

Fiquei simplesmente impressionada com a nova versão do assassinato de Jean Charles, veiculada pela TV e pelos jornais ingleses nessa semana. A BBC News fez uma matéria sobre as discrepâncias da versão oficial e da versão "das internas", a que não veio a público. Se isso for verdade mesmo, estamos diante a um escândalo envolvendo a polícia britânica. E eu fico apenas pensando nesse pobre rapaz, que desespero que ele não deve ter sentido?

E ontem, depois de fofocar por mais de uma hora no telefone com a Ka, me dei conta que estava muitíssimo mais relaxada e animada. Talvez a explicação seja a descoberta de David Sloan Wilson, um professor de biologia e antropologia na State University de New York em Binghamton e autor de "Darwin's Cathedral", um livro sobre evolução e comportamento de grupos. Ele diz que a fofoca nunca foi levada a sério por cientistas que estudam os relacionamentos humanos. Agora, sabe-se que falar mal e/ou comentar o que a fulaninha anda aprontando é uma atividade socialmente importante.

"A fofoca parece ser uma interação sofisticada e multifuncional, que é importante para o controle do comportamento dos membros do grupo", explica Wilson. Quando duas pessoas se encontram para trocar inside information sobre uma terceira pessoa, eles estão passando importantes pedaços de informação adiante, num processo que lembra os métodos de grooming que sociedades primitivas exerciam para ajudar na socialização de seus indivíduos (N.E.: vide macacos e a cata de piolhos).

Uma pesquisa realizada em habitantes de ilhas do Pacífico, crianças americanas, assim como moradores de áreas rurais de Newfoundland e do México, entre outros, confirmou que o conteúdo e a freqüência em que se pratica a fofoca é universal: as pessoas devotam de 1/5 a 2/3 de suas conversas diárias aos mexericos. Homens são tão ou mais devotados à atividade de "passagem de informação adiante" do que as mulheres. (Fonte: NYTimes - precisa ser cadastrado)

E você, sabe da última? Nem te conto... :c)

A palavra em sueco do dia é skvaller [squaler], mexerico.

Posted by Maria at 09:43 AM | Comments (21)

agosto 18, 2005

*Puff*

Cara, tava com um post na cabeça, já com frases feitas, tudo organizado e, *puff!*, sumiu, desapareceu, ninguém viu. Esqueci de tudo, não apenas do assunto, mas das frases que não tive tempo de escrever. Meu urso chegou, o telefone tocou, a chuva caiu, e meu pobre cérebro não agüentou o rojão. Agora estou aqui, fazendo hora, tentando lembrar, enquanto Tico e Teco correm que nem loucos de um lado pro outro dentro da minha mente, tentando reatar os neurônios cansados.

Minha esperança de lembrar sequer o assunto é remota. Da próxima vez que estiver assim, com a cabeça enrolada numa idéia, prometo que não ouvirei nada, nem o "eu ti amo meu lindenha" que, na boca do meu amado fica uma gracinha, nem o barulho do telefone, nem a chuva batendo na janela. Mudando de assunto (pra dar tempo pros neurônios se recuperarem), hoje bati um papo de mais de hora com Ka, minha querida amiga. É páreo duro pra descobrir quem fala mais. :c)

E, claro, como sempre acontece quando nos falamos, chegamos a uma conslusão sociológica muito profunda: que os homens europeus são uns gastadeiros de primeira categoria. E isso, acreditamos nós, não se deve a qualquer falta de caráter dos ditos cujos, mas de uma história de felicidade político-econômica sem precedentes de seus respectivos países. O chamado welfare é maravilhoso, mas mima o indivíduo que se torna incapaz de, por exemplo, poupar uma graninha. Vai lá ler que vale a pena.

Eu, me preparando pra recomeçar as aulas da universidade, mandei um email pro professor responsável pelo primeiro curso do quarto semestre. Escrevi perguntando qual dos seis livros obrigatórios da lista de bibliografia devo comprar e quais os que posso apenas pegar emprestados na biblioteca. Faço isso sempre que inicio um curso novo para poder programar meus gastos.

Ele, muito simpático, respondeu assim:"Oi Maria! Espere para comprar livros. Você receberá muita informação no primeiro dia de aula e poderá, então, decidir quais comprar e quais pegar emprestado. Espere um pouco, não tenha pressa." E eu respondi: "Oi Mehdi! Olha, eu quero comprar os livros o mais rápido possível, já que tenho uma personalidade obcessiva. :c) Mas ok, eu espero." Ah, disse qual o nome do curso? Introdução à Psiquiatria... ahhn???

As palavras em sueco do dia são Piff och Puff, Tico e Teco.

Posted by Maria at 05:39 PM | Comments (9)

agosto 15, 2005

Na floresta, a catar bagas



hallon_detalhe01.jpg
Clique e amplie.

E, depois de quase uma semana inteira com chuvas fortes, fracas, garoa, chuva de vento e todas as variações possíveis, o sol apareceu. Ontem. Hoje já tá tudo nublado de novo. Mas ontem, finalmente, colocamos o pé pra fora de casa para fazer outra coisa que não ir ao supermercado (eu) ou pro trabalho (urso). E fomos realizar uma das atividades mais essencialmente suecas que existe: pegar frutinhas selvagens na floresta.

hallon_arbusto11.jpgJá contei aqui desse costume dos nativos e, na verdade, nunca havia saído de casa apenas com o intuito de achar as frutinhas e passar horas curvada, com as mãos no meio de arbustos fechados. Sempre aconteceu assim, meio que por acaso. Urso chegou ante-ontem do trabalho contando de um local onde havia visto muitos hallon - a nossa framboesa. Como era área de acesso restrito e ele tinha a chave, ninguém poderia entrar, a não ser nós.

Essa é, aliás, uma das regras da coletânea de frutinhas silvestres: você precisa descobrir locais únicos onde pegar suas frutinhas. Onde esses locais ficam é, em geral, informação Top Secret, não passível de divulgação. Todo pegador-de-frutinhas que se preza tem o seu spot e não diz onde fica nem sob tortura. Saímos de casa, então, com nossos recipientes de plástico (antigos pacotes de sorvete). Tem gente que escolhe um balde para a tarefa; nós não estávamos tão entusiasmados.

hallon_geral.jpgE, de fato, o local estava qualhado de hallon. Tão qualhado que a maioria das frutinhas já tinha meio que passado da época, mas mesmo assim, catamos um monte. É claro que nossa colheita não chega aos pés dos catadores-de-frutinhas-silvestres profissionais - geralmente poloneses e outros povos do leste europeu, que vêm pra Suécia durante o verão e o outono trabalhar com mão-de-obra barata - mas, foi o suficiente para nós. Até porque, o importante é o ato de colher as frutinhas, não a quantidade final.

Não, não é desculpa de "má-catadora" não. Esse tipo de atividade - assim como a colheita de cogumelos durante o outono - é reconhecidamente relaxante e tida quase como terapia pelos suecos. Uma das razões disso é o local onde a colheita acontece. As florestas daqui são uma mania nacional, onde os nativos andam para espairecer, colhem flores, cogumelos e frutinhas, as crianças constroem casas de brincadeira, as chamadas Koja [cóia], acampam etc.

Fotos novas, aqui.

A palavra em sueco do dia é bär [béérr], baga (Estranho, né? Pois é esse o sinônimo sim, está em todos os dicionários. Eu traduziria, no entanto, como "frutinha silvestre")

Posted by Maria at 10:23 AM | Comments (15)

agosto 06, 2005

O tapete

tapete_peq.jpgNo ano passado compramos um tapete pra sala de visitas que nos deixou muito felizes. É branco gelo (ou bege enbranquiçado), fofo, simples, exatamente no nosso estilo (foto). O encontramos numa loja de preços baixos daqui, a Jysk. Pagamos pouco mais de 300 coroas, o que, acreditem, é quase nada. Deveríamos ter desconfiado de que o lance era meio furado.

Mas, mesmo assim, levamos em frente a charada. Me lembro que, ainda na loja, examinamos o tapete todo, em busca de furos, descosturas ou manchas. Não poderia ser assim tão barato e não ter problema algum. Não encontramos nada e nos convencemos de que havíamos feito um achado espetacular (impressionante a capacidade de auto-ilusão do ser humano). Nos dirigimos à caixa, pagamos e deixamos a loja muito felizes (ah, os simples prazeres domésticos).

Qual não foi nossa surpresa quando descobrimos, dias depois de termos arrumado a sala com o tapete novo, que as solas de nossos pés estavam cobertas de pequenos tufos de lã. Nos cantos do apartamento, a paisagem era desoladora. Tufos de lã esbranquiçada ocupavam todos os cômodos, descaradamente visíveis. Nem a cozinha se salvava. Observadores, descobrimos que o tapete era a fonte de tal distribuição de pêlos pela casa inteira. Pensamos que talvez lavando o desgraçado, isso acabaria. Mas, infelizmente, estávamos enganados.

Hoje, ainda com o tapete na sala, olho pros cantos da casa e penso que seria uma boa idéia passar o aspirador de pó antes que fique impossível viver aqui. Sou uma criatura ordenada, vocês sabem, que gosta de ordem ao seu redor. Até porque, com tudo arrumado no mundo físico, há mais lugar internamente para arrumações muito necessárias e urgentes. Mas os tufos ainda estão lá, olhando pra mim. Eu fico aqui, olhando pra eles. Quem será que piscará primeiro?

A palavra em sueco do dia é luddig, felpudo.

Posted by Maria at 10:54 AM | Comments (14)

agosto 03, 2005

Bolo de tigre

bolo_marmore.jpgE como sou uma criatura muito "prendada", fui me meter a fazer o que minhas avós sempre chamaram de bolo mármore, pão-de-ló com cacao (foto). Aqui na Suécia esse bolo chama-se Tigerkaka, literalmente "Bolo de tigre" - por causa dos padrões que a massa de cacao faz na massa do pão-de-ló (ou deve fazer, se der certo). Admito que gosto mais do nome em sueco, que soa meio infantil, bacana. Me lembro que não gostava muito desse bolo, que de quando em vez aparecia lá em casa. A razão é simples: apenas uma pequena parte dele era de chocolate! :c)

Me lembro ainda que ficava impressionada com a capacidade das minhas avós, em fazer um bolo incrível desses, cujas cores não se misturavam por algum milagre que apenas a capacidade culinária delas - ou pura feitiçaria - explicaria. Mas, agora, uma mulher crescida, aprendi a apreciar o tal do bolo mármore/de tigre.

A receita eu achei no meu jornal e é muito simples. Os ingredientes são 50 gramas de manteiga, 1 1/4 decilitros de leite, 2 ovos, 2 decilitros de açúcar, 3 decilitros de farinha de trigo, 1 1/2 colher de chá de pó de fermento em pó, 2 colheres de mesa de cacao em pó e 1 colher de mesa de água. Para dar um gostinho extra, eles recomendam 2 colheres de chá de açúcar de baunilha ou a casca raspadinha de 1/2 limão.

Mudei um pouco a receita para agradar ao meu paladar e pelo fato de não ter pó de cacao aqui em casa. Então usei achocolatado em pó (um pouco mais do que a medida do cacao) e essência de baunilha no lugar do açúcar de baunilha (uma coisa muito sueca) ou a casquinha de limão. Para fazer o bolo aqueça o forno em 175 graus. Passe manteiga numa forma redonda de mais ou menos 1,5 litros. Derreta a manteiga e misture com o leite. Bata os ovos com o açúcar até que a mistura fique esbranquiçada.

bolo_marmore_aberto.jpgJunte manteiga+leite com ovos+açúcar e a baunilha. Coloque a farinha e o fermento em pó. Bata até que a mistura fique uniforme. Despeje 2/3 da receita na forma. Misture o cacao com a água e despeje no resto da mistura do bolo que você reservou. Misture um pouco e despeje na forma uniformemente. Asse o bolo por 35 ou 40 minutos (dependendo do seu forno). Deixe esfriar antes de servir.

Update :: O bolo ficou muito bom, exatamente como deve ser, como podem ver pela foto acima. Se bem que me lembro que os bolos mármores lá de casa eram mais "mármore". Acho que da próxima vez misturarei mais a massa de cacao com a de pão-de-ló...Ou misturarei menos... ainda não me decidi. :c)

A palavra em sueco do dia é trolleri, feitiçaria.

Posted by Maria at 11:29 AM | Comments (20)

julho 24, 2005

Engenharia genética

Os primeiros indícios apareceram na Inglaterra, onde enfrentamos 30 graus e eu achei que ia morrer. Mas hoje confirmei: com toda a certeza, meu DNA mudou. Acabamos de chegar em casa depois de sair para comprar algumas coisas no supermercado. Está garoando, 13 graus. Eu, de jeans e camiseta, achei a temperatura uma delícia.

A palavra em sueco do dia é mutant, mutante.

Posted by Maria at 03:34 PM | Comments (15)

julho 20, 2005

Eu, o mundo

Hoje é dia de lavanderia. Está chovendo horrores lá fora. Fiz até dois filminhos com a câmera digital (de mais ou menos 20 segundos cada) mostranho o toró. À uma da tarde virou noite e choveu tanto que a visibilidade caiu a quase zero. Apesar dos trovões, três crianças saíram pra tomar banho de chuva aqui na frente do prédio. Me lembrei que fazia o mesmo quando morava numa vila em Botafogo há muitos anos atrás. A diferença é que eu era mais nova do que as crianças daqui e saía de casa só de calcinha, porque estava quentíssimo no Rio, apesar da chuva. Hoje é dia de ficar em casa, olhando a chuva cair. Meu urso já terminou de ler o Harry Potter (gostou muito) e eu estou quase acabando o The Curious Incident of the Dog in the Night-time, que ganhei de presente de aniversário da Marcinha. Mas escrevo sobre isso mais tarde. Hoje estou com vontade de fazer cadernos de colagem, combinar flores secas em cores pastéis, trocar os lençóis e deixar o quarto inteiro cheirando a lavanda. O mundo está londe de mim hoje.

A palavra em sueco do dia é regn, chuva.

Posted by Maria at 02:31 PM | Comments (6)

julho 01, 2005

Stefan e Maria

3908.gif

Nos casamos.

No civil, na prefeitura de Boden, apenas a família e uma amiga íntima, que por acaso estava na cidade de férias. Decisão tomada na segunda, executada hoje (viva a burocracia desburocratizada sueca!). Dia lindo, sol brilhando e calor de 23 graus. Eu vestia rosa, meu urso de terno preto. Eu usava uma guirlanda de flores na cabeça e um buquê combinando. Meu urso estava lindo. Nos meus pés, as sandálias de salto que usava quando aprendia a sambar com Carlinhos de Jesus. Em casa, torta de chocolate e champagne. Viva! :c)

bolinhazinha06.gif A palavra em sueco do dia é bröllop [brôlôp], casamento.

(Ilustração, Leo Martins.)

Posted by Maria at 03:49 PM | Comments (61)

junho 23, 2005

Diazinho

O que fazer hoje? Ginástica? Nehh... tô cansada de me sentir desproporcional todos os dias. Mas pelo menos fiz uma coisa útil hoje: limpei o banheiro, o que sempre me satisfaz, incrivelmente. Parece que preciso realizar uma tarefa simples como essa para ter uma experiência de bem-estar interior. Lave o seu banheiro e poupe dinheiro de duas sessões de análise! Ajudaria ainda mais se tirasse o aspirador de pó e desse uma ronda no apartamento, mas ainda estou me decidindo nesse aspecto.

Hoje no jornal: críticas à política de imigração sueca; jornalista de um dos jornais mais populares do país foi preso por ter pornografia infantil em seu computador no trabalho; o escândalo do Lula/Dirceu/Jefferson chegou aqui e eu, finalmente, compreendi o fio da meada graças à capacidade do correspondente do jornal na América Latina, Nathan Shachar; e achei uma receita deliciosa de um tiramisu de morangos, feito com mascarpone que eu simplesmente tenho que provar.

Não tenho visto mais futebol porque a seleção conseguiu me irritar depois daquele jogo mixuruca contra o México. Ontem eu "esqueci" de assistir à batalha contra o Japão (meu deus, a que ponto chegamos?). Freud explicaria esse meu "esquecimento" com gosto. Alguém sabe me dizer se essa Copa das Confederações vale alguma coisa? Tipo uma vaga na Copa do Mundo de 2006? Não, pensando melhor, é melhor não saber de nada e continuar nessa feliz ignorância que me protege contra ataques de irritação mais fortes.

A palavra em sueco do dia é: ro [rúú], paz, tranquilidade, sossego, calma.

Posted by Maria at 01:36 PM | Comments (8)

junho 16, 2005

Ufa!

Então, acabei de voltar da ginástica. Primeiro dia. Ó céus, o que três anos parada não fazem com a gente? Mas exatamente por isso, fui com calma. Vinte minutos de bicicleta ergométrica e só. Saudades dos meus tempos de aeróbica diária, quando tinha um fôlego de nadadora russa. Hohoho. Quando saí da bicicleta me concentrei pra não dar uma de Bridget Jones e desabar no chão.

A palavra em sueco do dia é: träningsvärk [trééningsvérk], dor de treino.

Posted by Maria at 02:18 PM | Comments (15)

junho 14, 2005

Prazeirosa rotina

lily02.gifAdoro acordar de manhã. Adoro levantar da cama, verificar o relógio digital com luz azul de fundo. Adoro abrir as persianas da sala, da porta da varandinha, da cozinha, enquanto a cafeteira faz café. Adoro dar uma olhada no jornal, em cima da mesa da cozinha (meu urso o coloca ali todas as manhãs, quando sai pro trabalho). Adoro tomar café da manhã ouvindo rádio. Adoro terminar o café e ir pra sala. Adoro abrir a porta da varandinha, e me sentar no sofá pra ler o jornal. Adoro o silêncio das manhãs. Adoro ver o janitor cortando a grama. Adoro assistir aos treinos de (des)obediência de um cachorro da raça collie chamado Otto, no gramado em frente ao apartamento. Otto nunca obedece à dona, uma menina que sempre sai correndo pelo gramado gritando "Oooootto!". Hehehe.

Por outro lado, rotina era uma coisa que Cazuza sempre odiou. No livro "Só as mães são felizes", de Lucinha Araújo e Regina Echeverria, que ganhei da Grace, a quem agradeço muito, a mãe do cantor conta exatamente isso. Estava cansada do Vilhelm Moberg (que retomo agora pra ler até o final), por isso peguei o livro pra dar uma olhada ontem à tarde. Não parei mais.

Li o livro inteiro ontem, numa urgência de saber como Lucinha Araújo passou pela loucura de perder seu filho único para a AIDS. Eu já sabia o resultado, mas ainda assim li o livro à jato, impulsionada pela história escrita urgentemente - tão urgente quanto a vida que Cazuza viveu. Tudo tinha que ser o mais intenso possível, o mais desafiador, o mais transgressor. Ao mesmo tempo em que ele provava todos os limites, a mãe e o pai sempre ali, ao lado, apoiando. Deve ter sido muito difícil. Mas, que amor!

Posted by Maria at 01:29 PM | Comments (19)

junho 12, 2005

Que dia!

Acredite se quiser: está fazendo 22 graus aqui em Boden e eu não pretendo ficar em casa nem mais um minuto sequer. Fui! :c)

Posted by Maria at 02:15 PM | Comments (4)

junho 11, 2005

Esquilo, cabeça de vento e chocolate

Hoje, no café da manhã às seis e meia da matina, vi um esquilo marrom-avermelhado subir pela parede externa do meu prédio, olhar com interesse para minha mesa, para mim, e continuar andando em direção ao telhado (o prédio tem apenas três andares, moramos no terceiro).

No carro, ontem à tarde, sei lá porque, me veio à cabeça que não leio (livros) há dois dias. Logo em seguida lembrei de uma entrevista que a atriz Linda Hamilton deu na Oprah dizendo que passou por uma depressão braba, durante a qual ela pouco saía de casa e só lia, lia, lia...

Ontem fui ao supermercado comprar pasta de dente, creme hidratante e sabonete. Não achei o creme, esqueci a pasta de dente e o sabonete, mas saí de lá feliz: comprei um pão francês liiiiindo que ainda estava quentinho, saído do forno. Quem não tem padaria, caça com supermercado.

Já faz tempo que não dou receita aqui no Montanha, essa vale a pena.

zrg011.jpgPequenos pudins quentes de chocolate

Ingredientes:
50 g de manteiga
100 g chocolate meio-amargo
1 ovo
1 gema
2 colheres de mesa de açúcar
4 colheres de mesa Baileys irish cream

Modo de fazer
1) Forno elétrico aquecido até 210 graus. Selecione quatro formas refratárias pequenas.

2) Bata na batederia o ovo, a gema e o açúcar até que a mistura fique enbranquecida e volumosa.

3) Derreta o chocolate junto com a manteiga (eu faço isso em banho-maria pra não queimar) e adicione o Baileys.

4) Adicione o chocolate à mistura dos ovos, misture bem e coloque tudo nas forminhas - mas não as encha completamente até a beira, deixe um espaço porque o treco sobre.

5) Deixe ficar no forno mais ou menos uns 10 minutos (eu sempre deixo mais tempo, até que os pudins cresçam bastante).

6) Tire do forno e sirva imediatamente, acompanhado de sorvete de creme. É um absurdo de bom.

Dica: faça a receita com chocolate de primeira linha. Já tentei fazer com aqueles chocolates meio-amargos comprados em bloco, meio vagabond. Não serve não. O lance tem que ser bom.

Posted by Maria at 08:09 AM | Comments (10)

junho 05, 2005

Um dia na minha vida

Sento aqui na minha sala e penso. Às vezes olho pra TV, a Suécia joga contra Malta, numa eliminatória da Copa do Mundo do ano que vem. Abaixo o som e começo a escrever no meu caderno preferido.

Meu urso está finalmente em casa, depois de ter trabalhado o sábado todo. Ele dorme. Está cansado. Também estou cansada, mas não durmo (pelo menos não de dia!).

Na minha cabeça, no meio dos afazeres do dia, passam mini-slides do Brasil, flashbacks rapidíssimos. Me lembro das coisas mais esdrúxulas. Meu carro numa rua, uma esquina, um cheiro.

Não é saudade, é quase como uma purificação do sistema. Como um dependente de drogas, álcool ou chocolate que tenta deixar o vício. Pequenas pontadas no meio do peito.

Me lembro, por exemplo, de um dia em que tentei aprender a fazer crochê com minha avó paterna. Ela fazia as coisas mais inacreditáveis - todas com lãs de lamê prateado (ou é assim que me lembro, pelo menos).

Nunca consegui aprender.

Penso no que uma querida amiga me disse, quando nos encontramos pela primeira vez. Ela é uma dessas pessoas que observa mais do que fala. O que ela me disse, assim, en passant, ficou gravado na minha memória.

Ela disse que dá pra sentir no texto de alguém quando essa pessoa está em paz consigo mesma. Querida amiga, tens razão. Ainda não cheguei lá, mas estou à caminho.

A Suécia venceu Malta (jogaço - seis a zero), meu urso acordou e está aqui do meu lado olhando curioso pro texto em português nas páginas do caderno, adornado com imagens de maçãs, e nesse momento não penso em nada, apenas sou.

Posted by Maria at 12:18 PM | Comments (10)

maio 24, 2005

Que sono!

Acordei quase às 11 da manhã hoje, o que é raridade. Acho que a última vez que dormi até tão tarde ainda era adolescente... Mas, estava tão cansada ontem (fisica e emocionalmente) que acho que precisei desse descanso. Continuo meio zonza e acho difícil acreditar que já são mais de quatro da tarde. Cadê o dia de hoje que eu não vi passar? Meu urso, que está de folga por ter trabalhado no final de semana, me acordou pra mostrar que uma carta que escrevi pra editoria de opinião do meu jornal foi publicada hoje. Por tanto, se você mora na Suécia, pode ler em sueco (e estiver interessado, óbvio), veja o Dagens Nyheter de hoje. As cartas não aparecem online, sorry, folks. Tem uma família de passarinhos que mora no teto da nossa pequena varandinha. O macho, muito pomposo, canta que é uma beleza. :c)

Sobre o lance da Embratel (Valeu pela dica, Lia!). Então, obrigada a todos vocês que deixaram comentários ontem com a dica da Embratel, cujos serviços eu tentei usar, mas não consegui. Liguei para 020 79 90 55, que é o número da Embratel em Estocolmo e segui as instruções da voz automática. Mas, quando digitei o telefone do meu pai, a voz me informou que o número não era válido. Digitei, na primeira tentativa, 21 + telefone do meu pai e não consegui, número inválido. Na segunda tentativa, coloquei um zero na frente do código de área, mas o número ainda não era "válido". Na terceira tentativa requisitei ajuda de um humano, mas a ligação caiu. Aí, desisti. Como estava cansada e aflita pra falar com meu irmão, liguei com a linha de telefone fornecida pela nossa empresa de banda larga. Paguei apenas 0.89 öre (centavos daqui) por minuto, o que é uma pechincha. O que será que eu fiz errado?

Posted by Maria at 04:39 PM | Comments (6)

maio 21, 2005

Direitos humanos num sábado morno

No dia de hoje, um ano atrás, escrevi sobre a vergonhosa retirada dos egípcios Ahmed Agiza e Muhammed Al Zery do solo sueco por agentes da CIA com a benção do departamento de estado local. Pois ontem o rádio, a TV e os jornais daqui noticiaram que o comitê anti-tortura das Nações Unidas condenou a Suécia na questão Agiza-Al Zery. O comitê acusa a Suécia de ter violado a convenção contra a tortura, criada e defendida pelas Nações Unidas.

O problema é que a Suécia escolheu acreditar na promessa do governo egípcio de que Agiza e Al Zery não seriam torturados, mesmo sabendo que tortura é método recorrente nas prisões do país, ainda mais depois de 11 de setembro 2001. Essa "ingenuidade" sueca, que muitos preferem chamar de uma vontade de fechar os olhos aos direitos humanos para fazer a vontade dos EUA, é que influenciou o julgamento do comitê. O Human Rights Watch vai um passo adiante e diz abertamente num estudo que o governo sueco estava plenamente consciente de que Agiza e Al Zery seriam torturados e ainda assim liberou o transporte dos dois para fora do país.

Mudando de assunto. Sem a menor vontade de fazer nada. NA-DA. Meu urso viajou a trabalho de manhã cedinho. Ele me acordou pra dizer tchau mas eu estava tão zonza de sono que não consegui dizer nada. O bom é que consegui dormir novamente. Ele acabou de passar aqui em casa pra me dar um beijinho e se mandou novamente. Dei meus chicletes de morango pra ele, que não gosta de mastigar coisa alguma a não ser comida, mas estava com a boca seca de tanto falar. O tempo também não ajuda. Tudo bem que tá 16 graus mas e o vento? Pra quê? Pelo menos não está chovendo. Alltid något.

Acabei de ler o Håkan Nesser e gostei muito, apesar de ter sacado um lance vital no complô no meio do livro - e ter meio que estragado o resto. Só se fala do Melodifestivalen. Que a Suécia vai perder feio, que vai ter de entrar no qualifying no ano que vem etc. Eu acredito que a Grécia ainda tem as maiores chances, mas os noruegueses estão ganhando espaço e devem receber a maioria dos votos suecos. Isso porque os países não podem votar em suas próprias músicas, mas apenas em outras. Vizinho vota em vizinho, compreende? Suecos sempre votam por noruegueses e vice-versa. (Mais uma vez: imagina se o Brasil votaria pela Argentina? Nunquinha da Silva Sauro).

Posted by Maria at 03:42 PM | Comments (11)

maio 16, 2005

Tralha, Brasil e TV

marca.gif Passamos o fim de semana em Piteå, ajudando minha sogra a se mudar para um apartamento menor. Muito trabalho, muita tralha, muito cansaço. Descobri que assim como cor dos olhos, formato do rosto e corpo, ajuntamento de tralha também é uma característica genética passada de geração para geração, de pais para filhos.

marca.gif Ficamos hospedados na casa dos tios do meu urso. Na noite de sábado discutimos a viagem que eles farão ao Brasil em dezembro. Eles visitarão Ilha Grande e, claro, o Rio. Vimos mapas e as homepages dos hotéis deles. O tio me mostrou uma mochila onde ele guarda sua câmera com uma lente longuíssima (e caríssima). O encoragei a levar a câmera para Ilha Grande, mas disse pra deixar a maleta no cofre do hotel no Rio.

marca.gif Nada mais a fazer ou comentar. Hoje o ponto alto do meu dia ainda está para acontecer: assistirei a "Oprah". Mais tarde, tem CSI NY. E o livro continua bom. É uma versão melhorada do Wallander do Henning Mankell. Quem lê Mankell e gosta, adora Nesser.

Posted by Maria at 12:04 PM | Comments (7)

maio 13, 2005

Toc toc toc

on_the_shelf.jpg

Cacilda, e hoje é sexta-feira 13! Só agora que me toquei. Hohoho

Posted by Maria at 12:21 PM | Comments (9)

Sol e chuva

Menino, ando desligadíssima. Acho que é a primavera, o "calor" e o sol que me deixam assim, assim. Mas o fato de finalmente não ter nada pra fazer (nem que seja por uma semana) faz com que fique assim, meio que fora do ar. Não fosse o Montanha, minha mania de assistir noticiário na TV e ler jornal, acho que nem saberia que dia é hoje. Meu cérebro está num estado letárgico - e olha que não bebo e nem fumo, uso apenas chocolate para alterar meu estado de cosnciência. Será que estou cansada? Pode ser. Por outro lado, minha alegria com o tempo não tem fronteiras. A temperatura está por volta dos 10 graus, o sol nasce por essas bandas às 03h20 da matina e vai se pôr somente às 21h45. E só fica melhor - mais luz, mais luz! - a cada dia.

Ontem, no entanto, choveu muito, água misturada com gelo. Estava lendo na sala, quase dormindo, quando acordei com os estalos do gelo contra a janela. Levei um susto porque nunca tinha visto granizo aqui, mas era sim gelo misturado com água. Fui fazer um chá e sentei na frente da janela, vendo a chuva cair. Aliás, essa coisa de chuva é engraçada. A chuva de ontem foi classificada na ordem de dilúvio porque aqui quando cai uma garoinha, nego já diz que é toró. Eu, que sobrevivi a várias enchentes de verão cariocas, acho engraçado. Quando chove muito por essas bandas diz-se que spöregnar [spôregnar], que literalmente significa que chove como "lanças", ou seja, as gotas de chuva caem como lanças no chão. Vai entender. (Pelo menos é melhor do que It's raining cats and dogs, é ou não é?)

Essa semana recebi a visita da minha amiga Maria, do marido Jonas e a filhota Sandra (1 ano e meio), que vieram de Umeå e passaram dois dias em Boden. Andamos muito pela metrópole, tomamos muito sorvete (tava calooooorrrr!), andamos de carro, vimos "Bambi" no DVD (mais eu e Maria, Sandra nem se tocou) e nos divertimos muito aqui em casa. Ontem ultrapassei um medo que tinha: liguei para Malmö (terceira maior cidade sueca, localizada no extremo sul, pertinho da Dinamarca - veja mapa da Suécia aqui) pra saber uma informação. A dificuldade é que o povo que mora em Malmö fala um dialeto complicado, com uma série de sons esquisitíssimos, que complicam a vida de quem não está acostumado. Mas, sabe do que mais? Deu tudo certo, entendi tudo. Um barato. :c)

No mais, tudo em ordem. Volto quando tiver mais o que escrever.

Posted by Maria at 09:35 AM | Comments (5)

maio 06, 2005

No cinema

Acabamos de chegar em casa. Fomos ao cinema assistir a Kingdom of Heaven. Vamos combinar o seguinte: eu adoro os filmes do Ridley Scott. Sabe aquela ambience do Gladiator, do cara tocando com as pontas dos dedos o trigo e tal? Pois é. Esse filme é mais violento, mas mesmo assim é um luxo. O Orlando Bloom é mai-o-meno, assim assim. Tá sempre com uma cara de assustado. Mas o filme é ótimo.

Comecei a gostar de Ridley Scott quando assisti a Blade Runner pela primeira vez. O filme foi lançado em 82, quando em tinha apenas 11 anos e ainda era fã do Didi Mocó. O assisti anos depois, acho que numa sessão da tarde, e me apaixonei. Comprei o livro "O Caçador de Andróides" do Philip K. Dick, no qual o filme foi inspirado, e me decepcionei horrores. A estética do Ridley Scott me pegou de jeito. O livro me pareceu meio desorganizado, confuso, sombrio demais.

Anyway, meu urso A-DO-ROU o filme e me disse durante o filme inteiro (in-te-i-ro) que o Ridley Scott havia sido muito acurado na caracterização das roupas, das armas, de tudo. Sonho de consumo da criatura é uma espada de cavaleiro das cruzadas de verdade. Eu, hein. Não, falando sério: o filme é ótimo. Vale a pena (apesar da matança generalizada).

Update => O Mauro perguntou e achei interessante comentar. Sim, o Ridley Scott retrata os árabes/muçulmanos (no filme, saracenos) de forma muito diferente do que estamos acostumados a ver em filmes atuais (pós e até mesmo anteriores ao 11 de setembro). Salah-Ad-Din (Saladin) era historicamente um exemplo de civilidade, principalmente se comparado com os europeus bárbaros - que faziam guerra apenas por fazer e diziam que era a vontade de Deus. No filme, aparece exatamente essa civilidade de forma gritante. O mais interessante do filme não é o Orlando Bloom ou qualquer outro ator. O mais legal é a tensão sobre quem controlará Jerusalém. Uma pena o filme ser financiado por estúdios americanos. Fosse uma produção européia talvez a história da cidade mais cobiçada da história da humanidade estivesse no centro da narrativa.

Posted by Maria at 09:57 PM | Comments (11)

maio 05, 2005

Chuva, feriado e preguiça

Quer ler as más ou as boas notícias antes? Bom, a má notícia é que chove há três dias sem parar. A boa é que hoje é feriado e poderemos passar o dia sem sair de casa! E tem mais: os suecos - pasmem! - também dão uma enforcada básica na sexta-feira que sobrou da semana e eis que temos um super-feriado de quatro dias. :c)

Ontem partimos para uma expedição exploratória do Willy:s (se lembra, Marcinha?), hipermercado barateco distante 20 minutos de carro daqui de casa, já que estávamos a zero no quesito alimentos. Na volta, não resistimos e paramos na loja de eletrônicos (vulgo "Ursos playground"). Saímos de lá quase ilesos: compramos o DVD do "Nome da Rosa". :c)))

Acabei de ler "Brick Lane" e... gostei. Assim, assim. Tem partes muito emocionantes e bem escritas, mas eu cortaria umas 100 páginas do meio que mais me parecem a boa e velha encheção de linguiça. O mais interessante é que a Monica Ali escreve de forma bem descritiva, sem muita análise subjetiva de emoções. As emoções estão lá no livro sim, mas são descritas, não sentidas. Dá pra entender?

Bom, enquanto você senta aí na frente do computador e pensa na profundidade da minha análise escrita no parágrafo acima, vou ali na sala me esticar no sofá, ver a chuva cair e me entreter com as aventuras do lindão do William de Baskerville, ok?

Tatá!

Posted by Maria at 11:54 AM | Comments (12)

abril 26, 2005

Dia de cão

Acordei às quatro da manhã e não consegui mais dormir. Apesar disso (ou até por causa disso), saí atrasada pro "trabalho". Já no carro, reparei que estava com pouca gasolina, mas depois de um rápido olhar pro relógio decidi que não seria recomendável parar naquele momento para abastecer. Passei a manhã inteira transcrevendo uma entrevista que fiz ontem à tarde, com meu terceiro entrevistado pro meu trabalho de final de semestre. Quem já teve de fazer esse tipo de trabalho sabe a chatice que é. Como uso um computador meio que público, salvei o arquivo pro meu webmail, apaguei o arquivo da memória do micro e fui almocar.

Na parte da tarde terminei de fazer a transcricão e imprimi o trabalho todo, só por seguranca. Essa medida provou ser a mais inteligente do dia de hoje (ou talvez da semana, ou do mês) porque logo em seguida apaguei o arquivo do computador (e da lixeira e do folder de temporários, como boa neurótica que sou) ANTES de enviá-lo para meu webmail. Resolvi que depois dessa precisava ir pra casa. Quando sentei no carro, notei uma luzinha amarela no canto esquerdo do painel. A (falta de) gasolina! Parei num posto no caminho de casa e quase quebrei a mão ao tentar abrir o tanque do meu carro.

Sem brincadeira, será que existe alguma projetista do sexo feminino na equipe que desenvolve os carros mais vendidos da atualidade? Não que meu carro seja atual (well, ele foi atual há exatos 20 anos), mas ainda assim. Carro é um dos objetos mais sexistas que existem na face da terra. Ir a um posto de gasolina ou a uma oficina mecânica são meus pesadelos mais recorrentes, tanto aqui quanto no Brasil. No final, depois de muito torcer e de dizer uma série dos impropérios mais cabeludos que conheco em português e em sueco, consegui abastecer. Mas a bomba era duríssima. Exausta, coloquei apenas o bastante pra chegar em casa.

Já em casa, liguei o computador e, claro, ele não funcionou. A rede que temos aqui em casa não deu sinal de vida e meu urso, óbvio, está viajando. Tentei algumas coisas, mas no final de 20 minutos desesperadores, peguei o telefone e liguei pra Stefan. Briguei, briguei, briguei. Fui tomar um banho, voltei, liguei pra ele, pedi desculpas e resolvi o problema. A solucão era reiniciar o roteador. Demorou três minutos e nem precisei baixar a cabeca. Já escrevi a parte que faltava do trabalho de hoje e arrangei tempo até pra responder a alguns emails (mas não a todos, já já o farei, ok?)

E qual a explicacão pra essa alteracão toda, pergunta você, leitor interessado e até certo ponto bisbilhoteiro. O lance, minha gente, é que estou no meio de ma chérrie la TPM. Não me lembro muito bem dos meus sintomas no Brasil (acho que soltava os cachorros em tudo e todos e dirigia muito rápido também) mas aqui a coisa aperta.

Todos os tipos de pensamentos malucos baixam na minha cabeca: que eu vou é voltar pro Brasil, que esses suecos são uns chatos mongolóides arrogantes cheios de si pentelhos imbecis e que eu não aguento mais falar essa lingua, que eu quero mais é gargalhar beeeem alto no meio do supermercado e não ser chamada de doida, que quero andar na rua e me sentir em casa... Essas coisas que vocês já sabem.

Tô meio acabada. Mas amanhã é um novo dia... e tem mais. Ó céus.

Posted by Maria at 09:43 PM | Comments (25)

abril 23, 2005

A correria continua

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Minha vida continua uma correria, o que não é um mau sinal. Não vou ficar aqui pedindo desculpas por não escrever porque acho que todo mundo já entendeu que a coisa está pegando por aqui. Mas não posso deixar de dizer que morro de saudades de ter tempo pra pensar em assuntos, em textos, em imagens, em frases e títulos bacanas. Sou um desses bonequinhos malucos aí de cima - só que numa versão mais bem-nutrida (infelizmente).

Já que não posso escrever nada sobre meu trabalho, me reduzo à conversa de circunstância. O tempo aqui no topo do mundo está ótimo (xô olho grande), muito sol, mas meio frio também. Ainda mais com vento. Como eu já escrevi aqui no Montanha uma vez, deveria ser proibido ventar no norte da Suécia. Meu urso ganhou do chefe uma câmera da Logitek, que é um espanto de pequena (pouco maior do que um maço de tubos mortais de nicotina) e está fazendo minha vida um inferno. Já me filmou dormindo, comendo, vendo TV e escrevendo aqui. Ó céus.

Agora me vou. Mas eu volto. Beijocas.

Posted by Maria at 11:44 AM | Comments (16)

abril 16, 2005

A minha, a sua, a nossa mudez

Hoje passei o dia inteiro sem pronunciar uma única palavra. Urso viajou a trabalho, eu não preciso sair de casa e posso me dar ao luxo de ler e assistir TV sem peso na consciência. Fui ler depois do almoço. Tirei o telefone do gancho e ainda não o coloquei de volta. Tô com vontade de falar não. "Brick Lane" é um absurdo de bom. Não consigo parar de ler, apesar de ficar cansada, querer dormir ou fazer outra coisa. Tenho, inclusive, de ler o outro livro, pro "trabalho", mas tenho tempo. Hoje é sábado, dia de descanso.

Há três meses vinha sentindo falta da Marina, dona do engraçadíssimo Caipirinha Sueca. Marina andava sumida, mas como não queria dar uma de xereta, esperei ela retornar. Até que ontem não agüentei mais e mandei um email perguntando se estava tudo bem. Hoje veio a resposta. Marina está bem (assim como sua casa e o namorado-viking Daniel). Problemas familiares no Brasil causaram uma depressão braba, da qual ela se recupera pouco a pouco. No email de resposta, ela me deu autorização para escrever aqui no Montanha sobre isso e tranquilizar as pessoas que andam preocupadas.

Fique bem, Marina, querida. Um beijo.

Posted by Maria at 06:08 PM | Comments (6)

abril 11, 2005

Na correria

Imprestável, eu ando imprestável, eu sei. Emails não respondidos, contatos não estabelecidos, me perdoem. A vida anda corrida aqui no topo do mundo. Não vi enterro do papa, nem casamento de Charles e Camilla, nem mais nada. Lá no "trabalho" as coisas andam bem. Na sexta foi emocionante: fomos buscar refugiados novos que estavam chegando diretamente a Luleå depois de viajar meio-mundo (literalmente). Cansados mas felizes, eles agradeceram muito pela possibilidade de vir morar na Suécia, o que representa muitas vezes uma possibilidade de sobrevivência, uma vida nova. E-mo-ci-o-nan-te.

No final de semana nem chance de descanso. Sábado meu urso recebeu uma medalha no seu trabalho (trabalhar no exército tem dessas, ao invés de aumento no salário, nego afaga o ego do funcionário dando uma medalhinha aqui, outra ali) às dez da matina. Antes disso, já tínhamos limpado e arrumado o apartamento todo porque às duas da tarde iriamos receber a irmã de Stefan com o marido prum café/almoço. Saí da cerimônia da medalha lá pelas 11 da manhã e fui entrevistar uma pessoa pro meu "trabalho". Tudo correu bem e, quando cheguei em casa às três da tarde, bufando por estar atrasada, eles ainda não haviam chegado.

Bom, o café/almoço virou jantar porque eles só chegaram às sete da noite. Nem sei que horas eram quando eles foram embora, mas só me lembro de ter colocado a camisola e ter apagado na cama. Ah! Passei no último curso da universidade, "Qualidade de Avaliação"! Amém! Terminei de ler o livro "How To Lose Friends And Alienate People" do jornalista inglês Toby Young. Muito engraçado, recomendo. Agora comecei dois livros: "Hälsans Mysterium" (ou "O Mistério da Saúde"), de Aaron Antonovsky (pro "trabalho") e "Brick Lane" de Monica Ali (porque preciso descansar Tico e Teco de vez em quando). Na TV hoje tem estréia: "CSI New York" com o pãozaçoaçoaço Gary Sinise.

E vamo que vamo. :c)

Posted by Maria at 04:48 PM | Comments (22)

março 25, 2005

Pausa

Estou de férias. Logo logo voltaremos à programação normal. Obrigada pelos cartões e boa páscoa a todos. Beijo, desligo.

Posted by Maria at 06:32 PM | Comments (20)

março 17, 2005

Neve, cromossomos e o resto

Neva sem parar há dois dias. De primavera, nem um cheiro. Mas, apesar de ainda estar tudo muito frio e muito branco, devo dizer que adoro acordar de manhã, abrir a persiana e ver a neve cair. É meio mágico (mesmo depois de quase quatro anos de centímetros e mais centímetros de neve).

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E da série gastaram-milhões-em-pesquisa-pra-descobrir-o-óbvio: Cientistas decifram cromossomo que explica diferença entre sexos e estabelecem que as mulheres são mais complicadas do que os homens (Dããããããã).

"O cromossomo X é definitivamente o mais extraordinário no genoma humano em termos de seus padrões hereditários, de sua biologia única e da sua associação com doenças humanas", disse Mark Ross, do Instituto Wellcome Trust Sanger, da Grã-Bretanha, que liderou o consórcio. Os cromossomos, que são encontrados no núcleo de cada célula, contêm os genes que determinam as características de um indivíduo. As mulheres têm dois cromossomos X, enquanto os homens têm um X e um Y.

A pesquisa, divulgada pela revista "Nature", mostra que o Y é uma versão "desgastada" do cromossomo X, com apenas alguns genes. O cromossomo X também é maior que o Y e, pelo fato de as mulheres possuírem dois deles, um dos X é, em grande parte, inativo. O grau de inatividade do segundo cromossomo X varia muito de mulher para mulher." (Reuters, copiado do Globon e da Alê)


Hahaha, ok, piadinha óbvia, mas pô, a gente merece: o cromossomo Y, que determina o sexo masculino, é a versão "desgastada" do cromossomo X, que determina o sexo feminino. Hahahahahahahaha. E mais: imagina ativar esse cromossomo X adormecido? Nossa, não ia sobrar pra ninguém.

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Conversa com uma conhecida:
Ela: E aí, continuas firme e forte?
Eu: Tô mais pra mole e fraca, mas eu continuo.

Posted by Maria at 01:33 PM | Comments (22)

março 15, 2005

Usch

Não é mole não.
It's not easy.
Det är inte lätt.
C'est pas facile.

Posted by Maria at 08:58 PM | Comments (10)

março 13, 2005

Day out

Ontem passei o dia en Skellefteå (diz-se Schléfteô), duas horas ao norte de Umeå, com minha amiga Maria. Passeamos no centro, entramos em (quase) todas as lojas, compramos pouquíssimo (eu consegui não comprar nada), tomamos café com sanduíches e nos divertimos muito. O dia estava lindo, mas gelado: dez negativos com muito vento. Já viu, né? Mais tarde, jantamos na casa dos pais do marido da Maria, numa cidadezinha mínima, no meio do nada, chamada Ånäset (Ôônéset). O menu foi carré feito no forno, servido com doce de maçã, e batatas cozidas. Incrível: comi e gostei. Tô virando sueca.

Já em casa, liguei a TV pra ver a final do Melodifestivalen e me decepcionei. Caroline* não ganhou (apesar dos nossos votos, meu e do meu urso) e nem Nanne Grönwall, que era minha favorita. O vencedor foi um rapaz bonitinho chamado Martin Stenmark, que cantou uma música ridícula chamada "Las Vegas". Perdi a vontade de assistir à final do Eurovision, dia 21 de maio, quando Stenmark cantará pela Suécia junto com os representantes de quase todos os países europeus. É, acho que estou definitivamente "ensuecando", porque começo a levar essa coisa de Melodifestivalen muito a sério...

* Para compreender, leia o post "Sambinha à la Suède".

Posted by Maria at 12:54 PM | Comments (11)

fevereiro 25, 2005

Dica

Tá em casa, sozinha, sem nada melhor pra fazer do que ver tevê. De repente pinta aquela vontade de comer um chocolatinho. O que você faz? Das duas uma: ou come um chocolatinho, ou escova os dentes e logo depois bebe um copo d'água. Juro que ajuda. (Até porque já está tarde, frio pra caramba e eu não tenho mais coragem de sair à rua pra comprar chocolate)

Hoje fui à cidade novamente, com minha amiga Maria e filhota Sandra, de pouco mais de um ano. Foi divertidíssimo, mas eu pequei. Pequei, pequei, pequei. Não, nada a ver com comida. O problema é que não me agüentei e comprei mais um livro. Estava baratinho pra caramba, apenas 75 coroas - mais ou menos 10 dólares. (E assim eu sigo me iludindo).

É o livro da série em quadrinhos sueca Rocky, de Martin Kellerman. O protagonista, Rocky, é ácido, cínico, egoísta e profundamente sueco - com todas as contradições que isso representa. É simplesmente MUITO engraçado.

Agora não tem nada pra se ver na TV, nada mesmo. Só pras cês terem uma idéia a melhor coisa atualmente é um programa de competição com música, chamado "Så ska det låta" (algo como "Assim é que se fala"), que é a versão sueca do "Qual é a música" (só que não tem o Pablo pra fazer mímica com o rosto pintado.. hehehe).

Oh, well. Agora eu vou lá beber meu copo d'água. Ta..ta.

Posted by Maria at 08:34 PM | Comments (11)

fevereiro 22, 2005

Livros e frio

E hoje finalmente o inverno chegou. O termômetro tá marcando 21 graus negativos na sombra. No sol, 14 negativos. Brrrrr. Ontem o dia inteiro tivemos quatro graus negativos, o que é totalmente possível. Agora isso... Well, c'est la vie, eller hur?* :c) E hoje comeca a liquidacão anual de livros em todas as livrarias suecas, a chamada Bokrea**. É uma festa! Só é pena que eu não tenha um centavinho furado. Aliás, não entendo a lógica desse povo em programar uma liquidacão pro dia 22, quando a populacão em peso (inclusive estudantes famintos, como eu) só recebem seus salários no dia 25 ou depois. É sacanagem ou não é? Depois eu digo que esses suecos são bichos estranhos e tem gente que ainda implica comigo. Não vou nem sair de casa pra ir ver o movimento senão fico deprê. Aliás, é até bom estar tão frio. Assim eu fico em casa, leio o livro chatíssimo do curso de método qualitativo e sossego o facho. Tchau.

* Well, inglês = Bom; c'est la vie, francês = é a vida; eller hur, sueco = não é.

** Bok, (búuk) = livro; rea é parte de realisation, que quer dizer liquidacão em português.

Posted by Maria at 09:26 AM | Comments (15)

fevereiro 20, 2005

Matou aula e foi ao cinema

Então, deixei as mocorongas pra trás lá em Umeå e vim pra Boden, que a vida é muito curta. Tenho aula na terca, mas vou matar. É que a aula não é obrigatória e trata-se de um ensaio de entrevista. Nada de deixar os alunos tentarem descobrir sua própria técnica, no sir, aqui é tudo ensaiado, cronometrado, programado. Não é a toa que tanta gente se mata...

Well, agora estou sendo má. Claro que essa não é a explicacão - pelo menos não a única. Bom, tenho a impressão que essa aula eu posso deixar pra lá que não vai me fazer falta... Vim na sexta pra casa, mas parei antes em Piteå. No caminho o amortecedor do ônibus quebrou e viemos sacudindo por uma hora na estrada (a viagem toda leva quatro horas).

Ontem alugamos dois filmes, Shrek 2 e Eternal sunshine of a spotless mind. Adorei ambos. O Antonio Bandeiras como Puss*, o gato de botas, é a coisa mais linda desse mundo (veja a foto aqui!). Até quando ele lambe suas partes baixas, é um charme absoluto. E os olhos castanhos do gato? Noosssa... O filme é, aliás, do Eddie Murphy e do Antonio Bandeiras. Não tem pra ninguém. O que dizer sobre o Eternal sunshine...? Só assistindo mesmo pra entender.

* Puss é uma palavra no vocabulário sueco e quer dizer "beijo", acredite se quiser. Quando você diz tchau no telefone pra alguém que conhece bem e tem intimidade, diz "Puss, puss!". Hoje em dia eu já esqueci, mas no início achava gozadíssima essa palavra, que em português tem associacões beeeeem diferentes.

Posted by Maria at 06:11 PM | Comments (17)

fevereiro 14, 2005

Min älskade Stefan,

redandrover.gif Jag älskar dig! Tack för att du finns, tack för att du älskar mig, tack för att du är du. Vill du gifta dig med mig? :c)
Posted by Maria at 06:44 PM | Comments (17)

fevereiro 11, 2005

Sol, Matisse e música

Quando abri a persiana da janela do meu quarto hoje, fiquei feliz. Feliz com o sol, o céu azul e a temperatura amena. Dormi até tarde (9h40m), perdi meus programas favoritos no rádio matinal, mas tudo bem. Terminei John Grisham (adorei) e ainda não sei o que vou começar a ler hoje a noite, mas deve ser provavelmente Dennis Lehane. Limpei a casa, tirei pó até do que não precisava. Tomei um banho e fui pra rua. Na universidade encontrei com uma das professoras do curso de estatística pra tirar uma dúvida. Fui ao supermercado comprar o básico e agora estou em casa.

Quando li a sessão de TV do jornal de hoje lembrei da minha mãe. É que vai passar um documentário sobre a amizade de Picasso e Matisse, dois dos artistas preferidos da mamãe. Eu não posso dizer que gosto de Picasso, mas Matisse me agrada muitíssimo. Sou uma ignorante no que diz respeito a arte, mas gosto de alguns pintores de graça, sem ceder à pressão da patrulha cultural alheia. Gosto de Matisse por causa das cores e das formas. Adoro suas dançarinas azuis, mas o quadro de que mais gosto é "The Goldfish", pintado pelo artista fouvista em 1912.

Voltando à TV. Começam amanhã as semifinais do festival da música Eurovision, o famoso "Melodifestival". Já escrevi sobre esse festival antes aqui no Montanha, no dia 11 de maio de 2004. Ainda não sei quem estará cantando, nem, claro, as músicas, porque uma das regras de ouro do festival é que as músicas a serem apresentadas têm de ser absolutamente inéditas. Pena que meu urso não estará aqui comigo. Ele adora fingir que não assiste, que acha ridículo e cafona, mas sai da sala assoviando as melodias depois. :c)

Posted by Maria at 03:56 PM | Comments (16)

janeiro 19, 2005

Seqüestro, tsunami e vinho

Manchetes do meu jornal daqui:

A polícia sueca emitiu alarme nacional depois do desaparecimento de um executivo de uma das maiores lojas de departamento daqui. Fabian Bengtsson, presidente da Siba (que vende eletrônicos, eletrodomésticos etc), foi seqüestrado quando saiu de casa para ir pro trabalho em Gotemburgo. Pois é, esses absurdos acontecem até aqui.

A Indonésia aumentou para 166 mil o número de mortos depois da catástrofe com as tsunamis (Ah, é muito estranho escrever "o tsunami". Aqui vai ser feminino mesmo) Oficialmente, anuncia a Reuters, a estimativa é que pelo menos 226.566 pessoas morreram em todos os países atingidos no último dia 26 de dezembro. Que coisa. Muitos suecos ainda estão desaparecidos. O jornal tem manchetes todos os dias sobre o assunto, desde o dia 27 de dezembro.

Cientistas americanos da faculdade de medicina da universidade de Harvard, entre outras, chegaram à conclusão depois de quase 30 anos de estudos, que um copo de vinho ao dia ajuda a reduzir em até 20% a chance de mulheres desenvolverem demência quando idosas. O estudo, que começou em 1976, acompanhou 11 mil enfermeiras americanas. Vou lá comprar um vinhozinho e já volto!

Posted by Maria at 06:36 PM | Comments (11)

janeiro 18, 2005

Vidinha, nada demais

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Um oi rápido, enquanto ainda posso, depois de mais um dia com o Montanha fora do ar. Aqui chove, temperatura positiva, um espanto. Dizem que a friagem toda, tão comum no mês de janeiro, foi pro outro lado do Atlântico, atazanar a vida de quem mora no Canadá e no norte dos EUA. Essa coisa de não estar tão frio seria ótima se não fosse por um detalhe: neve que vira gelo pelas ruas. Amigos, perco a conta das vezes em que quase caí. O mico é grande e está próximo. Eu aviso quando pagá-lo.

Na universidade as coisas estão indo bem. Ontem e hoje entrevistamos duas pessoas mais (já são seis!). Terminei de escrever minha prova e hoje acabamos de escrever o trabalho de grupo. Amanhã tem seminário sobre marginalização. Muito interessante. Aqui o marginal não é apenas o ladrão, como estamos acostumados a pensar no Brasil, mas é a pessoa que fica às margens do mercado de trabalho, por escolha própria ou por impedimentos variados, como uso de drogas e vida perturbada.

Ontem vi um documentário britânico sobre gagos e suas dificuldades no dia a dia. Um cara, LINDO e gaguíssimo, disse que ele não gagueja quando fa-la b-e-m de-va-gar. O problema é que ele acha que isso é difícil demais e deixa a estratégia pra lá. Descobri que sou gaga quando falo sueco. Minha mente vai muito mais rápido do que minha boca e eu acabo me embolando com a entonação (importantíssima quando se fala sueco). Acho que daqui pra frente jag ska prata så där, l-å-n-g-s-a-m-t. :c)

De resto, continuo aqui. Vivendo. Talk to me.

Posted by Maria at 06:29 PM | Comments (18)

janeiro 12, 2005

Post irado

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!! Que raiva!!! Meu grupo de trabalho da universidade tinha uma entrevista marcada hoje às 13h com uma pessoa da kommun (tipo prefeitura), que toma conta dos refugiados que chegam à Umeå. Ela, no entanto, não apareceu pra trabalhar porque estava doente. Pergunta se ela ligou pra gente pra avisar? Nãããããooo. Fomos as quatro lá, na hora marcada, e nada.

Essa coisa sueca de poder ligar pro trabalho, dizer que está doente e ninguém poder questionar nada é muito civilizada do ponto de vista trabalhista, mas emperra a vida dos outros. Mas tudo bem, já marcamos um outro horário. Esperemos que o sistema imunológico da pessoa em questão resolva dar as caras e não dificulte ainda mais a nossa vida. O trabalho sairá mesmo sem ela, mas seria bom se ela participasse.

E pra piorar, quando eu vim aqui no Montanha escrever, reclamar e desabafar, o site estava fora no ar novamente. Putz grila! Hoje não é o meu dia! E acredita que hoje ainda está chovendo aqui em Umeå? Sim, chovendo. No termômetro aparecem três graus positivos, então a neve no chão nesse momento virou gelo liso que nem rinque de patinação. Ó céus. (Update: Na verdade, já parou de chover...) Mas tudo bem, tudo bem. Pensar em coisas positivas, positivas...

Ah, não dá. Tô com muita dor de cabeça (Update: Na verdade, já passou...) . Aliás, tem mais coisa ruim. Lembrei agora que sonhei que havia feito uma prova de matemática e que não tinha passado. Acordei no meio da noite, aflita, pensando na prova. Demorei alguns segundos pra entender que tinha realmente sido um sonho e que eu, na verdade, não fiz prova alguma de matemática. (Update: Mas quando vi que tinha sido um pesadelo, dormi novamente, e muito bem, porque comprei um colchão novo ontem!)

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PS.: Hahaha, tenho que rir da minha própria irritação. Hohoho. Eu hein. Já tô até melhor... :c))) (Agora melhorei de vez. Fui lá na Marcinha e li o post dela de hoje. Ah, que delícia. Que saudades. Te adoro, queridoca. Beijocas)

Posted by Maria at 02:36 PM | Comments (10)

janeiro 10, 2005

Pudim e tempestade

Vocês pediram, então a receita do Bread and Butter Pudding da Marcinha está aqui:

Bread and Butter Pudding (Pudim de pão com manteiga)

Ingredientes: 8 fatias de pão branco; passas (aquelas loirinhas); manteiga.

Para o custard: 250 ml de leite; 3 ovos; 50 gramas de açúcar; uma tampinha pequenininha de essência de baunilha.

Modo de fazer: Corte cada fatia de pão ao meio (em triângulos) e passe manteiga em apenas um dos lados. Para fazer o custard, bata na batedeira os ovos, o leite, o açúcar e a baunilha - até a mistura ficar "esbranquiçada".

Para montar o prato: numa tijela refratária, forre o fundo com uma camada de pão com manteiga. Salpique as passas a gosto e despeje a metade do custard. Coloque mais uma camada de pão e despeje o resto do custard. Deixe descansar por pelo menos uma hora.

Asse em forno pré-aquecido a 180 graus por cerca de 40 minutos (o tempo depende do seu forno).

Lamba os beiços e aproveite. :c)

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Já estou em Umeå. As aulas começaram hoje com uma palestra sobre política social. Interessante, mas o professor não é lá essas coisas, pra ser sincera. Mas antes de mais nada, claro, ele perguntou se alguém queria falar da catástrofe na Ásia (como estão fazendo todas as escolas, empresas e repartições públicas da Suécia). O professor, que se chama Ove [Úúve], disse que quatro estudantes e um professor da minha universidade estão desaparecidos na Tailândia. Que coisa.

Nos últimos dois dias uma tempestade monumental matou quatro pessoas aqui na Suécia (mas mais pro sul). Aqui no norte não aconteceu nada (graças ao pai), mas ficamos sem Internet o domingo inteirinho. De resto, o estresse já voltou, claro. Mas também, quem sou eu sem o meu estresse? Faz parte do meu show. :c) Aliás, falando em estresse, tô lendo esse livro aí ao lado, sobre o estresse causado pela busca do status. Fascinante!

Amanhã tem trabalho de grupo na casa da Viktoria, bacanérrima companheira de curso. A cachorrinha dela, uma Rotweiller linda chamada Kiwi, está pra ter filhotes, então vamos nos reunir na casa dela just in case. E eu estou doida de vontade de largar trabalho de grupo e ir assistir ao nascimento dos pequerruchos. Já pensou? O mááááximo! :c)

Posted by Maria at 06:05 PM | Comments (12)

janeiro 08, 2005

Pão, pão, pão...

Ontem fomos pra Pitea, porque era aniversário da Vera (sogra). Voltamos tarde da noite. Hoje acordamos cedíssimo (seis da matina), mas dormimos novamente. Lemos jornal e saímos. O dia estava lindo. O sol deu um oi rápido e desapareceu mais rápido ainda (nasceu às 9h41 e se pôs às 13h38). As árvores estão pesadas de neve. Ah! Sabe o que fiz como sobremesa pro jantar de hoje à noite? Bread and Butter Pudding, receita da Marcinha. É o pesadelo do falecido dr. Atkins. Hohoho.

O pudding ficou uma coisa de louco. :c) Vimos "Spider Man 2" agora, depois do jantar. Bom mesmo, viu? Falando em filme bom, se você ainda não viu, não deixe de alugar o mais rápido possível "Le fabuleux destin d'Amélie Poulin". Já escrevi sobre ele aqui antes, mas como esse é um dos melhores filmes que eu já vi na minha vida e eu ganhei o DVD de Natal do meu urso, vou repetir. Se não puder alugar, compre pirata no camelô da esquina, invente um jeito. Vale a pena.

Posted by Maria at 03:13 PM | Comments (21)

janeiro 06, 2005

Eita...

E hoje acordei aas dez pras oito, depois de ter ido dormir aas duas da manha. Acordei assim, de repente, depois de uma noite de sonhos estranhos, mas que nao eram pesadelos. Acordei, inclusive, cantando Laura Pausini. Eu hein, nunca nem tive um CD dela. Bom, seria pior - pesadelos talvez - se tivesse acordado cantando Rita Cadilac....

Ontem respondi aos emails acumulados na minha caixa postal. Um favor, se voce sente uma vontade incontrolavel de escrever pra mim, use meu mail do Yahoo por esses dias. O endereco esta ai ao lado, na coluna lilas, debaixo dessa cartinha que acena freneticamente. Isso porque minha situacao computadoristica ainda eh recalcitante.

Como ja notaram, nao tenho mais direito a acentos e luxos variados. Meu urso ressuscitou meu notebook, um Toshiba muito lindinho, que comprei nos EUA em 99 e que me serve sempre muito bem. O unico problema eh que o teclado eh em ingles e todos os upgrades do windows 98 sao demais pra ele, que fica uma moleza soh.

No som, Marisa Monte e Maria Rita. A voz dela eh tao igual aa da Elis que me da arrepios. Os suecos teem uma palavra boa pra isso: kuslig, amedrontador. Mas eh bom mesmo assim, afinal de contas, as vozes de mae e filha sao lindas. Na TV, Buster Keaton se apaixona por uma vaca e o amor eh reciproco. Oh, ceus.

Ainda nao sei o que farei com o meu dia, mas de uma coisa estou certa: nao farei nada de util. :c)

Posted by Maria at 10:53 AM | Comments (14)

janeiro 05, 2005

Cidade de Deus

Ontem, além de escrever todos aqueles posts, não fiz muito mais. Meu urso tomou conta da lavacão de roupas (que demorou mais de cinco horas - pobre urso) e eu, lá pras oito da noite, fiz um jantarzinho bem gostosinho. Abri um dos meus potes plásticos do freezer contendo feijão, a ambrosia negra. Derreti tudo num refogadinho de cebola, alho e temperos. Além disso fiz arroz branquinho.

Depois do jantar, meu urso resolveu que iríamos assistir a "Cidade de Deus" novamente. Comecamos com o material extra, uma longa entrevista com o diretor, Fernando Meirelles, assim como alguns dos atores. Fascinante o processo de treinamento e escolha dos meninos e meninas que fizeram parte do filme. Eles passaram por uma oficina diária de atuacão que durou cinco meses. No final, estavam prontos pra dar tudo.

Stefan é fascinado com esse filme. Além de achá-lo super bem-feito, bonito e interessante, ele tem quase que uma curiosidade antropológica no que diz respeito ao mundo da Cidade de Deus. O DVD que ele comprou tem textos em sueco, mas ele fica me perguntando a toda hora o que certas palavras querem dizer. O nome dos personagens, por exemplo, traduzidos pro sueco, é uma fonte contínua de curiosidade. Mané Galinha (traduzido para Fenan), Buscapé (Raketen), Zé Pequeno (Lill' Zé) - tudo soa muito diferente.

Meu urso disse no final do filme, ontem à noite: "Um boa filme, porra". Hohoho.

Posted by Maria at 08:28 PM | Comments (18)

janeiro 02, 2005

Tsun@mi

wave.gifParece que as tsunamis no oceano Índico afetaram os servidores da Pixelzine, porque o Montanha ficou inalcancável por dias (mais uma vez). Antes que saiamos do ar novamente, quero dizer que leio sempre os comentários (quando o servidor da Pixelzine segura a onda, that is), mas ando sem tempo para escrever. Fiz um pequeno diário dessas últimas duas semanas e ainda estou decidindo se vou escrever um post grande com as atividades e fotos desses últimos dias ou se farei pequenos posts nos respectivos dias (publicados em retrospectiva).

Marcinha & Martin estão se divertindo bastante (or so I hope), o tempo tem ajudado MUITO, com temperaturas ameníssimas para essa época do ano, e nossos estômagos recebem diariamente sua dose de felicidade, providenciados pela minha querida amiga Marcinha (com contribuicões do maridón também, claro). Assim que a vida voltar ao normal, organizo minhas notas e passo o diarinho pra cá, ok? Quanto aos emails, ainda não os respondi (obrigada pelos cartões e emails carinhosos e desculpa aí pela falta de tempo :c)

A Suécia está em choque com as ondas mortíferas que atingiram vários países da Ásia. Mais de três mil suecos estão desaparecidos na Tailândia e no Sri Lanka. As autoridades estimam que a Suécia é o país com mais mortes registradas de todos os países europeus. Os jornais comparam as tsunamis com saldos de mortes em guerras e afirmam que essa é a maior tragédia que o país já enfrentou desde 1709, quando o rei sueco Carl XII perdeu a batalha de Poltava para a Rússia do tsar Peter o Grande. Ontem cerca de 20 criancas suecas chegaram de avião ao aeroporto de Arlanda em Estocolmo desacompanhadas. As tsunamis os fizeram órfãos.

Posted by Maria at 11:32 AM | Comments (16)

dezembro 27, 2004

Tsunamis

mpressionante as tsunamis na Ásia. As TVs daqui mostram sem parar a devastacåo causada pelo terremoto seguido pelas ondas fortíssimas às cidades de Índia, Sri Lanka, Phuket, Tailândia etc. Muitos suecos viajam exatamente para essas localidades agora, fugindo do frio, da neve e do céu cinza.

Ao mesmo tempo, aqui casa, no quentinho, onde quatro pessoas de três países diferentes dividem pouco mais de 80 metros quadrados, está tudo em paz. Aqui nåo chove, nem neva (muito). Mas faz frio. Hoje demos uma volta de veículo de neve pelas florestas de Boden e quase congelamos em 17 graus abaixo de zero - mas foi divertido.

Vejo a tragédia de milhares de pessoas na TV e fico culpada de nåo me sentir pior. Nem sei que dia da semana é hoje. Tô tåo feliz que nem tenho muito tempo pra pensar em escrever. Marcinha está fazendo feijoada (a panela ainda está borbulhando lá no fogåo, com fogo bem baixinho, e o apartamento inteiro cheira deliciosamente bem).

Ah! Obrigada pelos comentários nos posts abaixo. Recebi muitos cartões de natal eletrônicos e alguns emails que ainda nåo respondi. Agradeco a compreensåo. Ah, tåo legal. Agora eu e Marcinha estamos sentadas na minha sala, assistindo à "Ready, steady, cook" na BBC Prime. Que legal!!!!!! Beijo, desligo.

Posted by Maria at 06:07 PM | Comments (15)

dezembro 21, 2004

Preparativos e presentes

flor-j.gifá estou em Boden para o Natal. A rigor deveria ter ficado em Umeå até hoje, quando teria aula o dia inteiro, mas como estava doida pra vir pra casa e minhas companheiras de curso se prontificaram a copiar a palestra de política social pra mim, eu vim. Agora, falando sério, que professor otimista é esse que marca sua primeira aula do curso para um dia antes do intervalo de Natal? Bom, tenho tantas coisas pra fazer amanhã que nem sei por onde comecar.

Antes de mais nada, queria agradecer à Marcia de Souza pelo lindo quadro com a Irish Blessing e pelo cartão de Natal; à uma outra Marcia, minha querida Pururuquinha, que me mandou livro, escova de cabelo pequenininha, elásticos, caderninho de anotacão; à Patty, queridoca recém-casada com o lindão do Terje, pelo cartão lindo; à Suyaen, que a essas horas está se divertindo no Brasil com suas filhotas, também pelo cartão lindo; e, claro, à Dani, que me mandou um CD maravilhoso (vem cá, me diz a verdade, a Maria Rita é a reencarnacão da Elis, né???). Obrigada, meninas. Que o Natal de vocês seja MUITO feliz. :c))) (desculpe a falta de links, mas meu computador não computa, sorry)

Aliás, contei que minha mãe me mandou uma panela de pressão de Natal? Pois é, adorei! Agora vou poder fazer feijão preto em dez minutos (bom, 15 minutos, já que o feijão daqui não é fresquinho). Se bobear deixo de lado os costumes nativos e sirvo feijão preto e farofa no lugar de presunto de Natal, ovos, batatas e peixes. Hohoho. Tenho a impressão que minha sogra não ia ficar muito feliz. E hoje é o dia mais curto do ano. A partir de amanhã, ganhamos minutos de luz todos os dias. Hoje, aqui em Boden, o sol apareceu às 10h03 e se pôs às 13h07. :c) Amanhã, o sol aparece às 10h04 e se põe às 13h08. :c) (essa é a quarta tentativa de publicar esse post. meu urso mudou o sistema de nossa máquina sobressalente e, devo dizer, o Linux é óóóóótimo, mas máquinas lerdas são umas mer**as).

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dezembro 05, 2004

O tempo passa

neve, neve, neve!

Há exatos três meses, também um domingo, tirei uma foto de umas crianças jogando futebol no meu quintal. Aí em cima é a mesma vista, agora sem crianças (infelizmente), porém com muita neve e uma árvore de natal que fica cheia de luzes à noite. :c) E hoje é o segundo advento (só faltam dois pro Natal! *pisc* *pisc* *pisc*). Bom domingo.

2advent.gif

E hoje é aniversário da minha amiga Renata. A acordei com uma ligação rápida e estou comemorando aqui, de longe, assistindo a "Felicity", série que a Rê sempre gostou e que o marido dela, Marcos, apelidou muito propriamente de "chatissity". Hohoho. Beijo, Rê.

Posted by Maria at 11:00 AM | Comments (16)

dezembro 03, 2004

Sexta-feira e os micos

A moça do tempo na TV tinha dito que ia fazer temperatura mild (a palavra é a mesma em sueco e em inglês) pra essa época do ano aqui em Umeå. Enquanto esperava pelo desgraçado do ônibus no ponto, percebi que a meteorologista errou. Feio. Tava um frio cão, apesar do dia lindo. Mas esperei, o ônibus veio depois de um atraso considerável, e lotou.

No centro de Umeå, muita gente (ôba), menos frio e comércio movimentado. Fui direto à Clas Olsson, uma cadeia de lojas espalhadas pelos quatro cantos daqui. Tem de tudo lá, desde parafusos a máquinas de cortar madeira, velas, rádio-relógios e artigos para carro. Diz-se que é o melhor point pra se arranjar namorado, já que homens de 15 a 80 anos passam hooooras browseando pelas prateleiras da loja.

Fui lá pra achar um presente pro meu pai, achei, comprei e, na hora de sair, me encrenquei com as pessoas no tumulto e acabei entrando na loja novamente. Percorri seus corredores mais uma vez e consegui ir embora. Que mico. Fui à Hemtex, que vende artigos de cama, mesa e banho. Dei uma olhada nas coisas (tudo caríssimo) e gostei de umas maçãs fake, muito lindas pra fazer arranjo de mesa, junto com velas.

Peguei três e fui pagar. Na caixa, o rapazinho fez cara de espanto ao me ver com as maçãs. Como não tinha preço, ele foi perguntar a uma outra vendedora o custo das frutas falsas. Uma terceira mocinha se juntou ao grupo e depois de um minuto de deliberação, os três chegaram à conclusão de que as maçãs eram decoração da loja e não estavam à venda. Que micaço, aço, aço.

Sai de lá e fui mandar os presentes da família do meu pai no correio. Comprei um envelope pequeno por pura falta de fundos e só consegui embalar o presente do meu irmão, Carlos, que deve receber minha lembrancinha antes do Natal. Já em casa, fiz um macarrão com atum de almoço e fui ler. Agora, no final do dia, só tenho que agradecer aos céus e pedir que the lord presenteie os criadores do dorflex e da bolsa de água quente com a melhor ambrosia available do reino dos céus.

Beijo. Fui.

Posted by Maria at 04:09 PM | Comments (15)

novembro 30, 2004

Quentinho

Meninos, eu vi! Está fazendo zero grau aqui em Umeå! Neve fininha. Fui tomar um café na universidade com uma amiga, peguei o ônibus, fiz compras na cidade, me segurei pra comprar um gorro vermelho liiiiiindo (mas caro), voltei pra casa e agora estou aqui, cansada mais feliz. Até suei! Hohoho. Daqui a pouco Maria, colega de curso, chega aqui em casa para darmos os retoques finais nos nossos trabalhos/provas do curso de psi, que entregaremos amanhã. E o melhor disso tudo é que novembro a-ca-bou! :c)))

Posted by Maria at 01:16 PM | Comments (12)

novembro 28, 2004

Primeiro advento

Acordei tarde hoje (9h), tomei café da manhã escutando rádio, voltei pra cama pra ler jornal e só me levantei às 11h, quando fui tomar um banho. Voltei pra cama e fui ler "Eva Luna", da Isabel Allende. Eu simplesmente não consigo parar de ler. A Isabel Allende é, pra mim, a versão chilena da Sherazade, das "Mil e uma noites". Fico tão envolvida que nem quero fazer mais nada (já escrevi sobre ela aqui). Ao meio dia me forcei a ir ao supermercado porque não tenho nada na geladeira. Mas não consegui comprar nada. Andei pelo supermercado de um lado pro outro e não consegui gostar de comer nada. Então comprei um chocolate, Pepsi light e fio dental. Ah, tá nevando. :c)

1advent.gif

E hoje é o primeiro advento, ou seja o primeiro dia do ano eclesiástico da igreja sueca. Os adventos são comemorados nos quatro domingos que antecedem ao Natal. A palavra advento, advent em sueco, vem do latim adventus e quer dizer espera ou chegada (depende da interpretação). Nesse domingo as igrejas daqui costumam ficar cheias, as missas são bonitas, com coral e tal. Eu não vou à igreja aqui (aliás, nem aqui nem em lugar algum), mas acho bacana essas tradições que incluem velas, orações, quietude, esperança. A cada domingo até o Natal acende-se uma vela, como na imagem aí de cima. Essa não é a primeira vez que falo disso aqui no Montanha, e nem será a última, se depender da minha memória de sardinha. Skål! :c)

Posted by Maria at 01:51 PM | Comments (19)

novembro 25, 2004

Depois da tempestade de neve...


Clique nas fotos para vê-las em seu tamanho natural

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novembro 20, 2004

Natal, presentes e neve

katt.jpgJá começamos os preparativos pro Natal lá em casa (= Boden). Sim, eu sei que ainda estamos no meio de novembro, mas o lance é que terei de estudar aqui em Umeå até o dia 21 de dezembro, de forma que o que vale é deixar tudo preparado com antecedência. Decidi inclusive quais as decorações que quero ter - todas muito discretas porque essa coisa de badulaques, balangandãns e luzinhas piscantes não faz muito meu estilo. Gosto de velas, pequenos pontos de luz espalhados pela casa, nada muito flashy. Ah! Achamos inclusive uma árvore de Natal ótima! Tem cerca de 60 cm de altura e saiu pronta da caixa, com decorações e tudo.:c)

Já comprei alguns presentes também (*pisc* *pisc* *pisc*) e fiz planos pra comprar outros. Minha sogra, a quem adoro, disse que não quer nada, que tem tudo, que estamos sem dinheiro etc. De fato, ela tem razão em todos os seus argumentos, mas imagina se vou deixar o Natal passar totalmente em branco? Não posso, né? Vai ser que nem pros meus pais lá no Rio: vou mandar uma coisa simples, mas feita por mim e, espero, que será apreciada. Aí tentei pensar numa coisa que poderia comprar pra minha sogra que fosse apreciado e não muito caro. Me lembrei que ela a-d-o-r-a assistir ao programa do Dr. Phil, que passa todos os dias aqui na TV4 Plus.

Aí dei uma passadinha na minha livraria online favorita e encomendei o livro "Livsstrategier" (algo como "Estratégias de vida") do psicólogo da tv pra ela. Claro que sei que devemos ouvir aos conselhos psicológicos do Dr. Phil com um certo distanciamento, afinal o approach dele à resolução de todo e qualquer problema esquece da angústia e trata apenas dos sintomas mais óbvios. Se a mulher não consegue parar de comer, ele diz: "Fecha a boca!", "Vá fazer ginástica!", "Goste de você mesma!" e não discute qual o papel que a comida tem na vida da pessoa, quais os problemas debaixo da fachada que podem dificultar - ou até impossibilitar - que ela páre com um comportamento autodestrutivo. Mas, enfim, minha sogra gosta, então é isso aí.

Começou a nevar agora aqui. Pequeníssimos floquinhos caindo do céu e voando com o vento. Vou esperar um pouco mais de neve pra dar uma volta com minha câmera. :c) As cidades da costa leste sueca estão sendo as últimas a receber neve nesse início de inverno. Já nevou lá em Boden (clique aqui e veja a webcam) e está frio pra burro (mais ou menos 18 graus negativos), o que quer dizer que essa neve que caiu não vai derreter - só em abril ou maio do ano que vem. (*pisc* *pisc* *pisc* *pisc*)

Neve, frio, trabalho da faculdade feito e acabado. Hoje é dia de lagartear na frente da TV. Dei uma olhada rápida e vi que filmes ótimos estão marcados pra hoje, o único problema é que passarão, claro, exatamente na mesma hora. Às 22h35 começa "Um anjo em minha mesa", da Jane Campion, sobre a vida da escritora Janet Frame (já escrevi sobre ela aqui). Esse filme é tão delicado quanto outro dos meus Jane Campions favoriter, "O Piano". Quinze minutos depois começa "Léon", do Luc Besson. Adoro esse filme que também já assisti, mas tenho a impressão que a saga da Janet Frame me é mais sedutora. Vamos ver.

A foto do gato acima foi retirada do jornal Dagens Nyheter. O gato está numa pulka, que é o nome desse pedaço de plástico usado pelas crianças (e por adultos que fingem estar ajudando as crianças) quando deslizam do alto de pequenas colinas. É o maior ba-ra-to.

Posted by Maria at 12:01 PM | Comments (24)

novembro 19, 2004

Ontem e sempre

paraiso01.jpgOntem foi um dia tão bom que não deu tempo (nem vontade) de escrever. Nos reunimos às 10 pra discutir o trabalho de grupo e a apresentação em PowerPoint que eu havia feito. Almoço aqui em casa com Maria e Rebecca e depois, das 13 às 17h, uma aula diferente, auto-conhecimento com a ajuda de arte. Aqui chama-se bildanalys (mais ou menos "análise de imagem").

Nos sentamos em grupos e recebemos instruções da professora para desenhar uma casa. Eu desenhei rapidamente uma casa em Búzios, na beira da praia. Mar, areia, baldinho vermelho e pás. Céu azul. Depois tivemos de desenhar num grande papel junto com nossas companheiras de grupo sem dizer nada verbalmente. Depois de desenhar discutimos o que cada um pensou sobre como o grupo resolveu os problemas, se houve cooperação etc.

Mais tarde, fui jantar na casa da Maria, companheira de curso. Comemos tacos mexicanos (muito comum aqui) e eu aproveitei pra matar as saudades de brincar com um bebê. Tudo indica que não perdi o jeito adquirido com o nascimento do meu irmão, 13 anos atrás. Sandra, dez meses, engatinhava pra tudo quando era lado e estava achando muito interessante aquele ser novo, de cabelos longos e escuros, cheia de marquinhas no rosto (tenho sardinhas, in case you are wondering).

Cheguei em casa depois das 8 da noite, cansada mas feliz. Pensei em escrever no Montanha ontem mesmo, mas não o fiz. Cada vez mais reparo que a vida real está melhor do que a cibernética.

Posted by Maria at 11:03 AM | Comments (14)

novembro 17, 2004

Estudo, presentes e frio

november_estudo_cafe.jpgnovember_estudo.jpg

november_estudo_kleenex.jpgnovember_estudo_mehrnosh.jpg

Ontem foi um dia cheio (mais uma vez). Nos reunimos às nove da matina pra discutir a prova do curso de psi. Aí em cima alguns momentos do grupo de estudo. Papelada, café, livros e algumas das companheiras de curso, Malin e Mehrnosh. Mais tarde fui à cidade com Maria, amiga de curso. Ela levou sua filhota Sandra, de dez meses (tava doida de vontade de tirar umas fotos, mas fiquei sem graça de pedir). Nem preciso dizer que gastei os tubos, né? Comprei um presente pro meu irmão e um sabonete líquido de banho na Body Shop (ah, eu não me agüento... essa loja ainda me mata). Ainda não sei quem vai ganhar o sabonete líquido, de repente ele fica aqui em casa mesmo. Hohoho. Pela primeira vez fez frio de verdade. Hoje o sol tá lindo, mas tá ainda mais frio. A última foto é da entrada de um dos prédios da universidade. Tá vendo aquelas pedrinhas pretas? Eu só ando em cima delas, senão me esborracho no chão. Agora vou terminar de fazer a tal da prova de psi. Hej då!

ps.: clique nas imagens para vê-las em tamanho natural.

Update, 15h50: Rebecca, uma companheira do meu grupo da faculdade me ligou pra discutir umas questões da prova/trabalho de psi e, quando falei um pouco, ela interrompeu e disse:

Rebecca - Nossa, mas sua voz é superdiferente pelo telefone!
Eu - É, parece voz de criança, né?
Rebecca - Ééééé!!!!

Ó céus, até em sueco eu sôo infantil no telefone? :c/

Posted by Maria at 09:46 AM | Comments (16)

novembro 12, 2004

:c)))

Tava querendo escrever sobre felicidade (a presente, a passada e a futura) mas cheguei à conclusão de que enquanto nos encontramos num estado de graça, no meio da uma nuvem de bem-estar, não é possível descrever nada. Só se consegue sorrir. :c))))

Acabei de descobrir que tenho que declarar-me isenta do imposto de renda. Preciso que meu urso chegue em casa do trabalho pra me dizer meu número do CPF e do título de eleitor. O problema é que não o fiz nos anos anteriores. Alguém sabe me dizer se serei presa no dia em que colocar meus pezinhos de princesa no Galeão/aeroporto Tom Jobim? Será que deixam receber visita na cadeia? Levem chocolates e coca-light, ok? Ou será que poderei cumprir pena na Suécia? Hohohoho :c)))

Update, 19h54: Já declarei, superfácil e sem problemas. O servidor da Receita reconheceu meu CPF e o número do meu título de eleitor, tudo certinho. Será que meu CPF está mesmo cancelado? Não pareceu não... Anyway. Meu urso, lá em Boden, tentou achar, na minha pasta de documentos brasileiros, meu título de eleitor. Eu já tinha me esquecido, mas quando fui à embaixada lá em Estocolmo pra votar pra presidente, em 2002, eles me deram um título de eleitor novo. Esse sistema brasileiro de números variados para todas as autoridades me cansa um pouco, sabe? Já estou muito adaptada ao sistema sueco, com um número apenas válido para TUDO.

Posted by Maria at 01:47 PM | Comments (15)

novembro 10, 2004

Pausa

meias_coloridas.jpg Boden, terça-feira, 16h40

Dei uma pausa pra ir passar dois dias de folga com meu urso lá em casa (= Boden). Ambos tinhamos folga na terça-feira. Aproveitamos então pra ver Simpsons juntos no meio da tarde, o que é um luxo hoje em dia - eu morando numa outra cidade por causa da universidade e ele trabalhando até tarde. Aliás, cê sabia que todo mundo na Suécia tira os sapatos quando chega em casa? Sim, shoes off é a regra, até mesmo em festas mais "finas". O melhor é estar sempre preparado, sem buraquinhos nas meias e tals. :c) Acabei de chegar em casa (= Umeå). Tenho alguns emails pra responder e já já o farei, ok?

Um pedacinho da Suécia está a caminho das praias mornas da Bahia... :c)

Me pergunta se consegui ler o livro pro curso de psi? Não... Óh, céus. :c(

Meu cabelo está avermelhado nas pontas, bem mais claro do que na raiz. Será que isso é falta de alguma vitamina? Não uso tintura alguma... :c/

Papai Noel deu uma passada lá em casa... *pisc* *pisc* *pisc* *pisc*

Posted by Maria at 03:25 PM | Comments (28)

novembro 06, 2004

Hohoho

"Não faça regime. A baleia só bebe água, só come peixe, faz natação o dia todo e é gorda." by Beth Orsini - copiado da Elis.

E a Patty casou (com o Terje)! Parabéns queridoca! Um beijo enorme e toda a felicidade do mundo! :c)

Posted by Maria at 06:04 PM | Comments (6)

outubro 29, 2004

Recadinho

Só pra vocês saberem que estou viva, mas de "férias". E imagina só onde vou amanhã? A uma feijoada amiga, no meio da tundra sueca. Ah... Nem me lembro mais do gosto de um feijãozinho preto temperadinho... :c) Segunda-feira volto ao batente. Hoje vimos "Harry Potter and the chamber of secrets" no DVD, e mais tarde veremos "Gangs of New York". Tava baratérrimo, não deu pra resistir. Agora é aquela velha história: viver a pão e água o resto de novembro.

Posted by Maria at 04:49 PM | Comments (21)

outubro 19, 2004

Nariz pra neve

escher02.jpgQuando era criança, sempre me maravilhava com os adultos dizendo que "estava cheirando à chuva". Quase sempre eles estavam certos e, à tarde, quando fazia calor o dia inteiro, chovia muito. Ainda acho uma coisa fenomenal essa possibilidade de prever o tempo com a ajuda do nariz. Mais tarde, já mais crescidinha, compreendi o mecanismo sensual de se poder prever a chuva, a humidade, o cheiro de terra e do concreto molhados, grama cortada.

Agora me vejo novamente na frente de mais um desafio. As pessoas aqui dizem: "Vai nevar em breve. Posso sentir no ar". No que eu prontamente me coloco a perguntar como a pessoa sabe, como sente, etc. Ninguém sabe me explicar. No inverno é invariavelmente seco aqui no norte, mas parece que a neve cai mais quando a temperatura está mais amena (ou menos fria). Mas neva também quando está 20 graus negativos... Ainda não descobri o mecanismo que os nativos usam pra prever a chegada da neve, mas um dia eu chego lá. (Imagem: Escher.)


Felicíssima: hoje recomeça um dos programas que mais adoro na TV sueca, chamado "Din Släktsaga" (mais ou menos "História dos seus antepassados"). Já escrevi sobre ele no dia 23 de outubro de 2003. É um show obrigatório pra qualquer canceriano que se preze, mesmo os enrustidos, como eu. Uma das histórias de hoje é a de um homem que foi tentar a sorte nos EUA nos anos 20 deixando noiva grávida pra trás. Disse que voltaria em cinco anos. Trinta e um anos depois, ele coloca os pés novamente na Suécia. Noiva e filho, já um homem, o aceitam de volta. A outra história é a de um casal que também queria tentar a sorte na América no início do século. Juntaram dinheiro pra pagar a passagem de navio, até que um dia conseguiram comprar o tíquete. O nome da embarcação: Titanic.

Posted by Maria at 09:14 AM | Comments (24)

outubro 15, 2004

Amenidades

kafett.gifNão sou muito boa pra falar amenidades. Quer dizer, eu até que me esforço, mas só às vezes consigo desenvolver um papo sobre nada que dure mais do que umas duas perguntas e outras tantas respostas. Aqui o assunto pra se falar quando se precisa lançar mão das conversas de circunstância é o tempo, quente, frio. Chuva, neve ou sol. Mas garanto uma coisa: fazer small talk em língua estrangeira é uma arte.

Outro dia ia encontrar com a professora e, como sempre, cheguei mais cedo. Na porta, esperava uma menina da minha turma (que tem mais de 90 pessoas) e com quem nunca tinha trocado mais do que um "oi". Na verdade, nem isso. Naturalmente ficamos imediatamente sem graça e começamos a falar sobre o tempo. Eu: "Agora está começando a ficar realmente muito frio, não é?". E ela, com cara de espanto: "Não, agora ainda é temperatura de outono. Acho até confortável."

A conversa superficial sueca - necessariamente sobre o tempo - depende muito do que se entende como frio ou quente. E aí que eu me perco. Outra coisa que é engraçada é que todas as pessoas que nunca me ouviram dizer uma palavra quando vêm falar comigo levam um susto. Sim, um susto. Elas não estão preparadas para o fato de eu não ser sueca. Acredite se quiser.

Já aconteceu muitas vezes. Uma na rua, quando uma senhora velhinha veio falar comigo sem perceber que eu era estrangeira. Quando viu (ou melhor, ouviu) que eu era, ficou sem graça e saiu de fininho. Outra vez na fila da cantina da faculdade, a moça na minha frente, envergonhada de estar tomando muito tempo, explicou seu atraso colocando a culpa na menina que ficava na caixa, que era imigrante. Ela disse: "Ela tem problema em falar sueco".

A última vez aconteceu no fim de semana passado, quando eu e meu urso saímos pra dar uma volta num parque lindíssimo que tem aqui perto de casa (esqueci de levar a câmera). Vimos algumas pessoas na beira de um laguinho jogando migalhas de pão pros patos (aqueles de pescoço verde que só vemos nos filmes da Disney). O cuidador do parque veio conversar conosco e contou, entre risadinhas cúmplices, que se espanta todas as vezes que vê um imigrante dar de comer pros patos. "Eles jogam quase que o pão inteiro no lago", riu.

Eu ri também. E fiquei calada.

High Society
Te mete! Eu cheguei ! Hohoho.

Posted by Maria at 12:32 PM | Comments (30)

outubro 03, 2004

Um sábado

semflash1.jpg Da esq. pra dir.: Ann (de lado), Mia (olhando pra câmera), Jenny (de óculos) e Jens

Estou aqui, no apartamento escuro e silencioso escrevendo no computador. Terminei um trabalho para ser entregue na quarta-feira (dei apenas uns retoques finais pois já o tinha feito na semana passada), renovei meus empréstimos na biblioteca e, entre dois bocejos, bebi um copo d'água. Ontem o dia foi ótimo e movimentadíssimo. A saber:

Acordei às sete. Banho, café, jornal e rua. No ponto do ônibus, um senhor com Sínd. de Down esperava sentado no banquinho. Começamos a conversar (ele puxou conversa) e falamos do meu casaco (fleece comum, azul marinho) que ele achou bonito; sobre fumar (eu não fumo e ele fumava cachimbo). Contei então que meu pai fumou cachimbo quando eu era criança e usou um tabaco com gosto/cheiro de cereja (körsbär). Desci no centro de Umeå (Vasaplan) e fui receber meu colete/casaco amarelo ovo das organizadoras do BRIS, para quem trabalhei a manhã inteira recolhendo donações em um edifício-garagem. Não custava nada pra se estacionar o carro, mas em compensação as pessoas eram estimuladas a doarem o preço da tarifa à instituição. Juntei um dinheirão. Muitos colocavam algumas moedinhas de uma coroa, outros notas de 100 coroas.

Com as pernas e pés ardendo, vim pra casa ao meio-dia e meio. Comi pão com queijo e caviar e comecei a preparar a cozinha para o jantar. Quatro amigos viriam comer aqui em casa e resolvi fazer a galinha antes e deixar o arroz pré-preparado. Claro que fiz tudo com muuuuuuuuita antecedência, mas deu certo. Ganhei plantinha, vinho e livro. Fiquei muito feliz. O menu foi wok de galinha com vegetais mais arroz branco, molho de curry e, de sobremesa, pudim de leite com essência de baunilha Dr. Oetker, diretamente do Rio de Janeiro (via Air Mamãe). Nada sofisticado, eu sei. Mas é o que consegui realizar (em termos financeiros e de talento). Tomamos vinho branco e tinto, além de água, pepsi light e, no final, junto com o café, Baileys.

Caos puro na cozinha. Mas resolvi lavar tudo ontem mesmo (a lavadoura automática daqui não funciona). Hoje de manhã me deu uma sensação de alívio e gratidão a mim mesma por ter lavado tudo ontem. :c) Agora estou aqui, no apartamento ainda escuro e silencioso, feliz com as coisas da vida, os amigos (que finalmente chegaram), a comida que estava "comível", o pudim apreciado, as anedotas dos meus primeiros tempos de Suécia com as quais todo mundo riu.

É, a vida é boa sim.

Posted by Maria at 01:10 PM | Comments (19)

outubro 01, 2004

A semana que passou

Setembro acabou, graças. Semana corrida. Muitas aulas, muitos seminários, muitas reuniões de grupo. Mas tudo muito bom. E o sol ajuda muitíssimo. Todos os dias saio de casa e dou de cara com árvores lindas, das cores mais lindas do outono. Claro, sempre esqueço de trazer minha câmera. Mas também, se parasse pra tirar foto de cada canto gastaria o dobro do tempo pra ir de um ponto a outro de Umeå.

Aconteceu aqui: Christer Petersson, o único homem jamais julgado (e absolvido) pelo assassinato do primeiro-ministro sueco Olaf Palme em 1986, morreu na quarta-feira. O crime nunca foi esclarecido mas tudo indica que Petersson, que era viciado em drogas e álcool, foi contratado como hitman para matar Palme. Agora faltam apenas sete anos para o crime prescrever e as esperanças de conclusão são poucas. Olaf Palme é o Kennedy sueco.

Vi as cenas (não o filme, mas as fotos em seqüência) do arrastão na praia do Leblon (Zona Sul do Rio) que aconteceu também na quarta passada. Fiquei triste e revoltada. E com medo. Ainda bem que não preciso mais me preocupar com isso. O único problema é que minha família ainda mora lá e, sim, eu me preocupo por eles todos os dias. A notícia chegou à primeira página da versão online do Aftonbladet (tablóide mais lido daqui), mas graças a Deus ninguém que eu conheço veio comentar o acontecido. Sinceramente? Não saberia o que dizer.

Acabei de ler o livro da Helene Hanff e já estou com saudades.

Posted by Maria at 02:41 PM | Comments (9)

setembro 27, 2004

Maratona

Chuva. Mas não tá frio, graças a Deus. Aula sobre leis de imigração. Nada muito impressionante. Já sabia quase de tudo o que foi dito por pura experiência. Almoço: resto da sopa italiana de ontem. Delícia. Ainda mais com pãozinho, queijo e tals (sempre exagero nos pãezinhos.. oh). O tapperware ficou manchado de laranja avermelhado (a sopa tinha muito tomate oh oh). Alguém sabe me dizer como eu posso tirar a mancha? Tô com emails na caixa postal que ainda não respondi. Sorry (principalmente Marcinha, o email mais antigo... oh oh oh). Agora tenho que correr (debaixo de chuva.. oh oh oh oh). Fui.

Posted by Maria at 02:18 PM | Comments (15)

setembro 26, 2004

Outono em Umeå

bjorks_amarelas.jpg
Minhas queridas Björks, todas amarelinhas

floresta.jpg
Minha florestinha preferida

ciclovia.jpg
Ciclovia

cogumelo.jpg
Cogumelo... é outono!

arvore_vermelha_geral.jpg
Matizes de outono na ciclovia

arvore_vermelha02.jpg
Linda!

chao_vermelho02.jpg
Chão de outono

Post e fotos inspirados pela Marina. Queridoca, você é um amor. Um beijo.

Posted by Maria at 09:53 PM | Comments (20)

setembro 17, 2004

Bonecas de papel

Cleopatra.jpgTava conversando com a Marcinha, quando nem sei porque descobrimos que ambas, quando criança, fomos enlouquecidas por bonecas de papel, daquelas que vestíamos com roupas também de papel. Sempre A-DO-RE-I essas bonecas, que me entretiam por horas a fio. Acho que as minhas eu comprava na banca de jornal, mas em algumas papelarias também tinha.

Na minha caixa de metal, cheia de rosinhas pintadas em cima, guardava minhas bonecas de papel e os apetrechos. Sapatos, vestidos, chapéus etc. Era complicadíssimo fazer a boneca permanecer vestida e "montada" durante a brincadeira. Isso, claro, por conta do modo como as roupas e acessórios eram prendidos: com pequenos pedaços de papel dobrados por cima dos ombros da boneca.

Mas eu me divertia muito. Fico com pena de ter perdido a caixa e as bonecas. Esse é um tipo de coisa que eu gostaria de ter guardado. Fui procurar na Internet algum site de bonecas de papel, e achei esse aqui, que é um show. Cliquei em galeria, e achei uma das páginas mais lindas do mundo. Tem bonecas de papel da Alice no País das Maravilhas, Desdemona do Othello de Shakespeare, Frida Kahlo e até Nijinsky! Mas a minha favorita é Cleópatra. UAU!

Posted by Maria at 04:41 PM | Comments (35)

setembro 13, 2004

A vida é bela

ceu_impressionista01.jpg
Fim-de-semana mágico. Meu urso chegou sexta à tarde. Jantamos (fiz batata gratinada no forno com creme de leite diet e queijo diet, além de mais outras coisas - tudo uma delícia, thank you very much). Assistimos ao noticiário e lá pras 19h30, 20h fomos comprar guaraná no supermercado aqui perto de casa (fica a uns 300 metros a pé, na esquina da minha rua). Quando olhamos para cima fomos brindados com esse céu impressionista, rosa, azul, laranja, amarelo... A noite estava clara, parecia que de propósito pra me fazer respirar mais leve. Sucesso! :c)

No sábado depois do almoço saímos para uma volta na floresta perto de casa. Desde que vim morar aqui descobri a delícia das frutinhas selvagens, chamadas bär [bééérr] e que crescem em qualquer mata de fundo de quintal. A minha favorita é a blåbär [blôôôbér], ou blueberry em inglês, cheia de vitamina C e ótima para o estômago. Colhemos algumas delas nesses arbustos rasteiros (ver primeira thumbnail). Foi difícil encontrar as frutinhas, talvez porque as crianças da escolinha ao lado devem conhecer bem os points mais fartos.

Colhi algumas blåbär (segunda thumbnail). O dia estava liiiiiindo, por volta de 16 graus (o que é relativamente "quente" por aqui nessa época do ano). Rodamos pela florestinha e arredores por cerca de duas horas. No final, estavamos consados mas não com fome. A razão? Veja a terceira thumbnail. :c))) Antes do jantar ainda demos uma volta de carro, olhamos casas (nosso esporte favorito já que não temos dinheiro pra comprar...) e descobrimos novos bairros de Umeå. Vimos até um balão! (veja quarta thumbnail)

No domingo choveu, então ficamos em casa. O que, diga-se de passagem, não foi nenhum sacrifício. Hohoho. Quem disse que a vida não é bela? :c)

blabar_th.jpgmaos_vazias_th.jpgbalao_th.jpg

Hoje teve trabalho de grupo aqui em casa. Fizemos um resumo de um caso judicial para entregar amanhã no seminário sobre direito civil. Escrevemos, tomamos café e jogamos conversa fora. Falamos sobre cachorros, cavalos e claro, outras coleguinhas de quem ninguém gosta. Devo dizer que a capacidade de fazer fofoca das suecas é tão ou mais sofisticada do que a nossa. Hohoho. Essa semana vai ser tumultuada, mas a vida é boa e generosa então, nada a temer. Boa semana pra você também! :c)))

Posted by Maria at 05:24 PM | Comments (18)

setembro 06, 2004

No ônibus

stop.jpgOntem teve jantar na casa de um casal amigo, Mia e Jens. Ela é minha amiga de curso. O namorado, Jens, é alemão e está na Suécia há tanto tempo quanto eu. A Jenny também estava lá. No ônibus sentei na parte da frente, como sempre faço quando não tenho certeza se peguei a linha certa. Ao meu lado, dois rapazes de aparência indiana (mas poderiam ser paquistaneses ou do Sri-Lanka, sei lá).

Num ponto de ônibus do centro da cidade subiram cinco mulheres da Somália, com suas roupas típicas, chales e tudo. Sentaram nas cadeiras à minha frente e uma delas ao meu lado. Ela era a mais velha de todas, uma senhora, e cheirava a sândalo. Quase comecei uma conversa, mas fiquei com receio de não me fazer entender. É muito comum que as imigrantes mais velhas, principalmente mulheres, não saibam mais do que o básico em sueco ou inglês. E eu, obviamente, sou um zero a esquerda em árabe.

Na minha frente, uma mãe e duas filhas. Uma das meninas era pequenininha e a mãe ia lendo pra ela o nome das paradas do ônibus com uma pronúncia muito boa, seguida de animados comentários em sua própria língua (somali?). Fiquei feliz por ela estar contribuindo para a educação da filha. Quando me levantei para sair do ônibus, no entanto, reparei uma coisa engraçada e triste. Todos os suecos presentes estavam sentados no fundo do ônibus, enquanto nós, imigrantes, sentamo-nos na frente (inclusive o motorista que parecia ser do Iraque).

O jantar foi ótimo! Sopa de salmão russo (a mãe da Mia é russa) com pêra no forno de sobremesa. Tomei um martini de aperitivo (gosto mais ou menos, prefiro as azeitonas hohoho) e o vinho branco que eu levei. Muito bom, viu? Se tiver oportunidade, compre. Tem um gosto muito suave, com um toque de frutas. Delicioso. No final, café e Baileys. Uhmmm.

Posted by Maria at 01:38 PM | Comments (14)

setembro 05, 2004

Domingo

futebol_pequena.jpg

Tava estudando mas tive de parar pra apreciar. Crianças estão jogando futebol aqui no gramado em frente de casa. Um barato. Tô quase indo lá participar. Será que se eu disser que sou brasileira eles me deixam jogar? Hohoho. Quando fazem gol é uma gritaria ótima: "MÅÅÅÅÅLLLLLLLL!!!!!!" [môôôôôllll], berram. Música pros meus ouvidos solitários.

Posted by Maria at 02:50 PM | Comments (16)

setembro 04, 2004

zum zum zum...

Eu e a abelha estamos bem, mas cansadas. Sim, ela ainda está aqui em casa, zunindo como nunca. E eu tentando evitá-la a qualquer custo. Fui pra cidade. Comprei um vinho branco chileno que parece ser ótimo, chamado Terra Andina (o site é show!). Encontrei com colegas de turma, vi gente na praça da cidade, vi o preço de um casaco de inverno e quase caí pra trás. É exatamente o preço do sofá que eu quero comprar. Fui ao supermercado, comprei biscoitos recheados dinamarqueses Bisca e voltei pra casa. Li. Vi TV. Escrevi SMS, falei ao telefone. Escrevi.

Terminei de ler o livro do Günther Wallraff, um alemão que nos anos 80 se transformou em turco (com ajuda de lentes de contato negras, peruca e bigode postiço) e foi procurar emprego. O livro é interessante inicialmente, quando ele descreve diversos empregos que conseguiu, como fritador/faxineiro no McDonalds, provador de medicamentos para indústria farmacêutica etc.

O preconceito e a noção de que os turcos (ou outros não-alemães) não são gente fica evidente o tempo todo, o que causa muito desconforto. O livro é, no entanto, muito interessante porque mostra, além disso, como uma série de indústrias funcionam, como a das empreiteiras que contratam pessoal para obras civis. Impressionante.

No final o livro vai ficando chato, chaato, chaaaato. Fui pulando uma série de coisas porque é como se apenas um alemão ou uma pessoa que more na Alemanha pudesse entender. Nesse ponto, fiquei meio frustrada. Mas o livro é bacana mesmo. Agradeço à Marcia de Souza pela dica.

Posted by Maria at 05:06 PM | Comments (20)

setembro 02, 2004

Eu e a abelha

Estava aqui, concentrada tentendo resolver as 11 perguntas do primeiro exercício do curso de legislação, quando ouço um zumbido e um bater de asas. Digo pra mim mesma: "não é nada!" Volto a atenção ao banco de dados na Internet com milhares de casos, leis, decisões... Mas escuto o zumbido novamente. Mais perto de mim. Assustada, olho pra cima do monitor e vejo uma abelha imeeeeennnsa.

Levanto e saio abanando os braços pra todos os lados, mesmo a coitada da abelha estando bem longe de mim. Ela acha interessante o show oferecido por essa massa em movimento e vem investigar. Depois de passear comigo pelos quatro cantos do apartamento - eu sempre à frente, abanando os braços, sacodindo os cabelos e grunindo "uhhhh" - a abelha perde o interesse e pousa no abajur.

Sento na frente do computador e tento pensar num plano para forçá-la a sair do apartamento, já que matá-la está fora de cogitação (não por ser piedosa, mas mais por ser medrosa mesmo). Apago todas as luzes, abro a porta da varanda e a abelha some. Mas como ainda não tive coragem de ir conferir se ela realmente foi embora, não sei ao certo se estou livre.

Nunca desejei tanto na minha vida uma latinha de aerosol Baygon. (Isso é proibido na Suécia... dizem que é perigoso à saúde. Ughrt.). Resta saber se o nervosismo de pessoas como eu não poderia ser considerado mais perigoso do que um simples DDTzinho que, aliás, é o meu melhor amigo.

Posted by Maria at 12:34 PM | Comments (24)

agosto 30, 2004

Em Umeå

livros_pequena.jpgJá estou em Umeå para o início do semestre, na quarta-feira. Vim ontem. Hoje encontrei com duas amigas de curso, Annete e Ann. Já passamos uma meia-hora fofocando no café da universidade, depois fomos ver se conseguíamos uma informação mais correta sobre a hora do início das aulas. Mais tarde fui à biblioteca procurar pelos livros que usaremos durante os primeiros dois meses. Encontrei três e já estou na fila de espera para outros quatro.

Começaremos a estudar leis nesse segundo semestre. Tudo o que diz respeito à legislação sueca, desde direito civil até penal, passando por direito de família e, claro, social etc. Acho isso muito interessante porque ficarei conhecendo ainda mais a Suécia e os suecos. Por outro lado, no entanto, fico apreensiva com esse bando de textos em sueco formal, o chamado Kanslisvenska. Complicaaaaado... :c/ (Ainda bem que esse curso dura apenas dois meses)

E o que foi aquilo na maratona das Olimpíadas? Gente, fiquei chocada com aquele ex-padre irlandês que acabou com a fantástica corrida do paranaense Vanderlei Cordeiro de Lima. Estou chateada e revoltada. Não apenas porque perdemos um ouro merecidíssimo, mas por causa do próprio Vanderlei, que já tem 35 anos. Fiquei imaginando os anos de sacrifício que ele deve ter tido para se preparar pra ganhar uma medalha de ouro numa Olimpíada. Isso sim é que me deixa pau da vida. :c/

Posted by Maria at 02:44 PM | Comments (22)

agosto 29, 2004

Da vinci e o esquilo (que não é Ésquilo!)

Matéria no caderno de cultura do meu jornal de hoje sobre "Código Da Vinci", o fenômeno que dominou as listas dos mais vendidos na Suécia e no Brasil (e em muitos outros países desde o seu lançamento em 2003). Depois de muitas considerações, o jornalista chega à conclusão de que livros com o de Dan Brown satisfazem uma necessidade básica do ser humano/leitor, que ele chama de sense of wonder (assim em inglês mesmo).

Para o repórter, o sense of wonder é "um efeito estético que equivale a um orgasmo, só que nos planos intelectual e existencial. O que o leitor procura é uma experiência que faça o chão tremer. Porém, sem as preliminares (foreplay) que um pensar próprio representa". Acho que eu não poderia explicar melhor, de forma mais completa e enxuta o que achei do livro do Dan Brown. Se vale a pena ler? Sem dúvida, mas se prepare para se sentir enganado(a) pela propaganda.

monasleende.jpg

Ontem, debaixo de chuva, fui comprar fio dental no supermercado aqui perto de casa. Não tinha. Como me acostumei a ter dentes, engoli a preguiça, peguei o carro e me mandei pra um outro supermercado, maior. Na volta, dirigindo por uma das ruas mais movimentadas de Boden (quando eu digo "movimentadas" imaginem uma rua normal do Rio ou São Paulo e descontem 95% do tráfego) quase atropelei um esquilo, daqueles vermelhinhos, com rabo peludo.

Ele saiu correndo de uma árvore pra frente do meu carro. Sorte que deu tempo de freiar não muito bruscamente, afinal a velocidade máxima das ruas de Boden é 50 Km (e eu obedeço). Sorte também que nenhum carro vinha atrás de mim, senão ia ser chateação certa. Contei pro meu urso que ficou com pena de mim. "Devia ficar com pena do pobre do esquilo, coitado", retruquei. "Ah", disse meu urso, "é inevitável que você atropele algum bichinho desses por aqui. É melhor se acostumar com a idéia".

Oh, céus.

Posted by Maria at 11:19 AM | Comments (18)

agosto 26, 2004

Romantismo

Passei a noite de ontem assistindo ao "84 Charing Cross Road". Nem sabia, mas senti muita falta de ver as histórias, as cartas e os livros trocados entre Helene Hanff e Frank Doel (ainda mais porque tudo acontece via correio, com pacotes sendo enviados e recebidos, o que pra mim é equivalente a felicidade). Esse romantismo me faz bem à alma. E olhem que jóia que o Frank Doel lê, quando Helene não pode ir à Londres como combinado:

amaryllis02.gifHad I the heavens' embroidered cloths,
Enwrought with golden and silver light,
The blue and the dim and the dark cloths
Of night and light and the half-light,
I would spread the cloths under your feet:
But I, being poor, have only my dreams;
I have spread my dreams under your feet;
Tread softly because you tread on my dreams. -- William Butler Yeats

É ou não é um luxo de romatismo? Nossa...


Tô aqui feliz com emails que recebi da Raquel e da Lety. Tão bom receber feedback de pessoas que acham interessante e importante as coisas que escrevo aqui no Montanha! Obrigada!

Posted by Maria at 09:57 AM | Comments (20)

agosto 22, 2004

errrhhhmmm... Bom dia. :c)

errrhhhmmm... Bom dia. :c)

Na TV - Vi Robert Scheidt conquistar a medalha de ouro na categoria Laser de vela. Que máximo! Vi também a dupla Shelda e Adriana Behar vencer Ana Paula e Sandra nas quartas-finais do vôlei de praia.

Comprei um DVD pra mim: "84 Charing Cross Road", com Anthony Hopkings (ninguém faz um trabalhador-inglês-reprimido-romântico como ele) e Anne Bancroft.

Vi esse filme há muitos anos, quando ainda era adolescente. Me lembro que fui vê-lo pela enésima vez com uma prima minha. Lá pelas tantas, ela sussurrou: "Nossa, que romance! Quando eles se encontrarem vai ser o máximo!"

E no fim do filme, ela comentou em alto e bom som, em pleno cinema: "NÃO ACREDITO QUE ELES NUNCA SE VIRAM!" Coitada, acho que ela não tinha prestado atenção ao título do filme em português (que por sinal é um corta tesão desgraçado): "Nunca te vi sempre te amei".

Posted by Maria at 04:20 PM | Comments (10)

agosto 21, 2004

Lavanderia, faxina e filmes

Dia de lavar roupa e de fazer faxina. Acho um saco sem tamanho, mas gosto do resultado, tudo bonitinho, arrumadinho e limpo. Coloquei meu CD do Ed Motta no aparelho de som, aumentei o volume e lá fui eu, pela casa a dentro. O problema nem é passar o aspirador (nem fazer faxina mais pesada no banheiro), mas é que é necessário tirar tudo o que fica pelo caminho, cadeiras, mesas, sapatos, tapetes, tudo, para poder limpar de verdade. É nessas horas que eu gostaria de ser a feiticeira pra poder torcer o nariz e fazer tudo flutuar.

Pra contrabalançar, assistimos ontem a "Big Fish" e a-ma-mos. Eu já gosto que me enrosco do Ewan McGregor, então foi fácil de apreciar mais essa fábula do Tim Burton. Vale a pena. Daqui a pouco temos de ir devolver os DVDs lá no posto Shell (cuja loja de conveniência tem uma videoteca bacaninha). Estou fazendo um "trabalho de base" aqui em casa para que possamos alugar mais uma vez "Under the Tuscan Sun". Até concordei em assistir a "S.W.A.T", pra ver se amacio meu urso e ele concorda em assistir comigo ao filme da Diane Lane.

Hohoho.

Posted by Maria at 02:36 PM | Comments (14)

agosto 20, 2004

Tô chata hoje. Vou poupar

Tô chata hoje. Vou poupar vocês do nhen-nhen-nhém.

Posted by Maria at 12:15 PM | Comments (12)

agosto 19, 2004

Voltei

telefone.gifVoltei. Finalmente. Estou em casa novamente. Precisei ir a Umeå pra apresentar o trabalho final do meu curso de verão e acabamos ficando mais um dia em Piteå, na casa da minha sogra. Chegamos em casa há pouco. Antes de mais nada, obrigada pelos comentários de vocês aí no post de baixo. Nossa, fiquei TÃO FELIZ quando vi 35 comentários! Obrigada, obrigada, obrigada!

Hehehe, é engraçado essa coisa de não casar a voz com a pessoa. Minha voz não é lá essas coisas pra rádio não, infelizmente. Quando estava na faculdade ainda tentei, mas meu professor de rádio, Farina, disse que eu tinha um tom muito "cuidadoso". Ele é que foi cuidadoso e educado porque não quis me dizer que minha voz era mesmo infantil. Mas ao vivo minha voz é mais normal, eu garanto :c)

Pra esclarecer a curiosidade de alguns: sim, o texto foi escrito por mim. Meu urso me ajudou apenas com a palavra "kurragömma" (que soa estranhíssimo para nós, cariocas) e que é o nome do jogo de "esconde-esconde". Isso eu não sabia mesmo. O resto eu escrevi sozinha.

Esse programa é feito com a participação direta da população, que pode ligar ao vivo ou gravar sua participação na secretária eletrônica deles. Fala-se sobre qualquer assunto. Se estiver tudo ok com a gravação, ela é colocada no ar durante o programa. Não é nada fantástico não, qualquer um pode fazer isso. Eu preferi ler meu texto pelo simples fato de que na transmissão direta o mediador fica sempre interrompendo, perguntando um monte de coisas e é fácil perder o fio da meada.

Decidi escrever o texto porque tinha ouvido um outro imigrante comentar sobre o tema no dia anterior, enquanto ouvia rádio e tomava meu café-da-manhã. Ouvi o que ele tinha a dizer, as perguntas do mediador e as idéias começaram a pular na minha cabeça. Eu já penso nisso quase que em tempo integral, vocês sabem, sempre tentando encontrar um lugar aqui pra mim, então resolvi colocar isso no papel de forma simples, com linguagem adequada pro rádio. Que bom que vocês gostaram. :c)

Alguns me perguntaram o por quê de eu querer "me tornar sueca". A explicação é essa: Há um debate grande aqui sobre quando uma pessoa se torna sueca. Filhos de imigrantes, mesmo os que nascem em solo sueco e apesar de terem passaporte sueco e nacionalidade sueca, não são vistos como suecos, mas como imigrantes de segunda geração. Isso é, até quando eles realizam algum feito incrível, como ganhar uma medalha olímpica ou nascer princesa ou príncipe, como os filhos de Carlos Gustavo e Silvia (que é imigrante) - aí ninguém tem dificuldade de chamá-los de suecos.

Por outro lado, quando um ladrão ou estuprador é preso e ele chama-se Ibrahim, diz-se na imprensa "o cidadão sueco de origem árabe", ao invés de simplesmente caracterizá-lo como sueco e ponto final. Pessoalmente, eu não quero ser sueca não, quer dizer, não completamente. Isso é impossível. Mas eu quero sim poder me sentir em casa aqui, em paz com o país, com os costumes, com as pessoas. Pra isso, eu preciso me sentir parte da cultura, preciso sentir que fui aceita. Por isso é que busco tanto essa união, compreendem?

Posted by Maria at 06:59 PM | Comments (16)

agosto 14, 2004

Luxo só

packet.jpgQuando a carta é muito grande, ou quando se trata de um pacote, o carteiro não traz até em casa, mas nos deixa um aviso para irmos buscar a encomeda. Ontem chegou um aviso pra mim. Achei que era um livro que havia comprado na minha loja online favorita, mas não era. A encomenda era um pocote com três livros, enviados pela minha amiga Julia, com quem estagiei no Globo há mais de dez anos e que hoje trabalha numa editora. Ganhei "Cinco Marias", de Carpinejar; "Mulheres Perfeitas", de Ira Levin (que inspirou o filme "Stepford Wives"); e "O Calígrafo de Voltaire", de Pablo de Santis.

Julia, minha flor, o que eu posso dizer? Obrigada, obrigada, obrigada. Fico tão emocionada quando ganho livros, acho que a pessoa quer me dizer alguma coisa, me contar uma história, quer que eu entenda uma mensagem ou simplesmente quer dividir comigo uma experiência preciosa sua. Isso tudo, qualquer uma dessa possibilidades acima é pura poesia. Quer dizer que a pessoa pensou em você, se lembrou de como você era, e escolheu aquela história pra te fazer feliz. Isso é um luxo.

Mais adiante, fui ao supermercado comprar pequenas coisinhas: leite, iogurte, caviar, carne, uns peitinhos de galinha. Quase comprei uma planta, mas já tenho muitas. Ainda mais que é meu urso quem tem de cuidar delas quando me mudo pra Umeå, de forma que achei melhor dar à planta uma chance de um lar mais apropriado. Comprei chocolates também, do tipo variado, muito comum aqui (paga-se pelo peso). Hoje é sábado e eu fui "uma boa menina" durante toda a semana, de forma que preciso relaxar. :c)

Aproveitei e aluguei dois DVDs: "Under the Tuscan Sun", com a lindíssima Diane Lane (como é que pode uma mulher ser tão bonita assim?), e o "Lost in Translation", com o Bill Murray. Tava doida pra ver esse filme desde que a Sofia Coppola ganhou o Oscar, ainda mais porque acho que eu muitas vezes me perco no vão entre a Maria-Rio-de-Janeiro-jornalista-filha-irmã-amiga e da Maria-traduzida-imigrante-estudante-desenraizada.

Posted by Maria at 01:32 PM | Comments (11)

agosto 12, 2004

Festa no interior

nolia_estrada_placa.jpgFomos ontem pra Piteå, distante uma hora de carro de onde eu moro. É que está acontecendo uma feira que promove produtos, empresas e serviços locais. Dia lin-do, 19 graus, tudo em cima. Ventava um pouco, dock.

Aproveitei ainda pra ajudar minha sogra a organizar seu depósito (todos os apartamentos suecos têm um), onde anos e mais anos de "guardados" (nome fino para junk) nos esperavam. Essa coisa de organização é engraçada: tenho horror de começar a mexer naquele mundo de quinquilharias, mas, ao mesmo tempo, me dá um prazer enooooorme no fim, quando tudo está arrumado. :c)

Mas antes disso, me diverti um bocado na feira. Vi show aéreo, adestramento de cães, galpão com antiguidades (quase fiquei doida), um estacionamento enorme cheio de trailers moderníssimos, helicóptero, barcos etc. Adorei. Almoçamos palt, um prato local (bolas de batata com presunto dentro - era a comida preferida dos trabalhadores da indústria madeireira, muito comum aqui no norte. Eu como um pouquinho e olhe lá, pesado pra caramba). Sobremesa: sorvete de blåbär (em inglês, blueberry) e baunilha italiana... uhmmm. Voltamos pra casa tarde da noite, cansados mas felizes. :c)

nolia_batflagga_th.jpgnolia_batgeral_th.jpgnolia_bricabrac_th.jpgnolia_bricabrac2_th.jpgnolia_helicoptero3_th.jpgnolia_showaereo_th.jpg
Clique nas thumbnails para ver as fotos em seu tamanho natural. Mais fotos, aqui.

Posted by Maria at 02:02 PM | Comments (13)

agosto 08, 2004

Bruxas, pragas e eu

Acordei com dor no pescoço. Dormi tão profundamente que nem mudei de posição na cama. :c) Fui dormir tarde da noite ontem porque fiquei vendo TV até quase às duas da matina pra rever um dos filmes de que mais gosto (em se tratando de comédias americanas): "As Bruxas de Eastwick", com Cher, Susan Sarandon, Michelle Pfifer e Jack Nicholson. Adoro o filme, a história, os atores, o clima do filme. Adoro. E o melhor eu nem sabia: o filme é baseado num livro de John Updike! Do Updike eu li os quatro livros do Harry "Coelho" Angstrom (curioso, noto agora que ele tem um nome sueco!) e "Couples", que foi minha primeira experiência com o escritor americano.

A história de Harry "Coelho" Angstrom é genialmente comum (Updike ganhou o Prêmio Pulitzer com a tetralogia). Ele é um vendedor de carros japoneses que vive em um EUA em constante transformação. Rabbit leva uma vidinha média, tem um emprego médio, com um salário médio, com um carro médio, com uma família média e com uma satisfação cada vez menor. O "Couples", editado em 68, é um livro sobre sexo, traição e amor nos subúrbios americanos, onde tudo é aparentemente perfeito (sabe cumé, gente que nunca diz: "estou de saco cheio disso!")

spam.gifEstou em guerra. Desde ontem de madrugada alguém vem deixando spams aqui no Montanha pra vender Viagra e outras porcarias. Nesse exato momento, esse indivíduo já deixou mais de 20 mensagens em posts diferentes e usou pelo menos 12 IPs diferentes (bani todos, claro). Será que apenas no Montanha que essa praga atua? Alguém já reparou isso em seu blog?
Posted by Maria at 01:22 PM | Comments (11)

agosto 06, 2004

Coisas

foto copiada da luciana.misura.orgcafezinho_pequeno.gifBom dia. Na mesa, café, pão, Philadelphia e caviar.

newmail.gifCarteiro. Nenhuma carta, nem catálogo da Ikea, nem folheto de propaganda. Nada. :c(

No jornal, várias páginas sobre presos que fugiram de cadeias suecas. Um cara que era americano e agora é cidadão sueco ficou preso 20 anos numa cadeia no Texas. Hoje, dá palestras a carceireiros a convite da autoridade penitenciária sueca. Parece que estou em um episódio de "Twilight Zone".

No suplemento de economia, um especialista em tecnologia de origem sueco-africana diz que é mais inteligente fazer carreira fora daqui pra depois voltar à Suécia. "Em Londres é melhor", dá a dica. "Em Estocolmo é mais importante que você 'combine' com o grupo de empregados na hora do cafezinho, possa falar das mesmas coisas, aprecie os mesmos costumes. Já em Londres a pessoa é contratada por sua experiência, não pela forma como se veste ou fala".

x.gif Já disse que tenho H-O-R-R-O-R de provincianismo?

sacolinha.gif Supermercado hoje (não dá mais pra evitar): leite light, pepsi light, caviar light, pão light, bananas, maçãs e tomates (light por definição). Por quê minha alma e meu corpo não ficam light de uma vez por todas?

x.gif Faxina da casa hoje (ainda dá pra evitar).

livros.gif "The da vinci code". Sinceramente? Acho que estou perdendo a capacidade de me divertir como qualquer um. Tanto hype por um ajuntamento de mediocridades. De repente o filme fica melhor. Larguei.

tvacores.jpg TV. Às oito, especial sobre a vida da Jane Birkin, modelo que escandalizou o mundo nos anos 60 (taí uma façanha), cantando "Je t'aime, moi non plus" junto com seu então marido Serge Gainsbourg. Às nove, "Law and Order: criminal intent", que eu não sou de ferro. Ah sim, às 22h30 tem a reprise do Parkinson (entrevistador britânico) numa conversa com Larry Hagman (JR de "Dallas"), Stephen Fry (comediante britânico) e Cher. Não posso perder.

broken_heart.gif Morreu Cartier-Bresson. :c(

Posted by Maria at 11:40 AM | Comments (17)

agosto 01, 2004

A jato

carro01.jpg

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Posted by Maria at 12:25 PM | Comments (15)

julho 30, 2004

Que preguiça...

Olha, está um sol incrível aqui, 31 graus no sol (24 na sombra). Queria muito ficar e conversar, mas quero mais o sol, a luz e o calor (aproveito enquanto tenho). Ontem fomos a Piteå visitar a família. Aqui fotos de Lona (cão) e O'Boy (gato), filhos da Veronica, minha cunhada, na varandra da casa da minha sogra.

oboy02.jpglona01.jpg
Clique nas fotos para vê-las em seu tamanho natural.

E o mistério mais bem-guardado desde o nome do assassino de Odete Roitman foi revelado! Sabem quem é que vai "sair do armário" nos Simpsons? A Patty, irmã da Marge. Ela se apaixonará por uma professora de golf.

Posted by Maria at 03:37 PM | Comments (11)

julho 26, 2004

Organizando

Tô organizando os arquivos do Montanha e as categorias. Maió trabalhão. Consegui chegar a dezembro, novembro, outubro, setembro, agosto, julho, junho maio de 2002. :c) Agora é agüentar firme, editar os mais de 200 posts que ainda faltam, até chegar a fevereiro de 2002, quando tudo começou. O engraçado é observar como as coisas mudaram desde então. Eu mudei e a Suécia que eu vi mudou comigo (à medida em que comecei a entender o idioma, conversar com as pessoas, ler jornais e ver TV). Bacana. (Música para que o trabalho funcione melhor: trilhas de "Easy Rider" e "The Commitments"; Beatles; Milton e Gil e Rita Lee)

Posted by Maria at 02:29 PM | Comments (14)

julho 20, 2004

Pelos cotovelos

Conversei ontem no telefone com a Liza e reparei uma coisa ótima: ambas falamos ininterruptamente, puxando um assunto de dentro do outro. Essa é uma das coisas de que mais sinto falta no meu dia-a-dia: o ritmo da conversa brasileira (ou latina). Explico. Os suecos têm como hábito ouvir a pessoa que fala sem interromper. A grande diferença é que eu fui "treinada" na chamada conversa sem fim, onde se engatilha um assunto no outro e num fôlego só cobre-se desde política até culinária, passando por saúde, amor e as últimas fofocas.

Uma das coisas que tive de aprender quando vim morar aqui é colocar um ponto final evidente no que estou dizendo. Isso porque o sueco espera pacientemente que você pare de falar para que ele possa dizer o que pensa. Birgit Öberg (livro do dia 17) comenta sobre o desencontro de suecos e povos árabes e/ou sulamericanos quando conversam. Nós esperamos ser interrompidos com perguntas, mas como eles não as fazem, continuamos a falar. Eles esperam que paremos de falar para fazer suas perguntas.

Nós achamos que os suecos são mal-educados por não se interessarem em nada do que falamos (por não fazerem perguntas) e eles nos acham incrivelmente mal-educados por simplesmente não parar de falar! (Esse tipo de coisa não se aprende na escola, temos que conviver com eles pra reparar. Fazer essas descobertas é, pra mim, a parte mais fascinante de morar fora do Brasil.)

Posted by Maria at 11:22 AM | Comments (23)

julho 13, 2004

Chuvarada

setinha01.gif Chove horrores, mas o sol brilha mesmo assim. As pessoas andam pela rua de guarda-chuva e óculos escuros. Tô me sentindo em casa. :c)

setinha01.gif Quer se divertir pacas ao mesmo tempo em que lê um texto interessantérrimo? Clica aqui, vai.

setinha01.gif Amo meu urso, mas às vezes me dá uma vontade danada de cortá-lo em pedacinhos beeeeeeem pequenininhos.

setinha01.gif Alguém aí tem um aviãozinho que possa me levar pro Rio? Aceito voar de graça. Obrigadinho.

setinha01.gif Sempre achei que todo mundo fosse assim, mas recentemente descobri que nós, pessoas que ligam números à cores, somos diferentes da maioria. Bom, pra mim, a vida sempre foi assim ó:

#1 = branco
#2 = preto
#3 = amarelo
#4 = marrom
#5 = vermelho
#6 = azul
#7 = amarelo/laranja
#8 = marrom/preto
#9 = rosa/laranja

Posted by Maria at 04:32 PM | Comments (14)

junho 29, 2004

Papa-anjo

Fomos ontem assistir a Harry Potter and the Prisoner of Azkaban. A-do-re-i. Pena que o Ron aparece pouco. Contei que tenho um soft spot por ruivos? Hohoho.

Sabe porque eu gosto da história criada pela J.K. Rowling? Porque você vai ao cinema pruma tarde de diversão ligeira e acaba aprendendo a ridicularizar seus medos mais terríveis (o ator Alan Rickman, que faz Severus Snape, vestido com as roupas da avó do Neville é ge-ni-al).

Posted by Maria at 11:13 PM | Comments (11)

junho 23, 2004

Trains, plains and automobiles

host1.jpg
Passei essa semana em Boden. Foi ótimo. Agora já estou de volta a Umeå para mais duas semanas de ralação. Depois, férias. No trem de ida, um "pequeno" imprevisto: o trem não veio a Umeå, passou direto por estar atrasado. Eu e mais alguns viajantes fomos de taxi até Vännäs, cidade mais ao norte, onde pegamos o trem.

Anteontem, na volta pra Umeå, outro imprevisto: o trem também não veio, dessa vez por causa de um incêndio na região onde os trilhos passam, que poderia até explodir (fogo perto de gás, ou coisa que o valha). Fomos de ônibus de Boden até Luleå, maior cidade do norte sueco, onde trocamos de ônibus. Dali seguimos para Umeå.

Vim ouvindo rádio a viagem inteira. Dá uma paz ouvir rádio vendo as paisagens mais lindas passarem pela janela. Campos verdinhos, casas vermelhinhas. Vaquinhas, carneirinhos, passarinhos. Rios, pedras, florestas. E o sol? Estava com sol alto até às 22 horas. Depois ele deixou de brilhar, mas nunca fica noite aqui nessa época do ano.

Em uma das minhas estações favoritas, a P3, tocou um programa em que grupos de rock apresentam durante uma hora suas músicas favoritas. Anteontem foi a vez do grupo sueco Sahara Hotnights (adoro esse nome). Dentre as músicas preferidas de Maria e Johanna estava "Angelina" de Harry Belafonte. Muito legal.

Angelina, Angelina, please bring down your concertina
And play a welcome for me 'cause I'll be coming home from sea
Yes it's so long since I've been home
Seems like there's no place to roam
Well I've sailed around the Horn
I've been from San Jose up to Baffin Bay
And I've rode out many a storm

Mais tarde, a P3 mostrou um show ao vivo do R.E.M., gravado em Oslo, Noruega, em outubro do ano passado. Foi emocionante ouvir os caras tocando e cantando "Loosing my religion" ao vivo. Tive que me segurar pra não sair me sacudindo no meio do ônibus (estava sentada na parte de baixo, então o vexame seria menor. :c)
Life is bigger It's bigger than you
And you are not me
The lengths that I will go to
The distance in your eyes
Oh no I've said too much
I set it up
(...)
Every whisper
Of every waking hour I'm
Choosing my confessions
Trying to keep an eye on you
Like a hurt lost and blinded fool
Oh no I've said too much
I set it up

Quer ouvir a P3? Vá até o site deles e clique na palavra "Lyssna" (= "Ouça"), localizada à direta da barra preta.

A foto acima, apesar de muito fiel ao que vi, não foi tirada por mim, mas por uma amiga quando ela e o marido viajaram ao sul da Suécia. Lindo, né?

Posted by Maria at 12:21 PM | Comments (24)

junho 19, 2004

Futebol e crianças

E não é que ontem quase que a Suécia perde da Itália? Pois é, depois de uma semana de gritos de "já ganhou", a seleção sueca tomou um sustão. Eles estavam embalados com os 5 a 0 na Bulgária e achavam que a Itália não era lá essa coisa toda. Ainda mais quando o time italiano perdeu Totti, suspenso por três jogos depois de ter cuspido na cara de um jogador dinamarquês. Mas os italianos não deixaram a bola cair e, mordidos, tiveram um monte de chances de gol. Foi sorte da Suécia que o goleiro deles jogou muito.

O jogo estava quase terminando, 1 a 0 pra Itália e o time sueco parecia resignado com a derrota. Com a vitória sobre a Bulgária, eles ainda poderiam se classificar pras quartas de final caso ganhassem da Dinamarca no próximo jogo, terça-feira que vem. Mas foi aí que o oportunismo e o talento do Zlatan Ibrahimovic se fez presente. Num lance confuso na área italiana, ele marcou um gol de placa: de costas pro gol, ele tocou a bola pra dentro com o lado externo do pé direito. Todos os jornais suecos de hoje estão agradecendo a Zlatan. :c)

Não pude escrever antes porque hoje vieram aqui pra casa minha sogra, minha cunhada e as três filhas, 9 e 7 anos (uma mais velha e um par de gêmeas). Tenho que dizer pra vocês o seguinte: nego tem que ser mooooooooito macho pra ter três filhas. Elas vieram pra cá ao meio-dia e foram embora agora, depois das nove da noite. Meu, eu tô exausta, e olha que eu não fiquei sozinha com elas... Sinceramente? É mais fácil jogar 90 minutos de futebol contra a Itália... :c)

Posted by Maria at 09:45 PM | Comments (20)

junho 12, 2004

Um lanche sueco

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Hårdbröd = "pão duro", literalmente. Mais sueco impossível. (eu adoro)

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Com um queijinho magro...

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Com o meu querido caviar mild (pra crianças) Delícia!

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Toque final: pepino. Uhmmm.

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Café com leite instantâneo.

Posted by Maria at 01:46 PM | Comments (20)

março 15, 2004

Ó Vida

Não, sem brincadeira: desde que me mudei pra esse apartamento em Umeå quatro lâmpadas queimaram. Q-U-A-T-R-O. A quinta, no meu quarto, fica piscando e ainda não se decidiu se queima de vez ou me atazana um pouco mais. Como as instalações elétricas suecas costumam ser de boa qualidade, só posso dizer: sai pra lá olho gordo!

Está nevando. Sim, estamos no meio de março e está ne-van-do aqui. E eu já estou de saco cheio. Não sinto saudades de sol e calor de 40 graus, mas também isso já é demais. E o pior é que não posso seguir o conselho da Ana Maria e chutar o pau da barraca. Barraca? Aqui? Posso, no entanto, chutar uma pedra de gelo, serve? :c)

Vocês assistem ao seriado Six Feet Under? Sobre uma família que gerencia uma funerária na Califórnia? É impressionante como num seriado americano sexo, homossexualismo, morte, traição, loucura e drogas fazem parte do dia-a-dia dos personagens sem tabus. Ou apesar deles. Genial.

Posted by Maria at 09:53 AM | Comments (0)

fevereiro 16, 2004

O mistério das meias desaparecidas

Jornal de hoje - Um cientista de Münster, na Alemanha, resolveu se dedicar a um dos maiores problemas da humanidade: Como as meias desaparecem sem deixar vestígios logo depois de serem lavadas à máquina. Para os ingleses esse é o "fenômeno das meias únicas", enquanto para os japoneses o problema chama-se "ruzu sokusu".

O cientista alemão Boris Grunwald seguiu centenas de pares de meias e observou que em 98% dos casos as meias se perdem quando se coloca roupas para lavar na máquina. Depois da lavagem, a meia nunca mais aparece. E quando aparece, está em locais completamente estapafúrdios.

Que coisa. Isso acontece sempre comigo. E o pior é que são sempre as minhas meias que desaparecem, as do meu urso quase sempre voltam todas da máquina. É um mistério...

Essas vocês têm que ver! Smoke kills! (Pescado na Elis)

Posted by Maria at 02:39 PM | Comments (0)

fevereiro 04, 2004

Gribada

Estou buito gribadah. Dariz entubido, dor de gargantah, bontade de dormir o dia todoh. O probleba é que dão consigo dormir - por causa do dariz entubido e da dor de gargantah. Tou com febre e binha cabeça pesa uma tobelada. Quero a binha bãe. :c(

Posted by Maria at 08:27 AM | Comments (0)

janeiro 04, 2004

Imagens do cotidiano


Eu e meu Urso. Meu Urso e eu.


Vista da minha janela, com planta e estrela.


Brrrr... Em cima é a temperatura de fora. A de baixo é a de dentro de casa.
A bonequinha eu comprei quando visitei a Suécia pela primeira vez, em 1999.

Posted by Maria at 01:20 PM | Comments (0)

janeiro 02, 2004

HO HO HO

O ano novo começou perfeito. Ou quase. Isto é, estávamos a caminho de uma festinha de uns amigos do meu urso polar quando resolvemos parar no supermercadão aqui de Boden pra comprar mais alguns comis-e-bébis. Aí, senhoras e senhores, nosso carro morreu. Sim, morreuzinho da silva. Só que como somos um casal com muita sorte - amém, Nossa Senhora, amém - um colega de trabalho do Stefan que entende de carros também estava lá no estacionamento do ICA e nos deu uma mão.

E que mão! Depois de apenas ouvir como o carro tentava começar a funcionar e depois arriava, ele nos disse que tinhamos uma "obstrução" em algum lugar perto do tanque de combustível, o que impedia que a gasolina chegasse onde deveria. Bom, e você pergunta: que tipo de obstrução? Bem, os suecos estão acostumados com isso e têm até um nome próprio, que é ispropp, o que quer dizer literalmente "obstrução de gelo". Sim, queridos e queridas, o que nos prendeu em Boden no ano novo foi uma formação de gelo dentro do motor. A razão: 29 graus negativos.

Agora vou parecer a raposa da fábula que desdenha as uvas, mas não me importo. Fiquei foi feliz com o tal do ispropp. Eu não queria mesmo sair de casa no final do ano. Foi uma obstrução muitíssimo bem-vinda para essa canceriana que adora uma toca/apartamento. Voltamos pra casa rebocados mas felizes, depois de alugar três DVDs no posto Shell, ao lado do supermercado: "Terminator 3" (para Stefan), "Gangs de New York" (para mim) e "Kopps", filme sueco muito engraçado (para os dois). Bebemos todas as cidras que havíamos comprado e fizemos tacos. Sinceramente? Há muito tempo não passava um final de ano mais feliz. :c)

E pra terminar, vejam aí em baixo a cartinha que o meu vizinho, papai noel, recebeu por esses dias... :cD

Fonte: Guerrilla Girls.com
Posted by Maria at 02:09 PM | Comments (0)

dezembro 13, 2003

Maria in a nutshell

Meu urso polar sempre diz que me conhece bem. Eu, no entanto, sempre duvidei porque, como qualquer mulher que se preze, gosto de imaginar que ainda tenho alguns mistérios a serem desvendados. Mas um dia desses ele me provou por A mais B como me conhecia e eu só pude aceitar o fato. Como moramos perto do trabalho do meu urso polar, ele vem almoçar em casa todos os dias. Eu é que não estava podendo vir almoçar em casa por causa das aulas. Um dia, cheguei em casa às duas da tarde, cansada e doida pra comer alguma coisa. Foi aí que tudo aconteceu.

Quando abri a porta do apartamento, a primeira coisa que notei foi um papel no chão, no meio do hall de entrada. Pensei imediatamente: "Ah, porque Stefan não cata esses papéis??? Tem sempre que ser eu a fazer tudo????" Antes que pudesse pensar mais alguma coisa eu já tinha pego o papel e aí, compreendi. O papel era um bilhete, me lembrando de uma coisa importante que eu havia esquecido completamente. Mais tarde, perguntei se ele havia colocado o papel no chão de propósito e ele disse que sim. Agora, isso não é impressionante? Ele sabia que eu ia direto pegar o papel no chão, bufando de mau-humor... Mas pelo menos iria ler o bilhete.

So much for woman of mistery, huh? :c)

Posted by Maria at 11:49 AM | Comments (0)

dezembro 09, 2003

Natal...que saco

E falando em TV, entramos essa semana no chamado Television Hell, quando todos os programas interessantes encerram suas temporadas. Alguns voltam em janeiro, mas a maioria retoma apenas na primavera. Isso me deixa muito triste - pra não dizer chateadíssima - pra não dizer p*** da vida.

Semana passada meu querido par dinamarquês "Nikolaj och Julie" foi interrompido para dar lugar na grade de programação da TV4 a todos os concertos de Natal com os cantores mais xavecos que a Suécia tem. É infernal. Toda semana tem um julkonsert e eu fico cada vez menos a fim de ver TV.

São pianistas no estilo de Richard Clayderman, cantoras dando dó de peito como quem respira e grupos cantando "White Christmas" pela trilhonésima vez. Meu deus do céu, quem inventou a música natalina???????? Ó céus!

Pra piorar a situação, os seriados americanos que eu gosto também terminaram suas temporadas de outono. "CSI" e "Third Watch", por exemplo, saíram do ar e só deus sabe quando voltarão. Os episódios mais novos de "Sex and the City" não dão o ar das graças já tem um tempo e "Simpsons" são apenas repetições.

Meu pedido pro papai noel é simples: que dezembro acabe logo. :c/

Posted by Maria at 11:53 AM | Comments (0)

outubro 24, 2003

Pegadas

Posted by Maria at 02:28 PM | Comments (0)

setembro 25, 2003

Hoje

Estou de folga do computador hoje (mas escrevo só um pouquinho...).
Vimos na aula de sueco o filme "Romeu e Julieta", de Franco Zefirelli. Estamos estudando a literatura da Renascença. Vocês precisavam ver a sala de projeção da escola. Um show. Tudo eletrônico. Começo a entender pra onde vão todos as minhas coroas pagas em impostos.
Cansada. Aulas das 8 da manhã às três da tarde.
Acabei de chegar em casa. Quero tomar um banho e vegetar na frente da TV.
Vento e sol. Frio. Outono. Mais ou menos 9 graus.
Ganhei ontem flores e um presente azul.
Graças aos céus que amanhã é sexta-feira.

Estou sem poder visitar meus blogs favoritos. Meu tempo na frente do computador é limitado. Desculpem. Já já me recupero mais e volto ao normal.

Posted by Maria at 03:44 PM | Comments (0)

setembro 24, 2003

Notícias

Tirei umas feriazinhas daqui porque estava precisando dar um tempo no computador. Meu ombro voltou a doer no final de semana e tive dor de cabeça no sábado e no domingo. Mas já passou. Aliás, fizemos um programa diferente no domingo: fomos à igreja assistir a um concerto de um coro.

Foi muito bonito, apesar do coro ter desafinado na primeira música (nervosismo é fogo mesmo) e da igreja luterana não ser tão linda como a católica, enfeitada com o ouro tirado às custas do sangue, do suor e das lágrimas dos caboclos do Mundo Novo (confira a fachada meio gótica à esquerda e o austero interior à direita).

Além do que, estou lendo um milhão de textos ao mesmo tempo, respondendo à dezenas de perguntas sobre o sistema de governo sueco e até investigando o judaismo, tudo para as provas que farei em breve.

Estou tão mais pra lá do que pra cá que hoje nem fiz nada especial para comemorar mais um aniversário do meu relacionamento com meu urso polar. Estamos "juntos" há quatro anos. Dois anos agridoces passados longe - ele aqui e eu no Rio - e mais dois anos agridoces passados juntos aqui em Boden.

Posted by Maria at 10:24 PM | Comments (0)

setembro 19, 2003

Ufa!

Sabe uma coisa que eu adoro? Sextas-feiras. Amém!

Posted by Maria at 10:24 AM | Comments (0)

setembro 17, 2003

Lufa lufa

Não parei hoje. Fisioterapia, aulas, oficina mecânica. Incrível como oficinas mecânicas em todos os países do mundo (conheço as de dois: Brasil e Suécia) respeitam apenas um princípio em suas relações com os clientes: nos tratar como otários. Deve fazer parte do currículo. Aula 1: motores Ford. Aula 2: Freios ABS. Aula 3: Como enrolar o cliente. Se você é imigrante e ainda por cima mulher, eles acham que podem passar por cima numa boa. Merda.

Prenderam um homem suspeito de ter assassinado a ministra do exterior sueca. Tomara que seja ele mesmo. O cara já foi condenado por 48 outros crimes e é uma amostra viva de que o sistema judiciário sueco é uma piada. O cara atacou a própria mãe e roubou o pai, além de fazer parte de grupos neo-nazistas. No entanto, a maior sentença que ele teve de cumprir na cade