Fim de semana corrido. Apesar de estar morrendo de vontade de escrever, simplesmente não tive tempo. Levei meu urso para o aeroporto (Estocolmo a trabalho), esperei minha sogra que veio me visitar no sábado e acabou dormindo aqui. Assistimos ao festival da música européia, aqui chamado de Melodifestivalen, votei como louca (três SMS:s) na Finlândia, liguei pro meu irmãozinho pra desejar feliz aniversário, a sogra se foi na tarde de domingo, quase morri de dor de cabeça, fui buscar urso no aeroporto e assistimos a “Match Point” e aí sim a morte foi quase certa, dessa vez por raiva por ter alugado um filme tão ruim (que diabos aconteceu com o Woody Allen?)
O Melodifestivalen foi nesse final de semana. Assim como a Marcia de Souza comentou, não escrevi sobre o evento esse ano, como fiz nos anos anteriores (maio de 2004, março e maio de 2005) por uma razão simples: a música que representaria a Suécia foi apresentada por uma cantora nativa que eu detesto com todas as minhas forças, a famigerada Carola. Ela é uma dessas pessoas que têm um ego gigantesco, que aprenderam que é preciso deixar claro a todos que ela se garante e que nada nem ninguém a atinge etc. Não que haja algo de errado em se ter boa auto-estima. O problema é quando esse tipo de pessoa acha que é um doce mas ao mesmo tempo mostra uma agressividade enorme com quem não se curva ao seu “brilho”.
E foi o que aconteceu na noite de sábado para domingo na Grécia, onde a final foi realizada. Ela cantou bem, deu seus costumeiros dós-de-peito (gritaria danada) e conquistou um quinto lugar geral. Depois de saber o resultado final, ela estava danada da vida (hohoho). Mas quem ganhou foi o meu favorito, o grupo finlandês Lordi (foto), que cantou “Hard Rock Hallelluja” e arrebentou a boca do balão. Os integrantes da banda se vestiram como monstros e zumbis e deram um show! Em entrevistas prévias à final, o vocalista Mr. Lordi não falava muito. Quando os jornalistas reclamaram, ele retrucou: “Monstros não falam, apenas soltam grunhidos.” Depois da vitória, no entanto, ele deu uma coletiva num inglês corretíssimo e ainda vestido de monstro, disse que estava aliviado.
“Antes não conseguíamos assinar um contrato com uma gravadora de jeito algum. Ou o problema eram nossas roupas ou nossa música”, explicou. Mas a julgar pela quantidade de pontos que eles receberam (com várias notas máximas), parece que os executivos das gravadoras finlandesas têm de entrar num curso intensivo de psicologia do mercado fonográfico europeu. Eu adoro Melodifestivalen, por razões que já escrevi aqui: a política misturada à música, as músicas cantadas nos idiomas locais (o que acontece apenas ás vezes infelizmente, já que a maioria das músicas é em inglês), o ambiente alegre e assumidamente cafona, as plumas e paetês, o exagero. Isso tudo me deixa feliz. Hehehe.
O bacana disso tudo é que a Finlândia participa do Melodifestivalen há 40 anos (!!!) sem quase nunca ter chegado nem perto dos primeiros lugares. Os noticiários da TV de ontem à noite mostraram cenas da extrema alegria finlandesa, gente nas ruas de Helsinki gritando, bebendo, sem acreditar no que havia acontecido. Parecia Brasil depois de vencer a copa. Uma pessoa disse: “Temos que comemorar agora porque é pouco provável que esse momento vá se repetir num futuro próximo”. Numa matéria do jornal sueco Svenska Dagbladet, os finlandeses confirmam a importância da vitória: “Segern är kanske större än livet”, o que quer dizer “A vitória é talvez maior do que a vida”.
Falando em música: hoje a TV 4 sueca vai mostrar a festa de premiação do Polar Music Price, conferido pelo rei sueco Carlos XVI Gustavo a músicos de todo o mundo. Foi esse o prêmio que o Gilberto Gil ganhou ano passado, lembram-se? Os premiados desse ano são o maestro russo Valery Gergiev e nada menos do que o grupo Led Zeppelin!
O verbo em sueco do dia é att provocera, provocar.